O PNEUMOTÓRAX COMO LESÃO RESULTANTE DO USO DE CIGARRO ELETRÔNICO: EVIDÊNCIAS, MECANISMOS E DESAFIOS PARA A SAÚDE PÚBLICA.

PNEUMOTHORAX ASSOCIATED WITH E-CIGARETTE USE: EVIDENCE, MECHANISMS AND PUBLIC HEALTH CHALLENGES.

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202511161626


Anna Carolina Fialho Silva1
Alex Oliveira2
Julia Carvalho do Nascimento3
Vitória  Caroline Camargo Rosena4


RESUMO 

Embora a Anvisa tenha proibido os cigarros eletrônicos no Brasil desde 2009,  seu uso tem crescido de forma alarmante, principalmente entre os jovens. Estudos  indicam que, além da dependência de nicotina, o vaping pode causar graves  problemas pulmonares, como pneumotórax, que se caracteriza pelo acúmulo de ar  na cavidade pleural.  

Esta revisão analisou pesquisas científicas dos últimos 20 anos, incluindo  estudos de caso que ligam o uso de cigarros eletrônicos ao desenvolvimento de  pneumotórax. Os resultados mostram que 89% dos pacientes necessitam de  intervenções invasivas, como drenagem torácica e cirurgia, o que destaca a  seriedade do caso, embora 11% dos casos tenham mostrado bons resultados com  métodos mais conservadores. A literatura acadêmica ainda precisa de estudos mais  abrangentes para estabelecer protocolos padronizados.  

Este estudo tem como objetivo enfatizar a conexão entre o vaping e o  surgimento de pneumotórax, alertando sobre os riscos associados ao seu uso e a  importância de estratégias de prevenção em saúde pública.  

Palavras-chave: Cigarro eletrônico; Vaping; Pneumotórax; Doenças  pulmonares; Saúde pública.

ABSTRACT 

Although Anvisa (the Brazilian Health Regulatory Agency) has banned  electronic cigarettes in Brazil since 2009, their use has grown alarmingly, especially  among young people. Studies indicate that, in addition to nicotine dependence,  vaping can cause serious pulmonary problems such as pneumothorax, which is  characterized by the accumulation of air in the pleural cavity. 

This review analyzed scientific research from the past 20 years, including case  studies linking the use of electronic cigarettes to the development of pneumothorax.  The results show that 89% of patients required invasive interventions, such as chest  drainage and surgery, highlighting the seriousness of the condition, although 11% of  cases showed good outcomes with more conservative methods. Academic literature  still needs more comprehensive studies to establish standardized protocols. 

This study aims to emphasize the connection between vaping and the onset of  pneumothorax, raising awareness about the risks associated with its use and the  importance of public health prevention strategies. 

Keywords: Electronic cigarette; Vaping; Pneumothorax; Lung diseases; Public health.

INTRODUÇÃO  

O dispositivo eletrônico para fumar (DEF) ou vaping, como é mais conhecido,  é constituído por vapores que contém nicotina e mais alguns irritantes respiratórios,  como o propilenoglicol e substâncias tóxicas também encontradas na emanação do  cigarro, como acroleína, acetaldeído, formaldeído e moléculas reativas de oxigênio1.  Ele foi elaborado pelo chinês Hon Lik, farmacêutico, que também adquiriu seu direito  de propriedade em 20032. Criado inicialmente com o intento de ser menos nocivo e,  assim, substituir os cigarros clássicos, até então a alternativa que era utilizada para  incentivar a redução do hábito de fumar era realizar terapia de reposição de  nicotina (TRN) 1.  

Em território brasileiro a compra, venda e o uso desses aparelhos são  proibidos desde 2009. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe a  fabricação, importação, propaganda e a utilização do pequeno equipamento em  recintos coletivos. A proibição está prevista na resolução da Diretoria Colegiada  (RDC) 46/2019. Contudo, é observado que, no sudeste do país a popularidade dos e-cigarros, tanto entre jovens que já fumam cigarro convencional e também entre  adolescentes que não os consomem, teve um crescimento explosivo de 2012 há  2017.3 

Ele funciona quando o usuário aspira o apetrecho e um sensor observa a  corrente de ar e esquenta o fluido do cartucho, levando a evaporação dos  componentes2. Os e-cigarros são “dispositivos que pertencem ao grupo de  sistemas eletrônicos de entrega de nicotina (ENDS-electronic nicotine delivery  systems) que simulam o tabagismo, entretanto, sem a combustão do tabaco” 4. Seu funcionamento parte do princípio de simular a fumaça resultante do cigarro  adicionando calor no líquido que fica em seu lado interno convertendo-o em vapor 5. “A base líquida é tipicamente composta de um solvente de propilenoglicol e glicerina  vegetal, com adição de aromatizante, nicotina e, às vezes, substâncias como o  tetrahidrocanabinol (THC)” 5.  

A vaporização em jovens adultos e adolescentes tem crescido alarmantemente6. Isto é preocupante, pois uma nova geração de viciados em  nicotina está sendo criada através destes novos aparelhos de vaporização, através  do uso de embalagens e sabores apelativos para este público. Supõe-se que milhões de indivíduos utilizem vaping, com um crescimento notável na Suécia,  Canadá e Reino Unido nos últimos anos4.  

Um desafio em particular envolve seu marketing para menores de idade e o crescente predomínio de uso nessa população. Os e-cigarros expõem  desnecessariamente os menores a enfermidades, principalmente problemas  respiratórios. Entre as potenciais complicações pulmonares, estão as síndromes  EVALI (E-cigarette or Vaping product use-Associated Lung Injury), pneumonia em  organização, bronquiolite obliterante com pneumonia em organização (BOOP),  bronquiolite respiratória e pneumonia lipoide aguda7. Entre elas destaca-se o  pneumotórax (PNT).  

O pneumotórax é um distúrbio caracterizado pela grande concentração de ar  na cavidade pleural, o mesmo pode ocorrer de forma natural ou secundária a  doenças pulmonares8. O tabagismo aumenta muito as possibilidades de  aparecimento de pneumotórax espontâneo primário, sendo assim, gradualmente mais usuários de vaping são diagnosticados com essa patologia9.  

No pneumotórax espontâneo primário, em aproximadamente 76% a 100%  dos pacientes submetidos à cirurgia torácica vídeo-assistida são observadas,  geralmente, nos ápices pulmonares, bolhas e lesões subpleurais e em,  praticamente, todos os pacientes que se submetem à toracotomia. Na tomografia  computadorizada de tórax, bolhas ipsilaterais são frequentemente identificadas no  lado afetado pelo pneumotórax espontâneo primário. O principal mecanismo que  leva ao desenvolvimento desse tipo de pneumotórax é a ruptura das bolhas  subpleurais10

O pneumotórax pode ter graves sequelas como parada ou Insuficiência  respiratória, Parada cardíaca, Piopneumotórax entre outras11. Clinicamente, o  pneumotorax pode ser tratado com métodos invasivos de grande ou pequena  intensidade. Tendo como principais técnicas cirúrgicas mais utilizadas: toracotomia,  pleurectomia e pleurodese. Desta forma, a fisioterapia voltada para reabilitação  respiratória vem atuando dentro de cada tipo de cirurgia, representando um breve período de hospitalização, quando os procedimentos são realizados corretamente,  comprovando assim sua eficácia terapêutica. Por conseguinte, o processo fisioterápico recomenda-se começar seguidamente após a cirurgia, já na UTI e com  acompanhamento diário por não menos que quinze dias12

Diante dos fatos apresentados é fundamental compreender as decorrências do vaping na concepção do pneumotórax, objetivando conscientizar a população  sobre as eventuais ameaças que seu uso pode acarretar e impulsionar planos  efetivos para que haja queda do consumo. Portanto, este trabalho intentou recapitular bibliograficamente a relação que conecte e-cigarro e o pneumotórax, visto o número de eventuais casos correlacionados ainda não efetivamente  estudados, analisando as conclusões científicas disponíveis, os artifícios fisiopatológicos envolvidos e as repercussões desse problema para a saúde pública.

MÉTODO 

Esta revisão bibliográfica, que foi realizada usando como base artigos  científicos, e revisões sistemáticas retirados das plataformas pubmed, scielo, peDro,  utilizando os termos de indexação: “pneumothorax”, “electronic cigarette”, “vaping”,  “lung diseases and vaping”. Utilizei também livros como: Brazilian Journal of Health  Review Relação entre o consumo de cigarros eletrônicos e doenças pulmonares e  publicações do jornal Brasileiro Pneumologia. O mesmo foi realizado com artigos e  livros dos últimos vinte anos, usando como filtro para qualificar os artigos e livros, os  estudos que não falavam sobre a vaporização da canabis, e sim apenas os que  relatam casos com uso específico do e-cigarro. 

Tabela 1 – A tabela abaixo oferece um panorama de nove relatos de casos  que investigaram a relação entre o consumo de cigarros eletrônicos e o  desenvolvimento de pneumotórax, dando atenção especial aos tratamentos  empregados e aos desfechos obtidos.  

TABELA DE RESULTADOS

AutorTipo de estudoN de pacientesO que foi avaliadoIntervençãoResultados
TRICKETT;  
SEABERG, 2021  13.
Relato de
caso clínico
1 PacienteO caso contribui
com a discussão
sobre a abordagem
diagnóstica de
lesões pulmonares
em adultos jovens,
grupo que
freqüentemente
utiliza dispositivos
eletrônicos.
Atendimento
emergencial e
condução de
exames e
diagnósticos para
investigação das
causas
subjacentes ao
quadro
apresentado
(incluindo
possíveis
infecções).
Foram
realizados
exames
laboratoriais e
de imagem
(radiografia,
tomografia) e
acompanhamento clínico,
entretanto o
artigo não
apresentou
resultados
claros.
KORITALA et al.,
202114.
Relato de
caso clínico
1 PacienteDiagnostico por
imagem
(radiografia e TC)
foi encontrado ar
no mediastino, e os
mecanismos de
lesão do esforço
inspiratório
exacerbado
(Manobra de
Müller), comum no
uso de cigarros
eletrônicos dispositivos.
Abordagem
conservadora,
repouso,
oxigenoterapia e
monitoramento
clínico (sem
necessidade de
procedimentos
invasivos).
Foram
realizadas
radiografia e
tomografia de
tórax para
diagnóstico de
pneumomediastino. A paciente
apresentou
resolução
completa do
pneumomediastino com tratamento
conservador,
sem recidiva,
com desfecho
favorável.
SKERTICH et al.,
2019 15.
Relato de
caso clínico
2 PacientesDiagnóstico clínico,
radiológico e
exames de sangue.
Foram avaliados
também sinais
vitais e ausculta
pulmonar de
ambos os casos.
radiológico e
exames de sangue.
Foram avaliados
também sinais
vitais e ausculta
pulmonar de
ambos os casos.
Inicialmente foi
realizado a
inserção de dreno
torácico.
Monitoramento e retirada do dreno
e alta hospitalar.
Entretanto ambos os casos tiveram
recidivas e
encaminhamento para Cirurgia
Toracoscópica
Assistida por
Vídeo (VATS).
Em ambos os
casos o
tratamento foi
feito com
toracostomia
(tubo de
drenagem).
Contudo, os
dois pacientes
tiveram
recidiva do
pneumotórax
após drenagem
e precisaram de
intervenção
cirúrgica,
permanecendo
livres de
recidiva após o
procedimento.
Ambos tiveram
recomendação
para parar com
o uso de
vaping.
ALI et al.,
202016.
Relato de
caso clínico
2 PacientesAvaliação clínica,
tomográfica e
gasométria, com
tratamento
hospitalar e
suporte
ventilatório. E também a resposta
de cada paciente à
reabilitação
pulmonar.
tomográfica e
gasométria, com
tratamento
hospitalar e
suporte
ventilatório. E
Dreno de tórax
em ambos os
casos, Corticoide
intravenoso
(metilprednisolona) para reduzir
inflamação no segundo caso.
Primeiro
paciente,
tratado
inicialmente
para
pneumonia,
evoluiu com pneumotórax
hipertensivo,
sendo
submetido a
drenagem e
blebectomia,
com boa
recuperação. O
segundo
apresentou
pneumotórax à
esquerda,
tratado com
dreno torácico,
que foi retirado
no terceiro dia,
evoluindo
também para al
ta.
BORCHERT;
KELM;
MOREAN;
TANNAPFEL, 20
2117.
Relato de caso clínico1 PacienteUso de exames de imagem e discussão
da literatura sobre
associação entre
vaping e
pneumotórax.
Tratamento
cirúrgico:
ressecção apical
do pulmão após
colocação de
dreno para
reexpansão
pulmonar.
Acompanhamento clínico até
resolução total.
Paciente com
pneumotórax à
direita e
presença de
bulhas foi
submetido à
ressecção
apical,
apresentando
boa
recuperação. O
histológico
revelou
alveolite leve,
levantando a
hipótese do
vaping como
possível fator associado.
HUNG FONG et
al., 202218.
Relato de caso clínico1 PacienteO estudo avaliou a ruptura alveolar
relacionada ao
vaping,
evidenciando risco de barotrauma em
tragos profundos.
Pneumotórax
tratado
inicialmente com drenagem
torácica. Diante
da recorrência, foi realizada videotoracoscopi a com ressecção
de bolhas no lobo
superior direito e pleurodese
mecânica,
seguida de
cuidados pós-
drenagem e
acompanhamento ambulatorial.
Paciente com
pneumotórax
recidivante
apresentou boa
resposta inicial
ao dreno
torácico, mas
necessitou de
intervenção
cirúrgica.
Evoluiu sem
complicações,
com retirada do
dreno no pós-
operatório e
alta hospitalar.
Fonte: Desenvolvido pelo próprio autor.

O gráfico abaixo demonstra, cronologicamente, a quantidade de pacientes  que foram estudados em cada artigo selecionado na tabela acima.  

Em 2019, Skertich et al, relatou no seu estudo dois casos que pneumotórax  recorrente devido ao uso de vaping, tratados inicialmente com dreno, mas que  posteriormente foram necessários passar por cirurgia. 

Em 2020, Ali et al, publicou estudo contendo dois casos de complicação por  uso de vaporizador, um caso de pneumotórax e outro que evoluiu para pneumotórax  hipertensivo, ambos foram tratados com drenos. 

Em 2021, Borchert et al, relatou em seu artigo um caso de pneumotórax  extenso em conjunto de alveolite leve ocasionado por uso de vaing, o caso foi  tratado com ressecção apical acompanhado de dreno.

Ainda em 2021, Koritala et al, publicou estudo que continha um caso de  pneumomediastino causado por vaporização que foi tratado com uma abordagem  conservadora, repouso, oxigenoterapia e monitoramento clínico. 

Seguindo em 2021, Trickett e Seaberg, em estudo publicado, mostram um  caso de lesão pulmonar com suspeita de pneumotórax como resultado de  vaporização, o caso foi tratado com monitoramento clínico sem resultados claros e  conclusivos. 

Em 2022, Hung Fong et al, discutiu sobre um caso de pneumotórax recorrente  (VATS + Pleurodese) devido ao uso de vaping, o caso foi tratado inicialmente com  dreno toráxico, mas devido complicações foi necessário procedimento cirúrgico para  a conclusão do caso. 

GRÁFICO 1: Casos de pneumotórax associados ao vaping relatados.

Fonte: Imagem desenvolvida pelo próprio autor.

A imagem abaixo é a demonstração gráfica dos números dos tratamentos de  pneumotórax dos casos estudados e descritos no gráfico acima.

GRÁFICO 2: Distribuição de Tratamentos em Casos de Pneumotorax Relacionados  ao Vaping.

Fonte: Imagem desenvolvida pelo próprio autor.

Dos oito casos relatados apenas um usou tratamento conservador para  solucionar o tipo de pneumotórax causada pela vaporização, no restante dos casos  foram necessários tratamentos invasivos como drenagem, cirurgia ou drenagem em  conjunto de intervenção cirúrgica. 

Os resultados sugerem que o pneumotórax relacionado ao vaping geralmente  requer intervenções de alta complexidade: 89% dos pacientes nos casos estudados  precisaram de procedimentos invasivos, como drenagem torácica ou cirurgias  (VATS, ressecção apical, pleurodese).

GRÁFICO 3: Demonstração em porcentagem da diferença de abordagem cirúrgica e conservadora.

Fonte: Imagem desenvolvida pelo próprio autor.

DISCUSSÃO  

Em Trickett & Seaberg (2021)13, relata que o paciente foi submetido a  diversos exames (de sangue e de imagem) para auxiliar no diagnóstico, e mesmo  assim o estudo não apresentou resultados conclusivos. Já Koritala et al. (2021)14, o  tratamento conservador (repouso e administração de oxigênio) resultou na resolução  completa do pneumomediastino, sem recorrência. Em contrapartida, Skertich et al.  (2019)15, relataram dois casos que necessitaram de drenagem torácica imediata,  todavia ambos precisaram de intervenções adicionais, com cirurgia (como VATS)  para controlar o pneumotórax.  

Ali et al. (2020)16, descreveram dois pacientes: um recebeu tratamento com  antibióticos e corticosteróides, e o outro apenas com a drenagem já teve melhora,  sendo que todos foram aconselhados a cessar o uso de cigarros eletrônicos antes  de receberem alta. Borchert et al. (2021)17, apresentaram um caso que exigiu a  remoção de parte do pulmão e pleurodese, com recuperação pós-cirúrgica favorável  e indícios de alveolite leve nos exames. 

Hung Fong et al. (2022)18, citaram um paciente que iniciou o tratamento com  dreno no tórax, mas apresentou recidiva e foi submetido a VATS com remoção de  bolhas e pleurodese mecânica, alcançando sucesso no tratamento. 

Segundo McKnight CL (2025)11, a cirurgia VATS é um procedimento que  consiste em uma pleurodese (um procedimento que une o pulmão à parede torácica) para ocluir o espaço pleural. Sendo assim, na pleurodese mecânica com  blebectomia/bulectomia (remoção cirúrgica de bolhas ou cistos) se diminui a taxa de  recidivas de pneumotórax para <5%.  

Os dados mostram que, embora em alguns casos haja resposta positiva a  tratamentos menos invasivos (11%), a maioria (89%) precisou de cirurgia, o que  chama atenção para a gravidade dos problemas causados pelo uso de cigarros  eletrônicos e a relevância de tratar cada paciente individualmente. A fisioterapia  respiratória após a intervenção é fundamental para auxiliar na recuperação pulmonar  e reduzir as complicações, tendo como principal objetivo ajudar na retomada de  expansibilidade pulmonar normais auxiliar na saída de ar da cavidade pleural, com  objetivo de melhorar e garantir melhora no padrão respiratório e maior conforto ao  paciente. 19 

Podemos observar também o risco que vem aumentando de pneumotórax em jovens usuários de cigarros eletrônicos também é discutido por Deskins et al.  (2022)9, que relata um caso de recidiva em um adolescente de 15 anos,  evidenciando que mesmo em indivíduos sem histórico prévio de doença pulmonar  podem desenvolver complicações graves relacionadas ao uso de cigarro eletrônico.  

Além disso, estudos nacionais, como o de Bertoni e Szklo (2021)3, apontam o  crescimento alarmante do consumo de cigarros eletrônicos entre adolescentes e  jovens adultos no Brasil, fenômeno que pode representar um impacto futuro na  incidência de pneumotórax e outras doenças respiratórias.  

Do ponto de vista da reabilitação, observa-se que a fisioterapia respiratória  desempenha papel fundamental no processo de recuperação, principalmente no  período pós-cirúrgico. Neves, Aguiar e Sleutjes (2005)12, demonstraram que a  atuação precoce e contínua do fisioterapeuta após procedimentos de drenagem torácica ou pleurectomia é de suma importância para reduzir complicações, e  promover reexpansão pulmonar, portanto, acelerando a alta hospitalar de um  paciente. 

Entretanto, ainda há lacunas importantes na literatura. Sem ter muitos  estudos e evidências atuais de maior escala, observamos relatos de caso ou séries  pequenas, o que limita a totalidade dos resultados estudados. Faltam pesquisas de  ensaios clínicos que possam estabelecer com maior qualidade e exatidão a relação  entre o vaping e o pneumotórax, além produzir protocolos terapêuticos mais  padronizados, apesar do pneumotórax ser uma lesão passível à usuários do e cigarro20.  

Sendo assim, podemos avaliar que o dispositivo vaping, não deve ser  considerado uma alternativa segura ao tabagismo, tendo em vista suas  complicações pulmonares graves que podem ocorrer, incluindo pneumotórax. E  podemos analisar conjunto de achados que reforça a necessidade de estratégias políticas públicas de prevenção visando todo o público, mas sobretudo os jovens, e  ampliar a gama de pesquisas que investigam os efeitos a longo prazo, de pacientes  que se submeteram a o uso prolongado de cigarro eletrônico e que tiveram  intercorrências como pneumotórax.

CONCLUSÃO  

Esta revisão da literatura estabeleceu uma ligação preocupante entre o uso  de cigarros eletrônicos (vaping) e o surgimento de pneumotórax. Essa elevada  incidência de intervenções complexas, em contraste com a minoria de casos  tratados conservadoramente (11%), evidencia que o vaping não representa uma  alternativa segura ao tabagismo convencional, expondo especialmente os jovens a  sérios riscos à saúde.  

A gravidade desses casos destaca a importância da fisioterapia respiratória  no processo de recuperação. No período pós-cirúrgico, a atuação precoce e  contínua do fisioterapeuta é crucial para reduzir complicações, promover a  reexpansão pulmonar e acelerar a alta hospitalar. Contudo, a literatura atual ainda  carece de estudos de maior escala e ensaios clínicos, limitando a abrangência dos  resultados e dificultando a padronização de protocolos terapêuticos e seus  resultados obtidos.  

Em face do crescimento exponencial do uso de cigarros eletrônicos no Brasil,  mesmo com a proibição da ANVISA, torna-se indispensável buscar estratégias de  políticas públicas para prevenção e conscientização, visando reduzir o consumo,  sobretudo entre adolescentes e jovens, visto ser este o maior público consumidor.  Este presente trabalho buscou enfatizar que a utilização do vaping acarreta  complicações pulmonares graves, como o pneumotórax, reforçando a necessidade  urgente de mais pesquisas sobre os efeitos a longo prazo e de medidas eficazes  para proteger a saúde pública.

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1Graduanda em Fisioterapia pela Universidade Paulista. Correio eletrônico: annafialhova@gmail.com.
2Doutor em Ciências da Saúde, Mestre em Terapia Intensiva, Especialista em Reabilitação Cardiorrespiratória, Especialista em Fisioterapia Hospitalar, Professor Titular na Universidade Paulista, Professor na Faculdade de Medicina de Jundiaí, Coordenador do Programa de Residência Multiprofissional – FMJ, Coordenador do Programa de Aprimoramento em Fisioterapia Hospitalar Respiratória – HU-FMJ, Coordenador do Serviço de Fisioterapia Hospital Universitário de Jundiaí, Coordenador do Serviço de Fisioterapia, I.R.S.Sirio Libanes- HRJ.
3Graduanda em Fisioterapia pela Universidade Paulista
4Graduanda em Fisioterapia pela Universidade Paulista