REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202511261358
Caique Michel de Aquino Elias
Guilherme dos Santos Valentim de Oliveira
Jean Acêdo Silva
Orientador(a): Micaella Garcia Fontes Gatti
RESUMO
Este estudo apresenta uma avaliação da disponibilidade e qualidade dos dados do Sistema de Informação em Saúde e Ambiente da Web (SISAWEB) para vigilância de arboviroses no estado de São Paulo. Foram analisadas as coberturas e dos dados fornecidos pelas Application Programming Interfaces – APIs do sistema, incluindo 681.120 consultas realizadas em 645 municípios paulistas ao longo de 66 meses (2020-2025), abrangendo 16 APIs distintas do sistema. Os resultados revelam que apenas 36,16% das consultas retornaram dados com sucesso, enquanto 63,74% apresentaram ausência de dados e 0,10% resultaram em erros. Através de análise de clusterização utilizando K-means (k=4), identificou-se que apenas 6 municípios (0,9%) demonstram excelência em dados de vigilância, com média de 2.331 linhas de dados por cidade e taxa de sucesso de 68,21%. Em contraste, 354 municípios (54,9%) apresentam volume mínimo de dados (média de 12,68 linhas) e baixa disponibilidade (30,49% de sucesso). A análise temporal semestral evidenciou melhora gradual na taxa de sucesso, passando de 32,74% no primeiro semestre de 2020 para 39,38% no primeiro semestre de 2025, representando um aumento de 6,64 pontos percentuais. A comparação entre os 6 melhores e 6 piores municípios revelou uma distância de 64,11 pontos percentuais na taxa de sucesso, indicando significativas desigualdades regionais na capacidade de produção e gestão de dados de vigilância epidemiológica. Os achados evidenciam a necessidade urgente de investimentos em infraestrutura, capacitação técnica e políticas de qualidade de dados para fortalecer os sistemas de vigilância em saúde, especialmente em municípios de menor porte.
Palavras-chave: SISAWEB. Vigilância Epidemiológica. Arboviroses. Qualidade de Dados. Sistemas de Informação em Saúde. Análise de Clusters. Políticas Públicas. Controle de Vetores.
1 INTRODUÇÃO
As arboviroses representam um desafio significativo para a saúde pública no Brasil, especialmente no estado de São Paulo, que abriga a maior população urbana do país. O Sistema de Informação em Saúde e Ambiente da Web (SISAWEB) foi desenvolvido para auxiliar na vigilância e controle dessas doenças, fornecendo dados essenciais para o planejamento e execução de ações de prevenção e controle.
A disponibilidade e qualidade dos dados de vigilância epidemiológica são fundamentais para a tomada de decisões baseadas em evidências. Sistemas de informação robustos e confiáveis permitem identificar tendências, detectar surtos precocemente e avaliar a efetividade das intervenções em saúde pública. No entanto, a efetividade desses sistemas depende não apenas de sua implementação técnica, mas também da capacidade local de coleta, processamento e disponibilização de dados.
Este estudo apresenta uma análise abrangente da disponibilidade e qualidade dos dados do SISAWEB, abrangendo 645 municípios paulistas ao longo de 66 meses (janeiro de 2020 a junho de 2025). Foram realizadas 681.120 consultas em 16 APIs distintas do sistema, permitindo uma avaliação detalhada dos padrões de disponibilidade de dados, disparidades regionais e evolução temporal do sistema.
Os objetivos específicos deste trabalho incluem: (1) quantificar as taxas de sucesso, ausência de dados e erros nas consultas ao SISAWEB; (2) identificar padrões de disponibilidade de dados através de análise de clusterização; (3) avaliar a evolução temporal da qualidade dos dados; (4) comparar o desempenho entre municípios com melhores e piores indicadores; e (5) identificar APIs com maior e menor disponibilidade de dados.
2 REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 Vigilância Epidemiológica de Arboviroses no Brasil
As arboviroses, doenças transmitidas por artrópodes vetores, constituem importante problema de saúde pública no Brasil. Dengue, Zika e Chikungunya são as principais arboviroses urbanas, transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. A vigilância epidemiológica dessas doenças requer sistemas de informação eficientes que permitam o monitoramento contínuo da situação epidemiológica e a detecção precoce de surtos.
2.2 Sistemas de Informação em Saúde
Os sistemas de informação em saúde desempenham papel fundamental na gestão dos serviços e na vigilância epidemiológica. A qualidade desses sistemas depende de múltiplos fatores, incluindo infraestrutura tecnológica, capacitação de recursos humanos, processos de trabalho adequados e governança de dados. A literatura enfatiza a importância da completude, consistência e oportunidade dos dados para a efetividade dos sistemas de vigilância.
2.3 O Sistema SISAWEB
O SISAWEB é um sistema de informação desenvolvido pelo estado de São Paulo para apoiar as ações de vigilância e controle de vetores de arboviroses. O sistema disponibiliza 16 APIs (Application Programming Interfaces) distintas que fornecem dados sobre diferentes aspectos da vigilância entomológica e epidemiológica, incluindo levantamentos de índices larvários, controle vetorial, notificações de casos e caracterização ambiental.
2.4 Os Endpoints do Sistema SISAWEB
O SISAWEB é um sistema que contém uma estrutura de requisição dividida em 16 endpoints (endereços web) determinados tipos. Cada endpoint possui um tema retratado dentro das informações disseminadas sobre o vetor. Para facilitar a compreensão, foi criada a tabela a seguir contendo todos os 16 endpoints em ordem:

3 METODOLOGIA
3.1 Coleta de Dados
A coleta de dados foi realizada mediante consultas sistemáticas às 16 APIs do SISAWEB, abrangendo todos os 645 municípios do estado de São Paulo. O período de análise compreendeu 66 meses, de janeiro de 2020 a junho de 2025. Para cada município e mês, foram realizadas consultas a todas as APIs disponíveis, totalizando 681.120 consultas. As consultas foram realizadas de forma automatizada através de scripts Python, registrando-se o status de cada resposta (sucesso, sem dados, ou erro), o código de resposta HTTP e o volume de dados retornados (quantidade de linhas).
3.2 Análise de Dados
A análise dos dados foi conduzida em múltiplas etapas. Primeiramente, realizou-se uma análise descritiva geral das taxas de sucesso, ausência de dados e erros. Em seguida, aplicou-se o algoritmo K-means para clusterização dos municípios com base em 8 features: taxa de sucesso, taxa de sem dados, taxa de erro, diversidade de respostas HTTP, média de linhas, mediana de linhas, máximo de linhas e total de linhas acumuladas. O método do cotovelo foi utilizado para determinar o número ideal de clusters (k=4). Todas as features foram normalizadas utilizando StandardScaler antes da clusterização. A análise temporal foi conduzida em granularidade semestral para identificar tendências e variações sazonais. Por fim, realizou-se análise comparativa entre os 6 municípios com melhor e pior desempenho geral. Todas as análises e visualizações foram realizadas utilizando Python com as bibliotecas pandas, scikit-learn e plotly.
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.1 Panorama Geral da Disponibilidade de Dados
Das 681.120 consultas realizadas ao SISAWEB, apenas 246.303 (36,16%) retornaram dados com sucesso, enquanto 434.144 (63,74%) apresentaram ausência de dados e 673 (0,10%) resultaram em erros técnicos. Esses números revelam que a maioria das consultas não retornam dados, indicando tanto lacunas na cobertura do sistema quanto possíveis deficiências na alimentação de dados pelos municípios.

FIGURA 1: Panorama Geral das Consultas SISAWEB – Gráfico de pizza mostrando distribuição de status (ok, sem dados, erro) e gráfico de barras com quantidade total de consultas.
A baixa taxa de retorno de dados (36,16%) é particularmente preocupante considerando a importância desses dados para a vigilância epidemiológica. A predominância de consultas sem dados (63,74%) pode refletir diferentes cenários: ausência real de atividades de vigilância nos municípios, dados coletados mas não digitados no sistema, problemas de integração entre sistemas locais e o SISAWEB, ou municípios que utilizam sistemas alternativos. A baixa taxa de erros (0,10%) sugere que o sistema possui boa estabilidade técnica, e que o problema principal não é de infraestrutura tecnológica, mas sim de alimentação de dados. Contudo dados os testes seguidos nas APIs com erro, e suas respectivas falhas consecutivas, indica também a persistência e consistência do erro de requisição para as consultas em questão.
4.2 Padrões de Disponibilidade: Análise de Clusters
A análise de clusterização a partir do método da curva do cotovelo identificou quatro grupos distintos de municípios com padrões de disponibilidade de dados significativamente diferentes:

FIGURA 2: Método do Cotovelo – Gráfico mostrando inércia vs número de clusters com destaque para k=4
Cluster 0 (354 municípios – 54,9%): “Baixa Disponibilidade – Volume Mínimo”. Este grupo, que representa mais da metade dos municípios paulistas, apresenta baixa taxa de sucesso (30,49%), alta taxa de sem dados (69,51%) e volume mínimo de registros (média de 12,68 linhas por cidade). Com total acumulado de 4.739.350 linhas, esses municípios caracterizam-se por dados muito escassos, sugerindo limitações estruturais nos sistemas locais de vigilância.
Cluster 1 (108 municípios – 16,7%): “Boa Disponibilidade – Volume Médio-Alto”. Com taxa de sucesso de 59,82%, taxa moderada de sem dados (40,09%) e média de 343,78 linhas por cidade, este grupo demonstra estrutura consolidada de vigilância. Notavelmente, este cluster concentra o maior volume total de dados (39.207.299 linhas), indicando que esses municípios são responsáveis pela maior parte da produção de dados do sistema, apesar de representarem apenas 16,7% do total de municípios.
Cluster 2 (177 municípios – 27,4%): “Baixa Disponibilidade – Volume Baixo com Erros”. Este grupo apresenta baixa taxa de sucesso (31,99%), alta taxa de sem dados (67,71%) e a maior taxa de erros entre todos os clusters (0,31%). Com média de apenas 19,31 linhas e total acumulado de 3.608.520 linhas, esses municípios enfrentam tanto problemas técnicos quanto baixo volume de dados, sugerindo infraestrutura problemática ou dados inconsistentes.
Cluster 3 (6 municípios – 0,9%): “Excelência – Altíssima Disponibilidade e Volume Massivo”. Este grupo de elite apresenta o melhor desempenho em todos os indicadores: taxa de sucesso de 68,21%, baixa taxa de sem dados (31,71%) e média excepcional de 2.331,05 linhas por cidade – 185 vezes superior ao Cluster 0. Os municípios deste cluster (Itu, São Bernardo do Campo, Presidente Prudente, Votuporanga, Lençóis Paulista e Santa Bárbara d’Oeste) acumulam 14.769.521 linhas e representam referência de excelência em sistemas de vigilância epidemiológica.

FIGURA 3: Visualização 2D dos Clusters – 4 subplots mostrando diferentes perspectivas dos clusters (Taxa Sem Dados vs Taxa de Erro; Média vs Mediana de Linhas; Total vs Máximo de Linhas; Disponibilidade vs Volume)

FIGURA 4: Análise de Distribuição de Métricas por Cluster – 4 painéis: (1) Strip plot de Taxa Sem Dados, (2) Strip plot de Taxa de Sucesso, (3) Histograma de Média de Linhas em escala log, (4) Barras de Diversidade de Respostas

FIGURA 5: Boxplots das Features por Cluster – 3 boxplots mostrando distribuição de Taxa de Sem Dados, Taxa de Erro e Diversidade de Respostas HTTP por cluster
A análise de clusters revela desigualdades substanciais na capacidade de produção e gestão de dados de vigilância epidemiológica entre os municípios paulistas. Enquanto apenas 0,9% dos municípios (Cluster 3) demonstram excelência, mais da metade (54,9% – Cluster 0) apresenta volume mínimo de dados. Esta disparidade sugere que fatores como porte populacional, recursos financeiros, capacitação técnica e estrutura de vigilância desempenham papel determinante na qualidade dos dados produzidos.
4.3 Análise de Disponibilidade por API
A análise individual das 16 APIs do SISAWEB revela variações significativas na disponibilidade de dados. As APIs 8 e 9 apresentam as maiores taxas de sucesso (26,66% e 26,69%, respectivamente), seguidas pelas APIs 4 e 7 (ambas com 19,33%). Em contraste, a API 11 apresenta a menor taxa de sucesso (0,73%), com 99,27% de consultas sem dados, indicando baixíssima utilização ou cobertura. As APIs 1, 2 e 3 apresentam taxas idênticas (16,27% de sucesso), sugerindo possível correlação entre esses sistemas. A taxa média de sucesso entre todas as APIs é de 36,16%, consistente com o panorama geral.

FIGURA 6: Distribuição de Status das Consultas por API – Gráfico de barras horizontais empilhadas mostrando percentual de Sucesso/Sem Dados/Erro para cada uma das 16 APIs, ordenadas por taxa de sucesso
A baixa taxa de erros em todas as APIs (variando de 0% a 1,56%) confirma que o sistema possui boa estabilidade técnica. A API 10 apresenta a maior taxa de erros (1,56%), mas ainda assim mantém taxa de sucesso de 25,13%. Esses resultados sugerem que diferentes APIs apresentam diferentes níveis de adesão pelos municípios, possivelmente refletindo a relevância de cada sistema para as atividades locais de vigilância, a facilidade de uso, a natureza do tema de cada uma das APIs individuais, ou a obrigatoriedade de alimentação de dados.
4.4 Evolução Temporal da Disponibilidade de Dados
A análise temporal semestral revela tendência de melhora gradual na disponibilidade de dados ao longo do período estudado. A taxa de sucesso evoluiu de 32,74% no primeiro semestre de 2020 (2020-S1) para 39,38% no primeiro semestre de 2025 (2025-S1), representando aumento de 6,64 pontos percentuais (20,3% de melhora relativa). O melhor desempenho foi observado em 2024- S1, com taxa de sucesso de 40,49%, enquanto o pior desempenho ocorreu em 2020-S2, com apenas 29,65% de sucesso.

FIGURA 7: Evolução Semestral da Disponibilidade de Dados – 2 painéis: (1) Gráfico de linha mostrando evolução da taxa de sucesso com área preenchida e linha de média geral, (2) Barras empilhadas mostrando composição de status (Sucesso/Sem Dados/Erro) por semestre
A análise semestral permite identificar variações sazonais e períodos críticos. Observa-se melhora consistente entre 2020 e 2024, com destaque para os anos de 2022 e 2023, que apresentaram as maiores taxas de crescimento. Em 2025-S1, observa-se pequena redução em relação a 2024-S2, mas ainda assim mantendo-se acima da média histórica. Esta melhora gradual pode refletir investimentos em infraestrutura, capacitação de equipes municipais, aprimoramentos no sistema ou maior conscientização sobre a importância da qualidade de dados.
4.5 Análise Comparativa: Melhores vs Piores Municípios
A comparação detalhada entre os 6 municípios com melhor desempenho (Taciba, Presidente Prudente, Itararé, Santa Bárbara d’Oeste, Pindorama e Tambaú) e os 6 com pior desempenho (Piracaia, Salesópolis, Pinhalzinho, Iporanga, Rafard e Pedra Bela) revela disparidades marcantes. Os municípios do TOP 6 apresentam taxa média de sucesso de 74,55%, enquanto os do BOTTOM 6 apresentam apenas 10,45%, resultando em uma distância de 64,11 pontos percentuais.

FIGURA 8: Evolução Temporal TOP 6 vs BOTTOM 6 – 2 painéis lado a lado mostrando evolução anual da taxa de sucesso dos 6 melhores municípios (esquerda) e 6 piores municípios (direita)

FIGURA 9: Heatmap de Performance por API – 2 heatmaps empilhados verticalmente mostrando taxa de sucesso por API para TOP 6 (acima) e BOTTOM 6 (abaixo), com escala de cores verde (alta) a vermelho (baixa)
A análise por API revela que a distância entre os grupos varia conforme a API analisada. APIs com grande distância (>50 pontos percentuais) indicam forte dependência de infraestrutura e capacitação local, em que municípios bem estruturados obtêm sucesso mas municípios menores enfrentam dificuldades. APIs com distância média (20-50 pp) apresentam disparidades moderadas, sugerindo problemas mistos (local + sistêmico). APIs com distância baixa (<20 pp) e taxas baixas em ambos os grupos indicam problemas sistêmicos que afetam todos os municípios independentemente de seu porte ou capacidade.
A evolução temporal demonstra que ambos os grupos apresentaram melhora ao longo do período, mas o gap permanece substancial, evidenciando que as desigualdades estruturais persistem. Os municípios do TOP 6 mantêm consistência temporal em seu desempenho, enquanto os do BOTTOM 6 apresentam maior variabilidade, sugerindo instabilidade nos sistemas locais de vigilância.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este estudo apresentou uma avaliação abrangente da disponibilidade e qualidade dos dados do SISAWEB para vigilância de arboviroses no estado de São Paulo. Os resultados evidenciam cenário preocupante: apenas 36,16% das consultas retornam dados com sucesso, e mais da metade dos municípios (54,9%) apresenta volume mínimo de dados. Apenas 6 municípios (0,9%) demonstram excelência em dados de vigilância, revelando profundas desigualdades regionais na capacidade de produção e gestão de dados epidemiológicos.
A análise de clusterização identificou quatro perfis distintos de municípios, permitindo caracterizar padrões de disponibilidade e direcionar intervenções específicas para cada grupo. A evolução temporal demonstra melhora gradual (6,64 pontos percentuais entre 2020 e 2025), mas insuficiente para alcançar níveis adequados de cobertura. A análise comparativa entre melhores e piores municípios revelou uma distância de 64,11 pontos percentuais, evidenciando que fatores locais (infraestrutura, recursos, capacitação) desempenham papel determinante na qualidade dos dados.
Com base nos achados, recomendam-se investigações como próximos passos das seguintes ações prioritárias: (1) investimento em infraestrutura tecnológica e capacitação técnica para municípios dos Clusters 0 e 2, que concentram 531 municípios (82,3%) com baixa disponibilidade de dados; (2) implementação de programa de benchmarking utilizando os 6 municípios de excelência (Cluster 3) como referência de boas práticas; (3) revisão das APIs com baixíssima utilização (especialmente API 11 com 0,73% de sucesso) para identificar barreiras técnicas ou operacionais; (4) estabelecimento de políticas de governança de dados com metas de qualidade e completude; (5) criação de sistema de monitoramento contínuo da qualidade dos dados com alertas automáticos para municípios com deterioração de indicadores.
Este trabalho contribui para a literatura ao fornecer análise sistemática da qualidade de dados de sistemas de vigilância epidemiológica em larga escala, aplicando técnicas de machine learning (K-means) para identificação de padrões e segmentação de municípios. Limitações do estudo incluem a impossibilidade de análise de conteúdo dos dados retornados (apenas disponibilidade foi avaliada) e ausência de análise de fatores contextuais (socioeconômicos, demográficos) que possam explicar as disparidades observadas. Estudos futuros devem investigar determinantes das desigualdades identificadas e avaliar o impacto de intervenções direcionadas para melhoria da qualidade de dados.
A qualidade dos dados de vigilância epidemiológica é fundamental para ações efetivas de saúde pública. Os achados deste estudo evidenciam a urgência de investimentos e políticas voltadas ao fortalecimento dos sistemas de informação em saúde, especialmente em municípios de menor porte e capacidade técnica, para assegurar vigilância epidemiológica equitativa e eficaz em todo o estado de São Paulo.
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