SURGICAL MANAGEMENT IN PATIENTS WITH COAGULATION DISORDERS – SAFETY PROTOCOLS IN ORAL SURGERY: A REVIEW OF THE LAST 5 YEARS
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202510260818
Adelcio de Oliveira Sudário1; Beatriz Cristina da Silva Coelho2; Émerson Cardoso Corrêa3; Eduardo Neves Bergamini4; Rhuann Ayran Castro Borburema5; Kawanny Victória dos Santos Ferreira6; Sthefany Bento e Silva7; Gustavo Henrique de Castro8; Maysa Bernardino Cabral9; Kaylanni Roberto Oliveira10
Resumo
Os distúrbios de coagulação representam um importante desafio para a prática odontológica, sobretudo durante procedimentos cirúrgicos que envolvem risco de sangramento. O avanço das terapias anticoagulantes e antiplaquetárias, associado ao envelhecimento populacional, ampliou o número de pacientes em uso contínuo desses medicamentos, exigindo condutas seguras e individualizadas. Objetivo: revisar a literatura científica dos últimos cinco anos acerca dos protocolos de segurança e do manejo cirúrgico de pacientes com distúrbios da coagulação submetidos a procedimentos de cirurgia oral. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada nas bases de dados PubMed, SciELO, LILACS, Cochrane e Science Direct, incluindo artigos publicados entre 2020 e 2025. Foram utilizados os descritores “Oral Surgery”, “Anticoagulants”, e “Clinical Protocols”. Após a triagem e exclusão de duplicatas, sete estudos foram selecionados para análise. Resultados: Os estudos revisados demonstraram consenso quanto à possibilidade de realizar procedimentos cirúrgicos odontológicos em pacientes anticoagulados ou com distúrbios hemorrágicos sem a necessidade de suspensão medicamentosa, desde que o INR permaneça dentro da faixa terapêutica (2,0– 3,0) e sejam adotadas medidas hemostáticas locais eficazes. Entre elas destacam-se o uso de suturas compressivas, esponjas reabsorvíveis de colágeno, celulose oxidada e bochechos com ácido tranexâmico. Os anticoagulantes orais diretos (AODs), como dabigatrana, rivaroxabana e apixabana, apresentaram perfil de segurança superior aos antagonistas da vitamina K (AVKs), com menor risco de sangramento pós-operatório. O manejo interdisciplinar entre cirurgião-dentista e médico assistente mostrou-se essencial para prevenir complicações hemorrágicas e tromboembólicas. Conclusão: O manejo cirúrgico de pacientes com distúrbios de coagulação deve ser pautado em protocolos individualizados, baseados em evidências científicas e na atuação multiprofissional. A manutenção terapêutica, aliada ao uso de medidas hemostáticas locais, permite a realização segura de cirurgias orais, minimizando riscos e garantindo previsibilidade clínica. Ainda há necessidade de estudos clínicos randomizados e diretrizes padronizadas que consolidem práticas universais de segurança no atendimento odontológico desses pacientes.
Palavras-chave: Distúrbios da coagulação. Cirurgia oral. Anticoagulantes. Hemostasia.
Abstract
Coagulation disorders represent an important challenge for the dental practice, especially during surgical procedures that involve risk of bleeding. The advancement of anticoagulant and antiplatelet therapies, associated with population aging, increased the number of patients in continuous use of these drugs, requiring safe and individualized conduct. Objective: to review the scientific literature of the last five years about safety protocols and surgical management of patients with coagulation disorders submitted to oral surgery procedures. Methodology: This is an integrative literature review, conducted in the PubMed, SciELO, LILACS, Cochrane and Science Direct databases, including articles published between 2020 and 2025. The descriptors “Oral Surgery”, “Anticoagulants” and “Clinical Protocols” were used. After screening and exclusion of duplicates, seven studies were selected for analysis. Results: The reviewed studies showed consensus on the possibility of performing dental surgical procedures in patients with anticoagulation or bleeding disorders without the need for drug suspension, provided that INR remains within the therapeutic range (2.0-3.0) and effective local hemostatic measures are adopted. Among them, the use of compressive sutures, collagen resorbable sponges, oxidized cellulose and mouthwash with tranexamic acid are highlighted. Direct oral anticoagulants (AODs), such as dabigatrana, rivaroxaban and apixaban, presented superior safety profile to vitamin K antagonists (AVKs), with lower risk of postoperative bleeding. The interdisciplinary management between dental surgeon and attending physician was essential to prevent hemorrhagic and thromboembolic complications. Conclusion: The surgical management of patients with coagulation disorders should be based on individualized protocols, based on scientific evidence and multiprofessional action. Therapeutic maintenance, combined with the use of local hemostatic measures, allows safe oral surgeries, minimizing risks and ensuring clinical predictability. There is still a need for randomized clinical trials and standardized guidelines that consolidate universal safety practices in the dental care of these patients.
Keywords: Coagulation disorders. Oral surgery. Anticoagulants. Hemostasis.
1 INTRODUÇÃO
A hemostasia é um mecanismo fisiológico essencial que atua na preservação da integridade vascular, prevenindo perdas sanguíneas excessivas e mantendo a fluidez adequada do sangue no sistema circulatório. Alterações nesse processo resultam em distúrbios de coagulação, que podem ser de origem congênita ou adquirida, sendo esta última frequentemente associada ao uso de medicamentos anticoagulantes e antiplaquetários. O avanço das terapias farmacológicas e o aumento da expectativa de vida da população têm contribuído para o crescimento significativo do número de pacientes em uso dessas medicações, o que representa um desafio clínico relevante para a prática odontológica (Léon et al., 2014).
Nos últimos anos, a terapia anticoagulante oral tornou-se uma das intervenções médicas mais prescritas, sobretudo em indivíduos com fibrilação atrial, doença cardíaca valvar, trombose venosa profunda ou embolia pulmonar. Tradicionalmente, os antagonistas da vitamina K (AVKs), como varfarina e acenocumarol, foram considerados o padrão ouro desse tratamento. Entretanto, a introdução dos anticoagulantes orais diretos (AODs) como dabigatrana, rivaroxabana, apixabana e edoxabana revolucionou o manejo clínico, oferecendo vantagens como meia-vida mais curta, previsibilidade de efeito anticoagulante, menor número de interações medicamentosas e a dispensa de monitoramento laboratorial contínuo (Dou et al., 2025). Paralelamente, o uso de antiagregantes plaquetários, como o ácido acetilsalicílico e o clopidogrel, tem se tornado cada vez mais comum na prevenção de eventos tromboembólicos, especialmente em pacientes cardiopatas e com histórico de procedimentos vasculares. Esses medicamentos interferem na primeira fase da hemostasia, inibindo a agregação plaquetária, o que, assim como os anticoagulantes, eleva o risco de sangramento durante procedimentos invasivos. Contudo, a suspensão indiscriminada desses fármacos pode acarretar eventos trombóticos graves, tornando imprescindível um planejamento cirúrgico individualizado e interdisciplinar entre o cirurgião-dentista e o médico prescritor (Léon et al., 2014).
A cirurgia dentoalveolar, que inclui exodontias, implantes e reconstruções ósseas, é um dos procedimentos odontológicos mais realizados e representa um risco potencial de sangramento em pacientes com distúrbios de coagulação. A literatura científica recente indica que a maioria das cirurgias orais pode ser realizada sem suspensão da terapia anticoagulante ou antiplaquetária, desde que o INR permaneça dentro da faixa terapêutica recomendada (2,0–3,0) e que sejam aplicadas medidas hemostáticas locais adequadas, como suturas compressivas, uso de esponjas de colágeno, celulose oxidada e bochechos com ácido tranexâmico (Mencia et al., 2023).
Estudos comparativos entre pacientes que mantiveram o uso da varfarina e aqueles em que o medicamento foi suspenso revelaram ausência de diferença significativa quanto à ocorrência de sangramento pós-operatório, desde que o controle local da hemostasia fosse rigoroso. Por outro lado, a interrupção desnecessária desses medicamentos tem sido associada a aumento do risco tromboembólico, o que reforça a importância da continuidade terapêutica e do uso racional de agentes hemostáticos locais (Léon et al., 2014).
Além disso, em procedimentos de maior porte ou que envolvem risco hemorrágico elevado, recomenda-se a suspensão temporária dos anticoagulantes de curta duração, como a rivaroxabana, por um período de 24 horas antes da cirurgia, e sua reintrodução após 24 horas, desde que o sangramento esteja controlado. Em casos de uso de clopidogrel, a suspensão prévia deve ser avaliada com cautela e sempre em conjunto com o médico responsável, considerando a relação entre risco de trombose e controle hemostático (Johansson et al., 2023).
Dessa forma, o manejo cirúrgico de pacientes com distúrbios da coagulação requer não apenas conhecimento farmacológico, mas também uma abordagem baseada em protocolos de segurança e evidências clínicas recentes. A adoção de medidas preventivas, aliada à atuação interdisciplinar, permite a realização de procedimentos odontológicos com segurança, minimizando complicações hemorrágicas e preservando a estabilidade sistêmica do paciente.
Com base nesse contexto, o presente estudo tem como objetivo revisar a literatura científica dos últimos cinco anos acerca dos protocolos de segurança e manejo cirúrgico de pacientes com distúrbios da coagulação submetidos a procedimentos de cirurgia oral, destacando as condutas atuais, as medidas hemostáticas disponíveis e a importância da integração entre o cirurgião-dentista e o médico prescritor no processo de tomada de decisão clínica.
2 METODOLOGIA
Esta revisão integrativa da literatura possui uma metodologia qualitativa, sendo baseada no desenvolvimento da seguinte pergunta de pesquisa: “Quais são os protocolos de segurança e estratégias de manejo cirúrgico recomendados na literatura dos últimos cinco anos para pacientes com distúrbios da coagulação submetidos a procedimentos de cirurgia oral?” Para isto, foram utilizadas as bases de dados eletrônica: U. S. National Library of Medicine (PubMed), Scientific Electronic Library Online (SciELO), Cochrane Library, Literatura Latino Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e Science Direct para pesquisar e identificar estudos que respondessem à pergunta norteadora desta revisão integrativa da literatura. A base de dados foi pesquisada para estudos realizados entre 2020 e 2025. Obtemos um total de 19.216 artigos, foram excluídos 18.771 após os critérios, foram encontradas quatro duplicatas e, após a triagem, 7 artigos foram selecionados para compor esta pesquisa. Dentre esses, 1 não foi incluído na tabela 2 de resultados por não se enquadrar no recorte temporal definido (últimos cinco anos). Contudo, foi considerado relevante para a discussão e citados ao longo do texto. Esta revisão integrativa baseou-se em cinco etapas: Na primeira etapa foi o estabelecimento dos descritores para ambas as bases de dados, sendo uma com a utilização de MeSHterms (PubMed) e DeCS/MeSH (BVS). Em seguida, na segunda etapa, foram feitas uma busca avançada nas bases e análise do quantitativo dos artigos científicos presentes na íntegra. Logo em seguida, na terceira etapa, foram selecionados os artigos que se adequaram aos critérios de elegibilidade estabelecidos pelos pesquisadores. Na quarta e quinta etapa, os pesquisadores formularam uma tabela descritiva sobre os autores, objetivo de pesquisa, resultados e conclusão e em seguida, desenvolvimento da discussão dos artigos científicos, a fim de responder à pergunta norteadora estabelecida no início desta metodologia. Foram utilizados dois descritores para a composição da chave de pesquisa, sendo os seguintes (MeSH/DeCS): [(Cirurgia Oral / Oral Surgery) AND (Anticoagulantes / Anticoagulants) AND (Protocolos Clínicos / Clinical Protocols)]. Em seguida, os pesquisadores selecionaram os trabalhos com análise no título e resumo, com base nos critérios de elegibilidade. Os critérios de elegibilidade foram os seguintes: artigos publicados em português e inglês; ensaios clínicos randomizados ou não randomizados; metanálise; revisões sistemáticas e artigos que se adequem à temática. Também foi utilizado o sistema de formulário avançado para busca e seleção dos artigos utilizando conector booleano “AND”. Em seguida, artigos que preencheram os critérios de elegibilidade foram identificados e incluídos na revisão.
3 RESULTADOS
Os trabalhos que preencheram todos os critérios de seleção foram incluídos no estudo, os que não preencheram os critérios e/ou não se mostraram relevantes foram excluídos. Os resultados por análise foram representados na Tabela 1 e estabeleceu-se a construção da Tabela 2 aos estudos selecionados, com formulação das colunas (Autor/Ano/País; Objetivo e Tipo do estudo; Resultados e Conclusão).
Tabela 1 – Seleção dos artigos por análise empregada e estabelecimento dos critérios de inclusão.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2025.
Tabela 2 – Estudos detalhados em tabela de resultados.



Fonte: Elaborado pelo autor, 2025.
4 DISCUSSÃO
A análise dos estudos incluídos nesta revisão evidencia que o manejo cirúrgico de pacientes com distúrbios da coagulação tem evoluído substancialmente nos últimos anos, refletindo uma transição de condutas empíricas para protocolos cada vez mais embasados em evidências científicas. Observa-se uma tendência clara de individualização do tratamento, considerando o tipo de coagulopatia, o risco do procedimento e o perfil clínico do paciente. Os achados de Mencia et al. (2024) ressaltam a escassez de ensaios clínicos controlados com amostras representativas, fato que limita a força das recomendações disponíveis. Mesmo com esse déficit metodológico, o estudo reforça a necessidade de delineamentos mais robustos que permitam estabelecer protocolos clínicos padronizados e reprodutíveis. Essa lacuna evidencia o desafio da literatura atual: apesar do grande número de publicações, muitas ainda se baseiam em consenso de especialistas, com baixo nível de evidência científica. O trabalho de Katz et al. (2024) destacou o papel da fibrina rica em plaquetas (PRF) como um importante adjuvante hemostático em cirurgias orais de pacientes anticoagulados ou sob terapia antiplaquetária. Embora a heterogeneidade metodológica tenha impedido a realização de meta-análise, todos os estudos revisados apontaram eficácia satisfatória da PRF no controle do sangramento e melhora da cicatrização, corroborando seu uso como alternativa segura e de baixo risco. Contudo, foi observado que o material ainda apresenta resultados inferiores à quitosana quanto ao tempo de hemostasia, o que reforça a necessidade de estudos comparativos mais padronizados entre diferentes agentes hemostáticos.
Os autores Lahham et al. (2023) e Johansson et al. (2023) abordaram especificamente o manejo de pacientes em uso de anticoagulantes orais diretos (DOACs/NOACs), destacando que, para procedimentos de risco moderado, a suspensão do fármaco por aproximadamente 24 horas pode ser suficiente, especialmente em pacientes com função renal preservada. A comparação entre DOACs e antagonistas da vitamina K (AVKs) demonstrou ausência de diferença significativa no risco de sangramento pós-operatório, sugerindo que a manutenção controlada do tratamento anticoagulante é possível e segura em determinados casos, desde que acompanhada de medidas hemostáticas locais, como o uso de ácido tranexâmico tópico. Corroborando essas observações, Dou et al. (2025), em uma meta-análise com mais de 29 mil pacientes, demonstraram que o uso dos DOACs está associado a menor risco de sangramento quando comparado aos AVKs, especialmente em pacientes tratados com dabigatrana. Entretanto, a qualidade da evidência ainda é considerada baixa, o que requer cautela na interpretação dos resultados. Importante destacar que, apesar do aumento do risco relativo de sangramento em ambos os grupos, os episódios graves ou com necessidade de hospitalização são raros, o que reforça a segurança de se manter a terapia sob controle e acompanhamento multiprofissional.
O estudo nacional de Mendes et al. (2022) complementa essa discussão ao propor um Protocolo Operacional Padrão (POP) aplicável à rotina odontológica. O protocolo enfatiza que pacientes com INR dentro da faixa terapêutica (2,0–3,0) podem ser submetidos a exodontias simples sem necessidade de suspensão da varfarina, desde que medidas hemostáticas locais sejam aplicadas adequadamente. Já para procedimentos mais invasivos, o uso de materiais absorvíveis, suturas compressivas e suspensão temporária de medicamentos como rivaroxabana e clopidogrel foi indicado, com reintrodução após 24 horas, desde que a hemostasia esteja estável. Tais condutas reafirmam a importância da integração entre cirurgião-dentista e médico assistente, de modo a equilibrar o risco hemorrágico com o risco tromboembólico. Além disso, o estudo de León et al. (2014) amplia essa perspectiva ao reforçar que a maioria dos protocolos atuais dispensa a suspensão medicamentosa de rotina, priorizando a avaliação clínica individual e o uso de técnicas hemostáticas locais. Os autores ressaltam que a interrupção dos anticoagulantes ou antiplaquetários só deve ocorrer sob orientação médica específica, uma vez que o risco tromboembólico decorrente da suspensão pode ser mais grave que o risco de sangramento controlável. O estudo também destaca que a anamnese detalhada e os testes complementares de coagulação são fundamentais para minimizar complicações, e que medidas locais, como suturas compressivas, esponjas hemostáticas e o uso de agentes antifibrinolíticos, mostram-se eficazes na prevenção de sangramentos.
De forma geral, os resultados apontam uma mudança de paradigma na prática clínica: a suspensão indiscriminada de anticoagulantes e antiplaquetários tem sido substituída por uma abordagem baseada em avaliação de risco, protocolos individualizados e uso de terapias hemostáticas locais. Essa conduta reduz complicações e amplia a segurança do procedimento cirúrgico odontológico, especialmente em pacientes com coagulopatias adquiridas ou hereditárias.
5 CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS
A presente revisão evidenciou que o manejo cirúrgico de pacientes com distúrbios da coa- gulação, sejam eles adquiridos ou hereditários, deve ser conduzido com base em protocolos de segurança bem estabelecidos e individualizados. O avanço das terapias anticoagulantes e anti- plaquetárias, associado ao aumento da longevidade da população, tornou esses pacientes cada vez mais presentes na prática odontológica, exigindo do cirurgião-dentista conhecimento atua- lizado e integração com a equipe médica responsável.
Os estudos analisados demonstram um consenso crescente de que a maioria dos procedi- mentos odontológicos invasivos pode ser realizada sem a necessidade de suspensão da terapia anticoagulante ou antiplaquetária, desde que o paciente apresente INR dentro da faixa terapêu- tica (2,0–3,0) e que medidas hemostáticas locais adequadas sejam aplicadas. Tais medidas in- cluem o uso de suturas compressivas, esponjas hemostáticas reabsorvíveis, celulose oxidada e bochechos com ácido tranexâmico, que se mostraram eficazes na prevenção de sangramentos pós-operatórios e na promoção da cicatrização.
Os anticoagulantes orais diretos (AODs), como dabigatrana, rivaroxabana, apixabana e edoxabana, demonstraram perfil de segurança favorável em comparação com os antagonistas da vitamina K (AVKs), com menor risco de hemorragia em cirurgias orais. Em contrapartida, a suspensão indiscriminada desses medicamentos pode acarretar eventos tromboembólicos gra- ves, reforçando a importância da avaliação conjunta entre o cirurgião-dentista e o médico as- sistente antes de qualquer modificação terapêutica. Em situações de maior complexidade cirúr- gica ou risco hemorrágico elevado, a suspensão temporária e planejada de determinados fárma- cos especialmente aqueles de curta meia-vida podem ser necessária, desde que acompanhada de monitoramento rigoroso e reposição oportuna após a estabilização hemostática. Essa conduta deve ser pautada por uma análise individualizada, considerando fatores como idade, função renal e condição sistêmica do paciente.
De modo geral, o manejo seguro e eficaz desses pacientes requer uma abordagem multi- profissional e baseada em evidências científicas, que integre o conhecimento farmacológico, o domínio técnico do cirurgião e a comunicação com o médico prescritor. O cirurgião-dentista assume papel fundamental na prevenção de complicações hemorrágicas e na promoção da se- gurança cirúrgica, adotando medidas de controle local e protocolos atualizados. Entretanto, a revisão também revelou lacunas significativas na literatura, especialmente a escassez de ensaios clínicos randomizados com amostras representativas e padronização metodológica. Estudos fu- turos devem focar na comparação entre diferentes protocolos de manejo, agentes hemostáticos e estratégias de reintrodução medicamentosa, a fim de consolidar diretrizes clínicas mais pre- cisas e universalmente aplicáveis.
Em síntese, o manejo cirúrgico de pacientes com distúrbios da coagulação deve ser pautado na avaliação individual do risco, na manutenção terapêutica sempre que possível e na adoção de medidas hemostáticas locais eficazes, garantindo um tratamento odontológico seguro, pre- visível e alinhado aos princípios da odontologia baseada em evidências.
REFERÊNCIAS
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1 Graduado do Curso Superior de Odontologia pela UNIP, Brasília dr.adelciosudario@gmail.com
2 Discente do Curso Superior de Odontologia pelo Centro Universitário Tocantinense Presidente Antônio Carlos
3 Discente do Curso Superior de Odontologia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)
4 Residente do 1° Ano de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial do Hospital Geral de Vila Penteado
5 Discente do Curso Superior de Odontologia pela Faculdade Maurício de Nassau de Campina Grande – PB
6 Discente do Curso Superior de Odontologia pela Faculdade Anhanguera de Anápolis
7 Graduada do Curso Superior de Odontologia pelo Centro Universitário de Patos de Minas
8 Graduado do Curso Superior de Odontologia pela Faculdade de Patos de Minas
9 Discente do Curso Superior de Odontologia pelo Centro Universitário – UNIFACISA
10 Discente do Curso Superior de Odontologia pelo Centro Universitário de João Pessoa – UNIPÊ
