REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202510310130
Daniela Cavalcante Rodrigues; Eliza Alves Fernandes; Karine Pache Alves; Maria Eduarda Rodrigues de Sousa; Shirlly Lira Soares; Co-orientadora: Marya Karolynna Ostachuk Andrade; Orientador: Bruno Silva Lomazzi.
Resumo
A tendinopatia patelar é uma das lesões mais frequentes entre atletas de alto rendimento, especialmente jogadores de futebol, devido à sobrecarga repetitiva imposta aos membros inferiores. Este estudo teve como objetivo analisar, por meio de uma revisão integrativa da literatura, as principais estratégias fisioterapêuticas voltadas à prevenção e ao tratamento dessa condição. A busca foi realizada nas bases SciELO, PubMED e Brazilian Journal of Physical Therapy, considerando publicações dos últimos dez anos. Foram selecionados vinte artigos que abordaram métodos preventivos e terapêuticos, destacando-se o papel dos exercícios progressivos de carga, com ênfase em contrações excêntricas, isométricas e proprioceptivas, aliados ao controle individualizado do treino. Observou-se que recursos complementares, como ondas de choque e eletrolise percutânea, potencializam os efeitos do exercício supervisionado e reduzem recidivas. Conclui-se que a atuação fisioterapêutica contínua, aliada ao fortalecimento muscular e ao manejo adequado da carga, é fundamental para a manutenção da performance e prevenção da tendinopatia patelar em futebolistas profissionais.
Palavras-chave:Futebol; Tendinopatia; Medidas Preventivas; Fisioterapia.
Abstract
Patellar tendinopathy is one of the most frequent injuries among high-performance athletes, especially soccer players, due to the repetitive overload imposed on the lower limbs. This study aimed to analyze, through an integrative literature review, the main physiotherapeutic strategies aimed at the prevention and treatment of this condition. The search was conducted in the SciELO, PubMed, and Brazilian Journal of Physical Therapy databases, considering publications from the last ten years. Twenty articles addressing preventive and therapeutic methods were selected, highlighting the role of progressive load exercises, with emphasis on eccentric, isometric, and proprioceptive contractions, combined with individualized training control. It was observed that complementary resources, such as shockwave therapy and percutaneous electrolysis, enhance the effects of supervised exercise and reduce recurrences. It is concluded that continuous physiotherapeutic intervention, combined with muscle strengthening and appropriate load management, is essential for maintaining performance and preventing patellar tendinopathy in professional soccer players.
1. Introdução
A tendinite patelar é uma das condições musculoesqueléticas mais recorrentes entre atletas de alto rendimento, especialmente em modalidades que exigem esforços repetitivos sobre os membros inferiores, como o futebol profissional. Trata-se de um processo inflamatório e degenerativo que acomete o tendão patelar, responsável por transmitir a força do músculo quadríceps à tíbia, desempenhando papel essencial na extensão do joelho e na absorção de impactos (Facundes; Ferreira Filho; Santos, 2021). O quadro clínico manifesta-se por dor na região anterior do joelho, sensibilidade local e redução progressiva do desempenho esportivo, sendo agravado por saltos, corridas e movimentos explosivos característicos da prática futebolística.
Destaca-se que o futebol é um esporte de alto rendimento reconhecido mundialmente em decorrência da grande movimentação econômica e da mobilização cultural no mundo. Mais do que um simples jogo, ele constitui um fenômeno social e cultural, capaz de unir pessoas de distintas origens e fortalecer identidades coletivas.
A prática dessa modalidade exige do atleta elevada intensidade física, envolvendo gestos técnicos complexos, como saltos, chutes, desacelerações bruscas e mudanças rápidas de direção, o que aumenta consideravelmente o risco de sobrecarga musculoesquelética (Feitoza Neto et al., 2024).
Além disso, a rotina intensa de treinos e competições torna os atletas suscetíveis a lesões recorrentes, especialmente nos membros inferiores, que suportam grande parte da carga física. Essa realidade evidencia que a performance esportiva está diretamente relacionada à preparação física adequada, prevenção de lesões e acompanhamento especializado, sobretudo fisioterapêutico.
Os mecanismos fisiopatológicos dessa condição envolvem microlesões repetitivas e uma sobrecarga funcional do tendão, associadas a fatores intrínsecos e extrínsecos, como desequilíbrios musculares, encurtamentos, falhas biomecânicas, treinos excessivos e recuperação insuficiente (Soares et al., 2024). Em atletas profissionais, tais fatores são intensificados pela rotina intensa de jogos e treinamentos, levando à inflamação crônica e, em casos avançados, à degeneração tendínea. A progressão da tendinite patelar pode comprometer o rendimento físico, gerar afastamentos prolongados, representando um desafio à equipe médica e técnica.
A atuação fisioterapêutica tem papel central tanto na prevenção quanto no tratamento dessa patologia, uma vez que a intervenção precoce permite identificar fatores de risco individuais, corrigir desequilíbrios musculares e propor estratégias preventivas voltadas ao fortalecimento excêntrico, alongamento e treino proprioceptivo (Matos; Lima, 2024). O fisioterapeuta atua também na reeducação biomecânica e na promoção do controle neuromuscular, buscando reduzir a sobrecarga sobre o tendão patelar e otimizar a execução dos gestos esportivos. Dessa forma, o trabalho fisioterapêutico contribui não apenas para a reabilitação, mas também para a manutenção da performance e longevidade esportiva.
Vale ainda, destacar que as lesões do joelho, em especial a tendinopatia patelar, estão entre as mais incidentes em jogadores profissionais de futebol, representando parcela significativa dos afastamentos por causas musculoesqueléticas (Soares et al., 2024). O fortalecimento da cadeia cinética dos membros inferiores, aliado à adoção de protocolos preventivos supervisionados, tem se mostrado eficaz na redução dessas lesões e na preservação da integridade articular. Apesar dos avanços observados nas últimas décadas, ainda há lacunas quanto à padronização de programas preventivos voltados especificamente para a tendinite patelar em atletas de elite, o que reforça a necessidade de abordagens baseadas em evidências clínicas e fisiológicas.
Diante desse cenário, este estudo tem como objetivo geral analisar a atuação do fisioterapeuta nas estratégias de prevenção da tendinite patelar em jogadores profissionais de futebol, destacando as práticas fisioterapêuticas preventivas e seus efeitos sobre o desempenho e a longevidade esportiva. Busca-se responder à seguinte pergunta de pesquisa: de que forma a atuação fisioterapêutica contribui para a prevenção da tendinite patelar em atletas de alto rendimento, minimizando riscos de lesão e otimizando a performance esportiva?
2. Metodologia
Desenvolveu-se uma revisão integrativa de literatura através dos resultados encontrados nas plataformas de pesquisa: SciELO, PubMED e Brazilian Journal of Physical Therapy (BJPT), foram selecionados artigos publicados de 2013 a 2025. Após selecionar os materiais houve uma leitura dinâmica de títulos, resumos e conclusão para verificar o conteúdo dos artigos e se tinham correlação com o presente estudo. Logo em seguida, foram previamente selecionados 28 (vinte e oito) artigos pra uma leitura completa de modo a selecionar 20 (vinte) artigos para compor a discussão do presente artigo obtendo assim, respostas para o problema de pesquisa.
Foram incluídos artigos disponíveis em plataformas gratuitas em Língua Portuguesa, Inglês, Espanhol, sendo os textos de língua estrangeira possíveis de tradução. A prioridade de escolha dos artigos levou em consideração a lesão patelar e esporte praticado pelos atletas, neste estudo futebol profissional.
Os critérios de exclusão levam em consideração excluir estudos publicados antes de 2012, resumos, textos não disponíveis na integra e ainda artigos sem tradução com fuga do tema proposto. Foram utilizadas palavras-chave em português e inglês combinadas por operadores booleanos, como “tendinite patelar”, “tendinopatia patelar”, “futebol”, “prevenção”, “fisioterapia”, “physical therapy” e “soccer”, adaptando-se a terminologia conforme a especificidade de cada base. Neste sentido, na busca inicial foram encontrados 65 artigos, e após a aplicação dos critérios de exclusão e inclusão, permaneceram 20 para leitura, e destes foram selecionados 10 artigos para responder ao problema de pesquisa.
3. Resultados e Discussões
3.1 Abordagens preventivas e terapêuticas da fisioterapia na tendinopatia patelar
Um dos principais aspectos correlacionados à tendinopatia patelar (ou “joelho do saltador”) é sua incidência em atletas de alto rendimento, como por exemplo jogadores de futebol, embora em proporção menor que em esportes de salto, para corroborar com estes dados destaca-se o estudo de Nutarelli et al., (2023) que através de uma revisão epidemiológica indicou a prevalência da tendinopatia patelar em jogadores de futebol em torno de 6%, comparada a 20–25% que ocorre em jogadores de basquete/voleibol. Leonardi (2025), destaca que nos jogadores de futebol profissionais a lesão é uma causa frequente de afastamento prolongado, tendo em vista a necessidade constante de atrito nas articulações, de modo que a conduta fisioterapêutica e médica indicada é a preventiva, de modo que não se chegue a fase crônica.
Dentre as intervenções fisioterapêuticas, os exercícios terapêuticos representam o principal pilar no manejo da tendinopatia patelar, uma vez que se configuram como uma abordagem não invasiva, segura e eficaz, capaz de favorecer o retorno funcional do atleta ao esporte. Nesse contexto, o estudo de Burton (2022) realizou um amplo mapeamento de evidências e identificou que, entre 24 pesquisas voltadas à reabilitação de atletas com diagnóstico de tendinopatia patelar durante a temporada competitiva (in-season), 22 adotaram protocolos de treinamento resistido, incluindo exercícios excêntricos puros, o protocolo heavy slow resistance, isometrias, treino inercial e oclusão vascular. Reforçando assim, o papel central do exercício como estratégia terapêutica e preventiva.
Historicamente, os exercícios excêntricos em cadeia cinética fechada, como o agachamento unilateral em declive de 25º, têm sido amplamente recomendados por sua eficácia na redução da dor e na melhora funcional em casos de tendinopatia patelar, conforme demonstrado no estudo de Malliaras et al. (2015). No entanto, estudos mais recentes indicam que o uso isolado do exercício excêntrico pode não ser superior a outras abordagens ativas. Nesse sentido, Čobec e Kozinc (2022), ao revisarem 22 ensaios clínicos contemporâneos, concluíram que a cinesioterapia continua sendo a estratégia mais efetiva no tratamento conservador, mas ressaltaram que protocolos de carga tendínea progressiva, que integra diferentes tipos de contrações musculares, vêm se destacando como alternativas promissoras ao regime exclusivamente excêntrico.
No mesmo sentido, Breda et al., (2021), em um ensaio clínico controlado, identificaram melhor desempenho funcional no grupo submetido a um programa progressivo de carga (com fases isométrica, isotônica e pliométrica dentro do limite de dor tolerável) em comparação ao protocolo excêntrico tradicional.
Após 24 semanas de intervenção, o grupo progressivo apresentou maior incremento no escore VISA-P (média de +28 pontos) em relação ao grupo exclusivamente excêntrico (+18 pontos; p = 0,023), indicando melhor adaptação tendínea e controle da dor. Apesar dessa diferença estatística, ambos os métodos proporcionaram ganhos clínicos significativos, e a taxa de retorno ao esporte também foi alta em ambos os grupos (43% vs. 27%, sem diferença significativa). Assim, exercícios excêntricos continuam sendo uma base de tratamento, mas programas que incorporam cargas progressivas e funcionalidade esportiva tendem a otimizar os resultados.
Outro aspecto relevante no manejo fisioterapêutico da tendinopatia patelar é a comparação entre os treinamentos isométrico e isotônico, sobretudo em atletas em temporada, nos quais o controle da dor é prioridade. No estudo de Vang e Niznik (2020), observou-se que exercícios isométricos de quadríceps com carga elevada proporcionaram alívio imediato da dor, com efeito analgésico que perdurou por aproximadamente 45 minutos após a execução. Em contrapartida, exercícios isotônicos com resistência progressiva promoveram redução significativa da dor e melhora funcional após algumas semanas de treinamento contínuo.
Além dos exercícios progressivos de carga, outros protocolos fisioterapêuticos têm se mostrado eficazes tanto no tratamento quanto na prevenção de recidivas da tendinopatia patelar em futebolistas. Bittencourt et al., (2022) ressaltam que o controle individualizado da carga de treino, aliado a exercícios funcionais de fortalecimento, reduz significativamente o risco de lesões tendíneas em atletas de elite. O estudo demonstrou que programas personalizados, adaptados às demandas musculares e articulares de cada jogador, reduziram em mais da metade a incidência de tendinopatia, consolidando o papel do fisioterapeuta no planejamento preventivo ao longo da temporada.
De modo complementar, Santos (2023) reforça que os exercícios excêntricos supervisionados, quando aplicados de forma gradual e com acompanhamento fisioterapêutico contínuo, são eficazes não apenas na reabilitação, mas também como ferramenta preventiva, ao promover fortalecimento do quadríceps e melhora da capacidade de absorção de impacto do tendão patelar.
O autor destaca ainda que a utilização de terapias associadas, como a terapia por ondas de choque extracorpóreas (ESWT), pode potencializar os efeitos dos exercícios, sobretudo em casos crônicos. Na mesma direção, Justino e Lima (2024) analisaram protocolos de reabilitação em atletas com histórico de lesões no joelho, identificando que o treinamento proprioceptivo e o controle neuromuscular são componentes essenciais da recuperação e da prevenção de sobrecargas secundárias no tendão patelar. Os autores observaram que a reeducação postural e o fortalecimento segmentar do membro inferior contribuem para reduzir os picos de tensão sobre o tendão, o que é especialmente relevante em esportes de impacto como o futebol.
Os achados de Rosa (2024) corroboram esses resultados ao demonstrar que intervenções baseadas na avaliação biocinética e no equilíbrio entre músculos agonistas e antagonistas favorecem o retorno funcional seguro de atletas após lesão. O estudo mostrou que a análise isocinética é um recurso importante para monitorar a evolução da força e orientar o momento ideal para o retorno ao esporte, garantindo que o tendão e as estruturas de suporte estejam adaptados à carga esportiva.
Por fim, Morales et al., (2024) reforçam o papel da avaliação ultrassonográfica preventiva como ferramenta de acompanhamento fisioterapêutico. Ao comparar jogadores de futebol e futsal, os autores observaram que o monitoramento das estruturas tendíneas, mesmo em atletas assintomáticos, permite identificar alterações precoces associadas à sobrecarga mecânica, possibilitando intervenções antes do surgimento da dor. Essa abordagem preventiva amplia o escopo da fisioterapia esportiva, transformando o fisioterapeuta em agente ativo de manutenção da saúde musculoesquelética no esporte profissional.
3.2 Treinamento de potência e exercícios funcionais na prevenção da tendinopatia patelar
A prevenção da tendinopatia patelar tem sido estudada com foco no fortalecimento funcional e no treinamento de potência. Isso porque o tendão patelar é constantemente exigido por movimentos rápidos e repetitivos, como saltos, corridas e mudanças de direção, comuns no futebol. Mersmann et al., (2021) aplicaram um programa de exercícios de alta carga em atletas adolescentes, com agachamentos controlados e contração excêntrica lenta para fortalecer o tendão. Embora o estudo tenha sido feito com jogadores de handebol, as exigências físicas são semelhantes às do futebol. Os resultados mostraram que nenhum atleta do grupo treinado apresentou dor patelar durante a temporada, enquanto cerca de 30% do grupo controle desenvolveu sintomas, indicando que o fortalecimento do quadríceps e do tendão ajuda na prevenção.
De forma semelhante, Bittencourt et al., (2022) ressaltam que ajustar a carga de treino e aplicar exercícios de força de acordo com o perfil de cada jogador reduz pela metade o risco de lesões tendíneas. O fisioterapeuta, nesse contexto, tem papel fundamental no acompanhamento da carga e na adaptação do treino para evitar sobrecargas. Além disso, Justino e Lima (2024) apontam que o treinamento proprioceptivo e o controle neuromuscular ajudam a manter a estabilidade articular e o equilíbrio muscular, reduzindo o estresse sobre o tendão. Esses exercícios, quando incluídos na rotina preventiva, fortalecem o membro inferior e melhoram a absorção de impacto, o que é essencial em esportes de alta intensidade.
Por outro lado, Theodorou, Komnos e Hantes (2023) alertam que o uso de exercícios excêntricos preventivos em atletas sem sintomas pode ter efeito negativo, aumentando o risco de dor e sobrecarga durante a temporada. Assim, o mais indicado é manter o equilíbrio entre força, estabilidade e controle de carga, priorizando programas de prevenção graduais e adaptados à realidade de cada atleta.
3.3 Controle de carga e abordagens fisioterapêuticas aplicadas ao futebol profissional
O controle de carga é considerado um dos pilares da fisioterapia esportiva moderna, principalmente no futebol, onde a repetição de movimentos explosivos impõe alto estresse ao tendão patelar e às estruturas articulares do joelho. Segundo Ramos et al., (2022), programas de prevenção bem estruturados, voltados ao fortalecimento muscular e à estabilização articular, reduzem significativamente a ocorrência de lesões entre atletas amadores e profissionais. Os autores destacam que a aplicação sistemática de exercícios de fortalecimento funcional e de mobilidade articular permite equilibrar a relação entre força e flexibilidade, prevenindo sobrecargas mecânicas.
Matos e Lima (2024) reforçam que a fisioterapia esportiva deve atuar de forma integrada com o treinamento técnico, buscando prevenir desequilíbrios musculares e compensações posturais que predispõem a lesões. Em seu estudo, os autores demonstraram que a intervenção fisioterapêutica regular, aliada à monitorização de cargas, reduz a incidência de distúrbios musculoesqueléticos em atletas de futebol, além de acelerar a recuperação de quadros dolorosos leves, permitindo melhor desempenho competitivo.
De forma semelhante, Soares et al., (2024) identificaram que as lesões na região do joelho são as mais prevalentes entre jogadores de futebol, com destaque para tendinopatias e entorses. A pesquisa evidenciou que a implementação de protocolos preventivos com ênfase em exercícios excêntricos, proprioceptivos e de fortalecimento segmentar contribui para a redução da reincidência de lesões durante a temporada. Tais resultados corroboram a importância de uma rotina fisioterapêutica voltada não apenas ao tratamento, mas ao acompanhamento constante dos atletas.
Complementando essa perspectiva, Feitoza Neto et al. (2021) observam que a fisioterapia aplicada de forma preventiva tem papel determinante na manutenção da performance esportiva, ao promover equilíbrio muscular e otimização da função articular. O estudo enfatiza a necessidade de integração entre fisioterapeutas, preparadores físicos e treinadores, visando o ajuste contínuo das cargas de treino conforme o desempenho e o histórico clínico do atleta.
Além das abordagens de prevenção, estudos de caso reforçam a eficácia de estratégias conservadoras na reabilitação da tendinopatia patelar. Rhodes, Leather e Proctor (2021) descreveram a recuperação bem-sucedida de um jogador profissional de futebol submetido a um programa de reabilitação baseado em exercícios excêntricos, isométricos e controle progressivo de carga. Após oito semanas, o atleta apresentou retorno completo às atividades sem recorrência dos sintomas, destacando a importância da adaptação do tratamento à rotina competitiva.
Por fim, Afonso et al., (2020) enfatizam que a fisioterapia desportiva, quando integrada a programas de prevenção de lesões no futebol profissional, é essencial para reduzir afastamentos e prolongar a carreira dos atletas. O estudo aponta que a avaliação funcional contínua, o uso de tecnologias de monitoramento (como GPS e dinamometria) e a educação dos jogadores sobre sinais de sobrecarga são estratégias fundamentais para o sucesso das intervenções preventivas.
4. Considerações Finais
O presente artigo evidenciou que a tendinopatia patelar é uma lesão recorrente entre atletas de alto rendimento, sobretudo em jogadores de futebol, e que a atuação fisioterapêutica exerce papel essencial tanto na prevenção de novas ou repetidas lesões quanto na reabilitação. As estratégias mais eficazes envolvem programas de exercícios progressivos, com ênfase em contrações excêntricas, isométricas e proprioceptivas, aliados ao controle individualizado da carga de treino. No entanto, destaca-se que não existe um protocolo único ou universalmente correto, visto que cada atleta apresenta particularidades biomecânicas e respostas fisiológicas distintas, exigindo avaliação contínua e adaptação do tratamento.
Neste sentido, recursos complementares, como ondas de choque extracorpóreas e eletrolise percutânea intratendínea, mostraram-se úteis quando associados ao exercício supervisionado, potencializando a recuperação e reduzindo a reincidência das lesões. Dessa forma, o fisioterapeuta assume papel central na manutenção da integridade musculoesquelética e na longevidade esportiva dos atletas. Assim, a integração entre fortalecimento muscular, controle de carga e acompanhamento fisioterapêutico contínuo constitui a abordagem mais segura e eficaz para prevenir e tratar a tendinopatia patelar em jogadores de futebol profissionais, reforçando a importância da fisioterapia esportiva como elemento essencial para o desempenho e a saúde do atleta.
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