THE ROLE OF THE NURSE IN THE EARLY IDENTIFICATION OF PROSTATE CANCER IN PRIMARY HEALTH CARE
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202511042006
Ana Carolina Sales Pinto; Carla Luiza Bastos Santos; Lucas Matheus Rosa; Marina Cleisy Beloti de Rezende; Thaynara Louyza José da Silva; Orientador: Luis Carlos Leone Júnior; Coorientador: Luiza Maria dos Santos
RESUMO
O presente artigo tem como objetivo analisar o papel do enfermeiro na identificação precoce do câncer de próstata na atenção primária, a partir de uma revisão integrativa da literatura. O câncer de próstata é a segunda neoplasia maligna mais incidente entre os homens no Brasil, representando importante desafio de saúde pública em razão da alta mortalidade e do impacto sobre a qualidade de vida masculina. A detecção precoce é decisiva para o sucesso terapêutico, podendo elevar as chances de cura para até 90% dos casos quando diagnosticado em estágios iniciais. Entretanto, o rastreamento indiscriminado ainda é alvo de controvérsias, devido aos riscos de sobrediagnóstico, sobretratamento e complicações decorrentes de procedimentos invasivos.
Trata-se de uma revisão integrativa de literatura. A pesquisa foi realizada entre junho e agosto de 2025, contemplando artigos publicados entre 2018 e 2024, em português e inglês, disponíveis em bases de acesso aberto, incluindo a Scientific Electronic Library Online (SciELO) e por meio da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). A busca foi realizada com os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS): Atenção primária à saúde; Câncer de próstata; Detecção precoce de câncer. Ao final, sete estudos foram incluídos na análise. Os resultados apontaram que a baixa adesão masculina aos serviços de saúde, motivada por barreiras socioculturais e estruturais, permanece como fator determinante para o diagnóstico tardio. Nesse cenário, a enfermagem desempenha papel estratégico na educação em saúde, no acolhimento e no apoio à decisão compartilhada, promovendo um rastreamento mais consciente e individualizado.
Conclui-se que a atuação do enfermeiro é fundamental para ampliar o acesso às informações, reduzir barreiras preventivas e fortalecer a relação entre paciente e sistema de saúde, contribuindo de maneira efetiva para a diminuição da mortalidade e a promoção de cuidados integrais e humanizados.
Palavras-chave: Atenção primária; câncer de prostáta; enfermagem; rastreamento; saúde do homem.
1. INTRODUÇÃO
O câncer de próstata representa um dos principais desafios de saúde pública no Brasil, sendo a segunda neoplasia maligna mais incidente entre os homens (INCA, 2022). A próstata é uma glândula exclusiva do sistema reprodutor masculino, localizada abaixo da bexiga e à frente do reto, cuja função principal é a produção de parte do líquido seminal, fundamental para a fertilidade (Instituto da Próstata, 2025).
O envelhecimento populacional tem aumentado a incidência desse tipo de câncer, especialmente em homens a partir dos 60 anos. Além da idade, destacam-se fatores de risco como: histórico familiar, mutações genéticas (BRCA 1 e 2, ATM), obesidade, tabagismo e exposição ocupacional a substâncias químicas, como aminas aromáticas e derivados do petróleo (INCA, 2022).
A detecção precoce do câncer de próstata é um fator decisivo para o sucesso terapêutico, podendo elevar as chances de cura para até 90% dos casos quando diagnosticado em estágios iniciais (EBSERH, 2022). Nesse cenário, a atenção primária à saúde desempenha papel essencial, pois constitui a porta de entrada dos usuários no sistema de saúde e permite identificar precocemente alterações clínicas, realizar orientações e promover estratégias de rastreamento.
Estudos realizadas pelo INCA apontam que, em 2021, ocorreram 16.300 mortes em decorrência do câncer de próstata, o que equivale a 13,5% do total. Essa taxa representa a maior porcentagem de mortalidade relacionada à localização primária do tumor. Como ressalta o urologista e cirurgião oncológico Gustavo Cardoso Guimarães, diretor do Instituto de Urologia, Oncologia e Cirurgia Robótica (IUCR) e coordenador dos departamentos cirúrgicos oncológicos da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, que os homens demonstram maior resistência aos cuidados com a saúde, influenciados por fatores culturais que os levam a evitar situações percebidas como vulneráveis, o que dificulta a prevenção e o diagnóstico precoce.
A enfermagem, inserido nesse contexto, segundo Carvalho et al. (2020, p. 163) desempenha um papel importante na promoção da saúde e na orientação dos homens, contribuindo na conscientização sobre os riscos, adesão a exames preventivos e no acompanhamento pós-diagnóstico campanhas que orientem os homens sobre os principais sinais e sintomas de alerta da doença. Sua atuação contribui para diminuir a taxa de mortalidade e aumentar a qualidade de vida dos pacientes.
Há uma ausência de pesquisas na literatura nacional sobre a atuação do enfermeiro na atenção básica relacionada ao diagnóstico precoce do câncer de próstata, principalmente nos recursos educacionais e métodos de interação com o público masculino. Essa lacuna reforça a relevância deste estudo, segundo o COFEN, a enfermagem desempenha papel estratégico na promoção da saúde do homem e na prevenção de doenças por meio da educação em saúde e do rastreamento precoce.
Para fortalecer esse entendimento, segundo o COREN-PB (2023), a enfermagem deve atuar de forma proativa, promovendo prevenção, promoção, tratamento e reabilitação dos agravos à saúde do homem, como o câncer de próstata.
Dessa forma, torna-se relevante investigar e discutir a importância da atuação do enfermeiro na identificação precoce do câncer de próstata na atenção básica, evidenciando sua contribuição para a prevenção, o rastreamento e o manejo adequado da doença, assim possibilitando uma diminuição no índice de mortalidade.
2. REVISÃO DE LITERATURA
O câncer de próstata permanece um desafio significativo para a saúde pública, especialmente pelo impacto sobre a qualidade de vida masculina e pelas dificuldades relacionadas ao diagnóstico precoce. Estudos recentes apontam que, embora a taxa de mortalidade venha apresentando discreta redução em alguns países, em decorrência de avanços terapêuticos, o rastreamento ainda é alvo de debates quanto à sua efetividade e possíveis riscos de sobrediagnóstico. Nesse sentido, observa-se a necessidade de equilibrar os benefícios da detecção precoce com os possíveis efeitos adversos de exames invasivos e tratamentos desnecessários (INCA, 2025).
O diagnóstico precoce do câncer de próstata aumenta as chances de um tratamento eficaz. Homens com histórico familiar de câncer ou fatores de risco devem realizar rastreamento periódico, incluindo exames de rotina e acompanhamento médico. Entre os sinais de alerta, estão a disúria, a hematúria e a oligúria, sendo essencial que qualquer pessoa que apresente esses sintomas procure uma unidade de saúde. Para investigar a suspeita de câncer de próstata, são realizados inicialmente o toque retal e a dosagem do antígeno prostático específico (PSA) (BRASIL, 2023).
O exame do antígeno prostático específico (PSA) continua sendo amplamente utilizado, mas sua especificidade limitada gera questionamentos. Pesquisas mais recentes sugerem que a associação do PSA a novas ferramentas diagnósticas, como o uso de biomarcadores moleculares e exames de imagem de alta precisão, pode ampliar a acurácia do rastreamento. Apesar desses avanços, o toque retal permanece indispensável, uma vez que possibilita a detecção de alterações palpáveis que nem sempre se refletem nos níveis séricos do PSA (Alves, 2024).
No contexto brasileiro, a literatura mostra que a baixa adesão dos homens aos serviços de saúde é um fator determinante para o diagnóstico tardio. Barreiras socioculturais, como o preconceito em relação ao toque retal e a ideia de invulnerabilidade masculina, continuam influenciando negativamente o acesso aos exames preventivos. Além disso, aspectos estruturais, como o horário de funcionamento das unidades básicas de saúde e a priorização do trabalho em detrimento do cuidado com a saúde, ainda se configuram como obstáculos relevantes (Uol Vivabem, 2023).
Por outro lado, políticas públicas voltadas à saúde do homem têm buscado ampliar o acesso e estimular a prevenção. O Programa Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem, em suas atualizações mais recentes, tem reforçado a importância de estratégias de educação em saúde, campanhas de conscientização e flexibilização de horários de atendimento, com o intuito de reduzir a disparidade de gênero no cuidado em saúde. Ainda assim, há consenso entre os autores de que tais medidas precisam ser intensificadas e articuladas com ações de promoção da saúde e acompanhamento contínuo, a fim de impactar de maneira efetiva os indicadores de mortalidade por câncer de próstata (Brandao, 2025).
3. METODOLOGIA
A metodologia adotada neste trabalho foi de caráter descritivo, narrativo e seguiu uma abordagem de revisão integrativa, com o intuito de examinar o tema de forma crítica e organizada, compilando materiais relevantes a respeito do tema. (Souza; Silva; Carvalho, 2010).
A pesquisa foi conduzida por meio de seis etapas. 1) Identificação do tema e escolha das hipóteses ou perguntas a serem investigadas na revisão integrativa; 2) Definição dos critérios para selecionar e excluir estudos, além da busca na literatura; 3) Determinação das informações a extrair dos estudos escolhidos e organização dos mesmos em categorias; 4) Análise aprofundada dos estudos incluídos na revisão; 5) Interpretação dos dados coletados; 6) Apresentação e análise do conhecimento desenvolvido pela revisão. (Souza; Silva; Carvalho, 2010).
A pesquisa bibliográfica e a coleta de dados ocorreram entre junho e agosto de 2025. Neste período, foi realizada uma análise crítica dos estudos ao mesmo tempo, com discussão dos resultados. A extração das informações se- fundamentou na leitura integral dos estudos selecionados, analisando pontos de interesse como objetivos, resultados e conclusões de cada pesquisa. Os estudos foram selecionados a partir de bases de dados de acesso aberto, incluindo a Scientific Electronic Library Online (SciELO) e por meio da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS).
Os critérios de inclusão adotados foram: estudos publicados na íntegra entre 2018 e 2024, em idiomas portugueses ou inglês, que apresentassem ao menos um dos descritores definidos nos critérios de pesquisa, tanto no título quanto no resumo, e que estivessem disponíveis gratuitamente. Foram excluídos os artigos duplicados, teses e monografias. A busca foi realizada com os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS): Atenção primária à saúde; Câncer de próstata; Detecção precoce de câncer. O estudo teve como base a questão referida: qual o papel do enfermeiro na identificação precoce do câncer de próstata?
Durante a coleta de dados, fez-se a leitura completa dos estudos que atenderam aos critérios de inclusão. Logo após a leitura, as informações obtidas foram organizadas em quadros ou tabelas. Uma análise descritiva e qualitativa foi o método adotado para a interpretação dos resultados apresentados, com os estudos sendo avaliados com base nos propósitos e conclusões dos autores. Os resultados foram organizados de forma resumida, apresentando os achados principais de forma clara e sucinta, facilitando uma análise crítica do tema abordado. Na análise dos estudos, foram considerados os resultados e as opiniões dos pesquisadores sobre o tema, utilizando- se categorias de análise para agrupar os estudos com resultados e divisões semelhantes.
Inicialmente, foram identificados 16 artigos relevantes. Após a leitura dos títulos, resumos e textos completos, e com base nos critérios estabelecidos para esta revisão, 7 artigos foram selecionados para compor a análise final.
Após a realização da busca, leitura preliminar e aplicação dos critérios de inclusão previamente estabelecidos, este estudo foi fundamentado em 7 artigos científicos que abordam a temática em questão.
Figura 1 – Fluxograma metodológico da pesquisa.

4. ANÁLISE DE DADOS
A literatura analisada aponta para a necessidade de cautela quanto ao rastreamento populacional do câncer de próstata, evidenciando limitações quanto à efetividade da prática em termos de redução da mortalidade e destacando riscos associados. Nesse cenário, o enfermeiro na atenção básica ocupa papel estratégico, pois é o profissional que frequentemente realiza o primeiro contato com o paciente, acolhe dúvidas, conduz orientações e participa ativamente da decisão sobre exames preventivos.
O estudo de Santos et al. (2022) desenvolveu e validou uma ferramenta de apoio à decisão para o rastreamento, concebida a partir de um processo qualitativo- participativo que envolveu médicos e pacientes na atenção primária. Os resultados demonstraram que a ferramenta é útil, objetiva e capaz de fomentar decisões mais conscientes, sobretudo ao explicitar riscos e benefícios. Entretanto, barreiras foram identificadas em populações com menor escolaridade, o que pode limitar sua aplicabilidade universal. Nessa perspectiva, o enfermeiro exerce função essencial como educador em saúde, traduzindo informações técnicas para uma linguagem acessível e garantindo que os pacientes compreendam os riscos e benefícios antes de optar ou não pelo rastreamento.
Em consonância, Teixeira et al. (2023) abordaram o rastreamento prostático no contexto mais amplo dos exames periódicos de saúde. Os autores destacaram que, embora a detecção precoce seja atrativa, a evidência científica disponível demonstra apenas pequenos benefícios na redução da mortalidade, contrastando com potenciais danos psicológicos e físicos. Tal achado reforça a importância da atuação do enfermeiro na organização da atenção primária, seja por meio da anamnese, do agendamento de consultas, da avaliação de fatores de risco individuais ou da orientação quanto ao uso racional dos exames preventivos. Assim, o enfermeiro contribui para que a prevenção seja contínua, integral e baseada em evidências.
De forma mais crítica, Steffen et al. (2018) analisaram o rastreamento populacional e concluíram que há predominância de riscos em relação aos benefícios. O estudo demonstrou altas taxas de sobrediagnóstico e sobretratamento, além de baixa efetividade na diminuição da mortalidade por câncer de próstata. Diante desse cenário, o enfermeiro se torna peça- chave na avaliação clínica inicial e na estratificação de risco, evitando encaminhamentos desnecessários e fortalecendo a importância da decisão compartilhada. Sua atuação contribui para que campanhas como o “Novembro Azul” não se restrinjam ao rastreamento massivo, mas sejam direcionadas à educação em saúde, promoção do autocuidado e incentivo à procura precoce dos serviços de saúde.
Por outro lado, Milito (2013) discutiu as complicações decorrentes da biópsia prostática transretal guiada por ultrassom, procedimento central na confirmação diagnóstica. O autor identificou que mais da metade dos pacientes apresentou complicações menores e cerca de 8% necessitaram de atendimento médico de urgência. Embora se trate de um estudo com amostra reduzida e de único centro, os achados reforçam a necessidade de ponderação quanto à indicação do rastreamento, já que resultados falso-positivos do PSA frequentemente conduzem a esse exame invasivo. Nesse processo, o enfermeiro tem papel fundamental tanto no acompanhamento pré e pós-procedimento, esclarecendo dúvidas e riscos, quanto na vigilância dos sinais de complicações, orientando o paciente sobre a importância de procurar imediatamente a unidade de saúde em caso de intercorrências.
De maneira integrada, os quatro estudos analisados convergem ao apontar que o rastreamento indiscriminado do câncer de próstata pode produzir mais danos do que benefícios. Dessa forma, a decisão deve ser individualizada, pautada no diálogo entre profissional de saúde e paciente e sustentada em evidências científicas atualizadas. Nesse contexto, o enfermeiro na atenção básica assume papel central, tanto como facilitador do acesso às informações quanto como profissional de referência no acompanhamento contínuo do paciente, fortalecendo o vínculo entre a população masculina e os serviços de saúde e contribuindo diretamente para a promoção da saúde e a detecção precoce do câncer de próstata.
Quadro 1 – Comparação dos artigos sobre rastreamento do câncer de próstata
| Artigo | Objetivo | Principais Resultados | Limitações |
| Ferramenta de apoio à decisão (SANTOS et al., 2022) | Desenvolver e validar uma ferramenta para apoiar a decisão compartilhada no rastreamento. | A ferramenta foi considerada útil, objetiva e com potencial de reduzir rastreamento desnecessário. | Dependência da adesão dos médicos e da compreensão dos pacientes, especialmente os de baixa escolaridade. |
| Exame Periódico de Saúde (TEIXEIRA et al., 2023) | Revisar evidências e recomendações sobre exames periódicos de saúde, incluindo o rastreamento da próstata. | Mostra que o rastreamento da próstata traz poucos benefícios na redução da mortalidade e pode gerar danos. | Pouca ênfase no contexto brasileiro específico do câncer de próstata. |
| Rastreamento populacional: mais riscos que benefícios (STEFFEN et al., 2018) | Analisar riscos e benefícios do rastreamento populacional do câncer de próstata. | Evidências apontam sobrediagnóstico, sobretratamento e pouca redução da mortalidade. | Enfatiza mais os riscos, com menor discussão sobre possíveis benefícios. |
| Biópsia prostática transretal e complicações (MILITO, 2013) | Avaliar complicações da biópsia prostática guiada por ultrassom. | Mais de 50% dos pacientes apresentaram complicações menores; 8% necessitaram atendimento médico. | Amostra pequena (97 pacientes) e estudo de centro único, o que limita a generalização. |
Conforme apresentado no Quadro 1, os artigos analisados abordam o rastreamento do câncer de próstata sob diferentes perspectivas, mas convergem na identificação de limitações significativas quanto à sua efetividade. O estudo de Santos et al. (2022) destaca-se pela elaboração de uma ferramenta de apoio à decisão, que busca qualificar a comunicação médico-paciente e favorecer a tomada de decisão compartilhada. Ainda que os resultados tenham demonstrado potencial para reduzir exames desnecessários, a efetividade da ferramenta depende diretamente da adesão dos profissionais de saúde e da capacidade de compreensão dos pacientes, especialmente aqueles com baixa escolaridade.
O artigo de Teixeira et al. (2023), ao inserir o rastreamento prostático no contexto mais amplo dos exames periódicos de saúde, reforça que a prática traz benefícios limitados em termos de mortalidade, ao mesmo tempo em que pode gerar danos físicos e psicológicos. No entanto, seu enfoque em recomendações internacionais reduz a aplicabilidade direta ao contexto brasileiro.
Já a análise conduzida por Steffen et al. (2018) adota uma posição mais crítica, evidenciando os riscos de sobrediagnóstico e sobretratamento, além da baixa redução da mortalidade, o que problematiza campanhas de incentivo ao rastreamento populacional, como o “Novembro Azul”. Apesar da robustez metodológica, observa- se uma ênfase maior nos aspectos negativos, o que pode comprometer a neutralidade da discussão.
Por fim, o artigo de Milito (2013) chama atenção para as complicações relacionadas à biópsia prostática transretal, frequentemente indicada em decorrência de resultados falso-positivos do PSA. Seus achados, embora provenientes de um estudo com amostra reduzida e limitada a um único centro, reforçam que até mesmo os procedimentos diagnósticos considerados padrão não são isentos de riscos.
De modo geral, o conjunto dos artigos evidencia que o rastreamento indiscriminado do câncer de próstata não encontra sustentação científica robusta, sendo mais adequado adotar uma abordagem individualizada, baseada em evidências e em decisão compartilhada entre médico e paciente.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A partir da análise integrada dos dados e da literatura revisada, conclui-se que o câncer de próstata permanece um desafio significativo para a saúde pública, especialmente no contexto brasileiro, onde fatores socioculturais e estruturais dificultam a adesão dos homens aos serviços de saúde e ao rastreamento precoce. A detecção precoce, embora fundamental para aumentar as chances de cura, deve ser conduzida com cautela, considerando os riscos associados ao rastreamento indiscriminado, como sobrediagnóstico, sobretratamento e complicações decorrentes de procedimentos invasivos, como a biópsia prostática.
Nesse cenário, a atuação do enfermeiro na atenção básica se revela essencial e estratégica. O enfermeiro desempenha um papel central na promoção da saúde, na educação em saúde e na orientação dos homens sobre os riscos e benefícios dos exames preventivos, facilitando a tomada de decisão compartilhada e individualizada. Além disso, o enfermeiro contribui para o fortalecimento do vínculo entre a população masculina e os serviços de saúde, promovendo o autocuidado e o acompanhamento contínuo, o que pode impactar positivamente na redução da mortalidade e na melhoria da qualidade de vida dos pacientes.
Portanto, é recomendado que as políticas públicas e as práticas clínicas valorizem e ampliem a participação do enfermeiro na identificação precoce do câncer de próstata, integrando estratégias educativas, ferramentas de apoio à decisão e ações de promoção da saúde que respeitem as especificidades culturais e sociais da população masculina. Essa abordagem integrada e baseada em evidências é fundamental para otimizar os resultados do rastreamento, minimizar danos e garantir um cuidado mais humanizado e eficaz no enfrentamento do câncer de próstata.
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