COMPARISON BETWEEN ROBOTIC AND LAPAROSCOPIC SURGERY IN CHOLECYSTECTOMY: SURGICAL TIME AND COMPLICATIONS
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202511091013
Lucas Deichel Stelter1, Amanda Vilela Santos2, Ana Luisa Stefane Fonseca3, Giulia Ugucioni Garbelini4, Gustavo Vilela Dourado Araujo5, Izabella Maria Pinheiro Palheta6, Maria Gabriela França Albuquerque7, Maria Luiza Siqueira Borges8, Paula Rafaela Pires Lopes9
Resumo
A colecistectomia é amplamente realizada para o tratamento da colelitíase, sendo a via laparoscópica a mais comum. Com o avanço tecnológico, a cirurgia robótica surge como alternativa com potencial para menor taxa de complicações. Esta revisão integrativa objetiva comparar as técnicas robótica e laparoscópica, considerando tempo cirúrgico e complicações pós-operatórias. Foram selecionados 30 artigos publicados entre 2015 e 2024 em bases científicas como PubMed, SciELO e Google Scholar. A análise demonstrou que a robótica tende a apresentar maior tempo operatório, porém com redução significativa de conversão para laparotomia e menor incidência de lesões de vias biliares. Ambos os métodos são eficazes, mas a escolha depende da estrutura disponível e perfil do paciente.
Palavras-chave: Colecistectomia; Cirurgia robótica; Cirurgia laparoscópica; Complicações; Tempo operatório.
1 INTRODUÇÃO
A colecistectomia é uma das intervenções cirúrgicas mais frequentemente realizadas no mundo, especialmente para o tratamento da colelitíase sintomática. Com a popularização da videolaparoscopia, esse procedimento passou a ser conduzido com menor morbidade e recuperação pós-operatória mais rápida em relação à técnica aberta. Entretanto, nos últimos anos, a cirurgia robótica tem sido incorporada como inovação no campo da cirurgia minimamente invasiva, prometendo ganhos em precisão, ergonomia e segurança.
A técnica robótica, inicialmente introduzida para cirurgias oncológicas e urológicas, expandiu seu uso para procedimentos digestivos, incluindo a colecistectomia. Ela se destaca por oferecer visão tridimensional, articulação dos instrumentos com maior liberdade de movimento e eliminação do tremor fisiológico. Esses avanços permitem ao cirurgião realizar dissecções mais precisas e, teoricamente, reduzir o risco de lesões das estruturas anatômicas, como o ducto biliar.
Apesar dessas vantagens, a cirurgia robótica também apresenta limitações. Entre elas, destacam-se o alto custo dos equipamentos e manutenção, a necessidade de equipe treinada e o maior tempo de montagem do sistema, o que pode impactar o tempo operatório total. Nesse sentido, comparar os desfechos das duas técnicas, especialmente no que diz respeito ao tempo cirúrgico e às complicações, é essencial para guiar decisões clínicas, investimentos institucionais e formulação de protocolos cirúrgicos.
Dessa forma, o presente estudo propõe uma revisão integrativa da literatura com o objetivo de comparar a colecistectomia robótica e a laparoscópica nos aspectos de tempo cirúrgico e complicações, buscando identificar se a tecnologia robótica apresenta vantagens reais na prática cirúrgica.
2 METODOLOGIA
Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, fundamentada na análise crítica de estudos publicados entre 2015 e 2024. As buscas foram realizadas nas bases PubMed, SciELO, Google Scholar e LILACS, utilizando os descritores controlados DeCS/MeSH: “colecistectomia”, “cirurgia laparoscópica”, “cirurgia robótica”, “tempo cirúrgico”, “complicações cirúrgicas”.
Foram incluídos artigos originais, revisões sistemáticas e meta-análises que comparassem diretamente os métodos robótico e laparoscópico no contexto da colecistectomia. Os critérios de inclusão abrangeram publicações com acesso ao texto completo, em português, inglês ou espanhol. Excluíram-se relatos de caso, cartas ao editor e estudos com populações pediátricas.
Após triagem inicial de 112 títulos, 30 estudos atenderam aos critérios e foram analisados quanto ao tipo de amostra, metodologia, principais desfechos, complicações relatadas e tempo médio cirúrgico. Os dados foram organizados em tabela e discutidos à luz da literatura científica atual.
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS
3.1 Resultados
A análise dos 30 artigos selecionados revelou padrões importantes entre as duas abordagens cirúrgicas. Em relação ao tempo operatório, a média da cirurgia robótica foi superior em aproximadamente 15 a 30 minutos, especialmente em centros com menor familiaridade com a técnica. No entanto, nos estudos com profissionais experientes, essa diferença foi reduzida, demonstrando a influência da curva de aprendizado.
No tocante às complicações, observou-se que a cirurgia robótica apresentou menor taxa de conversão para laparotomia, variando de 0,3% a 0,9%, enquanto a laparoscópica apresentou taxas entre 2% e 5% em casos de inflamação severa. Além disso, as lesões de vias biliares foram menos frequentes no grupo robótico, sugerindo maior segurança anatômica com o uso da plataforma assistida.
Outros achados relevantes incluem redução de sangramento intraoperatório, menor tempo de internação e recuperação funcional mais rápida nos pacientes submetidos à cirurgia robótica, embora esses dados tenham variação conforme o perfil do hospital e do paciente.
No entanto, a robótica também foi associada a custos mais elevados, o que ainda limita sua implementação em larga escala, especialmente em sistemas públicos de saúde. Em síntese, os dados apontam que, apesar do tempo operatório mais longo, a cirurgia robótica proporciona menor risco de complicações graves, o que pode justificar sua escolha em casos complexos.
Tabela – Objetivo de 30 artigos científicos sobre as abordagens cirúrgicas





3.2 Discussão
Os achados desta revisão estão em consonância com a literatura recente. Zhang et al. (2020) demonstraram que, apesar de a cirurgia robótica apresentar tempo operatório mais longo, houve redução significativa nas complicações intraoperatórias. Da mesma forma, Silva et al. (2019) apontaram que, após a curva de aprendizado, a diferença de tempo entre as técnicas torna-se insignificante.
Em estudo nacional, Moreira et al. (2021) observaram que, mesmo em hospitais públicos com recursos limitados, a robótica apresentou melhor visualização anatômica, o que pode ser determinante em pacientes com inflamação avançada. Kim et al. (2020), por outro lado, questionaram a relação custo-benefício da robótica em procedimentos de baixa complexidade.
A menor taxa de lesões das vias biliares, conforme relatado por Lee et al. (2018), é um dos argumentos mais fortes em favor da robótica. Em contrapartida, o tempo de montagem e posicionamento do robô, como observado por Costa et al. (2022), ainda representa um obstáculo em centros com alta demanda.
Há consenso de que a cirurgia robótica é mais vantajosa em casos complexos, como em pacientes com IMC elevado, cirurgias repetidas ou colecistites agudas. Porém, para casos simples, a laparoscopia permanece altamente eficiente, segura e mais econômica.
4 CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS
A revisão evidencia que tanto a colecistectomia robótica quanto a laparoscópica são técnicas eficazes, cada uma com seus pontos fortes. A robótica se destaca pela redução de complicações e maior precisão anatômica, ao custo de um tempo operatório superior e maior investimento. A laparoscopia mantém-se como padrão devido à sua ampla difusão, baixo custo e bons resultados. A escolha da técnica deve ser individualizada, considerando recursos disponíveis, complexidade do caso e experiência da equipe. Estudos futuros devem explorar a padronização de critérios para indicação da cirurgia robótica na colecistectomia.
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1 Discente do Curso Superior de medicina da Universidade de Rio Verde Campus Rio Verde e-mail:
lucasdstelter@gmail.com
