REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202509181125
Ana Luiza Cunha Fernandes
Kerolainy Alves Santos
Orientador: Guilherme Victor Silva Machado
RESUMO
O agronegócio é um dos pilares da economia brasileira, responsável por significativa participação no Produto Interno Bruto (PIB) e na geração de empregos. Com o advento da pandemia de COVID-19, o setor enfrentou desafios inéditos, como interrupções nas cadeias de suprimentos, aumento dos custos logísticos, escassez de insumos e restrições sanitárias que afetaram a produção e a comercialização de produtos. Apesar desse cenário adverso, o agronegócio demonstrou capacidade de adaptação e resiliência diante da crise sanitária. O objetivo foi analisar o impacto da pandemia sobre o agronegócio brasileiro, considerando as dificuldades impostas e as estratégias adotadas para mitigar os efeitos da crise. A pesquisa foi desenvolvida com base em revisão bibliográfica, utilizando dados de estudos e relatórios publicados entre 2020 e 2023. Os resultados apontam que, mesmo diante das limitações logísticas e operacionais, o setor manteve o desempenho positivo nas exportações, ampliou a mecanização e buscou novos mercados consumidores. Além disso, destacou-se o papel do agronegócio na balança comercial brasileira e sua contribuição para a estabilidade econômica no período pandêmico. Conclui-se que a atuação estratégica, o uso da tecnologia e a forte inserção internacional foram determinantes para que o agronegócio não apenas resistisse à crise, mas também se consolidasse como setor essencial para o enfrentamento dos impactos econômicos da pandemia no Brasil.
Palavras-chaves: Pandemia; Exportação; Comércio.
1. INTRODUÇÃO
O agronegócio, como um dos pilares da economia nacional, apresentou oscilações significativas durante o período pandêmico, especialmente no que diz respeito à logística, produção e comércio exterior. O fechamento de fronteiras, a escassez de mão de obra, a elevação nos custos de produção e transporte, bem como as restrições sanitárias, impuseram grandes desafios às cadeias produtivas e à comercialização internacional de produtos agroindustriais.
Durante o auge da pandemia, a desorganização das cadeias de suprimentos, a redução da capacidade produtiva e os aumentos nos preços de insumos afetaram diretamente o abastecimento interno e externo, impactando inclusive o acesso a itens básicos da cesta alimentar. Tais dificuldades, no entanto, foram enfrentadas por meio de estratégias adaptativas do setor, que permitiram não apenas a manutenção das exportações, mas também a consolidação do Brasil como um dos maiores exportadores de commodities agrícolas, como a carne bovina.
A importância deste estudo reside na necessidade de compreender como o agronegócio brasileiro respondeu às adversidades impostas por uma crise sanitária global, identificando suas estratégias de resiliência e os efeitos econômicos dessa atuação. Diante disso, o presente estudo tem como objetivo analisar o desempenho do agronegócio brasileiro durante a pandemia de COVID-19, com ênfase em sua contribuição para a economia nacional, especialmente para o PIB e a balança comercial.
Os objetivos específicos incluem descrever as mudanças nas cadeias de suprimentos e na logística do agronegócio antes e depois da pandemia; listar e analisar as principais dificuldades enfrentadas para a exportação no período pós-pandêmico; compreender as estratégias adotadas pelo setor para superar os desafios impostos pela crise sanitária; e comparar os cenários do agronegócio no período pré e pós-pandemia, identificando as principais modificações e adaptações.
A pesquisa se fundamenta em uma abordagem qualitativa e descritiva, com base em revisão bibliográfica de estudos e relatórios publicados entre os anos de 2020 e 2023, que abordam o comportamento do agronegócio no contexto pandêmico. O trabalho está estruturado em três seções principais, além desta introdução e das considerações finais: a primeira trata do contexto pré-pandêmico do agronegócio brasileiro; a segunda discute os impactos diretos e indiretos da pandemia; e a terceira analisa as estratégias de recuperação adotadas pelo setor. Com isso, pretende-se contribuir para o entendimento do papel do agronegócio no enfrentamento de crises sanitárias e econômicas.
2. O AGRONEGÓCIO NO BRASIL E SEUS DESAFIOS
O agronegócio pode ser definido como um conjunto de atividades econômicas relacionadas à produção, processamento e comercialização de produtos agrícolas e pecuários. O Brasil é reconhecido mundialmente como um dos maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo, com isso o agronegócio tem sido o setor econômico que mais contribui com o PIB(Produto Interno Bruto) Brasileiro, tendo importância significativa na economia do país. Nos últimos anos, o setor agropecuário foi muito importante no crescimento da economia do país.
Alguns produtos se destacam por ser de extrema relevância no mercado internacional, contribuindo com uma balança comercial favorável. “O Brasil lidera as vendas externas de soja, carne bovina, frango, café, açúcar e suco de laranja. Em 2019, 43% das exportações brasileiras foram provenientes do agronegócio, evidenciando sua importância para o equilíbrio econômico nacional” (Silva; Rodrigues; Yamashita, 2021).
Figura 1 – Brasil: exportações do agronegócio por produtos – principais cadeias agroindustriais em valores correntes (US$ bilhões).

Fonte: Insper Agro Global, 2025.
Ao analisar o gráfico pode se ver que o agronegócio brasileiro teve um grande salto nas exportações entre 2000 e 2024.
Pode-se ver em destaque a soja que aparece como principal produto exportado, e logo em seguida pelas carnes e pelo açúcar. É notório que ao longo dos anos outros setores também foram liderando e tendo um grande papel de importância no agronegócio, o que reforça a força e diversidade na economia do nosso país.
O agronegócio brasileiro, diante da importância para a economia nacional que teve um avanço grande nas exportações, enfrenta diversos desafios no setor agrícola que precisaram ser adaptados para garantir a sua contribuição e fortalecimento. Entre os principais obstáculos estão problemas na logística, com a infraestrutura precária no transporte de estradas, portos e ferrovias, que dificultam a produção. Além disso, fatores climáticos, como tempestade, secas e enchentes, impactam diretamente as safras e custo com frete.
Outro ponto importante é conseguir atender as necessidades de exigências na sustentabilidade e ambientais, tanto no mercado interno quanto internacional. A busca por práticas agrícolas mais responsáveis na demanda, adaptações e investimentos constantes por parte dos produtores. Por fim, os preços internacionais e as oscilações cambiais também representam riscos, prejudicando a competitividade para o agronegócio brasileiro, afetando os produtos importados do exterior.
2.1 IMPACTOS DA PANDEMIA NO COMÉRCIO INTERNACIONAL
Para conter a propagação do (COVID-19) os países em sua grande maioria passaram por um período rigoroso de quarentena e isolamento social, o que causou danos severos em vários segmentos de mercado e na economia, em relação às exportações e importações de produtos agropecuários não foi diferente, diversas parcerias comerciais foram interrompidas e fronteiras foram fechadas diante dessa situação.
Apesar de várias medidas sanitárias colocadas em prática o vírus se espalhou rapidamente, “em março de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a pandemia do Coronavírus (SARS-CoV-2), levando à adoção de medidas restritivas que impactaram diversos setores econômicos globalmente, incluindo o agronegócio” (Machado; Malagolli, 2021).
A pandemia provocou diversas transformações no comércio internacional, empresas de vários segmentos que se apresentavam no mercado de exportações e importações tiveram suas operações comprometidas devido ao fechamento de fronteiras e restrições logísticas. “A Organização Mundial do Comércio (OMC) estimou que a pandemia poderia reduzir o fluxo comercial global entre 13% e 32%, dependendo da gravidade do cenário” (Machado; Malagolli, 2021).
Em alguns setores da economia o impacto da pandemia foi maior em relação a outros, algumas indústrias tiveram que encerrar suas atividades por completo devido às medidas de isolamento, o comércio também sofreu muito naquele momento, no entanto empresas de tecnologias e do mercado digital se saíram melhor.
2.2 LOGÍSTICA E CADEIAS DE SUPRIMENTO NO AGRONEGÓCIO
Segundo o KUMAR (2020) e Shokrani (2020), com o surto da Covid 19, os governos estavam sendo pressionados a tomarem medidas de isolamento consequentemente isso tornou-se preocupações no comércio e na cadeia de suprimento como no atraso de entregas entre-as compras de mercadorias que afetou diretamente nas exportações.
Contudo, a pandemia causou instabilidade na oferta e demanda diante das operações equilibrando eficiência e redução de custos. Muitas empresas tentaram reestruturar suas cadeias de suprimentos e reduzindo a dependência da China muitas empresas começaram a mudar suas estratégias de logística buscando novos fornecedores e direcionando os custos operacionais (Sheffi, 2020). Neste período, a pandemia diante da cadeia de suprimentos a demanda aumentou e a oferta não foi capaz de sustentar a crise sanitária com a alta procura de proteção contra o vírus e gerando falta de certos produtos, como máscaras e álcool em gel interrupções na produção por causa dos colaboradores infectados falta de matéria-prima (Ivanov, 2020; Rowan; Laffey, 2020).
O sistema de logística é a maneira fundamental de interrupções e recuperação durante a pandemia, itens de alimentos, medicamentos, equipamentos de respiração (Chol, 2020). Diante da economia foi o segundo susto com efeitos da pandemia sobre a cadeia de suprimentos global.
3. IMPACTOS DA PANDEMIA NO AGRONEGÓCIO
A pandemia da Covid-19, gerou efeitos severos em diversos setores da economia mundial, inclusive no agronegócio. As medidas restritivas adotadas para conter a propagação do vírus, como lockdowns e quarentenas, afetaram cadeias produtivas e logísticas, trazendo incertezas e desafios tanto para o comércio nacional quanto internacional (Machado; Malagolli, 2021).
No setor agrícola, um dos principais impactos foi o aumento expressivo nos custos de produção, que resultou em inflação agrícola e elevação nos preços dos produtos. Esse cenário foi agravado pela indisponibilidade de insumos, como fertilizantes e defensivos agrícolas, cuja oferta foi afetada por restrições logísticas e pela limitação da circulação de pessoas e mercadorias (Leal; Duarte; Duarte, 2022).
Além disso, houve uma acentuada dificuldade na obtenção de mão-de-obra qualificada para as atividades no campo, em razão do distanciamento social e das medidas de quarentena impostas por diversos governos. Como resposta, muitos produtores passaram a adotar a mecanização e a automação das lavouras, utilizando tratores e equipamentos inteligentes que permitissem otimizar o uso de insumos e reduzir a dependência de trabalhadores (Tamarindo; Pires, 2021).
Apesar dos impactos negativos, o agronegócio brasileiro apresentou resiliência. Em um contexto global de retração econômica, o Brasil se consolidou como fornecedor estratégico de alimentos, respondendo por grande parte das exportações de produtos como soja, carne e açúcar. Estima-se que, em 2022, o país tenha alimentado cerca de 1 bilhão de pessoas no mundo, segundo a FAO (Morais, 2022).
Estudos nacionais e internacionais, realizados em países como Gana, Indonésia, Estados Unidos, Canadá e regiões brasileiras como o Triângulo Mineiro e o Alto Paranaíba — indicam que o setor agrícola foi um dos mais impactados, ao lado do setor de saúde, durante a pandemia (Tamarindo; Pires, 2021; Silva, M.; Silva R., 2020).
3.1 INTERRUPÇÃO NAS CADEIAS DE SUPRIMENTO E CUSTOS LOGÍSTICOS
A pandemia da Covid-19 provocou sérias rupturas nas cadeias globais de suprimento, afetando diretamente a logística de distribuição de insumos e produtos agrícolas. Medidas de contenção da disseminação do vírus, como o fechamento de fronteiras, restrições à circulação de cargas e pessoas, além da diminuição da oferta de transporte terrestre, aéreo e marítimo, dificultaram significativamente o fluxo regular de mercadorias (Lima, 2021).
No agronegócio, esse cenário levou à escassez de insumos essenciais, como fertilizantes, sementes, defensivos agrícolas e máquinas. A restrição ao transporte e a elevação do dólar pressionaram os custos de importação desses produtos, contribuindo para o aumento geral dos custos logísticos e de produção. Com a cadeia logística comprometida, produtores passaram a enfrentar atrasos nas entregas, imprevisto no abastecimento e dificuldades para planejar suas safras de forma eficiente (Leal; Duarte; Duarte, 2022).
Além disso, a falta de contêineres disponíveis para transporte internacional e o aumento do valor dos fretes agravaram ainda mais a situação. O custo logístico passou a representar uma parcela ainda maior no preço final dos produtos, encarecendo tanto os insumos quanto os produtos acabados. Essa realidade impactou pequenos e médios produtores de forma mais acentuada, devido à sua menor capacidade de negociação e absorção de custos adicionais (Anjos; Gabriel; Silva, 2022).
Em resposta a esses desafios, observou-se a necessidade de reestruturação das cadeias produtivas, com foco na regionalização da produção, diversificação de fornecedores e investimento em tecnologias de aplicação e automação logística (Fernandes; Azevedo, 2022). A pandemia evidenciou a importância de sistemas logísticos mais resilientes e adaptáveis, capazes de mitigar impactos causados por eventos de grande escala.
3.2 MUDANÇA NA DEMANDA E BARREIRAS COMERCIAIS
Durante os primeiros meses da pandemia de Covid-19, observou-se uma significativa alteração no padrão de consumo global de alimentos. Muitos países passaram a intensificar a aquisição de alimentos básicos e de longa duração, com o objetivo de garantir o abastecimento interno diante da incerteza gerada pela crise sanitária. Esse comportamento provocou um aumento momentâneo da demanda por produtos estocáveis, como arroz, feijão, trigo e enlatados (Andrade et al., 2022).
Em sentido oposto, os produtos destinados com grande demanda ao consumo fora do domicílio enfrentaram uma acentuada queda na procura. Itens como carnes nobres, frutas frescas e flores foram afetados diretamente pela redução das atividades em restaurantes, hotéis e eventos, além da diminuição do comércio internacional. Essa retração afetou, sobretudo, setores do agronegócio voltados à exportação para mercados mais exigentes em termos de qualidade e logística (Malta et al., 2021).
Paralelamente a essas transformações na demanda, surgiram ou se intensificaram diversas barreiras comerciais. Muitos governos adotaram políticas de proteção ao mercado interno, impondo restrições à exportação de alimentos e ampliando os critérios sanitários exigidos para a circulação internacional de mercadorias. Essas medidas tinham como principal objetivo assegurar o abastecimento nacional e preservar a saúde pública, mas acabaram por dificultar o fluxo comercial e impor desafios adicionais às exportações brasileiras (Leal; Duarte; Duarte, 2022).
Em determinadas situações, países importadores chegaram a suspender temporariamente a entrada de produtos alimentícios provenientes de regiões onde foram registrados focos de contaminação por Covid-19, seja em cargas, seja nas unidades de processamento (Anjos; Gabriel; Silva, 2022). Essas ações, frequentemente tomadas de forma unilateral e sem coordenação internacional, geraram insegurança no comércio exterior e elevaram os custos logísticos e sanitários, à medida que os exportadores precisavam adaptar-se a novas exigências regulatórias.
Apesar das adversidades, a pandemia também revelou oportunidades estratégicas para o agronegócio brasileiro. A crescente valorização da segurança alimentar e a busca por fornecedores confiáveis favoreceram o fortalecimento da posição do Brasil no cenário global (Sousa; Sena, 2022).
4. ESTRATÉGIAS DE ADAPTAÇÃO
A capacidade de adaptação, fundamentada na teoria das capacidades dinâmicas, refere-se à habilidade das organizações de se ajustarem diante de rupturas, como a provocada pela pandemia de COVID-19. Esse evento extremo gerou impactos significativos nas cadeias de suprimentos globais e comprometeu o processo de globalização em diversos setores, incluindo o agronegócio, setor essencial para a economia brasileira (Akoumani; Santos; Sallaberry, 2023).
Durante esse período, o agronegócio teve que se reinventar rapidamente, adotando tecnologias digitais que permitiram maior agilidade nos processos e melhor tomada de decisão. Segundo Sampaio (2015), a pandemia antecipou o uso de plataformas digitais, como reuniões virtuais, marketplaces e ferramentas de gestão agrícola, características do agro 4.0. Com isso, o setor passou a utilizar softwares integrados, armazenamento em nuvem e análise de dados em tempo real para otimizar etapas como preparo do solo, plantio, colheita e distribuição. Conforme apontado por Lara et al. (2022, p. 16):
Ao vincular a cadeia de suprimentos à teoria da contingência, observa-se grande influência das premissas teorizadas no tocante à necessidade de adaptação ao ambiente, com vistas à manutenção da plenitude das atividades. O ambiente de incertezas gerado pela pandemia (COVID-19) desafiou as organizações a buscarem processos de readequação, visando manter a sintonia em todos os elos da cadeia. Assim, verifica-se que as contingências impostas pelo contexto podem ser mitigadas ou até mesmo superadas.
Essas inovações garantiram a continuidade da produção, bem como foram fundamentais para manter o ritmo das exportações mesmo diante das restrições logísticas. O uso de tecnologias como piloto automático, GPS, telemetria, sensores meteorológicos e análise climática aumentou a eficiência e reduziu desperdícios, fortalecendo a competitividade do Brasil no mercado internacional (Mspost, 2021).
Além disso, a comercialização digital tornou-se uma alternativa essencial. Produtores rurais adaptaram-se ao uso de plataformas de vendas online e ferramentas de rastreamento de mercadorias, garantindo acesso aos mercados externos. Técnicas como o uso de drones na aplicação de defensivos agrícolas e no monitoramento de pragas também contribuíram para a precisão e segurança no campo (Consema, 2020).
Portanto, a pandemia acelerou o processo de digitalização do agronegócio brasileiro, e essas estratégias de adaptação foram cruciais não apenas para manter a produção, mas para sustentar e expandir as exportações no período pós-COVID.
4.1 INOVAÇÃO E DIVERSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
No cenário pós-pandemia, o agronegócio precisou buscar alternativas para manter sua competitividade em meio às incertezas do mercado global. Nesse contexto, a inovação tecnológica e a diversificação de mercadorias tornaram-se estratégias fundamentais para ampliar a capacidade produtiva, reduzir riscos e agregar valor aos produtos exportados (Schneider et al., 2020).
A pandemia de COVID-19 acelerou a adoção de tecnologias digitais no agronegócio, impulsionando inovações em processos produtivos e estratégias de comercialização. Muitos produtores passaram a utilizar plataformas digitais para otimizar sua produção, obter maior controle sobre as mercadorias, gerenciar estoques, adquirir insumos agrícolas e monitorar lavouras de maneira mais precisa. Ferramentas de gestão contribuíram significativamente para facilitar essas operações, permitindo tomadas de decisão mais eficientes diante de um cenário de instabilidade (Salles, 2021).
Nesse contexto, surgiu uma necessidade crescente de diversificar mercadorias e adaptar-se a novos perfis de consumo, tanto no mercado interno quanto externo. A crise sanitária expôs vulnerabilidades, mas também abriu espaço para transformações estruturais no setor. A inovação tornou-se uma resposta essencial à crise, com o uso de tecnologias voltadas à agricultura de precisão, conectividade no campo, softwares de gestão e automação de processos. Essa nova dinâmica permitiu ganhos de produtividade e redução de desperdícios, aspectos fundamentais para atender às exigências do comércio exterior (Camargo; Soares, 2021).
O modo tecnológico do agronegócio se sustenta em um padrão técnico-econômico orientado por novos produtos, processos e rotinas que agregam valor. As firmas inseridas nessas cadeias produtivas passaram a focar na diferenciação e na variedade, por meio de economias de escopo — ou seja, na capacidade de produzir diversos produtos em uma mesma estrutura produtiva com base na complementaridade de recursos. Isso possibilita tanto a entrada em novos mercados quanto a introdução de novos produtos em mercados já consolidados (Leo, 2022).
De acordo com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA, 2021), o Brasil atingiu recordes de exportações durante a pandemia, especialmente pelos portos marítimos, consolidando-se como um dos principais exportadores mundiais. O agronegócio contribuiu de maneira decisiva para a sustentação da economia nacional: o Produto Interno Bruto (PIB) do setor saltou de 20,5% em 2019 para 26,6% em 2020, totalizando R$ 2 trilhões, dentro de um PIB nacional de R$ 7,45 trilhões.
Esses avanços reforçam que, mesmo diante de uma crise global, a inovação e a diversificação tornaram-se estratégias fundamentais de resiliência no agronegócio brasileiro, contribuindo para sua competitividade, sustentabilidade e relevância no cenário internacional (Leo, 2022).
4.2 EFICIÊNCIA OPERACIONAL E PARCERIAS ESTRATÉGIAS
A eficiência operacional nos agronegócios tem conquistado grande destaque através da pandemia,diante disso foi necessário adotar novas estratégias em várias demandas e dar conta do setor de entrega e o e-commerce, com a logística tornou-se a peça principal para superar a grande demanda em todo centro comercial. Deste modo, tiveram que contratar profissionais proativos que soubessem lidar com sistemas de distribuição, observou-se que com novas ações aumentaria a capacidade produtiva (Alves; Saugo, 2023).
Entretanto aumentar transportes terceirizados e treinamentos em equipe poderia contribuir para que mais pessoas pudessem trabalhar com sistemas de controle de entrega, a partir disso tiveram que produzir mais do que poderia consumir e criar condições de armazenamento e transporte de forma ágil e eficaz (Dias et al., 2021).
De acordo com Biachin, Pagnussat (2022), enquanto na economia e nos empregos, foram afetados com o presencial. Entretanto o crescimento das vendas on-line aumentou significativamente 19%, já com o Produto interno bruto chegando a 30% , pois o isolamento social é algo que foi extremamente importante para a população mundial. Com isso o Brasil passou a crescer no setor de exportação e entregas online, que gerou novos desafios logísticos com alta demanda de compra causando atrasos de entregas.
Dessa forma, as parcerias estratégicas foram fundamentais para promover a integração entre os diversos elos da cadeia produtiva, trazendo maior eficiência operacional e capacidade de resposta às exigências do mercado. Elas contribuíram para a redução de custos, aumento da produtividade e melhoria do serviço ao consumidor. Além disso, possibilitaram a inserção de pequenos e médios produtores no mercado digital, fortalecendo a competitividade do agronegócio brasileiro tanto no cenário nacional quanto internacional (Wesz Junior et al., 2021).
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente estudo analisou o desempenho do agronegócio brasileiro durante a pandemia de COVID-19, com ênfase em sua contribuição para a economia nacional, especialmente para o Produto Interno Bruto (PIB) e a balança comercial. Verificou-se que, mesmo diante de um cenário de incertezas e restrições globais, o setor agropecuário brasileiro demonstrou notável capacidade de adaptação, mantendo altos níveis de produção e exportação.
Entre os principais resultados, destaca-se a resiliência do agronegócio frente aos desafios logísticos e sanitários, com destaque para a manutenção das exportações de commodities como soja, carne bovina e açúcar, que foram fundamentais para equilibrar a balança comercial do país. Além disso, observou-se o crescimento de investimentos em tecnologia e mecanização como forma de superar a escassez de mão de obra e reduzir os impactos da crise sanitária nas operações rurais.
No entanto, o estudo apresenta algumas limitações. A principal delas refere-se à dependência de fontes secundárias de dados, baseando-se em relatórios e publicações científicas disponíveis entre os anos de 2020 e 2023, o que pode restringir a abrangência temporal da análise e a atualização de informações em tempo real. Além disso, por tratar-se de uma abordagem qualitativa e descritiva, não foi possível mensurar de forma exata o impacto econômico de cada variável envolvida, o que poderia ser aprofundado em pesquisas futuras com métodos quantitativos e dados estatísticos específicos.
Como contribuição, este trabalho oferece uma análise abrangente sobre os efeitos da pandemia no agronegócio brasileiro, ressaltando sua importância estratégica para a segurança alimentar global e para a economia nacional em tempos de crise. Ao discutir os desafios enfrentados e as estratégias de superação adotadas, o estudo pode subsidiar gestores públicos, empresários do setor e pesquisadores na formulação de políticas e ações voltadas à sustentabilidade, resiliência e inovação no campo.
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