SMARTPHONE PARA MELHORAR O RENDIMENTO E O BEM ESTAR ANIMAL DE EQUINOS: REVISÃO DE LITERATURA

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511081419


Douglas Rodrigues dos Santos
Leonardo Yudji Sato Costa
Orientador: Prof. Luiz Eduardo Nunes Ferreira


RESUMO

O uso de tecnologias digitais no setor agropecuário tem se destacado como uma estratégia fundamental para modernizar o manejo e promover o bem-estar animal, especialmente na equinocultura. Neste contexto, o presente estudo justifica-se pela necessidade de ampliar a compreensão sobre como os smartphones e aplicativos digitais podem contribuir para a melhoria do rendimento e das condições de saúde dos equinos. O objetivo geral da pesquisa foi analisar o impacto do uso dessas tecnologias no aprimoramento do manejo e no monitoramento do bem-estar dos animais, além de investigar as ferramentas digitais disponíveis e seus benefícios no cotidiano das propriedades. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza bibliográfica, realizada por meio da análise de livros, artigos científicos e materiais acadêmicos publicados nos últimos anos, que abordam a aplicação de tecnologias digitais no manejo animal. Os resultados evidenciaram que o uso de smartphones e dispositivos conectados permite o monitoramento em tempo real das condições fisiológicas e comportamentais dos equinos, otimizando o cuidado, a prevenção de doenças e a eficiência produtiva. Além disso, observou-se que os aplicativos veterinários e os softwares de gestão contribuem para a organização das rotinas de manejo, o registro de dados clínicos e a comunicação entre os profissionais envolvidos. Conclui-se que as tecnologias digitais são aliadas importantes para a construção de uma equinocultura moderna, sustentável e eficiente, embora ainda existam desafios relacionados à infraestrutura, custos e capacitação técnica para sua plena implementação.

Palavras-chave: smartphones, tecnologias digitais, bem-estar animal.

ABSTRACT

The use of digital technologies in the agricultural sector has emerged as a key strategy to modernize management practices and promote animal welfare, especially in equine production. In this context, this study is justified by the need to expand the understanding of how smartphones and digital applications can contribute to improving the performance and health conditions of horses. The general objective of the research was to analyze the impact of these technologies on improving animal management and monitoring welfare, in addition to investigating the available digital tools and their benefits in the daily routines of farms. This is a qualitative, bibliographic research conducted through the analysis of books, scientific articles, and academic materials published in recent years that address the application of digital technologies in animal management. The results showed that the use of smartphones and connected devices allows real-time monitoring of the physiological and behavioral conditions of horses, optimizing care, disease prevention, and production efficiency. Furthermore, veterinary applications and management software contribute to the organization of management routines, clinical data recording, and communication among professionals involved. It is concluded that digital technologies are important allies for building a modern, sustainable, and efficient equine industry, although challenges related to infrastructure, costs, and technical training still need to be addressed.

Keywords: smartphones, digital technologies, animal welfare.

1. INTRODUÇÃO

Os avanços tecnológicos têm transformado significativamente os processos produtivos no setor agropecuário, especialmente no que se refere ao manejo e ao bem-estar animal (FAO, 2019; EMBRAPA, 2021). 

O bem-estar animal abrange o estado físico e mental dos animais em relação às condições em que vivem e morrem, incluindo saúde, conforto, nutrição, segurança, possibilidade de expressar comportamentos naturais e ausência de dor, medo e estresse (WOAH/OIE, 2022). Historicamente, é operacionalizado pelos “Cinco Domínios/Liberdades” — livre de fome e sede; desconforto; dor, lesões e doenças; medo e estresse; e com liberdade para expressar comportamentos naturais — ampliados no Modelo dos Cinco Domínios, que integra quatro domínios físicos (nutrição, ambiente, saúde e comportamento) e um domínio mental para avaliar experiências afetivas positivas e negativas (FAWC, 1993; MELLOR, 2016; MELLOR; BEAUSOLEIL, 2020).

No contexto da equinocultura, o uso de dispositivos móveis, sensores inteligentes e aplicativos digitais vem ganhando destaque como ferramentas essenciais para aprimorar a eficiência das práticas de manejo e promover melhores condições de vida para os equinos. A integração de smartphones ao cotidiano das propriedades rurais tem permitido um monitoramento mais preciso, individualizado e em tempo real, o que favorece a tomada de decisões rápidas e contribui diretamente para o aumento da produtividade e para o cuidado com a saúde dos animais (FAO, 2019; NEETHIRAJAN, 2020; EMBRAPA, 2021).

A relevância deste tema está relacionada à necessidade crescente de modernizar a equinocultura, buscando práticas sustentáveis, eficientes e que respeitem os princípios do bem-estar animal. A adoção de tecnologias digitais é fundamental para atender às novas exigências do mercado, que valoriza cada vez mais a qualidade de vida dos animais e a rastreabilidade dos processos. Além disso, a utilização de recursos tecnológicos pode otimizar a rotina de manejo, reduzir custos operacionais e minimizar riscos associados a falhas humanas e a condições ambientais adversas (WOAH/OIE, 2022; FAO, 2019; BRASIL/MAPA, 2022).

No entanto, apesar dos benefícios evidentes ainda existem muitos desafios a serem superados para a implementação destas tecnologias na prática da equinocultura.  Muitos produtores ainda apresentam resistência quanto à implementação dessas tecnologias no campo (EMBRAPA, 2020; ROGERS, 2003). 

Desta forma, com o intuito de analisar o impacto do uso de smartphones e tecnologias digitais no aprimoramento do rendimento e no monitoramento do bem-estar animal de equinos, foi realizada uma pesquisa qualitativa, de natureza bibliográfica, com base na análise de artigos científicos, livros e materiais acadêmicos publicados nos últimos anos, focando na compreensão das contribuições e limitações associadas ao uso das tecnologias digitais no manejo de equinos (BOTELHO; CUNHA; MACEDO, 2011).

Além disso, este estudo investigou os avanços tecnológicos têm sido utilizados no manejo e na gestão da saúde dos equinos, identificou os principais aplicativos e recursos digitais voltados para o acompanhamento desses animais, e avaliou as contribuições das tecnologias móveis na melhoria das condições de manejo e na promoção do bem-estar animal (NEETHIRAJAN, 2020; FAO, 2019; EMBRAPA, 2021).

A compilação das informações pode contribuir para a expansão do conhecimento sobre o papel das tecnologias digitais na equinocultura, oferecendo subsídios teóricos que possam apoiar a modernização das práticas no campo e incentivar a adoção de soluções inovadoras voltadas para o bem-estar dos equinos (EMBRAPA, 2021; WOAH/OIE, 2022).

2. REVISÃO DE LITERATURA

2.1 Avanços tecnológicos aplicados ao manejo animal

Os avanços tecnológicos aplicados ao manejo animal têm proporcionado transformações significativas no agronegócio brasileiro, especialmente no setor da equinocultura. Rodrigues et al (2024) destacam que a introdução de biotecnologias voltadas ao melhoramento genético tem permitido a produção de equinos com características superiores, como resistência física, qualidade estética e desempenho aprimorado, atendendo às exigências dos mercados nacional e internacional. A seleção criteriosa dos reprodutores, aliada ao controle nutricional e ao monitoramento contínuo da saúde dos animais, torna-se essencial para manter altos padrões de qualidade e competitividade no setor.

Nesse sentido, Luz et al (2024) enfatizam que o aprimoramento das técnicas de reprodução assistida, como a inseminação artificial e a transferência de embriões, tem sido determinante para a rápida disseminação de genótipos superiores, fortalecendo as linhagens e contribuindo para a preservação das raças equinas. Essas tecnologias permitem a multiplicação de características desejáveis e a redução de traços indesejados, promovendo a melhoria contínua dos planteis. A atuação especializada do zootecnista, com conhecimentos em nutrição, genética e bem-estar animal, é fundamental para a correta aplicação dessas inovações, assegurando que os animais sejam criados em ambientes adequados e com rigorosos padrões sanitários.

Silva et al (2024) ressaltam que os investimentos em tecnologia, como a criopreservação de sêmen e a análise genômica, potencializam a eficiência no manejo e na seleção dos equinos, exigindo constante atualização dos profissionais envolvidos. O desenvolvimento de animais adaptados às condições climáticas brasileiras evidencia como a biotecnologia pode atender demandas específicas do setor, ao mesmo tempo que prioriza a sustentabilidade e o bem-estar animal. Para Oliveira et al (2024), os avanços tecnológicos integrados ao manejo diário nas propriedades rurais estão redefinindo a qualidade genética e a eficiência produtiva da equinocultura, ampliando as oportunidades comerciais e valorizando as raças brasileiras no mercado internacional. O papel do zootecnista, nesse contexto, é central para consolidar os ganhos proporcionados por essas inovações e garantir a evolução contínua do setor.

No campo da pecuária de corte, Mendes e Martins (2022) enfatizam que as tecnologias aplicadas ao manejo animal, como o pastejo rotacionado, têm revolucionado a pecuária ao promover maior eficiência produtiva e garantir o bem-estar animal. O uso de sistemas de pastejo controlado permite a recuperação adequada das forrageiras, otimizando a qualidade nutricional disponível e contribuindo para o aumento do desempenho zootécnico do rebanho. Segundo os autores, a divisão estratégica das pastagens e o controle do tempo de pastejo possibilitam o aumento da lotação animal por hectare sem comprometer a qualidade do solo e das plantas.

Ainda de acordo com Mendes e Martins (2022), o sucesso do pastejo rotacionado exige planejamento técnico minucioso, desde a seleção das espécies forrageiras até a infraestrutura adequada, como corredores de acesso e cochos. O monitoramento da altura das forrageiras e o controle da carga animal garantem pastagens de alta qualidade proteica, otimizando o ganho de peso dos animais e reduzindo o tempo de abate. Além disso, a rotação adequada melhora a ciclagem de nutrientes e inibe plantas invasoras, consolidando-se como uma estratégia sustentável e eficiente. Para os autores, o uso inteligente da tecnologia no manejo das pastagens representa um caminho promissor para unir produtividade, lucratividade e responsabilidade ambiental.

No manejo de bovinos de corte, Ribeiro et al (2024) afirma que a introdução de tecnologias tem sido essencial para impulsionar a pecuária moderna. O uso de inseminação artificial e melhoramento genético contribui para acelerar o ganho de peso dos animais, reduzir o tempo de abate e elevar a qualidade da carne. Essas tecnologias permitem maior controle sobre o desenvolvimento dos bezerros e ajudam a atender a demanda do mercado por carne de alta qualidade a custos mais competitivos. Para os autores, a aplicação de sistemas automatizados, drones e ferramentas digitais têm facilitado o manejo nutricional e o monitoramento da saúde dos animais, otimizando o tempo de trabalho e elevando a eficiência das propriedades rurais.

Ribeiro et al (2024) ainda destacam que as tecnologias de gestão nutricional, como softwares e automação alimentar, são fundamentais para proporcionar dietas personalizadas e monitoramento detalhado dos lotes, permitindo ganhos mais eficientes e homogêneos de peso. Essas ferramentas contribuem para a redução de custos e para o aumento dos índices zootécnicos, além de promoverem maior bem-estar animal. Na visão dos autores, a evolução tecnológica no manejo animal é decisiva para o futuro da pecuária de corte brasileira, sendo um passo necessário para atender às exigências globais e superar desafios ambientais. Apesar das dificuldades associadas aos custos de implantação e à resistência cultural de alguns produtores, a modernização tecnológica é o caminho mais viável para garantir competitividade, sustentabilidade e sucesso no setor.

2.2 Introdução das tecnologias móveis na equinocultura

A introdução das tecnologias móveis na equinocultura tem se consolidado como um dos avanços mais expressivos na modernização do manejo animal. Conforme Souza e Silva (2024), o uso de dispositivos móveis e sensores inteligentes no acompanhamento dos equinos oferece novas possibilidades de monitoramento contínuo, permitindo acesso a informações detalhadas sobre indicadores fisiológicos e comportamentais em tempo real. Com a utilização de coleiras inteligentes, câmeras conectadas e plataformas digitais, os produtores podem identificar rapidamente alterações no comportamento e no estado de saúde dos animais, promovendo maior agilidade nas decisões e no cuidado com o bem-estar animal.

Segundo Souza e Silva (2024), os dispositivos móveis revolucionaram a rotina do manejo ao possibilitar a coleta de dados imediatos e precisos, fundamentais para decisões rápidas e eficazes. O monitoramento em tempo real permite a identificação precoce de doenças, problemas reprodutivos e situações de estresse nos equinos, o que contribui para uma gestão mais estratégica e eficiente. Esse avanço reduz o tempo de resposta frente a desafios sanitários e diminui os custos operacionais. Além disso, os sensores móveis integrados à inteligência artificial, como as imagens térmicas por infravermelho e a análise de movimento, ampliam a capacidade de vigilância automatizada. Essas tecnologias tornam-se aliadas essenciais para a manutenção da saúde e do desempenho dos animais, diminuindo a necessidade de intervenções manuais e intensivas.

Souza e Silva (2024) afirmam que a adoção das tecnologias móveis é indispensável para o futuro da equinocultura, pois permite um controle individualizado dos equinos e otimiza a gestão das propriedades. Essa modernização proporciona ganhos econômicos e produtivos significativos, mas exige investimentos em capacitação profissional e infraestrutura adequada para garantir a eficácia das ferramentas digitais. O desenvolvimento contínuo dessas tecnologias tem o potencial de transformar a pecuária tradicional em um sistema cada vez mais sustentável, eficiente e orientado por dados.

Ávila (2022) reforça que a introdução das tecnologias móveis no manejo animal tem desempenhado um papel central na modernização dos processos produtivos e no aprimoramento das avaliações zootécnicas. A integração entre dispositivos móveis e sensores conectados aos equinos possibilita o monitoramento em tempo real de variáveis fisiológicas e comportamentais, oferecendo um controle preciso das condições de manejo. Esse avanço reduz a necessidade de intervenções humanas constantes e melhora a gestão de grandes volumes de dados de forma ágil e eficiente, tornando o acompanhamento remoto mais acessível por meio de smartphones e tablets.

De acordo com Ávila (2022), a conectividade proporcionada pela internet das coisas potencializa a aplicação das tecnologias móveis no campo, permitindo que os produtores monitorem informações essenciais como alimentação, peso, localização e condições sanitárias dos equinos de forma instantânea. O uso de coleiras inteligentes e balanças de passagem integradas aos sistemas móveis permite um acompanhamento contínuo e individualizado, assegurando um manejo mais eficiente e respeitando o bem-estar animal. No contexto específico da equinocultura, a integração de sensores e dispositivos móveis facilita o monitoramento de dados como frequência cardíaca, gasto energético e padrões de movimentação dos cavalos, o que contribui para a prevenção de lesões e para ajustes imediatos no manejo.

Ávila (2022) conclui que as tecnologias móveis, quando associadas a sistemas inteligentes, representam um caminho sólido para a evolução da equinocultura, promovendo maior controle produtivo, redução de impactos ambientais e modernização das propriedades. Contudo, a plena implementação dessas tecnologias depende da capacitação adequada dos profissionais envolvidos e da adaptação da infraestrutura das propriedades rurais para garantir a integração eficiente dos sistemas digitais ao cotidiano do manejo equino.

2.3 Aplicativos e recursos digitais voltados para equinos

A utilização de aplicativos e recursos digitais voltados para equinos tem revolucionado a prática veterinária e o manejo animal, proporcionando maior eficiência e agilidade nos cuidados com esses animais. Conforme Wesguerber et al (2024), o uso dessas ferramentas digitais têm transformado significativamente o acompanhamento clínico e comportamental dos equinos. A digitalização das informações permite integrar registros de saúde, organizar dados sobre tratamentos e monitorar indicadores relevantes por meio de dispositivos móveis, o que oferece aos profissionais acesso rápido e seguro às informações essenciais para o cuidado individualizado.

De acordo com Wesguerber et al (2024), os aplicativos e plataformas digitais especializadas possibilitam o monitoramento em tempo real dos equinos, facilitando a detecção precoce de doenças, alterações de comportamento e situações que exigem intervenções imediatas. Essas tecnologias permitem registrar dados detalhados sobre alimentação, desempenho físico, medicações e cronogramas de manejo, garantindo um controle preciso da rotina dos animais. Além disso, os recursos digitais promovem uma comunicação eficaz entre os veterinários, cuidadores, tutores e demais profissionais envolvidos, otimizando o fluxo de informações e potencializando a qualidade do atendimento.

Wesguerber et al (2024) ressalta que o mercado oferece uma variedade de aplicativos direcionados à gestão e ao bem-estar dos equinos, incluindo funcionalidades como geolocalização, alarmes de emergência, monitoramento de sinais vitais e histórico veterinário digitalizado. Esses recursos conferem maior autonomia e agilidade aos profissionais no processo de tomada de decisão, especialmente em situações críticas que demandam respostas rápidas. O uso de aplicativos e recursos digitais voltados para equinos é visto como uma solução promissora para modernizar o manejo, reduzir o tempo de resposta e garantir intervenções mais eficazes e seguras.

Segundo Wesguerber et al (2024), a consolidação desses aplicativos como ferramentas essenciais na equinocultura moderna impulsiona a medicina veterinária a um novo patamar, oferecendo maior precisão no controle sanitário e facilitando o desenvolvimento de estratégias eficientes para a promoção da saúde e do bem-estar dos equinos. No entanto, a plena integração dessas tecnologias à rotina produtiva requer investimentos contínuos na formação dos profissionais e na adaptação das estruturas de atendimento para garantir sua eficácia no campo.

Moraes et al (2024) complementam que os aplicativos e softwares destinados à medicina veterinária têm promovido avanços significativos na prática clínica, especialmente no contexto da equinocultura. Essas ferramentas digitais possibilitam uma gestão moderna e eficaz das informações sanitárias, nutricionais e reprodutivas dos equinos, promovendo melhorias no acompanhamento e agilizando os processos de comunicação entre as equipes de manejo. A digitalização desses procedimentos contribui para a eficiência no atendimento e para o monitoramento contínuo da saúde dos animais.

De acordo com Moraes et al (2024), os aplicativos veterinários apresentam funcionalidades práticas como controle de agendamentos, registro clínico detalhado e emissão de receitas digitais, o que proporciona agilidade e segurança no acompanhamento individual dos equinos. Essas ferramentas também permitem o armazenamento sistematizado do histórico clínico dos animais e facilitam o acesso remoto a informações relevantes por meio de dispositivos móveis, otimizando a rotina de manejo, especialmente em propriedades de grande extensão territorial.

Na visão de Moraes et al (2024), os softwares direcionados ao acompanhamento de equinos podem incluir funcionalidades específicas, como o cálculo de dietas nutricionais personalizadas, controle terapêutico e ferramentas para diagnósticos diferenciados e planejamento de tratamentos. Esses recursos digitais contribuem diretamente para a precisão clínica e para a promoção do bem-estar animal, oferecendo um acompanhamento mais detalhado e eficiente ao longo do ciclo produtivo.

Moraes et al (2024) afirmam que os aplicativos e recursos digitais voltados para equinos representam aliados indispensáveis na construção de uma equinocultura mais moderna, eficiente e sustentável. A integração dos dados clínicos e produtivos promovida por essas tecnologias potencializa o diagnóstico, o atendimento e a qualidade dos processos de manejo. Apesar dos desafios relacionados à capacitação profissional, conectividade e segurança dos dados, os benefícios proporcionados por esses recursos digitais consolidam sua importância no avanço tecnológico da equinocultura contemporânea.

2.4 Tecnologias como aliadas no monitoramento do bem-estar animal

As tecnologias digitais têm se consolidado como aliadas indispensáveis no monitoramento do bem-estar animal, promovendo avanços significativos nas práticas de manejo. Conforme Abreu et al (2025), a integração de tecnologias como a Internet das Coisas (IoT) no acompanhamento dos animais permite a captação de dados em tempo real sobre as condições fisiológicas e ambientais. O uso de sensores inteligentes conectados a plataformas digitais possibilita identificar rapidamente situações de risco, como estresse térmico ou alterações comportamentais, contribuindo para a criação de ambientes mais seguros e confortáveis e melhorando as condições de transporte e manejo.

De acordo com Freire et al (2025), a IoT transforma a rotina de monitoramento ao viabilizar a coleta automatizada de informações por meio de chips de localização, coleiras com sensores e câmeras de vigilância. Essas ferramentas digitais ampliam a capacidade de rastreamento e análise, mesmo em áreas extensas, permitindo intervenções imediatas em casos adversos. O monitoramento constante é essencial para prevenir doenças, reduzir perdas produtivas e assegurar a conformidade com os padrões éticos de bem-estar animal. Essa evolução tecnológica proporciona um cuidado mais eficiente e individualizado, que fortalece a qualidade dos processos no campo.

Na visão de Silva et al (2025), a tecnologia digital aplicada ao monitoramento animal garante o atendimento contínuo das necessidades dos animais, respeitando as cinco liberdades fundamentais do bem-estar animal. A combinação de sensores ambientais, dispositivos móveis e inteligência computacional permite controlar de forma precisa fatores como alimentação, temperatura, umidade e atividade física. Esse acompanhamento personalizado favorece a produtividade ao mesmo tempo em que assegura condições que minimizam o estresse e preservam a saúde dos animais. Costa et al (2025) reforçam que o uso de tecnologias digitais nesse contexto agrega precisão, agilidade e sustentabilidade ao manejo, promovendo uma produção agropecuária mais ética e alinhada às exigências do mercado consumidor. Para alcançar esses benefícios plenamente, é essencial investir continuamente em pesquisa, desenvolvimento e capacitação profissional, garantindo que a tecnologia seja aplicada de forma eficiente e segura.

Krueger et al (2023) destacam que as tecnologias digitais são recursos fundamentais para o monitoramento e a promoção do bem-estar animal no setor agropecuário. A utilização de sensores conectados permite o acompanhamento em tempo real das condições fisiológicas e ambientais, possibilitando respostas rápidas e eficazes a situações adversas. Essa prática fortalece o controle sistemático do ambiente, reduzindo o estresse e elevando a produtividade. Andrade et al (2023) acrescentam que a agricultura 4.0, com o uso de drones, robôs e plataformas digitais, amplia a capacidade de inspeção das áreas de pastagem e do ambiente de manejo, sem causar interferências invasivas nos animais. O monitoramento por veículos aéreos não tripulados e máquinas robotizadas favorece ambientes mais estáveis e confortáveis, ao mesmo tempo em que contribui para o controle de pragas e a redução de riscos sanitários.

Segundo Soares (2023), ferramentas de big data e inteligência artificial ampliam as possibilidades de análise e processamento de grandes volumes de dados sobre o bem-estar animal. O monitoramento digital viabiliza a identificação de padrões comportamentais e anomalias que indicam problemas de saúde ou desconforto, permitindo ajustes rápidos e eficazes no manejo. Os bancos de dados armazenados em nuvem facilitam o acesso remoto e simultâneo às informações, otimizando a gestão e promovendo um acompanhamento mais detalhado dos indicadores de bem-estar. Krueger et al (2023) concluem que as tecnologias da indústria 4.0, como sensores, automação e sistemas integrados, são fundamentais para transformar o cuidado animal em práticas mais éticas, sustentáveis e eficientes. A adoção dessas ferramentas exige investimentos em infraestrutura e qualificação profissional, mas representa um caminho seguro para modernizar a agropecuária e elevar os padrões de bem-estar animal no cenário contemporâneo.

2.5 O Giroscópio e sua aplicação no monitoramento de equinos

A inserção de sensores giroscópicos em dispositivos móveis representa um avanço tecnológico relevante no monitoramento do comportamento animal, especialmente na equinocultura. O giroscópio é um sensor capaz de detectar variações de orientação e rotação angular em três eixos, permitindo a análise precisa de movimentos corporais. Nos smartphones e dispositivos vestíveis (wearables), esse sensor é frequentemente combinado com acelerômetros, resultando em sistemas de monitoramento cinético de alta sensibilidade e aplicabilidade em campo.

De acordo com Costa, Villar e Céspedes Arce (2023), o uso de acelerômetros integrados aos smartphones permitiu identificar padrões de movimentação dos equinos atletas, contribuindo para o diagnóstico precoce de desequilíbrios biomecânicos e para o aprimoramento do treinamento.

O giroscópio, ao registrar oscilações de postura e variações no equilíbrio dinâmico dos animais, fornece informações complementares às medições de aceleração, tornando-se essencial na construção de perfis cinéticos individuais. A figura 1 apresenta um esquema do funcionamento de um giroscópio em um dispositivo móvel acoplado ao equino

Essa tecnologia é particularmente útil em ambientes de campo, onde os equinos são expostos a diferentes tipos de piso, inclinações e demandas físicas. O giroscópio capta, por exemplo, alterações sutis no padrão de locomoção que podem indicar o início de claudicação, estresse físico ou desequilíbrios no treinamento. Os dados coletados são processados em aplicativos especializados que auxiliam os profissionais na tomada de decisões, melhorando o rendimento dos equinos e prevenindo lesões.

Avila (2022) reforça que o uso de sensores inerciais – compostos por giroscópios, magnetômetros e acelerômetros – está cada vez mais presente em sistemas de inteligência artificial aplicados ao comportamento animal. A integração dessas ferramentas a plataformas móveis possibilita a análise em tempo real da postura, intensidade do movimento e padrões repetitivos, que são cruciais para a avaliação do bem-estar e da saúde dos equinos. A sensibilidade do giroscópio também permite detectar mudanças bruscas de direção ou interrupções repentinas nos movimentos, que podem ser sintomas de dor ou desconforto.

Segundo Souza e Silva (2024), os sensores giroscópicos, quando associados a tecnologias móveis e à Internet das Coisas (IoT), ampliam as possibilidades de controle automatizado do desempenho físico e da reatividade dos animais frente a estímulos ambientais. Essa capacidade de resposta imediata e baseada em dados objetivos contribui para a personalização dos protocolos de manejo e treinamento, promovendo ganhos tanto em produtividade quanto em bem-estar animal.

A seguir, apresenta-se uma ilustração simplificada do funcionamento do sensor giroscópico em dispositivos móveis aplicados ao monitoramento equino:

Figura 1. Representação esquemática do funcionamento de um giroscópio em um dispositivo móvel acoplado ao equino

Fonte: Adaptado de Costa; Villar; Céspedes Arce (2023).

A presença do giroscópio nos dispositivos móveis utilizados no campo amplia a precisão das medições e representa um elemento-chave para transformar os smartphones em ferramentas de diagnóstico e gestão. Ao capturar os movimentos tridimensionais dos equinos, esse sensor viabiliza um acompanhamento sofisticado, mesmo em condições adversas, elevando o padrão de cuidado e bem-estar na equinocultura moderna.

Figura 2. Representação dos três eixos de funcionamento do giroscópio (Pitch, Roll e Yaw) em sensores inerciais

Fonte: Elaborado pelo autor, com base em Costa, Villar e Céspedes Arce (2023).

A figura 2 ilustra o princípio de funcionamento dos giroscópios presentes em dispositivos móveis, demonstrando os três eixos principais de medição angular:

Pitch (Eixo X): movimento de inclinação para frente e para trás;

Roll (Eixo Y): movimento de rotação lateral (esquerda/direita);

Yaw (Eixo Z): movimento de rotação horizontal ao redor do eixo vertical (direita/esquerda).

Esses parâmetros são fundamentais para o monitoramento postural e cinético de equinos em sistemas de rastreamento embarcados em smartphones.

3. OBJETIVOS

3.1 Objetivo geral

Analisar o impacto do uso de smartphones e tecnologias digitais no aprimoramento do rendimento e no monitoramento do bem-estar animal de equinos, evidenciando os benefícios e desafios de sua aplicação no manejo moderno.

3.2 Objetivos específicos

  • Investigar como os avanços tecnológicos, especialmente os dispositivos móveis, têm sido utilizados no manejo e na gestão da saúde de equinos.
  • Identificar os principais aplicativos e recursos digitais voltados para o monitoramento do bem-estar animal de equinos.
  • Avaliar as contribuições das tecnologias móveis na melhoria das condições de manejo, desempenho e qualidade de vida dos equinos.

4. MATERIAIS E MÉTODOS

Este trabalho caracteriza-se como uma pesquisa qualitativa de natureza bibliográfica, cujo objetivo foi compreender de que forma os smartphones e as tecnologias digitais podem contribuir para a melhoria do rendimento e do bem-estar animal de equinos. A abordagem qualitativa foi escolhida por permitir uma análise interpretativa e aprofundada dos conteúdos pesquisados, possibilitando compreender as relações e os significados atribuídos ao uso das tecnologias no contexto da equinocultura.

A pesquisa bibliográfica foi desenvolvida a partir da análise de artigos científicos, periódicos, livros e materiais acadêmicos disponíveis em bases de dados digitais e físicas. Foram selecionadas publicações recentes, compreendidas entre os anos de 2022 e 2025, com ênfase em estudos relacionados ao manejo animal, tecnologias móveis, Internet das Coisas (IoT), inteligência artificial aplicada à produção animal, e bem-estar de equinos. A seleção dos materiais considerou a relevância temática, a contribuição para o campo da equinocultura e a atualidade das informações.

Os principais autores que embasaram este estudo incluem Rodrigues et al (2024), Luz et al (2024), Silva et al (2024), Oliveira et al (2024), Souza e Silva (2024), Avila (2022), Wesguerber et al (2024), Moraes et al (2024), Abreu et al (2025), Freire et al (2025), Costa et al (2025), Krueger et al (2023), Andrade et al (2023) e Soares (2023). Estes trabalhos forneceram subsídios teóricos essenciais para a análise dos avanços tecnológicos no manejo animal e no monitoramento do bem-estar de equinos, especialmente no que se refere ao uso de smartphones e aplicativos.

A coleta de dados foi realizada por meio de uma análise criteriosa do conteúdo disponível, priorizando informações que demonstrassem a aplicação prática das tecnologias, seus impactos no bem-estar animal, e os desafios para a adoção desses recursos no campo. As informações extraídas foram organizadas e analisadas de forma descritiva, buscando evidenciar a importância das tecnologias móveis no contexto da equinocultura moderna.

Como forma de garantir a validade da pesquisa, os materiais selecionados foram confrontados entre si, visando identificar convergências e divergências nos resultados apresentados, além de assegurar a pluralidade de fontes e visões sobre o tema estudado.

5. RESULTADOS

A análise realizada a partir da revisão bibliográfica permitiu identificar que os avanços tecnológicos, em especial o uso de smartphones e aplicativos móveis, têm provocado transformações significativas no manejo de equinos e no monitoramento do bem-estar animal. Diversos estudos consultados demonstram que a introdução dessas tecnologias não apenas contribui para a eficiência produtiva, mas também promove um cuidado mais individualizado e contínuo com os animais.

Rodrigues et al (2024) e Luz et al (2024) evidenciaram que as biotecnologias aplicadas ao melhoramento genético de equinos, quando integradas ao uso de dispositivos móveis, ampliam as possibilidades de acompanhamento dos animais em tempo real. O uso de smartphones (figura 3) permite o acesso rápido a informações sobre linhagens, saúde reprodutiva e condições fisiológicas, proporcionando aos zootecnistas uma base sólida para a tomada de decisões estratégicas no manejo. Além disso, a capacidade de integrar dados sobre nutrição, reprodução e desempenho reforça a importância da tecnologia no aprimoramento das práticas diárias na equinocultura.

Souza e Silva (2024) e Avila (2022) destacaram que a introdução das tecnologias móveis na equinocultura revolucionou a forma de monitorar os animais, promovendo o acompanhamento constante de parâmetros como frequência cardíaca, temperatura corporal, gasto energético e localização por meio de coleiras inteligentes e sensores conectados. Esses recursos permitem que os produtores intervenham rapidamente diante de anormalidades, reduzindo riscos e otimizando os cuidados com os equinos. A conectividade proporcionada pelos smartphones possibilita também o gerenciamento remoto das rotinas de manejo, mesmo em propriedades de grande extensão territorial.

Figura 3.  Smartphone colocado na capa e acoplado a caneleira

Fonte: (Costa; Villar; Céspedes Arce, 2023)

Wesguerber et al (2024) e Moraes et al (2024) complementam que os aplicativos veterinários especializados trouxeram significativas inovações para o acompanhamento clínico dos equinos. Esses softwares possibilitam o armazenamento sistemático do histórico veterinário, controle rigoroso de medicações, planejamento alimentar e agendamento de atividades, proporcionando maior segurança e praticidade no gerenciamento das informações. Tais ferramentas também fortalecem a comunicação entre veterinários, cuidadores e proprietários, otimizando os processos decisórios e melhorando o tempo de resposta frente a emergências clínicas.

Outro aspecto relevante identificado nos resultados foi a contribuição das tecnologias digitais no monitoramento contínuo das condições ambientais e fisiológicas que impactam o bem-estar animal. Abreu et al (2025) e Freire et al (2025) ressaltam que a integração da Internet das Coisas (IoT) ao uso de smartphones amplia a capacidade de captação de dados em tempo real, permitindo a rápida identificação de situações de estresse térmico, alterações de comportamento e outros indicadores de risco. O monitoramento automatizado, através de dispositivos conectados, proporciona maior precisão e agilidade nas intervenções, promovendo ambientes mais seguros e confortáveis para os equinos.

Além disso, Silva et al (2025) e Costa et al (2025) reforçam que a aplicação da tecnologia no manejo animal contribui diretamente para assegurar as cinco liberdades fundamentais do bem-estar animal, como a liberdade de sede e fome, de desconforto, de dor, de expressar comportamento natural e de medo e estresse. O uso de sensores ambientais e dispositivos móveis permite um controle mais eficiente de fatores como alimentação, umidade, temperatura e atividade física, otimizando as práticas de manejo e garantindo melhores condições de vida para os animais.

Krueger et al (2023) e Andrade et al (2023) destacam ainda que as tecnologias da agricultura 4.0, como drones, robôs e plataformas digitais, têm potencializado o monitoramento de pastagens e áreas de manejo sem a necessidade de contato direto com os animais, reduzindo o estresse e promovendo um ambiente mais equilibrado. Os drones, por exemplo, permitem a vigilância de grandes áreas, facilitando a inspeção de pastagens, controle de pragas e verificação de infraestrutura, enquanto as máquinas automatizadas contribuem para o manejo preciso e eficiente.

Por fim, Soares (2023) ressalta que o uso de ferramentas de big data e inteligência artificial, associadas ao monitoramento digital, amplia as possibilidades de análise e interpretação de grandes volumes de dados, possibilitando a identificação precoce de padrões comportamentais e condições de risco à saúde dos equinos. O armazenamento dessas informações em nuvem permite o acesso remoto por diversos profissionais simultaneamente, promovendo uma gestão integrada e mais eficaz.

Os resultados obtidos demonstram que o uso de smartphones e tecnologias digitais tem se consolidado como uma tendência promissora no setor da equinocultura, potencializando o rendimento dos animais e elevando os padrões de bem-estar. Contudo, os estudos também apontam que a efetiva implementação dessas tecnologias depende de investimentos em capacitação profissional, infraestrutura adequada e superação de barreiras culturais ainda presentes em algumas propriedades.

6. DISCUSSÃO

A partir dos resultados obtidos, é possível afirmar que o uso de smartphones e tecnologias digitais no manejo e no monitoramento do bem-estar de equinos representa um avanço significativo para a modernização da equinocultura. A literatura consultada demonstra que a introdução de dispositivos móveis, aplicativos especializados, sensores inteligentes e ferramentas conectadas têm proporcionado melhorias substanciais tanto no desempenho quanto na qualidade de vida dos animais, além de favorecer a gestão eficiente das propriedades.

Rodrigues et al (2024) e Luz et al (2024) enfatizam que o aprimoramento genético e a modernização do manejo com o suporte da tecnologia contribuem diretamente para elevar os padrões de qualidade e competitividade do setor. O uso de smartphones, como ferramenta de gestão, potencializa esses avanços ao permitir o acesso rápido e remoto às informações necessárias para a tomada de decisões assertivas no campo. Essa realidade evidencia que a tecnologia não apenas agrega valor ao processo produtivo, mas também amplia a capacidade de resposta dos profissionais frente aos desafios diários no cuidado com os equinos.

Souza e Silva (2024) e Ávila (2022) reforçam que o monitoramento contínuo viabilizado pelas tecnologias móveis contribui para uma mudança de paradigma no manejo animal, ao possibilitar o acompanhamento individualizado e em tempo real dos parâmetros fisiológicos e comportamentais dos equinos. A possibilidade de monitorar fatores como temperatura corporal, frequência cardíaca e nível de atividade, de forma instantânea, permite intervenções mais rápidas e eficazes, prevenindo agravos à saúde dos animais e melhorando o rendimento zootécnico.

Esses achados se alinham com o que Wesguerber et al (2024) e Moraes et al (2024) abordam ao destacar a importância dos aplicativos e softwares veterinários no acompanhamento clínico e no registro de informações essenciais. A digitalização dos prontuários, o controle de medicamentos e o planejamento de dietas personalizadas tornam o manejo mais eficiente e seguro, oferecendo maior precisão aos cuidados com os equinos. Além disso, o fortalecimento da comunicação entre os diversos profissionais envolvidos no processo (veterinários, zootecnistas, cuidadores e proprietários) contribui para um fluxo de trabalho mais ágil e integrado, o que favorece a saúde e o bem-estar animal.

Outro ponto relevante a ser discutido é o impacto das tecnologias digitais no monitoramento ambiental e na promoção das cinco liberdades do bem-estar animal, conforme discutido por Abreu et al (2025), Freire et al (2025), Silva et al (2025) e Costa et al (2025). O uso de sensores conectados e plataformas digitais possibilita o controle preciso das condições ambientais e sanitárias, assegurando que os equinos sejam mantidos em espaços confortáveis, com alimentação adequada e mínima exposição a fatores estressantes. A gestão automatizada favorece a identificação de situações de risco, como estresse térmico ou alterações de comportamento, permitindo ajustes imediatos no manejo e reforçando o compromisso com práticas éticas e responsáveis.

As contribuições de Krueger et al (2023) e Andrade et al (2023) acerca da agricultura 4.0 ampliam a compreensão sobre o potencial transformador dessas tecnologias. O uso de drones e robôs no monitoramento das pastagens e no controle de pragas minimiza a necessidade de contato direto com os animais e reduz o impacto de práticas invasivas, o que contribui diretamente para a redução do estresse e para a criação de ambientes mais equilibrados. Esse conjunto de recursos torna o manejo mais sustentável e eficiente, ao mesmo tempo em que atende às exigências dos consumidores por práticas agropecuárias que respeitem o bem-estar animal.

Além disso, Soares (2023) destaca que a utilização de big data e inteligência artificial permite o cruzamento de grandes volumes de dados, o que favorece a criação de perfis individualizados dos animais e a identificação de padrões comportamentais que podem sinalizar problemas de saúde. Esse avanço amplia a capacidade de prevenção e possibilita a construção de modelos preditivos que otimizam a gestão da saúde e da produtividade dos equinos.

Apesar dos inúmeros benefícios evidenciados, é importante considerar que alguns desafios ainda precisam ser superados para a plena implementação dessas tecnologias no campo. Os altos custos de aquisição e manutenção dos equipamentos, a necessidade de infraestrutura digital adequada e a capacitação contínua dos profissionais envolvidos são fatores limitantes apontados por diversos autores, incluindo Abreu et al (2025) e Krueger et al (2023). Além disso, ainda existem resistências culturais por parte de alguns produtores, que podem dificultar a rápida adesão a essas inovações.

Portanto, a discussão aponta que, embora as tecnologias digitais e o uso de smartphones tenham um papel crucial no aprimoramento do manejo e no monitoramento do bem-estar dos equinos, o sucesso de sua aplicação depende de investimentos estratégicos, capacitação técnica e mudança de mentalidade no setor. O fortalecimento dessas práticas é essencial para promover uma equinocultura moderna, sustentável e ética, capaz de atender às crescentes exigências de qualidade e responsabilidade social no mercado nacional e internacional.

7. CONCLUSÃO

A realização deste estudo possibilitou compreender que o uso de smartphones e tecnologias digitais têm um impacto relevante na modernização do manejo e no monitoramento do bem-estar de equinos. Verificou-se que essas ferramentas tecnológicas contribuem de maneira significativa para o aumento da eficiência produtiva, para o aprimoramento das práticas de manejo e para a melhoria das condições de vida dos animais.

O levantamento teórico demonstrou que o uso de dispositivos móveis, sensores inteligentes e aplicativos especializados permite o monitoramento em tempo real de variáveis fisiológicas e comportamentais dos equinos, favorecendo a detecção precoce de alterações e a tomada de decisões rápidas e eficazes. O acompanhamento contínuo dos animais, promovido por essas tecnologias, contribui para a prevenção de enfermidades, para a redução do estresse e para a promoção de ambientes mais seguros e confortáveis.

Além disso, foi possível observar que os recursos digitais otimizam a organização das rotinas de manejo, permitem o registro eficiente de dados clínicos e produtivos e fortalecem a comunicação entre os profissionais envolvidos no cuidado dos animais. As tecnologias digitais facilitam também o planejamento alimentar, a gestão sanitária e o controle reprodutivo, promovendo um manejo mais seguro, preciso e integrado.

Apesar dos inúmeros benefícios identificados, a pesquisa revelou que a plena aplicação dessas tecnologias ainda enfrenta desafios, especialmente relacionados ao custo de aquisição, à necessidade de infraestrutura adequada e à resistência cultural de alguns produtores em aderir a novas práticas. Superar essas dificuldades é fundamental para consolidar o uso das tecnologias digitais no campo e alcançar um manejo mais sustentável e eficiente.

Conclui-se, portanto, que o uso de smartphones e tecnologias digitais é um recurso promissor para melhorar o rendimento e o bem-estar animal de equinos. Os objetivos propostos no estudo foram plenamente alcançados, uma vez que foi possível investigar as aplicações práticas das tecnologias móveis, identificar os recursos digitais voltados para equinos e avaliar os benefícios e os desafios relacionados à adoção dessas inovações. O desenvolvimento da equinocultura moderna, sustentável e ética passa, necessariamente, pelo investimento contínuo em tecnologia e capacitação profissional.

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