NEW STANCE FOR EDUCATORS TOWARDS LEARNING: ACTIVE METHODOLOGIES FOR PSYCHOLOGY FORMATIVE
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202602070705
Doutoranda Me. Sofia Durães Ivo Alves
Orientadora Dra. Ana Cabanas
RESUMO
Este estudo examina a transformação das práticas pedagógicas no Curso de Psicologia, enfatizando o educador na promoção da Aprendizagem Significativa e do desenvolvimento integral dos educandos. A partir de uma análise teórica – recorte de tese de Doutoramento fundamentada em autores renomados, o objetivo é discutir a implementação de Metodologias Ativas como estratégia para fomentar a autonomia, o pensamento crítico e as competências essenciais para a formação profissional. Dessa maneira, nesta pesquisa bibliográfica, aborda-se a avaliação formativa como processo integrado à prática educativa, transcendendo a função classificatória e orientando o desenvolvimento integral dos educandos. Discute-se entre outros, a teoria da Aprendizagem Significativa; as Metodologias Ativas como estratégia pedagógica, para concluir que a combinação da postura reflexiva do educador, a adoção de Metodologias Ativas e a implementação de avaliação formativa constituem elementos fundamentais para a elevação do padrão de ensino e a formação de profissionais capacitados, críticos e reflexivos. Com isso, concluiu-se que a combinação da postura reflexiva do educador, a adoção de Metodologias Ativas e a implementação de avaliação formativa constituem elementos fundamentais para a formação de profissionais, críticos e reflexivos, preparados para enfrentar os desafios práticos e contribuir para a transformação social.
Palavras-chave: Metodologias Ativas; Aprendizagem Significativa; Educação Crítica; Psicologia.
ABSTRACT
This study examines the transformation of pedagogical practices in the Psychology Course, emphasizing the educator in promoting meaningful learning and the integral development of students. Based on a theoretical analysis – an excerpt from a doctoral thesis grounded in renowned authors – the objective is to discuss the implementation of Active Methodologies as a strategy to foster autonomy, critical thinking, and essential competencies for professional training. In this way, this bibliographic research addresses formative assessment as a process integrated into educational practice, transcending the classificatory function and guiding the integral development of students. This text discusses, among other things, the theory of meaningful learning; active methodologies as a pedagogical strategy, concluding that the combination of the educator’s reflective stance, the adoption of active methodologies, and the implementation of formative assessment constitute fundamental elements for raising the standard of teaching and training qualified, critical, and reflective professionals. Therefore, it concludes that the combination of the educator’s reflective stance, the adoption of active methodologies, and the implementation of formative assessment constitute fundamental elements for the training of critical and reflective professionals, prepared to face practical challenges and contribute to social transformation.
Keywords: Active Methodologies; Meaningful Learning; Critical Education; Psychology.
INTRODUÇÃO
A educação contemporânea enfrenta desafios significativos na missão de formar indivíduos preparados para atuar na sociedade em constante transformação. Nesse contexto, a postura do educador é crucial para a promoção de Aprendizagem Significativa e desenvolvimento integral dos educandos (Perrenoud, 1999).
Historicamente, o modelo tradicional de educação, centrado na transmissão de conhecimento e na figura do educador como detentor exclusivo do saber, mostrou-se insuficiente para atender às demandas contemporâneas de formação profissional e pessoal. As mudanças tecnológicas, sociais e econômicas exigem que os profissionais desenvolvam conhecimento específico das áreas e competências transversais como criatividade, pensamento crítico, capacidade de colaboração e adaptabilidade (Brasil, 2018).
A partir da década de 1960, com as contribuições teóricas de Paulo Freire, David Ausubel e, posteriormente, Philippe Perrenoud, emerge a nova compreensão sobre o processo educativo. Estes autores convergem na defesa da educação que coloque o educando no centro do processo de aprendizagem, promovendo a autonomia, a reflexão crítica e a participação na construção do conhecimento.
As transformações socioculturais e tecnológicas e culturais exigem que a educação superior prepare profissionais com conhecimento técnico e capacidade de adaptação, criatividade e pensamento crítico. A educação, portanto, não pode mais ser compreendida como simples transmissão de informações, mas como processo complexo de desenvolvimento integral (Perrenoud, 2002; Ausubel, 2014; Freire, 1987).
Argumenta-se que a adoção de uma nova postura do educador, alinhada aos princípios da educação crítica e da Aprendizagem Significativa, constitui caminho viável para a elevação da qualidade do ensino e a formação de profissionais capacitados e reflexivos. Portanto, este estudo propõe analisar as Metodologias Ativas (MA) como instrumentos fundamentais para a transformação das práticas pedagógicas no Psicologia. A estrutura deste trabalho apresenta, inicialmente, os fundamentos teóricos que sustentam a proposta, seguida pela análise de metodologias específicas e, por fim, considerações sobre a implementação prática dessas abordagens.
A TEORIA DA APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA DE AUSUBEL
À luz da Teoria da Aprendizagem Significativa (TAS) de Ausubel, as Metodologias Ativas no curso de Psicologia favorecem a construção do conhecimento a partir dos saberes prévios dos educandos. Essas metodologias estimulam a participação ativa, permitindo que novos conteúdos se integrem de forma significativa às estruturas cognitivas já existentes. Ao envolver o educando como protagonista do processo de aprendizagem, promove-se maior compreensão crítica e contextualizada dos fenômenos psicológicos. Assim, a articulação entre a TAS e as Metodologias Ativas potencializa a formação de profissionais reflexivos e capazes de aplicar o conhecimento de maneira ética e eficaz.
A Teoria da Aprendizagem Significativa (TAS) de David Ausubel representa um marco na compreensão dos processos cognitivos de aprendizagem. Ausubel (2014) defende que a Aprendizagem Significativa ocorre quando novas informações são relacionadas coerentemente com o conhecimento prévio do educando, gerando aprendizagem profunda e duradoura.
Este processo contrasta com a aprendizagem mecânica, na qual o conhecimento é adquirido de forma isolada e sem conexão com estruturas cognitivas preexistentes. A distinção entre esses dois tipos de aprendizagem é fundamental para compreender como os educandos processam, armazenam e recuperam informações. A Aprendizagem Significativa não é questão de quantidade de informação adquirida, mas de qualidade e profundidade da compreensão alcançada (Ausubel, 2014).
Para que a Aprendizagem Significativa ocorra, Ausubel (2014) identifica três condições essenciais:
- O material de aprendizagem deve ter significado lógico, ou seja, ser estruturado de forma coerente e compreensível.
- O educando deve possuir conhecimentos prévios relevantes que permitam a ancoragem do novo conhecimento.
- O educando deve estar motivado a aprender significativamente, demonstrando disposição e interesse genuíno.
Neste contexto, a TAS enfatiza que deve-se criar ambientes educacionais que estimulem a conexão entre o novo conhecimento e as estruturas cognitivas já estabelecidas. O conceito de subsunção, central na teoria de Ausubel (2014), refere-se ao processo pelo qual novas informações são incorporadas em estruturas cognitivas existentes, permitindo que o conhecimento anterior sirva como âncora para o novo aprendizado. Este processo é dinâmico e contínuo, permitindo que o educando constantemente refine e amplie as estruturas cognitivas.
A aplicação prática da TAS no contexto da Psicologia, particularmente em cursos como Psicologia, demonstra-se especialmente relevante. Os educandos precisam desenvolver compreensão profunda de conceitos complexos, capacidade de análise crítica e habilidade de aplicar conhecimento teórico na prática profissional. As MA, quando alinhadas aos princípios de Ausubel, criam ambientes de aprendizagem que facilitam a construção de significados e a internalização do conhecimento duradouro. Dessa forma, a TAS não é meramente uma teoria descritiva, mas oferece direcionamento prático para a organização e implementação de estratégias pedagógicas eficazes.
A integração entre teoria e prática, fundamental na formação de psicólogos, beneficia-se enormemente quando os educadores compreendem e aplicam os princípios da Aprendizagem Significativa. Schön (2000) concorda com as ideias de Ausubel (2014), quando os educandos conseguem estabelecer conexões entre conceitos teóricos e situações práticas, desenvolvem compreensão mais profunda e duradoura.
Nesse sentido, a Teoria da Aprendizagem Significativa (TAS) de Ausubel encontra consonância com as Metodologias Ativas adotadas no curso de Psicologia, pois ambas valorizam a articulação entre conhecimentos prévios e novas experiências de aprendizagem. As Metodologias Ativas, como aprendizagem baseada em caso, possibilita que o educando relacione conteúdos teóricos a situações reais da prática psicológica. Esse processo favorece a construção de significados, conforme proposto por Ausubel, ao ancorar novos conceitos em estruturas cognitivas já existentes. Assim, o educando torna-se protagonista da própria aprendizagem, desenvolvendo pensamento crítico, reflexivo e maior capacidade de intervenção profissional.
METODOLOGIAS ATIVAS COMO ESTRATÉGIA PEDAGÓGICA
As MA representam estratégias educacionais que centralizam o educando na construção do saber, promovendo o comprometimento, autodeterminação e pensamento crítico. Diferentemente do modelo tradicional, as MA reconhecem que os educandos aprendem melhor quando constroem ativamente o próprio conhecimento, por meio de experiências práticas, discussão colaborativa e resolução de problemas.
Esta abordagem fundamenta-se na premissa de que o conhecimento não é transmitido passivamente, mas construído ativamente pelo aprendiz em interação com o ambiente e com os pares. As MA representam a mudança paradigmática na compreensão do processo educativo. A transição de um modelo passivo para um modelo ativo de aprendizagem implica mudanças significativas nas estratégias pedagógicas e nas relações entre educadores e educandos (Silva et al., 2025; Brasil, 2018)
Entre as principais abordagens de MA destacam-se a Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP), a Aprendizagem Baseada em Projetos (ABPj) e a Aprendizagem Baseada em Casos (ABC). Cada uma dessas metodologias oferece oportunidades distintas para o desenvolvimento de competências essenciais como empatia, comunicação eficaz, pensamento crítico e capacidade de trabalho em equipe.
A ABP, na concepção de Vergara (2016) apresenta aos educandos problemas complexos que requerem investigação e análise multidisciplinar. Enquanto, a ABPj, na visão de Vygotsky (1991), envolve os educandos em projetos de longa duração que demandam planejamento, colaboração e integração de conhecimentos diversos. Cada metodologia pode ser adaptada conforme as necessidades específicas da disciplina e do contexto educacional. A escolha da metodologia apropriada depende dos objetivos de aprendizagem, do contexto institucional e das características dos educandos.
A ABC, em particular, segundo Zabala (1998), mostra-se eficaz na Psicologia, principalmente em cursos como Psicologia. Esta metodologia consiste em apresentar aos educandos situações reais que simulam desafios e problemas encontrados nas futuras práticas profissionais. Os educandos analisam, discutem e resolvem esses casos, aplicando os conceitos teóricos aprendidos de forma prática e significativa.
Este processo favorece o desenvolvimento de habilidades de raciocínio crítico, tomada de decisão e comunicação, competências fundamentais para o sucesso profissional. Além disso, a ABC promove a reflexão sobre dilemas éticos e situações complexas que caracterizam a prática profissional real (Schön, 2000).
A utilização de casos reais ou realistas permite que os educandos vivenciem situações autênticas, desenvolvendo conhecimento e sabedoria prática. A ABC favorece o desenvolvimento de empatia e compreensão das perspectivas múltiplas, competências fundamentais para profissionais de Psicologia
Dessa forma, as Metodologias Ativas contribuem para o desenvolvimento formativo do profissional de Psicologia ao promoverem a aprendizagem a partir de situações reais ou contextualizadas. Ao trabalhar com casos reais, o educando é estimulado a analisar, refletir e tomar decisões fundamentadas, aproximando-se das demandas concretas da prática profissional. A Aprendizagem Baseada em Casos (ABC) favorece a construção do conhecimento teórico, assim como, o desenvolvimento da empatia, da escuta qualificada e da compreensão de múltiplas perspectivas. Essas competências são essenciais para a atuação ética e humanizada do psicólogo, fortalecendo a capacidade de intervenção crítica e responsável.
DESENVOLVIMENTO FORMATIVO DO PROFISSIONAL DE PSICOLOGIA
A formação profissional do psicólogo envolve um processo complexo que integra conhecimentos teóricos, habilidades práticas e desenvolvimento ético-humanístico. Ao longo da graduação, o educando é preparado para compreender o comportamento humano nas múltiplas dimensões, considerando aspectos individuais, sociais e culturais. Esse percurso formativo exige a aquisição de conteúdos científicos e o desenvolvimento de competências como a empatia, o pensamento crítico e a responsabilidade social. Dessa forma, a formação em Psicologia prepara profissionais para atuar de maneira reflexiva e comprometida com a promoção da saúde mental e do bem-estar humano.
A avaliação constitui elemento central no processo educativo, funcionando como ferramenta para mensuração do desempenho estudantil e promoção do desenvolvimento de habilidades e competências. Perrenoud (1999) destaca a avaliação formativa como processo contínuo e integrado à prática educativa, diferenciando-a da avaliação somativa, que se concentra exclusivamente na classificação e quantificação do conhecimento.
A avaliação formativa, diferentemente da somativa, atribui notas ou conceitos, orienta o processo de aprendizagem e promove o desenvolvimento contínuo. A avaliação formativa reconhece que o aprendizado é um processo contínuo e que o feedback fornecido durante o processo é mais valioso para o desenvolvimento do que uma nota final. A avaliação formativa, quando bem implementada, torna-se instrumento poderoso para promover equidade educacional e inclusão (Firmiano, 2011).
Perrenoud (1999) explica que a avaliação formativa transcende a função classificatória e assume caráter regulador, orientando o processo de aprendizagem e fornecendo feedback significativo aos educandos. Este tipo de avaliação permite que educadores observem, analisem e interpretem evidências de aprendizagem, implementando estratégias de intervenção pedagógica adequadas. Além disso, a avaliação formativa promove a reflexão dos educandos sobre o próprio processo de aprendizagem, incentivando-os a identificar necessidades e desenvolver autonomia e metacognição.
A metacognição, ou seja, a capacidade de refletir sobre o próprio processo de aprendizagem, constitui competência fundamental para o desenvolvimento de aprendizes autônomos e auto regulados. Quando os educandos desenvolvem habilidades metacognitivas, tornam-se capazes de monitorar o próprio progresso e ajustar as estratégias de aprendizagem conforme necessário. Esta capacidade de autorregulação é particularmente relevante na formação de profissionais que precisam atualizar continuamente os conhecimentos e habilidades (Bloom, 1956)
A implementação efetiva da avaliação formativa demanda formação docente continuada que capacite educadores a desenvolver competências necessárias para observar, analisar e interpretar evidências de aprendizagem. Requer a adoção da postura reflexiva e humanizada que valorize a diversidade de saberes e experiências, reconheça diferentes formas de aprender e promova um ambiente de respeito às diferenças.
Nesse sentido, a avaliação formativa contribui para o desenvolvimento formativo do profissional de Psicologia ao promover um processo educativo contínuo, reflexivo e sensível às singularidades dos educandos. Ao reconhecer diferentes formas de aprender e valorizar a diversidade de saberes e experiências, favorece a construção de competências essenciais à atuação psicológica, como empatia, a escuta qualificada e a compreensão da complexidade humana. Além disso, ao estimular a autorreflexão e o feedback constante, a avaliação formativa fortalece a autonomia e a responsabilidade profissional. Dessa forma, prepara futuros psicólogos para a prática ética, crítica e humanizada, alinhada às demandas contemporâneas da sociedade.
Desta forma, a avaliação formativa não é meramente um conjunto de técnicas ou instrumentos, mas uma filosofia educacional que coloca o desenvolvimento integral do educando no centro das preocupações pedagógicas. A avaliação formativa, quando bem implementada, torna-se aliada poderosa na promoção da equidade educacional, permitindo que educadores identifiquem e respondam às necessidades específicas de cada educando. A avaliação formativa também contribui para reduzir a ansiedade e o medo associados à avaliação tradicional, criando ambiente acolhedor e propício à aprendizagem (Nóvoa, 2017; Firmiano, 2011; Perrenoud, 1999)
O desenvolvimento formativo do profissional de Psicologia articula-se com a educação crítica transformadora ao promover uma formação que ultrapassa a transmissão de conteúdos e incentiva a consciência social e ética. Essa perspectiva educativa estimula o educando a analisar criticamente as realidades socioculturais e institucionais que atravessam o sofrimento psíquico e as práticas psicológicas. Ao formar sujeitos reflexivos e comprometidos com a transformação social, a educação crítica contribui para a atuação do psicólogo como agente de mudança. Dessa forma, o processo formativo fortalece a responsabilidade social, o posicionamento ético e a intervenção profissional orientada para a promoção de justiça e emancipação humana.
A EDUCAÇÃO CRÍTICA E A TRANSFORMAÇÃO PEDAGÓGICA
A educação crítica e a transformação pedagógica constituem pilares fundamentais para a construção de práticas educacionais democráticas, participativas e socialmente comprometidas. Essa abordagem compreende o processo educativo como um espaço de diálogo, reflexão e problematização da realidade, no qual educadores e educandos constroem conhecimento de forma conjunta. Ao romper com modelos tradicionais centrados na transmissão passiva de conteúdos, propõe-se a pedagogia que valoriza a experiência, o contexto social e a formação da consciência crítica. Assim, a transformação pedagógica torna-se um caminho para promover aprendizagens significativas e formar sujeitos capazes de intervir de maneira ética e transformadora na sociedade.
A educação crítica, fundamentada nas teorias de Paulo Freire, propõe transformação profunda das práticas pedagógicas. Freire (1987) defende que a educação deve promover conscientização e empoderamento dos indivíduos, capacitando-os a compreender criticamente a realidade social e atuar como agentes de transformação. Nessa perspectiva, a centralidade do educador como detentor exclusivo do saber precisa ser relativizada, dando lugar a metodologias que fomentem autonomia, pesquisa, cooperação e aprimoramento do pensamento crítico.
A educação crítica reconhece que o conhecimento não é neutro, mas sempre está situado em contextos socioculturais e políticos específicos. Freire (1987) argumenta que a educação tradicional, ao qual chama de educação bancária, trata os educandos como recipientes passivos a serem preenchidos com conhecimento, ignorando a capacidade de reflexão e ação. A educação crítica, em contraste, reconhece os educandos como sujeitos ativos capazes de transformar a realidade.
A escolarização para a educação crítica demanda que a problematização da realidade social, a análise de diferentes perspectivas e a construção coletiva do conhecimento constituam eixos do currículo. A avaliação, neste contexto, transcende a função classificatória e assume caráter formativo, orientando o processo de aprendizagem e fornecendo feedback significativo aos educandos (Freire, 1987).
Os educandos são encorajados a questionar pressupostos, analisar criticamente informações e desenvolver posicionamentos fundamentados. Esta abordagem, apontada por Giroux (1988), prepara os futuros profissionais para executar tarefas técnicas e e questionar as estruturas sociais que moldam as práticas. A educação crítica, portanto, é eminentemente política, no sentido de que busca promover transformação social e justiça. A educação crítica reconhece que todas as práticas educacionais têm dimensões políticas e que os educadores, consciente ou inconscientemente, contribuem para reproduzir ou transformar estruturas sociais.
A valorização da diversidade de saberes e experiências, o reconhecimento das diferentes formas de aprender e a promoção de ambiente de respeito às diferenças constituem elementos cruciais para a escolarização que instrui e empodera os indivíduos. Estes princípios alinham-se com a necessidade contemporânea de educação inclusiva, que valoriza a individualidade de cada educando e coloca a avaliação a serviço do desenvolvimento integral.
A educação crítica, portanto, não é um conjunto de técnicas pedagógicas, mas uma postura ética e política comprometida com a transformação social e a promoção da justiça educacional. Particularmente no contexto da formação de psicólogos, a educação crítica é fundamental, pois capacita os futuros profissionais a compreender as dimensões sociais, políticas e culturais dos problemas psicológicos e a atuar como agentes de transformação social. A educação crítica também promove a reflexão sobre as próprias práticas e pressupostos, desenvolvendo nos educandos capacidade de autocrítica e reflexividade (Freire, 1987; Giroux, 1988).
Nesse contexto, a educação crítica transformadora exige nova postura do educador no curso de Psicologia, que deixa de atuar como mero transmissor de conteúdos para ser mediador do processo de aprendizagem. Essa atuação pressupõe o compromisso com o diálogo, a problematização da realidade e a valorização das experiências dos educandos. Ao adotar a postura reflexiva e ética, o educador favorece o desenvolvimento da consciência crítica e da autocrítica, essenciais à formação do psicólogo. Dessa forma, a prática docente estimula a construção de saberes contextualizados, preparando profissionais capazes de compreender e intervir de maneira crítica e transformadora nas demandas sociais.
UMA NOVA POSTURA DO EDUCADOR
A consolidação da nova postura do educador é indispensável diante das demandas educacionais contemporâneas e das transformações sociais que atravessam o ensino superior. Esse novo posicionamento requer a superação de práticas tradicionais centradas na transmissão de conteúdos, abrindo espaço para processos de ensino mais dialógicos e participativos. O educador é ativo na mediação do conhecimento, estimulando a autonomia, a reflexão e o protagonismo dos educandos. Assim, a prática pedagógica se orienta para a construção coletiva do saber, favorecendo aprendizagens significativas e o desenvolvimento integral dos educandos.
A transformação das práticas pedagógicas exige, fundamentalmente, uma mudança na postura do educador. Schön (2000) alega que o educador contemporâneo não pode permanecer como transmissor de conhecimento, mas deve ser mediador, facilitador e orientador do processo de aprendizagem. Esta nova postura implica desenvolvimento de competências específicas e adoção de atitudes reflexivas e humanizadas.
O educador deve fornecer respostas que gerem a reflexão, criar condições para que os educandos construam as próprias compreensões e desenvolvam capacidade de resolução de problemas. Esta mudança de postura representa a transformação profunda na identidade profissional do educador. O educador que abraça esta nova postura modifica as práticas e transforma a compreensão sobre a função e as responsabilidades na formação de novos profissionais (Perrenoud, 2002).
O educador que adota MA deve criar ambientes de aprendizagem desafiadores e significativos, nos quais os educandos se sintam motivados a participar ativamente da construção do conhecimento. Deve, igualmente, desenvolver habilidades de observação e interpretação de evidências de aprendizagem, para fornecer feedback eficaz e implementar estratégias de intervenção pedagógica adequadas (Schön, 2000).
Este educador precisa ser versátil, capaz de adaptar as estratégias às necessidades específicas de diferentes grupos de educandos, reconhecendo que não existe uma abordagem única que funcione para todos. A competência do educador em trabalhar com a diversidade é, na ótica de Perrenoud (2002), fundamental para o sucesso das MA. O educador deve desenvolver habilidades de comunicação clara e empática, permitindo que os educandos se sintam ouvidos e valorizados
Além disso, o educador deve cultivar postura reflexiva sobre a própria prática, questionando constantemente a efetividade das estratégias e buscando aprimoramento contínuo. Esta reflexividade permite que o educador adapte as práticas às necessidades específicas dos educandos, reconhecendo a diversidade e promovendo inclusão. Finalmente, o educador deve estar comprometido com a educação crítica, contribuindo para a formação de indivíduos autônomos, críticos e reflexivos, preparados para atuar como agentes de transformação social (Schön, 1983).
A formação continuada do educador não é, portanto, um complemento opcional, mas um componente essencial da atuação profissional. Perrenoud (2002) comunga com os pensamentos de Schön (2000) quanto ao educador, que busca constantemente aprimorar-se, demonstrar aos educandos a pertinência da aprendizagem contínua e do compromisso com a excelência. A reflexão sobre a prática pedagógica, realizada individualmente ou em colaboração com colegas, constitui estratégia fundamental para o desenvolvimento profissional contínuo.
Perrenoud (2002) alerta que a implementação de MA na Psicologia enfrenta diversos desafios que precisam ser considerados e superados. Um dos principais desafios refere-se à resistência institucional e cultural. Muitas instituições educacionais mantêm estruturas e práticas tradicionais, e a mudança para abordagens mais inovadoras requer vontade política e investimento em infraestrutura, formação de docentes e revisão de currículos.
Além disso, educadores que foram formados sob paradigmas tradicionais podem encontrar dificuldades em adotar novas posturas pedagógicas, particularmente quando enfrentam pressões por resultados quantificáveis e rankings educacionais. A mudança institucional é um processo lento e complexo que requer comprometimento de múltiplos atores: administradores, educadores, educandos e comunidade (Silva et al., 2025; Henderson et al., 2021).
Outro desafio significativo relaciona-se ao tamanho das turmas e à disponibilidade de recursos. Silva, et al. (2025) acredita que as Metodologias Ativas, particularmente a ABC e a ABP, frequentemente requerem turmas menores e maior dedicação de tempo do educador para orientação e feedback individualizado. Em contextos de recursos limitados e turmas grandes, a implementação dessas metodologias pode tornar-se desafiadora.
No entanto, pesquisas recentes como de Henderson, et al. (2021) demonstram que mesmo em contextos adversos, é possível adaptar e implementar estratégias de Metodologias Ativas de forma criativa e eficaz. A tecnologia educacional oferece possibilidades para ampliar o alcance dessas metodologias, permitindo colaboração e feedback mesmo em contextos de educação a distância. A utilização de plataformas digitais, ferramentas de colaboração online e ambientes virtuais de aprendizagem pode facilitar a implementação de Metodologias Ativas mesmo com recursos limitados.
Apesar dos desafios, as perspectivas para a implementação de Metodologias Ativas na Psicologia são promissoras. Siemens (2005) indica que o crescente corpo de pesquisa demonstra a efetividade dessas abordagens na promoção de Aprendizagem Significativa, desenvolvimento de competências e preparação de profissionais capacitados. Instituições educacionais de excelência em todo o mundo têm adotado e adaptado Metodologias Ativas, demonstrando que é possível conciliar rigor acadêmico com abordagens inovadoras.
A tendência global de transformação digital na educação também oferece oportunidades para expandir e enriquecer as Metodologias Ativas, permitindo novas formas de colaboração, interação e construção de conhecimento. O futuro da educação superior dependerá, em grande medida, da capacidade das instituições e educadores de se adaptarem a essas mudanças e de abraçarem abordagens inovadoras que coloquem os educandos no centro do processo educativo (Perrenoud, 2002).
No que tange a integração de tecnologia nas Metodologias Ativas representa uma oportunidade significativa para ampliar as possibilidades de aprendizagem e tornar essas abordagens acessíveis. Ferramentas digitais como plataformas de colaboração online, ambientes virtuais de aprendizagem, simuladores e recursos multimídia podem enriquecer as experiências de aprendizagem e facilitar a implementação de estratégias pedagógicas inovadoras. A tecnologia não substitui o educador, mas oferece ferramentas que podem potencializar as práticas e criar novas oportunidades para interação e aprendizagem. A integração de tecnologia deve ser realizada de forma reflexiva e crítica, considerando sempre o objetivo pedagógico e o bem-estar dos educandos (Weller, 2011).
Plataformas de aprendizagem colaborativa permitem que educandos trabalhem em grupo mesmo quando geograficamente dispersos, facilitando a implementação de metodologias como ABP e ABPj. Simuladores e ambientes virtuais de aprendizagem podem criar contextos realistas para a prática de habilidades e resolução de problemas. Recursos multimídia como vídeos, animações e infográficos podem tornar conceitos complexos mais acessíveis e compreensíveis. A tecnologia também oferece possibilidades para coleta e análise de dados sobre o processo de aprendizagem, permitindo que educadores identifiquem padrões e adaptem as práticas conforme necessário. No entanto, é importante que a integração de tecnologia não se torne um fim em si mesma, mas um meio para promover Aprendizagem Significativa e desenvolvimento integral (Siemens, 2005).
A nova postura do educador no curso de Psicologia articula-se diretamente ao desenvolvimento das competências essenciais para o século XXI, como o pensamento crítico, a criatividade, a comunicação e a colaboração. Ao atuar como mediador do conhecimento, o educador cria espaços de aprendizagem que estimulam a autonomia intelectual, a resolução de problemas complexos e a tomada de decisões éticas. Essa abordagem favorece a construção de habilidades socioemocionais, como a empatia, a responsabilidade e a adaptabilidade, fundamentais para a atuação profissional contemporânea. Dessa forma, o educador contribui para a formação de psicólogos preparados para lidar com contextos dinâmicos, diversos e socialmente desafiadores.
COMPETÊNCIAS ESSENCIAIS PARA O SÉCULO XXI
As competências essenciais para o século XXI refletem as profundas transformações socioculturais e tecnológicas que impactam a formação profissional e a atuação no mundo do trabalho. Essas competências ultrapassam o domínio de conhecimentos técnicos, abrangendo habilidades cognitivas, sociais, emocionais e éticas. A capacidade de pensar criticamente, comunicar-se de forma eficaz, colaborar em contextos diversos e adaptar-se a mudanças constantes torna-se indispensável. Nesse cenário, a educação é estratégica na formação de sujeitos autônomos, criativos e comprometidos com a construção de soluções responsáveis para os desafios contemporâneos.
O século XXI apresenta demandas profissionais e sociais distintas daquelas do século anterior, exigindo que as instituições educacionais preparem os educandos para um mundo caracterizado pela incerteza, complexidade e mudança acelerada. Neste contexto, as competências tradicionais baseadas exclusivamente em conhecimento técnico mostram-se insuficientes. Pesquisadores e organismos internacionais como a United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization (UNESCO, 2017) e a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE, 2018) identifica um conjunto de competências essenciais para o século XXI, frequentemente denominadas como habilidades do século XXI ou competências transversais. Estas competências incluem pensamento crítico, criatividade, comunicação, colaboração, resolução de problemas, inteligência emocional e capacidade de aprendizagem contínua.
As Metodologias Ativas mostram-se eficazes na promoção dessas competências essenciais. Quando os educandos trabalham em grupos para resolver problemas complexos, desenvolvem habilidades de colaboração e comunicação. Quando são encorajados a questionar pressupostos e analisar criticamente informações, desenvolvem pensamento crítico (UNESCO, 2017). Quando precisam adaptar as estratégias conforme enfrentam novos desafios, desenvolvem criatividade e capacidade de resolução de problemas. Quando refletem sobre as experiências de aprendizagem, desenvolvem inteligência emocional e autoconsciência. Desta forma, as Metodologias Ativas promovem aprendizagem de conteúdos específicos e desenvolvem competências fundamentais para o sucesso profissional e pessoal no século XXI.
A educação superior tem responsabilidade quanto à promoção dessas competências, pois os educandos frequentemente se tornarão líderes, profissionais e cidadãos influentes nas comunidades. A formação de profissionais que possuem conhecimento técnico e demonstram pensamento crítico, criatividade, capacidade de colaboração e compromisso com aprendizagem contínua, constitui investimento fundamental na construção de uma sociedade mais inovadora, justa e sustentável (OCDE, 2018). As Metodologias Ativas e a avaliação formativa, quando bem implementadas, oferecem caminho viável para que as instituições de Psicologia cumpram essa responsabilidade e preparem os educandos para os desafios e oportunidades do século XXI.
A avaliação formativa, na ótica de Luckesi (2011), oferece mecanismo contínuo para identificar educandos que enfrentam dificuldades e implementar intervenções pedagógicas apropriadas. Quando os educadores utilizam avaliação formativa para compreender o processo de aprendizagem de cada educando, podem identificar barreiras específicas e desenvolver estratégias para superá-las.
A educação superior contemporânea enfrenta o desafio adicional de preparar profissionais capazes de contribuir para a construção de uma sociedade mais sustentável e responsável socialmente. Os desafios globais, para Gadotti (2000), demandam profissionais que possuem conhecimento técnico e compreendem as dimensões sociais, ambientais e éticas desses problemas e estão comprometidos com a ação transformadora. As Metodologias Ativas e a educação crítica oferecem oportunidades para integrar questões de sustentabilidade e responsabilidade social no currículo, promovendo a Ecopedagogia que vincula o aprendizado à vida e ao planeta.
Quando educadores utilizam Metodologias Ativas para explorar problemas reais, os educandos desenvolvem compreensão profunda desses temas e, simultaneamente, competências como pensamento crítico e colaboração. Por exemplo, educandos de Psicologia podem trabalhar em projetos que exploram os impactos de desigualdade social, aplicando o conhecimento para a transformação da realidade. Esta abordagem enriquece a aprendizagem e contribui para o desenvolvimento da consciência crítica, superando a visão fragmentada do conhecimento em prol da prática social consciente (Gadotti, 2000).
A integração de sustentabilidade e responsabilidade social na educação superior é uma necessidade urgente. Saviani (2011) revela que as instituições têm a responsabilidade de preparar profissionais que compreendem os impactos das ações. As Metodologias Ativas, combinadas com a educação crítica, são ferramentas poderosas para a formação de sujeitos históricos capazes de enfrentar os desafios complexos do século XXI por meio da práxis — a união entre teoria e ação.
Um crescente corpo de pesquisa na didática e na psicologia da educação investiga a efetividade das Metodologias Ativas, produzindo evidências robustas. Estudos demonstram que educandos expostos a esses métodos apresentam melhor desempenho em avaliações, particularmente em medidas de pensamento crítico e aplicação de conhecimento. Além disso, a aprendizagem construída por meio da atividade do sujeito tende a ser duradoura, pois se baseia na construção ativa do conhecimento e não na mera recepção passiva (Libâneo, 2013).
As competências transversais, segundo o autor, demonstram a efetividade dessas práticas. Há indícios de que os educandos desenvolvem melhor capacidade de comunicação e colaboração. Além disso, a mediação pedagógica ativa resulta em maior motivação intrínseca, promovendo a disposição para a aprendizagem contínua. Na perspectiva de Vygotsky (2007) valoriza a interação social no desenvolvimento das funções psicológicas superiores.
No entanto, a efetividade não é automática, mas depende de uma implementação reflexiva. Pesquisas, como de Libâneo (2013), identificaram que o sucesso depende da formação docente e do design apropriado das atividades. Estes achados reforçam a importância da formação continuada de educadores e de políticas que apoiem a transição de uma pedagogia tradicional para uma pedagogia histórico-crítica ou libertadora. As evidências fornecem fundamento sólido para a adoção de Metodologias Ativas, desde que acompanhadas de suporte institucional.
Com base na análise teórica e nas evidências de pesquisa apresentadas, é possível formular recomendações práticas para a implementação de Metodologias Ativas e avaliação formativa na Psicologia. Primeiramente, é fundamental que as instituições educacionais desenvolvam políticas que incentivem a adoção dessas abordagens. Isto inclui a valorização do saber docente e a criação de tempos e espaços para a formação continuada, entendendo que o desenvolvimento do educador ocorre na reflexão sobre a própria prática (Nóvoa, 1992). É imperativo que as instituições fomentem comunidades de aprendizagem onde o compartilhamento de experiências entre pares fortaleça a identidade profissional e a inovação pedagógica.
Em nível de disciplina, os educadores devem começar por clarificar os objetivos de aprendizagem, alinhando as metodologias a esses fins. É necessário selecionar métodos apropriados para contextos específicos, reconhecendo que a técnica deve estar a serviço da intencionalidade pedagógica. Freire (1996) comenta que o educador deve investir no design cuidadoso das atividades, garantindo que sejam desafiadoras e significativas, funcionando como mediador no processo de construção do conhecimento. Além disso, é fundamental criar um ambiente de diálogo e confiança, onde o erro não seja motivo de exclusão, mas sim o ponto de partida para a reorientação da aprendizagem e do crescimento do educando.
Luckesi (2011) salienta que educadores devem implementar a avaliação formativa de forma consistente, utilizando-a como um ato amoroso e diagnóstico que fornece feedback contínuo. A avaliação deve servir para reorientar o trabalho docente e para que o educando tome consciência do percurso. Além disso, o envolvimento dos educandos em processos de autoavaliação e avaliação participativa é essencial para o desenvolvimento da autonomia e da consciência crítica. Estas recomendações, quando implementadas de forma reflexiva e dialógica, oferecem um caminho viável para a verdadeira transformação pedagógica na Psicologia.
As competências essenciais para o século XXI estão relacionadas com perspectivas futuras, uma vez que preparam os indivíduos para lidar com cenários complexos, incertos e dinâmicos. O desenvolvimento do pensamento crítico, da criatividade e da capacidade de adaptação possibilita respostas inovadoras às rápidas transformações sociais, tecnológicas e profissionais. Além disso, habilidades como a colaboração, a comunicação e a responsabilidade ética são fundamentais para a construção de soluções sustentáveis e socialmente comprometidas. Dessa forma, investir nessas competências contribui para a formação de profissionais capazes de atuar de maneira proativa e consciente, ampliando as possibilidades de inserção e protagonismo no futuro.
PERSPECTIVAS FUTURAS
As Metodologias Ativas e a avaliação formativa são primordiais no Curso de Psicologia ao promoverem processos de aprendizagem participativos, reflexivos e contextualizados. Essas abordagens favorecem o protagonismo do educando, estimulando a construção do conhecimento a partir da experiência, do diálogo e da problematização da prática profissional. Ao integrar ensino, aprendizagem e avaliação de forma contínua, criam-se condições para o desenvolvimento de competências cognitivas, éticas e socioemocionais. Nesse contexto, o processo formativo é significativo, preparando futuros psicólogos para a atuação crítica, humanizada e alinhada às demandas contemporâneas.
Com base na análise teórica e nas evidências de pesquisa apresentadas, é possível formular recomendações práticas para a implementação de Metodologias Ativas e avaliação formativa na Psicologia. Primeiramente, Nóvoa (1992) acentua que é fundamental as instituições educacionais desenvolverem políticas que incentivem a adoção dessas abordagens. Isto inclui a valorização do saber docente e a criação de tempos e espaços para a formação continuada, entendendo que o desenvolvimento do educador ocorre na reflexão sobre a própria prática. É imperativo que as instituições fomentem comunidades de aprendizagem onde o compartilhamento de experiências entre pares fortaleça a identidade profissional e a inovação pedagógica.
Em nível de disciplina, os educadores devem começar por clarificar os objetivos de aprendizagem, alinhando as metodologias a esses fins. É importante selecionar métodos apropriados para contextos específicos, reconhecendo que a técnica deve estar a serviço da intencionalidade pedagógica. O educador deve investir no design cuidadoso das atividades, garantindo que sejam desafiadoras e significativas, funcionando como mediador no processo de construção do conhecimento. Além disso, é fundamental criar um ambiente de diálogo e confiança, onde o erro não seja motivo de exclusão, mas sim o ponto de partida para a reorientação da aprendizagem e do crescimento do educando (Freire, 1996).
Finalmente, é importante que educadores implementem a avaliação formativa de forma consistente, utilizando-a como um ato amoroso e diagnóstico que fornece feedback contínuo. Luckesi (2011) aponta que a avaliação deve servir para reorientar o trabalho docente e para que o educando tome consciência do percurso. Além disso, o envolvimento dos educandos em processos de autoavaliação e avaliação participativa é essencial para o desenvolvimento da autonomia e da consciência crítica. Estas recomendações, quando implementadas de forma reflexiva e dialógica, oferecem um caminho viável para a verdadeira transformação pedagógica na Psicologia.
A implementação bem-sucedida de Metodologias Ativas requer que o currículo seja pensado de forma integrada e coerente. Na concepção de Libâneo (2013), um currículo fragmentado, no qual disciplinas são oferecidas de forma isolada sem conexões claras entre elas, dificulta a implementação de Metodologias Ativas que buscam promover a Aprendizagem Significativa e integrada. Currículos integrados, por outro lado, permitem que educandos façam conexões entre diferentes disciplinas e desenvolvam compreensão holística de temas complexos. A organização do currículo em torno de temas ou problemas interdisciplinares oferece oportunidades para que educandos trabalhem em Metodologias Ativas como ABP ou ABPj que demandam integração de conhecimentos de múltiplas disciplinas,
A coerência pedagógica também requer que objetivos de aprendizagem, estratégias pedagógicas e processos de avaliação estejam alinhados. O autor complementa dizendo que quando objetivos de aprendizagem enfatizam desenvolvimento de pensamento crítico e competências transversais, mas estratégias pedagógicas continuam centradas em transmissão de informação e avaliação contínua focada em memorização, há incoerência que prejudica a aprendizagem.
Currículos coerentes, por outro lado, apresentam alinhamento claro entre objetivos, estratégias e avaliação. A implementação de Metodologias Ativas oferece oportunidade para criar essa coerência, pois essas metodologias naturalmente promovem desenvolvimento de competências transversais e permitem implementação de avaliação formativa que está alinhada com objetivos de aprendizagem.
Além disso, Luckesi (2011) cita que currículos integrados permitem que educandos desenvolvam compreensão de como conhecimentos de diferentes disciplinas se conectam e se aplicam em contextos reais. Esta compreensão integrada é particularmente importante na formação de profissionais como psicólogos, que precisam integrar conhecimentos de múltiplas áreas como biologia, psicologia social, psicologia clínica e outras para compreender e intervir em problemas psicológicos complexos.
Quando os educandos aprendem disciplinas de forma isolada, frequentemente têm dificuldade em integrar conhecimentos e aplicá-los em contextos profissionais reais. Currículos integrados, particularmente quando combinados com Metodologias Ativas, permitem que educandos desenvolvam capacidade de integrar conhecimentos e aplicá-los de forma significativa em contextos reais (Freire, 1996)
Para que instituições educacionais compreendam o impacto das práticas pedagógicas e façam ajustes informados, Ristoff (2003) ressalta que é fundamental implementar sistemas robustos de avaliação institucional. A avaliação institucional não se refere apenas a avaliação de desempenho individual de educandos, mas a avaliação sistemática de como as práticas e políticas institucionais afetam a aprendizagem e desenvolvimento dos educandos. Instituições que implementam Metodologias Ativas devem coletar dados sobre o impacto dessas metodologias na aprendizagem dos educandos, desenvolvimento de competências transversais, satisfação dos educandos e resultados profissionais após a conclusão do curso. Estes dados permitem que instituições avaliem se as práticas estão alcançando objetivos pretendidos e identifiquem áreas para melhoria.
Sistemas de avaliação institucional eficazes devem incluir múltiplas fontes de dados e perspectivas. Dados quantitativos como notas de educandos, taxas de retenção e resultados em avaliações padronizadas oferecem informações importantes, mas devem ser complementados por dados qualitativos como entrevistas com educandos e educadores, análise de portfólios de educandos e observação de práticas em sala de aula. Além disso, é importante coletar dados sobre percepção de educandos e educadores sobre qualidade da educação, ambiente de aprendizagem e satisfação. A triangulação de múltiplas fontes de dados oferece compreensão mais completa e confiável sobre o impacto das práticas pedagógicas (Franco, 2006).
Além de coletar dados sobre impacto, é fundamental que instituições utilizem esses dados para fazer melhorias contínuas. Na ótica de Dias Sobrinho (2003), os ciclos de avaliação e melhoria contínua, nos quais as instituições coletam dados, analisam resultados, identificam áreas para melhoria e implementam mudanças, permitem que instituições evoluam continuamente em direção a maior qualidade. Importante também é que resultados de avaliação institucional sejam compartilhados com educadores e educandos, permitindo que todos compreendam como as práticas estão funcionando e contribuindo para melhoria. Quando a avaliação institucional é usada de forma construtiva para promover melhoria contínua, oferece ferramentas para a transformação pedagógica.
A implementação de Metodologias Ativas oferece oportunidades para que instituições educacionais criem parcerias com comunidade e profissionais de prática para integrar aprendizagem acadêmica com experiência profissional real. Quando educandos trabalham em projetos que envolvem problemas reais da comunidade ou profissionais que trabalham em campo compartilham as experiências e conhecimentos com educandos, a aprendizagem torna-se mais significativa e relevante. Estas parcerias permitem que educandos desenvolvam compreensão de como conhecimentos acadêmicos se aplicam em contextos profissionais reais e desenvolvem redes de contatos que podem ser valiosas para a carreira Profissional (Gadotti, 2017)
Parcerias com comunidade também beneficiam a comunidade e profissionais de prática. O autor revela que quando instituições educacionais trabalham em parceria com a comunidade para resolver problemas reais, contribuem para o bem-estar da comunidade enquanto oferecem oportunidades de aprendizagem valiosas para os educandos. Profissionais de prática, beneficiam-se de perspectivas e conhecimentos de educadores e educandos, e têm oportunidade de contribuir para formação de próxima geração de profissionais. Estas parcerias criam relacionamentos mutuamente benéficos que fortalecem tanto instituições educacionais quanto comunidade e profissionais de prática.
Integração de prática profissional no currículo por meio de Metodologias Ativas também permite que educandos desenvolvam competências profissionais importantes como trabalho em equipe multidisciplinar, comunicação com stakeholders diversos e capacidade de navegar complexidades de contextos profissionais reais. Quando os educandos têm oportunidades para trabalhar em projetos reais com profissionais e comunidade, desenvolvem conhecimento técnico, sabedoria prática e compreensão de dimensões éticas e sociais da prática profissional. Esta integração de aprendizagem acadêmica com prática profissional real prepara educandos de forma mais eficaz para sucesso nas carreiras profissionais (Forproex, 2012).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise apresentada neste artigo demonstra que a transformação das práticas pedagógicas na Psicologia exige abordagem integrada e multifacetada. A adoção de Metodologias Ativas, fundamentadas na Teoria da Aprendizagem Significativa de Ausubel e alinhadas aos princípios da educação crítica de Freire, constitui estratégia viável e eficaz para a promoção de aprendizagem profunda e desenvolvimento integral dos educandos. A implementação bem-sucedida dessas metodologias requer conhecimento teórico, disposição para mudança e comprometimento com a melhoria contínua. As instituições educacionais que reconhecem a importância dessa transformação e investem na implementação estarão melhor posicionadas para atender às demandas de uma sociedade em constante mudança.
A implementação de avaliação formativa, como processo contínuo e integrado à prática educativa, permite que educadores orientem o processo de aprendizagem e forneça feedback significativo aos educandos. Esta abordagem avaliativa transcende a função classificatória e contribui para o desenvolvimento de autonomia, metacognição e pensamento crítico. Quando implementada adequadamente, a avaliação formativa torna-se ferramenta poderosa para o desenvolvimento integral dos educandos, permitindo que cada indivíduo progrida no próprio ritmo enquanto desenvolve competências essenciais. A avaliação formativa, portanto, não é apenas um mecanismo de medição, mas um instrumento de transformação pedagógica que promove equidade e inclusão.
Fundamentalmente, a transformação pedagógica depende de uma nova postura do educador. O educador reflexivo, comprometido com a educação crítica e capacitado para implementar Metodologias Ativas, constitui elemento central para a elevação da qualidade do ensino. A atuação como mediador e facilitador do processo de aprendizagem, a capacidade de criar ambientes significativos e a dedicação ao desenvolvimento integral dos educandos são fatores determinantes para o sucesso da formação profissional. O educador que abraça esta nova postura Contribui para o sucesso acadêmico dos educandos e participa da transformação social. A responsabilidade do educador transcende a sala de aula, estendendo-se à formação de cidadãos críticos e reflexivos capazes de contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa.
Conclui-se que a combinação de uma postura reflexiva do educador, a adoção de Metodologias Ativas e a implementação de avaliação formativa constituem elementos fundamentais para a formação de profissionais capacitados, críticos e reflexivos, preparados para enfrentar os desafios da prática profissional e contribuir para a transformação social. A educação, assim compreendida, transcende a transmissão de conhecimento, sendo transformadora na formação de indivíduos autônomos e conscientes.
Futuras pesquisas devem explorar mais profundamente como essas abordagens podem ser adaptadas a diferentes contextos educacionais e disciplinas, bem como investigar os impactos de longo prazo na formação profissional e no desenvolvimento pessoal dos educandos. O caminho para a transformação pedagógica é desafiador, mas necessário e urgente.
A educação superior tem o potencial de ser força transformadora na sociedade, e cabe aos educadores, instituições e formuladores de políticas públicas o compromisso de fazer essa transformação realidade. A integração de sustentabilidade, equidade e responsabilidade social na educação superior, combinada com Metodologias Ativas e avaliação formativa, oferece caminho viável para que as instituições educacionais cumpram a missão de formar profissionais competentes tecnicamente e comprometidos com bem-estar humano e transformação social. A formação continuada de educadores, desenvolvimento de currículos integrados, implementação de sistemas de avaliação institucional e parcerias com comunidade constituem elementos complementares fundamentais para sucesso dessa transformação pedagógica.
REFERÊNCIAS
AUSUBEL, D. P. The Acquisition and Retention of Knowledge: A Cognitive View. Dordrecht: Springer, 2014. 230p.
BLOOM, B. S. et al. Taxonomy of educational objectives. New York: David Mckay, 1956. 262p.
BRASIL. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO (ME). Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Graduação em Psicologia. Brasília: MEC, 2018. Disponível em: https://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/CES1314.pdf. Acesso em: 14 set. 2025.
DIAS SOBRINHO, J. Avaliação da educação superior. São Paulo: Cortez, 2003. 235p.
FIRMIANO, R. F. Avaliação formativa: contribuições para a prática pedagógica.In: Anais do X Congresso Nacional De Educação, 2011, Curitiba: PUCPR, 2011. ISSN: 2176-1396. Disponível em: https://observatoriodeeducacao.institutounibanco.org.br/cedoc/detalhe/x-congresso-nacional-de-educacao,fc47a7ce-a6e5-49fa-a840-c455db5ad731. Acesso em: 14 set. 2025.
FRANCO, M. L. P. B. Análise de conteúdo. Brasília: Liber, 2006. 79p.
FORPROEX. Política Nacional de Extensão Universitária. Manaus: Fórum de Pró-Reitores de Extensão das Instituições Públicas de Educação Superior Brasileiras, 2012. Disponível em: https://proexc.ufu.br/sites/proexc.ufu.br/files/media/document//Politica_Nacional_de_Extensao_Universitaria_-FORPROEX-_2012.pdf. Acesso em: 14 set. 2025.
FREIRE, P. Extensão ou Comunicação? Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987. 128p.
FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996. 144p.
FREIRE, P. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987. 256p.
GADOTTI, M. Extensão Universitária: política e gestão. São Paulo: Instituto Paulo Freire, 2017. 280p.
GADOTTI, M. Pedagogia da Terra. São Paulo: Fundação Peirópolis, 2000. 224p.
GIROUX, H. A. Teachers as Intellectuals: Toward a Critical Pedagogy of Learning. Nova York e Londres: Bergin and Garvey, 1988. 243p.
HENDERSON, K. J. et al. Addressing Barriers to Implementing Problem-Based Learning. AANA Journal, v. 89, n. 2, p. 117-24, 2021. ISSN 0094-6354.Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33832571/. Acesso em: 06 set. 2025.
LIBÂNEO, J. C. Didática. São Paulo: Cortez, 2013. 288p.
LUCKESI, C. C. Avaliação da aprendizagem componente do ato pedagógico. São Paulo: Cortez, 2011. 448p.
NÓVOA, A. Firmar a posição como professor, afirmar a profissão docente. Cadernos de Pesquisa, v. 47, n. 166, p. 1106-33, 2017. DOI: https://doi.org/10.1590/198053144843 Disponível em: https://www.scielo.br/j/cp/a/WYkPDBFzMzrvnbsbYjmvCbd/abstract/?lang=pt. Acesso em 05 jan 2026.
ORGANIZAÇÃO PARA A COOPERAÇÃO E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO (OCDE). Relatórios Econômicos OCDE. Brasil 2018. Disponível em:https://www.oecd.org/pt/publications/2018/02/oecd-economic-surveys-brazil-2018_g1g89b03.html. Acesso em: 5 out. 2025.
PERRENOUD, P. Avaliação: da excelência à regulação das aprendizagens. Porto Alegre: Artmed, 1999. 184p. Título original: L’évaluation des élèves: de la fabrication de l’excellence à la régulation des apprentissages – entre deux logiques
PERRENOUD, P. Construir as competências desde a escola. Porto Alegre: Artmed, 2002. 96p. Título original: Construire des compétences dès l’école
RISTOFF, D.I. Avaliação participativa: para uma nova cultura avaliativa. Brasília: INEP, 2003.241p.
SAVIANI, D. Pedagogia Histórico-Crítica: primeiras aproximações. Campinas: Autores Associados, 2011.153p.
SCHÖN, D. A. Educando o Profissional Reflexivo: um novo design para o ensino e a aprendizagem. Porto Alegre: Artmed, 2000. 256p. Título original: Educating the Reflective Practitioner: Toward a New Design for Teaching and Learning in the Professions.
SILVA, K. L. et al. Metodologias Ativas e Engajamento No Ensino Superior. Pesquisas em Educação, p. 73, 2025. DOI: 10.29327/5480500 Disponível em https://www.researchgate.net/profile/Ronald-Americo-Da-Silva/publication/397895280_biologia_celular_e_doencas_geneticas_educando_para_a_compreensao_e_prevencao/links/6923d3c67185551710630933/biologia-celular-e-doencas-geneticas-educando-para-a-compreensao-e-prevencao.pdf#page=73 Acesso em: 5 jan 2025.
SIEMENS, G. Conectivismo: Aprendizagem como criação de redes. ASTD Learning News, v. 10, n. 1, 2005. ISSN 2161-4393. Disponível em: https://masters.donntu.ru/2010/fknt/lozovoi/library/article4.htm. Acesso em: 6 jan. 2025.
UNITED NATIONS EDUCATIONAL, SCIENTIFIC AND CULTURAL ORGANIZATION (UNESCO). Educação para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: objetivos de aprendizagem. Brasília: UNESCO, 2017. Disponível em: https://unesdoc.unesco.org/in/documentViewer.xhtml?v=2.1.196&id=p::usmarcdef_0000252197&file=/in/rest/annotationSVC/DownloadWatermarkedAttachment/attach_import_3acb5be4-019b-4e86-aaad-d439004908df%3F_%3D252197por.pdf&locale=en&multi=true&ark=/ark:/48223/pf0000252197/PDF/252197por.pdf#%5B%7B%22num%22%3A77%2C%22gen%22%3A0%7D%2C%7B%22name%22%3A%22XYZ%22%7D%2C-168%2C828%2C0%5D. Acesso em: 6 jan. 2025.
VERGARA, J. Aprendo porque quiero: el Aprendizaje Basado en Proyectos (ABP) paso a paso. Madrid: SM, 2016. 223p.
WELLER, M . O Acadêmico Digital: Como a Tecnologia Está Transformando a Prática Acadêmica. Basingstoke: Bloomsbury Academic. 2011. 256p.
VYGOTSKY, L. S. A Formação Social da Mente. São Paulo: Martins Fontes, 1991. 224p. Título original: Mind in Society: The Development of Higher Psychological Processes.
ZABALA, A. A Prática Educativa: Como Ensinar. Porto Alegre: Artmed, 1998. 224p.
