O PERFIL DE PRATICANTES DE INICIAÇÃO ESPORTIVA DO VOLEIBOL NOS NÍVEIS DE APTIDÃO FÍSICA RELACIONADA À SAÚDE 

THE PROFILE OF VOLLEYBALL INITIATION SPORT PRACTITIONERS IN  HEALTH-RELATED PHYSICAL FITNESS LEVELS 

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202510120813


Gabriel Maria
Orientador: Keila Aparecida de Lima


Resumo 

O estudo analisou o perfil de crianças e adolescentes de 7 a 12 anos, praticantes de  iniciação esportiva do voleibol, no município de Nova Fátima – PR, avaliando seus  níveis de aptidão física relacionada à saúde por meio dos testes padronizados do  PROESP-BR. Foram aplicados testes de índice de massa corporal (IMC), flexibilidade,  resistência abdominal e resistência cardiorrespiratória. Os resultados evidenciaram  prevalência significativa de sobrepeso e obesidade, baixos níveis de flexibilidade e  força abdominal, mas bom desempenho cardiorrespiratório em parte da amostra.  Conclui-se que a iniciação esportiva contribui positivamente para alguns  componentes da aptidão física, mas precisa ser complementada com estratégias  voltadas ao equilíbrio do desenvolvimento físico e prevenção do sedentarismo. 

Palavras-chave: Iniciação esportiva. Voleibol. Aptidão física. Saúde. Crianças. 

Introdução 

A sociedade contemporânea tem sido marcada pela crescente dependência da tecnologia, o  que contribui diretamente para o sedentarismo infantil. Segundo Costa et al. (2020, p. ), “a  tecnologia facilitando a comunicação, torna jovens a cada dia mais sedentários, deixando seu  corpo fraco, pois não há necessidade de muito esforço em utilizar equipamentos eletrônicos”.  É muito mais comum vermos crianças e adolescentes com o celular nas mãos conversando  por mensagens (PAIVA; COSTA, 2015), do que batendo papo em uma roda de amigos, ou  realizando a prática de alguma atividade física. Esse cenário compromete o desenvolvimento motor e a aptidão física de crianças e adolescentes, ou seja o aumento do comportamento  sedentário entre crianças e adolescentes, impulsionado pelo avanço tecnológico e pelas  mudanças no estilo de vida urbano, tem gerado impactos negativos no desenvolvimento das  habilidades motoras dessa população. Estudos apontam que o uso excessivo de tecnologias,  tem reduzido significativamente o tempo dedicado às atividades físicas, promovendo a  inatividade e, consequentemente, o sedentarismo (Costa, Gomes e Lavorato, 2020).

O sedentarismo na infância compromete diretamente o desenvolvimento das habilidades  motoras básicas, essenciais para a execução de movimentos mais complexos e para a  participação esportiva no futuro. A falta de estímulo motor adequado durante os primeiros  anos de vida prejudica a aquisição de capacidades fundamentais, como equilíbrio,  coordenação e força, dificultando o domínio de habilidades esportivas posteriormente (Paiva  e Costa, 2015; Gallahue e Ozmun, 2003 citados por Costa, Gomes e Lavorato, 2020). 

O retardo ao estímulo de movimentos na infância, acarreta malefícios ao seu  desenvolvimento na adolescência e até mesmo na sua vida adulta, que consequentemente  atrapalha o desenvolvimento das habilidades, principalmente no âmbito do esporte (PAIVA;  COSTA, 2015). 

O ambiente escolar tem um papel muito importante na tentativa de aumentar o nível de  atividade física entre crianças e adolescentes, (THOMAS H, 2009) mesmo que a quantidade  de aulas propriamente ditas não seja suficiente, visto que o recomendado pela Organização  Mundial de Saúde (OMS) para que as crianças de 5 a 17 anos sejam consideradas ativas  fisicamente ela precisa de sessenta minutos da prática de atividade física aeróbia de  intensidade moderada a vigorosa e pelo menos três dias na semana de atividades que  fortalecem os músculos e ossos (WHO, 2020) . Em particular, as aulas de Educação Física,  bem como a participação em equipes de esportes têm recebido maior atenção em relação ao  seu potencial em promover de maneira significativa um acréscimo no gasto energético diário  de crianças e jovens (THUNFORS; COLLINS E HANLON, 2009). 

Ainda de acordo com Thunfor; Collins e Hanlon 20009 de maneira geral, os programas de  atividades físicas extraclasse, como as escolinhas esportivas por exemplo, são sugeridos  como forma de amenizar as deficiências da Educação Física escolar em proporcionar  incrementos positivos na aptidão física relacionada à saúde. 

O estímulo da prática de atividade física sistematizada acarreta na melhora da aptidão física  desse indivíduo, independentemente da idade. Sendo assim, a criança que realiza uma prática  regular de atividade física consequentemente terá bons níveis de aptidão física relacionada à  saúde (COSTA, GOMES E LAVORATO, 2020) 

A aptidão física pode ser entendida como “uma condição em que o indivíduo possui energia  suficiente para realizar atividades do seu dia a dia sem apresentar sensação de cansaço ou  fadiga” (Guedes e Guedes, 1995, apud Moreira et al., 2017). Ela se divide em duas vertentes  principais, sendo elas a relacionada à saúde e a voltada ao desempenho esportivo. Ambas são  essenciais na formação integral do indivíduo. 

Segundo Bhome (2003), quando a atividade física é praticada com o objetivo de melhorar a  aptidão física, outro aspecto que será observado é uma melhora no nível de desempenho  esportivo na modalidade que optar em praticar. 

O desenvolvimento motor é essencial para a construção da aptidão física em crianças e  adolescentes, impactando diretamente suas capacidades físicas e esportivas. Segundo  Gallahue e Ozmun (2003), “a prática limitada ou ausente de atividade física pode ocasionar atrasos nas capacidades motoras, levando ao fracasso na execução de habilidades específicas  na fase motora especializada”. Ou seja, para que crianças e adolescentes possam desempenhar bem atividades físicas esportivas, é fundamental que desenvolvam  adequadamente suas habilidades motoras básicas desde a infância. Além disso, o contato  precoce com atividades físicas influencia positivamente o estado de saúde e o desempenho  físico no futuro. Como aponta Böhme (2003) 

A iniciação esportiva é entendida como o primeiro contato da criança com atividades físicas  sistematizadas, de caráter lúdico e educativo. Ela visa desenvolver habilidades motoras  fundamentais, como correr, saltar, arremessar e equilibrar-se, que são pré-requisitos para a  prática esportiva futura. De acordo com Böhme (2003), o esporte praticado de forma  educativa e participativa tem como objetivo principal o bem-estar dos praticantes,  promovendo a integração social e a saúde, em contraste com a visão exclusiva do esporte de  rendimento. Dessa maneira, a iniciação esportiva não deve visar apenas o desempenho, mas  principalmente o prazer e o desenvolvimento integral da criança. Programas de iniciação  bem estruturados fortalecem componentes importantes da saúde, como a resistência  cardiorrespiratória, a força muscular, a flexibilidade e a composição corporal.  

Diante desses fatos faz -se necessário investigar se a criança que está inserida na prática da  iniciação esportiva, nesse caso específico da modalidade do voleibol, possuem ou não um bom  nível de aptidão física relacionado à saúde como muitos estudos afirmam. 

A pesquisa tem como objetivo geral verificar o nível da aptidão física relacionada à  saúde em crianças de 7 a 12 anos no qual fazem parte da iniciação esportiva do voleibol no  municipio de Nova Fátima PR. Para seu alcance, os objetivos específicos englobam avaliar as  crianças que estão na prática esportiva do voleibol; aplicar testes do PROESP para avaliar a  aptidão física relacionada à saúde e ainda classificar os níveis de aptidão física de acordo com  os parâmetros do PROESP. 

Para o desenvolvimento do estudo foi desenvolvido em duas partes fundamentais, na  primeira foi realizada uma pesquisa bibliográfica, buscando fundamentar o tema “O perfil de  praticantes de iniciação esportiva do voleibol nos níveis de aptidão física relacionada à saúde”  a pesquisa teórica englobou os temas; Aptidão física relacionada à saúde; Desenvolvimento  motor em crianças; A iniciação esportiva; O profissional de educação física na iniciação  esportiva; PROESP, além disso, foram analisados artigos científicos; Nível de aptidão física  para o desempenho esportivo em participantes adolescentes do projeto esporte em ação,  Nível de aptidão física relacionada à saúde em crianças e adolescentes do 6º ao 9º ano de  escolas públicas da cidade de ubá e Relações entre aptidão física, esporte e treinamento  esportivo.

Fundamentação Teórica 

2 Aptidão Física relacionada à saúde 

Primeiramente quando se fala sobre aptidão física devemos saber sua definição e sua divisão  conceitual. Sendo que, a aptidão física pode ser definida como a capacidade de realizar tarefas  diárias com eficácia e com muita atenção, sem fadiga e com ampla energia para usufruir de  lazer e atividades para atender emergências inesperada. A atividade física é definida como  qualquer atividade produzida pelo corpo que resulte em um gasto de energia significativo, a  cima do nível de repouso. Já o exercício físico é uma atividade física estruturada e planejada  a fim de melhorar os componentes físicos (CASPERSEN; POWELL; CHRISTENSON, 1985). 

A aptidão física é dividida conceitualmente em aptidão física relacionada à saúde (AFRS) e a  aptidão física relacionada ao desempenho atlético (AFRD), porém, os componentes da AFRD  estão relacionados aos componentes da AFRS, pois necessitamos de manter todos em um  bom nível, assim cabe uma divisão para facilitar o entendimento (NAHAS, 2006). 

A AFRS é subdividida em quatro componentes: força/resistência muscular, flexibilidade,  composição corporal e resistência cardiorrespiratória, e cinco compõem a aptidão física  relacionada ao desempenho atlético: velocidade, potência, agilidade, coordenação e  equilíbrio (GUEDES; GUEDES, 2006). 

De acordo com Nahas (2006) a aptidão física é influenciada por diversos fatores, como a  prática regular de atividade física, principalmente o exercício físico, alimentação, fatores  genéticos e do estado geral de saúde. 

É importante entendermos os conceitos de cada componente da Aptidão Física relacionada à  saúde, que foi o objeto desse estudo: primeiramente falando da aptidão cardiorrespiratória  de acordo com Nahas (2006) a aptidão cardiorrespiratória é a capacidade do organismo como  um todo de resistir à fadiga em esforços de média e longa duração. Depende  fundamentalmente da captação e distribuição de oxigênio para os músculos em exercício,  envolvendo o sistema cardiovascular (coração e vasos sanguíneos) e respiratório (pulmões).  Essa variável é uma das mais importantes pois existem muitas evidências que indicam que  ter uma elevada capacidade cardiorrespiratória previne várias enfermidades crônicas  degenerativas, principalmente as cardiovasculares (BERGMANN et. All 2013). 

De acordo com (Bergmann, 2013) Além dos benefícios em curto prazo, de se possuir um bom  nível dessa variável, evidências sugerem que indivíduos jovens com aptidão  cardiorrespiratória mais alta devido a um estilo de vida ativo também podem apresentar  benefícios em longo prazo. Essas evidências passam a ter cada vez mais importância devido  aos resultados encontrados que indicam que a formação de placas de ateroma nas artérias  coronárias se inicia na infância e desta forma a prevenção também deve se iniciar nesta fase  da vida. 

Uma maneira simples e muito utilizada para se avaliar a capacidade cardiorrespiratória é o  teste de corrida/ caminhada 6 minutos. Esse teste avalia as respostas ao exercício de forma integrada e global por parte de todos os sistemas envolvidos na atividade física, ao exercício  de forma integrada e global por parte de todos os sistemas envolvidos na atividade física  circulação periférica e sistêmica, metabolismo muscular, aparelho cardiovascular, entre  outros. Porém não oferece informações específicas sobre cada sistema, mas atualmente é o  teste mais utilizado por sua praticidade (OKURO; SCHIVINSKI, 2013). 

Outro componente importante é a flexibilidade, que é a capacidade que um indivíduo possui  de executar de forma voluntária um movimento de amplitude angular máxima, por uma  articulação ou conjunto de articulações, dentro dos limites morfológicos, sem risco de  provocar lesão (DANTAS, 2005). 

A manutenção de bons níveis de flexibilidade nas principais articulações tem sido  comumente associada a: maior resistência a lesões; menor propensão quanto à incidência de  dores musculares, principalmente na região dorsal e lombar e a prevenção contra problemas  posturais. Já a falta dessa capacidade motora pode acarretar fadiga muscular precoce ou  alterar a biomecânica normal do movimento, predispondo o indivíduo a lesões, dificultando  ou impossibilitando a realização de determinadas tarefas (ACHOUR, 1996). 

De acordo com Gallahue e Ozmun (2003) a flexibilidade sofre mudanças e influência de  acordo com as fases do desenvolvimento humano, que para esse desenvolvimento tem  um ritmo desde sua concepção até a idade adulta. Esse ritmo não é ordenado, tendo fases em  que é acelerado e outras em que é extremamente lento. É importante destacar que esses  níveis de flexibilidade possuem a influência genética, porém esta pode sofrer estímulos  externos, como a alimentação e a prática de atividades físicas (GALLAHUE & OZMUN,  2003). A fase púbere tem grande influência, pois caracteriza-se, pelo fenômeno chamado  estirão do crescimento que para Haywood & Getchell (2004) inicia-se por volta dos 9 anos  nas meninas e 11 anos para os meninos, de acordo com Gallahue & Ozmun (2003) esse pico  de crescimento dura em média quatro anos e meio, continuando na adolescente, ao final  do pico, seu crescimento em ritmo bem mais lento. 

Segundo Achour 1999, a melhora dos níveis de flexibilidade contribui à manutenção da saúde  ao facilitar a execução das tarefas cotidianas, práticas desportivas, ao prevenir lesões. Atua  também na redução de encurtamentos músculo-tendíneos, prevenindo distúrbios posturais,  além de promover melhora da coordenação, diminuição da rigidez corporal, otimização das  capacidades físicas. Sendo assim crianças que realizam a prática regular de atividade física,  destacando as que participam de uma escolinha de iniciação, desenvolverá bons níveis de  flexibilidade, sendo assim diminuindo risco de lesões e melhorando a qualidade de seus  movimentos. 

Os testes utilizados a fim de adquirir informação sobre a flexibilidade geralmente incluem  medidas de distância entre dois pontos indicados pelo avaliado em objetos especificamente  construídos para essa finalidade, sendo o teste de sentar e alcançar o recurso mais utilizado  (GUEDES; GUEDES, 2006). Existem outros métodos para se avaliar a flexibilidade, tais como  o flexímetro, flexiteste e goniômetro

Outro componente da aptidão física relacionada à saúde é a composição corporal. A  composição corporal caracteriza-se por dois componentes: a gordura e a massa corporal  magra (músculos, ossos, vísceras etc.) e um dos métodos mais utilizados para definir a  porcentagem de gordura é a medida de dobras cutâneas (NAHAS,2006).  

Segundo Dumuid et al. 2019 em crianças o acúmulo de gordura corporal (obesidade)  apresenta forte associação com a redução da prática de atividade física. A avaliação da  composição corporal é utilizada para ter um controle sobre o estado de saúde de um  indivíduo, sobre o estado físico e também é utilizado para assessorar programas de  treinamento para atletas. 

Existem alguns métodos para se avaliar a composição corporal, um deles é através das dobras  cutâneas (Nahas, 2006), outro é através da pesagem hidrostática, existe também a absorção  do raio X de dupla energia (DEXA), tomografia computadorizada e a ressonância magnética  que quantificam a gordura localizada e a bioimpedância (REZENDE et al.2007). 

Outro método para monitorar a massa corporal é o IMC (Índice de massa Corporal), este  método possui a vantagem de ser simples e não precisar de uma experiência profunda do  avaliador, porém uma limitação desse método é que ele não é capaz e diferenciar o peso de  gordura e de massa corporal magra (GUEDES,1994). 

O outro componente da Aptidão Física relacionada à saúde é força/resistência muscular, que  é a capacidade que o músculo possui de realizar repetidas contrações sem baixar o  rendimento do trabalho realizado (NAHAS, 2006). 

Uma boa condição muscular disponibiliza maior capacidade para a execução de atividades  diárias e melhor desempenho nas atividades esportivas, ajuda a manter uma boa postura e  proporciona um menor risco de lesão. O trabalho intenso diário faz com que as pessoas  tenham uma boa resistência muscular (NAHAS, 2006). 

O desenvolvimento da força e da resistência muscular apresentam inúmeros benefícios  relacionados com a saúde, como por exemplo, o aumento da densidade óssea, do volume  muscular, da autoestima entre outros (NIEMAN, 1999). 

Segundo Guedes e Guedes (2006) testes que têm como objetivo medir a força muscular deve  ser realizado a partir de uma sobrecarga onde os indivíduos são capazes de realizarem  apenas uma repetição, exemplo teste de 1 RM, sendo que os exercícios que requerem  repetições com a sequência do mesmo movimento devem oferecer informações sobre  resistência muscular. 

Existem vários testes para medir a força e a resistência muscular, alguns utilizam materiais  sofisticados, porém podemos obter bons resultados com a utilização de testes comuns como  flexão de braço, abdominal, pressão manual, repetição máxima entre outros (NIEMAN, 1999).

3.2 DESENVOLVIMENTO MOTOR EM CRIANÇAS 

De acordo com Gerzson (2015) O desenvolvimento humano é um processo contínuo,  relacionado à idade, onde ocorre mudanças sequenciais e complexas. Nesse processo  adquire-se várias habilidades psicomotoras, que evoluem de movimentos simples e  desorganizados para habilidades altamente complexas. 

A infância é entendida como um período de grande importância para o desenvolvimento  motor, pois é nesta etapa que acontecem o desenvolvimento das habilidades motoras  fundamentais que constituem de base para o desenvolvimento das habilidades motoras  especializadas que a pessoa utilizará nas suas atividades cotidianas, de lazer ou esportivas  (GALLAHUE, 2005). 

Para investigar o desenvolvimento motor é necessário compreender e estabelecer o conceito  que será tomado como parâmetro, sendo assim o desenvolvimento motor é entendido como  o aspecto do comportamento motor e do controle motor que está diretamente relacionado  com os estudos das mudanças das transformações da performance motora durante os  diferentes momentos da evolução da vida do indivíduo (FERREIRA NETO, 2004). 

Durante o período de transição infância/adolescência o indivíduo passa por várias  modificações que ocorrem ao longo da vida, essas modificações se baseiam nas atividades  que o indivíduo conduz, se iniciando com as habilidades motoras fundamentais que aparecem  em uma ampla variedade de esportes, de jogos e de outras atividades, sendo estas  classificadas em estágio inicial, elementar e maduros (GALLAHUE, 2005). 

Segundo Fernandes et al.2017 sobre a situação mundial da infância, para 2030 a expectativa  é de que quase 120 milhões de crianças sofram atraso no crescimento, prejudicando seu  desenvolvimento físico e cognitivo, com algumas consequências irreversíveis.  

Sabendo que o processo de desenvolvimento ocorre de maneira dinâmica e é suscetível a ser  moldado a partir de inúmeros estímulos externos, é fundamental a identificação precoce de  crianças expostas a fatores de risco, assim como a avaliação de seu desenvolvimento, a fim de  minimizar prejuízos futuros (NEVES et al. 2016). 

As especificidades que acontecem no desenvolvimento motor são decorrentes de  características individuais (orgânicas, psicológicas, motivacionais, entre outras.) e também  do ambiente no qual o indivíduo está inserido. A oportunidade de prática estruturada e  instrução apropriada são fatores determinantes para que novas habilidades motoras sejam  adquiridas e, principalmente, refinadas ao longo do ciclo desenvolvimento, incluindo as  habilidades motoras fundamentais tais como correr, saltar, chutar, arremessar, receber, entre  outras, sendo assim, programas de atividade física e aulas de educação física, tem sido sugerida como um importante impacto no aprimoramento e melhora do desenvolvimento  motor (FERNANDES et al. 2017). 

O papel da diversidade de atividades esportivas relacionado ao desenvolvimento motor,  especificamente na fase fundamental dos movimentos, relaciona-se ao fato de que é nesse  período que essas habilidades podem alcançar um padrão próximo ao padrão maduro  observado nos adultos, dando essencialmente pela aquisição, estabilização e diversificação  de habilidades básicas. Nessa perspectiva, as práticas de atividades esportivas quando são  realizadas de forma sistematizadas, contribuem positivamente para o desenvolvimento  psicossocial e motor de crianças e jovens, alcançando então bons níveis de aptidão física  (TANI; BASSO; CORREA, 2012). 

3.3 A INICIAÇÃO ESPORTIVA 

Segundo Bohme (2003) A iniciação esportiva trata-se de um processo que tem por objetivo a  melhoria de determinado desempenho, seja este na área cognitiva, psicossocial ou motora;  para o alcance do objetivo almejado, utiliza-se, na maioria das vezes, o recurso da repetição  de determinada atividade, por meio do exercício. 

De acordo com Almeida (2005) a iniciação esportiva é o período em que a criança começa  a aprender de forma específica e planejada a prática esportiva, procurando uma  iniciação esportiva que contemple toda a complexidade humana, a entende como o  período em que a criança inicia a prática regular e orientada de uma ou mais modalidades  esportivas, e o objetivo imediato é dar continuidade ao seu desenvolvimento de forma  integral, não implicando em competições regulares. 

O Mesmo autor defende que a iniciação esportiva deve ser dividida em três estágios. O  primeiro deles, chamado de iniciação desportiva propriamente dita, ocorre entre oito e nove  anos. Nessa fase, o objetivo do treinamento é a aquisição de habilidades motoras e destrezas  específicas e globais, realizadas através de formas básicas de movimentos e de jogos pré desportivos. 

O segundo estágio ocorre entre 10 e 11 anos de idade, é chamada fase do aperfeiçoamento  desportivo, a criança já experimenta e participa plenamente de ações baseadas na cooperação  e colaboração. O objetivo dessa etapa é introduzir os elementos técnicos fundamentais,  táticas gerais e regras através de jogos educativos e contestes e atividades esportivas com  regras. 

O terceiro estágio ocorre entre 12 a 13 anos é chamado de introdução ao treinamento, alcança um significativo desenvolvimento da sua capacidade intelectual e física. Assim, o objetivo  dessa fase é o aperfeiçoamento das técnicas individuais, dos sistemas táticos, além da  aquisição das qualidades físicas necessárias para a prática do desporto.

Segundo Gallahue e Ozmun (2003), a iniciação esportiva deve estar pautada no  desenvolvimento motor, respeitando as fases da infância e da adolescência e promovendo a  aprendizagem de movimentos amplos antes das técnicas específicas. A prática precoce,  porém inadequada, pode comprometer esse processo, ocasionando déficits motores e até  desmotivação para a prática esportiva. 

A idade ideal para a iniciação esportiva varia conforme a modalidade e os objetivos da prática.  No entanto, estudos indicam que, entre 6 e 12 anos, o sistema nervoso central da criança se  encontra em elevada plasticidade, sendo o período mais adequado para a aprendizagem  motora ampla e variada (Gallahue & Ozmun, 2003; Böhme, 2003). 

O esporte e a aptidão física têm em comum o fato de se desenvolverem por meio de atividades  físicas; a realização do esporte se dá, principalmente, por atividades físicas denominadas  ações/atividades esportivas. Muitos indivíduos buscam a prática do esporte de acordo com  seus objetivos e um deles é a melhora do nível de aptidão física (BÖHME, 2003). 

Nessa perspectiva a iniciação esportiva estimula a autoestima, promovendo a esta criança  segurança e confiabilidade (SANTOS, 2021). Para Ramos e Neves (2008) contribui 19  pontuando que, além disso, “promove a disciplina e a persistência, fatores primordiais no  esporte”. 

No Brasil, programas como o PROESP-BR (Projeto Esporte Brasil) têm sido utilizados para  avaliar a aptidão física de crianças e adolescentes, oferecendo parâmetros importantes para  nortear a iniciação esportiva. 

3.4 O PROFISSIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA NA INICIAÇÃO ESPORTIVA 

Atualmente, o profissional da área da Educação Física pode optar entre os dois cursos:  Licenciatura ou Bacharelado. O profissional licenciado, conforme Rezer e Berticelli (2014), é  aquele que possui autorização para atuar no Ensino Infantil, Fundamental e Médio de escolas  públicas ou privadas como professor. Já o profissional egresso em bacharel, segundo os  mesmos autores, pode atuar nas mais variadas áreas de atividade física e esportiva, porém  não podendo atuar na Educação Básica.  

Durante a formação no Curso de Educação Física Bacharelado, o profissional da Educação  Física possui diversos componentes curriculares que potencializam o ensino, as técnicas, as  estratégias metodológicas de técnica e tática, o que o difere, por exemplo, de um técnico ex jogador ou técnicos profissionais que são especializados em treinamento com adultos.  (REZER E BERTICELLI 2014). 

No processo da busca pelo desenvolvimento das habilidades motrizes nos aprendizes nessas  etapas, os profissionais de Educação Física, tornam-se os principais, pois caberão a eles todos  os procedimentos a serem executados, no aspecto teórico e prático, visando à evolução e  maturação do corpo. Para tanto, o professor e/ou treinadores devem prioritariamente conhecer as condições físicas e psicológicas e também as transformações fisiológicas naturais  que ocorrem a cada fase de desenvolvimento da criança, adequando sempre o planejamento  e essas mudanças, a fim de evitar um problema sério, a “especialização precoce”, esta que por  sua vez poderá causar consequências irreversíveis e comprometedoras no desenvolvimento  físico, orgânico e emocional da criança (DUWE e NOVAES, 2003). 

De acordo com Pereira; Lupes e Gorski (2015) o profissional que conduz essas atividades tem  o poder de fazer com que a criança crie gosto pela prática esportiva e siga uma vida ativa no  esporte, ou que a criança crie uma aversão ao esporte, onde muitas vezes nunca mais terá  nenhum tipo de contato devido a prática inadequada do treinador. 

Ainda conforme os autores, o profissional precisa perceber qual a fase de desenvolvimento  motor e cognitivo das crianças, para planejar seu trabalho de forma interessante e  motivadora baseado em atitudes lúdicas, recreativas que tragam prazer à prática das  crianças, porém que vissem ampliar o repertório motor e a pluralidade de movimentos,  oferecendo um grande número de oportunidade de desenvolvimento para as mais variadas  formas de habilidades que possam ser utilizados em diversos esportes. 

Duwe e Novaes (2003 afirmam que o profissional da Educação Física pode proporcionar o  prazer pelo esporte, pois conhece estratégias motivacionais que levam o aluno a praticar as  modalidades esportivas. Condutas do professor, como respeitar o processo de ensino aprendizagem, evolução de conhecimento e técnicas, bem como, ser carismático, incentivar o  trabalho em grupo, podem incentivar extrinsecamente os alunos a começarem ou  continuarem alguma modalidade esportiva. Dessa maneira, o professor de Educação Física  necessita ser um mediador com um gama de conhecimento diversificados, a fim de manter,  com o aluno, uma conversa não apenas de caráter esportivo, mas, também, sociocultural, a  fim de, enriquecer seu papel de motivador. 

Conclui-se, portanto, que o profissional de Educação Física exerce um papel decisivo na  iniciação esportiva na infância. Sua atuação influencia diretamente o desenvolvimento motor,  a saúde e o bem-estar da criança, bem como a relação desta com a prática esportiva ao longo  da vida. O sucesso da iniciação depende, entre outros fatores, da competência técnica,  sensibilidade pedagógica e compromisso ético desse profissional. 

3.5 PROESP 

O Projeto Esporte Brasil (PROESP-BR) é uma iniciativa do Grupo de Pesquisa em Cineantropometria e Desempenho Humano (GCODH) da Universidade Federal do Rio Grande  do Sul (UFRGS), criado com o objetivo de fornecer subsídios científicos para a avaliação da  aptidão física relacionada à saúde e ao desempenho esportivo de crianças e adolescentes  brasileiros. O PROESP-BR tem como propósito principal avaliar, monitorar e diagnosticar a  aptidão física da população escolar brasileira, contribuindo para a construção de políticas  públicas de promoção à saúde e ao esporte. Para isso, propõe um conjunto padronizado de testes físicos, que permitem aferir o nível de aptidão física dos estudantes, possibilitando  também o acompanhamento longitudinal do desenvolvimento motor e físico. 

A aplicação do PROESP-BR ocorre, em geral, em ambientes escolares, conduzida por  professores de Educação Física ou profissionais capacitados. O protocolo é composto por  testes de aptidão física relacionada à saúde (como flexibilidade, resistência muscular, força,  velocidade e capacidade aeróbica) e testes de desempenho motor (como agilidade, salto  horizontal, corrida de 20 metros e teste de sentar e alcançar). Além dos testes físicos, o  protocolo pode incluir medições antropométricas, como peso, estatura e circunferência da  cintura. O banco de dados do PROESP-BR é alimentado por escolas e instituições de todo o  país que aplicam os testes e enviam os resultados ao sistema. Dessa forma, o projeto tem  caráter epidemiológico, permitindo a análise da condição física de diferentes faixas etárias e  regiões do Brasil. Essa abordagem colabora com a construção de normas de referência e  oferece suporte à elaboração de intervenções educativas e programas de atividade física na  escola. Portanto, o PROESP-BR se apresenta como uma ferramenta valiosa tanto para a  pesquisa científica quanto para a prática pedagógica na Educação Física escolar, promovendo  a valorização da aptidão física como um componente essencial da saúde e do  desenvolvimento integral de crianças e adolescentes. 

O protocolo do PROESP-BR é composto por um conjunto de testes físicos e antropométricos  que avaliam a aptidão física relacionada à saúde e ao desempenho motor de crianças e  adolescentes. Os testes são padronizados, de fácil aplicação, e podem ser realizados em  ambiente escolar com o mínimo de equipamentos. 

Testes de Aptidão Física Relacionada à Saúde; Esses testes têm como foco principal os  componentes da aptidão física que impactam diretamente na prevenção de doenças e na  promoção da saúde. Os principais testes são: 

IMC (Índice de Massa Corporal): Calculado a partir do peso e da estatura. Serve como  indicador do estado nutricional. 

Circunferência da Cintura (CC): Indicador de risco metabólico e obesidade central. 

Teste de Flexibilidade (Sentar e Alcançar): Mede a flexibilidade dos músculos posteriores da  coxa e da região lombar. 

Força de Membros Superiores (Flexão de Braço): Avalia a força e resistência muscular dos  braços e ombros. 

Força de Membros Inferiores (Salto Horizontal): Mede a potência muscular das pernas. 

Resistência Cardiorrespiratória (Teste de Corrida/Caminhada de 6 minutos ou Corrida de 9  minutos): Avalia a capacidade aeróbica. 

Testes de Desempenho Motor

Focados no desempenho esportivo e desenvolvimento motor, esses testes ajudam a  identificar talentos esportivos e orientar intervenções: 

Agilidade (Teste de Vai-e-Vem ou Quadrado): Mede a velocidade de mudança de direção. Velocidade (Corrida de 20 metros): Avalia a rapidez de deslocamento em curta distância. Coordenação (Lançamento de Bola ao Alvo): Mede a coordenação motora fina e precisão. Equilíbrio (Equilíbrio em Três Pontos): Avalia a estabilidade postural. 

Interpretação dos Resultados 

Os resultados obtidos nos testes são comparados com tabelas de referência por idade e sexo,  disponíveis no manual do PROESP-BR (GAYA, 2016). As categorias de classificação  geralmente seguem os critérios: 

Muito abaixo da média 

• Abaixo da média 

• Dentro da média 

• Acima da média 

• Muito acima da média 

Essa classificação permite identificar alunos com baixa aptidão física (potenciais alvos de  intervenções pedagógicas ou de saúde) e também alunos com alto desempenho motor  (potencial para programas de iniciação esportiva). 

Além disso, os dados coletados podem ser acompanhados longitudinalmente, possibilitando  a análise do desenvolvimento físico ao longo dos anos escolares, e oferecendo aos professores  de Educação Física uma ferramenta diagnóstica valiosa para a personalização das aulas e  programas de atividade física. 

Metodologia 

4- METODOLOGIA 

4.1- Sujeitos: A amostra será composta por 23 crianças que praticam a iniciação esportiva de  voleibol com idades entre 7 á 12 anos de ambos os sexos do município de Nova Fátima PR.  

4.2- Coleta de dados: A operacionalidade da coleta de dados da amostra deste  estudo foi da seguinte forma: Inicialmente foi realizado um levantamento para identificação  da quantidade de crianças que estavam iniciando a menos de um mês a iniciação esportiva, e as crianças que já participavam a mais de seis meses. Identificando a quantidade estabelecida  foram aplicados alguns testes que avaliam o nível de aptidão física relacionada a saúde das  crianças.  

4.3- Antropometria: A massa corporal foi medida em uma balança digital, com escala de 0,1  kg, e a estatura mensurada através de uma fita  métrica colocada na parede, com escala de 0,1 cm, de acordo com os procedimentos descritos  por Gordon et al. (1998). O índice de massa corporal  (IMC) foi determinado pelo quociente massa corporal/estatura2, sendo a massa  corporal expressa em quilogramas (kg) e a estatura em metros (m). (Gordon et al., 1998).  

4.4- Testes motores: Após a identificação das crianças seguiremos os padrões  de avaliação propostos pela bateria de testes do (PROESP) sendo respectivamente; medidas  de massa corporal, envergadura, banco de Wells; teste de abdominais em 1 minuto e  corrida/caminhada de 6 minuto. 

4.5- Teste de abdominal de um minuto: Material: Colchonetes e cronômetro.  Orientação: O aluno avaliado se posiciona em decúbito dorsal (de barriga para  cima) com os joelhos flexionados a 45º e com os braços cruzados sobre o tórax.  O avaliador, com as mãos, segura os tornozelos do estudante fixando-os ao solo.  

Ao sinal o aluno inicia os movimentos de flexão do tronco até tocar com os cotovelos nas  coxas, retornando a posição inicial (não é necessário tocar com a  cabeça no colchonete a cada execução). O aluno deverá realizar o maior número  de repetições completas em 1 minuto. Anotação: O resultado é expresso pelo  número de movimentos completos realizados em 1 minuto. 

4.6- Teste de corrida/caminhada 6 minutos: Material: Local plano com marcação do  perímetro da pista. Trena métrica. Cronômetro e ficha de registro.  

Orientação: Divide-se os alunos em grupos adequados às dimensões da pista. 

Informa-se aos alunos sobre a execução do teste dando ênfase ao fato de que  devem correr o maior tempo possível, evitando piques de velocidade intercalados por longas  caminhadas. Durante o teste, informa-se ao aluno a  passagem do tempo 2, 4 e 5 (“Atenção: falta 1 minuto). Ao final do teste soará  um sinal (apito) sendo que os alunos deverão interromper a corrida, permanecendo no lugar  onde estavam (no momento do apito) até ser anotada  ou sinalizada a distância percorrida. Anotação: As anotações são em metros sem  casa decimal.  

4.7- Teste de sentar e alcançar: Material: Banco de Wells e ficha de registro. 

Orientação: O avaliado deve sentar-se no chão, com as pernas estendidas e os pés apoiados  na parte frontal do Banco de Wells. A ponta dos pés deve estar tocando a caixa do banco e os  joelhos devem estar estendidos. O avaliado coloca uma mão sobre a outra, com as palmas  para baixo, e estende os braços à frente. O avaliado realiza uma flexão do tronco à frente,  deslizando as mãos sobre a régua do banco. O movimento deve ser lento e controlado, sem  movimentos de balanço ou flexão dos joelhos. Anotação: A maior distância alcançada em três  tentativas é registrada, sendo importante verificar se os joelhos permaneceram estendidos  durante todo o teste.

Resultados e Discussão 

5- RESULTADOS 

A Tabela 1 apresenta as características gerais dos participantes do estudo, de acordo com o  sexo e idade. 

Como podemos perceber a maioria dos atletas da iniciação esportiva do voleibol entre 7 e 12  anos são do sexo feminino, a maioria possui nove anos (7) seguidas de 10 anos (4), 11 anos  (4) e 12 anos (4), apenas uma aluna possuía 7 anos. 

A tabela 2 apresenta a classificação do Índice de massa muscular (IMC) de acordo com o sexo  dos alunos. 

A tabela 3 apresenta a classificação da relação cintura quadril (RCQ) de acordo com o sexo  dos alunos. 

A tabela 4 apresenta a classificação da relação do teste sentar e alcançar de acordo com o sexo  dos alunos.

A tabela 5 apresenta a classificação da relação do teste de força-resistência abdominal de  acordo com o sexo dos alunos. 

A tabela 6 apresenta a classificação da relação do teste de resistência (6minutos) de acordo  com o sexo dos alunos. 

6- DISCUSSÃO 

O presente trabalho teve como objetivo comparar os resultados obtidos na avaliação dos  praticantes de voleibol, apresentados nas tabelas anteriores, com os dados descritos na  literatura científica sobre aptidão física relacionada à saúde e ao desempenho esportivo. 

Foram analisados dados de crianças de 7 a 12 anos, de ambos os sexos, avaliados por meio de  testes padronizados pelo PROESP-BR, incluindo Índice de Massa Corporal (IMC),  flexibilidade, resistência abdominal e corrida de seis minutos. A seguir, apresentam-se os  principais achados em comparação com estudos já publicados. 

No que se refere ao IMC, verificou-se prevalência de sobrepeso e obesidade em parte da  amostra, especialmente a partir dos nove anos. Esses resultados são compatíveis com  Moreira et al. (2017), que identificaram 27,3% de sobrepeso em adolescentes de 11 a 14 anos  e 18,2% de obesidade em adolescentes de 15 a 16 anos. Costa et al. (2020) também  evidenciam altos níveis de sedentarismo e aumento do IMC entre escolares. Esse cenário  preocupa, pois demonstra que o excesso de peso aparece de forma precoce e está relacionado  não apenas a fatores individuais, mas também sociais e familiares, como hábitos alimentares  inadequados e comportamentos sedentários. Isso reforça a necessidade de estratégias  preventivas, sobretudo no ambiente escolar, considerando que quanto mais cedo a condição  se instala, maiores são as chances de se manter na vida adulta. 

No componente flexibilidade, avaliado pelo teste de sentar e alcançar, a maioria dos avaliados  apresentou classificação fraca ou razoável, resultado semelhante ao encontrado por Costa et  al. (2020), que observaram baixo desempenho, especialmente entre meninas do 9º ano. A  baixa flexibilidade é preocupante, pois pode comprometer a postura, a coordenação motora  e aumentar o risco de lesões. Observa-se que esse componente recebe, culturalmente, menos  atenção em comparação com força e resistência. No entanto, deveria ser mais valorizado durante a infância, período fundamental para o desenvolvimento da mobilidade articular e  da consciência corporal. 

Nos testes de resistência abdominal, houve predomínio de classificações fracas. Petroski et  al. (2011, apud Costa et al., 2020) também verificaram que praticamente todos os avaliados  apresentaram resultados abaixo do nível satisfatório. Esse achado aponta para fragilidades  no fortalecimento da região do core, essencial tanto para o esporte quanto para atividades do  cotidiano. Essa limitação pode estar associada ao sedentarismo, ao excesso de tempo em  frente a telas e à falta de estímulo para exercícios específicos. Trata-se de um dado  preocupante, pois a resistência abdominal está diretamente relacionada à saúde postural e à  prevenção de dores lombares já na adolescência. 

Por outro lado, a corrida de seis minutos apresentou resultados positivos em parte da  amostra, com alguns participantes alcançando classificação muito boa. Esse achado confirma  os resultados de Moreira et al. (2017), que observaram bom desempenho cardiorrespiratório  em adolescentes praticantes de futsal. Isso demonstra que, quando estimuladas, as crianças  podem alcançar bons níveis de resistência cardiorrespiratória. Nesse sentido, destaca-se a  relevância da prática esportiva regular, como o voleibol, futsal e outras modalidades, para o  desenvolvimento desse componente, além de indicar que atividades aeróbicas podem ser  estratégicas para compensar déficits em força e flexibilidade. 

De modo geral, os resultados obtidos refletem o panorama da aptidão física infantil e juvenil  no Brasil: índices insuficientes em componentes importantes para a saúde, como força e  composição corporal, com déficits mais acentuados em meninas e crianças mais velhas. 

Conclusão 

7 – CONCLUSÃO 

O presente estudo analisou o perfil de praticantes de iniciação esportiva do voleibol, com  idades entre 7 e 12 anos, no município de Nova Fátima – PR, avaliando seus níveis de aptidão  física relacionada à saúde por meio de testes padronizados pelo PROESP-BR. Os resultados  evidenciaram que, embora a prática esportiva proporcione benefícios, foram identificadas  limitações importantes em componentes essenciais, como flexibilidade, força abdominal e  composição corporal. 

Observou-se prevalência significativa de sobrepeso e obesidade, reforçando a necessidade de  intervenções precoces que aliem esporte, orientação nutricional e hábitos de vida mais ativos.  Além disso, a baixa flexibilidade e a fraca resistência abdominal revelam carências que podem  comprometer a saúde postural e o rendimento esportivo em longo prazo. Por outro lado, a  resistência cardiorrespiratória apresentou resultados satisfatórios em parte da amostra,  demonstrando que a prática esportiva regular contribui de maneira positiva para esse  componente.

Conclui-se, portanto, que a iniciação esportiva no voleibol, quando bem planejada e  orientada, apresenta potencial para favorecer a aptidão física infantil, mas deve ser  complementada por estratégias que promovam o desenvolvimento equilibrado de todas as  capacidades físicas. Ressalta-se também o papel do profissional de Educação Física como  mediador do processo de ensino-aprendizagem, atuando de forma consciente, lúdica e  educativa, evitando a especialização precoce e garantindo uma formação integral às crianças. 

Por fim, recomenda-se que pesquisas futuras ampliem o número de participantes e  comparem diferentes modalidades esportivas, a fim de compreender de forma mais  abrangente a relação entre iniciação esportiva e aptidão física. Além disso, destaca-se a  importância de políticas públicas e programas escolares que incentivem hábitos saudáveis  desde a infância, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida e para a formação de uma  geração mais ativa e saudável.

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Currículo do autor