TEMPORAL TREND AND SPATIAL DISTRIBUTION OF LEPROSY CASES IN THE STATE OF TOCANTINS FROM 2019 TO 2024
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202511182250
Lívia Karoline Barreto Werncke Silva1
Luan De Alencar Borges2
Luara De Castro Souza3
Maria Fernanda Formehl4
Danielle Cardoso Neves Rebouças5
RESUMO: Introdução: A hanseníase, causada pelo Mycobacterium leprae, é uma doença infectocontagiosa de evolução crônica. Também conhecida como bacilo de Hansen, afeta principalmente a pele, os nervos periféricos (especialmente de braços e pernas) e as mucosas. Possui potencial para causar lesões neurais que podem resultar em incapacidades irreversíveis, caso o diagnóstico seja tardio ou o tratamento inadequado. Metodologia: Trata-se de um estudo ecológico, transversal, retrospectivo e descritivo, com abordagem quantitativa. A população do estudo foi composta por todos os casos de hanseníase notificados no SINAN entre 2019 e 2024 no estado do Tocantins. Foram analisadas as seguintes variáveis: sexo, faixa etária, escolaridade, raça/etnia, situação gestacional, classificação operacional da doença, forma clínica, grau de incapacidade no diagnóstico, presença de lesões cutâneas, ocorrência de episódios reacionais e esquema terapêutico registrado no momento da notificação, conforme ficha oficial de notificação da hanseníase.
Palavras-chave: Hanseníase. Epidemiologia. SINAN. Brasil.
ABSTRACT: Introduction: Leprosy, caused by Mycobacterium leprae, is a chronic infectious disease. Also known as Hansen’s bacillus, it primarily affects the skin, peripheral nerves (especially in the arms and legs), and mucous membranes. It has the potential to cause neural damage that may lead to irreversible disabilities if diagnosis is delayed or treatment is inadequate. Methodology: This is an ecological, cross-sectional, retrospective, and descriptive study with a quantitative approach. The study population comprised all cases of leprosy reported in the SINAN database between 2019 and 2024 in the state of Tocantins. The variables analyzed included sex, age group, educational level, race/ethnicity, pregnancy status, operational classification of the disease, clinical form, degree of disability at diagnosis, presence of skin lesions, occurrence of reactional episodes, and therapeutic regimen recorded at the time of notification, as documented in the official leprosy notification form.
Keywords: Leprosy. Epidemiology. SINAN. Brazil.
1. INTRODUÇÃO
A hanseníase é causada pelo Mycobacterium leprae, parasita intracelular que infecta inicialmente as células de Schwann e os macrófagos. É uma doença infectocontagiosa, granulomatosa, com alta infectividade, embora possua patogenicidade baixa, tendo o homem como única fonte de infecção. A transmissão e contágio da doença acontece através das vias inalatórias de pessoas infectadas pelas formas multibacilares (Moreira et al., 2019).
A doença possui um espectro clínico variável que está ligado à resposta do hospedeiro, carga bacilar e tempo de diagnóstico da doença. Possui um período de incubação que varia em torno de 2 a 7 anos, porém pode apresentar períodos mais longos, podendo chegar a 10 anos (Moreira et al., 2019).
Em 2022 foram descobertos 174.087 novos casos de hanseníase em todo o mundo, com uma taxa de incidência de 21,8 casos por milhão de habitantes. Em relação ao ano de 2020, a taxa de detecção global aumentou 35,6% e 32,9% respectivamente. Os países com maiores números de casos novos foram Índia, Brasil e Indonésia, que representam 78,1% do total de casos novos registrados em todo o mundo. No mundo, as Américas contribuíram com 12,3% dos casos novos diagnosticados, sendo que o Brasil contabilizou 92% dos casos (Brasil, 2024).
Ao analisar esse cenário, percebe-se que a hanseníase persiste como um problema de saúde pública por todo o mundo, especialmente no Brasil, mesmo com a existência de diretrizes para atenção, vigilância e eliminação da doença. A problemática da hanseníase é agravada pela inerência de determinantes econômicos e sociais que estão associados à doença, ao qual provoca deformidade físicas e invalidez nos indivíduos acometidos e provoca estigma social ligado à discriminação das pessoas (Lima et al., 2022).
O enfrentamento da hanseníase no Brasil tem sido implementado desde 2016 através das Diretrizes Nacionais para Vigilância, Atenção e Eliminação da Hanseníase como Problema de Saúde Pública. Além do mais, o Ministério da Saúde desenvolve ações para eliminação da doença que são implementadas por meio por meio do programa denominado Estratégia Nacional para enfrentamento da Hanseníase, que possui como objetivo fortalecer a gestão, enfrentar a doença e suas complicações e promover a inclusão social de pessoas acometidas (Brasil, 2024). Com o objetivo de facilitar o diagnóstico da doença, a Organização Mundial da Saúde (OMS), adotou uma classificação, onde as pessoas infectadas são divididas em paucibacilar ou multibacilar. Os pacientes paucibacilares possuem baciloscopia negativa e agregam as formas indeterminadas e tuberculóides. Os multibacilares possuem baciloscopia positiva, e quando não tratados são responsáveis pela cadeia de transmissão e engloba as formas virchowiana e dimorfa. De acordo com os critérios e parâmetros do Ministério da Saúde, o estado do Tocantins é considerado hiper endêmico para hanseníase (Gonçalves et al., 2020).
No ano de 2023, o estado do Tocantins ocupou a segunda posição entre as unidades da federação (UF), com 47,97 casos novos por 100 mil habitantes (Brasil, 2023). Esse quadro epidemiológico leva a considerar que existe uma relação entre o processo endêmico da hanseníase com a ocupação de novos lugares, uma vez que o Tocantins é um estado que possui uma grande área de fronteiras agrícolas. O crescimento demográfico e a movimentação migratória têm demonstrado que contribuem com o aumento da incidência da doença (Campos; Silva, 2022).
Desta maneira, os valores elevados dos indicadores podem ser reflexo da vulnerabilidade social da doença, que também viabiliza a manutenção e circulação do bacilo (Campos; Silva, 2022). E são estes valores que geram a seguinte problemática: qual foi a tendência temporal e o comportamento espacial da hanseníase no estado do Tocantins no período de 2019 a 2024?
A hanseníase é uma doença que possui comportamento heterogêneo, uma vez que sua ocorrência é influenciada por fatores ambientais, sociais, demográficos e econômicos. Desta maneira, é importante assumir uma investigação do comportamento espaço temporal da hanseníase, levando em consideração os diferentes denários territoriais de uma localidade, especialmente pelo fato de que sua prevalência é maior em classes sociais mais desfavorecidas (Lima et al., 2022).
Considerando que o Brasil é um país que possui uma alta carga hanseníca, a análise dos indicadores epidemiológicos da doença no estado do Tocantins viabiliza avaliar a eficiência das medidas preventivas e acompanhar os padrões de comportamento deste agravo.
Além do mais, os indicadores podem fornecer subsídios para a gestão da doença pela saúde, mostrando a necessidade de reformulação ou formulação de estratégias de prevenção e de políticas públicas que favoreçam o seu enfrentamento. Além do mais, a análise no estado do Tocantins e a identificação das regiões mais endêmicas, possibilita a implementação de intervenções direcionadas para a necessidade e realidade regional ou local.
Deste modo, os objetivos desta pesquisa buscam descrever os aspectos epidemiológicos em uma distribuição temporal da hanseníase no estado do Tocantins, no período de 2019 a 2024 no intuito de identificar as principais microrregiões de saúde com foco na doença.
2. METODOLOGIA
Trata-se de um estudo ecológico, transversal, retrospectivo e descritivo, com abordagem quantitativa. O desenho permitiu analisar dados populacionais de forma a compreender a distribuição espacial e temporal dos casos de hanseníase no estado do Tocantins.
A pesquisa foi realizada com base nos casos de hanseníase notificados no estado do Tocantins, utilizando dados secundários disponibilizados pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN/DATASUS), vinculado ao Ministério da Saúde. O período de análise abrangeu os anos de 2019 a 2024.
O estado do Tocantins, criado em 1º de janeiro de 1989 a partir da divisão do estado de Goiás, é composto por 139 municípios, organizados em duas macrorregiões: Norte e Centro-Sul, conforme Resolução CIB/TO nº 143, de 19 de julho de 2018. Estas macrorregiões foram subdivididas em regiões de saúde, sendo: Bico do Papagaio, Médio Norte Araguaia, Cerrado Tocantins Araguaia, Cantão, Capim Dourado, Amor Perfeito, Ilha do Bananal e Sudeste. Segundo estimativas do IBGE (2024), a população do estado foi de 1.577.342 habitantes, com densidade demográfica de 5,45 hab/km².
A população do estudo foi composta por todos os casos de hanseníase notificados no SINAN durante o período de 2019 a 2024 no estado do Tocantins. A amostra incluiu 100% das notificações registradas neste intervalo.
Foram incluídos todos os casos com diagnóstico confirmado de hanseníase notificados entre 2019 e 2024.
Foram excluídos do estudo os casos com notificações fora do período de análise, registros com dados incorretos, não avaliados ou incompletos, bem como aqueles com inconsistências no preenchimento das fichas.
Foram analisadas as seguintes variáveis: sexo, faixa etária, escolaridade, raça/etnia, situação gestacional, classificação operacional da doença, forma clínica, grau de incapacidade no diagnóstico, presença de lesões cutâneas, ocorrência de episódios reacionais e esquema terapêutico, conforme registrado na ficha oficial de notificação da hanseníase.
Os dados foram extraídos do site do DATASUS (https://datasus.saude.gov.br) utilizando informações de saúde epidemiológicas de morbidade, especificamente os casos de hanseníase desde 2001, com abrangência geográfica no estado do Tocantins e período de 2019 a 2024.
Para a análise temporal, o estado do Tocantins foi a unidade geográfica, sendo a tendência da hanseníase classificada como crescente, decrescente ou estacionária. O método de autorregressão de Prais-Winsten foi aplicado, calculando se a variação anual média (APC – annual percent change), os intervalos de confiança de 95% (IC) e valores de p (considerado significativo se p ≤ 0,05). As taxas foram transformadas em logaritmos (log10) antes da análise, conforme Antunes (2015). O software Microsoft Excel foi utilizado para processamento dos dados.
A análise epidemiológica envolveu a descrição das variáveis segundo frequência absoluta e relativa, considerando ano, faixa etária, escolaridade, raça/cor, gestante, classificação operacional, forma clínica, grau de incapacidade no diagnóstico e lesões cutâneas, segmentadas por região de saúde. As taxas de incidência foram calculadas pela razão entre o número de casos e a população em risco, multiplicada por 100.000 habitantes, utilizando projeções populacionais do IBGE (2000–2060).
Por fim, as estratégias de intervenção nas áreas mais afetadas incluíram a realização de palestras educativas com agentes comunitários de saúde, visando reforçar a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado da hanseníase.
3. RESULTADOS
No aporte aos dados retirados do DataSUS, foram filtrados os resultados para casos de hanseníase notificados no período de 2019 a 2024 para calcular a tendência temporal utilizado o método de Prais-Winsten onde através dos números de casos por ano e a população daquele ano obtivemos a taxa de incidência de casos para cada 100.000 habitantes.
Figura 1 – Dispersão Anual dos casos

Passando essa taxa para log10 para calcular a dispersão dos casos, apresentado na Figura 1, encontramos um coeficiente de 0,5859 que nos indica que a tendência temporal é crescente com uma variação anual média de 285,39%.
Analisando a distribuição espacial de casos dentro do Estado do Tocantins nos anos de 2019 a 2024, temos a região Capim Dourado com o maior percentual de casos, seguida pelas regiões Médio Norte Araguaia, Amor Perfeito, Cantão, Cerrado Tocantins Araguaia, Ilha do Bananal, Bico do Papagaio e região Sudeste.
Figura 2 – Casos de Hanseníase por Macrorregião de Saúde no Tocantins de 2019 a 2024

Essa distribuição apontada no Gráfico 2, também é impactada pela distribuição populacional dentro do Estado do Tocantins, onde temos a região do Capim Dourado, que contempla a capital Palmas, com a maior população.
Figura 3 – Casos de Hanseníase no Estado do Tocantins no período de 2019 a 2024 por Sexo

Relacionando os casos de hanseníase notificados no estado do Tocantins no mesmo período, observamos que não segue um padrão seletivo para algum sexo, tendo uma distribuição heterogênea anualmente como mostra a Figura 3.
A figura 4 abaixo trás os casos de hanseníase no estado do Tocantins no período de 2019 a 2024 por raça/etnia de acordo com os dados obtidos no DataSUS. Podemos observar que a raça Parda ocupa o maior número de casos notificados, representando 65% das notificações para este período.
Figura 4 – Casos de Hanseníase no Estado do Tocantins no período de 2019 a 2024 por Raça/Etnia

A distribuição por raça é analisada conforme a notificação apresentada, portanto, esta informação é obtida através da Notificação Compulsória encaminhada para o SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação) e armazenada dentro do DataSUS.
Figura 5 – Casos de Hanseníase no Estado do Tocantins no período de 2019 a 2024 por Classificação Operacional

Analisando a figura 5, podemos afirmar que a grande maioria dos casos (aproximadamente 91%) é multibacilar, o que indica predomínio de formas mais avançadas ou transmissíveis da doença. Isso sugere diagnóstico tardio em muitos pacientes, já que o multibacilar geralmente representa estágios com maior carga bacilar. O percentual reduzido de paucibacilares reforça a necessidade de estratégias de detecção precoce, para identificar e tratar pacientes ainda nas formas iniciais.
Figura 6 – Casos de Hanseníase no Estado do Tocantins no período de 2019 a 2024 por Forma Clínica

Avaliando quanto a Forma Clínica, há predomínio expressivo da forma dimorfa (75,9%), seguida pela virchowiana (11,9%). Ambas são formas multibacilares, associadas a maior carga infecciosa e transmissibilidade. As formas iniciais (indeterminada e tuberculoide), que indicam diagnóstico precoce, somam apenas 13,7% dos casos.
A figura 6 apresenta um padrão que sugere que a maioria dos diagnósticos está sendo feita em fases avançadas, possivelmente após longo tempo de evolução da doença. Os casos não classificados e ignorados indicam falhas no preenchimento das fichas do SINAN, o que pode impactar a qualidade das análises epidemiológicas.
4. DISCUSSÃO
A análise da tendência temporal da hanseníase no estado do Tocantins entre 2019 e 2024 revelou um comportamento crescente, com variação anual média estimada em 285,39%. Esse achado é preocupante e reforça que, apesar dos esforços nacionais de controle, o estado ainda mantém hiperendemicidade, conforme apontado pelo Ministério da Saúde (BRASIL, 2023). O aumento pode estar relacionado à intensificação das ações de busca ativa e vigilância, mas também à persistência de determinantes sociais como pobreza, baixa escolaridade e condições precárias de moradia, reconhecidos como fatores associados à manutenção da cadeia de transmissão (LIMA et al., 2022; GONÇALVES et al., 2020).
A maior concentração de casos na região de saúde Capim Dourado, que engloba a capital Palmas, indica que áreas urbanas com maior densidade populacional e fluxo migratório podem favorecer a transmissão da doença. Esse padrão já havia sido descrito por Campos e Silva (2022), que relacionam o crescimento demográfico e o avanço das fronteiras agrícolas ao aumento da incidência. Por outro lado, regiões menos povoadas, como Bico do Papagaio e Sudeste, apresentaram menor número absoluto de casos, mas não necessariamente menor risco, visto que a subnotificação pode ocorrer em localidades com estrutura de vigilância deficiente.
Quanto ao perfil sociodemográfico, observou-se distribuição equilibrada entre os sexos, diferindo parcialmente de outros estudos, como o de Moreira et al. (2019), que identificaram predominância masculina, possivelmente associada à maior exposição laboral e menor procura por serviços de saúde por parte dos homens. Essa homogeneidade encontrada no Tocantins pode refletir o avanço na busca ativa e rastreamento de contatos, ampliando o diagnóstico também entre mulheres.
Em relação à raça/etnia, a predominância de casos entre pessoas pardas (65%) reflete o perfil populacional do estado e coincide com achados nacionais (BRASIL, 2023). Entretanto, essa distribuição também pode indicar desigualdades estruturais, já que indivíduos pardos e indígenas frequentemente apresentam condições socioeconômicas mais vulneráveis, o que dificulta o acesso precoce ao diagnóstico e tratamento.
A alta proporção de casos multibacilares (91%) e o predomínio das formas clínicas dimorfa e virchowiana apontam para diagnósticos tardios e manutenção da cadeia de transmissão. Esse cenário confirma a necessidade de fortalecer a atenção básica, capacitando profissionais para identificar sinais precoces e reduzir incapacidades. Estudos realizados em outras regiões endêmicas, como Maranhão e Pará, também identificaram predominância de formas multibacilares, sugerindo que o diagnóstico ainda ocorre em fases avançadas da doença (LIMA et al., 2022).
A presença de casos não classificados ou ignorados nas fichas do SINAN demonstra fragilidade no sistema de informação, comprometendo a precisão dos indicadores epidemiológicos. A qualidade do preenchimento dos dados deve ser aprimorada, visto que é a principal base para o planejamento de ações públicas e para o monitoramento da doença (BRASIL, 2024).
Diante desses achados, torna-se evidente que o enfrentamento da hanseníase no Tocantins exige ações integradas de vigilância epidemiológica, educação em saúde e inclusão social. Estratégias como capacitação contínua dos profissionais, intensificação da busca ativa e campanhas educativas nas escolas e comunidades podem contribuir para o diagnóstico precoce e para a quebra da cadeia de transmissão. Além disso, é fundamental investir em políticas públicas que combatam a vulnerabilidade social — determinante crucial para a persistência da doença.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise temporal e espacial da hanseníase no estado do Tocantins entre 2019 e 2024 evidenciou uma tendência crescente da incidência, mantendo o estado como uma área de hiperendemicidade. A persistência desse cenário reflete tanto o impacto dos determinantes sociais de saúde quanto a deficiência na detecção precoce dos casos, especialmente diante da elevada proporção de formas clínicas multibacilares e da predominância da forma dimorfa.
A maior concentração de casos na região de saúde Capim Dourado, que inclui a capital Palmas, sugere que o adensamento populacional e o fluxo migratório são fatores que contribuem para a manutenção da cadeia de transmissão. Por outro lado, a presença de registros incompletos no SINAN e a subnotificação em algumas regiões reforçam a necessidade de melhorar a qualidade das informações epidemiológicas, elemento fundamental para o planejamento de ações efetivas de vigilância.
Os achados apontam para a urgência de fortalecer a Atenção Primária à Saúde, ampliando a capacitação das equipes e a cobertura de ações de busca ativa e educação em saúde, com foco na detecção precoce e redução das incapacidades físicas. Além disso, políticas públicas intersetoriais voltadas à redução das desigualdades sociais devem ser priorizadas, uma vez que a hanseníase permanece fortemente associada à pobreza e à exclusão social.
Dessa forma, o estudo contribui para a compreensão da dinâmica epidemiológica da hanseníase no Tocantins e reforça que sua eliminação como problema de saúde pública ainda representa um desafio persistente. O enfrentamento efetivo da doença requer continuidade nas ações de vigilância, investimentos em educação permanente e fortalecimento do sistema de informação em saúde.
Considerando as limitações deste trabalho, que utilizou dados secundários e análises quantitativas, sugere-se a realização de um estudo de coorte ou caso controle envolvendo pacientes diagnosticados com hanseníase no Tocantins. Esse novo estudo poderia investigar de forma mais aprofundada os fatores socioeconômicos, ambientais e comportamentais associados ao diagnóstico tardio, bem como avaliar o impacto das ações de vigilância e tratamento implementadas nas regiões de maior incidência. Essa abordagem permitiria compreender melhor os determinantes locais da endemia e subsidiar intervenções mais eficazes e direcionadas.
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ANEXO



1Acadêmica do Curso de Medicina – Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos
2Acadêmico do Curso de Medicina – Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos
3Acadêmica do Curso de Medicina – Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos
4Acadêmica do Curso de Medicina – Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos
5Docente do Curso de Medicina–Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos (Orientadora)
