ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA DA MALÁRIA: UM ESTUDO DO MUNICÍPIO DE PORTO VELHO, RONDÔNIA ENTRE 2020 A 2024

EPIDEMIOLOGICAL ANALYSIS OF MALARIA: A STUDY OF THE MUNICIPALITY OF PORTO VELHO, RONDÔNIA BETWEEN 2020 AND 2024

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202510292042


Alcir Rosa Soares1
Brenda Lucas Braga2


RESUMO

A malária é uma infecção pelo protozoário Plasmodium (P), muito comum em regiões com clima tropical e subtropical, que se não for diagnosticada e tratada precocemente, pode levar a sequelas, e em mulheres em fase gestacional, esses riscos se elevam ainda mais. O presente artigo objetivou-se a fazer um levantamento sobre a prevalência de malária no município de Porto Velho, capital do estado de Rondônia, na faixa etária de 15 a 49 anos, no período de 2020 a 2024, dando ênfase na população de gestantes. O levantamento de dados da pesquisa abordou a natureza quantitativa e descritiva, com base em dados epidemiológicos primários, da malária no município de Porto Velho-RO, buscados na plataforma do sistema DATASUS, que tem o Ministério da Saúde (MS) como responsável. Observou-se que, apesar do sexo masculino estar mais suscetivel a infecção desse Plasmodium, as gestantes por sua vez, é uma população mais vulnerável a essa infecção, colocando em risco a saúde materno-fetal, podendo desenvolver complicações graves que podem levar ao parto precoce ou até mesmo, ao aborto. 

Palavras-chave: Malária; Prevalência; Porto Velho-RO; Datasus; População.

ABSTRACT

Malaria is an infection caused by the protozoan Plasmodium (P), very common in tropical and subtropical regions. If not diagnosed and treated early, it can lead to serious consequences. These risks are even higher in pregnant women. This article aimed to survey the prevalence of malaria in the municipality of Porto Velho, capital of the state of Rondônia, among the 15-49 age group from 2020 to 2024, with an emphasis on pregnant women. The research data collection was quantitative and descriptive, based on primary epidemiological data on malaria in the municipality of Porto Velho, Rondônia, retrieved from the DATASUS system platform, which is managed by the Ministry of Health (MS). It was observed that, although males are more susceptible to infection with this Plasmodium, pregnant women, in turn, are a population more vulnerable to this infection, putting maternal and fetal health at risk, and may develop serious complications that can lead to early birth or even miscarriage.

Keywords: Malaria; Prevalence; Porto Velho-RO; Datasus; Population.

INTRODUÇÃO

A malária é uma infecção provocada pelo protozoário Plasmodium (P), que se refere a uma espécie de parasita intracelular (Reis et al., 2021). “Existem diversas espécies de Plasmodium, como P. vivax, P. falciparum, P. malariae, P. ovale e a P. Knowlesi, mas, somente as três primeiras estão presentes no Brasil” (Oliveira et al., 2023, p. 166). 

A infecção ocorre após o indivíduo ser picado pelo mosquito fêmea chamado de Anopheles. Com isso, o plasmódio passa a ocorrer no organismo do mosquito o ciclo sexuado enquanto no individuo picado acontece o ciclo assexuado. Passados 30 minutos da picada do mosquito, o parasita entra na corrente sanguínea, quando atinge o fígado. Com isso, inicia-se sua multiplicação dentro das células hepáticas até que estas venham a se romper, e assim, passam a se espalhar através do sangue da pessoa infectada, atingindo seus glóbulos vermelhos. Sua reprodução ocorre de forma tão intensa que esses glóbulos também se rompam (Euroclinix, 2014).

A maior prevalência da malária é na região Amazônica, no Brasil, onde ocorre 99% das notificações (Piffer et al., 2021). Por outro lado, somente 1% dos casos notificados ocorrem na região Extra-Amazônica, mais comumente na Mata Atlântica. Vale ressaltar que, grande parte dessas notificações registradas na Extra-Amazônica são oriundos de estados classificados como endêmicos e até mesmo, de outros países do mundo (Meireles, 2020).

Os surtos da malária no município de Porto Velho-RO, é decorrente da:

[…] a aglomeração de indivíduos em habitações precárias ou simples abrigos, onde estão reunidos os elos da cadeia epidemiológica da malária, ou seja, os portadores do plasmódio, vetores e indivíduos suscetíveis. As coleções hídricas artificiais constituídas de barragens e tanques de piscicultura têm se configurado como importantes criadouros permanentes de mosquito transmissor da malária, devendo ser considerados entre os fatores ambientais de riscos passíveis de intervenções (Oliveira et al., 2023, p. 166).

De acordo com Melo (2018), mulheres grávidas estão mais vulneráveis a adquirir doenças endêmicas do que demais pessoas da população, como é o caso da malária, pelo fato de na fase gestacional, essas mulheres sofrerem mudanças em sua imunidade, tornando-se mais suscetíveis a doenças, assim como, também se elevam nesse período, os riscos de complicações que podem induzir aborto ou mesmo, o óbito materno.

A infecção por malária no decorrer da gestação, é considerada um evento grave, é menos incidente nos primeiros trimestres da gravidez, contudo, os riscos se intensificam a partir do terceiro trimestre gestacional, visto que, se trata de uma causa que atua de forma indireta nos casos de morbimortalidade perinatal. Essa infecção costuma interromper a gestação, quando não diagnosticada e tratada precocemente (Fonteneles; Lima, 2021). 

No decorrer do período gestacional, a mulher passa por diversas mudanças físicas, emocionais, metabólicas, entre outras alterações que acabam interferindo em sua condição comportamental e saúde (Alvez; Bezerra, 2020). Outro detalhe relacionado a esse período, é a transferência de parte de tudo que a gestante consome que vai para o bebê por via placentária, e com isso, a troca de substância entre mãe e filho pode interferir de forma positiva ou negativa no desenvolvimento do bebê. Os nutrientes e o oxigênio percorrem a corrente sanguínea da mãe para o feto, e também, ajudam no processo de excreção que vai do bebê para a mãe (Borson et al., 2019).

Segundo Gama (2021), cerca de 125 milhões de gestantes estão suscetíveis a contrair malária no decorrer da gravidez, com incidência de 8,9%, percentual correspondente a 1.283 mulheres. Dessas, 63,9% são vítimas de infecção pelo parasita plasmidium vivax. Diante disso, propôs-se por meio deste estudo, realizar um levantamento de dados sobre a malária em gestantes notificadas no município de Porto Velho, estado de Rondônia, segundo dados levantados pelo Sistema Único de Saúde na Plataforma DATASUS.

O presente artigo objetivou-se a fazer um levantamento sobre a prevalência de malária no município de Porto Velho, capital do estado de Rondônia, na faixa etária de 15 a 49 anos, no período de 2020 a 2024, dando ênfase na população de gestantes.

PERCURSO METODOLÓGICO

O presente artigo foi desenvolvido com base em uma pesquisa quantitativa de caráter descritivo (ou documental), que segundo Marconi e Lakatos (2017), visa descrever as características ou quantidades de um objeto em estudo, que nesse caso, é a população, assim como, estabelecer relações entre variáveis, visando apresentar de forma simples e detalhada, os principais achados de dados epidemiológicos da malária, notificados na cidade de Porto Velho, capital de Rondônia. 

Deste modo, após uma revisão bibliográfica em artigos científicos e periódicos, procedeu-se ao levantamento de dados por meio de um estudo de caso na plataforma DATASUS, que é de responsabilidade do Ministério da Saúde (MS), que consiste em uma fonte que fornece dados públicos primários sobre epidemiologia, que no caso deste estudo é a malária, no município de Porto Velho, estado de Rondônia.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Porto Velho, capital do estado de Rondônia, localiza-se na região Norte do Brasil e é banhada pelo rio Madeira, um dos principais afluentes do rio Amazonas (IBGE, 2024). Fundada no início do século XX, durante a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, a cidade teve sua origem ligada ao ciclo da borracha e ao desenvolvimento da navegação fluvial (Governo do Estado de Rondônia, 2024). Atualmente, Porto Velho é o maior município do estado em extensão territorial e exerce grande influência política, econômica e cultural sobre toda a região (IBGE, 2024). Sua economia é diversificada, com destaque para o setor de serviços, comércio, energia e mineração, além da presença de atividades agropecuárias em áreas rurais (IBGE, 2024).

A cidade apresenta clima equatorial, caracterizado por altas temperaturas e chuvas intensas, especialmente entre os meses de outubro e abril, o que influencia diretamente nas condições ambientais e na ocorrência de doenças tropicais, como a malária e a dengue (Ministério da Saúde, 2024). Com uma população composta por diferentes origens culturais, o município reflete a diversidade amazônica em suas tradições, culinária e no modo de vida das comunidades ribeirinhas, que mantêm viva a relação histórica com o rio e a floresta (Governo do Estado de Rondônia, 2024).

Nos últimos dez anos, Porto Velho tem se destacado como um dos municípios com maior número de casos de malária no Brasil, segundo dados do Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Malária (SIVEP-Malária). A capital de Rondônia concentra grande parte das notificações do estado, especialmente em áreas de difícil acesso, como comunidades rurais e ribeirinhas, onde a exposição ao mosquito vetor é maior e o acesso aos serviços de saúde é limitado. Essa situação reforça a importância de políticas públicas contínuas voltadas à prevenção e ao controle da doença (Ministério da Saúde, 2016).

Entre 2017 e 2020, observou-se uma leve redução no número de casos, resultado das ações integradas de vigilância epidemiológica, ampliação da testagem rápida e tratamento imediato. Mesmo assim, surtos localizados ainda ocorreram, principalmente nos meses de maior índice pluviométrico, quando há aumento da reprodução do Anopheles darlingi, principal vetor da malária na região. A atuação conjunta entre as equipes de Atenção Primária à Saúde e os agentes de endemias foi essencial para manter o controle e reduzir a transmissão (Ministério da Saúde, 2020).

A partir de 2021, com o impacto da pandemia de Covid-19, houve desafios adicionais no controle da malária, como a sobrecarga dos serviços de saúde e a diminuição das visitas domiciliares de vigilância. Ainda assim, as ações estratégicas de diagnóstico e tratamento foram retomadas gradualmente, evitando o agravamento da situação epidemiológica no município. Segundo o DATASUS, Porto Velho continuou representando cerca de 60% dos casos registrados em Rondônia, o que reforça a necessidade de manter o monitoramento ativo e o investimento em educação em saúde (DATASUS, 2022).

Em 2023 e 2024, o Ministério da Saúde destacou avanços significativos no diagnóstico precoce, distribuição de mosquiteiros impregnados e fortalecimento da rede de atenção básica, o que resultou em redução da gravidade dos casos e menor taxa de internações. O controle da malária na região ainda enfrenta obstáculos, mas o compromisso das autoridades locais e estaduais tem mostrado resultados positivos, com estratégias mais próximas das realidades comunitárias e apoio das tecnologias de georreferenciamento para rastreamento de focos. (Ministério da Saúde, 2024).

O sistema de saúde de Porto Velho, capital de Rondônia, é estruturado a partir da rede do Sistema Único de Saúde (SUS) e desempenha papel central no atendimento da população local e das regiões vizinhas. A Secretaria Municipal de Saúde (SEMUSA) é responsável pela gestão dos serviços, com destaque para a Atenção Primária à Saúde, que abrange unidades básicas distribuídas entre áreas urbanas, rurais e ribeirinhas (Prefeitura de Porto Velho, 2024). O município conta ainda com hospitais de média e alta complexidade, como o Hospital de Base Dr. Ary Pinheiro e o Hospital de Pronto Socorro João Paulo II, que atendem casos de urgência e emergência não só de Porto Velho, mas também de outros municípios e estados próximos (Governo do Estado de Rondônia, 2024).

Nos últimos anos, o sistema enfrentou desafios relacionados à expansão populacional, à alta demanda por serviços especializados e ao controle de doenças endêmicas, como malária, dengue e leishmaniose, que continuam exigindo vigilância constante (Ministério da Saúde, 2024). Apesar das dificuldades, o município tem avançado em ações de promoção da saúde, ampliação da cobertura vacinal e fortalecimento da rede de atenção básica, buscando garantir acesso integral e equitativo aos cuidados de saúde. O investimento em campanhas educativas, prevenção e capacitação de profissionais tem sido essencial para melhorar a qualidade do atendimento e reduzir as desigualdades no acesso aos serviços públicos (Ministério da Saúde, 2024; DATASUS, 2024).

Conforme dados obtidos pelo sistema de informação de agravos (SINAN), nos últimos cinco anos (5), o município de Porto Velho notificou 9.124 casos de malária, Em 2020 totalizou 1.890 casos, já no ano seguinte (2021), houve uma queda (1.752), voltando a subir em 2022 (1.712), vindo novamente a regredir em 2023 (1.717). Nesses 5 anos analisados, o maior registro de pessoas infectadas com malária ocorreu no ano de 2024 com 1.953 casos, sendo o ano com maior notificação dos últimos cinco (5) anos (DATASUS, 2024).

O quadro 1 apresenta os casos de malária referente ao sexo masculino e feminino, notificados no município de Porto Velho-RO, no período de 2020 a 2024, na faixa etária de 15 a 49 anos. Ao que se refere ao sexo masculino (quadro 1), nota-se que nos cindo (5) anos analisados, a maior incidencia se deu na faixa etária de 20 a 29 anos com 1095 casos; o segundo mais afetado foi a população com idade entre 30 a 39 anos de idade (963 casos); seguido de 40 a 49 anos de idade (693 casos); já o de menor proporção foi a população entre 15 a 19 anos (417 casos). Esse período totalizou 3168 casos notificados no sexo masculino entre 15 a 49 anos no período avaliado. Já o sexo feminino (quadro 1), observa-se que a faixa etária mais afetada foi de 20 a 29 anos (1075 casos); em seguida a população entre 30 a 39 anos (945 casos); posteriormente a faixa etária entre 40 a 49 anos (662 casos); de por fim, a com menor prevalência foi entre 15 a 19 anos (311). O total de notificações do sexo feminino mostrou-se menor do que o masculino, quando avaliada a mesma faixa etária e período.

Quadro 1 – Casos de malária na faixa etária entre 15 a 49 anos, sexo masculino e sexo feminino (2020-2024)

Fonte: DATASUS – SIH/SUS (2025).

O quadro 2 que aborda sobre as internações por casos de malária em gestantes com faixa etária entre 15 a 49 anos, referente ao período de 2020 a 2024, demonstra que a faixa etária de maior incidência da doença foi de 20 a 29 anos de idade com 345 casos; em seguida, as gestantes de 40 a 49 anos (23 casos); logo após 30 a 39 anos (21 casos); por fim, a de menor proporção foi na faixa etária entre 15 e 19 anos (14 casos). No total, foram internadas no período de 2020 a 2022, 92 gestantes no município de Porto Velho, Rondônia.

Quadro 2 – Internações por casos de malária na faixa etária entre 15 a 49 anos (2020-2024)

Fonte: DATASUS – SIH/SUS

De acordo com Mendonça (2016), geralmente, mulheres grávidas residentes em regiões endêmicas de malária costumam apresentar-se assintomática ou quando há sintomas, estes são de baixa gravidade. Isso se dá devido mulheres adultas que vivem nessa região serem pessoas com imunidade parcial ao plasmodium, todavia, isso não as tira o risco de complicações causadas pela malária, tais como: aborto, baixo crescimento do feto, infecções congênitas. A criança recém nascida (RN) de uma mãe que durante sua gestação foi infectada pelo plasmodium falciparum, costuma nascer de forma prematura antes das 37 semanas e com peso baixo, inferior a 2500kg. Por isso, essas gestantes comumente acabam sendo internadas, conforme evidenciado no quadro.

Já no quadro 3, é possível observar que, das gestantes que tiveram o diagnóstico confirmado de infecção por malária, a maioria é do tipo Plasmodium Vivax, que resultou em 29 casos no período de 2020 a 2022). Não foram apresentados dados referente ao período de 2023 e 2024, pois estes estavam disponíveis no dia da coleta de dados deste estudo. Vale ressaltar a importância de preencher corretamente todos os dados da ficha de notificação, pois esta influencia diretamente na qualidade dos dados registrados. Assim, é possível obter dados mais precisos.

Quadro 3 – Casos confirmados por gestante segundo parasitologia (2020 a 2022)

Fonte: Ministério da Saúde/ SINAN

Assim, dificulta fazer qualquer mensuração sobre os dados trimestrais que apresentaram maior prevalência de notificações. Segundo dados evidenciados no estudo de Moraes (2020), para a Organização Mundial de Saúde (OMS), o número de casos de malária notificados a nível mundial no ano de 2017 foi de 219 milhões, sendo que o Plasmodium vivax foi responsável por 15,8 milhões desses registros clínicos. Por outro ângulo, dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) registrou 369 casos de malária no ano de 2019, dos quais 124 a infecção está ligada ao Plasmodium vivax. Desse número, 6 foram confirmados em mulheres em fase gestacional. 

Corroborando com esses achados, Santos (2021) relata que houve um rastreamento de casos de malária na população brasileira, com ênfase nas gestantes. Nesse estudo, os autores fizeram um levantamento de 2004 a 2018, com uma amostra de 60 mil mulheres, tendo como base de dados, o Sistema de Vigilância Epidemiológica da Malária, que é de responsabilidade do Ministério da Saúde. Os achados nesse estudo evidenciaram que, a malária na fase gestacional apresenta maior prevalência nos estados do Acre, Amazonas, Pará e Rondônia.

No ano de 2020 a 2022 foi registrado apenas 1 óbito por malária no município de Porto Velho, o qual ocorreu no ano de 2021, conforme dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (2025). No período da pesquisa não foi possível coletar dados de anos posteriores devido a erro na página. 

Neste contexto, santos (2021) ressalta que, por meio do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), o Ministério da Saúde consegue manter o controle e monitoramento de mulheres grávidas, por meio de diagnóstico e intervenção precoce, em que os casos confirmados, entra-se de forma rápida e eficaz com o tratamento adequado. Exames gota espessa devem ser realizados periodicamente nas gestantes em suas consultas de acompanhamento pré-natal, principalmente nos Estados da Amazônia Legal, que são localidades em que a malária é uma doença endêmica. Ressalta-se também, a importância do registro correto dos exames realizados na gestante, por meio do preenchimento da ficha de controle da SIVEP. Os exames realizados costumam ter seus resultados entregues no mesmo dia da coleta, e assim, se a lâmina for positiva, recomenda-se iniciar o tratamento imediato, seguindo as instruções do manual terapêutico do Ministério da Saúde.

Por sua vez, Santos (2021) argumenta que, o Brasil é um país que possui um programa de controle da malária de forma rígida, devendo a doença ser notificada na ficha de controle do sistema diariamente, visando, garantir a eficiência e eficácia do Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Malária (SIVEP-Malária).

O controle da malária em Porto Velho, Rondônia, tem sido uma prioridade constante da saúde pública, pois a doença ainda é endêmica na região e representa um desafio significativo para o sistema municipal e estadual. Estudos de Marques et al. (2021) mostram que, embora tenha havido uma redução gradual nos casos ao longo dos anos, algumas áreas periurbanas da cidade continuam apresentando alta incidência, devido à vegetação densa e às condições hídricas favoráveis à proliferação do mosquito vetor. Por isso, a Secretaria Municipal de Saúde (SEMUSA), em parceria com o Ministério da Saúde (2024), mantém ações contínuas de vigilância, diagnóstico rápido e tratamento precoce, contando com agentes de campo e laboratórios distribuídos estrategicamente nas regiões de maior risco (DATASUS, 2024)

Entre as estratégias adotadas, destaca-se o aumento do acesso aos testes rápidos de diagnóstico e o uso de mosquiteiros impregnados com inseticida, especialmente nas comunidades mais vulneráveis. Vieira et al. (2014) apontam que os mosquiteiros tratados com inseticida ajudaram a reduzir a incidência da doença, embora o efeito varie de acordo com as condições ambientais e o comportamento da população. Além disso, o monitoramento geográfico das áreas de maior incidência e as campanhas educativas voltadas à prevenção e ao tratamento adequado têm reforçado a capacidade de controle da malária na cidade.

O trabalho é reforçado nas comunidades ribeirinhas e zonas rurais, onde a vulnerabilidade social e o difícil acesso aos serviços de saúde aumentam o risco de transmissão. Apesar da redução significativa dos casos em comparação com a década anterior, surtos ocasionais ainda ocorrem, especialmente em períodos chuvosos e em áreas de expansão urbana ou de garimpo, exigindo resposta rápida e articulada das equipes de vigilância epidemiológica (Ministério da Saúde, 2024).

A atenção é intensificada em comunidades ribeirinhas e zonas rurais, onde a vulnerabilidade social e o difícil acesso aos serviços de saúde aumentam o risco de transmissão. Katsuragawa et al. (2008) destacam que fatores como migração, pobreza e infraestrutura precária contribuem para a manutenção da doença nessas áreas. Por isso, as equipes de vigilância precisam atuar de forma articulada e contínua, acompanhando de perto as populações mais expostas.

Apesar da redução significativa dos casos em comparação com décadas anteriores, surtos ocasionais ainda acontecem, sobretudo em períodos de chuvas fortes e em áreas de expansão urbana ou de garimpo. Tada et al. (2007) mostram que a urbanização desordenada em regiões ribeirinhas de Porto Velho facilita a proliferação do mosquito, exigindo respostas rápidas das autoridades de saúde.

Essas ações reforçam o compromisso de Porto Velho com a saúde coletiva e a redução das desigualdades em saúde na Amazônia Legal. Gil et al. (2007) lembram que, mesmo em áreas urbanas, a presença de portadores assintomáticos e as condições ambientais propícias à reprodução do vetor tornam indispensável o acompanhamento contínuo da população e a implementação de estratégias preventivas. O trabalho conjunto de vigilância, educação em saúde e tratamento supervisionado demonstra o esforço do município para proteger a população e controlar de forma efetiva a malária.

Essas ações demonstram o esforço contínuo de Porto Velho em alinhar-se às políticas nacionais de controle e eliminação da malária, priorizando o diagnóstico precoce, o tratamento supervisionado e o acompanhamento das populações mais expostas, reafirmando o compromisso com a saúde coletiva e com a redução das desigualdades em saúde na Amazônia Legal (DATASUS, 2024; Ministério da Saúde, 2024).

CONCLUSÃO

Este estudo destacou a vulnerabilidade das gestantes à malária em Porto Velho (2020–2024), identificando o protozoário Plasmodium como agente causador. Os dados confirmam que a infecção na gravidez é uma ameaça séria, associada a complicações intensas para mãe e bebê (parto prematuro e até mesmo o óbito).

Os achados reforçam a urgência de manter um diagnóstico e tratamento rápidos e especializados durante o pré-natal, visando alcançar a eficácia do cuidado, protegendo as gestantes e garantindo desfechos mais seguros.

REFERÊNCIAS

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1Trabalho apresentado ao Centro Universitário Maurício de Nassau (UNINASSAU), como requisito final de avaliação para conclusão de curso de Graduação em Medicina, 2025. Graduando em Medicina, Centro Universitário Maurício de Nassau (UNINASSAU), Vilhena, Rua Cleber Mafra De Souza, 8735 – Res. Orleans, Vilhena – RO – Brasil, CEP: 76980-000. Autor correspondente: E-mail: alcirsoares2@hotmail.com. ORCID: https://orcid.org/0009-0004-7290-9616.

2Graduanda em Medicina, Centro Universitário Maurício de Nassau (UNINASSAU), Vilhena, Rua Cleber Mafra De Souza, 8735 – Res. Orleans, Vilhena – RO – Brasil, CEP: 76980-000. Autor correspondente: E-mail: brendamedi2015@gmail.com. ORCID: https://orcid.org/0009-0007-2267-1779.

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