REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511211832
Aline Marta França Fialho1
Phlávia Rodrigues Fernandes2
Samira Cordeiro Alves3
Orientadora: Prof. Esp. Isabela Bernardes Bosque4
Resumo:
O presente trabalho tem como objetivo analisar a aceitação do diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) em adultos, enfocando os desafios, benefícios e estratégias de adaptação vivenciados por esses indivíduos. O estudo busca compreender como o reconhecimento tardio da condição impacta aspectos emocionais, sociais e psicológicos, influenciando a autoestima, as relações interpessoais e a qualidade de vida. Realizou-se uma revisão bibliográfica em fontes especializadas, a fim de identificar padrões de enfrentamento e mecanismos de adaptação adotados pelos adultos diagnosticados. Espera-se que os resultados contribuam para a ampliação do conhecimento sobre o processo de aceitação do TEA na fase adulta, fornecendo subsídios para profissionais da saúde, familiares e sociedade em geral, promovendo maior compreensão, empatia e inclusão social.
Palavras-chave: adaptação social; diagnóstico do espectro autista em adultos; qualidade de vida; saúde mental; transtorno do espectro autista.
Abstract: This study aims to analyze the acceptance of the diagnosis of Autism Spectrum Disorder (ASD) in adults, focusing on the challenges, benefits, and adaptation strategies experienced by these individuals. The research seeks to understand how the delayed recognition of the condition impacts emotional, social, and psychological aspects, influencing self-esteem, interpersonal relationships, and quality of life. A literature review of specialized sources was conducted to identify coping patterns and adaptation mechanisms adopted by diagnosed adults. The results are expected to contribute to the expansion of knowledge about the process of accepting ASD in adulthood, providing support for health professionals, family members, and society in general, and promoting greater understanding, empathy, and social inclusion.
Keywords: Social adaptation; diagnosis of autism spectrum disorder in adults; quality of life; mental health; autism spectrum disorder.
1. INTRODUÇÃO
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é frequentemente identificado ainda na infância, mas nas últimas décadas, tem-se observado um crescimento expressivo nos diagnósticos realizados na vida adulta. De acordo com Gaiato (2018), trata-se de uma condição do neurodesenvolvimento que envolve dificuldades contínuas na comunicação e nas interações sociais, além de comportamentos repetitivos e interesses restritos. No entanto, pessoas com manifestações mais sutis, especialmente mulheres e indivíduos com elevado desempenho cognitivo, muitas vezes não são diagnosticadas precocemente. Esse fator tem contribuído para o aumento dos casos identificados tardiamente (Mendes, 2018; Alves, 2024).
Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2021), estima-se que aproximadamente uma em cada cem crianças no mundo seja diagnosticada com o TEA. Contudo, esse número pode ser inferior à realidade, uma vez que muitos casos deixam de ser identificados na primeira infância. O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5-TR) ressalta a ampla heterogeneidade das manifestações clínicas do TEA, o que significa que, em adultos, os sinais podem se apresentar de maneira atípica e menos perceptível (American Psychiatric Association, 2022). Essa variabilidade nos perfis do espectro evidencia a importância de se adotar uma abordagem diagnóstica e terapêutica personalizada, conforme sugerem Schwartzman (2011) e Del Porto (2023).
A ausência do diagnóstico precoce pode impactar negativamente diversas áreas da vida do indivíduo, gerando sofrimento psíquico, baixa autoestima, dificuldades nas relações interpessoais e prejuízos acadêmicos e profissionais (Barbosa, 2023; MacDonald & Stone, 2021). Muitos adultos chegam à fase adulta com um histórico de exclusão, bullying escolar, fracasso acadêmico e problemas laborais, sem que essas dificuldades tenham sido corretamente compreendidas no decurso do tempo (Lima & Filho, 2020; Goffman, 1988).
A descoberta da identificação clínica na fase adulta, apesar de tardia, pode funcionar como um marco de reinterpretação da trajetória de vida. Lewis (2017) defende que o diagnóstico possibilita a edificação de uma nova identidade narrativa, onde o indivíduo encontra sentido para suas experiências passadas. Sentimentos de alívio, pertencimento e autocompreensão são comumente relatados nesse processo, ainda que também possam surgir emoções como luto, negação ou confusão (Gaiato, 2018; Mendes, 2018).
Esse assunto é importante para ampliar a compreensão sobre as implicações psicológicas e sociais do diagnóstico tardio do TEA, contribuindo para que profissionais da saúde mental, educadores, gestores públicos e familiares estejam mais preparados para oferecer suporte adequado. Como enfatizam Milton e Bracher (2013), a escuta ativa de pessoas autistas é fundamental para compreender o impacto subjetivo do diagnóstico e elaborar estratégias de acolhimento mais efetivas.
Além disso, compreender os processos de aceitação do diagnóstico na fase adulta permite refletir sobre a indispensabilidade de políticas públicas mais inclusivas, tanto no âmbito da saúde mental quanto da inserção social e profissional (Leopoldino, 2016; IBGE, 2019). A Lei nº 12.764/2012 e a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) reconhecem os indivíduos com TEA como sujeitos de direitos, reforçando a urgência de se pensar em práticas que respeitem suas especificidades ao longo de toda existência.
A relevância deste estudo decorre do aumento no reconhecimento do autismo em adultos, impulsionado por um maior acesso à informação e pela ampliação dos critérios diagnósticos. Muitas dessas pessoas passaram a vida enfrentando dificuldades em compreensão social, sobrecarga sensorial e desafios no ambiente de trabalho sem o suporte adequado. Dessa forma, compreender o impacto do diagnóstico tardio e os processos de aceitação pode contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas, estratégias de inclusão e suporte adequado.
Este estudo se justifica pela necessidade de discutir as implicações psicológicas e sociais da descoberta tardia do autismo, além de destacar a importância do acesso à informação e a suporte especializado. O diagnóstico tardio pode representar um momento de reinterpretação da própria história de vida e possibilitar um maior entendimento das dificuldades enfrentadas ao longo dos anos.
A metodologia utilizada é de caráter teórico, baseada em uma revisão bibliográfica qualitativa fundamentada na literatura acadêmica e materiais especializados, proporcionando um panorama abrangente sobre o tema. Foram selecionadas obras acadêmicas, artigos científicos, livros e publicações relevantes que tratam do TEA, com ênfase no diagnóstico em adultos, aceitação e estratégias de adaptação. Diante disso, o presente estudo busca responder ao seguinte problema de pesquisa: como adultos diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA) vivenciam o processo de aceitação de sua condição e quais os impactos emocionais, sociais e identitários dessa descoberta tardia?
2. Aceitação do diagnóstico de autismo na vida adulta
2.1. Conceito sobre o Transtorno do Espectro Autista
O TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento que se manifesta, geralmente, nos primeiros anos de vida, caracterizado por dois domínios principais: déficits persistentes na comunicação social e na interação social em múltiplos contextos, e padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades (American Psychiatric Association, 2022, p. 50). O termo “espectro” é utilizado para refletir a ampla variação nas manifestações do transtorno, em termos de tipo e intensidade dos sintomas (Santos, 2022, p. 10).
Além disso, é uma condição de base neurobiológica, com causas multifatoriais que envolvem fatores genéticos e ambientais. Para Bosa (2002), o transtorno “reflete uma perturbação precoce e grave do desenvolvimento cerebral, comprometendo a forma como a criança compreende e se relaciona com o mundo social” (Bosa, 2002, p. 27).
Nesse contexto, é importante destacar que a prevalência do TEA tem aumentado nas últimas décadas, o que pode estar relacionado tanto à ampliação dos critérios diagnósticos quanto à maior conscientização da população e da comunidade médica. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima-se que haja cerca de 2 milhões de pessoas com o Transtorno do Espectro Autista, o que corresponde a 1% da população. A abordagem educacional e terapêutica do TEA deve ser individualizada, considerando as particularidades de cada pessoa. Para Schwartzman (2011) “a intervenção precoce e intensiva com enfoque no desenvolvimento das habilidades sociais e comunicativas têm mostrado melhores resultados a longo prazo” (Schwartzman, 2011, p. 85).
2.2. Conceito sobre a fase adulta
A fase adulta é a transição entre adolescente e velhice, ela começa legalmente ao completar os 18 anos e no ponto de vista biológico é quando tem o pleno desenvolvimento físico e psicológico.
O período delineado em nossa sociedade como adultez é diversificado e longo. Normalmente, se enquadram no grupo de adultos pessoas de 18 à 65 anos, por ser um período longo da vida, é comum subdividir a adultez em: vida adulta inicial, vida adulta intermediária e vida adulta tardia (Papalia e Feldman, 2013).
O adulto jovem (vida adulta inicial) está na faixa etária dos 20 aos 40 anos de idade, a fase da meia idade (vida adulta intermediária) é dos 40 aos 65 anos de idade e a vida adulta tardia é a partir dos 65 anos.
E além das fases, tem os três critérios que definem a idade adulta: (1) aceitar a responsabilidade por si mesma, (2) tomar decisões independentes e (3) tornar-se financeiramente independente (Arnett, 2006).
2.3. Barreiras e impactos no autoconhecimento e na identidade
A identificação clínica do TEA na fase adulta, muitas vezes, ocorre de forma tardia devido a uma combinação de fatores. Entre eles, destacam-se as dificuldades no acesso ao sistema de saúde, a limitação de atendimento por profissionais capacitados para reconhecer o transtorno, as barreiras financeiras que dificultam a busca por avaliação especializada e, sobretudo, a falta de informação adequada. Essa ausência de conhecimento impede que muitas pessoas reconheçam em si mesmas ou em outros os sinais característicos, o que contribui para o atraso no diagnóstico e, consequentemente, na obtenção de intervenções adequadas. Segundo Santos (2021, p. 45), a ausência de profissionais especializados para diagnosticar o TEA tardio constitui uma barreira importante que dificulta o reconhecimento precoce do transtorno, atrasando o encaminhamento para intervenções apropriadas.
O processo de autoconhecimento e a construção da identidade são contínuos ao longo da vida e influenciam diretamente a forma como o indivíduo percebe a si mesmo e se posiciona no mundo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o autoconhecimento é definido como a “habilidade de reconhecer a si próprio, incluindo seu caráter, pontos fortes e limitações, desejos e desapontamentos” (WHO, 1997, p. 2). Essa construção pode ser significativamente impactada na vida da pessoa com autismo, tanto por aspectos internos quanto externos. O diagnóstico tardio, ao mesmo tempo que pode gerar alívio e sentido para experiências passadas, também exige uma reelaboração da identidade e das narrativas pessoais.
Segundo Erikson (1976), a identidade é formada por meio de uma integração das vivências e do reconhecimento de si frente ao contexto social. O diagnóstico na fase adulta pode desestabilizar a imagem previamente construída, ao mesmo tempo em que oferece novas ferramentas para compreender comportamentos, dificuldades e traços pessoais. Como aponta Grandin e Panek (2014), ao conhecer suas particularidades, muitos adultos autistas relatam sentimentos de validação e auto aceitação, o que contribui para uma identidade mais autêntica.
No entanto, essa reconfiguração identitária também é mediada pelas experiências sociais e pelos estigmas associados à condição do espectro. Conforme Goffman (1988) , a identidade social é construída a partir da interação entre os atributos percebidos e os rótulos impostos pelo meio. Assim, o autoconhecimento, embora fundamental para o bem-estar psíquico, pode ser dificultado por experiências de exclusão, invalidação ou falta de compreensão, tanto no ambiente familiar quanto profissional.
A compreensão da avaliação clínica como parte constitutiva da identidade e não como um fator limitante pode favorecer o fortalecimento da autoestima, da autonomia e da capacidade de estabelecer relações mais saudáveis e alinhadas aos próprios limites e potenciais. Nesse sentido, o processo de aceitação está diretamente ligado à construção de um novo significado sobre si mesmo. Como ressaltam Milton e Bracher (2013), ao abordarem o conceito de “condição do espectro autista crítico”, que valoriza as narrativas dos próprios sujeitos neurodivergentes como centrais na definição de sua individualidade.
2.4. Sentimentos comuns após o diagnóstico
Nos últimos anos, observou-se o crescente número de diagnósticos de TEA na fase adulta, especialmente aqueles que apresentam características mais sutis ou que desenvolveram estratégias de camuflagem ao longo da vida. Esses indivíduos frequentemente passaram por experiências de exclusão, incompreensão e dificuldades de adaptação social, sem saber a real causa de tais desafios (Lima & Filho, 2020).
De acordo com Barbosa (2023), o diagnóstico é frequentemente acompanhado de um alívio ao compreender aspectos da própria identidade, mas também pode vir carregado de sofrimento acumulado ao longo dos anos. Isso pode ocorrer por conta da ausência de um olhar clínico adequado desde a infância que pode levar o indivíduo a receber o diagnóstico equivocado ou ser rotulado socialmente de maneira negativa, contribuindo para quadros de ansiedade, depressão e isolamento.
O diagnóstico em adultos, embora tardiamente revelador, pode representar um misto de sentimentos. Ele proporciona um novo olhar sobre a trajetória pessoal, trazendo alívio ao permitir a compreensão de vivências anteriores, comportamentos e padrões de pensamentos. No entanto, o processo de aceitação pode ser desafiador, envolto em sentimentos de negação, alívio, confusão ou até mesmo luto por uma identidade construída sem esse conhecimento (Mendes, 2018).
A descoberta do TEA na fase adulta pode despertar uma gama de emoções, como:
- Alívio: representa um momento de alívio e validação, pois possibilita compreender dificuldades anteriores, reduzir a autocrítica e favorecer maior aceitação de si mesmos (Hickey, Crabtree, & Stott, 2018).
- Confusão: a necessidade de reavaliar experiências passadas sob uma nova perspectiva pode ser desafiadora, gerando sentimentos de confusão em adultos diagnosticados tardiamente com TEA (Hickey, Crabtree, & Stott, 2018) .
- Aceitação gradual: o processo de aceitação pode variar, sendo influenciado por fatores como suporte social, acesso a informações e histórico de vida ( Gaiato, 2018).
O diagnóstico é visto, por muitos, como uma oportunidade de se conhecer melhor, promover a autoaceitação e resgatar a própria história sob uma nova perspectiva. Conforme Goleman (1995), “o autoconhecimento emocional é a capacidade de reconhecer e compreender suas próprias emoções.” Nesse sentido, a compreensão desses sentimentos é essencial para que profissionais da área e familiares possam oferecer suporte adequado.
2.5. Benefícios do diagnóstico tardio
De acordo com o estudo de Lewis, citado por Del Porto (2022), muitos adultos que recebem um diagnóstico tardio de TEA relatam benefícios significativos associados a essa descoberta. Nesse contexto, o autodiagnóstico, ainda que informal, costuma anteceder o diagnóstico profissional, funcionando como uma etapa preliminar de autocompreensão.
Segundo Lewis (2017), para muitas pessoas, especialmente adultos sem acesso ao diagnóstico formal, o autodiagnóstico representa uma forma legítima de autocompreensão e construção identitária, permitindo que se reconheçam dentro do espectro e se conectem a uma comunidade que compartilha experiências semelhantes. Dessa forma, mesmo que nem todos recebam posteriormente o diagnóstico formal de TEA, esse processo pode revelar sintomas subliminares ou outras condições relevantes que também merecem atenção clínica.
As dificuldades na comunicação variam amplamente entre os indivíduos autistas. Além disso, fatores como o potencial cognitivo, histórico de vida e presença de comorbidades influenciam significativamente o desenvolvimento da pessoa no espectro, tornando essencial uma abordagem individualizada para a compreensão de suas capacidades e desafios” (DEL MONDE; NOGUEIRA, 2023, p 16).
2.6. Estratégias para lidar com o diagnóstico tardio
Quando se trata de condição do espectro na vida adulta, o tratamento é feito com o apoio de uma equipe multidisciplinar, formada por profissionais como médicos, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, pedagogos, assistentes sociais e, claro, a participação ativa da família, que é essencial nesse processo de apoio e evolução.
Diferente da infância, em que o foco está no desenvolvimento de habilidades básicas, na fase adulta a terapia passa a ter como principal objetivo a promoção da autonomia, sempre respeitando os limites de cada indivíduo. Esse processo é fundamental para que a pessoa consiga se integrar de forma mais eficaz à sociedade e aumente suas chances de inserção no mercado de trabalho. (Autismo e Realidade, 2019).
Realizar o diagnóstico tardio do TEA pode trazer diversos benefícios para a pessoa autista, pois, além de possibilitar o acesso a direitos garantidos por lei, como atendimento prioritário, inclusão educacional, transporte adaptado e isenções fiscais, também contribui diretamente para a melhoria do bem-estar. No entanto, é importante destacar que esse processo ainda enfrenta desafios significativos, especialmente nos casos mais complexos.
A identificação clínica em adultos costuma envolver uma etapa inicial de triagem, seguida da aplicação de instrumentos específicos que avaliam as características descritas nos manuais de classificação e diagnóstico. Apesar das dificuldades, essa identificação tardia pode representar um ponto de virada na trajetória da pessoa, permitindo maior autoconhecimento, acolhimento e acesso ao suporte adequado.
2.7. Inclusão no mercado de trabalho na vida adulta
É possível identificar diversas barreiras no processo de inclusão de pessoas com TEA no mercado de trabalho, entre elas a postura inadequada de alguns empregadores, a ausência de suporte no ambiente profissional e a oferta de vagas com baixa qualidade, que muitas vezes não correspondem à qualificação e ao potencial dos indivíduos.
Em 2007, a Organização das Nações Unidas (ONU) publicou a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, a qual reconhece os direitos das pessoas com TEA e contribui para a criação do aperfeiçoamento de políticas voltadas à inclusão desses indivíduos no mercado de trabalho (Leopoldino, 2016).
Algumas leis brasileiras garantem os direitos das pessoas com TEA, como a Lei nº 12.764/2012, que criou a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com TEA e reconhece esses indivíduos como pessoas com deficiência para todos os efeitos legais. Essa legislação é complementada pela Lei nº 13.146/2015, conhecida como Lei Brasileira de Inclusão ou Estatuto da Pessoa com Deficiência, que tem como objetivo assegurar o exercício pleno e igualitário dos direitos e liberdades fundamentais, promovendo a inclusão social e o fortalecimento da cidadania dessas pessoas.
Mas nem sempre o direito desses indivíduos é respeitado, ainda existem dificuldades relacionadas à compreensão das características do TEA, bem como à identificação e remoção das barreiras presentes no ambiente de trabalho. Além disso, observa-se um desafio na implementação de estratégias adequadas de acompanhamento para adultos com TEA.
Para a adaptação profissional é preciso compreender as necessidades específicas e as características individuais de pessoas com TEA é fundamental para evitar julgamentos e atitudes preconceituosas no ambiente corporativo. Além disso, é necessário que as empresas realizem adaptações no espaço de trabalho, favorecendo a inclusão e o bem-estar desses profissionais.
De acordo com o Soeker (2020), é fundamental que exista um sistema de apoio sólido no ambiente de trabalho, especialmente voltado para ampliar o conhecimento sobre as características do TEA entre empregadores e colegas. Isso ajuda a reduzir barreiras e promover uma convivência mais respeitosa e inclusiva. Dessa forma, a inclusão desses trabalhadores pode ocorrer por meio de programas de reabilitação profissional bem estruturados, que realmente considerem as necessidades individuais e favoreçam a adaptação no contexto profissional.
3. MATERIAL(IS) E MÉTODOS
Este trabalho foi desenvolvido a partir de uma revisão bibliográfica, com o objetivo de compreender a aceitação do diagnóstico tardio do TEA em adultos, bem como a importância das intervenções terapêuticas nesse processo. A escolha por esse tipo de metodologia se justifica pela necessidade de reunir, organizar e analisar textos acadêmicos e institucionais que tratam do diagnóstico tardio de autistas, considerando seus desdobramentos clínicos, psicológicos e sociais.
A busca pelos materiais foi realizada nas bases de dados SciELO, PubMed e PePSIC, além de sites institucionais e organizações voltadas à inclusão e ao autismo, como Autismo e Realidade e o Instituto Inclusão Brasil. Também foram incluídos artigos de revistas acadêmicas e dissertações de profissionais e estudantes da área da saúde.
Foram utilizadas palavras-chave como adaptação social; diagnóstico do espectro autista em adultos; qualidade de vida; saúde mental; transtorno do espectro autista.
Os critérios de inclusão abrangeram textos publicados entre os anos de 1976 e 2024, redigidos em português ou inglês, que tratassem de forma direta da experiência do diagnóstico do TEA na vida adulta ou de suas implicações terapêuticas e sociais. Foram excluídos materiais que abordassem o TEA exclusivamente na infância ou que não apresentassem fundamentação teórica relevante para o tema.
Após a seleção, os materiais foram organizados por eixos temáticos, de modo a possibilitar uma análise integrada e coerente com os objetivos da pesquisa. Esses eixos contemplaram aspectos como saúde mental, autoconhecimento, identidade e inclusão social, permitindo compreender de maneira integrada os diferentes impactos do diagnóstico tardio do TEA em adultos.
Dentro de cada eixo, buscou-se comparar as abordagens dos diferentes autores, identificar pontos de convergência e divergência e compreender como cada estudo contribui para o entendimento do processo de aceitação do diagnóstico em adultos com TEA. Essa organização permitiu uma leitura crítica das produções existentes, possibilitando uma visão ampla e articulada sobre o tema.
4. DISCUSSÃO
A revisão bibliográfica realizada evidencia que a aceitação do diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) na fase adulta é um processo complexo, marcado por sentimentos ambíguos que variam entre o alívio e o luto. Os estudos analisados indicam que, embora o diagnóstico tardio possa inicialmente causar desconforto e questionamentos sobre a própria identidade, ele também representa uma oportunidade significativa de autoconhecimento e reinterpretação da trajetória pessoal.
Autores como Gaiato (2018), Mendes (2018) e Lewis (2017) destacam que o reconhecimento do autismo na vida adulta permite que muitos indivíduos compreendam suas dificuldades passadas, reduzam a autocrítica e passem a desenvolver uma autoimagem mais positiva. O diagnóstico, nesse sentido, funciona como uma ferramenta de validação subjetiva, auxiliando na reconstrução da autoestima e no fortalecimento da identidade.
Entretanto, o processo de aceitação está intimamente relacionado ao suporte recebido após a descoberta. Estudos mostram que a falta de acolhimento familiar, de acompanhamento psicológico e de políticas públicas inclusivas pode dificultar a adaptação e intensificar sentimentos de isolamento e inadequação (Barbosa, 2023; Milton & Bracher, 2013). A rede de apoio social e o acesso à informação são, portanto, elementos centrais para uma aceitação mais saudável.
5. CONCLUSÃO
O presente estudo permitiu compreender que a aceitação do diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista ( TEA) na fase adulta é um processo multifacetado que envolve dimensões emocionais, sociais e identitárias. A descoberta tardia pode ser desafiadora, mas também representa uma oportunidade de autodescoberta e de reconstrução da narrativa pessoal.
Constatou-se que estratégias de suporte multidisciplinar e familiar demonstram ser essenciais para favorecer a autonomia, a integração social e o bem-estar psicológico do adulto com TEA, sendo fatores determinantes para uma adaptação mais saudável. (Autismo e Realidade, 2019).
Além disso, é imprescindível que a sociedade e as instituições promovam maior conscientização sobre o autismo em adultos, ampliando o acesso a diagnósticos precisos e a intervenções que respeitem as singularidades de cada indivíduo, conforme indicam Leopoldino (2016) e a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015), que asseguram o direito à igualdade e à participação plena das pessoas com deficiência.
Diante disso, este estudo conclui que o conhecimento sobre os sintomas e característica do TEA é fundamental, pois possibilita às pessoas realizarem o autodiagnóstico e ter acesso a profissionais capacitados. Esse entendimento é essencial para promover a inclusão social, o bem-estar e viabilizar o diagnóstico precoce, contribuindo para o desenvolvimento pessoal e social do indivíduo com TEA.
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1Graduanda em Psicologia pela Uninassau Tocantins. E-mail: aline.marta.fialho15@gmail.com
2Graduanda em Psicologia pela Uninassau Tocantins. E-mail: samiracordeiro26@gmail.com
3Graduanda em Psicologia pela Uninassau Tocantins. E-mail: psiphlavia@gmail.com
4Professora orientadora Esp. em Neuropsicologia e Psicologia Clínica. E-mail: bosquepsicologa@gmail.com
