THE PROFILE OF VOLLEYBALL INITIATION SPORT PRACTITIONERS IN HEALTH-RELATED PHYSICAL FITNESS LEVELS
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202510120813
Gabriel Maria
Orientador: Keila Aparecida de Lima
Resumo
O estudo analisou o perfil de crianças e adolescentes de 7 a 12 anos, praticantes de iniciação esportiva do voleibol, no município de Nova Fátima – PR, avaliando seus níveis de aptidão física relacionada à saúde por meio dos testes padronizados do PROESP-BR. Foram aplicados testes de índice de massa corporal (IMC), flexibilidade, resistência abdominal e resistência cardiorrespiratória. Os resultados evidenciaram prevalência significativa de sobrepeso e obesidade, baixos níveis de flexibilidade e força abdominal, mas bom desempenho cardiorrespiratório em parte da amostra. Conclui-se que a iniciação esportiva contribui positivamente para alguns componentes da aptidão física, mas precisa ser complementada com estratégias voltadas ao equilíbrio do desenvolvimento físico e prevenção do sedentarismo.
Palavras-chave: Iniciação esportiva. Voleibol. Aptidão física. Saúde. Crianças.
Introdução
A sociedade contemporânea tem sido marcada pela crescente dependência da tecnologia, o que contribui diretamente para o sedentarismo infantil. Segundo Costa et al. (2020, p. ), “a tecnologia facilitando a comunicação, torna jovens a cada dia mais sedentários, deixando seu corpo fraco, pois não há necessidade de muito esforço em utilizar equipamentos eletrônicos”. É muito mais comum vermos crianças e adolescentes com o celular nas mãos conversando por mensagens (PAIVA; COSTA, 2015), do que batendo papo em uma roda de amigos, ou realizando a prática de alguma atividade física. Esse cenário compromete o desenvolvimento motor e a aptidão física de crianças e adolescentes, ou seja o aumento do comportamento sedentário entre crianças e adolescentes, impulsionado pelo avanço tecnológico e pelas mudanças no estilo de vida urbano, tem gerado impactos negativos no desenvolvimento das habilidades motoras dessa população. Estudos apontam que o uso excessivo de tecnologias, tem reduzido significativamente o tempo dedicado às atividades físicas, promovendo a inatividade e, consequentemente, o sedentarismo (Costa, Gomes e Lavorato, 2020).
O sedentarismo na infância compromete diretamente o desenvolvimento das habilidades motoras básicas, essenciais para a execução de movimentos mais complexos e para a participação esportiva no futuro. A falta de estímulo motor adequado durante os primeiros anos de vida prejudica a aquisição de capacidades fundamentais, como equilíbrio, coordenação e força, dificultando o domínio de habilidades esportivas posteriormente (Paiva e Costa, 2015; Gallahue e Ozmun, 2003 citados por Costa, Gomes e Lavorato, 2020).
O retardo ao estímulo de movimentos na infância, acarreta malefícios ao seu desenvolvimento na adolescência e até mesmo na sua vida adulta, que consequentemente atrapalha o desenvolvimento das habilidades, principalmente no âmbito do esporte (PAIVA; COSTA, 2015).
O ambiente escolar tem um papel muito importante na tentativa de aumentar o nível de atividade física entre crianças e adolescentes, (THOMAS H, 2009) mesmo que a quantidade de aulas propriamente ditas não seja suficiente, visto que o recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para que as crianças de 5 a 17 anos sejam consideradas ativas fisicamente ela precisa de sessenta minutos da prática de atividade física aeróbia de intensidade moderada a vigorosa e pelo menos três dias na semana de atividades que fortalecem os músculos e ossos (WHO, 2020) . Em particular, as aulas de Educação Física, bem como a participação em equipes de esportes têm recebido maior atenção em relação ao seu potencial em promover de maneira significativa um acréscimo no gasto energético diário de crianças e jovens (THUNFORS; COLLINS E HANLON, 2009).
Ainda de acordo com Thunfor; Collins e Hanlon 20009 de maneira geral, os programas de atividades físicas extraclasse, como as escolinhas esportivas por exemplo, são sugeridos como forma de amenizar as deficiências da Educação Física escolar em proporcionar incrementos positivos na aptidão física relacionada à saúde.
O estímulo da prática de atividade física sistematizada acarreta na melhora da aptidão física desse indivíduo, independentemente da idade. Sendo assim, a criança que realiza uma prática regular de atividade física consequentemente terá bons níveis de aptidão física relacionada à saúde (COSTA, GOMES E LAVORATO, 2020)
A aptidão física pode ser entendida como “uma condição em que o indivíduo possui energia suficiente para realizar atividades do seu dia a dia sem apresentar sensação de cansaço ou fadiga” (Guedes e Guedes, 1995, apud Moreira et al., 2017). Ela se divide em duas vertentes principais, sendo elas a relacionada à saúde e a voltada ao desempenho esportivo. Ambas são essenciais na formação integral do indivíduo.
Segundo Bhome (2003), quando a atividade física é praticada com o objetivo de melhorar a aptidão física, outro aspecto que será observado é uma melhora no nível de desempenho esportivo na modalidade que optar em praticar.
O desenvolvimento motor é essencial para a construção da aptidão física em crianças e adolescentes, impactando diretamente suas capacidades físicas e esportivas. Segundo Gallahue e Ozmun (2003), “a prática limitada ou ausente de atividade física pode ocasionar atrasos nas capacidades motoras, levando ao fracasso na execução de habilidades específicas na fase motora especializada”. Ou seja, para que crianças e adolescentes possam desempenhar bem atividades físicas esportivas, é fundamental que desenvolvam adequadamente suas habilidades motoras básicas desde a infância. Além disso, o contato precoce com atividades físicas influencia positivamente o estado de saúde e o desempenho físico no futuro. Como aponta Böhme (2003)
A iniciação esportiva é entendida como o primeiro contato da criança com atividades físicas sistematizadas, de caráter lúdico e educativo. Ela visa desenvolver habilidades motoras fundamentais, como correr, saltar, arremessar e equilibrar-se, que são pré-requisitos para a prática esportiva futura. De acordo com Böhme (2003), o esporte praticado de forma educativa e participativa tem como objetivo principal o bem-estar dos praticantes, promovendo a integração social e a saúde, em contraste com a visão exclusiva do esporte de rendimento. Dessa maneira, a iniciação esportiva não deve visar apenas o desempenho, mas principalmente o prazer e o desenvolvimento integral da criança. Programas de iniciação bem estruturados fortalecem componentes importantes da saúde, como a resistência cardiorrespiratória, a força muscular, a flexibilidade e a composição corporal.
Diante desses fatos faz -se necessário investigar se a criança que está inserida na prática da iniciação esportiva, nesse caso específico da modalidade do voleibol, possuem ou não um bom nível de aptidão física relacionado à saúde como muitos estudos afirmam.
A pesquisa tem como objetivo geral verificar o nível da aptidão física relacionada à saúde em crianças de 7 a 12 anos no qual fazem parte da iniciação esportiva do voleibol no municipio de Nova Fátima PR. Para seu alcance, os objetivos específicos englobam avaliar as crianças que estão na prática esportiva do voleibol; aplicar testes do PROESP para avaliar a aptidão física relacionada à saúde e ainda classificar os níveis de aptidão física de acordo com os parâmetros do PROESP.
Para o desenvolvimento do estudo foi desenvolvido em duas partes fundamentais, na primeira foi realizada uma pesquisa bibliográfica, buscando fundamentar o tema “O perfil de praticantes de iniciação esportiva do voleibol nos níveis de aptidão física relacionada à saúde” a pesquisa teórica englobou os temas; Aptidão física relacionada à saúde; Desenvolvimento motor em crianças; A iniciação esportiva; O profissional de educação física na iniciação esportiva; PROESP, além disso, foram analisados artigos científicos; Nível de aptidão física para o desempenho esportivo em participantes adolescentes do projeto esporte em ação, Nível de aptidão física relacionada à saúde em crianças e adolescentes do 6º ao 9º ano de escolas públicas da cidade de ubá e Relações entre aptidão física, esporte e treinamento esportivo.
Fundamentação Teórica
2 Aptidão Física relacionada à saúde
Primeiramente quando se fala sobre aptidão física devemos saber sua definição e sua divisão conceitual. Sendo que, a aptidão física pode ser definida como a capacidade de realizar tarefas diárias com eficácia e com muita atenção, sem fadiga e com ampla energia para usufruir de lazer e atividades para atender emergências inesperada. A atividade física é definida como qualquer atividade produzida pelo corpo que resulte em um gasto de energia significativo, a cima do nível de repouso. Já o exercício físico é uma atividade física estruturada e planejada a fim de melhorar os componentes físicos (CASPERSEN; POWELL; CHRISTENSON, 1985).
A aptidão física é dividida conceitualmente em aptidão física relacionada à saúde (AFRS) e a aptidão física relacionada ao desempenho atlético (AFRD), porém, os componentes da AFRD estão relacionados aos componentes da AFRS, pois necessitamos de manter todos em um bom nível, assim cabe uma divisão para facilitar o entendimento (NAHAS, 2006).
A AFRS é subdividida em quatro componentes: força/resistência muscular, flexibilidade, composição corporal e resistência cardiorrespiratória, e cinco compõem a aptidão física relacionada ao desempenho atlético: velocidade, potência, agilidade, coordenação e equilíbrio (GUEDES; GUEDES, 2006).
De acordo com Nahas (2006) a aptidão física é influenciada por diversos fatores, como a prática regular de atividade física, principalmente o exercício físico, alimentação, fatores genéticos e do estado geral de saúde.
É importante entendermos os conceitos de cada componente da Aptidão Física relacionada à saúde, que foi o objeto desse estudo: primeiramente falando da aptidão cardiorrespiratória de acordo com Nahas (2006) a aptidão cardiorrespiratória é a capacidade do organismo como um todo de resistir à fadiga em esforços de média e longa duração. Depende fundamentalmente da captação e distribuição de oxigênio para os músculos em exercício, envolvendo o sistema cardiovascular (coração e vasos sanguíneos) e respiratório (pulmões). Essa variável é uma das mais importantes pois existem muitas evidências que indicam que ter uma elevada capacidade cardiorrespiratória previne várias enfermidades crônicas degenerativas, principalmente as cardiovasculares (BERGMANN et. All 2013).
De acordo com (Bergmann, 2013) Além dos benefícios em curto prazo, de se possuir um bom nível dessa variável, evidências sugerem que indivíduos jovens com aptidão cardiorrespiratória mais alta devido a um estilo de vida ativo também podem apresentar benefícios em longo prazo. Essas evidências passam a ter cada vez mais importância devido aos resultados encontrados que indicam que a formação de placas de ateroma nas artérias coronárias se inicia na infância e desta forma a prevenção também deve se iniciar nesta fase da vida.
Uma maneira simples e muito utilizada para se avaliar a capacidade cardiorrespiratória é o teste de corrida/ caminhada 6 minutos. Esse teste avalia as respostas ao exercício de forma integrada e global por parte de todos os sistemas envolvidos na atividade física, ao exercício de forma integrada e global por parte de todos os sistemas envolvidos na atividade física circulação periférica e sistêmica, metabolismo muscular, aparelho cardiovascular, entre outros. Porém não oferece informações específicas sobre cada sistema, mas atualmente é o teste mais utilizado por sua praticidade (OKURO; SCHIVINSKI, 2013).
Outro componente importante é a flexibilidade, que é a capacidade que um indivíduo possui de executar de forma voluntária um movimento de amplitude angular máxima, por uma articulação ou conjunto de articulações, dentro dos limites morfológicos, sem risco de provocar lesão (DANTAS, 2005).
A manutenção de bons níveis de flexibilidade nas principais articulações tem sido comumente associada a: maior resistência a lesões; menor propensão quanto à incidência de dores musculares, principalmente na região dorsal e lombar e a prevenção contra problemas posturais. Já a falta dessa capacidade motora pode acarretar fadiga muscular precoce ou alterar a biomecânica normal do movimento, predispondo o indivíduo a lesões, dificultando ou impossibilitando a realização de determinadas tarefas (ACHOUR, 1996).
De acordo com Gallahue e Ozmun (2003) a flexibilidade sofre mudanças e influência de acordo com as fases do desenvolvimento humano, que para esse desenvolvimento tem um ritmo desde sua concepção até a idade adulta. Esse ritmo não é ordenado, tendo fases em que é acelerado e outras em que é extremamente lento. É importante destacar que esses níveis de flexibilidade possuem a influência genética, porém esta pode sofrer estímulos externos, como a alimentação e a prática de atividades físicas (GALLAHUE & OZMUN, 2003). A fase púbere tem grande influência, pois caracteriza-se, pelo fenômeno chamado estirão do crescimento que para Haywood & Getchell (2004) inicia-se por volta dos 9 anos nas meninas e 11 anos para os meninos, de acordo com Gallahue & Ozmun (2003) esse pico de crescimento dura em média quatro anos e meio, continuando na adolescente, ao final do pico, seu crescimento em ritmo bem mais lento.
Segundo Achour 1999, a melhora dos níveis de flexibilidade contribui à manutenção da saúde ao facilitar a execução das tarefas cotidianas, práticas desportivas, ao prevenir lesões. Atua também na redução de encurtamentos músculo-tendíneos, prevenindo distúrbios posturais, além de promover melhora da coordenação, diminuição da rigidez corporal, otimização das capacidades físicas. Sendo assim crianças que realizam a prática regular de atividade física, destacando as que participam de uma escolinha de iniciação, desenvolverá bons níveis de flexibilidade, sendo assim diminuindo risco de lesões e melhorando a qualidade de seus movimentos.
Os testes utilizados a fim de adquirir informação sobre a flexibilidade geralmente incluem medidas de distância entre dois pontos indicados pelo avaliado em objetos especificamente construídos para essa finalidade, sendo o teste de sentar e alcançar o recurso mais utilizado (GUEDES; GUEDES, 2006). Existem outros métodos para se avaliar a flexibilidade, tais como o flexímetro, flexiteste e goniômetro
Outro componente da aptidão física relacionada à saúde é a composição corporal. A composição corporal caracteriza-se por dois componentes: a gordura e a massa corporal magra (músculos, ossos, vísceras etc.) e um dos métodos mais utilizados para definir a porcentagem de gordura é a medida de dobras cutâneas (NAHAS,2006).
Segundo Dumuid et al. 2019 em crianças o acúmulo de gordura corporal (obesidade) apresenta forte associação com a redução da prática de atividade física. A avaliação da composição corporal é utilizada para ter um controle sobre o estado de saúde de um indivíduo, sobre o estado físico e também é utilizado para assessorar programas de treinamento para atletas.
Existem alguns métodos para se avaliar a composição corporal, um deles é através das dobras cutâneas (Nahas, 2006), outro é através da pesagem hidrostática, existe também a absorção do raio X de dupla energia (DEXA), tomografia computadorizada e a ressonância magnética que quantificam a gordura localizada e a bioimpedância (REZENDE et al.2007).
Outro método para monitorar a massa corporal é o IMC (Índice de massa Corporal), este método possui a vantagem de ser simples e não precisar de uma experiência profunda do avaliador, porém uma limitação desse método é que ele não é capaz e diferenciar o peso de gordura e de massa corporal magra (GUEDES,1994).
O outro componente da Aptidão Física relacionada à saúde é força/resistência muscular, que é a capacidade que o músculo possui de realizar repetidas contrações sem baixar o rendimento do trabalho realizado (NAHAS, 2006).
Uma boa condição muscular disponibiliza maior capacidade para a execução de atividades diárias e melhor desempenho nas atividades esportivas, ajuda a manter uma boa postura e proporciona um menor risco de lesão. O trabalho intenso diário faz com que as pessoas tenham uma boa resistência muscular (NAHAS, 2006).
O desenvolvimento da força e da resistência muscular apresentam inúmeros benefícios relacionados com a saúde, como por exemplo, o aumento da densidade óssea, do volume muscular, da autoestima entre outros (NIEMAN, 1999).
Segundo Guedes e Guedes (2006) testes que têm como objetivo medir a força muscular deve ser realizado a partir de uma sobrecarga onde os indivíduos são capazes de realizarem apenas uma repetição, exemplo teste de 1 RM, sendo que os exercícios que requerem repetições com a sequência do mesmo movimento devem oferecer informações sobre resistência muscular.
Existem vários testes para medir a força e a resistência muscular, alguns utilizam materiais sofisticados, porém podemos obter bons resultados com a utilização de testes comuns como flexão de braço, abdominal, pressão manual, repetição máxima entre outros (NIEMAN, 1999).
3.2 DESENVOLVIMENTO MOTOR EM CRIANÇAS
De acordo com Gerzson (2015) O desenvolvimento humano é um processo contínuo, relacionado à idade, onde ocorre mudanças sequenciais e complexas. Nesse processo adquire-se várias habilidades psicomotoras, que evoluem de movimentos simples e desorganizados para habilidades altamente complexas.
A infância é entendida como um período de grande importância para o desenvolvimento motor, pois é nesta etapa que acontecem o desenvolvimento das habilidades motoras fundamentais que constituem de base para o desenvolvimento das habilidades motoras especializadas que a pessoa utilizará nas suas atividades cotidianas, de lazer ou esportivas (GALLAHUE, 2005).
Para investigar o desenvolvimento motor é necessário compreender e estabelecer o conceito que será tomado como parâmetro, sendo assim o desenvolvimento motor é entendido como o aspecto do comportamento motor e do controle motor que está diretamente relacionado com os estudos das mudanças das transformações da performance motora durante os diferentes momentos da evolução da vida do indivíduo (FERREIRA NETO, 2004).
Durante o período de transição infância/adolescência o indivíduo passa por várias modificações que ocorrem ao longo da vida, essas modificações se baseiam nas atividades que o indivíduo conduz, se iniciando com as habilidades motoras fundamentais que aparecem em uma ampla variedade de esportes, de jogos e de outras atividades, sendo estas classificadas em estágio inicial, elementar e maduros (GALLAHUE, 2005).
Segundo Fernandes et al.2017 sobre a situação mundial da infância, para 2030 a expectativa é de que quase 120 milhões de crianças sofram atraso no crescimento, prejudicando seu desenvolvimento físico e cognitivo, com algumas consequências irreversíveis.
Sabendo que o processo de desenvolvimento ocorre de maneira dinâmica e é suscetível a ser moldado a partir de inúmeros estímulos externos, é fundamental a identificação precoce de crianças expostas a fatores de risco, assim como a avaliação de seu desenvolvimento, a fim de minimizar prejuízos futuros (NEVES et al. 2016).
As especificidades que acontecem no desenvolvimento motor são decorrentes de características individuais (orgânicas, psicológicas, motivacionais, entre outras.) e também do ambiente no qual o indivíduo está inserido. A oportunidade de prática estruturada e instrução apropriada são fatores determinantes para que novas habilidades motoras sejam adquiridas e, principalmente, refinadas ao longo do ciclo desenvolvimento, incluindo as habilidades motoras fundamentais tais como correr, saltar, chutar, arremessar, receber, entre outras, sendo assim, programas de atividade física e aulas de educação física, tem sido sugerida como um importante impacto no aprimoramento e melhora do desenvolvimento motor (FERNANDES et al. 2017).
O papel da diversidade de atividades esportivas relacionado ao desenvolvimento motor, especificamente na fase fundamental dos movimentos, relaciona-se ao fato de que é nesse período que essas habilidades podem alcançar um padrão próximo ao padrão maduro observado nos adultos, dando essencialmente pela aquisição, estabilização e diversificação de habilidades básicas. Nessa perspectiva, as práticas de atividades esportivas quando são realizadas de forma sistematizadas, contribuem positivamente para o desenvolvimento psicossocial e motor de crianças e jovens, alcançando então bons níveis de aptidão física (TANI; BASSO; CORREA, 2012).
3.3 A INICIAÇÃO ESPORTIVA
Segundo Bohme (2003) A iniciação esportiva trata-se de um processo que tem por objetivo a melhoria de determinado desempenho, seja este na área cognitiva, psicossocial ou motora; para o alcance do objetivo almejado, utiliza-se, na maioria das vezes, o recurso da repetição de determinada atividade, por meio do exercício.
De acordo com Almeida (2005) a iniciação esportiva é o período em que a criança começa a aprender de forma específica e planejada a prática esportiva, procurando uma iniciação esportiva que contemple toda a complexidade humana, a entende como o período em que a criança inicia a prática regular e orientada de uma ou mais modalidades esportivas, e o objetivo imediato é dar continuidade ao seu desenvolvimento de forma integral, não implicando em competições regulares.
O Mesmo autor defende que a iniciação esportiva deve ser dividida em três estágios. O primeiro deles, chamado de iniciação desportiva propriamente dita, ocorre entre oito e nove anos. Nessa fase, o objetivo do treinamento é a aquisição de habilidades motoras e destrezas específicas e globais, realizadas através de formas básicas de movimentos e de jogos pré desportivos.
O segundo estágio ocorre entre 10 e 11 anos de idade, é chamada fase do aperfeiçoamento desportivo, a criança já experimenta e participa plenamente de ações baseadas na cooperação e colaboração. O objetivo dessa etapa é introduzir os elementos técnicos fundamentais, táticas gerais e regras através de jogos educativos e contestes e atividades esportivas com regras.
O terceiro estágio ocorre entre 12 a 13 anos é chamado de introdução ao treinamento, alcança um significativo desenvolvimento da sua capacidade intelectual e física. Assim, o objetivo dessa fase é o aperfeiçoamento das técnicas individuais, dos sistemas táticos, além da aquisição das qualidades físicas necessárias para a prática do desporto.
Segundo Gallahue e Ozmun (2003), a iniciação esportiva deve estar pautada no desenvolvimento motor, respeitando as fases da infância e da adolescência e promovendo a aprendizagem de movimentos amplos antes das técnicas específicas. A prática precoce, porém inadequada, pode comprometer esse processo, ocasionando déficits motores e até desmotivação para a prática esportiva.
A idade ideal para a iniciação esportiva varia conforme a modalidade e os objetivos da prática. No entanto, estudos indicam que, entre 6 e 12 anos, o sistema nervoso central da criança se encontra em elevada plasticidade, sendo o período mais adequado para a aprendizagem motora ampla e variada (Gallahue & Ozmun, 2003; Böhme, 2003).
O esporte e a aptidão física têm em comum o fato de se desenvolverem por meio de atividades físicas; a realização do esporte se dá, principalmente, por atividades físicas denominadas ações/atividades esportivas. Muitos indivíduos buscam a prática do esporte de acordo com seus objetivos e um deles é a melhora do nível de aptidão física (BÖHME, 2003).
Nessa perspectiva a iniciação esportiva estimula a autoestima, promovendo a esta criança segurança e confiabilidade (SANTOS, 2021). Para Ramos e Neves (2008) contribui 19 pontuando que, além disso, “promove a disciplina e a persistência, fatores primordiais no esporte”.
No Brasil, programas como o PROESP-BR (Projeto Esporte Brasil) têm sido utilizados para avaliar a aptidão física de crianças e adolescentes, oferecendo parâmetros importantes para nortear a iniciação esportiva.
3.4 O PROFISSIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA NA INICIAÇÃO ESPORTIVA
Atualmente, o profissional da área da Educação Física pode optar entre os dois cursos: Licenciatura ou Bacharelado. O profissional licenciado, conforme Rezer e Berticelli (2014), é aquele que possui autorização para atuar no Ensino Infantil, Fundamental e Médio de escolas públicas ou privadas como professor. Já o profissional egresso em bacharel, segundo os mesmos autores, pode atuar nas mais variadas áreas de atividade física e esportiva, porém não podendo atuar na Educação Básica.
Durante a formação no Curso de Educação Física Bacharelado, o profissional da Educação Física possui diversos componentes curriculares que potencializam o ensino, as técnicas, as estratégias metodológicas de técnica e tática, o que o difere, por exemplo, de um técnico ex jogador ou técnicos profissionais que são especializados em treinamento com adultos. (REZER E BERTICELLI 2014).
No processo da busca pelo desenvolvimento das habilidades motrizes nos aprendizes nessas etapas, os profissionais de Educação Física, tornam-se os principais, pois caberão a eles todos os procedimentos a serem executados, no aspecto teórico e prático, visando à evolução e maturação do corpo. Para tanto, o professor e/ou treinadores devem prioritariamente conhecer as condições físicas e psicológicas e também as transformações fisiológicas naturais que ocorrem a cada fase de desenvolvimento da criança, adequando sempre o planejamento e essas mudanças, a fim de evitar um problema sério, a “especialização precoce”, esta que por sua vez poderá causar consequências irreversíveis e comprometedoras no desenvolvimento físico, orgânico e emocional da criança (DUWE e NOVAES, 2003).
De acordo com Pereira; Lupes e Gorski (2015) o profissional que conduz essas atividades tem o poder de fazer com que a criança crie gosto pela prática esportiva e siga uma vida ativa no esporte, ou que a criança crie uma aversão ao esporte, onde muitas vezes nunca mais terá nenhum tipo de contato devido a prática inadequada do treinador.
Ainda conforme os autores, o profissional precisa perceber qual a fase de desenvolvimento motor e cognitivo das crianças, para planejar seu trabalho de forma interessante e motivadora baseado em atitudes lúdicas, recreativas que tragam prazer à prática das crianças, porém que vissem ampliar o repertório motor e a pluralidade de movimentos, oferecendo um grande número de oportunidade de desenvolvimento para as mais variadas formas de habilidades que possam ser utilizados em diversos esportes.
Duwe e Novaes (2003 afirmam que o profissional da Educação Física pode proporcionar o prazer pelo esporte, pois conhece estratégias motivacionais que levam o aluno a praticar as modalidades esportivas. Condutas do professor, como respeitar o processo de ensino aprendizagem, evolução de conhecimento e técnicas, bem como, ser carismático, incentivar o trabalho em grupo, podem incentivar extrinsecamente os alunos a começarem ou continuarem alguma modalidade esportiva. Dessa maneira, o professor de Educação Física necessita ser um mediador com um gama de conhecimento diversificados, a fim de manter, com o aluno, uma conversa não apenas de caráter esportivo, mas, também, sociocultural, a fim de, enriquecer seu papel de motivador.
Conclui-se, portanto, que o profissional de Educação Física exerce um papel decisivo na iniciação esportiva na infância. Sua atuação influencia diretamente o desenvolvimento motor, a saúde e o bem-estar da criança, bem como a relação desta com a prática esportiva ao longo da vida. O sucesso da iniciação depende, entre outros fatores, da competência técnica, sensibilidade pedagógica e compromisso ético desse profissional.
3.5 PROESP
O Projeto Esporte Brasil (PROESP-BR) é uma iniciativa do Grupo de Pesquisa em Cineantropometria e Desempenho Humano (GCODH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), criado com o objetivo de fornecer subsídios científicos para a avaliação da aptidão física relacionada à saúde e ao desempenho esportivo de crianças e adolescentes brasileiros. O PROESP-BR tem como propósito principal avaliar, monitorar e diagnosticar a aptidão física da população escolar brasileira, contribuindo para a construção de políticas públicas de promoção à saúde e ao esporte. Para isso, propõe um conjunto padronizado de testes físicos, que permitem aferir o nível de aptidão física dos estudantes, possibilitando também o acompanhamento longitudinal do desenvolvimento motor e físico.
A aplicação do PROESP-BR ocorre, em geral, em ambientes escolares, conduzida por professores de Educação Física ou profissionais capacitados. O protocolo é composto por testes de aptidão física relacionada à saúde (como flexibilidade, resistência muscular, força, velocidade e capacidade aeróbica) e testes de desempenho motor (como agilidade, salto horizontal, corrida de 20 metros e teste de sentar e alcançar). Além dos testes físicos, o protocolo pode incluir medições antropométricas, como peso, estatura e circunferência da cintura. O banco de dados do PROESP-BR é alimentado por escolas e instituições de todo o país que aplicam os testes e enviam os resultados ao sistema. Dessa forma, o projeto tem caráter epidemiológico, permitindo a análise da condição física de diferentes faixas etárias e regiões do Brasil. Essa abordagem colabora com a construção de normas de referência e oferece suporte à elaboração de intervenções educativas e programas de atividade física na escola. Portanto, o PROESP-BR se apresenta como uma ferramenta valiosa tanto para a pesquisa científica quanto para a prática pedagógica na Educação Física escolar, promovendo a valorização da aptidão física como um componente essencial da saúde e do desenvolvimento integral de crianças e adolescentes.
O protocolo do PROESP-BR é composto por um conjunto de testes físicos e antropométricos que avaliam a aptidão física relacionada à saúde e ao desempenho motor de crianças e adolescentes. Os testes são padronizados, de fácil aplicação, e podem ser realizados em ambiente escolar com o mínimo de equipamentos.
Testes de Aptidão Física Relacionada à Saúde; Esses testes têm como foco principal os componentes da aptidão física que impactam diretamente na prevenção de doenças e na promoção da saúde. Os principais testes são:
IMC (Índice de Massa Corporal): Calculado a partir do peso e da estatura. Serve como indicador do estado nutricional.
Circunferência da Cintura (CC): Indicador de risco metabólico e obesidade central.
Teste de Flexibilidade (Sentar e Alcançar): Mede a flexibilidade dos músculos posteriores da coxa e da região lombar.
Força de Membros Superiores (Flexão de Braço): Avalia a força e resistência muscular dos braços e ombros.
Força de Membros Inferiores (Salto Horizontal): Mede a potência muscular das pernas.
Resistência Cardiorrespiratória (Teste de Corrida/Caminhada de 6 minutos ou Corrida de 9 minutos): Avalia a capacidade aeróbica.
Testes de Desempenho Motor
Focados no desempenho esportivo e desenvolvimento motor, esses testes ajudam a identificar talentos esportivos e orientar intervenções:
Agilidade (Teste de Vai-e-Vem ou Quadrado): Mede a velocidade de mudança de direção. Velocidade (Corrida de 20 metros): Avalia a rapidez de deslocamento em curta distância. Coordenação (Lançamento de Bola ao Alvo): Mede a coordenação motora fina e precisão. Equilíbrio (Equilíbrio em Três Pontos): Avalia a estabilidade postural.
Interpretação dos Resultados
Os resultados obtidos nos testes são comparados com tabelas de referência por idade e sexo, disponíveis no manual do PROESP-BR (GAYA, 2016). As categorias de classificação geralmente seguem os critérios:
Muito abaixo da média
• Abaixo da média
• Dentro da média
• Acima da média
• Muito acima da média
Essa classificação permite identificar alunos com baixa aptidão física (potenciais alvos de intervenções pedagógicas ou de saúde) e também alunos com alto desempenho motor (potencial para programas de iniciação esportiva).
Além disso, os dados coletados podem ser acompanhados longitudinalmente, possibilitando a análise do desenvolvimento físico ao longo dos anos escolares, e oferecendo aos professores de Educação Física uma ferramenta diagnóstica valiosa para a personalização das aulas e programas de atividade física.
Metodologia
4- METODOLOGIA
4.1- Sujeitos: A amostra será composta por 23 crianças que praticam a iniciação esportiva de voleibol com idades entre 7 á 12 anos de ambos os sexos do município de Nova Fátima PR.
4.2- Coleta de dados: A operacionalidade da coleta de dados da amostra deste estudo foi da seguinte forma: Inicialmente foi realizado um levantamento para identificação da quantidade de crianças que estavam iniciando a menos de um mês a iniciação esportiva, e as crianças que já participavam a mais de seis meses. Identificando a quantidade estabelecida foram aplicados alguns testes que avaliam o nível de aptidão física relacionada a saúde das crianças.
4.3- Antropometria: A massa corporal foi medida em uma balança digital, com escala de 0,1 kg, e a estatura mensurada através de uma fita métrica colocada na parede, com escala de 0,1 cm, de acordo com os procedimentos descritos por Gordon et al. (1998). O índice de massa corporal (IMC) foi determinado pelo quociente massa corporal/estatura2, sendo a massa corporal expressa em quilogramas (kg) e a estatura em metros (m). (Gordon et al., 1998).
4.4- Testes motores: Após a identificação das crianças seguiremos os padrões de avaliação propostos pela bateria de testes do (PROESP) sendo respectivamente; medidas de massa corporal, envergadura, banco de Wells; teste de abdominais em 1 minuto e corrida/caminhada de 6 minuto.
4.5- Teste de abdominal de um minuto: Material: Colchonetes e cronômetro. Orientação: O aluno avaliado se posiciona em decúbito dorsal (de barriga para cima) com os joelhos flexionados a 45º e com os braços cruzados sobre o tórax. O avaliador, com as mãos, segura os tornozelos do estudante fixando-os ao solo.
Ao sinal o aluno inicia os movimentos de flexão do tronco até tocar com os cotovelos nas coxas, retornando a posição inicial (não é necessário tocar com a cabeça no colchonete a cada execução). O aluno deverá realizar o maior número de repetições completas em 1 minuto. Anotação: O resultado é expresso pelo número de movimentos completos realizados em 1 minuto.
4.6- Teste de corrida/caminhada 6 minutos: Material: Local plano com marcação do perímetro da pista. Trena métrica. Cronômetro e ficha de registro.
Orientação: Divide-se os alunos em grupos adequados às dimensões da pista.
Informa-se aos alunos sobre a execução do teste dando ênfase ao fato de que devem correr o maior tempo possível, evitando piques de velocidade intercalados por longas caminhadas. Durante o teste, informa-se ao aluno a passagem do tempo 2, 4 e 5 (“Atenção: falta 1 minuto). Ao final do teste soará um sinal (apito) sendo que os alunos deverão interromper a corrida, permanecendo no lugar onde estavam (no momento do apito) até ser anotada ou sinalizada a distância percorrida. Anotação: As anotações são em metros sem casa decimal.
4.7- Teste de sentar e alcançar: Material: Banco de Wells e ficha de registro.
Orientação: O avaliado deve sentar-se no chão, com as pernas estendidas e os pés apoiados na parte frontal do Banco de Wells. A ponta dos pés deve estar tocando a caixa do banco e os joelhos devem estar estendidos. O avaliado coloca uma mão sobre a outra, com as palmas para baixo, e estende os braços à frente. O avaliado realiza uma flexão do tronco à frente, deslizando as mãos sobre a régua do banco. O movimento deve ser lento e controlado, sem movimentos de balanço ou flexão dos joelhos. Anotação: A maior distância alcançada em três tentativas é registrada, sendo importante verificar se os joelhos permaneceram estendidos durante todo o teste.
Resultados e Discussão
5- RESULTADOS
A Tabela 1 apresenta as características gerais dos participantes do estudo, de acordo com o sexo e idade.

Como podemos perceber a maioria dos atletas da iniciação esportiva do voleibol entre 7 e 12 anos são do sexo feminino, a maioria possui nove anos (7) seguidas de 10 anos (4), 11 anos (4) e 12 anos (4), apenas uma aluna possuía 7 anos.
A tabela 2 apresenta a classificação do Índice de massa muscular (IMC) de acordo com o sexo dos alunos.

A tabela 3 apresenta a classificação da relação cintura quadril (RCQ) de acordo com o sexo dos alunos.

A tabela 4 apresenta a classificação da relação do teste sentar e alcançar de acordo com o sexo dos alunos.

A tabela 5 apresenta a classificação da relação do teste de força-resistência abdominal de acordo com o sexo dos alunos.

A tabela 6 apresenta a classificação da relação do teste de resistência (6minutos) de acordo com o sexo dos alunos.

6- DISCUSSÃO
O presente trabalho teve como objetivo comparar os resultados obtidos na avaliação dos praticantes de voleibol, apresentados nas tabelas anteriores, com os dados descritos na literatura científica sobre aptidão física relacionada à saúde e ao desempenho esportivo.
Foram analisados dados de crianças de 7 a 12 anos, de ambos os sexos, avaliados por meio de testes padronizados pelo PROESP-BR, incluindo Índice de Massa Corporal (IMC), flexibilidade, resistência abdominal e corrida de seis minutos. A seguir, apresentam-se os principais achados em comparação com estudos já publicados.
No que se refere ao IMC, verificou-se prevalência de sobrepeso e obesidade em parte da amostra, especialmente a partir dos nove anos. Esses resultados são compatíveis com Moreira et al. (2017), que identificaram 27,3% de sobrepeso em adolescentes de 11 a 14 anos e 18,2% de obesidade em adolescentes de 15 a 16 anos. Costa et al. (2020) também evidenciam altos níveis de sedentarismo e aumento do IMC entre escolares. Esse cenário preocupa, pois demonstra que o excesso de peso aparece de forma precoce e está relacionado não apenas a fatores individuais, mas também sociais e familiares, como hábitos alimentares inadequados e comportamentos sedentários. Isso reforça a necessidade de estratégias preventivas, sobretudo no ambiente escolar, considerando que quanto mais cedo a condição se instala, maiores são as chances de se manter na vida adulta.
No componente flexibilidade, avaliado pelo teste de sentar e alcançar, a maioria dos avaliados apresentou classificação fraca ou razoável, resultado semelhante ao encontrado por Costa et al. (2020), que observaram baixo desempenho, especialmente entre meninas do 9º ano. A baixa flexibilidade é preocupante, pois pode comprometer a postura, a coordenação motora e aumentar o risco de lesões. Observa-se que esse componente recebe, culturalmente, menos atenção em comparação com força e resistência. No entanto, deveria ser mais valorizado durante a infância, período fundamental para o desenvolvimento da mobilidade articular e da consciência corporal.
Nos testes de resistência abdominal, houve predomínio de classificações fracas. Petroski et al. (2011, apud Costa et al., 2020) também verificaram que praticamente todos os avaliados apresentaram resultados abaixo do nível satisfatório. Esse achado aponta para fragilidades no fortalecimento da região do core, essencial tanto para o esporte quanto para atividades do cotidiano. Essa limitação pode estar associada ao sedentarismo, ao excesso de tempo em frente a telas e à falta de estímulo para exercícios específicos. Trata-se de um dado preocupante, pois a resistência abdominal está diretamente relacionada à saúde postural e à prevenção de dores lombares já na adolescência.
Por outro lado, a corrida de seis minutos apresentou resultados positivos em parte da amostra, com alguns participantes alcançando classificação muito boa. Esse achado confirma os resultados de Moreira et al. (2017), que observaram bom desempenho cardiorrespiratório em adolescentes praticantes de futsal. Isso demonstra que, quando estimuladas, as crianças podem alcançar bons níveis de resistência cardiorrespiratória. Nesse sentido, destaca-se a relevância da prática esportiva regular, como o voleibol, futsal e outras modalidades, para o desenvolvimento desse componente, além de indicar que atividades aeróbicas podem ser estratégicas para compensar déficits em força e flexibilidade.
De modo geral, os resultados obtidos refletem o panorama da aptidão física infantil e juvenil no Brasil: índices insuficientes em componentes importantes para a saúde, como força e composição corporal, com déficits mais acentuados em meninas e crianças mais velhas.
Conclusão
7 – CONCLUSÃO
O presente estudo analisou o perfil de praticantes de iniciação esportiva do voleibol, com idades entre 7 e 12 anos, no município de Nova Fátima – PR, avaliando seus níveis de aptidão física relacionada à saúde por meio de testes padronizados pelo PROESP-BR. Os resultados evidenciaram que, embora a prática esportiva proporcione benefícios, foram identificadas limitações importantes em componentes essenciais, como flexibilidade, força abdominal e composição corporal.
Observou-se prevalência significativa de sobrepeso e obesidade, reforçando a necessidade de intervenções precoces que aliem esporte, orientação nutricional e hábitos de vida mais ativos. Além disso, a baixa flexibilidade e a fraca resistência abdominal revelam carências que podem comprometer a saúde postural e o rendimento esportivo em longo prazo. Por outro lado, a resistência cardiorrespiratória apresentou resultados satisfatórios em parte da amostra, demonstrando que a prática esportiva regular contribui de maneira positiva para esse componente.
Conclui-se, portanto, que a iniciação esportiva no voleibol, quando bem planejada e orientada, apresenta potencial para favorecer a aptidão física infantil, mas deve ser complementada por estratégias que promovam o desenvolvimento equilibrado de todas as capacidades físicas. Ressalta-se também o papel do profissional de Educação Física como mediador do processo de ensino-aprendizagem, atuando de forma consciente, lúdica e educativa, evitando a especialização precoce e garantindo uma formação integral às crianças.
Por fim, recomenda-se que pesquisas futuras ampliem o número de participantes e comparem diferentes modalidades esportivas, a fim de compreender de forma mais abrangente a relação entre iniciação esportiva e aptidão física. Além disso, destaca-se a importância de políticas públicas e programas escolares que incentivem hábitos saudáveis desde a infância, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida e para a formação de uma geração mais ativa e saudável.
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Currículo do autor
