REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202511052208
Claiton Doinatha da Silva Pereira1
Silas de Souza Júnior2
RESUMO
O pré-natal do parceiro é uma estratégia recente no campo da saúde pública, voltada à inclusão do homem no cuidado reprodutivo e à promoção da paternidade ativa e responsável. Apesar dos avanços nas políticas de atenção integral à saúde do homem, a participação masculina ainda é limitada devido a fatores culturais, sociais e estruturais dos serviços de saúde. O presente trabalho tem como objetivo analisar os desafios e as possibilidades da atuação do enfermeiro no pré-natal do parceiro, considerando sua relevância para a saúde integral do casal e fortalecimento do vínculo familiar. Trata-se de um estudo de natureza bibliográfica, desenvolvido a partir de revisão de artigos científicos, livros e documentos oficiais publicados entre 2015 e 2024, disponíveis em bases como SciELO, LILACS e Google Acadêmico, com enfoque em políticas públicas e práticas de enfermagem voltadas à atenção pré-natal. A análise revelou que os principais desafios enfrentados pelos enfermeiros envolvem a falta de preparo profissional, ausência de protocolos específicos e resistência dos homens em participar das consultas. Em contrapartida, o estudo apontou possibilidades como a capacitação dos profissionais, a criação de espaços acolhedores e a implementação de ações educativas que valorizem o papel do homem no processo gestacional. O enfermeiro desempenha papel central na efetivação do pré-natal do parceiro, sendo essencial para promover o engajamento masculino e contribuir para a humanização da assistência à gestante e ao recém-nascido. Políticas públicas fortalecidas e formação continuada são fundamentais para ampliar essa prática.
Palavras-chave: Enfermagem; Pré-natal; Saúde do homem; Paternidade; Atenção primária.
ABSTRACT
Partner prenatal care is a recent public health strategy focused on including men in reproductive care and promoting active and responsible fatherhood. Despite advances in comprehensive men’s health care policies, male participation is still limited due to cultural, social, and structural factors within health services. This study aims to analyze the challenges and opportunities for nurses in partner prenatal care, considering its relevance to the couple’s overall health and strengthening of family bonds. This is a bibliographic study developed from a review of scientific articles, books, and official documents published between 2015 and 2024, available in databases such as SciELO, LILACS, and Google Scholar, focusing on public policies and nursing practices related to prenatal care. The analysis revealed that the main challenges faced by nurses involve a lack of professional training, the absence of specific protocols, and men’s resistance to attending consultations. In contrast, the study highlighted possibilities such as professional training, the creation of welcoming spaces, and the implementation of educational initiatives that value the role of men in the gestational process. Nurses play a central role in providing prenatal care to their partners, being essential for promoting male engagement and contributing to the humanization of care for pregnant women and newborns. Strengthened public policies and ongoing training are essential to expanding this practice.
Keyword: ursing; Prenatal Care; Men’s Health; Paternity; Primary Care.
1. INTRODUÇÃO
O presente estudo consiste em uma investigação cujos resultados é apresentar como a Unidade de Saúde da Família – USF, Gentil Perdomo da Rocha, tem abordado o pré-natal do homem/parceiro, partindo do princípio que, é um tema de muita importância no âmbito pessoal e social, influenciando diretamente na saúde física e mental dos indivíduos. Assim, o pré-natal se configura como uma das mais importantes abordagens de promoção à saúde materno-infantil, tendo como foco principal o acompanhamento da gestante e a prevenção de agravos durante a gestação, parto e puerpério.
Ao longo dos últimos anos, políticas públicas de saúde têm ampliado o olhar sobre esse processo, na tentativa de incluir o parceiro como indivíduo engajado no cuidado de si mesmo. O chamado pré-natal do homem surge, nesse contexto, como uma ação estratégica que visa promover a participação masculina durante a gestação, reconhecendo o homem como parte fundamental da dinâmica familiar e da formação do vínculo afetivo com o bebê desde o período gestacional.
A inclusão do homem nesse cenário ainda representa um desafio no âmbito da atenção primária à saúde. Crenças socioculturais, a visão tradicional da gestação como evento exclusivamente feminino e a estrutura dos serviços de saúde, muitas vezes voltada prioritariamente à mulher, contribuem para a baixa adesão dos parceiros ao pré-natal. Nesse sentido, o enfermeiro assume papel essencial na mediação entre as políticas públicas e a prática assistencial, atuando não apenas na execução de consultas e exames, mas também na educação em saúde, na escuta qualificada e na promoção do acolhimento humanizado ao casal.
A contextualização do tema evidencia que o Ministério da Saúde, por meio da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH) e da Rede Cegonha, tem estimulado a inserção dos homens nos serviços de atenção básica, especialmente durante o ciclo gravídico-puerperal. Ainda assim, observa-se uma lacuna significativa entre o que é proposto pelas políticas e o que é efetivamente realizado na prática assistencial. O pré-natal do parceiro, além de contribuir para a construção da paternidade responsável, também favorece o desenvolvimento de uma nova perspectiva sobre masculinidades, saúde e corresponsabilidade familiar.
A justificativa para a realização deste estudo baseia-se na necessidade de compreender como o enfermeiro pode atuar de forma mais efetiva na inserção do parceiro no pré-natal, superando barreiras institucionais e culturais. Tal reflexão é relevante, pois amplia o olhar sobre a saúde do homem, fortalece o papel educativo da enfermagem e contribui para a humanização do cuidado no Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, o envolvimento do parceiro no acompanhamento da gestante está associado à redução de complicações obstétricas, ao aumento da adesão ao aleitamento materno e ao fortalecimento dos vínculos familiares, configurando-se como prática de grande relevância social e sanitária.
Diante desse cenário, o presente estudo tem como problema de pesquisa a seguinte questão: quais são os desafios e as possibilidades da atuação do enfermeiro na efetivação do pré-natal do parceiro, no contexto da atenção primária à saúde? Essa pergunta orienta a investigação teórica e a análise crítica sobre as práticas e limitações enfrentadas pelos profissionais de enfermagem no processo de implementação dessa estratégia.
Como objetivo geral, o trabalho propõe-se a: Analisar os desafios e as possibilidades da atuação do enfermeiro na condução do pré-natal do parceiro, considerando sua relevância na promoção da saúde e no fortalecimento da paternidade ativa. E para alcançá-los estabelecemos objetivos específicos. Vejamos, (1) identificar os principais entraves que dificultam a participação do homem no pré-natal no âmbito Unidade de Saúde da Família – USF, Gentil Perdomo da Rocha; (2) descrever as ações de enfermagem voltadas à inclusão do parceiro no cuidado reprodutivo; e (3) discutir estratégias que possam potencializar política pública de apoio à saúde do homem, e o pré-natal como estratégia pra trazer esse homem a cuidar da sua própria saúde.
A metodologia adotada consiste em um estudo de natureza bibliográfica e qualitativa, baseado na análise de artigos científicos, dissertações, teses e documentos oficiais publicados entre 2015 e 2024. A pesquisa foi conduzida em bases de dados como SciELO, LILACS e Google Acadêmico, utilizando descritores como “pré-natal do parceiro”, “enfermagem”, “paternidade” e “saúde do homem”. Foram selecionadas produções que abordassem a atuação do enfermeiro e as políticas públicas voltadas à inclusão do homem na atenção pré-natal. A análise seguiu abordagem descritiva, buscando identificar padrões, desafios e perspectivas de aprimoramento das práticas assistenciais.
2. CONTEXTO HISTÓRICO SAÚDE DO HOMEM E PRINCIPAIS ENTRAVES QUE DIFICULTAM A PARTICIPAÇÃO DO HOMEM NO PRÉ-NATAL
Historicamente percebemos que a saúde do homem foi secundarizada por ele próprio, e, não distante disso pelo estado, evidenciado pelos teóricos a seguir, Vasconcelos, 2019, nos põe a par do seguinte, em muitas sociedades, as normas culturais e de gênero ainda associam a mulher à responsabilidade exclusiva pelo cuidado da gestação e do bebê. Segundo Lima et al. (2021), muitos homens ainda percebem o pré-natal como uma atividade restrita à mulher, o que reflete a construção histórica e social de masculinidades pautadas na ideia de invulnerabilidade e afastamento dos cuidados com a saúde. Essa concepção, associada à falta de acolhimento nos serviços de atenção básica, contribui para o distanciamento masculino durante o período gestacional. Wanderley, Lima e Araújo (2016) reforçam que o papel da equipe de enfermagem é fundamental nesse processo, especialmente no acolhimento e no estímulo à participação do homem como sujeito ativo na promoção da saúde familiar.
A participação do homem no pré-natal, muitas vezes, é vista como algo secundário ou menos importante, em vez de ser uma parte fundamental do processo de cuidados. Isso leva a uma subvalorização do papel do homem na gestação, quando falamos em costumes e heranças culturais da sociedade patriarcal, Vasconcelos, 2019. Afirma o seguinte:
“Na sociedade familiar patriarcal eram claras e definidas as funções exercidas pelo pai e pela mãe. Ao pai, cabia o papel de reprodutor, provedor e disciplinador. A figura paterna estava ligada à imagem de homens responsáveis pela subsistência da sua prole legítima e ilegítima, com o poder sobre a terra, as riquezas e os escravos e exerciam sua autoridade cobrando obediência e submissão de suas mulheres e filhos. À mãe cabia, além da reprodução, gestação e amamentação, todos os cuidados e responsabilidades referentes à criação dos filhos no espaço doméstico. As mulheres estavam predestinadas a serem mães e a cuidarem de seus filhos e maridos como uma vocação natural. ” (Oliveira et al., 2009 apud Vasconcelos, 2019).
E ainda dentro desse contexto, Vasconcelos, 2019. Observa que, historicamente, essa cultura tem avançado até nos dias de hoje, os homens se eximem de participar do pré-natal da parceira, movidos pela cultura patriarcal e retrógrada. O texto abaixo nos situam, vejamos:
Com o advento da família nuclear burguesa, esses papéis ainda permaneceram alinhados, uma vez que a família patriarcal rural estava em decadência, mas o sistema ideológico da moral patriarcal ainda era e é muito forte na sociedade brasileira. Entretanto, a urbanização e a industrialização trouxeram um fenômeno propulsor para as transformações no âmbito da família moderna brasileira: o ingresso da mulher nos espaços públicos de trabalho. A mulher, antes vocacionada e destinada ao papel de esposa-mãe, assume agora outro papel, não menos importante: o de mulher-trabalhadora (Oliveira; Nascimento; Santos, 2010 apud Vasconcelos, 2019).
O que se constrói numa cultura de uma dada sociedade, leva décadas para se consolidar. E para desconstruir conceitos e práticas errôneas, leva a mesma quantidade de tempo e muitas gerações para vermos mudanças. Entre as principais barreiras, destacam-se a persistência de padrões socioculturais que associam o cuidado à saúde como um papel feminino, a falta de sensibilização dos profissionais de saúde, horários de atendimento incompatíveis com a jornada de trabalho dos homens e a ausência de políticas públicas mais efetivas de incentivo à presença do parceiro no pré-natal (Batista et al., 2021).
Podemos destacar que a saúde pública voltada aos homens é bem recente de acordo com Vasconcelos, 2019.
A paternidade estreia no palco das discussões das ciências sociais e humanas desde a década de 80. Entre os anos de 1987 e 1990, a questão ganha destaque nos campos do Direito e da Psicologia. Ainda na década de 90, o tema de pesquisa amplia-se para as áreas de Saúde Pública, Antropologia, Educação e Enfermagem. Só nos anos 2000, ganha espaço em campos como a Comunicação, Saúde da Mulher e da Criança, Filosofia, Neurociências, Saúde Coletiva e Ciências Sociais (Ribeiro; Gomes; Moreira, 2015 apud Vasconcelos, 2019).
Embora a ideia de uma paternidade mais ativa esteja em crescimento, ela ainda enfrenta resistência em alguns contextos. O papel do homem no contexto do pré-natal pode ser visto como algo que desafia o padrão básico do homem ou expectativas tradicionais de paternidade. Moura, A. A. S. et al. 2017, infere que “A presença do homem no pré-natal confronta os estereótipos clássicas de gênero e contribui para uma paternidade mais ativa e consciente” (Moura; Reis; Guedes, 2017). Outro ponto não menos importante, são voltados aos profissionais que podem se sentir inseguros ou desinformados sobre como engajar o homem adequadamente no processo de gestação.
Reforça-se a necessidade de sensibilizar e preparar as equipes de saúde para receberem e acolherem os homens de forma integral e adequada a este seguimento. O enfermeiro ocupa um papel fundamental neste aspecto, pois deve orientar e estimular as gestantes quanto à possibilidade e importância da presença do parceiro no pré-natal, não oferecendo obstáculos à sua participação, e sim uma escuta qualificada sobre as expectativas do casal em relação à paternidade/maternidade. Desse modo, o pai se sentirá seguro para oferecer o apoio necessário à mulher e à criança, visto que entenderá as alterações fisiológicas/emocionais pertinentes ao ciclo gravídico-puerperal no qual está inserido. (Brito, et. al. 2021)
Entre os principais desafios para a adesão masculina ao pré-natal, elencamos a falta de informação sobre sua importância, estigmas socioculturais relacionados ao papel do homem na gestação, e dificuldades de acesso aos serviços de saúde. Muitos homens não se sentem acolhidos nos ambientes de atendimento pré-natal, o que reforça a necessidade de capacitação dos profissionais de saúde para sensibilizar e incluir esses pais no acompanhamento da gestação. A falta de informação também é um fator relevante. De acordo com Fagundes et al. (2024), muitos homens não compreendem a importância do pré-natal do parceiro nem conhecem os benefícios dessa prática, tanto para a saúde materna e fetal quanto para a própria saúde masculina. Essa lacuna informacional revela a necessidade de estratégias de educação em saúde direcionadas ao público masculino, como rodas de conversa, materiais educativos e campanhas comunitárias. Bonifácio (2018) destaca o uso da estratégia PRENACEL, que tem se mostrado eficaz em ampliar o envolvimento masculino por meio de mensagens educativas enviadas via telefone celular, reforçando o vínculo entre o parceiro e o serviço de saúde.
Outro entrave está relacionado aos aspectos organizacionais dos serviços. Silva et al. (2020) observaram que, em muitos casos, os horários de funcionamento das unidades de saúde coincidem com o período de trabalho dos homens, o que inviabiliza sua presença nas consultas. Além disso, há carência de profissionais capacitados para abordar temas relacionados à paternidade e à saúde masculina de forma acolhedora e não estigmatizante. Essa dificuldade é reforçada por Santos et al. (2022), que identificaram resistência institucional e despreparo dos profissionais em lidar com o público masculino durante o pré-natal, o que desestimula a adesão.
Apesar disso, essas barreiras culturais e institucionais ainda dificultam essa adesão masculina, como a ausência de horários flexíveis no trabalho e a falta de campanhas educativas voltadas ao público masculino (BRASIL, 2018; Fernandes et al, 2021). Ações como rodas de conversa, materiais educativos e cursos de preparação para o parto e cuidados com o recém-nascido têm se mostrado eficazes na sensibilização dos homens para o papel que exercem nesse contexto Silva et al., (2018). Além disso, o incentivo a práticas de vida saudável por parte dos parceiros — como alimentação equilibrada e atividades físicas — também é destacado como parte essencial para o acompanhamento gestacional de forma corresponsável (BRASIL, 2018; Nogueira et al., 2018). Dessa forma, o pré-natal do parceiro se configura não apenas como uma ação de saúde, mas como um instrumento de transformação de papéis sociais e de promoção da equidade de gênero.
A literatura também aponta que a ausência de políticas públicas direcionadas e de campanhas de sensibilização contínuas dificulta o avanço desse tipo de cuidado. Segundo Santos et al. (2020), é preciso que os serviços de saúde adotem metodologias participativas, como a educação popular em saúde, para envolver os homens no cuidado e fortalecer o vínculo com o trinômio pai–mãe–filho. Essa estratégia contribui para a corresponsabilidade e para a formação de uma rede de apoio familiar mais sólida.
De acordo com Vitoretti et al. (2021), o pré-natal do parceiro é um importante instrumento de promoção da saúde masculina, pois permite a realização de exames preventivos e o acompanhamento de condições clínicas que poderiam passar despercebidas. No entanto, a falta de divulgação e a pouca valorização dessa prática pelos próprios serviços públicos contribuem para sua baixa adesão. Horta et al. (2017) reforçam que a inclusão do parceiro no pré-natal é essencial também para o controle de doenças sexualmente transmissíveis, como a sífilis congênita, que ainda representa um grave problema de saúde pública no Brasil.
Soma-se a isso o despreparo de alguns profissionais, que não reconhecem o homem como parte integrante do processo gestacional. De acordo com Dos Santos, Figueiredo e Dos Santos (2025), muitos enfermeiros relatam limitações estruturais e falta de apoio institucional para desenvolver ações voltadas ao público masculino. Isso reflete a necessidade de uma reorganização do processo de trabalho nas unidades básicas de saúde, priorizando o acolhimento e o cuidado integral.
Gomes dos Santos, Reinstein de Figueiredo e Almeida dos Santos (2025) destacam ainda que, além da falta de incentivo institucional, existe uma barreira simbólica ligada à masculinidade hegemônica, que faz com que os homens evitem participar de atividades associadas ao cuidado. Esse comportamento, culturalmente enraizado, reforça a ideia de que o espaço de saúde é predominantemente feminino, o que inibe a presença masculina.
Superar esses entraves requer a implementação de políticas intersetoriais que articulem saúde, educação e trabalho, de forma a facilitar o acesso e o engajamento dos homens no cuidado pré-natal. É fundamental que as ações de promoção da saúde valorizem o papel do pai desde a gestação, reconhecendo sua importância na construção de vínculos afetivos e no fortalecimento da saúde familiar.
Segundo Moura, Reis e Guedes (2017), a presença do homem no pré-natal representa uma ruptura com os papéis de gênero tradicionais, o gerando incômodo tanto nos próprios homens quanto nos profissionais de saúde. Trata-se de um processo que exige não apenas mudanças estruturais nos serviços, mas também transformações culturais e educativas, com enfoque em uma paternidade corresponsável e atuante na vida dos filhos.
2.1. AÇÕES DE ENFERMAGEM VOLTADA À INCLUSÃO DO PARCEIRO NO CUIDADO REPRODUTIVO E A SAÚDE GERAL DO SUJEITO
A inserção do parceiro no cuidado reprodutivo é um componente essencial para a promoção da saúde integral da família, e a enfermagem desempenha papel estratégico nesse contexto. Diversos estudos indicam que a atuação proativa da equipe de enfermagem contribui para a sensibilização, orientação e engajamento do homem durante o pré-natal, fortalecendo o vínculo familiar e favorecendo melhores resultados em saúde materna e infantil (LIMA et al., 2021).
Entre as ações mais eficazes destacam-se as atividades educativas, que incluem palestras, rodas de conversa e oficinas temáticas voltadas para a saúde masculina, planejamento familiar, prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e participação ativa no acompanhamento gestacional. Wanderley, Lima e Araújo (2016) ressaltam que essas estratégias permitem ao homem compreender seu papel no cuidado do binômio mãe-bebê e nos processos de decisão relacionados à gestação. A educação em saúde deve ser planejada de forma a respeitar os horários e as particularidades da rotina masculina, garantindo acessibilidade e maior adesão às atividades.
Outra ação relevante envolve o acolhimento individualizado do parceiro durante as consultas de pré-natal. A presença do homem deve ser incentivada desde o primeiro contato com a unidade de saúde, sendo que o enfermeiro atua como mediador, esclarecendo dúvidas, abordando mitos relacionados à paternidade e promovendo um ambiente de escuta e respeito (DA SILVA et al., 2020). Essa prática favorece a construção de vínculos afetivos e a corresponsabilização do parceiro, reduzindo a percepção de que o cuidado gestacional é exclusivamente feminino.
Além disso, a criação de materiais educativos e de apoio, como cartilhas e guias informativos, representa uma estratégia importante para o engajamento masculino. Fagundes et al. (2024) destacam que a elaboração de cartilhas específicas para o parceiro facilita o acesso à informação e contribui para a compreensão das fases do pré-natal, exames necessários e sinais de alerta durante a gestação. Esses recursos complementam o trabalho de orientação realizado pelos profissionais de enfermagem, permitindo que o homem se sinta mais seguro e confiante em sua participação.
Programas tecnológicos de apoio, como a estratégia PRENACEL, têm se mostrado efetivos na inclusão do parceiro no cuidado reprodutivo. Bonifácio (2018) descreve que o envio de mensagens educativas e lembretes de consultas por meio de dispositivos móveis aumenta o envolvimento masculino, promove a adesão às consultas e estimula a participação ativa nos cuidados de saúde da gestante. Tais ações reforçam a importância do uso de ferramentas inovadoras aliadas ao cuidado tradicional de enfermagem, ampliando a cobertura e o alcance das orientações.
A promoção de atividades conjuntas entre gestante e parceiro também é uma ação central. De Souza Santos et al. (2022) indicam que momentos de orientação em grupo, onde ambos os parceiros participam de dinâmicas, discussões sobre saúde reprodutiva e planejamento familiar, fortalecem a comunicação e o comprometimento com o cuidado. Esse tipo de intervenção contribui para a diminuição de desigualdades na divisão de responsabilidades e amplia a percepção da paternidade como um papel ativo e presente.
É fundamental ainda que a equipe de enfermagem esteja preparada para enfrentar barreiras institucionais e culturais. Silva et al. (2020) afirmam que a capacitação profissional contínua sobre abordagem masculina, comunicação efetiva e sensibilidade cultural permite a implementação de estratégias mais eficazes e o desenvolvimento de ações inclusivas. A reorganização do atendimento, flexibilização de horários e disponibilização de ambientes acolhedores são medidas que potencializam a participação do parceiro, tornando o cuidado reprodutivo um processo compartilhado.
Santos et al. (2020) enfatizam que a educação popular em saúde, aliada a estratégias participativas, fortalece o vínculo entre profissionais, gestantes e parceiros, promovendo a corresponsabilidade familiar. Vitoretti et al. (2021) complementam que essas ações contribuem não apenas para a saúde materna e infantil, mas também para a prevenção de doenças masculinas e para a conscientização sobre práticas de autocuidado.
Portanto, o conjunto de ações de enfermagem voltadas à inclusão do parceiro no cuidado reprodutivo envolve acolhimento, educação em saúde, produção de materiais informativos, uso de tecnologias e estratégias participativas. A atuação integrada e humanizada da enfermagem é determinante para o sucesso dessas iniciativas, fortalecendo a participação masculina e promovendo melhores resultados de saúde para toda a família.
Elencamos alguns aspectos que pode ser importante para o pré-natal do parceiro
1. Acompanhamento de saúde em geral: o homem pode realizar exames de rotina, como testes rápidos, de glicemia, hepatite B e C, sífilis, colesterol e aferição de pressão, para garantir que está saudável para o processo gestacional.
2. Suporte Emocional: o parceiro deve oferecer apoio gestacional a gestante, já que o processo de gravidez pode ser emocionalmente desgastante. A presença do parceiro é fundamental.
3. Fortalecimento do vínculo familiar: envolvimento desde a gestação permite ao homem uma conexão mais profunda, com o filho e a parceira. Promovendo uma paternidade mais ativa e consciente.
4. Benefícios trabalhistas: algumas políticas incentivam que a empresa flexibilize o horário para que o parceiro possa acompanhar as consultas.
5. Campanha de conscientização: materiais educativos e roda de conversa sobre a importância do envolvimento paterno da gestação.
6. Estilo de vida saudável: durante a gestação, tanto a gestante quanto o parceiro devem ter hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada e prática de atividades físicas.
7. Preparação para o parto e parentalidade: o pré-natal do parceiro deve incluir cursos sobre o processo de parto e como cuidar do bebe
Essas intervenções buscam não apenas tratar a condição crônica em si, mas também abordar as complexidades emocionais e psicossociais associadas, promovendo, assim, a saúde mental dos pacientes no ambiente hospitalar.
2.2. MARCOS NORMATIVOS: A SAÚDE DO HOMEM E O PRÉ-NATAL DO HOMEM/PARCEIRO E A INTERLIGAÇÃO DE AMBOS
A saúde do homem tem sido historicamente negligenciada no contexto das políticas públicas, sendo frequentemente associada apenas à atenção às doenças agudas e à promoção da masculinidade tradicional, centrada na força e na invulnerabilidade. Esse cenário contribui para que os homens adiem a procura por serviços de saúde, negligenciem exames preventivos e apresentem menor adesão a programas de atenção básica, incluindo o acompanhamento pré-natal do parceiro (SANTOS et al., 2020).
Nesse contexto podemos destacar o texto legal que garante o direito à saúde, o Art. 196 da CF a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. Brasil (1988).
As políticas públicas em atenção aos cuidados em saúde do homem, estão ligadas ao pré-natal do homem, são conjuntos de medidas que visa a melhoria dos cuidados à saúde do homem. Nesse contexto, o pré-natal do parceiro surge como uma estratégia inovadora para engajar o homem, promovendo não apenas o cuidado materno-infantil, mas também incentivando a própria saúde masculina por meio do acesso a orientações e exames preventivos. Podemos destacar o que determina a Portaria GM/MS Nº 3.562, de 12 de Dezembro de 2021.
A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH). O objetivo da PNAISH é promover a melhoria das condições de saúde da população masculina brasileira, contribuindo, de modo efetivo, para a redução da morbidade e da mortalidade dessa população, abordando de maneira abrangente os fatores de risco e vulnerabilidades associados. Através da promoção do acesso a serviços de saúde abrangentes e ações preventivas, a política busca também reconhecer e respeitar as diversas manifestações de masculinidade. (BRASIL,2020).
Instituída pelo Ministério da Saúde, a PNAISH – Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem, busca facilitar e ampliar o acesso da população masculina aos serviços de saúde, promovendo ações de prevenção e promoção da saúde. Essa política reconhece a importância da inclusão dos homens em atividades relacionadas ao pré-natal, parto e cuidado com os filhos, incentivando uma paternidade ativa e cuidadora. Podemos destacar o guia do pré-natal do parceiro, para profissionais de saúde. Abaixo temos uma imagem com fluxo que se deve ser cumprido a cada atendimento, vejamos:

Fonte: Guia do pré-natal do parceiro – Ministério da Saúde
Essas políticas públicas intervêm diretamente ao gênero masculino, devido às dificuldades de conscientizar esse público aos cuidados com a sua própria saúde, e o estado está empenhado mesmo que a passos lentos, a desmistificar o preterimento que fora construído e arraigado por centenas de gerações, entendida até mesmo como “desleixo” do cuidado a si mesmo. E em consonância destacamos, as políticas públicas voltadas ao cuidado da saúde do homem ainda enfrentam dificuldades em sua implementação, especialmente no que se refere à inserção do parceiro no pré-natal, o que evidencia a necessidade de estratégias inter setoriais e abordagem humanizada. (Ministério da Saúde, 2018).
Bonifácio (2018) destaca que iniciativas como a estratégia PRENACEL possibilitam uma comunicação direta com o parceiro, aumentando sua participação e conscientização sobre temas de saúde, como prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, hipertensão e diabetes. Essa aproximação cria uma oportunidade de sensibilização, reforçando que o cuidado não é apenas responsabilidade feminina, mas uma prática compartilhada que envolve toda a família. De Souza Santos et al. (2022) enfatizam que o vínculo do homem com os serviços de saúde, inicialmente mediado pelo pré-natal da parceira, pode se estender a consultas e programas de atenção integral à saúde masculina, ampliando a detecção precoce de condições de risco.
Apesar dos avanços, a implementação de políticas públicas voltadas à saúde do homem ainda enfrenta barreiras significativas. Silva et al. (2020) apontam que a falta de capacitação dos profissionais e a estrutura inadequada das unidades de saúde dificultam a recepção do público masculino. A percepção de que o espaço da saúde é predominantemente feminino reforça o distanciamento masculino, limitando a eficácia das ações de prevenção e promoção da saúde. Nesse sentido, o pré-natal do parceiro atua como uma porta de entrada para o cuidado, estabelecendo uma relação de confiança e aproximando o homem dos serviços de saúde (VITORETTI et al., 2021).
Lima et al. (2021) acrescentam que a participação masculina no pré-natal contribui para fortalecer vínculos afetivos e promover corresponsabilidade na gestação, ao mesmo tempo em que permite que os homens se familiarizem com a rotina da atenção básica e se tornem mais conscientes de suas próprias necessidades de saúde. Wanderley, Lima e Araújo (2016) reforçam que a atuação da enfermagem é determinante nesse processo, especialmente por meio de orientação, acolhimento e incentivo à participação ativa do parceiro, o que impacta positivamente na adesão às consultas e no acompanhamento contínuo.
Fagundes et al. (2024) ressaltam que, além dos benefícios para a gestante e o feto, o pré-natal do parceiro proporciona momentos de educação em saúde, orientação sobre hábitos saudáveis, prevenção de doenças crônicas e promoção do autocuidado masculino. Horta et al. (2017) destacam ainda a importância dessa prática para prevenção de sífilis congênita e outras doenças sexualmente transmissíveis, uma vez que envolve o parceiro na conscientização e na realização de exames.
A literatura evidencia que políticas públicas integradas, que articulem educação, saúde e campanhas de sensibilização, são fundamentais para promover a participação masculina. Dos Santos, Figueiredo e Dos Santos (2025) observam que, quando os serviços estimulam a presença do homem no pré-natal, ocorre aumento da adesão, fortalecimento dos vínculos familiares e maior percepção da importância do cuidado com a própria saúde. A utilização de estratégias educativas, como materiais didáticos, cartilhas e ações comunitárias, contribui para superar barreiras culturais e institucionais, incentivando a corresponsabilidade e o autocuidado.
Batista et al. (2021) destacam que a baixa adesão masculina não é apenas uma questão individual, mas reflete aspectos estruturais, sociais e culturais que demandam políticas públicas mais abrangentes. O envolvimento do homem no pré-natal deve ser entendido como uma ferramenta estratégica para transformar comportamentos de saúde, quebrar estigmas e aproximar o público masculino dos serviços de atenção básica, promovendo prevenção, diagnóstico precoce e maior qualidade de vida.
Em síntese, o pré-natal do parceiro configura-se como uma política de saúde inovadora, capaz de articular o cuidado materno-infantil com o autocuidado masculino. A efetivação dessa estratégia depende de políticas públicas que incentivem a participação masculina, da capacitação de profissionais e da sensibilização da sociedade, garantindo que o homem assuma seu papel na promoção da própria saúde e na construção de vínculos familiares mais saudáveis.
3. METODOLOGIA DA PESQUISA
3.1 TIPO DE ESTUDO
O presente estudo trata-se de uma pesquisa-ação em que o pesquisador atua junto aos participantes na intenção de compreender a realidade do objeto de pesquisa, caracteriza-se como uma revisão bibliográfica, de natureza qualitativa e descritiva, que tem como propósito analisar os desafios e as possibilidades da atuação do enfermeiro no pré-natal do parceiro. A escolha dessa abordagem justifica-se pela necessidade de reunir, interpretar e discutir o conhecimento existente sobre o tema, identificando lacunas e contribuições que possam subsidiar práticas de enfermagem mais efetivas e humanizadas. A pesquisa qualitativa permite compreender significados e percepções sobre a atuação profissional, enquanto o caráter descritivo busca detalhar as práticas, limitações e estratégias adotadas pelos enfermeiros no contexto da atenção primária à saúde.
O período e local de estudo compreenderam tanto publicações realizadas nos últimos dez anos (2015 a 2024), selecionadas em bases eletrônicas de livre acesso, com ênfase no Google Acadêmico por sua abrangência e facilidade de busca de literatura científica nacional. Além disso, foram consideradas fontes complementares, como SciELO e LILACS, que reúnem produções relevantes na área da saúde coletiva e da enfermagem, como também uma mostra de gestantes que são atendidas na USF na cidade de Rio Branco, por meio de questionário semiestruturado com perguntas abertas e fechadas.
E o público-alvo deste levantamento bibliográfico compreendeu estudos acadêmicos e científicos voltados à atuação do enfermeiro, políticas públicas de saúde do homem e práticas de atenção pré-natal que envolvam a participação do parceiro. Foram incluídos artigos, dissertações e teses que abordassem diretamente o papel do enfermeiro, as estratégias de inclusão do homem no pré-natal e as experiências de humanização no cuidado.
A busca de dados e identificação dos estudos foi realizada no período de janeiro a junho de 2025, utilizando o Google Acadêmico como principal ferramenta. Os descritores de busca empregados foram: “pré-natal do parceiro”, “enfermagem”, “saúde do homem”, “paternidade ativa”, “atenção primária” e “humanização do parto”. As combinações entre os termos foram feitas com o auxílio dos operadores booleanos AND e OR, de modo a ampliar o alcance e garantir a inclusão de publicações pertinentes.
Os critérios de inclusão compreenderam: (1) artigos publicados entre 2015 e 2024; (2) produções disponíveis integralmente em língua portuguesa; (3) estudos que abordassem a atuação do enfermeiro na atenção primária à saúde, com foco no pré-natal do parceiro ou na inserção do homem nas políticas de saúde; e (4) trabalhos científicos revisados por pares. Já os critérios de exclusão foram: (1) estudos com foco exclusivo na saúde da gestante, sem menção ao parceiro; (2) materiais sem rigor científico, como reportagens e textos de opinião; e (3) publicações repetidas ou incompletas.
Após a seleção das publicações, procedeu-se à confecção do material didático e produtos técnico-comunicacionais, com o objetivo de organizar as informações encontradas de forma acessível e pedagógica. Foram elaboradas fichas de leitura e quadros de síntese contendo os principais achados, desafios e possibilidades identificados nos estudos analisados. Essa sistematização favoreceu a comparação entre diferentes autores e contextos, permitindo uma análise crítica mais consistente e direcionada às práticas de enfermagem.
A análise de dados seguiu o método de análise temática de conteúdo, que consiste em organizar, categorizar e interpretar o material selecionado de modo a identificar padrões de significados e recorrências. Os dados foram agrupados em três eixos principais: (1) desafios enfrentados pelos enfermeiros na execução do pré-natal do parceiro; (2) estratégias de inclusão e sensibilização do homem; e (3) possibilidades de aprimoramento das práticas de cuidado e educação em saúde.
Quanto aos aspectos éticos, por tratar-se de uma revisão bibliográfica, o estudo não envolveu diretamente seres humanos nem necessitou de submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa. No entanto, foram respeitados os princípios éticos da pesquisa científica, assegurando-se a fidelidade às fontes, a integridade das citações e o reconhecimento dos autores consultados, conforme as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Todas as referências utilizadas foram devidamente citadas e incluídas na lista bibliográfica ao final do trabalho, garantindo transparência e rigor metodológico.
Dessa forma, a metodologia adotada possibilitou a construção de uma análise ampla e fundamentada sobre o tema, promovendo uma reflexão crítica acerca da importância da atuação do enfermeiro na efetivação do pré-natal do parceiro e apontando caminhos para o fortalecimento das práticas de cuidado e educação em saúde no contexto da atenção primária.
Segundo Mazzotti, Gewandsznajder (1998), as pesquisas qualitativas são multimetodológicas, usam uma grande variedade de documentos e instrumentos de coleta de dados. Pode-se dizer, entretanto, que a observação (participante ou não), a entrevista em profundidade, análise de documentos são os mais utilizados. Embora possam ser contemplados por outras técnicas, suas principais aplicações, bem como indicações de bibliografias específicas sobre cada uma (Mazzotti, Gewandsznajder, 1998 apud Carvalho, 2023).
Essa abordagem foi escolhida por permitir compreender os significados, percepções e experiências das participantes em relação à participação do parceiro no pré-natal, explorando aspectos subjetivos e contextuais que não seriam plenamente captados por métodos quantitativos. Segundo Oliveira (2011) A pesquisa qualitativa,
…tem o ambiente natural como fonte direta de dados e o pesquisador como seu principal instrumento. Segundo os autores, a pesquisa qualitativa supõe o contato direto e prolongado do pesquisador com o ambiente e a 25 situação que está sendo investigada via de regra, por meio do trabalho intensivo de campo. Oliveira (2011).
O estudo foi realizado na Unidade de Saúde da Família – USF, Gentil Perdomo da Rocha, localizada na cidade de Rio Branco, instituição vinculada à rede de atenção básica à saúde do Sistema Único de Saúde (SUS), que oferece atendimento multiprofissional, incluindo o acompanhamento pré-natal.
A amostra foi composta por gestantes que estavam em acompanhamento pré-natal na referida unidade no período da coleta de dados. Os critérios de inclusão foram: gestantes com idade igual ou superior a 18 anos, em qualquer trimestre gestacional, e que aceitaram participar voluntariamente do estudo mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Foram excluídas gestantes com dificuldades cognitivas que impossibilitassem a compreensão do questionário.
3.2 Instrumento de coleta de dados da mostra
A coleta de dados foi realizada por meio de questionários semiestruturados, compostos por questões abertas e fechadas. Segundo Marconi e Lakatus (2010), “o questionário é um instrumento de coleta de dados que consiste num conjunto de perguntas, apresentadas a um número significativo de pessoas, com o propósito de obter informações para a pesquisa”.
O instrumento foi elaborado com base em estudos anteriores sobre o tema e validado por profissionais da área de saúde, apresentado à banca examinadora de projetos. As perguntas abordavam a percepção das gestantes sobre o envolvimento do parceiro no pré-natal, fatores que favorecem ou dificultam essa participação e os efeitos percebidos na vivência gestacional.
3.3 Procedimentos de coleta
A aplicação dos questionários ocorreu em ambiente reservado dentro da USF, garantindo sigilo, conforto e privacidade às participantes. As gestantes foram abordadas antes das consultas de rotina e responderam ao instrumento de forma individual. O tempo médio de preenchimento foi de aproximadamente 15 minutos.
4. “BATE PAPO” DA GESTANTE E ALGUMAS PERCEPÇÕES DO PRÉ-NATAL DO PARCEIRO
As inquietações sobre a temática “o pré-natal do homem” surgiu na sala de aula, na tentativa de compreender esse “universo” a partir do discurso das gestantes durante o pré-natal, e assim, foi elaborado um breve questionário semiestruturado com perguntas abertas e fechadas, das 48 pacientes gestantes, apenas 7 pacientes gestantes aceitaram participar do estudo.
As participantes desta pesquisa, foram gestantes com idade entre 20 e 40 anos, que se encontravam entre a 12ª e a 39ª semana de gestação, atendidas na Unidade de Saúde da Família – USF, Gentil Perdomo da Rocha localizada na cidade de Rio Branco A escolha das participantes ocorreu por amostragem intencional, considerando como critérios de inclusão: estar dentro do período gestacional estabelecido e aceitar participar voluntariamente. A coleta de dados foi realizada presencialmente na unidade de saúde, por meio da aplicação de um questionário com perguntas abertas e fechadas, elaborado com base nos objetivos da pesquisa. As participantes foram previamente informadas sobre os propósitos do estudo e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Vamos aos dados, A primeira pergunta às sete participantes, gráfico abaixo:

Fonte o autor
Entre as gestantes entrevistadas, a maioria aponta que parceiros não participam do pré-natal por incompatibilidade de horários, apenas uma apontou falta de interesse.
Nenhuma das participantes indicou a falta de informação sobre a importância do pré-natal masculino, a falta de incentivo por parte da equipe de saúde ou de outros fatores. Esses dados indicam que a barreira do horário de trabalho é o principal obstáculo para a participação dos homens no pré-natal.

Fonte: o autor
O gráfico acima demonstra uma percepção predominantemente positiva quanto à participação do parceiro. Observa-se que a maior parte das participantes, classificou o parceiro como “muito presente” seguida por uma parcela que considerou “presente”, apenas uma minoria avaliou o parceiro como “pouco presente”, e não houve registro de ausência total. Esses resultados indicam que, de modo geral, os parceiros estiverem ativos e engajados durante a gestação, oferecendo suporte emocional e prático às gestantes, o que reflete um alto nível de envolvimento e participação paterna.

Fonte: O autor
Os resultados indicam consenso absoluto quanto à importância da presença do parceiro no acompanhamento pré-natal. Isso evidencia que as gestantes reconhecem o valor da participação ativa do parceiro nesse momento, tanto do ponto de vista emocional quanto prático.
Pode-se concluir que, para o grupo pesquisado a participação do parceiro no pré-natal é percebido como fundamental para uma experiência positiva durante a gestação. Esse dado reforça a importância de incentivar as políticas e práticas de inclusão dos parceiros nas consultas e atividades do pré-natal, contribuindo para o fortalecimento do vínculo familiar e para o bem-estar da gestante.

Fonte: O autor
Conseguimos perceber a uniformidade dos resultados, sugerindo que as participantes consideram os aspectos de suporte emocional, envolvimento com o bebê, melhor compreensão do processo gestacional, maior compromisso com a paternidade, sejam igualmente importantes, durante o pré-natal. A participação do parceiro é percebida de forma percebida de forma positiva e de múltiplas faces, contribuindo de maneira equilibrada para o suporte emocional. O vínculo familiar e a preparação conjunta para a paternidade. E para além disso, os cuidados com a própria saúde, em possíveis diagnósticos precoces e antecipação no tratamento.

Fonte: o autor
A principal dificuldade identificada foi a incompatibilidade entre os horários das consultas pré-natais e os horários de trabalho dos parceiros, sendo este o fator mais citado pelos participantes. Tal achado evidencia um obstáculo de ordem estrutural, que limita a presença do homem nas consultas e, consequentemente, sua participação ativa no acompanhamento gestacional.
Essa realidade reforça a importância de repensar a organização dos serviços de saúde, buscando alternativas como a ampliação dos horários de atendimento ou a oferta de consultas em períodos alternativos, de modo a favorecer a presença dos parceiros. Essa medida está alinhada com os princípios da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH), instituída pela Portaria nº 1.944/2009 do Ministério da Saúde, que preconiza a inclusão do homem nas ações de promoção, prevenção e cuidado em saúde, especialmente no contexto da saúde sexual e reprodutiva.
Além disso, a Política Nacional de Humanização (PNH), estabelecida pela Portaria nº 2.418/2005, incentiva a participação do acompanhante durante o pré-natal, parto e pós-parto, reconhecendo o parceiro como parte fundamental no processo de gestação.
Outras dificuldades, como a falta de interesse do parceiro, foram mencionadas em menor escala, o que sugere que os entraves à participação masculina estão mais relacionados a barreiras institucionais e organizacionais do que a fatores individuais. Assim, políticas públicas que promovam ambientes acolhedores e horários acessíveis podem contribuir significativamente para a maior inserção dos homens nas ações de saúde pré-natal.

Fonte: o autor
Observamos que a maioria das participantes cinco delas informou que o parceiro recebeu orientações específicas sobre o pré-natal do homem, o que evidencia um esforço positivo das unidades de saúde em incluir o parceiro no cuidado pré-natal. Por outro lado, duas participantes relataram que não houve esse tipo de orientação, o que indica que ainda existem lacunas na abordagem e na padronização das ações educativas voltadas aos parceiros. Ampliar essas iniciativas pode contribuir para fortalecer o envolvimento masculino no acompanhamento da gestação e para promover uma participação mais ativa e informada dos parceiros no cuidado com a gestante e o bebê.
Uma questão aberta para dar voz às participantes, apenas cinco das participantes responderem. E foi a seguinte, O que poderia ser feito para estimular maior participação do parceiro no pré-natal?
A participante 01 – “Seria interessante algum minicurso em que a Gestante e o parceiro fizessem juntos na unidade de saúde, um momento de treinamento, informações e descontração”. Sugeriu a realização de minicurso ou oficinas conjuntas, nos quais gestantes e parceiros participariam simultaneamente na unidade de saúde. Esse momento seria destinado ao treinamento, à troca de informação e ao fortalecimento do vínculo afetivo, combinando educação em saúde com atividades de caráter mais descontraído. Estratégias desse tipo podem estimular a presença ativa do parceiro, promover maior integração do casal durante o pré-natal e favorecer a compreensão conjunta dos necessários durante a gestação, alinhando-se com ás recomendações do caderno de Atenção Básica – pré-natal do parceiro. (BRASIL, 2011) e as diretrizes da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (BRASIL, 2009.
Participante 2 – “Que essa informação fosse divulgada para as gestantes levar até o seu companheiro”. Uma das participantes sugeriu que as informações sobre o pré-natal do parceiro fossem amplamente divulgadas para as gestantes, de modo que elas pudessem repassá-las aos seus companheiros, estimulando assim a presença masculina nas consultas. Segundo a participante, “que essa informação fosse divulgada para as gestantes levar até o seu companheiro”, evidenciando a percepção de que a falta de informação e de comunicação ainda é um fator que limita o envolvimento dos homens no acompanhamento gestacional. Essa proposta reforça a importância das ações de educação em saúde e da comunicação efetiva entre profissionais, gestantes e parceiros, conforme orienta o Caderno de Atenção Básica – Pré-natal do Parceiro (BRASIL, 2011), que destaca o papel das equipes de saúde na sensibilização e orientação dos casais durante o período pré-natal.
Participante 03 – “O que poderia ser feito para ajudar a estimular a participação do parceiro no pré-natal, seria a liberação do trabalho sem causar prejuízo para o mesmo. Por exemplo, ter uma carteira para os papais com dicas, palavras de incentivos, modos de ajudar a parceira neste momento delicado, e consultas pré-natais agendadas, para ser apresentadas no trabalho e assim já se preparar para o momento da ausência, sem prejudicar ambas as partes. Uma carteira voltada para o papai, assim como tem para as gestantes que exigem a presença obrigatória. Sei que eles têm essa atenção, quando se fazem presentes. Porém, também sabemos que muitos apresentam dificuldades de se ausentar e não serem bem vistos”.
Outra proposta apresentada pelas participantes envolve medidas institucionais e laborais para facilitar a participação do parceiro no pré-natal. Entre as estratégias sugeridas, destaca-se a liberação do trabalho sem prejuízo para o funcionário, de modo a viabilizar a presença nas consultas e atividades educativas relacionadas à gestação. Para apoiar essa iniciativa, foi mencionada a criação de uma “carteira do papai”, similar à carteirinha utilizada pelas gestantes, contendo dicas, palavras de incentivo e orientações sobre como auxiliar a parceira durante o período gestacional.
Além disso, o agendamento prévio das consultas permitiria que os parceiros apresentassem os compromissos ao empregador, evitando conflitos e preparando-os para ausências necessárias sem prejudicar o trabalho. Essa estratégia visa reduzir barreiras culturais e institucionais à participação masculina, reconhecendo que, embora haja atenção especial quando os homens comparecem às consultas, muitos enfrentam dificuldades em se ausentar do trabalho e podem ser julgados negativamente por isso. Tais medidas também estão alinhadas às diretrizes do Caderno de Atenção Básica – Pré-natal do Parceiro (BRASIL, 2011) e à Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (BRASIL, 2009), que incentivam a corresponsabilidade masculina na gestação e a promoção da saúde integral do homem.
Participante 4 – “Explicar que a participação do mesmo é muito importante tanto para gestante se sentir bem e quanto para formar vínculo com o bebê e acompanhar seu desenvolvimento”. Outra participante destacou a relevância de esclarecer aos homens a importância de sua presença durante o pré-natal, enfatizando os benefícios tanto para a gestante quanto para o bebê. Em suas palavras: “explicar que a participação do mesmo é muito importante, tanto para a gestante se sentir bem, quanto para formar vínculo com o bebê e acompanhar seu desenvolvimento. ” Essa fala evidencia o reconhecimento do valor afetivo e emocional da presença do parceiro, que ultrapassa o aspecto físico da consulta, contribuindo para o fortalecimento do vínculo familiar e o apoio emocional à gestante. Essa percepção está em consonância com as diretrizes do Caderno de Atenção Básica – Pré-natal do Parceiro (BRASIL, 2011), que recomenda ações educativas voltadas à sensibilização masculina, e com a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (BRASIL, 2009), que propõe a inclusão ativa do homem no ciclo gravídico-puerperal como forma de promover a corresponsabilidade e o cuidado compartilhado.
Participante 5 _ “ Ter diálogo e incluir o parceiro em tudo relacionado o bebê”. As participantes também enfatizaram a importância de manter um diálogo contínuo e incluir o parceiro em todas as decisões e atividades relacionadas ao bebê. Esse envolvimento contribui para o fortalecimento do vínculo afetivo entre o casal e o recém-nascido, além de promover maior corresponsabilidade do homem nos cuidados pré e pós-natais. Estratégias que favorecem a participação ativa do parceiro, como o compartilhamento de informações, a presença em consultas e a inclusão em decisões sobre a gestação e os cuidados com o bebê, estão alinhadas às recomendações do Caderno de Atenção Básica – Pré-natal do Parceiro (BRASIL, 2011) e à Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (BRASIL, 2009), que destacam a importância do envolvimento masculino para a promoção da saúde integral da família.
Ao analisar as respostas das participantes, podemos observar uma similitude nas percepções e sugestões apresentadas quanto às estratégias para estimular a participação do parceiro no pré-natal. De modo geral, as gestantes reconheceram a importância do envolvimento masculino durante o acompanhamento gestacional e propuseram ações voltadas principalmente à ampliação da comunicação, à sensibilização e à facilitação do acesso dos parceiros às consultas.
Entre as ideias mais recorrentes destacam-se a realização de atividades educativas conjuntas, como minicursos e oficinas voltadas ao casal; a divulgação de informações para que as gestantes possam repassá-las aos companheiros; e a criação de instrumentos de incentivo, como uma “carteira do papai” que registre as consultas e contenha orientações práticas. Além disso, diversas respostas reforçaram a necessidade de diálogo constante e inclusão do parceiro em todas as decisões e momentos relacionados ao bebê, reconhecendo que essa participação fortalece o vínculo familiar e proporciona maior apoio emocional à gestante.
Essas ideias convergem para a compreensão de que o parceiro precisa ser visto não apenas como acompanhante, mas como sujeito ativo no processo de cuidado. Tais percepções estão em consonância com as diretrizes do Caderno de Atenção Básica – Pré-natal do Parceiro (BRASIL, 2011) e da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (BRASIL, 2009), que enfatizam a necessidade de ações educativas, acolhedoras e integradas para promover a corresponsabilidade e o cuidado compartilhado no ciclo gravídico-puerperal.
5. CONCLUSÃO
A análise realizada permitiu constatar que os objetivos propostos neste estudo foram plenamente alcançados, uma vez que possibilitou compreender de forma ampla os desafios e as possibilidades da atuação do enfermeiro na efetivação do pré-natal do parceiro. A pesquisa bibliográfica evidenciou que, embora existam avanços nas políticas públicas voltadas à saúde do homem e à paternidade responsável, ainda há um longo caminho a ser percorrido para que a inclusão do parceiro no acompanhamento gestacional se torne uma prática consolidada na atenção primária à saúde.
Os resultados apontaram que o enfermeiro desempenhou papel essencial na mediação entre as políticas institucionais e a prática cotidiana dos serviços de saúde. Sua atuação esteve diretamente relacionada à capacidade de promover um cuidado humanizado, acolhedor e participativo, tanto para a gestante quanto para o parceiro. Entretanto, observou-se que a ausência de preparo profissional específico, a escassez de protocolos direcionados e a resistência cultural masculina representaram obstáculos significativos para a implementação plena do pré-natal do parceiro.
Verificou-se também que a presença do homem durante o período gestacional contribuiu para o fortalecimento do vínculo afetivo entre pai, mãe e bebê, além de promover maior adesão às práticas de autocuidado, ao aleitamento materno e ao planejamento familiar. Assim, os objetivos específicos foram contemplados, na medida em que se identificaram os entraves existentes, se descreveram as ações de enfermagem voltadas à inclusão do parceiro e se discutiram estratégias capazes de potencializar o papel do enfermeiro como agente transformador.
No que se refere às contribuições para a área de estudo, o trabalho ampliou a compreensão sobre a importância da atuação da enfermagem no campo da saúde reprodutiva e familiar. Destacou-se que o enfermeiro, ao assumir postura educativa e propositiva, torna-se peça-chave para a consolidação da paternidade ativa e responsável, promovendo uma nova cultura de cuidado compartilhado. Essa reflexão contribuiu para fortalecer o entendimento de que a saúde do homem deve ser tratada de forma integrada, não apenas em momentos de adoecimento, mas também em ações de promoção e prevenção.
Apesar dos avanços observados, o estudo indicou que há necessidade de novos resultados e de investigações mais aprofundadas, a fim de se compreender melhor as motivações que levam os homens a não participarem ativamente do prénatal e de que forma as instituições de saúde podem criar ambientes mais acolhedores e inclusivos. Além disso, verificou-se que muitos profissionais de enfermagem ainda carecem de formação continuada específica sobre o tema, o que reforça a importância de investimentos em capacitação, educação permanente e elaboração de protocolos assistenciais voltados à saúde paterna.
Com base nesses achados, o estudo sugeriu o desenvolvimento de novas pesquisas de caráter empírico, que envolvam observação direta das práticas de enfermagem nas unidades básicas de saúde, além de pesquisas qualitativas com homens e enfermeiros, para identificar percepções, barreiras e expectativas relacionadas ao pré-natal do parceiro. Investigações comparativas entre diferentes regiões do país também seriam pertinentes, considerando as desigualdades culturais e estruturais que interferem no acesso e na adesão masculina aos serviços de saúde.
Por fim, concluiu-se que o pré-natal do parceiro representa um campo fértil de atuação e inovação para a enfermagem, exigindo não apenas o cumprimento de políticas públicas, mas, sobretudo, uma mudança de paradigma na forma de compreender a paternidade e o cuidado. O fortalecimento do papel do enfermeiro como educador, facilitador e agente de transformação social, e é essencial para que a inclusão masculina na assistência reprodutiva se torne realidade, contribuindo para a promoção de famílias mais saudáveis, participativas e integradas ao sistema de saúde.
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1 Acadêmico do curso de Enfermagem, 10º período, da Universidade da Amazônia – UNAMA – Rio Branco, Ac.
2 Docente do Curso de Graduação em Enfermagem. Universidade da Amazônia – UNAMA Rio Branco, Ac.
