AUTISMO: APLICAÇÃO DO MÉTODO ABA COMO INTERVENÇÃO DO PSICÓLOGO NO AMBIENTE ESCOLAR

AUTISM: APPLICATION OF THE ABA METHOD AS A PSYCHOLOGIST’S INTERVENTION IN THE SCHOOL ENVIRONMENT

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202512061515


Thais Lima Farah1


Resumo

A Análise do Comportamento Aplicada (ABA) constitui uma abordagem fundamentada na ciência do comportamento que busca compreender e modificar ações humanas por meio da identificação das relações entre ambiente e comportamento, sendo amplamente utilizada no desenvolvimento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Este artigo tem como objetivo analisar a aplicação do Método ABA como proposta de intervenção do psicólogo no ambiente escolar, destacando suas contribuições para o desenvolvimento social, comunicativo e acadêmico dos alunos autistas. A pesquisa, de natureza qualitativa e caráter bibliográfico, baseou-se na análise de livros, artigos científicos e estudos recentes sobre ABA, autismo e psicologia escolar. Os resultados da revisão indicam que a ABA favorece a aquisição de habilidades funcionais, promove a redução de comportamentos desadaptativos e contribui para a inclusão escolar quando aplicada de forma estruturada, ética e individualizada. Além disso, evidenciam a importância do psicólogo escolar como mediador no planejamento, execução e acompanhamento das intervenções, garantindo a adaptação das estratégias à realidade e às necessidades de cada criança. Conclui-se que o Método ABA representa uma ferramenta eficaz para promover o desenvolvimento e a participação ativa de crianças com TEA no contexto educacional, desde que conduzido por profissionais capacitados e integrado ao trabalho colaborativo da equipe escolar e familiar.

Palavras-chave: Autismo. ABA. Psicologia Escolar. Inclusão. Desenvolvimento Infantil.

1  INTRODUÇÃO

O autismo, classificado como um transtorno do neurodesenvolvimento, caracteriza-se por prejuízos na interação social, comunicação e na presença de comportamentos repetitivos, variando em intensidade e impacto conforme cada indivíduo. Nas últimas décadas, o aumento da prevalência dos diagnósticos tem ampliado o interesse científico e educacional sobre práticas que favoreçam o desenvolvimento e a aprendizagem de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Nesse contexto, torna-se essencial examinar metodologias de intervenção que contribuam para a promoção de habilidades adaptativas, sociais e acadêmicas, especialmente no ambiente escolar, espaço privilegiado para o desenvolvimento integral da criança (LEITE & BOSA, 2006).

A Análise do Comportamento Aplicada (ABA) destaca-se como uma das abordagens mais utilizadas e cientificamente reconhecidas para o trabalho com pessoas com TEA. Sustentada em princípios comportamentais, ela busca compreender as funções do comportamento e promover mudanças por meio de estratégias sistemáticas, planejadas e individualizadas (ELDEVIK et al., 2006). Estudos apontam que intervenções baseadas em ABA contribuem para o desenvolvimento de habilidades comunicativas, sociais e cognitivas, além de possibilitar maior autonomia e funcionalidade no cotidiano (FREITAS & OSORIO, 2009).

Embora a literatura evidencie a eficácia da ABA, sua aplicação no contexto escolar ainda apresenta desafios importantes, como a necessidade de profissionais capacitados, planejamento contínuo e colaboração entre psicólogos, professores e famílias. Nesse cenário, destaca-se a atuação do psicólogo escolar como agente fundamental para a implementação, adaptação e avaliação constante das intervenções, considerando as especificidades de cada criança e as demandas do ambiente educacional (SALAZAR, SISTO & BANDEIRA, 2009).

Diante disso, o problema desta pesquisa consiste na seguinte questão: como a aplicação do Método ABA pode contribuir para a intervenção do psicólogo no ambiente escolar, favorecendo o desenvolvimento de crianças com autismo? Esse problema emerge da necessidade crescente de práticas inclusivas baseadas em evidências que promovam participação, aprendizagem e desenvolvimento global desses alunos.

A relevância desta pesquisa fundamenta-se tanto em bases teóricas quanto práticas. Teoricamente, contribui para o aprofundamento das discussões sobre a interface entre psicologia escolar, comportamento humano e educação inclusiva. Na prática, oferece subsídios para psicólogos e educadores implementarem intervenções mais eficazes, ajustadas às reais necessidades das crianças com TEA, fortalecendo ações colaborativas no contexto escolar.

Nesse sentido, o objetivo deste trabalho é analisar a aplicação do Método ABA como proposta de intervenção do psicólogo no ambiente escolar, destacando suas contribuições para o desenvolvimento de habilidades sociais, comunicativas e acadêmicas em crianças com autismo. Para atingir tal objetivo, realiza-se uma revisão bibliográfica que contempla pesquisas sobre o TEA, sobre a metodologia ABA e sobre a atuação do psicólogo em instituições de ensino.

Assim, esta introdução apresenta o contexto geral do tema, delimita o problema, justifica a importância da pesquisa e expõe o objetivo norteador do estudo. Ao final, espera-se oferecer fundamentos para compreender de que maneira o Método ABA pode se constituir como ferramenta relevante e eficaz na atuação do psicólogo escolar voltada ao atendimento de crianças com autismo.

2  FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 

2.1  Autismo e desenvolvimento infantil      

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é definido como um transtorno do neurodesenvolvimento que compromete, em diferentes níveis, a comunicação, a interação social e o comportamento. A literatura científica demonstra que o autismo apresenta causas multifatoriais, incluindo componentes genéticos, neurobiológicos e ambientais que influenciam sua manifestação (LEITE & BOSA, 2006). As características podem variar amplamente entre as crianças, o que exige abordagens educacionais e terapêuticas flexíveis e individualizadas.

Historicamente, a compreensão do autismo evoluiu significativamente. Pesquisas iniciais focavam em aspectos estritamente comportamentais e clínicos, enquanto estudos mais recentes ampliam a discussão para questões sociais, educacionais e inclusivas. Esse avanço permitiu maior compreensão sobre as necessidades específicas de aprendizagem, comunicação e socialização de crianças com TEA, fortalecendo a importância de intervenções precoces e embasadas em evidências científicas (SALAZAR, SISTO & BANDEIRA, 2009).

A escola, enquanto contexto de desenvolvimento, desempenha papel central na inserção e no contato social da criança autista. Além do aprendizado acadêmico, esse ambiente oferece oportunidades para interações sociais diversificadas e para o desenvolvimento de habilidades adaptativas importantes para sua autonomia. Contudo, muitos desafios ainda persistem na inclusão efetiva, como a falta de capacitação de profissionais e a necessidade de metodologias adequadas às singularidades dos estudantes com TEA (KIMURA, PEDROSO & POLLI, 2011).

Dessa forma, compreender o autismo a partir de uma perspectiva educacional e psicológica é essencial para fundamentar práticas de intervenção que promovam participação, desenvolvimento e inclusão. A literatura aponta para a necessidade de estratégias estruturadas, personalizadas e contínuas, que sejam capazes de atender às peculiaridades de cada criança e favorecer sua evolução no ambiente escolar (KOZMA, 2009).

2.2  A Análise do Comportamento Aplicada (ABA)

A Análise do Comportamento Aplicada (ABA) é uma abordagem psicológica fundamentada nos princípios da ciência do comportamento. Ela busca compreender as relações entre comportamento e ambiente e, a partir disso, desenvolver intervenções que promovam mudanças significativas e socialmente relevantes (BAER, WOLF & RISLEY, 1968). Sua eficácia tem sido amplamente documentada em casos de crianças com TEA, especialmente no que se refere ao desenvolvimento de habilidades sociais, comunicativas e acadêmicas.

Um dos pilares da ABA é a individualização do ensino. As intervenções são planejadas de acordo com as necessidades específicas do indivíduo, considerando repertórios comportamentais, dificuldades, interesses e ritmo de aprendizagem (VOLTOLINA & MATTEI, 2007). A análise funcional do comportamento — ou seja, a identificação de antecedentes, comportamentos e consequências — permite compreender a função do comportamento e planejar estratégias eficazes (NENO, 2003).

Outro aspecto fundamental do método é a divisão das habilidades em etapas menores, permitindo que comportamentos complexos sejam ensinados de forma gradual, por meio de modelagem, reforços e repetições estruturadas (LEAR, 2004). Essa característica facilita o processo de aprendizagem de crianças com TEA, que muitas vezes apresentam dificuldades em lidar com demandas amplas e abstratas.

Além disso, o reforço positivo — amplamente empregado na ABA — tem papel central na consolidação de comportamentos desejáveis. A literatura destaca que reforços adequados aumentam a probabilidade de que o comportamento se repita em diferentes contextos, favorecendo a generalização de aprendizagens e habilidades (ANDERSON, 2007). Esse processo é essencial para que as crianças autistas levem para o ambiente escolar e familiar as competências desenvolvidas durante as intervenções.

2.3  Desafios e limitações da ABA

Apesar de ser uma abordagem amplamente reconhecida, a ABA apresenta desafios importantes para sua implementação. Um dos problemas mais citados na literatura diz respeito à intensidade do tratamento, que demanda tempo, acompanhamento frequente e recursos financeiros significativos, tornando a intervenção inacessível para muitas famílias (WINDHOLZ, 1995). Além disso, a necessidade de profissionais especializados limita a oferta de serviços em muitas regiões do país (MAYER, SULZER-AZAROFF & WALLACE, 2012).

Outro desafio envolve críticas conceituais e éticas. Alguns autores argumentam que intervenções muito estruturadas podem desconsiderar preferências individuais da criança e priorizar comportamentos vistos como “normativos”, o que, em determinados casos, pode comprometer sua autonomia (KIMURA, PEDROSO & POLLI, 2011). Apesar de tais críticas, grande parte da literatura reconhece a importância de conduzir a ABA com sensibilidade, ética e respeito às características singulares da criança.

Também se destaca que a ABA pode exigir constante adaptação das estratégias. Como cada criança autista apresenta repertório comportamental único, intervenções generalistas raramente são eficazes. Profissionais e cuidadores podem sentir-se sobrecarregados diante da complexidade dos procedimentos e da necessidade de aplicá-los com consistência (KIMBALL, 2002; KUBINA & FAN-YU, 2008).

Por fim, a literatura aponta que, embora eficaz, a ABA apresenta melhores resultados quando integrada a outras abordagens e ao trabalho colaborativo entre psicólogos, professores, famílias e outros profissionais da saúde e educação. A articulação entre essas equipes, porém, nem sempre ocorre de forma fluida, o que pode comprometer a qualidade da intervenção e o desenvolvimento da criança (SUGAI, LEWIS-PALMER & HAGAN-BURKE, 2000).

2.4  O papel do psicólogo escolar e a ABA

A atuação do psicólogo escolar é fundamental para integrar a ABA ao cotidiano educacional. Esse profissional funciona como mediador entre família, escola e necessidades individuais da criança, desenvolvendo estratégias que permitam a aprendizagem e o desenvolvimento social (WOLF, 1978). Sua função vai além da aplicação de técnicas; envolve planejamento, avaliação constante e colaboração com professores e cuidadores.

O psicólogo também contribui para a identificação de barreiras de aprendizagem, adaptação de atividades pedagógicas e orientação aos docentes sobre comportamentos típicos do TEA. Dessa forma, a escola passa a entender o comportamento da criança como uma forma de comunicação, o que permite intervenções mais assertivas e acolhedoras (SUGAI et al., 2000).

Outro papel importante é o acompanhamento da generalização das habilidades. Como o ambiente escolar envolve múltiplos estímulos e interações, o psicólogo atua garantindo que as habilidades aprendidas no contexto terapêutico possam ser transferidas para situações reais, como atividades em sala, recreio ou interações entre pares (FREITAS & OSORIO, 2009).

Por fim, o psicólogo escolar trabalha para promover inclusão. Ele contribui para construir um ambiente escolar mais consciente, acolhedor e acessível, incentivando práticas colaborativas entre toda a equipe pedagógica. Assim, a ABA, quando bem aplicada, torna-se um importante instrumento para favorecer autonomia, desenvolvimento e participação das crianças com TEA no ambiente educacional (LEITE & BOSA, 2006).

3  METODOLOGIA 

O presente estudo caracteriza-se como uma pesquisa de natureza qualitativa, do tipo bibliográfica, tendo como objetivo analisar a aplicação do Método ABA como proposta de intervenção do psicólogo no ambiente escolar para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A pesquisa bibliográfica consiste na coleta, seleção e análise de materiais já publicados, permitindo a construção de um referencial teórico que fundamenta e esclarece o fenômeno investigado (NENO, 2003).

Para o desenvolvimento deste trabalho, foram consultadas produções científicas como artigos, livros, capítulos, revistas acadêmicas, dissertações, teses e documentos institucionais que abordam o autismo, a Análise do Comportamento Aplicada (ABA) e a atuação do psicólogo no contexto escolar. As fontes bibliográficas foram selecionadas a partir de sua relevância, atualidade e credibilidade, priorizando estudos publicados nas últimas duas décadas, sem desconsiderar referências clássicas fundamentais para a compreensão histórica do tema, como Baer, Wolf e Risley (1968) e Wolf (1978).

A busca pelos materiais foi realizada em bases científicas reconhecidas, como SciELO, Google Acadêmico, CAPES Periódicos, PubMed e em acervos digitais de universidades. Também foram utilizados livros e produções disponibilizadas por instituições e organizações especializadas em análise do comportamento e educação inclusiva. Os critérios de inclusão envolveram obras que tratassem da ABA como intervenção para crianças com TEA e da atuação do psicólogo no ambiente escolar. Foram excluídos materiais não científicos, como textos de opinião, artigos sem revisão por pares e páginas informais da internet.

Após a seleção das fontes, foi realizada uma leitura analítica e interpretativa, buscando identificar convergências, divergências e contribuições relevantes sobre o uso do Método ABA em contexto escolar. A análise dos materiais foi conduzida por meio de categorização temática, permitindo agrupar informações referentes às características da ABA, seus desafios, benefícios e sua aplicabilidade pelo psicólogo escolar, conforme estabelecido nos objetivos deste estudo.

Assim, esta metodologia possibilita compreender de maneira fundamentada as potencialidades e limitações do Método ABA, bem como sua importância para a prática do psicólogo no ambiente escolar, sustentando a discussão apresentada nas seções seguintes e permitindo a replicação do processo metodológico por outros pesquisadores interessados no tema.

4  RESULTADOS E DISCUSSÕES

Os resultados desta pesquisa referem-se à análise e síntese dos estudos encontrados sobre o Método ABA e sua aplicação como intervenção do psicólogo no ambiente escolar para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Com base na revisão bibliográfica realizada, foi possível identificar padrões, contribuições e limitações sobre essa abordagem, que são discutidos a seguir de forma organizada em tópicos temáticos, possibilitando uma análise coerente e alinhada aos objetivos do presente estudo.

4.1  Contribuições do Método ABA para o desenvolvimento da criança autista

Os estudos revisados apontam que o Método ABA apresenta eficácia significativa no desenvolvimento de habilidades sociais, comunicativas e acadêmicas de crianças com TEA. Pesquisas demonstram que intervenções estruturadas, associadas ao reforço positivo, favorecem a aprendizagem de comportamentos funcionais e reduzem comportamentos desadaptativos (ELDEVIK et al., 2006). Esse resultado reforça a importância da ABA como ferramenta de intervenção no contexto escolar.

Outro achado relevante diz respeito à individualização proporcionada pela ABA. Conforme destacado por Voltolina e Mattei (2007), os programas são elaborados a partir das necessidades específicas de cada criança, considerando seu repertório comportamental e ritmo de aprendizagem. Essa característica favorece a evolução gradual das habilidades e sustenta práticas inclusivas mais ajustadas ao perfil de cada aluno.

Observou-se também que o uso da análise funcional permite compreender o propósito dos comportamentos apresentados pela criança, facilitando a elaboração de estratégias capazes de substituir comportamentos inadequados por respostas mais adaptativas (NENO, 2003). Essa compreensão é especialmente útil no ambiente escolar, onde situações sociais e acadêmicas podem desencadear comportamentos desafiadores.

Assim, os resultados teóricos demonstram que a ABA tem potencial para promover avanços em diferentes domínios do desenvolvimento infantil, alinhando-se às necessidades educacionais e emocionais das crianças com TEA e contribuindo para sua inclusão nos ambientes de aprendizagem.

4.2  Desafios da Implementação da ABA no contexto escolar

Embora os benefícios da ABA sejam amplamente reconhecidos, os estudos analisados revelam desafios que podem dificultar sua implementação. Entre eles, destaca-se a necessidade de profissionais qualificados, uma vez que a intervenção exige conhecimentos técnicos específicos e treinamento contínuo (MAYER, SULZER-AZAROFF & WALLACE, 2012). Em muitos contextos escolares, a falta de capacitação adequada impede a aplicação efetiva dos procedimentos.

Outro desafio identificado refere-se à intensidade exigida pelo método. Intervenções eficazes muitas vezes demandam várias horas diárias de acompanhamento, tornando-se inviáveis para algumas instituições educacionais e famílias devido à limitação de recursos financeiros e logísticos (WINDHOLZ, 1995). Esse aspecto evidencia a necessidade de políticas públicas e investimentos que ampliem o acesso à intervenção.

As críticas éticas também aparecem nos resultados analisados. Alguns autores argumentam que a ABA, se aplicada de forma rígida, pode desconsiderar as preferências e a autonomia da criança, levando a práticas pouco sensíveis às particularidades do indivíduo (KIMURA, PEDROSO & POLLI, 2011). Isso reforça a necessidade de condução ética e humanizada do método.

Assim, a literatura demonstra que, embora eficiente, a ABA enfrenta barreiras práticas e conceituais que devem ser consideradas para que sua implementação no ambiente escolar seja efetiva e respeitosa.

4.3  Papel do psicólogo escolar na aplicação do método ABA

Os resultados encontrados reforçam que o psicólogo escolar exerce papel essencial na aplicação da ABA dentro do ambiente educacional. Ele atua como mediador entre família, professores e aluno, elaborando programas de intervenção, orientando a equipe pedagógica e monitorando o progresso da criança (WOLF, 1978). Sua atuação qualificada contribui para que a ABA seja aplicada de forma consistente e alinhada às necessidades do aluno.

Além disso, o psicólogo é responsável por adaptar atividades e estratégias ao contexto escolar, tornando-as significativas e aplicáveis à rotina da criança. Essa adaptação é fundamental para que as habilidades aprendidas no atendimento terapêutico sejam generalizadas para outros ambientes, como sala de aula, recreio e atividades coletivas (FREITAS & OSORIO, 2009).

A literatura analisada também destaca que o psicólogo auxilia na criação de um ambiente emocionalmente seguro e acolhedor, reduzindo estímulos aversivos e promovendo situações que favoreçam a participação e o engajamento da criança com TEA. Dessa forma, o profissional tem papel estratégico tanto na intervenção quanto na construção de uma cultura escolar inclusiva.

Com isso, os resultados evidenciam que a presença do psicólogo escolar é um fator determinante para o sucesso do Método ABA no ambiente educacional, fortalecendo práticas colaborativas entre os profissionais da escola.

4.4  Síntese geral da discussão

A análise dos estudos revisados permite concluir que a ABA se apresenta como uma metodologia eficaz para o desenvolvimento de crianças com TEA, promovendo avanços nas esferas comportamental, social e acadêmica. Porém, sua implementação exige profissionais capacitados, sensibilidade ética, apoio institucional e colaboração entre diferentes agentes escolares.

Além disso, os resultados mostram que o psicólogo escolar desempenha papel fundamental na aplicação e adaptação do método, tornando-se agente indispensável no processo de inclusão e no acompanhamento do desenvolvimento da criança autista.

Assim, a discussão evidencia que, embora existam desafios, o método ABA representa um recurso valioso para a construção de práticas inclusivas, desde que aplicado de forma responsável, sistemática e colaborativa.

5  CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente estudo buscou analisar a aplicação do Método ABA como proposta de intervenção do psicólogo no ambiente escolar, destacando suas contribuições, desafios e implicações para o desenvolvimento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A partir da revisão bibliográfica realizada, foi possível compreender que a ABA constitui uma abordagem estruturada, baseada em evidências científicas, capaz de promover avanços significativos nas áreas social, comunicativa, acadêmica e comportamental dessas crianças.

As análises evidenciaram que a eficácia da ABA está diretamente relacionada à personalização das intervenções, à análise funcional do comportamento e ao uso consistente do reforço positivo. Esses elementos permitem que a criança desenvolva habilidades essenciais para seu cotidiano, ampliando sua autonomia e favorecendo sua inserção nas práticas escolares. Além disso, verificou-se que a presença do psicólogo no ambiente de ensino é fundamental para estruturar, monitorar e adaptar as estratégias de intervenção, garantindo que elas respondam às necessidades específicas de cada aluno.

No entanto, os estudos também apontaram desafios importantes para a implementação da ABA na escola, como a necessidade de profissionais qualificados, a demanda por tempo e recursos, e questões éticas relacionadas ao respeito à individualidade da criança. Esses aspectos reforçam a importância de uma atuação interdisciplinar, colaborativa e sensível às singularidades do estudante, de forma a assegurar que as intervenções sejam humanizadas e eficazes.

Com base nos achados, conclui-se que o Método ABA representa uma ferramenta valiosa na promoção do desenvolvimento e da inclusão escolar de crianças com TEA, desde que aplicado com responsabilidade técnica, ética e por profissionais capacitados. Além disso, destaca-se que a atuação do psicólogo é central para articular processos, orientar a equipe pedagógica e promover um ambiente de aprendizagem acolhedor e inclusivo. Assim, reforçase a necessidade de ampliar investimentos na formação de profissionais e na implementação de práticas baseadas em evidências no contexto educacional.

Por fim, ressalta-se que novas pesquisas podem aprofundar a compreensão sobre a aplicabilidade da ABA em diferentes níveis de ensino, bem como analisar estratégias que fortaleçam a participação da família e da escola no processo de aprendizagem da criança autista. Tais estudos poderão contribuir para o aprimoramento contínuo das práticas inclusivas e para a consolidação de intervenções mais eficazes no cenário educacional contemporâneo.

REFERÊNCIAS

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1Graduada em Psicologia pela Universidade José do Rosário Vellano, Campus Alfenas.