REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202508190812
Eliane Alves1
Joade Lemos1
Tatiany Marinho1
Elliza Emilly Perrone Barboza2
Resumo
Crianças com altas habilidades quando avaliadas precocemente podem ter acesso ao tratamento adequado e ter uma melhor qualidade de vida. Dessa forma, este artigo teve como objetivo realizar um levantamento bibliográfico a respeito da importância do processo de avaliação em crianças com altas habilidades com intuito de apresentar a relevância do diagnóstico e o processo de avaliação estabelecendo a influência do diagnóstico precoce no desenvolvimento da criança. O levantamento dos artigos foi realizado nas principais como Scientific Electronic Library Online (SciELO), Public Knowledge Project (PKP) e Google Acadêmico, sendo assim foram aceitos para o estudos, publicações disponíveis na íntegra, com acesso gratuito, publicadas entre 2014 e 2024, redigidas em português e inglês, que abordassem especificamente o processo de avaliação em crianças com altas habilidades e excluídos da amostra artigos duplicados, resumos simples, cartas ao editor, teses, dissertações, bem como estudos cujo foco não estivesse diretamente relacionado à temática proposta, após essa seleção foram selecionados 29 artigos dessas plataformas onde apenas 11 foram selecionados para a pesquisa, após o levantamento feito destes artigos sobre o tema conseguimos alcançar o objetivo mostrando que o processo de avaliação psicológica em crianças com altas habilidades tem sua importância pois ajuda no acompanho e desenvolvimento da criança, proporcionando assim uma qualidade de vida para aquela criança.
Palavras-chaves: superdotação; processo de avaliação; diagnóstico precoce.
1 INTRODUÇÃO
Altas habilidades, também conhecido como superdotação, pode ser descrita como um conjunto de características que indicam um desempenho significativamente acima da média, seja apresentado em uma ou em mais áreas, podendo ser elas intelectual, acadêmica, criativa, artística, psicomotora ou até mesmo liderança. Segundo a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, pessoas diagnosticadas com altas habilidades apresentam um grande potencial acadêmico (Brasil, MEC/SEESP, 2008).
As crianças com altas habilidades ou superdotação representam uma parcela significativa da população escolar, estimada entre 1% e 3%, podendo alcançar até 13% se incluídos talentos em áreas diversas como artes e liderança (Brasil, 2022). Apesar dessa estimativa, a subnotificação é uma realidade preocupante no país, com poucos alunos formalmente identificados e acompanhados (Mensa Brasil, 2024).
Entre os principais fatores avaliados destacam-se a criatividade, a motivação intrínseca para aprender, o pensamento divergente, a precocidade no desenvolvimento de habilidades específicas, o interesse intenso por determinados temas e a capacidade de resolução de problemas de forma autônoma e inovadora, conforme apontado por Costa apud Virgolim (2022).
Um processo de avaliação criteriosa e precoce é essencial para a promoção de práticas educacionais inclusivas e para o desenvolvimento integral desses indivíduos, favorecendo sua adaptação, autoestima e florescimento pessoal e acadêmico. Nesse sentido, os instrumentos psicométricos, entrevistas clínicas, observações comportamentais e relatos de professores e familiares constituem a base metodológica fundamental para a avaliação de crianças com altas habilidades, possibilitando uma compreensão abrangente, precisa e contextualizada das suas manifestações (Rudan, 2020; Lotta; Garcia, 2022).
Segundo Rudan (2020), a utilização de múltiplas fontes de informação é essencial para captar as diferentes facetas do potencial do aluno, enquanto Lotta e Garcia (2022) enfatizam que a integração de dados quantitativos e qualitativos amplia a acurácia diagnóstica e orienta intervenções educacionais adequadas.
Embora haja avanços na identificação e inclusão de crianças com altas habilidades no Brasil, a realidade ainda é marcada por desafios significativos, como a dificuldade de acesso à avaliação psicológica específica. Por isso, é essencial que políticas públicas eficazes sejam implementadas para garantir qu2We essas crianças recebam o apoio necessário para desenvolver todo o seu potencial, dessa forma, o objetivo dessa pesquisa é buscar através de leituras a compreensão do processo da avaliação psicológica de crianças com altas habilidades destacando a importância do diagnóstico precoce.
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA
O estudo das altas habilidades/superdotação (AH/SD) tem sido alvo de diferentes concepções ao longo do tempo, variando desde uma visão reducionista centrada no quociente intelectual (QI) até abordagens mais amplas que consideram aspectos criativos, socioemocionais e contextuais. Segundo a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (Brasil, 2008), são consideradas pessoas com AH/SD aquelas que apresentam potencial elevado em uma ou mais áreas, como intelectual, acadêmica, criativa, psicomotora, artística ou de liderança, e que necessitam de serviços e recursos educacionais diferenciados para desenvolver suas capacidades.
2.1 Concepções de Altas Habilidades/Superdotação:
Renzulli (1986), por meio do Modelo dos Três Anéis, é um dos principais teóricos no campo da superdotação, definindo-a como a interação entre três fatores: habilidades acima da média, criatividade e comprometimento com a tarefa. Esse modelo ampliou a compreensão do fenômeno ao deslocar o foco exclusivo do QI para dimensões mais complexas do desenvolvimento humano.
Gardner (1995), com a Teoria das Inteligências Múltiplas, reforça a ideia de que a inteligência não é unidimensional, mas composta por diferentes modalidades (linguística, lógico-matemática, espacial, musical, corporal-cinestésica, interpessoal, intrapessoal e naturalista). Essa perspectiva contribui para reconhecer talentos em áreas não tradicionais, muitas vezes negligenciadas pela escola.
Outro modelo relevante é o de Gagné (2004), denominado Modelo Diferenciado de Superdotação e Talento (DMGT), que distingue dons naturais (aptidões) de competências desenvolvidas (talentos), ressaltando o papel dos contextos sociais, emocionais e educacionais no processo de desenvolvimento do potencial.
Sternberg (2003), por sua vez, propôs o modelo WICS (sabedoria, inteligência e criatividade sintetizadas), no qual a superdotação é entendida como a capacidade de integrar criatividade, pensamento analítico e habilidades práticas para solucionar problemas e gerar inovações.
2.2 Fatores Cognitivos, Criativos e Emocionais:
A literatura evidencia que a avaliação de AH/SD não deve se restringir ao desempenho intelectual. Guilford (1950) foi um dos pioneiros a destacar a importância do pensamento divergente, caracterizado por fluência, flexibilidade e originalidade na produção de ideias.
Dabrowski (1972), com a Teoria da Desintegração Positiva, trouxe contribuições significativas ao apontar que indivíduos superdotados frequentemente apresentam sobreexcitabilidades em diferentes áreas (emocional, intelectual, imaginativa, sensorial e psicomotora), o que pode impactar seu bem-estar emocional. Essa dimensão afetiva é central para compreender possíveis vulnerabilidades de crianças com AH/SD, como ansiedade, perfeccionismo e dificuldades de adaptação social (Neihart et al., 2016).
Nesse sentido, autores como Virgolim (2014) e Pérez (2022) destacam que a motivação intrínseca, o interesse intenso por determinados temas e a busca pela autonomia no processo de aprendizagem são indicadores recorrentes na identificação de crianças superdotadas.
2.3 Avaliação Psicológica em Altas Habilidades:
A avaliação psicológica é fundamental para a identificação e acompanhamento de crianças com AH/SD. Conforme Hutz (2015), trata-se de um processo complexo que deve integrar métodos quantitativos e qualitativos, incluindo testes psicométricos, entrevistas clínicas, observações comportamentais e relatos de familiares e professores.
No Brasil, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) regula o uso de instrumentos psicológicos por meio do Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos (SATEPSI), assegurando validade científica e ética profissional. Entre os instrumentos mais utilizados estão a Escala Wechsler de Inteligência para Crianças (WISC-IV e V) e o Teste das Matrizes Progressivas de Raven, voltados à mensuração da capacidade intelectual. Além disso, são aplicados inventários de interesses, testes de criatividade, como o Teste de Torrance, e entrevistas semiestruturadas, que ampliam a compreensão do potencial do aluno (Urbina, 2014; Wechsler, 2008).
A avaliação deve, portanto, ser multidimensional e contextualizada, considerando aspectos cognitivos, emocionais e sociais, bem como o ambiente escolar e familiar. Essa perspectiva é essencial para evitar diagnósticos equivocados, especialmente em casos de dupla excepcionalidade, quando a superdotação coexiste com transtornos como TDAH ou TEA (Webb, Meckstroth & Tolan, 2001).
2.4 Importância do Diagnóstico Precoce:
Diversos estudos ressaltam a relevância da identificação precoce de crianças com AH/SD para garantir que recebam estímulos adequados e compatíveis com suas necessidades (Virgolim, 2014; Guenther, 2012). Quando não reconhecidas, essas crianças podem apresentar desmotivação escolar, isolamento social e sofrimento psíquico.
No âmbito educacional, o diagnóstico precoce assegura o direito ao Atendimento Educacional Especializado (AEE), previsto nas políticas públicas brasileiras, possibilitando adaptações curriculares, enriquecimento acadêmico e programas de aceleração de estudos (Brasil, 2008; MEC, 2022).
Assim, o diagnóstico deve ser entendido não como rótulo, mas como ferramenta de apoio e promoção do desenvolvimento integral, permitindo intervenções personalizadas e favorecendo tanto o desempenho acadêmico quanto o bem-estar socioemocional.
2 METODOLOGIA
Esta pesquisa é de caráter bibliográfico e tem natureza qualitativa, com abordagem descritiva, sobre a importância do processo de avaliação psicológica em altas habilidades.
No presente estudo, o levantamento bibliográfico foi realizado em bases de dados eletrônicas reconhecidas na área da psicologia, como Scientific Electronic Library Online (SciELO), Public Knowledge Project (PKP) e Google Acadêmico. Para a localização dos artigos mais relevantes, utilizaram-se descritores controlados de combinados, a fim de e refinar os resultados. Os descritores utilizados foram: “altas habilidades”, “avaliação psicológica”, “aplicação de teste”, “diagnóstico precoce” e “sofrimento psíquico”.
Foram definidos critérios de inclusão para a seleção dos estudos, contemplando publicações disponíveis na íntegra, com acesso gratuito, publicadas entre 2014 e 2024, redigidas em português e inglês, que abordassem especificamente o processo de avaliação em crianças com altas habilidades. Foram excluídos da amostra artigos duplicados, resumos simples, cartas ao editor, teses, dissertações, bem como estudos cujo foco não estivesse diretamente relacionado à temática proposta.
Após a aplicação dos critérios de elegibilidade, os estudos que atenderam aos requisitos estabelecidos foram lidos na íntegra e submetidos a uma análise crítica. Os principais achados foram agrupados em categorias temáticas, o que possibilitou uma organização mais sistemática da discussão. As categorias definidas foram: a. principais fatores que levam a avaliação da criança; b. como se dá o processão de avaliação da criança; c. a não rotulação, mas sim a forma correta de ser tratado a criança com altas habilidades.
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS
O levantamento realizado dos 29 artigos que foram encontrados em bases eletrônicas nas principais bases de dados. Nenhum artigo estava duplicado, 22 foram selecionados para leitura. Desses, 18 foram excluídos por não terem atendido alguns critérios estipulados. Ao final da triagem, 11 artigos atenderam aos critérios e foram selecionados para a extração de dados (figura 1).
Figura 1: Fluxograma do precoce de seleção de artigos incluídos na análise.
Fonte: Próprios autores.
Durante a revisão dos artigos selecionados com o foco no processo de avaliação psicológica em crianças com altas habilidades, o levantamento foi dividido em três tópicos para discussão que serão apresentados abaixo.
A análise crítica e a síntese qualitativa dos estudos selecionados foram realizadas de maneira descritiva, a extração das informações mais relevantes foi realizada através de uma base de dados, como: título, autores e ano de publicação. Essa organização possibilitou uma apresentação mais clara e estruturada dos dados pertinentes, os quais estão dispostos no Quadro 1.
Quadro 1: Amostra de artigos revisados, AM, Brasil, 2025.
| Título | Autores | Ano |
| Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. | Ministério Da Educação. | 2008 |
| Características de Crianças com Altas Habilidades/ | Maria da Costa, Alessandra Sant’anna Bianchi e Márcia | 2022 |
| Superdotação: Uma Revisão Sistemática. | Melo de Oliveira Santos. | |
| Escala de Inteligência Wechsler para Crianças. | David Wechsler. | 2008 |
| Altas Habilidades/Superdotação: Encaminhamentos para a Inclusão Escolar. | Zenita Guenther. | 2012 |
| Avaliação Neuropsicológica nas Altas Habilidades/Superdotação: Potencial Cognitivo, Perfil Emocional e Desafios Escolares. | ICC CLINIC. | 2024 |
| Identificação e Atendimento a Alunos com Altas Habilidades/Superdotação. | Susana Pérez Bezerra. | 2022 |
| Altas Habilidades/Superdotação: Encaminhamento e Atendimento. | Angela Virgolim. | 2014 |
| Diretrizes para Educação de Alunos com Altas Habilidades/Superdotação. | Ministério Da Educação | 2022 |
| Perfil dos Superdotados no Brasil. | MENSA BRASIL | 2022 |
| Cartilha Sobre Altas Habilidades/Superdotação. | Área Técnica Da Faders | 2020 |
| O Que É Avaliação Psicológica: Métodos, Técnicas e Testes. | Claudia Hutz. | 2015 |
3.1 Principais Fatores Avaliados na Criança com Altas Habilidades:
O conceito de Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD) evoluiu ao longo do tempo, ultrapassando a tradicional ênfase no quociente intelectual (QI) elevado e incorporando uma visão mais ampla e multidimensional. Segundo a definição da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (Brasil, 2008), são consideradas superdotadas as crianças que demonstram potencial elevado em uma ou mais áreas do conhecimento, isoladas ou combinadas, como inteligência geral, aptidão acadêmica específica, pensamento criativo, liderança, artes e habilidades psicomotoras, e que necessitam de serviços e recursos educacionais diferenciados.
A avaliação de crianças com AH/SD, portanto, não se restringe à mensuração do QI, mas envolve múltiplos fatores interligados. Entre os principais, destaca-se a capacidade intelectual geral, comumente avaliada por instrumentos padronizados como a Escala de Inteligência Wechsler para Crianças (WISC) ou testes de matrizes progressivas de Raven. Contudo, a criatividade surge como um fator crítico no perfil da superdotação. Guilford (1950) foi um dos pioneiros a defender a importância do pensamento divergente como componente da inteligência criativa, destacando habilidades como fluência, flexibilidade, originalidade e elaboração.
Outro aspecto central é a motivação intrínseca, frequentemente observada em crianças superdotadas como um interesse intenso e persistente por determinados temas. Renzulli (1986), por meio de seu Modelo dos Três Anéis, ressalta que a superdotação é resultado da interação entre habilidades acima da média, comprometimento com a tarefa e criatividade. Este modelo ainda orienta práticas educacionais e processos avaliativos em diversos contextos.
A avaliação também deve contemplar aspectos emocionais e sociais. Embora essas crianças apresentem habilidades cognitivas avançadas, nem sempre seu desenvolvimento emocional ocorre de forma igualmente acelerada, o que pode gerar dificuldades de adaptação e sofrimento psíquico. Dabrowski (1972), com sua Teoria da Desintegração Positiva, propôs que indivíduos superdotados tendem a apresentar sobreexcitabilidades (emocional, sensorial, intelectual, imaginativa e psicomotora), o que pode repercutir em sua saúde mental, exigindo uma escuta clínica sensível e contextualizada. Além disso, fatores contextuais e socioculturais não podem ser ignorados. Muitas vezes, o desempenho dessas crianças é afetado pela falta de estímulo, reconhecimento ou por desigualdades no acesso à educação de qualidade.
Por esse motivo, a avaliação deve ser dinâmica, contínua e ecológica, considerando o ambiente familiar, escolar e social da criança. Instrumentos utilizados na avaliação incluem testes de inteligência, escalas de criatividade (como o Teste de Torrance), inventários de interesses, entrevistas semiestruturadas com pais e professores, observações clínicas e análise do desempenho acadêmico. O uso de múltiplas fontes de informação é essencial para garantir um diagnóstico preciso, evitando a exclusão de perfis atípicos de superdotação, como os duplamente excepcionais (que possuem superdotação concomitante a algum transtorno, como TDAH ou TEA) (Webb, Meckstroth & Tolan, 2001).
3.2 Principais Testes Usados no Processo de Avaliação e Altas Habilidades:
No Brasil, o Ministério da Educação define que “alunos com altas habilidades/superdotação demonstram potencial elevado em qualquer uma das seguintes áreas, isoladas ou combinadas: intelectual, acadêmica, liderança, psicomotricidade e artes, além de apresentar grande criatividade, envolvimento na aprendizagem e realização de tarefas em áreas de seu interesse” (Ministério da Educação, 2008, p. 15).
Segundo Hutz (2015), a avaliação psicológica é uma atividade complexa com objetivo de produzir hipóteses sobre o funcionamento de um indivíduo ou grupo, por meio de testes psicológicos, entrevistas, dinâmicas e observações comportamentais. Já Urbina (2014) define teste psicológico como “um procedimento sistemático para coletar amostras de comportamento relevantes para o funcionamento cognitivo, afetivo ou interpessoal, e para pontuar e avaliar essas amostras de acordo com normas”.
O Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos (SATEPSI) foi desenvolvido pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) e tem como objetivo de avaliar e relacionar os instrumentos técnico-científicos para o uso profissional do psicólogo, é por meio destes requisitos que os instrumentos serão apresentados como reconhecidos e favoráveis para utilização.
As Altas habilidades se configuram como pauta para estudos de diversos pesquisadores, como Sternberg (modelo WICS), Dabrowski (Teoria da Desintegração Positiva), Gagné (modelo Diferenciado de Superdotação e Talento), Renzulli (Três Anéis), Gardner (modelo das Inteligências Múltiplas) entre outros.
A Escala Wechsler de Inteligência para Crianças (WISC IV) indicado como favorável via Satepsi (Agosto/2025, é uma bateria psicológica para avaliação da capacidade intelectual e de resolução de problemas de sujeitos entre 6 e 16 anos. É composto por 15 subtestes, divididos em quatro índices: compreensão verbal, organização perceptual, memória operacional e velocidade de processamento. O WISC foi desenvolvido pelo psicólogo norte-americano David Wechsler, com o objetivo de avaliar a inteligência em crianças e adolescentes.
Wechsler concebia a inteligência como a “capacidade conjunta ou global do indivíduo para agir com finalidade, pensar racionalmente e lidar efetivamente com seu meio ambiente” (Wechsler, 1944, p. 3)
De acordo com Cartilha Sobre Altas Habilidades/ Superdotação, existe uma variedade de recursos para avaliar e identificar a pessoa com AH/SD. Alguns comportamentos podem ser comuns e frequentes, como:
“Aprende fácil e rapidamente; original, imaginativa, criativa, não-convencional; amplamente informada; informada em áreas não comuns; pensa de forma incomum para resolver problemas; persistente, independente, autodirecionada; persuasiva, capaz de influenciar os outros; mostra senso comum; pode não tolerar futilidades; inquisitiva, cética, curiosa; adapta-se a uma variedade de situações e novos ambientes; esperta ao construir com materiais comuns; habilidades nas artes (música, dança, desenho etc.); entende a importância da natureza (tempo, lua, sol, estrelas, solo…); vocabulário excepcional, verbalmente fluente; aprende facilmente novas línguas; trabalha independentemente, mostra iniciativa; bom julgamento, lógica; flexível, aberta; versátil, muitos interesses, interesses além da idade cronológica; mostra insights e percepções incomuns; demonstra alto nível de sensibilidade, empatia com relação aos outros; apresenta excelente senso de humor; resiste à rotina e repetição; expressa ideias e reações, frequentemente de forma argumentativa; sensível à verdade e à honra.”
Virgolim ainda cita alguns possíveis problemas decorrentes diante do quadro de superdotação, como por exemplo:
“Perfeccionismo; Expectativas pouco realistas e muitas horas de trabalho com baixa produtividade; Hipersensibilidade do sistema nervoso; Hiperatividade e distração que levam a déficits de atenção; Iniciativa e autossuficiência; Tendência para dominar as discussões e atividades; Poder de concentração e comportamento dirigido para metas; Resistência a interrupções e obstinação; Avançadas estratégias de análise e resolução de problemas, percepção de relações complexas entre ideias e fatos; Impaciência com os detalhes, resistência com a rotina; Originalidade e criatividade; Pensamento divergente, a percepção dos pares quanto a esses aspectos provoca a discriminação e sentimentos de inconformismo; Aprendizagem eficiente, boa memória, extensa base de conhecimentos e capacidade de observação; Desenvolvimento de hábitos improdutivos de trabalho, pouca dedicação e interesse pela busca de novas estratégias de resolução de problemas e baixo rendimento acadêmico; Independência e inconformismo; Repulsa por uma estrutura rígida de aula, rebeldia e oposição às pressões sociais dos adultos, incompreensão por parte de pais, educadores e pares; Grande senso de humor; Podem revelar-se indivíduos sarcásticos e ofender aqueles que os rodeiam.”
Diante das possíveis problemáticas apresentadas, destaca-se o grande papel da família no desenvolvimento da criança com Altas Habilidades. Se a identificação é precoce, a criança deve ser estimulada adequadamente para desenvolver seu potencial e continuar a apresentar comportamentos de superdotação.
A família pode proporcionar um ambiente de diálogo, de leitura, de investigação, no qual a criança possa se expressar de forma livre, convivendo com exemplos positivos de interesse pelo estudo e pela aprendizagem constante.
Além disso, a escola também tem um papel importante na identificação da pessoa com altas habilidades, pois durante as aulas presenciais ou remotas os professores podem perceber os alunos que se destacam em determinadas atividades ou projetos. Portanto, é essencial que o corpo docente seja capacitado para reconhecer o potencial de seus alunos.
3.3 A Importância do Diagnóstico Precoce no Desenvolvimento da Criança com Altas Habilidades:
O diagnóstico de altas habilidades/superdotação (AH/SD) pode ser considerado fundamental para a promoção do desenvolvimento integral de indivíduos com potencial elevado. Através da revisão conseguimos notar que a identificação precoce é determinante para que a criança receba estímulos compatíveis com suas necessidades cognitivas e emocionais, no decorrer do levantamento foi notado que a ausência de reconhecimento pode resultar em desmotivação escolar, baixo rendimento, dificuldades de socialização e comprometimento emocional (Virgolim, 2014; Pérez, 2022).
Outro aspecto relevante apontado durante a pesquisa é o diagnóstico diferencial, que visa evitar equívocos comuns na associação de características de altas habilidades/superdotação com condições como Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou dificuldades de aprendizagem, alguns estudos apontam que avaliações neuropsicológicas abrangentes, contemplando tanto o desempenho intelectual quanto aspectos afetivo-sociais, são essenciais para uma compreensão global do indivíduo e para a identificação de casos de dupla excepcionalidade (Guenther, 2012; ICC Clinic, 2024).
Uns dos principais pontos que é levado em consideração quando se fala na importância do diagnóstico de altas habilidades/superdotação é o campo emocional, crianças e adolescentes com AH/SD podem apresentar ansiedade, frustração e sentimentos de inadequação, em razão de expectativas externas ou estereótipos sociais, sendo assim, o diagnóstico possibilita o direcionamento para acompanhamento psicológico especializado, contribuindo para a promoção do equilíbrio emocional e o desenvolvimento de competências socioemocionais (Neihart et al., 2016).
Outro ponto importante percebido durante o levantamento foi a importância no âmbito escolar, pois garante o direito ao atendimento educacional especializado (AEE), previsto na Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Isso inclui a oferta de adaptações curriculares, programas de enriquecimento, aceleração de estudos e outras estratégias pedagógicas que favorecem o aproveitamento máximo do potencial do estudante (Brasil, 2008; Renzulli e Reis, 2014).
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A avaliação de crianças com Altas Habilidades/Superdotação requer uma abordagem abrangente, sensível às múltiplas dimensões do desenvolvimento humano. Considerar apenas o desempenho intelectual elevado é insuficiente para captar a complexidade desses sujeitos, que frequentemente apresentam perfis únicos, marcados por características cognitivas, emocionais e comportamentais específicas, a utilização de instrumentos psicométricos aliados à observação clínica, entrevistas e análises qualitativas permite uma compreensão mais precisa e humanizada, fundamentando intervenções educacionais e psicológicas mais eficazes.
Sendo assim, o diagnóstico de altas habilidades/superdotação não deve ser entendido apenas como um rótulo, mas como um processo contínuo e multidimensional, que orienta intervenções educacionais e psicossociais, asseguram direitos e favorece o desenvolvimento pleno do potencial humano.
REFERÊNCIAS
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1Discente do Curso de Pós-Graduação em Avaliação Psicológica do Centro 1Metropolitano FAMETRO e-mail: psielianealves@gmail.com
1joade_lemos@hotmail.com
1psitatianymarinho@gmail.com
2Docente do Curso de Pós-Graduação do Centro Metropolitano FAMETRO – Doutorado em Biotecnologia, email: elliza.perrone01@gmail.com
