A EFICÁCIA DO TREINAMENTO DA MUSCULATURA DO ASSOALHO PÉLVICO EM HOMENS COM INCONTINÊNCIA URINÁRIA DE ESFORÇO EM PÓS-OPERATÓRIO DE PROSTATECTOMIA: REVISÃO DE LITERATURA

TRAINING OF THE PELVIC FLOOR MUSCULATURE IN MEN WITH STRESS URINARY INCONTINENCE AFTER PROSTATECTOMY SURGERY

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202511122120


Maria Cailani Brito Benicio1
Neyla França Pinheiro1
Rafaella Medeiros Dantas1
Suzane Lobato da Silva1
Thaiana Bezerra Duarte2


Resumo 

Introdução: O câncer de próstata é o tumor mais comum entre os homens e a segunda principal  causa de morte por câncer no Brasil. A prostatectomia radical, tratamento padrão para casos  potencialmente curáveis, pode causar complicações como a incontinência urinária de esforço.  Diante disso, o treinamento da musculatura do assoalho pélvico (TMAP) destaca-se como um  recurso fisioterapêutico eficaz para a reabilitação desses pacientes. Objetivo: Avaliar a  eficácia do TMAP, isolado ou com eletroterapia, no tratamento da incontinência urinária pós prostatectomia. Materiais e métodos: Trata-se de uma revisão de literatura cujo levantamento  da literatura ocorreu entre setembro de 2025 nas bases de dados PubMed, SciELO e LILACS.  Resultados: Foram analisados 6 estudos totalizando 226 pacientes com incontinência urinária  pós-prostatectomia, submetidos a diferentes protocolos fisioterapêuticos. Observou-se que o  TMAP, isolado ou associado à eletroestimulação e biofeedback, promoveu melhora  significativa na força muscular, redução da perda urinária e aumento da qualidade de vida dos  pacientes, confirmando a eficácia da fisioterapia na recuperação da continência urinária após a  cirurgia. Conclusão: O treinamento dos músculos do assoalho pélvico, associado ou não à  eletroterapia e ao biofeedback, é eficaz na recuperação da continência urinária e na melhora da  qualidade de vida após a prostatectomia. No entanto, ainda há necessidade de padronização dos  protocolos e de mais estudos voltados à população masculina para fortalecer as evidências na  reabilitação urológica. 

Palavras-chave: Prostatectomia. Treinamento da musculatura do assoalho pélvico.  Incontinência Urinária. Fisioterapia. Homens.

Abstract 

Background: Prostate cancer is the most common tumor among men and the second leading  cause of cancer-related death in Brazil. Radical prostatectomy, the standard treatment for  potentially curable cases, can cause complications such as stress urinary incontinence. In this  context, pelvic floor muscle training (PFMT) stands out as an effective physiotherapeutic  resource for the rehabilitation of these patients. Pourpose: Evaluate the efficacy of TMAP,  alone or with electrotherapy, in the treatment of post-prostatectomy urinary incontinence.  Methods: This is a literature review in which the bibliographic search was conducted from  September 2025 in the PubMed, SciELO, and LILACS databases. Results: Six studies totaling 226 patients with post-prostatectomy urinary incontinence, who underwent different  physiotherapy protocols, were analyzed. It was observed that pelvic floor muscle training  (PFMT), alone or in combination with electrostimulation and biofeedback, promoted  significant improvement in muscle strength, reduction in urinary leakage, and increased  quality of life for the patients, confirming the effectiveness of physiotherapy in the recovery of urinary continence after surgery. Conclusion: Training of the pelvic floor muscles, whether  combined with electrotherapy and biofeedback or not, is effective in recovering urinary  continence and improving quality of life after prostatectomy. However, there is still a need for  standardization of protocols and more studies focused on the male population to strengthen the evidence in urological rehabilitation. 

Keywords: Prostatectomy. Pelvic floor muscle training. Urinary incontinence. Physiotherapy. Men. 

1. INTRODUÇÃO 

O câncer de próstata (CP) é o tumor não cutâneo mais prevalente entre os homens e a  segunda principal causa de óbito por câncer no país. Esse tipo de câncer é responsável por  13,4% das mortes malignas no sexo masculino (Incidência de Câncer no Brasil, 2023). O câncer  de próstata é o tipo de câncer mais comum entre os homens. As opções de tratamento incluem  a cirurgia de prostatectomia, radioterapia e terapia hormonal, no entanto, essas alternativas  podem resultar em efeitos colaterais indesejados, como incontinência urinária, que também  podem gerar mudanças emocionais como ansiedade, insônia e depressão (Mariana et al.,  2019). Nesse contexto, a prostatectomia radical é considerada a cirurgia padrão ouro para  pacientes com câncer de próstata em estágio potencialmente curável, pois envolve a remoção  completa da próstata e das vesículas seminais. Após o procedimento, é comum que os pacientes  apresentem uma variedade de sintomas, como diminuição da capacidade física, infecções no  trato urinário, constipação, impotência sexual e incontinência urinária (Mata et al., 2015). 

Entre essas complicações, a incontinência urinária (IU) pode ocorrer devido a danos  no esfíncter, que alteram a configuração da junção entre a bexiga e a uretra, dificultando a  retenção da urina. Como a uretra prostática é removida durante a cirurgia, o esfíncter uretral  externo passa a ser o principal responsável por manter a continência (Kakihara et al., 2007). 

Quando ocorre essa disfunção torna-se a incontinência, dessa forma, a incontinência  urinária de esforço ocorre quando há perda involuntária de urina durante situações que  aumentam a pressão no abdômen, sem que o músculo detrusor se contrai (Abrams et al.,  2003). Trata-se, portanto, de uma complicação frequentemente observada em homens  submetidos à prostatectomia radical, independentemente do método cirúrgico utilizado  (Hodges et al., 2019). 

Nesse sentido, o tratamento ideal para incontinência urinária após prostatectomia  radical (IUPPR) é o fisioterapêutico e inclui o treinamento da musculatura do assoalho pélvico  (Kakihara et al., 2007). Evidências mais recentes demonstram que a fisioterapia vem sendo  apresentada como padrão ouro para a reeducação da IU devido a sua elevada eficácia  (Figueiredo et al., 2008). Percebe-se que há uma deficiência no número de publicações  evidenciando a associação entre a cinesioterapia no treinamento da musculatura do assoalho  pélvico no tratamento da incontinência urinária no pós-operatório imediato (Kubagawa et al.,  2006). 

Treinamento da musculatura do assoalho pélvico (TMAP) é um dos principais recursos  utilizados na fisioterapia, sendo introduzido por Kegel em 1948 com o objetivo de aumentar a força e a resistência dessa região. A prática desses exercícios têm demonstrado uma taxa de  sucesso na melhora dos sintomas que varia entre 56% e 84% (Felicíssimo et al., 2007). De que forma o treinamento da musculatura do assoalho pélvico (TMAP) contribui  para a melhora da incontinência urinária de esforço no pós-operatório de prostatectomia?  Assim, com a intenção de contribuir com o conhecimento na área da IUPPR, torna-se relevante  a realização do presente estudo, que tem o objetivo de analisar a eficácia do treinamento da  musculatura do assoalho pélvico na incontinência urinária de esforço em pós-prostatectomia. 

2. MATERIAIS E MÉTODO 

Trata-se de uma revisão de literatura. As bases de dados utilizadas foram PubMed,  SciELO e LILACS. Para a seleção dos artigos foram empregados descritores nos idiomas  português e inglês, sendo utilizadas as palavras-chave: “Prostatectomia”, “Treinamento da  musculatura do assoalho pélvico”, “Incontinência urinária” e “Fisioterapia”. A estratégia de  busca foi realizada por meio do operador booleano “AND” entre os descritores, como:  “Prostatectomia” AND “Treinamento da musculatura do assoalho pélvico” AND  “Incontinência urinária” AND “Fisioterapia”. 

Foram incluídas publicações nos idiomas português e inglês. A busca nas bases de  dados foi realizada em setembro de 2025. Como critérios de inclusão, foram selecionados  estudos do tipo ensaio clínico randomizado que descreveram intervenções fisioterapêuticas  para o tratamento de homens submetidos à prostatectomia radical, com fraqueza muscular da  musculatura do assoalho pélvico, em pós-operatório tardio. Como critérios de exclusão, foram  descartados artigos que não estavam disponíveis na íntegra, que não estavam nos idiomas  português e inglês, que não abordaram incontinência urinária de esforço e aqueles que  apresentaram complicações no pós-operatório. 

Para a organização e apresentação dos dados identificados e coletados, foram  elaboradas tabelas informativas construídas pelos autores, contendo as seguintes informações:  autor e ano, tipo de estudo, objetivo de estudo, instrumento da coleta de dados/intervenção e  resultado. 

3. RESULTADOS 

Após a busca nas bases de dados, foram encontradas 49 publicações, das quais 4  estavam duplicadas. As 45 restantes foram analisadas com base nos títulos e resumos. Dentre  essas, 27 foram excluídas por não abordarem a população masculina, por tratarem de  complicações no pós-operatório ou por se tratarem de revisões de literatura. Das 18 publicações remanescentes, foi realizada a leitura na íntegra, resultando na exclusão de 12  estudos por não apresentarem casos de incontinência urinária por esforço e por não estarem  disponíveis na íntegra. Assim, 6 estudos atenderam aos critérios de inclusão e integraram  esta revisão conforme mostra a figura 1. 

Figura 1: Fluxograma do estudo.

A síntese dos estudos incluídos nesta revisão está apresentada na tabela 1, onde  descreve de forma cronológica os estudos selecionados de acordo com autor, ano, tipo de  estudo, objetivo, metodologia e resultados. A tabela evidencia os 6 estudos que abordam o  treinamento da musculatura do assoalho pélvico em homens no pós-operatório de  prostatectomia, evidenciando a fisioterapia como intervenção principal para a reabilitação de  incontinência urinária de esforço.

Tabela 1 – Síntese dos estudos incluídos na revisão.

AUTOR/ANOTIPO DE ESTUDOOBJETIVOMETODOLOGIARESULTADOS
Ruofan, Shi et al., 2025Ensaio clínico randomizado prospectivo 
multicêntrico
Comparar a eficácia de diferentes 
modalidades de treinamento dos músculos do assoalho pélvico para melhorar a recuperação da incontinência urinária de esforço (IUE) em pacientes com câncer de próstata após prostatectomia 
radical.
201 pacientes com câncer de próstata foram avaliados; 101 completaram o estudo. Randomização em três grupos: 1. S-PFMT – treinamento padrão dos músculos do assoalho pélvico; 2. SI-PFMT– treinamento interativo somatossensorial; 3. S PFMT + MS – treinamento padrão combinado com estimulação magnética. Avaliação em 1, 3 e 6 meses após a cirurgia por meio do questionário ICIQ-UI SF e teste de absorvente de 1 hora.Todos os grupos
apresentaram
melhora
significativa da
IUE em 3 e 6
meses
(p<0,001). Aos 6
meses, o grupo
S-PFMT+MS
apresentou
melhora
significativamente e maior em
relação ao
SPFMT
(p=0,033) e ao
SIPFMT
(p=0,011). A
análise de
sobrevida
Bayesiana
indicou eficácia
superior
sustentada do
SPFMT+MS.
Yasheng Huang, et al., 2023Estudo clínico prospectivo randomizado. Avaliar a eficácia clínica da estimulação elétrica de baixa frequência do assoalho pélvico combinada com treinamento de elevação anal no tratamento da incontinência urinária após prostatectomia radical em uma  coorte chinesa.55 pacientes com incontinência urinária após prostatectomia radical. Divididos em dois grupos: grupo controle (apenas treinamento de elevação anal) e grupo de tratamento (treinamento de elevação anal + estimulação elétrica de baixa frequência do assoalho pélvico).O grupo de tratamento apresentou melhora
significativa
mais rápida do
controle urinário em relação ao grupo controle nas 2 a 10 primeiras semanas (p< 0,05).
Akiko, Matsunaga et al., 2022Estudo 
intervencionista 
prospectivo. 
Avaliar o efeito do treinamento muscular do assoalho pélvico (PFMT) guiado por ultrassom transperineal (TPUS) na incontinência 
urinária (IU) prolongada após prostatectomia radical assistida por robô (RARP) 
30 homens com incontinência urinária de esforço persistente após prostatectomia radical foram submetidos a treinamento do assoalho pélvico com biofeedback guiado por ultrassonografia 
transperineal, em sessões quinzenais por 3 meses. A gravidade da incontinência foi avaliada pelo teste do absorvente de 24 horas e a qualidade de vida pelo questionário IQOL. 
Em comparação
com os dados
anteriores ao
PEMT guiado
por TPUS, a
frequência das
contrações dos
músculos do
assoalho pélvico
(MAP) e a
duração da
contração
sustentada
melhoraram
significativamente após o PEMT
guiado por
TPUS (pocorre >
1 ano após
RARP)
Ariane, Santos et al., 2016Estudo do tipo 
quantitativo 
descritivo não randomizado. 
Avaliar os efeitos da eletroestimulação funcional endo anal na recuperação 
funcional da continência urinária de homens 
submetidos a prostatectomia. 
A eletroestimulação funcional foi realizada com o voluntário em decúbito lateral, joelhos e quadril semiflexionados, introduziu-se o eletrodo anal com gel lubrificante. Nos primeiros 10 minutos utilizou se frequência de 10 Hz, com largura de pulso de 250μs e nos próximos 10 minutos, 50 Hz, com largura de pulso 700 μs. Os efeitos da
eletroestimulação endo-anal na
recuperação da
incontinência
urinária em
homens pós
prostatectomia
foi eficaz; O
volume de perda
urinária
involuntária
diminuiu
significativamente, a pressão dos músculos do
assoalho pélvico
aumentou. Além
disso, a qualidade
de vida
melhorou
nos aspectos
limitações de
atividades
diárias e relações
pessoais.
Patrícia, Zaidan
et al., 2014
Estudo  
observacional.
Determinar a  resposta dos músculos do  assoalho pélvico e potenciais  alterações
no estado de incontinência  
urinária em  homens  
prostatectomizados submetidos à  estimulação  
elétrica.
Foram avaliados 10  pacientes (idade média  de 64 ± 7 anos) com  incontinência urinária  pós prostatectomia  radical. O tratamento  foi realizado com  estimulação elétrica  utilizando eletrodo  endo anal (Dualpex 961  – Quark), associada ao  biofeedback  eletromiográfico  (Miotool-uro, Miotec).  A incontinência  urinária foi mensurada  quanto à interferência  na vida diária por meio  de uma Escala Visual  Analógica (EVA).Após 16 sessões
de
eletroestimulação, observou-se
aumento de 59%
na atividade
elétrica dos
músculos do
assoalho
pélvico, além de
reduções de 54%
no número de
fraldas utilizadas
e de 58% na
interferência da
incontinência
urinária nas
atividades
diárias. De
forma geral, os
resultadosforam
satisfatórios.
Kakihara, Sens et al.,
2007
Estudo  prospectivo,randomizado  controlado.Avaliar o efeito  do treinamento  funcional do  assoalho pélvico,  associado ou não à eletroestimulação, na recuperação da continência 
urinária após  
prostatectomia  radical.
20 pacientes com  incontinência urinária  pós prostatectomia  radical, distribuídos  aleatoriamente em dois  grupos: Grupo controle  (n=10) treinamento  funcional do assoalho  pélvico; Grupo  Investigação (n=10)  treinamento funcional  do assoalho pélvico+
eletroestimulação endo anal. Avaliação com pad test, Escala Visual Analógica (EVA) da  incontinência, EVA do  problema e número de  fraldas, realizadas em  3, 6 e 12 meses.
Ambos os grupos
apresentaram
melhora
significativa da
incontinência
urinária ao longo
de 12 meses
(queda no pad
test, EVA e número
de fraldas).
Não houve diferença
estatisticamente
significante
entre os grupos,
ou seja, a
eletroestimulação não acrescentou
melhora adicional ao treinamento
funcional do
assoalho pélvico.

Nesta revisão, foram analisados estudos que somaram um total de 226 pacientes com  incontinência urinária pós prostatectomia radical, submetidos a diferentes formas de  reabilitação fisioterapêutica. A idade dos participantes variou entre 50 e 79 anos, predominando  homens idosos e de meia-idade. Os recursos fisioterapêuticos utilizados incluíram a  eletroestimulação de baixa frequência aplicada ao assoalho pélvico, biofeedback por  eletromiografia, treinamento dos músculos do assoalho pélvico (TMAP) com e sem o uso de  ultrassom transperineal (TPUS). O número de sessões variou de 4 a 35 atendimentos, com  frequência semanal ou em dias alternados, e duração média de 20 a 30 minutos por sessão,  dependendo do protocolo adotado. De forma geral, os estudos mostraram melhora significativa na força muscular do assoalho pélvico, redução da perda urinária e melhora da  qualidade de vida dos participantes. 

O estudo de Shi et al. (2025) teve como objetivo comparar diferentes métodos de  treinamento dos músculos do assoalho pélvico (TMAP) em pacientes com incontinência  urinária de esforço (IUE) após prostatectomia radical. Entre os protocolos aplicados, um dos  grupos recebeu o TMAP associado à estimulação magnética. Essa estimulação foi realizada  com frequência de 10 Hz, em ciclos de 5 segundos ligados e 5 segundos desligados, com sessões de 20 minutos, duas vezes por semana, totalizando de 10 a 12 sessões. 

O estudo realizado por Zhu et al. (2023) combinou estimulação elétrica de baixa  frequência e treinamento de elevação anal. O protocolo envolve contrações anais e perianais  sustentadas por mais de 5 segundos, 30 repetições por grupo, 10 grupos diários e estimulação  elétrica de 40 Hz, com voltagem entre 10 e 15 V e sessões de 30 minutos em dias alternados. 

Já no estudo de Matsunaga et al. (2022) foi utilizado o ultrassom bidimensional de  matriz curva (1–5 MHz) como ferramenta de feedback visual para o paciente durante a  contração da MAP. O exame foi realizado em posição lateral, sem contato direto com pênis ou  escroto, proporcionando maior conforto e precisão na execução dos exercícios. 

No estudo realizado por Santos et al. (2016) os participantes foram posicionados em  decúbito lateral, com contração anal observada manualmente e graduada pela escala de Ortiz  (1994). O protocolo incluiu 10 sessões de eletroestimulação funcional endoanal com o Dualpex  961, aplicadas três vezes por semana em dias alternados, com duração de 20 minutos cada.  Foram utilizados 10 Hz (250 µs) nos primeiros 10 minutos e 50 Hz (700 µs) nos 10 minutos  finais. Observou-se melhora significativa da IUE e aumento da pressão da MAP. 

No estudo de Zaidan et al. (2014) empregou eletrodo endoanal (Dualpex 961 – Quark)  em decúbito lateral, com frequência de 65 Hz, largura de pulso de 500 μs e corrente bifásica.  As sessões, de 20 minutos, foram realizadas duas vezes por semana, totalizando 16 sessões, com contrações ativas-assistidas e intensidade ajustada à tolerância do paciente. No estudo realizado por Sens et al., (2007) o grupo controle realizou eletroestimulação  endoanal (Dualpex 961 Uro) durante 20 minutos, uma vez por semana. Foram utilizados 8 Hz  para incontinência de urgência, 35 Hz para deficiência esfincteriana e 50 Hz após três meses de  tratamento. Constatou-se ausência de diferença significativa entre a eletroestimulação isolada e o treinamento tradicional de TMAP. 

Em conjunto, os estudos demonstram a eficácia das intervenções fisioterapêuticas  baseadas no treinamento muscular do assoalho pélvico, isoladas ou combinadas a métodos de  eletroestimulação e biofeedback, com destaque para protocolos que aliam frequências entre 10  e 65 Hz, sessões semanais regulares e abordagens ativas de reeducação muscular. 

4. DISCUSSÃO 

Diferentes estudos têm reforçado a relevância da fisioterapia na reabilitação de  pacientes com incontinência urinária após prostatectomia radical, destacando a importância de  técnicas que estimulem a função neuromuscular e o fortalecimento do assoalho pélvico. Nesse  contexto, Strojek et al. (2021) evidenciam a eficácia do treinamento dos músculos do assoalho 

pélvico (TMAP) como intervenção fisioterapêutica central, demonstrando não apenas melhora  funcional, mas também benefícios bioquímicos e psicossociais. Em consonância, Kakihara et  al. (2007) também destacam o valor do TMAP, mostrando que sua aplicação isolada já é  suficiente para promover resultados clínicos significativos. Embora Kakihara et al. (2007)  tenha testado a associação com eletroestimulação, os resultados não indicaram vantagem  adicional, reforçando a ideia de que o treinamento funcional bem orientado pode ser eficaz por si só. Ambos os estudos convergem na valorização de técnicas conservadoras, acessíveis e  seguras, que colocam o paciente como protagonista da própria reabilitação. Corroborando essa perspectiva, Goode et al. (2011) demonstraram que a terapia  comportamental baseada em exercícios do assoalho pélvico e controle da bexiga é eficaz na  redução da incontinência urinária persistente após prostatectomia radical, mesmo sem o uso de  tecnologias complementares como biofeedback e estimulação elétrica. Em alinhamento, Li  Wu et al. (2019) confirmam, por meio de uma metanálise robusta, que os exercícios guiados  por fisioterapeuta são eficazes na recuperação da continência urinária, tanto em curto quanto  em longo prazo. Ambos os estudos reforçam a importância da supervisão profissional e da  adesão ao tratamento como fatores determinantes para o sucesso terapêutico. Conclui-se que,  mesmo diante de diferentes contextos clínicos, a reabilitação funcional por meio de técnicas  comportamentais e supervisionadas representa uma estratégia segura, acessível e eficaz para o controle da incontinência urinária pós-prostatectomia. 

Para Zaidan et al. (2014), o uso do biofeedback eletromiográfico para mensurar e  orientar a contração dos músculos do assoalho pélvico resultou em melhora significativa da  força muscular e da qualidade de vida dos pacientes, reforçando a importância da consciência  corporal no processo de reeducação funcional. De forma semelhante, Matsunaga et al. (2022)  propuseram o uso do biofeedback por meio de ultrassonografia transperineal (TPUS),  permitindo aos pacientes visualizarem em tempo real o fechamento uretral durante as  contrações musculares. Essa abordagem também gerou ganhos expressivos na força muscular,  redução da perda urinária e melhora da qualidade de vida, mesmo em casos de incontinência  prolongada. Ambos os estudos convergem na valorização do biofeedback como recurso  essencial para promover a percepção e o controle adequado da musculatura pélvica, sendo uma  estratégia promissora para acelerar a recuperação da continência urinária em homens  prostatectomizados. 

No estudo conduzido por Zhu et al. (2023), a combinação entre estimulação elétrica  de baixa frequência do assoalho pélvico e o treinamento de elevação anal mostrou-se eficaz  para acelerar significativamente a recuperação da continência urinária em pacientes submetidos à prostatectomia radical. Os autores observaram melhora clínica já na segunda semana de  tratamento, com pico de eficácia na sexta semana, embora os efeitos entre os grupos se  iguala após dez semanas. Essa abordagem reforça a importância de intervenções  fisioterapêuticas precoces e combinadas para otimizar os resultados na fase inicial da  reabilitação. 

De maneira semelhante, Shi et al. (2025) comparou diferentes modalidades de  treinamento dos músculos do assoalho pélvico, incluindo o uso de estimulação magnética. Seu  estudo revelou que o grupo que recebeu treinamento padrão associado à estimulação magnética  apresentou resultados superiores na recuperação da incontinência urinária após seis meses de  tratamento. A técnica foi valorizada por sua capacidade de potencializar a resposta muscular e  acelerar a reabilitação, sugerindo que a estimulação magnética pode ser uma alternativa  promissora para pacientes com recuperação mais lenta ou comprometida. Do mesmo modo,  Santos et al. (2016) investigou os efeitos da eletroestimulação funcional endoanal aplicada  isoladamente em homens com incontinência urinária pós-prostatectomia radical. Mesmo com  uma amostra reduzida, os resultados foram expressivos: houve redução significativa no volume  de perda urinária, aumento da força muscular do assoalho pélvico e melhora em aspectos da  qualidade de vida, especialmente nas atividades diárias e relações pessoais. Os autores  destacam que a eletroestimulação, mesmo sem associação com outras técnicas, pode ser eficaz e acessível, reforçando seu valor clínico na fisioterapia uroginecológica. Verifica-se nesta revisão que o estudo foi direcionado a homens submetidos à  prostatectomia radical que apresentaram incontinência urinária de esforço no pós-operatório,  tendo como foco principal a aplicação do TMAP de forma isolada. A prática clínica foi  conduzida com o objetivo de promover o fortalecimento e a reeducação da musculatura  perineal para restabelecer o controle urinário dos pacientes. As intervenções consistiram em  exercícios de contração voluntária dos músculos do assoalho pélvico, aliados à  conscientização corporal e orientações posturais com e sem a utilização de recursos  complementares como biofeedback ou eletroestimulação. O direcionamento desta prática  buscou avaliar a eficácia do TMAP isolado, considerando evidências científicas que  demonstram resultados semelhantes quando comparado ao tratamento associado. Durante o desenvolvimento do estudo, foram identificadas algumas dificuldades que  limitaram o alcance dos resultados como a escassez de pesquisas sobre o tema e a baixa adesão de pacientes dificultam o aprofundamento da análise. Também se observou a falta de  parâmetros padronizados para orientar a prática e a avaliação dos resultados, o que reforça a  importância de novas pesquisas que estabeleçam diretrizes mais consistentes para o treinamento da musculatura do assoalho pélvico em homens após a prostatectomia. 

5. CONCLUSÃO 

Foram identificadas diferentes abordagens nos protocolos de treinamento dos  músculos do assoalho pélvico voltados ao tratamento da incontinência urinária após a prostatectomia. Essas variações envolvem o tempo de contração e relaxamento muscular, o  número de repetições por sessão, as posições utilizadas durante o treinamento, a duração total  do protocolo e o tipo de recurso eletroterapêutico empregado. 

Apesar das diferenças metodológicas, os estudos analisados apontam resultados  positivos e consistentes quanto à eficácia da fisioterapia na recuperação da continência urinária  após a cirurgia. Intervenções como o treinamento dos músculos do assoalho pélvico, a  eletroestimulação e o biofeedback demonstraram efetividade como condutas tanto na função  muscular quanto na qualidade de vida. 

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1Discente do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário do Norte – UNINORTE.
2Doutorado em Reabilitação e Desempenho Funcional, Docente do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário do  Norte – UNINORTE e do Curso de Medicina da Afya Faculdade de Ciências Médicas Itacoatiara.