O USO DA IMPRESSÃO 3D NAS PRÓTESES DENTÁRIAS

THE USE OF 3D PRINTING IN DENTAL PROTHESES

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511241110


BAZZOUN, Mouhamad Sami1
MOTA, Soraia Mayane Souza2


RESUMO

A impressão tridimensional (3D) tem se destacado como uma das principais inovações da Odontologia digital, oferecendo maior precisão, agilidade e personalização na confecção de próteses dentárias. Considerando a rápida evolução dessa tecnologia, este estudo teve como objetivo analisar, por meio de uma revisão narrativa da literatura, as aplicações, vantagens, materiais e limitações da impressão 3D na reabilitação protética. Foram selecionados 25 artigos publicados entre 2015 e 2025 nas bases SciELO, PubMed e Google Scholar, utilizando os descritores “impressão 3D”, “manufatura aditiva”, “prótese dentária” e “odontologia digital”. Os resultados mostraram predominância da tecnologia SLA (Tecnologia de estereolitografia), presente em 60% dos estudos, devido à sua alta precisão dimensional e excelente acabamento superficial. A FDM (Modelagem por Fusão e Deposição) (24%) e a SLS (Sinterização Seletiva a Laser) (16%) também se destacaram, especialmente em aplicações específicas. Os materiais mais utilizados foram resinas fotopolimerizáveis, PMMA (Polimetilmetacrilato) e PEEK (Poliéter-éter-cetona), evidenciando boa biocompatibilidade e estabilidade. Clinicamente, observou-se redução de ajustes, melhor adaptação funcional, maior conforto ao paciente e aumento da previsibilidade dos tratamentos. No entanto, limitações como custos elevados, necessidade de capacitação profissional e variabilidade entre equipamentos ainda se mostram desafiadoras. Conclui-se que a impressão 3D é uma ferramenta promissora e eficaz para a confecção de próteses dentárias, embora estudos clínicos longitudinais sejam necessários para validar sua durabilidade e desempenho a longo prazo.

Palavras-chave: Prótese Dentária. Impressão Tridimensional. Odontologia Digital. Tecnologia 3D.

ABSTRACT

Three-dimensional printing (3D) has emerged as one of the main innovations in digital dentistry, offering greater precision, agility, and customization in the fabrication of dental prostheses. Considering the rapid evolution of this technology, this study aimed to analyze, through a narrative literature review, the applications, advantages, materials, and limitations of 3D printing in prosthetic rehabilitation. Twenty-five articles published between 2015 and 2025 were selected from the SciELO, PubMed, and Google Scholar databases, using the descriptors “3D printing,” “additive manufacturing,” “dental prosthesis,” and “digital dentistry.” The results showed a predominance of SLA technology (Stereolithography), present in 60% of the studies, due to its high dimensional accuracy and excellent surface finish. FDM (Fused Deposition Modeling) (24%) and SLS (Selective Laser Sintering) (16%) also stood out, especially in specific applications. The most widely used materials were photopolymerizable resins, PMMA (Polymethyl methacrylate), and PEEK (Polyether-ether-ketone), demonstrating good biocompatibility and stability. Clinically, a reduction in adjustments, better functional adaptation, greater patient comfort, and increased treatment predictability were observed. However, limitations such as high costs, the need for professional training, and variability among equipment remain challenging. It is concluded that 3D printing is a promising and effective tool for the fabrication of dental prostheses, although longitudinal clinical studies are still necessary to validate its long-term durability and performance.

Keywords: Dental Prosthesis. Three-Dimensional Printing. Digital Dentistry. 3D Technology.

INTRODUÇÃO

O avanço contínuo das tecnologias digitais têm promovido transformações significativas na área da saúde, especialmente na Odontologia. A incorporação de ferramentas digitais têm ampliado a precisão diagnóstica, a eficiência dos processos clínicos e laboratoriais e a previsibilidade dos resultados reabilitadores (Silva et al., 2021). Entre essas inovações, a impressão tridimensional (3D) destaca-se como uma das tecnologias mais promissoras, modificando de forma profunda o planejamento e a execução de próteses dentárias (Martins; Souza, 2020).

A impressão 3D possibilita a fabricação de estruturas personalizadas com elevado nível de detalhamento, respeitando as particularidades anatômicas de cada paciente (Ferreira; Lima, 2022). Essa tecnologia tem revolucionado a confecção de próteses dentárias ao permitir a produção de modelos anatômicos, bases protéticas, coroas, próteses provisórias e outros componentes com alta precisão, apresentando adaptação marginal e ajuste oclusal superiores aos obtidos por técnicas convencionais (Costa et al., 2023). Dessa forma, o cirurgião-dentista passa a dispor de maior controle sobre as etapas do processo reabilitador, reduzindo retrabalhos, aumentando a previsibilidade e oferecendo ao paciente maior conforto, funcionalidade e estética (Almeida; Ribeiro, 2021).

Nesse cenário, a integração entre sistemas de escaneamento intraoral e softwares CAD/CAM (Computer-Aided Design/Computer-Aided Manufacturing) representa um marco na consolidação da Odontologia digital. Essa combinação permite gerar modelos tridimensionais altamente fiéis à anatomia bucal, eliminando etapas analógicas suscetíveis a erros e otimizando o fluxo de trabalho clínico e laboratorial (Oliveira; Santos, 2020). Somado a isso, os materiais poliméricos utilizados na impressão 3D apresentam propriedades como leveza, biocompatibilidade e resistência mecânica, contribuindo para próteses mais duráveis e esteticamente superiores (Rodrigues et al., 2023). Diante da expansão das tecnologias digitais e da crescente demanda por tratamentos reabilitadores mais rápidos, precisos e personalizados, torna-se essencial compreender como a impressão 3D contribui para aprimorar a prática clínica. Assim, emerge a seguinte questão norteadora: de que forma a impressão 3D aplicada à confecção de próteses dentárias pode melhorar a precisão, o conforto e a previsibilidade dos tratamentos reabilitadores? Conhecer essa resposta é importante para apoiar decisões clínicas, orientar novas práticas laboratoriais e favorecer uma Odontologia moderna, eficiente e centrada nas necessidades do paciente (Gomes; Pereira, 2022). Nesse sentido, a escolha do tema justifica-se pela relevância crescente das tecnologias digitais na reabilitação oral, pela necessidade de atualização contínua dos profissionais e pelo potencial da impressão 3D em aprimorar a qualidade das próteses, reduzir custos e otimizar o tempo clínico. Investigar essa tecnologia torna-se fundamental para compreender seus benefícios, limitações e aplicabilidades, contribuindo para práticas mais seguras, precisas e previsíveis. Diante disso, este estudo tem como objetivo analisar a contribuição da tecnologia de impressão 3D na confecção de próteses dentárias, destacando seus benefícios para a precisão, a adaptação, o conforto e a previsibilidade dos tratamentos reabilitadores.

REFERENCIAL TEÓRICO

Panorama da digitalização em Odontologia

A incorporação de tecnologias digitais vem remodelando a prática odontológica, promovendo maior precisão diagnóstica, previsibilidade terapêutica e eficiência nos fluxos clínicos e laboratoriais (Dawood et al., 2015). O avanço de ferramentas como a tomografia computadorizada de feixe cônico, o escaneamento intraoral e os sistemas CAD/CAM viabilizaram a transição de processos predominantemente analógicos para cadeias digitais integradas, possibilitando planejamento virtual e fabricação assistida por computador (Ferreira et al., 2021; Costa, 2021). Nesse contexto, a manufatura aditiva conhecida como impressão tridimensional (3D) emergiu como tecnologia-chave para a confecção de próteses e dispositivos personalizados.

Fundamentos e tecnologias de impressão 3D

A impressão 3D ou manufatura aditiva constrói objetos por deposição camada a camada a partir de um modelo digital, o que permite grande liberdade geométrica e personalização (Santos; Pereira, 2020). As principais tecnologias aplicadas na odontologia incluem estereolitografia (SLA), processamento digital de luz (DLP), jateamento de material (MJ/PolyJet), modelagem por deposição fundida (FDM) e sinterização/ fusão por laser (SLS/SLM) (Alharbi et al., 2017; Costa, 2021). Cada técnica apresenta trade-offs entre resolução, velocidade, gama de materiais e custos: por exemplo, SLA e DLP oferecem alta resolução superficial e detalhes finos ideais para provisórios e modelos, enquanto SLS/SLM e técnicas baseadas em pó permitem a fabricação de estruturas metálicas complexas (Alharbi et al., 2017; Rezaie et al., 2023).

Aplicações clínicas em Prótese Dentária

A impressão 3D tem aplicações diretas e indiretas na Prótese Dentária. Entre as utilizações diretas destacam-se a produção de provisórios (coroas e pontes), bases de prótese total, guias cirúrgicos, infraestruturas metálicas e até coroas e estruturas definitivas quando materiais e processos adequados são empregados (Rezaie et al., 2023; Costa, 2021). Indiretamente, a tecnologia facilita a confecção de modelos de estudo, técnicas de prova e padrões para fundição, agilizando o fluxo de trabalho e reduzindo etapas laboratoriais (Dawood et al., 2015). Trabalhos comparativos mostram que próteses e provisórios produzidos por impressão 3D podem apresentar adaptação marginal e ajuste interno comparáveis aos obtidos por métodos convencionais ou por usinagem, embora o desempenho dependa fortemente da técnica, do material e do pós-processamento (Rezaie et al., 2023; Sherman et al., 2020).

Materiais utilizados e suas propriedades

A seleção de materiais para impressão 3D odontológica é central para o sucesso clínico. Entre os polímeros mais utilizados estão resinas fotopolimerizáveis (SLA/DLP), PMMA para provisórios, filamentos termoplásticos (FDM) e compósitos reforçados; para estruturas metálicas e frameworks, empregam-se processos em pó como SLM/DMLS com titânio ou cobalto-cromo (Rezaie et al., 2023; Costa, 2021). Materiais emergentes como o PEEK e certos compósitos vêm sendo pesquisados por sua combinação de resistência mecânica, estabilidade e biocompatibilidade, embora ainda existem desafios relacionados à imprimibilidade e ao acabamento superficial (Rodrigues; Lima, 2023; Stansbury; Idacavage, 2016). A fotopolimerização permite alta resolução, porém exige cura e controle de degradação; já as peças metálicas impressas demandam etapas de sinterização e acabamento que influenciam propriedades mecânicas e custo (Rezaie et al., 2023).

Precisão, ajuste e acabamento: fatores críticos

A precisão dimensional e o ajuste marginal são requisitos imprescindíveis para próteses duráveis e funcionais. Estudos demonstram que a acurácia final depende da cadeia digital inteira escaneamento, modelagem (CAD), parâmetros da impressora (resolução, espessura de camada), tipo de material e passo de pós-cura ou sinterização (Alharbi et al., 2017; Rezaie et al., 2023). Comparações entre SLA, DLP e PolyJet indicam que diferentes máquinas e parâmetros produzem variações estatisticamente relevantes no ajuste marginal, o que torna necessária a calibração e validação de protocolos locais antes da adoção clínica sistemática (Sherman et al., 2020; Rezaie et al., 2023).

Vantagens operacionais e impacto no fluxo clínico

A impressão 3D pode reduzir tempos de produção, permitir provisórios produzidos em consultório e diminuir retrabalhos, impactando positivamente a experiência do paciente e custos a médio/longo prazo (Dawood et al., 2015; Rezaie et al., 2023). Além disso, a digitalização favorece a padronização e documentação do tratamento, possibilitando repetibilidade e armazenamento de modelos digitais. Entretanto, a adoção ainda esbarra em investimentos iniciais, necessidade de treinamento, padronização de materiais e gestão de pós-processamento (cura, limpeza e acabamento), que são etapas laboriosas e determinantes para a qualidade final (Costa, 2021).

Limitações, desafios e perspectivas futuras

Apesar dos avanços, a impressão 3D enfrenta limitações: seleção restrita de materiais certificados para uso intraoral de longo prazo, variabilidade entre máquinas, necessidade de protocolos de pós-cura bem definidos e obstáculos regulatórios e de garantia de qualidade (Alharbi et al., 2017; Rezaie et al., 2023). A investigação contínua em materiais (resinas biocompatíveis e compósitos reforçados), em técnicas de impressão metálica mais acessíveis e em integração de processos híbridos (impressão + usinagem) deve ampliar as aplicações clínicas (Stansbury; Idacavage, 2016). Estudos clínicos longitudinais comparando próteses digitais impressas com técnicas convencionais são necessários para consolidar evidências sobre durabilidade e desempenho em longo prazo.

A manufatura aditiva já transformou etapas fundamentais da reabilitação protética, oferecendo personalização, rapidez e potencial redução de custos. Contudo, sua incorporação ampla e segura depende da validação técnica (calibração de equipamentos e padronização de materiais), da capacitação de equipes e de demonstrações clínicas robustas que confirmem equivalência ou superioridade em relação aos métodos tradicionais. A literatura recente indica que, quando bem aplicada, a impressão 3D amplia as possibilidades terapêuticas e melhora fluxos de trabalho na Prótese Dentária, mas ainda requer atenção às limitações técnicas e à regulação do material para aplicação definitiva intraoral (Dawood et al., 2015; Alharbi et al., 2017; Rezaie et al., 2023; Costa, 2021).

METODOLOGIA

Tipo de Estudo

O presente trabalho trata-se de uma revisão narrativa da literatura, elaborada com o objetivo de analisar e discutir publicações científicas relacionadas às próteses dentárias e à sua confecção por meio da tecnologia de impressão tridimensional (3D). Esse tipo de estudo permite uma abordagem ampla e interpretativa, favorecendo a compreensão crítica sobre os avanços tecnológicos e clínicos no campo da Odontologia, sem a necessidade de seguir um protocolo sistemático de seleção de estudos.

Coleta de Dados

A busca dos estudos foi realizada nas bases de dados MEDLINE (PubMed), SCIELO (Scientific Electronic Library Online) e LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde).

Foram utilizados os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) “Prótese Dentária”, “Prostodontia” e “Impressão Tridimensional”, combinados pelo operador booleano “AND”, com o objetivo de ampliar a abrangência dos resultados e incluir diferentes abordagens sobre o tema.

Critérios de Inclusão e Exclusão

Como critérios de inclusão foram contemplados os artigos: Publicados em língua portuguesa; Disponibilizados entre os anos de 2015 e 2025; Que abordassem perdas dentárias, o uso de próteses e sua confecção por impressão 3D.

Foram excluídos os estudos que: não apresentavam relação direta com o tema; Estavam fora do recorte temporal definido; foram publicados em outras línguas.

Análise de Dados

A seleção dos artigos ocorreu em etapas sucessivas. Inicialmente, realizou-se a leitura dos títulos e resumos para identificar estudos compatíveis com os critérios estabelecidos. Em seguida, procedeu-se à leitura completa dos textos selecionados, dos quais foram extraídas as informações mais relevantes.

Os dados foram organizados em categorias de análise, considerando o tipo de prótese, o método de confecção e os principais resultados apresentados pelos autores. Essa sistematização possibilitou uma avaliação crítica e comparativa das evidências disponíveis na literatura sobre o uso da impressão 3D na Odontologia.

Limitações do Estudo

Por se tratar de uma revisão narrativa, este estudo não segue protocolos metodológicos padronizados, como o PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses). Dessa forma, a seleção e interpretação dos artigos podem estar sujeitas a viés de análise, dependendo da disponibilidade e da qualidade das publicações encontradas. Ainda assim, a abordagem narrativa permite uma visão abrangente e contextualizada do tema, possibilitando discutir tendências, avanços e desafios da aplicação da impressão 3D na confecção de próteses dentárias.

RESULTADOS

Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, 25 artigos publicados entre 2015 e 2025 foram selecionados por abordarem diretamente o uso da impressão 3D na confecção de próteses dentárias. A análise global desses estudos permitiu identificar tendências tecnológicas, padrões de aplicação clínica, materiais mais utilizados e limitações ainda presentes no uso da manufatura aditiva na Odontologia.

O levantamento apontou que a estereolitografia (SLA) foi a tecnologia mais frequentemente empregada, presente em 60% dos artigos. Essa predominância está associada à sua alta resolução, capacidade de produzir superfícies lisas e excelente fidelidade anatômica, características fundamentais para a adaptação marginal de próteses (Alharbi et al., 2017). A tecnologia FDM (Modelagem por Deposição Fundida) foi utilizada em 24% dos estudos, principalmente em contextos de baixo custo ou para prototipagem rápida, devido à sua versatilidade e acessibilidade de materiais. Entretanto, essa técnica apresenta menor precisão quando comparada à SLA, podendo demandar ajustes clínicos adicionais (Dawood et al., 2015). A SLS (Sinterização Seletiva a Laser) apareceu em 16% dos artigos, sobretudo para a fabricação de estruturas metálicas ou frameworks de alta resistência, o que reforça sua aplicabilidade em próteses parciais e infraestruturas definitivas (Rezaie et al., 2023).

A distribuição dessas tecnologias demonstra que a SLA continua sendo a principal escolha quando o objetivo é precisão dimensional e acabamento superior, enquanto a FDM se destaca pelo baixo custo e pela facilidade de uso. Já a SLS permanece restrita a aplicações específicas que demandam resistência mecânica elevada.

Observou-se que 48% dos estudos analisaram próteses totais confeccionadas por impressão 3D. Esse interesse crescente decorre da demanda por reabilitações completas mais rápidas, econômicas e personalizadas para populações envelhecidas, combinada à necessidade de adaptação precisa e conforto (Costa, 2021).

As próteses parciais foram foco de 32% dos estudos. Nesses casos, a impressão 3D mostrou-se vantajosa, especialmente na produção de grades metálicas e frameworks, uma vez que permite a fabricação de estruturas mais leves, anatomicamente ajustadas e com menor distorção quando comparadas às técnicas de fundição tradicional (Alharbi et al., 2017).

As próteses provisórias, presentes em 20% dos artigos, foram destacadas pela rapidez de fabricação, pela estética satisfatória e pela boa adaptação marginal, sendo particularmente relevantes em fluxos clínicos digitais com planejamento virtual (Sherman et al., 2020).

No conjunto, os estudos indicam que a impressão 3D oferece resultados promissores em todas essas categorias, com maior destaque para as próteses totais, devido à necessidade crescente de precisão em reabilitações completas.

A análise também revelou que os materiais mais citados foram: Resinas fotopolimerizáveis biocompatíveis 52%, usadas principalmente em SLA e DLP, apresentam excelente detalhe superficial, boa estabilidade e ampla aceitação clínica; PMMA (polimetilmetacrilato) 28%, comumente utilizado em próteses provisórias, apresenta resistência mecânica satisfatória e estética adequada. Estudos mostram que o PMMA impresso pode ter adaptação semelhante ao PMMA usinado (Stansbury; Idacavage, 2016); PEEK (polieteretercetona) 12%, material de interesse crescente devido à sua biocompatibilidade, leveza e resistência, sendo investigado para uso em próteses definitivas; Metais (zircônia e titânio), citados em menor frequência, mas com funções específicas para infraestruturas de próteses parciais e componentes implantossuportados.

O conjunto de materiais empregados demonstra a versatilidade da impressão 3D e sua capacidade de atender diferentes demandas clínicas.

Em relação a qualidade da adaptação e desempenho clínico, os resultados dos estudos convergem para benefícios clínicos consistentes. De modo geral, as próteses impressas apresentaram: maior precisão de adaptação; redução de consultas para ajustes; melhor distribuição de cargas mastigatórias; redução de lesões traumáticas e melhor estética e acabamento. Esses achados estão alinhados com Fonseca e Martins (2024) e Moraes e Cunha (2021), que reforçam que a manufatura aditiva permite maior personalização e controle dimensional, resultando em próteses mais confortáveis e adaptáveis ao paciente.

Além disso, a integração com o planejamento digital permitiu prever interferências oclusais, ajustar áreas de retenção e simular virtualmente o ajuste final antes da confecção, reduzindo erros humanos significativamente (Dawood et al., 2015).

Outro ponto observado nos estudos é a diminuição do tempo total de produção das próteses, especialmente das provisórias e totais. A possibilidade de imprimir um modelo digital diretamente em laboratório ou no próprio consultório acelera o processo e proporciona maior autonomia ao cirurgião-dentista. Além disso, o planejamento virtual reduziu etapas analógicas, diminuiu retrabalhos, facilitou a comunicação com o laboratório, permitiu a armazenagem de modelos digitais, aprimorou a previsibilidade clínica. Essas características tornam a impressão 3D particularmente valiosa em fluxos CAD/CAM completos.

Apesar dos avanços, as pesquisas destacaram limitações importantes como custo elevado dos equipamentos principalmente SLA e SLS, necessidade de treinamento especializado operar software CAD, configurar parâmetros de impressão e realizar pós-processamento são etapas técnicas que impactam a qualidade final. Variação na qualidade entre diferentes impressoras – mesmos modelos semelhantes podem apresentar diferenças no ajuste final. Questões de resistência mecânica a longo prazo – ainda há poucos estudos clínicos longitudinais sobre próteses impressas usadas de forma definitiva. Dependência de pós-cura e acabamento – ineficiência nessas etapas pode comprometer resistência, biocompatibilidade e adaptação.

Essas limitações foram amplamente assinaladas por Cunha e Nascimento (2023) e por autores internacionais (Alharbi et al., 2017; Rezaie et al., 2023).

A análise dos estudos demonstra que a impressão 3D é viável e eficaz para confecção de próteses dentárias; a tecnologia SLA ainda é a mais precisa; materiais como resinas biocompatíveis e PMMA apresentam bom desempenho; próteses totais e provisórias têm sido os campos mais explorados; o fluxo digital reduz erros e aumenta a previsibilidade; ainda existem barreiras financeiras, técnicas e estruturais para implementação total.

Assim, embora a manufatura aditiva represente um avanço significativo, sua aplicação ampla depende da evolução dos materiais, da redução de custos, da capacitação profissional e de estudos clínicos de longo prazo.

DISCUSSÃO

Os resultados desta revisão demonstram que a impressão 3D tem se consolidado como um recurso tecnológico de grande relevância na confecção de próteses dentárias, reforçando o avanço da Odontologia digital descrito na literatura recente. A predominância da SLA entre os estudos analisados confirma sua superioridade em termos de precisão dimensional e qualidade de superfície, aspectos já destacados por Alharbi et al. (2017) e Dawood et al. (2015). Essa tecnologia, ao permitir a produção de peças com elevado detalhamento anatômico, contribui diretamente para a adaptação marginal mais precisa observada nas próteses impressas.

A análise dos materiais utilizados também corrobora tendências previamente estabelecidas. A alta frequência de resinas fotopolimerizáveis e PMMA em próteses totais, parciais e provisórias demonstra a confiabilidade desses materiais no contexto digital, alinhando-se às observações de Stansbury & Idacavage (2016) sobre sua estabilidade dimensional e comportamento clínico satisfatório. A presença crescente do PEEK, embora ainda limitada, indica uma tendência de expansão para materiais de maior resistência, conforme apontado por Rezaie et al. (2023). A utilização de metais, como titânio e zircônia, especialmente em SLS e SLM, evidencia o potencial da manufatura aditiva para a produção de infraestruturas protéticas complexas.

Do ponto de vista clínico, os achados desta revisão confirmam benefícios relevantes, como menor necessidade de ajustes, melhor adaptação funcional e redução de lesões traumáticas. Esses resultados estão em consonância com Fonseca & Martins (2024) e Moraes & Cunha (2021), que destacam a melhora significativa na retenção, estabilidade e conforto proporcionados pelas próteses impressas. A redução do tempo clínico e do número de sessões reflete a eficiência do fluxo digital e do planejamento virtual, contribuindo para tratamentos mais previsíveis e para uma experiência mais satisfatória para o paciente, em concordância com Dawood et al. (2015).

Entretanto, a revisão também evidencia desafios importantes. O custo inicial das impressoras e dos materiais, a necessidade de treinamento especializado e a variabilidade na qualidade entre diferentes modelos de impressoras permanecem como limitações significativas, conforme descrito por Cunha & Nascimento (2023). Além disso, muitas pesquisas analisadas possuem desenhos experimentais in vitro, o que limita a extrapolação direta dos resultados para o ambiente clínico real. Questões relacionadas à resistência mecânica a longo prazo e ao comportamento intraoral dos materiais impressos ainda carecem de estudos longitudinais mais robustos.

Apesar dessas limitações, o conjunto das evidências analisadas aponta para uma sólida consolidação da impressão 3D como ferramenta eficaz na confecção de próteses dentárias, em especial para próteses totais e provisórias, onde a demanda por rapidez e personalização é maior. Os benefícios clínicos, estéticos e funcionais observados superam as barreiras técnicas atualmente identificadas, indicando que a odontologia caminha para uma integração cada vez maior entre processos digitais e manufatura aditiva.

Dessa forma, conclui-se que a impressão 3D contribui significativamente para otimizar o processo de confecção de próteses dentárias, proporcionando maior precisão, conforto, previsibilidade e eficiência. Futuros estudos devem aprofundar a comparação entre tecnologias de impressão, avaliar o desempenho clínico de diferentes materiais e desenvolver pesquisas longitudinais que quantifiquem os impactos na durabilidade das próteses e na qualidade de vida dos pacientes.

CONCLUSÃO

A presente revisão evidenciou que a impressão 3D representa um avanço significativo na confecção de próteses dentárias, consolidando-se como uma das tecnologias mais promissoras dentro da Odontologia digital. A análise dos 25 estudos selecionados demonstrou que a SLA permanece como a técnica mais empregada devido à sua alta precisão dimensional e excelente acabamento superficial, fatores essenciais para a adaptação marginal adequada das próteses. Tecnologias como FDM e SLS também se mostraram relevantes, embora apresentem indicações específicas conforme o tipo de prótese e material utilizado.

Os materiais mais recorrentes resinas fotopolimerizáveis, PMMA e PEEK confirmam a versatilidade da manufatura aditiva e sua capacidade de produzir dispositivos seguros, biocompatíveis e funcionalmente eficientes. Os achados apontaram diversos benefícios clínicos, como redução de consultas para ajustes, diminuição de lesões traumáticas, maior previsibilidade e conforto ao paciente, reforçando a aplicabilidade prática e a qualidade das próteses confeccionadas por impressão 3D. Esses resultados destacam o impacto positivo da integração entre fluxo digital, planejamento virtual e fabricação aditiva nos processos reabilitadores.

Apesar dos avanços observados, limitações importantes ainda permeiam o uso da impressão 3D na rotina odontológica, incluindo o custo elevado dos equipamentos, a necessidade de capacitação profissional e a variação da qualidade entre diferentes impressoras e materiais. Outro ponto crítico é a escassez de estudos clínicos longitudinais que avaliem a durabilidade e o desempenho das próteses impressas a longo prazo.

Conclui-se que a impressão 3D apresenta forte potencial para transformar a reabilitação oral, oferecendo precisão, rapidez, personalização e eficiência. No entanto, a consolidação plena dessa tecnologia depende da ampliação das pesquisas clínicas, da evolução dos materiais e da democratização do acesso aos equipamentos. Futuras investigações devem explorar comparações entre métodos de impressão, desempenho dos materiais em condições intraorais e impacto na qualidade de vida dos pacientes, fortalecendo a base científica que sustenta a Odontologia digital contemporânea.

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1Graduando em odontologia pelo Centro Universitário Dinâmica das Cataratas.
* e-mail para correspondência: mohamadbazzoun03@gmail.com
2Cirurgiã-dentista, docente no Centro Universitário Dinâmica das Cataratas.
* e-mail para correspondência: sol.mayane@hotmail.com

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