PROFILE OF UNDERGRADUATE DENTISTRY STUDENTS AT A HIGHER EDUCATION INSTITUTION IN PORTO VELHO, RO
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202510262216
Maria Yasmim Freitas da Silva1
Yasmin Victória Silva Soares2
Orientadora: Regina Márcia Serpa Pinheiro3
RESUMO: O curso de odontologia sofreu diversas mudanças nos últimos anos, destacando o perfil dos indivíduos que escolhem a área. A pesquisa teve como objetivo avaliar o perfil dos estudantes de Odontologia – Afya Centro Universitário São Lucas/RO. Foi realizada a aplicação de um questionário estruturado para obtenção de dados, com perguntas fechadas abordando aspectos sociodemográficos (como idade, gênero, renda familiar), expectativas profissionais e percepção do curso. A análise do perfil dos estudantes demonstrou predominância do gênero feminino (68%), com prevalência de jovens na faixa etária de 18 a 25 anos (77%), em sua maioria autodeclarados brancos e pardos (48%), respectivamente, com renda familiar de até 10 salários mínimos (32%). Em relação às expectativas profissionais, a grande maioria manifestou o desejo em realizar curso de pós-graduação (70%) e conciliar o trabalho em consultório particular e no serviço público (45%). A principal dificuldade esperada pelos alunos é a saturação do mercado de trabalho (60%). Os resultados encontrados permitiram identificar o perfil do estudante de Odontologia – Afya Centro Universitário São Lucas/RO e suas perspectivas em relação à Odontologia.
Palavras-chave: Estudantes de odontologia. Escolha da profissão. Mercado de trabalho
ABSTRACT: The dentistry course has undergone several changes in recent years, notably in the profile of individuals who choose this field. The objective of this study was to evaluate the profile of dentistry students at Afya Centro Universitário São Lucas/RO. A structured questionnaire was administered to obtain data, with closed questions addressing sociodemographic aspects (such as age, gender, family income), professional expectations, and perceptions of the course. Analysis of the student profile showed a predominance of females (68%), with a prevalence of young people aged 18 to 25 (77%), most of whom self-identified as white and brown (48%), respectively, with a family income of up to 10 minimum wages (32%). Regarding professional expectations, the vast majority expressed a desire to pursue a postgraduate course (70%) and to combine work in private practice and public service (45%). The main difficulty expected by students is the saturation of the job market (60%). The results allowed us to identify the profile of the dentistry student at Afya Centro Universitário São Lucas/RO and their perspectives on dentistry.
Keyword: Dental students. Choice of profession. Job market.
INTRODUÇÃO
A Odontologia encontra-se em mudança no Brasil, começando no setor de novas tecnologias, que são lançadas no mercado a cada mês, quanto no rumo que o profissional deve tomar diante das dificuldades do mercado de trabalho. Desta forma, existe uma conjuntura que reúne desafios de várias ordens. O mercado de trabalho tornou-se extremamente competitivo, criando um processo amplo de busca e experimentação de diferentes mecanismos de concorrência que se expressam pela sensibilização geral às demandas por novas habilidades (Granja et al., 2016).
O exercício profissional na Odontologia tem passado por constantes mudanças e, mesmo atravessando um momento de ampliação das áreas de atuação, tem-se percebido um mercado cada vez mais competitivo e saturado (Silva et al., 2021).
Essas mudanças exigem uma reflexão profunda sobre a prática odontológica, que vai além da execução de procedimentos clínicos e se amplia para a responsabilidade ética e social no cuidado com a saúde bucal da população. O cenário atual reforça a importância de profissionais qualificados para atuar nos diferentes níveis do sistema de saúde, desde a atenção básica até a gestão dos serviços, garantindo um atendimento mais acessível e equitativo (Vieira et al., 2018).
O papel da universidade nesse contexto é fundamental, pois cabe a ela formar cirurgiões-dentistas capacitados não apenas tecnicamente, mas também conscientes de seu papel social. A Odontologia, historicamente, teve uma formação voltada para uma determinada classe e centrada no mercado privado, deixando em segundo plano a promoção da saúde e o atendimento às populações mais vulneráveis. No entanto, as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) para os cursos de Odontologia estabeleceram a necessidade de um novo modelo de ensino, baseado em uma formação generalista, humanista e reflexiva, que prepare os futuros profissionais para atuar em diferentes realidades e atender às necessidades epidemiológicas da população (Oliveira et al., 2022). Transformações estão acontecendo no setor de trabalho na área da Odontologia, especialmente devido ao aumento de instituições de ensino superior que estão surgindo no país (Gondin et al., 2021).
Nos últimos anos, as transformações no ensino superior no Brasil também impactaram o perfil dos estudantes de Odontologia. A ampliação do acesso às universidades, impulsionada por políticas de inclusão e ações afirmativas, diversificou o público acadêmico e trouxe novas perspectivas para a formação profissional. Muitos estudantes ingressam na graduação com expectativas voltadas para a realização pessoal e para a estabilidade financeira, acreditando que a Odontologia oferece boas oportunidades no mercado. No entanto, ao longo do curso, percebem a complexidade da profissão e os desafios que envolvem a inserção no mercado de trabalho (Vieira et al., 2018; Mendes et al., 2018).
A Odontologia vivencia constantes mudanças, em uma realidade de saturação do mercado, fortalecimento do setor público e novos desafios profissionais. A formação universitária almeja um novo perfil acadêmico, conforme as Diretrizes Curriculares Nacionais (Silva et al., 2018).
O perfil do aluno é um ponto importante a ser analisado em razão da sua relação com o desempenho estudantil (Carvalho, 2020). A intenção da continuidade dos estudos é provocada não pela necessidade do aprendizado continuado, mas pela percepção de incompletude do ensino (Mania et al., 2018).
Em resumo, o ensino de Odontologia no Brasil tem se reinventado para acompanhar as transformações sociais e tecnológicas contemporâneas. A integração entre ensino, pesquisa e extensão, a diversificação dos perfis dos estudantes e a evolução do perfil dos cirurgiões-dentistas – agora mais femininos e orientados para uma atuação híbrida demonstram a necessidade de uma formação contínua e adaptável. Essa nova configuração educacional prepara os profissionais para contribuir de maneira significativa para a promoção da saúde e para a melhoria dos serviços odontológicos, para que o profissional em saúde bucal seja capaz de atuar no novo mercado de trabalho, tanto no setor privado, quanto no público (Querino et al., 2018; Mendonça et al., 2022).
Com o objetivo de auxiliar a etapa de mudança da universidade para o mercado de trabalho, recomenda-se a criação de projetos acadêmicos durante o período de formação. Considera-se que as atividades de extensão, sejam obrigatórias ou não, oferecem experiências que refletem realidades do mercado. A inclusão de iniciativas acadêmicas que envolvem os alunos no ambiente social possibilita o aprimoramento de competências que estimulam o pensamento crítico, formulando táticas que têm um caráter resolutivo e que se alinham com as necessidades percebidas no ambiente prático (De Souza et al., 2017).
A formação acadêmica configura-se como um dos principais quesitos que direcionam o indivíduo em relação à sua realização pessoal e profissional. O seu sucesso permitirá a promoção de sua ascensão social por meio da educação, possibilitando um futuro profissional promissor (Santos & Santos, 2025). O conhecimento do perfil do futuro profissional é fundamental para que se possa compreender os eventuais rumos da profissão e, consequentemente, da atenção à saúde (Toassi et al., 2011). A escolha da profissão é um fator importante para a realização pessoal do indivíduo e a educação é um meio para a ascensão social e intelectual do mesmo (Hertl et al., 2017).
Nesse contexto, este estudo buscou compreender melhor o perfil dos estudantes de Odontologia que estão finalizando a graduação, suas motivações para escolher a profissão, sua visão sobre o curso e suas expectativas para o futuro, obtendo também um perfil sociodemográfico. A análise desses fatores é essencial para avaliar a adequação da formação odontológica às demandas do mercado e da sociedade. Os resultados dessa pesquisa podem contribuir para o aprimoramento dos currículos acadêmicos e das políticas educacionais, promovendo um ensino mais alinhado com as necessidades da população e do sistema de saúde.
MATERIAIS E MÉTODOS
Este estudo utilizou uma abordagem quantitativa, de caráter descritivo, com aplicação de um questionário estruturado adaptado de Machado et al., (2010). A coleta foi realizada nas dependências da Afya Centro Universitário São Lucas RO, os participantes foram os estudantes regularmente matriculados no curso de Odontologia, do quinto ao último período. com perguntas fechadas abordando aspectos sociodemográficos (como idade, sexo, renda familiar) expectativas profissionais e percepção dividido em segmentos: aspectos sociodemográficos (como idade, sexo, renda familiar), perfil dos alunos do curso de graduação em Odontologia no momento atual, perspectivas do graduando quanto ao futuro profissional do curso.
O presente estudo foi realizado após sua plena aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa – Afya Centro Universitário São Lucas RO, em 02 de junho de 2025, sob o CAEE 89026925.8.0000.0013 e sob o parecer de nº 7.612.088. A aplicação do questionário ocorreu presencialmente, em um único momento, com duração aproximada de 15 minutos. A participação foi voluntária, mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), garantindo o anonimato e confidencialidade das informações. As informações coletadas por meio do PIDAQ foram organizadas em planilhas eletrônicas e submetidas à análise estatística descritiva. As respostas ao questionário foram quantificadas e apresentadas em tabelas e gráficos por meio do software Microsoft® Excel®.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Participaram da pesquisa 60 discentes matriculados no curso de Odontologia – Afya Centro Universitário São Lucas – RO, no ano de 2025, distribuídos entre os turnos integral e noturno.
Os resultados encontrados foram divididos em segmentos: aspectos sociodemográficos (como idade, sexo, renda familiar), perfil dos alunos do curso de graduação em Odontologia no momento atual, perspectivas do graduando quanto ao futuro profissional. Traçou-se o perfil dos entrevistados, quanto ao gênero, idades e etnia, estando os resultados distribuídos na Tabela 1. A análise do perfil dos estudantes demonstrou predominância do gênero feminino (68%), com prevalência de jovens na faixa etária de 18 a 25 anos (77%), em sua maioria autodeclarados brancos e pardos (48%) respectivamente.
TABELA 01 – Perfil do graduando do Curso de Odontologia – Afya Centro

Fonte: Dados da Pesquisa
Esses achados acima, estão em consonância com pesquisas anteriores como por exemplo de Silva et al. (2018), que apontaram predominância do gênero feminino, com 53 alunas (69,74%), em relação aos 23 (30,26%) estudantes do gênero masculino. A idade de vinte quatro anos foi a mais observada (28,95%), com apenas dois alunos (2,63%) com mais de trinta anos. A população foi majoritariamente composta por indivíduos autodeclarados brancos (92,10%).
Uma pesquisa conduzida por Silva et al. (2021), nas Faculdades Unidas do Norte de Minas – FUNORTE revelou que, em uma amostra de 250 participantes, 75,5% estavam na faixa etária de 18 a 22 anos. Já Mendonça et al. (2022), em sua pesquisa relataram que o perfil do graduando era de jovens com 23,4 anos sendo (33%) do gênero masculino e (67%) do gênero feminino, a participação feminina na economia e na produção tem se consolidado como uma tendência crescente em diversos setores e em praticamente todos os estados brasileiros, resultado de transformações socioculturais que favoreceram uma maior aceitação e inserção da mulher no mercado de trabalho. Carvalho et al. (2020), encontraram a predominância (67,4%) dos acadêmicos do gênero feminino, houve predominância da idade entre 17 e 20 anos (86%) e (58,1%) da etnia parda. Dos 113 alunos que estavam cursando o último período do curso de Odontologia, 87 eram mulheres e 26 homens estando 83 alunos entre a idade de 21 a 25 anos, 22 alunos entre 26 e 30 anos, 4 alunos entre 31 e 35 anos e somente 3 acima dos 36 anos (Santos & Santos, 2025).
TABELA 02 – Dados Sociodemográficos de alunos do Curso de Odontologia – Afya Centro Universitário São Lucas – RO


No que se refere às condições socioeconômicas, este estudo observou que 80% dos acadêmicos dependem financeiramente do apoio familiar, situação que reflete o perfil jovem predominante. Metade reside com pais ou parentes (50%), e a renda familiar média situa-se entre três e dez salários-mínimos (32%). Em relação ao transporte utilizado para frequentar a universidade, destacou-se a locomoção a pé (30%) e o uso de automóvel próprio (28%).
Um estudo realizado por Vieira et al. (2018), mostrou que 39,47% dos alunos pertencem à faixa de 5 a 10 salários-mínimos, 84,21% dos estudantes afirmaram ter integralmente o apoio financeiro da família. Como apontado por Querino et al. (2018), a condição econômica mais estável dos responsáveis pode permitir que os estudantes se dediquem integralmente à formação, sem a necessidade de dividir seu tempo entre estudo e trabalho, a renda familiar predominante foi de três a seis salários mínimos (40,8%) em sua pesquisa.
Outro estudo realizado por Silva et al., (2018) mostrou que 39,47% dos alunos declararam estar na faixa de 5 a 10 salários-mínimos e 17,11% superior a 15 salários mínimos. A maioria dos estudantes, cerca de 84,21%, disse que não trabalha e que todos os seus gastos são pagos pela família. Outros 14,47% afirmaram que trabalham e também recebem ajuda financeira da família. Apenas um estudante, o a 1,32%, contou que não recebe nenhum tipo de suporte financeiro da família. Quando o assunto é moradia, 35,53% dos estudantes moram com os pais. Já 27,63% vivem com amigos, 25% moram sozinhos e somente 11,84% dividem a casa com o cônjuge e/ou filhos. Em relação à moradia, 35,53% dos estudantes afirmaram viver com os pais, enquanto 27,63% disseram morar com amigos, 25,00% residiam sozinhos e apenas 11,84% moravam com cônjuge e/ou filhos.
Um estudo feito por Carvalho em 2020 revelou que cerca de 21,4% dos estudantes têm uma renda entre 1,5 e menos de 3 salários-mínimos. Isso mostra que esses alunos, na verdade, não têm uma condição socioeconômica tão alta como apontam outros estudos.
De acordo com (Santos & Santos, 2025), relataram na renda familiar que metade da amostra recebia até 3 salários mínimos (cerca de 10% das famílias recebiam apenas 1 salário mínimo e 41% de 1 a 3 salários), já em relação ao trajeto até a faculdade, 17 participantes afirmaram utilizar seu próprio veículo, 19 informaram que se deslocam com o carro dos pais, 37 usam aplicativos de transporte, 30 optam pelo transporte público, 2 mencionaram motocicleta, 2 recebem carona e 22 fazem o percurso a pé até a universidade.
TABELA 03 – Distribuição dos estudantes relacionada à formação antes de ingressar no curso de Odontologia – Afya Centro Universitário São Lucas – RO

Neste estudo no que diz respeito à formação escolar, verificou-se que a maioria concluiu o ensino médio em instituições públicas (65%).
Resultados divergentes deste estudo foram relatados por Silva et al. (2018), quanto à formação, 64,47% dos entrevistados afirmaram ter cursado todo o ensino médio em escola privada, enquanto para Santos & Santos (2025), 48,8% dos alunos ingressantes realizaram o ensino médio todo em escola pública.
TABELA 04 – Percepção do graduando do Curso de Odontologia quanto a sua formação e futuro profissional

Conforme a tabela 4, observou-se interesse equilibrado entre o setor privado e o público (45%), tendência que evidencia mudanças no perfil de atuação. De acordo com Hertl et al. (2017), o cirurgião dentista está apto para atuar tanto no setor acadêmico quanto em serviços públicos ou privados. Ao serem indagados sobre onde gostariam de atuar após finalizarem os estudos, as respostas variaram entre mulheres e homens. As participantes do sexo feminino mostraram maior interesse em trabalhar em serviços públicos e privados (24%), seguidas pela preferência por consultórios particulares (20%). Por outro lado, os homens indicaram o consultório particular (14%) como o local preferido para o exercício da profissão. As expectativas em relação ao mercado também chamam atenção: 60% dos entrevistados expressaram preocupação com a saturação da profissão. Esse dado dialoga com a pesquisa de Granja, 2016, na qual quase metade dos estudantes (46,9%) apontou o mesmo problema, justificando o desejo de conciliar atividades no serviço público e no consultório particular. O receio é plausível diante do aumento expressivo no número de cursos de Odontologia no Brasil.
Para Silva et al. (2018), relatam que entre os desafios que os alunos esperam encontrar ao exercer a profissão estão a sobrecarga no mercado de trabalho (69,74%), a falta de recursos financeiros suficientes da população (32,90%), a ausência de capacitação profissional (18,42%) e a ausência de informação da comunidade (11,84%). Apenas 7,89% dos estudantes declararam não ter expectativa em relação às dificuldades na carreira profissional.
Dados opostos foram observados por Mendonça et al., (2022) quanto à percepção do mercado de trabalho, onde a maioria (56% de cada grupo) percebeu o mercado odontológico como bom, mas ressaltando que o sucesso depende da qualificação do Cirurgião-Dentista.
TABELA 05 – Perspectiva do graduando quanto ao futuro profissional

Com relação à remuneração, 35% dos estudantes afirmaram esperar uma média salarial anual superior a R$ 72.000,00 (cerca de R$ 6.000,00 mensais). No entanto, estudos anteriores apresentaram grande variação quanto às expectativas salariais. Machado et al. 2010, relataram pretensão de 6 a 10 salários mínimos na Universidade Federal da Paraíba. Granja et al. (2016), após 5 anos de formado o desejo dos entrevistados é receber remuneração acima de R$5.000,00 (51,0%). De Sousa et al. (2017), também destacou que os estudantes de sua pesquisa projetavam rendimentos entre dois e dez salários-mínimos, revelando que a expectativa salarial é fortemente influenciada pelo contexto regional e institucional. Silva et al. (2018), mostraram que entre os participantes, 47,37% esperam uma renda entre 4-6 mil reais ao mês, enquanto 34,21% demonstraram expectativa de mais de 6 mil reais mensais. Apenas 1 (1,31%) tem expectativa de receber entre mil e 2 mil reais ao mês, 6,58% relataram expectativa entre 2 e 3 mil reais e 10,53% entre 3 e 4 mil reais mensais. Querino et al. (2018), a expectativa de retorno financeiro para a maior parte dos estudantes (41,67%) foi de 6 a 10 salários-mínimos (de R$5.280,00 a R$ 8.800,00).
Tabela 06 – Educação continuada

No presente estudo a realização da especialização apareceu muito presente na ideia de 70% dos estudantes entrevistados.
A realização da especialização apareceu muito presente na ideia dos estudantes (97,5%), logo após a graduação, em um período de 6 meses até 1 ano depois de formados (52%), segundo Toassi et al. (2011).
As expectativas profissionais após a graduação na pesquisa de Hertl et al. (2017), mostra que dentre os alunos participantes 80%, afirmaram que pretendem trabalhar e continuar se aperfeiçoando após a conclusão do curso.
Para Querino et al. (2018), a maioria dos estudantes pretende, após o término do curso, buscar cursos de pós-graduação (69,4%).
Mendes et al. (2018), após a conclusão da graduação, 70,5% (72) dos alunos gostariam de fazer uma especialização para melhor qualificação. Segundo Mendonça et al. (2021), a busca por especializações tem sido uma estratégia adotada por muitos recém-formados para se destacarem em um ambiente competitivo, evidenciando a importância da formação continuada para o aprimoramento das competências profissionais.
No que diz respeito à educação continuada, os estudos de Gondin et. al. (2021), revelou que 228 participantes, representando (99,6%) dos entrevistados, manifestaram o desejo de realizar algum tipo de pós-graduação e apenas um participante afirmou não pretender frequentar a pós-graduação.
Gráfico 1 – Distribuição dos estudantes segundo a área de especialização pretendida após o término da graduação em Odontologia

Outro ponto a ser destacado é que 70% dos entrevistados manifestaram intenção de cursar pós-graduação, sendo implantodontia (21%), endodontia (17%) e dentística (19%) as áreas mais procuradas (Gráfico 1). Essa busca por qualificação evidencia a percepção de que o aperfeiçoamento contínuo é indispensável para se manter competitivo no mercado.
Como alerta Mania et al. (2018), não há garantias de que a graduação seja suficiente para atender plenamente às demandas profissionais, motivo pelo qual a especialização é vista como caminho necessário. Nessa perspectiva, Mendonça et al. (2022), observou que 56% dos participantes de sua pesquisa consideraram o mercado de trabalho “bom”, embora condicionado à qualidade da formação.
Estudos mostram que grande parte dos concluintes de Odontologia enxerga a necessidade de continuar se qualificando após a graduação, seja por meio de especializações ou cursos de pós-graduação. Isso acontece porque o mercado valoriza cada vez mais profissionais com formação avançada e experiência em áreas específicas (Granja et al., 2016). Além disso, há uma tendência de busca por uma atuação mista, conciliando o setor público e o privado, já que o emprego no serviço público costuma oferecer estabilidade, enquanto o consultório particular pode proporcionar uma renda mais atrativa (Vieira et al., 2018).
CONCLUSÃO
A interpretação destes resultados é de fundamental importância para reconhecimento das características, perspectivas e anseios do aluno formando. Há predominância de mulheres, a principal dificuldade esperada pelos alunos é a saturação do mercado de trabalho, mas almejam trabalhar seja em consultório particular e serviço público, uma parcela significativa dos estudantes planeja realizar uma pós-graduação ou especialização após a conclusão do curso.
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1Acadêmica do Curso de Odontologia – Afya Centro Universitário São Lucas RO. E-mail: yasaliciac@gmail.com
2Acadêmica do Curso de Odontologia – Afya Centro Universitário São Lucas RO. E-mail: yasminvictoriasilvasoares@gmail.com
3Orientadora e Professora Mestre do Curso de Odontologia – Afya Centro Universitário São Lucas RO. E-mail: regina.pinheiro@afya.com.br
