O PANORAMA DA ATIVIDADE FÍSICA EM IDOSOS: O PAPEL DO PROFISSIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA, BARREIRAS, FACILITADORES E EVIDÊNCIAS DE INTERVENÇÃO PARA PROMOÇÃO DA CAPACIDADE FUNCIONAL

THE OVERVIEW OF PHYSICAL ACTIVITY IN ELDERLY PEOPLE: THE ROLE OF THE PHYSICAL EDUCATION PROFESSIONAL, BARRIERS, FACILITATORS AND EVIDENCE OF INTERVENTION TO PROMOTE FUNCTIONAL CAPACITY

PANORAMA GENERAL DE LA ACTIVIDAD FÍSICA EN PERSONAS MAYORES: EL PAPEL DEL PROFESIONAL DE EDUCACIÓN FÍSICA, BARRERAS, FACILITADORES Y EVIDENCIA DE INTERVENCIÓN PARA PROMOVER LA CAPACIDAD FUNCIONAL

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202510311856


Sara Moreira Santana1
Edson Leandro Biage2


RESUMO:

Este estudo teve como objetivo investigar os fatores que conduzem os idosos a se vincularem às práticas de exercícios físicos, analisar quais resultados estão associados a cada tipo de exercício físico, bem como avaliar quais práticas de exercícios físicos são mais adequadas para grupos de idosos em condições de saúde específicas. Para tanto, foi realizada uma busca na plataforma Google Acadêmico por meio dos descritores “Atividade Física”, “Profissional de Educação Física” e “Idosos”, considerando os resultados desde 2024, dos quais 7 satisfizeram o critério de inclusão. A pesquisa revelou que a prática regular de exercícios físicos, especialmente o treinamento resistido, a dança e o exercício multicomponente, proporciona aos idosos melhorias significativas na força, equilíbrio, mobilidade, cognição e bem-estar emocional, benefícios percebidos na autonomia, na mobilidade e na qualidade de vida. As atividades, especialmente o treinamento resistido, a dança e o exercício multicomponente, promovem ganhos físicos e emocionais, fortalecendo autoestima e socialização e, nesse sentido, reduzindo os sintomas de depressão e ansiedade, ampliando a autonomia e qualidade de vida. Os resultados reforçam que a prática orientada e contínua de atividades físicas adequadas às condições individuais aliada ao prazer, ao convívio e a sensação de bem-estar favorecem um envelhecimento mais saudável.

Palavras-chave: Atividade Física, Idosos, Profissional de Educação Física.

ABSTRACT:

This study aimed to investigate the factors that lead older adults to engage in physical exercise practices, analyze which outcomes are associated with each type of exercise, and evaluate which physical activities are most suitable for elderly groups with specific health conditions. To this end, a search was conducted on Google Scholar using the descriptors “Physical Activity,” “Physical Education Professional,” and “Elderly,” considering results from 2024 onward, of which seven met the inclusion criteria. The research revealed that regular physical exercise, especially resistance training, dance, and multicomponent exercise, provides older adults with significant improvements in strength, balance, mobility, cognition, and emotional well- being—benefits perceived in autonomy, mobility, and quality of life. These activities promote both physical and emotional gains, strengthening self-esteem and socialization, thereby reducing symptoms of depression and anxiety and enhancing autonomy and quality of life. The findings reinforce that guided and continuous physical activity, adapted to individual conditions and associated with pleasure, social interaction, and a sense of well-being, contributes to healthier aging.

Keywords: Physical Activity, Elderly, Physical Education Professional.

RESUMEN:

Este estudio tuvo como objetivo investigar los factores que llevan a las personas mayores a vincularse con las prácticas de ejercicios físicos, analizar qué resultados están asociados a cada tipo de ejercicio y evaluar cuáles son las prácticas más adecuadas para grupos de adultos mayores con condiciones de salud específicas. Para ello, se realizó una búsqueda en la plataforma Google Académico utilizando los descriptores “Actividad Física”, “Profesional de Educación Física” y “Personas Mayores”, considerando los resultados desde 2024, de los cuales siete cumplieron con el criterio de inclusión. La investigación reveló que la práctica regular de ejercicios físicos, especialmente el entrenamiento de resistencia, la danza y el ejercicio multicomponente, proporciona a los adultos mayores mejoras significativas en la fuerza, el equilibrio, la movilidad, la cognición y el bienestar emocional, beneficios percibidos en la autonomía, la movilidad y la calidad de vida. Estas actividades promueven ganancias físicas y emocionales, fortaleciendo la autoestima y la socialización, y en ese sentido, reduciendo los síntomas de depresión y ansiedad, además de ampliar la autonomía y la calidad de vida. Los resultados refuerzan que la práctica orientada y continua de actividades físicas adecuadas a las condiciones individuales, junto con el placer, la convivencia y la sensación de bienestar, favorecen un envejecimiento más saludable.

Palabras clave: Actividad Física, Personas Mayores, Profesional de Educación Física.

1 INTRODUÇÃO

No Brasil, é amplamente divulgado nos meios de comunicação o fenômeno do envelhecimento populacional e dos desafios que esse processo representa. Um desses desafios é assegurar a essa parcela da população acesso a saúde e a qualidade de vida. Em meio a isso, é necessário considerar que o processo de envelhecimento implica, na grande maioria dos casos, um declínio da realização de atividades físicas, que fortalece novamente o declínio. Zazá e Chagas (2011) ressaltam ainda que o estado deve desenvolver políticas públicas voltadas à promoção de qualidade de vida para tal parcela da população brasileira.

Em meio a isso, a realização de exercícios físicos é fortemente considerada como uma maneira de intervir na qualidade de vida dessas pessoas. Scianni, Faria, Silva, Benfica e Faria (2019) apresentam uma revisão bibliográfica que analisa os efeitos do exercício físico no sistema nervoso central de idosos. Segundo análise dos artigos encontrados por eles, há relação positiva entre a prática de exercícios físicos e alterações e melhorias nas estruturas e nas funções do sistema nervoso.

O exercício físico é uma opção não farmacológica, com baixo custo, que pode auxiliar no envelhecimento saudável (Hallal et al., 2012). Além disso, a prática de exercícios físicos pelo idoso pode servir para melhorar a sua capacidade funcional (Bangsbo et al., 2019). Cerca de 40% da população idosa apresenta níveis insuficientes de atividade física (Hallal et al., 2012).

No entanto, para que o profissional de educação física possa trabalhar com esse público, é necessário compreender as minúcias e as complexidades inerentes aos processos de envelhecimento. Dos entraves mais comuns é possível assinalar a mobilidade, as cardiopatias e as neuropatias que podem gerar efeitos diretos na diminuição da autonomia do idoso. Zazá e Chagas (2011) apontam quatro principais desafios durante o envelhecimento, são eles, a adesão à prática de exercícios físicos, a capacidade funcional, a queda e a depressão.

Esses entraves devem ser levados em consideração pelo profissional de educação física na prescrição e no acompanhamento desse público durante as atividades físicas. Zazá e Chagas (2011) afirmam que, no mínimo, o profissional de educação física deverá estar atento ao “[…] prazer [do idoso] em estar realizando esta ou aquela atividade, suas necessidades físicas, suas características sociais, psicológicas e físicas” (p. 60).

As características físicas em termos de patologias e condições físicas específicas precisam ser conhecidas pelo profissional de educação física, bem como tal profissional precisa alinhar as características físicas dos indivíduos com suas características psicológicas, buscando motivá-los. Nesse sentido, objetivou-se no estudo de através de levantamentos de várias fontes, investigar os fatores que conduzem os idosos a se vincularem às práticas de exercícios físicos, analisar quais resultados estão associados a cada tipo de exercício físico, bem como avaliar quais práticas de exercícios físicos são mais adequadas para grupos de idosos em condições de saúde específicas.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) define envelhecimento como

[…] um processo sequencial, individual, acumulativo, irreversível, universal, não patológico, de deterioração de um organismo maduro, próprio a todos os membros de uma espécie, de maneira que o tempo o torne menos capaz de fazer frente ao estresse do meio-ambiente e, portanto, aumente sua possibilidade de morte” (BRASIL, 2006).

Logo, o envelhecimento é um processo inerente a todos os seres vivos que, com os avanços tecnológicos na área da saúde, tem sido prolongado ao que concerne a vida humana. De acordo com tal definição, envelhecer significa um declínio das capacidades físicas e cognitivas face às atividades cotidianas necessárias. Zazá e Chagas (2011) e Pedroni (2017) assinalam o crescimento da parcela idosa da população mundial, endossando ainda que o Brasil segue essa mesma tendência. Nesse sentido, Zazá e Chagas (2011) salientam a dimensão das políticas públicas com vistas à promoção da qualidade de vida desse grupo. Por outro lado, Pedroni (2017) também reforça a necessidade de uma formação profissional qualificada para o atendimento dos mais diferentes grupos de idosos.

Praticar exercícios regularmente é uma ação que é amplamente reconhecida por seus mais diversos benefícios, especialmente ao que concerne ao envelhecimento. No caso de idosos, Zazá e Chagas (2011) salientam que os ganhos de força muscular, de equilíbrio, de flexibilidade, de melhoria do funcionamento dos aparelhos respiratórios e cardiovasculares são notórios e implicam diretamente em um envelhecimento ativo e saudável. Nesse sentido, Zazá e Chagas (2011) explicitam a importância dos exercícios físicos durante o envelhecimento, para eles “[…] a inclusão da prática regular de atividade física deve ser entendida como uma questão essencial nos hábitos da vida sociocultural do idoso e que irá garantir realmente um envelhecimento ativo” (p. 38).

O envelhecimento com qualidade de vida pode ser compreendido a partir do desenvolvimento da capacidade dos idosos em administrar suas tarefas cotidianas. Os esforços para fomentar a vinculação de idosos aos exercícios físicos deve ter como foco o desenvolvimento da capacidade funcional, que “[…] diz respeito à habilidade que um indivíduo tem de realizar de forma autônoma aquelas atividades consideradas fundamentais a sua sobrevivência, bem como a manutenção das suas relações sociais” (Zazá; Chagas, 2011, p. 41). No entanto, priorizar a realização de exercícios físicos durante o envelhecimento implica em conhecer os impasses que a inserção dessas práticas enfrenta.

Zazá e Chagas (2011) relatam quatro impasses relevantes que atravessam o processo de envelhecimento, são eles: a adesão à prática de exercícios físicos; a capacidade funcional; a quedas; e a depressão. Nota-se, portanto, que a prática de exercícios físicos regulares produz efeitos positivos na capacidade dos idosos desenvolverem suas tarefas cotidianas, ao passo que se manter ativo e saudável pode contribuir para a diminuição de quedas. É nesse sentido que os autores salientam a centralidade da área de Educação Física ao que concerne a superação dos entraves associados ao envelhecimento da população. Segundo Zazá e Chagas (2011), “[…] um estilo de vida ativo demonstra efeito positivo na prevenção e minimização das perdas decorrentes do processo de envelhecimento. Sendo assim, torna-se importante que a atividade física seja parte fundamental dos programas de promoção da saúde” (p. 39).

Até aqui, foi apresentado que, com o envelhecimento da população e o alargamento da quantidade de idosos no país, o estímulo ao envelhecimento ativo e saudável coloca em destaque a área da Educação Física. Os profissionais dessa área precisam, portanto, estar atentos aos processos biológicos e sociais mais proeminentes durante a velhice. Sobre a população idosa, Zazá e Chagas (2011) afirmam que “[…] os mais velhos não constituem um grupo homogêneo e que a diversidade entre os indivíduos tende a aumentar com a idade” (p. 42).

Com isso, os autores propõem que é possível organizar os subgrupos de acordo com uma escala que combina três dimensões: autonomia; independência; e dependência (Zazá; Chagas, 2009). A dimensão da autonomia se refere ao idoso que administra sua vida e seu cotidiano da maneira que considera mais apropriado e não depende de ajuda. Já o termo independência alude ao indivíduo que administra sua vida e precisa de pouca ajuda em tarefas específicas. Já o dependente é o indivíduo incapaz de administrar a própria vida.

Com o avançar da idade, Zazá e Chagas (2011) mencionam que a capacidade física e psicológica tende a diminuir, sendo que as “[…] doenças crônicas e a redução do nível de atividade física tendem a acelerar este processo, fazendo com que os idosos constituam o grupo mais suscetível à incapacidade funcional” (p. 44). Algumas dessas doenças possuem ampla prevalência da população idosa brasileira. Um estudo desenvolvido por Silva, Assumpção, Francisco, Yassuda, Neri e Borim (2022), cujo objetivo era “[…] analisar as diferenças entre as proporções de DCNT [Doenças Crônicas Não Transmissíveis], em dois momentos, em uma coorte de idosos a partir de determinantes sociodemográficos” (p. 3), comparou os anos de 2008-2009 com os anos de 2016-2017 e evidenciou o crescimento da proporção de pessoas com hipertensão arterial e diabetes mellitus. Segundo eles a “[…] hipertensão aumentou no sexo feminino, e nos idosos com 65-74 anos e com baixa escolaridade; o diabetes aumentou nos idosos do sexo masculino e nos indivíduos com idade acima de 65 anos e com baixa escolaridade” (Silva; Assumpção; Francisco; Yassuda; Neri; Borim, 2022, p. 1).

Ao que concerne a prática de exercícios de idosos com hipertensão, Oliveira,

Girão e Fontes (2025) afirmam que a

[…] prática regular de exercícios físicos, especialmente aeróbicos, resistidos e combinados, promove redução significativa da pressão arterial, melhora da função cardiovascular, aumenta a capacidade cardiorrespiratória e contribui para a qualidade de vida dos idosos (Oliveira; Girão; Fontes, 2025, p. 1).

Avila, Rodrigues e Pillati (2025) argumentam na mesma direção. Segundo as autoras, a prática de exercícios aeróbicos leves e moderados são bastante eficientes para a regulação da pressão arterial de idosos. Nas palavras das autoras, praticar exercícios regularmente

[…] ajuda a controlar a pressão arterial (PA) em hipertensos de forma similar aos medicamentos, mas sem os efeitos colaterais. Atividades de baixa a moderada intensidade são eficazes para reduzir a PA, especialmente em hipertensos leves, idosos e mulheres (Avila; Rodrigues; Pillati, 2025, p. 2).

Em relação à diabetes mellitus, a revisão bibliográfica realizada por Souza, Daher, Costa, Sales, Santos, Neves e Martins (2025) mostra resultados promissores na regulação da glicemia de idosos que praticam exercícios físicos. Segundo os autores,

Dentre os benefícios gerados pelo treinamento físico, foi encontrado neste estudo o controle glicêmico e pressórico, ganho de força, mobilidade e capacidade aeróbica. Foi observado em um artigo de revisão da literatura que o treinamento físico resultou em uma melhora no geral na redução da prevalência de fragilidade, trouxe um controle glicêmico e na pressão arterial, aumento de força, reduziu a gordura abdominal (Daher; Costa; Sales; Santos; Neves; Martins, 2025, p. 9).

Por fim, a prática de exercícios físicos regulares possuem efeitos positivos na qualidade de vida dos idosos, possibilitando que eles exerçam suas capacidades de administrar seus cotidianos. Contudo, para que esses benefícios sejam alcançados é essencial a participação do profissional de Educação Física, responsável por adequar a prática física às condições de saúde e de condicionamento de cada indivíduo. Compreender a diversidade presente entre os idosos, suas limitações, motivações e condições de saúde é um passo essencial na construção de intervenções eficientes, capazes de contribuir para um envelhecimento com dignidade.

3 MATERIAIS E MÉTODOS

Este estudo caracteriza-se como uma pesquisa qualitativa de natureza exploratória, desenvolvida por meio de revisão bibliográfica. A pesquisa foi realizada com o objetivo de investigar os fatores que conduzem os idosos a se vincularem às práticas de exercícios físicos, analisar quais resultados estão associados a cada tipo de exercício físico, bem como avaliar quais práticas de exercícios físicos são mais adequadas para grupos de idosos em condições de saúde específicas.

Foi realizada uma busca na plataforma Google Acadêmico por meio dos descritores “Atividade Física”, “Profissional de Educação Física” e “Idosos”, considerando os resultados desde 2024, dos quais foram considerados apenas os artigos revisados e publicados em português, resultando em 34 documentos. Na

sequência, esses artigos passaram pela triagem, processo que envolveu a leitura dos títulos, dos resumos e do artigo completo, o que permitiu analisar cada trabalho individualmente sobre sua inclusão ou exclusão. Os critérios para inclusão era a relação da população idosa com o desenvolvimento de atividades físicas, incluindo seus impactos na saúde física e mental, razão pela qual os estudos deveriam ser qualitativos e envolver participantes idosos (com 60 anos ou mais). Após a triagem, 7 artigos foram selecionados e, no próximo capítulo, os resultados serão apresentados e discutidos.

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os artigos resultantes da pesquisa preencheram os critérios de inclusão acerca de serem dos estudos que avaliaram sobre a percepção de barreiras e facilitadores relatados por idosos participantes de programas de exercícios físicos, bem como avaliaram os tipos dos exercícios e seus efeitos nessa população. Nesse sentido, a Tabela 1 apresenta a sumarização desses sete artigos resultado.

Tabela 1: Sumarização dos artigos encontrados

Fonte: elaboração própria.

Na sequência serão apresentadas as convergências, as divergências, as lacunas e as implicações dos estudos. No geral, os achados convergem em que a prática sistemática de atividades físicas — especialmente o treinamento resistido e a dança — promove benefícios significativos à população idosa, abrangendo melhora da força muscular, equilíbrio, mobilidade, saúde mental e qualidade de vida (Rodrigues, 2024; Rocha, 2024; Nogueira, Silva, 2025; Gonçalves, Safons, 2025; Sousa, 2025; Freire et al., 2025; Gomes, 2025).

Mais especificamente, Rodrigues (2024) ressalta que a prática da dança pode reduzir sintomas de ansiedade e depressão e melhorar o estado de humor e a aptidão física em idosos. No caso de Rocha (2024), os resultados mostram que o treinamento resistido é eficaz para promover ganhos de força e massa magra em idosos, independentemente do intervalo de recuperação adotado, desde que o volume total de treino seja equivalente. O estudo de Nogueira e Silva (2025) aponta que o treinamento resistido melhora a força, o equilíbrio e a mobilidade, reduzindo o risco de quedas em idosos. No estudo de Gonçalves e Safons (2025) os resultados apontam que as práticas corporais e atividades físicas (PCAF) na Atenção Primária à Saúde promovem envelhecimento ativo, autonomia e qualidade de vida em idosos.

No caso de Sousa (2025), os resultados evidenciam que a musculação melhora significativamente a qualidade de vida de idosos ao promover ganhos de força, massa muscular e mobilidade, prevenindo a sarcopenia e favorecendo autonomia e equilíbrio. Freire et al. (2025) mostra também que o treinamento resistido promove ganhos significativos de força muscular e desempenho funcional em idosos, especialmente nos membros inferiores, melhorando a funcionalidade e a qualidade de vida. Já no caso de Gomes (2025), os resultados apontam que o treinamento multicomponente melhora aspectos físicos, cognitivos e psicossociais de idosos com Doença de Alzheimer, oferecendo maior suporte à qualidade de vida e à redução de sintomas depressivos dessa parcela da população.

Cabe ressaltar também as divergências entre os estudos. Elas estão associadas ao tipo e à combinação das intervenções – se o treinamento resistido isolado, o multicomponente ou a dança -, quanto à duração e frequência dos programas, possivelmente em razão de diferenças de amostra, método e escopo entre as pesquisas, tais como a faixa etária, o tempo de intervenção e as condições clínicas (Rodrigues, 2024; Rocha, 2024; Nogueira, Silva, 2025; Gonçalves, Safons, 2025; Sousa, 2025; Freire et al., 2025; Gomes, 2025).

Os resultados positivos analisados por Rodrigues (2024) divergem quanto à magnitude desses efeitos, possivelmente devido à heterogeneidade das amostras (faixa etária, gênero e patologias) e à variação nos períodos e formatos das intervenções. No caso de Rocha (2024), há divergência na duração dos intervalos analisados – curtos (1 minuto) ou longos (2–3 minutos) -, possivelmente por diferenças nos objetivos dos estudos (agudos ou crônicos), nível de treinamento e composição das amostras. No caso de Nogueira e Silva (2025), as divergências estão associadas à duração do programa e dos protocolos adotados. Gonçalves e Safons (2025), relatam que a maneira com que as atividades foram implementadas, diferenças de infraestrutura, de recursos humanos e de contexto regional, podem ter influenciado nos resultados.

Sousa (2025) aponta que a diferença na duração dos exercícios analisados e as divergências nos protocolos podem engendrar efeitos distintos cognitivismo e sociais. Analogamente, Freire et al. (2025), ressalta que as diferenças nas amostras e nos métodos de intervenção não permitiram a padronização da intensidade e dos protocolos. Gomes (2025) pontua que há divergências quanto à intensidade, frequência e combinação ideal dos exercícios, possivelmente por diferenças nos estágios da doença, características das amostras e protocolos adotados.

Na sequência, os estudos mostram que existem lacunas relacionadas à padronização de protocolos, ao número reduzido de ensaios clínicos longitudinais e à escassez de estudos latino-americanos que avaliem efeitos comparativos entre modalidades e contextos institucionais (Rodrigues, 2024; Rocha, 2024; Nogueira, Silva, 2025; Gonçalves, Safons, 2025; Sousa, 2025; Freire et al., 2025; Gomes, 2025). No caso de Rodrigues (2024) as lacunas referem-se à padronização metodológica e à produção de estudos longitudinais na América Latina, indicando a necessidade de pesquisas mais homogêneas que consolidem a dança como intervenção não farmacológica eficaz para a saúde mental de idosos. Rocha (2024)

também aponta sobre a padronização dos protocolos como uma lacuna e ressalta o impacto de variáveis como gênero e tempo de intervenção, indicando a necessidade de estudos longitudinais que consolidam parâmetros de recuperação no treinamento de idosos. Para Nogueira e Silva (2025) existem lacunas sobre a padronização das variáveis de treino e o impacto de faixas etárias específicas, indicando a necessidade de estudos longitudinais que relacionam intensidade, duração e manutenção dos efeitos.

Gonçalves e Safons (2025) apontam lacunas na institucionalização das PCAF e na continuidade das políticas públicas, indicando a necessidade de estudos sobre estratégias intersetoriais e sustentáveis de implementação. Sousa (2025) corrobora a necessidade de estudos longitudinais que relacionam intensidade de treino e domínios específicos da qualidade de vida. Enquanto que Freire et al. (2025) endossa a necessidade de padronização de protocolos para estudos em idosos com diferentes níveis de treinamento e condições clínicas, indicando a necessidade de pesquisas que consolidem parâmetros de sobrecarga progressiva e regularidade. Gomes (2025) adiciona que essa padronização de protocolos deve incluir também os efeitos biológicos de longo prazo, indicando a necessidade de estudos longitudinais que avaliem segurança e eficácia do treinamento multicomponente.

De modo geral, as implicações dos estudos destacam o fortalecimento de políticas públicas voltadas à promoção do envelhecimento ativo, formação de profissionais para atuação com exercícios adaptados e incentivo a pesquisas que ampliem a base empírica sobre intervenções físicas na velhice (Rodrigues, 2024; Rocha, 2024; Nogueira, Silva, 2025; Gonçalves, Safons, 2025; Sousa, 2025; Freire et al., 2025; Gomes, 2025).

Com efeito, Nogueira e Silva (2025) ressaltam a necessidade do fortalecimento de políticas públicas de prevenção de quedas e incorporação do treinamento resistido em programas de saúde do idoso. Gonçalves e Safons (2025) ainda assinalam a importância das políticas públicas de saúde do idoso, formação de profissionais na APS e ampliação do acesso a programas adaptados. Sousa (2025) menciona que o incentivo à prescrição de musculação supervisionada na atenção à saúde do idoso e ampliação de políticas públicas de promoção da atividade física são essenciais. Nesse sentido, a prescrição segura e adaptada do treinamento resistido em programas de saúde do idoso, com foco na funcionalidade e prevenção da sarcopenia deve ser alvo de políticas (Freire et al., 2025). Assim como a incorporação de programas de exercício multicomponente em políticas de saúde e recomendações individualizadas de educação física para idosos com DA (Gomes, 2025).

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Neste estudo, objetivou-se investigar os fatores que conduzem os idosos a se vincularem às práticas de exercícios físicos, analisar quais resultados estão associados a cada tipo de exercício físico, bem como avaliar quais práticas de exercícios físicos são mais adequadas para grupos de idosos em condições de saúde específicas. A revisão bibliográfica permitiu identificar evidências consistentes sobre os benefícios físicos, cognitivos e psicossociais dessas práticas, além de apontar lacunas relacionadas à padronização metodológica, à formação profissional e à implementação de políticas públicas voltadas ao envelhecimento ativo.

De modo geral, verificou-se que o treinamento resistido e o multicomponente se destacam por promover ganhos de força muscular, equilíbrio, mobilidade e prevenção da sarcopenia, favorecendo diretamente a autonomia funcional do idoso. A dança, por sua vez, apresentou efeitos positivos tanto no aspecto físico quanto emocional, por associar prazer, engajamento e socialização, elementos essenciais para a adesão à prática regular. As evidências demonstram que a prática sistemática e orientada de exercícios físicos é um fator determinante para retardar o declínio funcional e promover um envelhecimento mais saudável e autônomo.

Os estudos também indicaram que a prática regular de atividades físicas contribui para o bem-estar mental, reduz sintomas de depressão e ansiedade e melhora funções cognitivas, especialmente em idosos com Doença de Alzheimer. As intervenções multicomponentes e dançantes, ao estimularem a interação social e o prazer na realização das atividades, impactam positivamente a autoestima e a percepção de qualidade de vida, evidenciando que a dimensão emocional é tão importante quanto a fisiológica no processo de envelhecimento.

Entretanto, os resultados revelaram desafios relacionados às condições de implementação das intervenções, como a duração e a frequência dos programas, a composição das amostras, o acompanhamento profissional e a infraestrutura disponível. A ausência de padronização de protocolos e a heterogeneidade metodológica entre os estudos limitam a comparação de resultados e reforçam a necessidade de pesquisas longitudinais que estabeleçam parâmetros claros para intensidade, sobrecarga e continuidade das práticas.

Os achados convergem no reconhecimento de que a prática orientada e regular de exercícios físicos é essencial para o envelhecimento ativo e saudável, mas divergem quanto à magnitude dos efeitos e à combinação ideal de modalidades, divergências que podem ser explicadas por diferenças de método, amostra, tempo de intervenção e contexto institucional. Em termos interpretativos, os resultados confirmam a perspectiva teórica de Zazá e Chagas (2011), segundo a qual o envelhecimento saudável depende da manutenção da capacidade funcional e da integração entre as dimensões físicas, cognitivas e sociais do indivíduo.

Do ponto de vista prático, os resultados deste estudo informa aos profissionais de Educação Física a importância de prescrever exercícios adaptados, supervisionados e regulares, que considerem as condições de saúde e o prazer dos idosos na realização das atividades. Para a formação profissional, destaca-se a necessidade de percursos formativos voltados à prescrição de exercícios para populações específicas e à atuação interdisciplinar na atenção primária. Em âmbito institucional, recomenda-se a ampliação de políticas públicas que incluam programas de exercícios físicos voltados à prevenção de quedas, ao controle de doenças crônicas e à promoção do bem-estar integral.

Como contribuição, este estudo sistematiza evidências recentes sobre os efeitos das práticas corporais em idosos e propõe uma abordagem integrada que considera os aspectos físicos, cognitivos e sociais da velhice, oferecendo subsídios teóricos e práticos para profissionais, pesquisadores e gestores. As principais limitações observadas referem-se à escassez de estudos longitudinais, à heterogeneidade das amostras e à falta de padronização dos protocolos de intervenção. A aplicabilidade dos achados é viável em contextos que disponham de infraestrutura básica, acompanhamento profissional e políticas de incentivo à prática regular.

Persistem, contudo, lacunas relacionadas à padronização metodológica, à duração ideal das intervenções e à investigação dos efeitos biológicos de longo prazo das diferentes modalidades de exercício. Assim, recomenda-se o desenvolvimento de pesquisas longitudinais e intersetoriais que consolidem protocolos de treino e avaliem seus impactos sobre as dimensões físicas, cognitivas e emocionais. Em síntese, os achados convergem quanto à eficácia dos exercícios físicos regulares na promoção da autonomia e da qualidade de vida dos idosos, divergindo apenas quanto à magnitude dos efeitos e à combinação ideal de modalidades. Recomenda-se, por fim, o fortalecimento de políticas públicas e programas de formação profissional que integrem ciência, prática e gestão, em prol de um envelhecimento saudável, ativo e digno.

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1 Acadêmica do curso de bacharel em Educação Física. Email: saramsantana03@gmail.com.

2 Professor Especialista adjunto do curso de bacharel em Educação Física pela Faculdade Cristo Rei.