SCHOOL INCLUSION: CHALLENGES AND POTENTIAL IN EVERYDAY EDUCATIONAL LIFE
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202508311050
Darcilena das Graças Mielke de Paula1
Aida Dominato Gonçalves2
Maria Lúcia de Oliveira Perozzo3
Odete Aparecida Sperandio4
Dr. Diogenes José Gusmão Coutinho5
Resumo
A inclusão escolar, cujo objetivo é mais do que garantir o acesso de todos à educação, é assegurar uma educação de qualidade que respeite as singularidades dos estudantes, especialmente daqueles com deficiência, tem se consolidado como um dos principais desafios enfrentados pelas instituições de ensino em época contemporânea. Este trabalho tem por objetivo refletir sobre os desafios e as potencialidades da prática pedagógica inclusiva no contexto educacional brasileiro. Com relação ao método adotado, tem-se a revisão de literatura a ser desenvolvida através da pesquisa bibliográfica. Os resultados apontam que para uma efetiva educação inclusiva no Brasil devem-se vencer barreiras e desafios ainda existentes na prática educativa. Conclui-se que promover a inclusão escolar é mais do que um direito, uma necessidade, e que a inclusão escolar, apesar dos desafios persistentes, apresenta potencialidades que podem ser fortalecidas por meio de práticas pedagógicas comprometidas, políticas educacionais eficazes e maiores investimentos nesse sentido.
Palavras-chave: Inclusão escolar. Prática pedagógica. Ensino inclusivo. Formação docente.
Abstract
School inclusion, whose objective goes beyond guaranteeing access to education for all, aims to ensure quality education that respects the uniqueness of students, especially those with disabilities, and has been consolidated as one of the main challenges faced by educational institutions in contemporary times. This paper aims to reflect on the challenges and potentialities of inclusive pedagogical practice in the Brazilian educational context. Regarding the method adopted, a literature review will be carried out through bibliographic research. The results indicate that, for effective inclusive education in Brazil, it is necessary to overcome the barriers and challenges that still exist in educational practice. It is concluded that promoting school inclusion is more than a right—it is a necessity—and that school inclusion, despite persistent challenges, presents potentialities that can be strengthened through committed pedagogical practices, effective educational policies, and greater investments in this field.
Keywords: School inclusion. Pedagogical practice. Inclusive education. Teacher training.
1. INTRODUÇÃO
Falar em inclusão escolar vai além de garantir matrícula para todos. O verdadeiro desafio está em transformar a rotina da escola para que ela acolha, escute e responda às necessidades de cada estudante, especialmente aqueles com deficiência. Este trabalho parte de experiências concretas e reflexões da prática docente para discutir os obstáculos enfrentados no cotidiano e as possibilidades que se abrem quando a inclusão é pensada de forma séria e comprometida.
A relevância desta pesquisa está em contribuir para a formação de professores mais preparados para lidar com a diversidade em sala de aula, promovendo práticas pedagógicas inclusivas que garantam o direito à aprendizagem de todos os estudantes. Para Faria e Manjinski (2025) a educação inclusiva no Brasil é marcada por avanços e evoluções importantes e também por desafios persistentes, o que demonstra a “necessidade de um olhar mais atento para identificação de habilidades ou necessidades específicas”.
Justifica-se a escolha do tema tendo em vista que apesar de no Brasil o direito ao acesso à educação seja garantido constitucionalmente e seja um compromisso fundamental para garantir o acesso de todos os estudantes à educação, ainda existem desafios no que se refere ao acesso de estudantes que enfrentam barreiras para aprender e participar, especialmente estudantes com deficiência. Nessa seara, analisar os desafios e potencialidades da educação inclusiva no Brasil contribui para a construção de estratégias inclusivas mais eficazes, para um ambiente escolar mais acolhedor, acessível, e que respeite as singularidades de cada estudante.
Educação inclusiva significa eliminar barreiras que limitam ou impeçam a participação de todos os estudantes no processo de ensino e aprendizagem, de forma a garantir acesso ao currículo escolar de maneira equitativa, considerando as características individuais de cada estudante, pontuam Faria e Manjinski (2025). Mas existem lacunas, desafios e obstáculos para a efetivação de uma educação de fato inclusiva no Brasil, revelando um cenário de fragilidades e obstáculos que exigem medidas no campo real da prática, complementam Silva et al. (2025).
O objetivo amplo do estudo é refletir sobre os principais desafios enfrentados pelos professores no contexto da educação básica brasileira para a implementação de práticas pedagógicas inclusivas, considerando as condições de trabalho docente, a formação profissional e os recursos disponíveis no ambiente escolar. De maneira mais específica, a pesquisa busca apontar os desafios e potencialidades da educação inclusiva no Brasil para incluir estudantes com diferentes necessidades no ambiente escolar, analisar como a formação docente pode acessar e efetivar as potencialidades detectadas e enfrentar os desafios existentes, e por fim apontar os métodos, recursos e ferramentas pedagógicas que podem trazer uma educação mais inclusiva na prática pedagógica e no processo de ensino e aprendizagem.
Para isso serão analisados conceitos como práticas pedagógicas inclusivas e inovação pedagógica para fundamentar esta pesquisa, assim como a análise sobre a formação docente para o ensino inclusivo, de modo a oferecer um arcabouço teórico que permita analisar como as práticas pedagógicas devem ser elaboradas pensando também na inclusão de todos os estudantes de modo a promover um ensino inclusivo, acessível e integrador. Nesse contexto, serão importantes para a elaboração do artigo as perspectivas de diversos teóricos, como Faria e ManjinskiI (2025); Garcia; Bierhalz; Stoll (2025); Pereira et al. (2025); Probst et al. (2025); Silva; Souza; Araújo (2024) e outros mais que se fizerem necessários.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Educação inclusiva no Brasil
Este tópico consiste em apresentar as principais e mais relevantes informações acerca do cenário da educação inclusiva no Brasil de forma objetiva, contextualizando para isso a educação inclusiva no Brasil, suas lacunas, desafios e potencialidades.
De início cabe esclarecer que considerando-se os princípios e atribuições que envolvem a Educação Básica no Brasil, e de acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica (Brasil, 2013), é dever do Estado garantir uma educação acessível e de qualidade, tendo em vista que se trata de um direito de todo estudante e indispensável para a formação integral do sujeito, e nesse cenário tem destaque a educação inclusiva, ou seja, a que busca garantir o direito e acesso de todos os estudantes à educação (Aureliano; Queiroz, 2023).
A educação inclusiva como um direito teve um percurso histórico gradual, em que a educação veio perdendo seus traços segregadores e ganhando contornos mais inclusivos, inclusive com a consolidação de políticas públicas orientadas pela valorização da diversidade e pela construção de uma educação mais integrativa (Faria; Manjinski, 2025). Embora o Brasil não tenha sido pioneiro no que se refere à educação inclusiva, comprometeu-se em diversas conferências e declarações globais a adotar práticas inclusivas, que resultam em marcos legislativos desde o século XIX (Pereira et al. 2025).
Para Silva et al. (2025), a inclusão escolar vem sendo pauta nos debates acerca da democratização do acesso e permanência na educação brasileira em todas as etapas e modalidades. Nas últimas décadas ocorreram importantes avanços inclusive com relação aos marcos legais, como a promulgação da Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) e a formulação da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008), evidenciando a tentativa do compromisso por parte do governo com uma educação inclusiva e com participação plena dos estudantes.
Entretanto, na prática escolar constata-se um claro descompasso entre o que é garantido por lei e o que de fato ocorre em sala de aula tendo em vista que a inclusão, muitas vezes, não sai do plano teórico e retórico. Isso porque nem sempre são disponibilizados recursos, profissionais e estratégias necessárias para garantir e promover a participação plena de estudantes com diferentes características, origens, condições sociais, físicas, sensoriais, intelectuais ou emocionais no ambiente escolar (Silva et al. 2025).
Esse descompasso entre as garantias legais e a efetivação dos direitos garantidos pelas diversas normatizações nacionais exige possíveis encaminhamentos para tornar a educação inclusiva mais efetiva, esclarecem Faria e Manjinski (2025). A falta de acesso estrutural, a carência na formação continuada dos docentes, a sobrecarga desses profissionais e a falta de apoio especializado são alguns dos fatores que comprometem a efetivação da educação inclusiva, complementam Silva et al. (2025).
Para uma educação mais inclusiva, diversos recursos e estratégias podem ser aplicados no âmbito educacional, como bem colocam Aureliano e Queiroz (2023). Recursos como as tecnologias digitais aparecem como um importante instrumento na efetivação da aprendizagem, em especial quando se fala em uma educação mais inclusiva tendo em vista que a utilização desta ferramenta propicia a ampliação do acesso ao conhecimento por auxiliar que o conteúdo pedagógico seja adaptado às diferentes necessidades dos estudantes, promovendo assim a maior participação de todos no processo educativo, independentemente de suas limitações ou contextos sociais.
Segundo Faria e Manjinski (2025), a prática educacional inclusiva trata-se de um movimento que está sempre em construção, se aprimorando na busca por garantir o acesso de todos à educação e à valorização das habilidades de cada um, inclusive estudantes com necessidades específicas, e por superar obstáculos historicamente arraigados. A inclusão implica na superação de desafios como integração, pois muitos estudantes estão inseridos na sala de aula, mas sem participar ativamente do processo de aprendizagem.
O professor é o profissional responsável pela mediação do conhecimento e, portanto, suas ações educativas devem refletir os avanços em educação, inclusive no que tange à educação inclusiva, que deve estar presente em sua prática. Isso porque somente o conhecimento científico não é suficiente para realização dos processos de ensino e aprendizagem de forma efetiva, sendo imprescindível ir além, considerando as dificuldades e possibilidades da ação educativa de maneira acessível a todos os estudantes (Aureliano; Queiroz, 2023).
Nesse contexto cabe aqui uma breve análise sobre as percepções dos educadores sobre o ensino inclusivo. Nos estudos de Probst et al. (2025), em que participaram 23 profissionais da educação, esses esclarecem que a inclusão escolar é prejudicada por falhas na formação profissional, pela carência de recursos humanos e de infraestrutura escolar, ressaltando ainda a necessidade de formação continuada e fortalecimento do vínculo entre escola, aluno, família e comunidade.
Da mesma forma, Silva et al. (2025) aponta que o educador contemporâneo deve assumir um papel ativo na promoção da equidade na educação, pautando sua prática por valores éticos e pela reflexão sobre a função social da escola. Já os estudos de Garcia; Bierhalz e Stoll (2025) revelam a necessidade de que as universidades assumam um papel mais ativo no que se refere à formação para diversidade.
3. METODOLOGIA
Esta pesquisa, de natureza teórica, se caracteriza como revisão bibliográfica e análise documental, de método qualitativo, realizada no âmbito de plataformas como Scientific Electronic Library Online (SCIELO) e Google Acadêmico, bem como sites oficiais de educação e revistas científicas de Educação. A pesquisa será realizada a partir de diferentes estratégias, utilizando-se diferentes termos de busca com a finalidade de compor um panorama amplo sobre o tema.
Segundo Lakatos (2021), método é o conjunto das atividades sistemáticas e racionais que, com maior segurança e economia propicia que o resultado seja alcançado, que é o conhecimento válido e verdadeiro. Dentro desse conjunto de ações estão os procedimentos e técnicas utilizadas para realizar a pesquisa, que no presente artigo, por ser uma revisão bibliográfica, envolve a seleção, análise, interpretação e discussão de trabalhos científicos publicados sobre o tema escolhido.
Tendo em vista o objetivo a ser alcançado com o presente trabalho, optou-se pelo tipo de abordagem qualitativa. Esta abordagem é a que melhor vem ao encontro do que se pretende alcançar com o presente trabalho. No caso desse estudo, a pesquisa qualitativa se revela como o melhor instrumento a ser utilizado, e que melhor se presta aos objetivos do presente estudo.
Os dados serão coletados por meio dos seguintes instrumentos: livros, revistas científicas, periódicos, artigos científicos, etc. em plataformas, bibliotecas e sites acessíveis e disponíveis, durante os meses de pesquisa. Buscando-se resultados mais atualizados, a pesquisa será realizada com base em obras e artigos redigidos após o ano de 2021. Assim, como critérios de inclusão serão selecionados artigos e estudos que tratem do tema da inclusão escolar no Brasil. Já como critérios de exclusão não serão selecionados artigos que tratem de outras temáticas que não a inclusão escolar, bem como estudos publicados anteriormente a 2020.
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS
Neste capítulo, apresenta-se a análise crítica da literatura selecionada sobre a educação inclusiva, com base nos objetivos da pesquisa. Os dados foram obtidos por meio de estudos científicos nacionais e internacionais, legislações educacionais e documentos oficiais, sendo organizados em tópicos temáticos que possibilitam a interpretação e a discussão dos principais aspectos envolvidos no processo de inclusão escolar.
4.1 Delimitação e Critérios de Seleção dos Estudos
Restaram selecionados 07 artigos científicos sobre o tema publicados entre os anos de 2021 e 2025 disponíveis nas bases de dados Scielo e Google Acadêmico, além de documentos legais como as Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica (Brasil, 2013), a Lei Brasileira de Inclusão (2015) e a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008). Os critérios de inclusão consideraram estudos que abordassem diretamente práticas pedagógicas, políticas públicas e desafios da inclusão escolar.
Com relação aos filtros aplicados, buscou-se materiais do período de 2021 a 2025, com exceção de leis, diretrizes e regulamentos, no idioma português. Com relação ao recorte temático, a inclusão escolar envolve os desafios enfrentados pelos professores na formação e na implementação de práticas pedagógicas inclusivas, como a falta de preparo, recursos limitados e barreiras culturais, além das potencialidades que essa inclusão traz para o desenvolvimento dos estudantes e a transformação das práticas educativas.
4.2 Análise dos Estudos Selecionados
Nesta seção, são apresentados os estudos analisados, organizados em uma tabela para facilitar a visualização dos dados mais relevantes. A tabela abaixo sintetiza o título, autores, ano de publicação, objetivo e principais conclusões dos artigos revisados.
| Autor e ano | Objetivo | Amostra | Metodologia | Resultados | Conclusão |
| Aureliano e Queiroz (2023) | Analisar as implicações do uso das tecnologias digitais no processo de formação continuada e nas práticas dos professores alfabetizadores no que se refere à educação inclusiva. | Professores da educação básica | Qualitativa, utilizando entrevistas semiestruturadas com professores da educação básica para coletar informações sobre os desafios e potencialidades da inclusão escolar a partir da perspectiva dos próprios docentes. | As professoras alfabetizadoras desenvolveram novas práticas pedagógicas, principalmente com o uso das tecnologias digitais durante o ensino remoto emergencial. Apesar das dificuldades enfrentadas, houve uma busca ativa pelo conhecimento e apropriação desses recursos tecnológicos. | O processo resultou em uma prática reflexiva e contínua de pesquisa e aperfeiçoamento por parte das professoras, mostrando que, mesmo em contextos desafiadores como o ensino remoto na pandemia, é possível promover a formação continuada e inovação nas práticas pedagógicas. |
| Faria e ManjinskiI (2025) | O objetivo primordial consiste na reflexão acerca dos desafios do processo de inclusão escolar, bem como possíveis encaminhamentos para torná-la mais efetiva. | Educadores e estudantes do ensino regular. | Trata-se de uma pesquisa de abordagem teórica, com base em revisão de literatura sobre o tema. | É necessário fomentar as formações continuadas de professores na perspectiva inclusiva. | Há inúmeros avanços nas legislações e políticas públicas tanto no Brasil como no mundo, ainda há inúmeros desafios a serem superados, especialmente no que se refere ao desenvolvimento de práticas pedagógicas inclusivas. |
| Garcia; Bierhalz; Stoll (2025) | Identificar se os professores da educação básica tiveram, durante suas formações inicial e/ou continuada, vivências relacionadas à inclusão e refletir sobre o papel da universidade nesse processo. | 23 professores da rede pública de ensino da cidade de Dom Pedrito, situada na Região da Campanha do Rio Grande do Sul. | Estudo de caso com análise qualitativa de dados coletados por questionário online a 23 professores da rede pública de ensino. | Os resultados mostram que as universidades precisam assumir um papel mais ativo no que se refere à formação para diversidade. | Promover espaços de discussão por meio da ampliação de projetos de ensino e de extensão, inserir em seus projetos pedagógicos de curso componentes curriculares e conteúdos que abordem a educação inclusiva para além das disciplinas previstas em lei e ampliar a oferta de formação continuada a partir dos interesses dos professores. |
| Pereira et al. (2025). | Analisar a trajetória da inclusão escolar no país, destacando a transição histórica por meio das fases de exclusão, segregação, integração e, finalmente, inclusão. | O estudo não possui amostra no sentido tradicional, pois trata-se de uma pesquisa teórica e documental. | Trata-se de uma pesquisa de caráter teórico e documental, com abordagem qualitativa. O estudo baseia-se na análise de legislações, documentos oficiais e dados secundários, como o Censo Escolar. | É crucial adotar abordagens que valorizem as potencialidades de cada aluno, utilizando metodologias ativas, tecnologias assistivas e recursos acessíveis que favoreçam o aprendizado. A criação de espaços educativos colaborativos, que envolvam não apenas professores, mas também a comunidade escolar, podendo potencializar a inclusão e reduzir barreiras. | Para consolidar a educação inclusiva, é essencial uma mudança cultural e investimentos significativos. Uma verdadeira inclusão requer o compromisso de governos, escolas, famílias e sociedade, garantindo não apenas acesso, mas também qualidade no ensino, promovendo assim uma educação democrática e inclusiva para todos. |
| Probst et al. (2025) | Conhecer a percepção de profissionais da educação sobre a inserção de crianças e adolescentes com necessidades de saúde especiais na escola. | Participaram 23 profissionais da educação. | Pesquisa de campo, descritiva e exploratória, realizada em 2024, em uma escola municipal da região noroeste do Rio Grande do Sul. | A inclusão escolar de crianças e adolescentes com necessidades especiais é prejudicada por falhas na formação profissional, carência de recursos humanos e infraestrutura escolar. | Na percepção dos educadores existem dificuldades estruturais na escola e relacionadas à escassez da rede de apoio intersetorial. Ressalta-se a necessidade de formação continuada e fortalecimento do vínculo entre escola, aluno, família e comunidade. |
| Silva et al. (2025). | Investigar, com base em produção bibliográfica especializada, o papel da formação docente na efetivação da educação inclusiva, considerando os limites estruturais, as propostas metodológicas e os compromissos ético-políticos que envolveram a atuação dos professores. | Professores de formação inicial e continuada. | Pesquisa bibliográfica a partir da seleção e análise de artigos científicos publicados entre 2024 e 2025, priorizando materiais com fundamentação teórica consistente e alinhados aos temas da inclusão escolar. | A investigação demonstrou que a formação docente, ainda pautada por modelos fragmentados e conteudistas, revelou-se pouco eficaz para o enfrentamento dos desafios da educação inclusiva. Também se constatou que, embora metodologias ativas e tecnologias assistivas representassem recursos valiosos, sua utilização dependia da mediação pedagógica crítica e do comprometimento institucional. | A análise evidenciou a necessidade de políticas públicas integradas, estratégias formativas contextualizadas e aprofundamento de investigações voltadas à realidade dos sistemas escolares. |
| Silva; Souza; Araújo (2024) | Conhecer, verificar e analisar as principais bases do Programa Saúde na Escola e suas modalidades implantadas, bem como as escolas cadastradas e suas aproximações com o processo inclusão escolar, elucidando a importância da articulação entre educação e a saúde no âmbito escolar. | Composta por escolas cadastradas no Programa Saúde na Escola, totalizando oito escolas. | Trata-se de estudo do tipo documental e exploratório de abordagem quali-quantitativa. | Enquanto resultados, das escolas elegíveis para este estudo, 8 disponibilizaram o Projeto Político Pedagógico, e apenas 1 das escolas possui o Plano de Ação separado do projeto. Todas as escolas mencionam a sala de Atendimento Educacional Especializado em seu Projeto Político Pedagógico. | O estudo aponta a importância de expandir o número de escolas cadastradas baseados na realidade em que a região está inserida. |
4.3 Discussão Temática da Literatura
A maior parte das obras selecionadas se dedicou a analisar a formação docente na efetivação da educação inclusiva. Autores como Silva et al. (2025), Garcia; Bierhalz; Stoll (2025), Faria e ManjinskiI (2025) e Probst et al. (2025) destacam a importância da capacitação continuada e da reflexão crítica dos professores sobre suas práticas pedagógicas para promover ambientes escolares verdadeiramente inclusivos.
Já Aureliano e Queiroz (2023) analisaram as implicações do uso das tecnologias digitais no processo de formação continuada e nas práticas dos professores alfabetizadores no contexto de uma educação mais inclusiva. Silva; Souza; Araújo (2024) tiveram como objetivo analisar o Programa Saúde na Escola e suas modalidades implantadas, bem como as escolas cadastradas e suas aproximações com o processo inclusão escolar.
Por fim, o estudo de Pereira et al. (2025) realizou um levantamento histórico sobre a educação inclusiva no Brasil, analisando seus desafios e potencialidades e concluindo que para um ensino inclusivo o Brasil deve além de realizar investimentos significativos, promover uma mudança cultural.
5. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com base nos dados observados, pode-se concluir que no Brasil, ainda que exista uma base teórica e legal sólida no que se refere à educação inclusiva, persistem desafios que dificultam a consolidação do ensino inclusivo como uma prática efetiva nas escolas. A falta de uma educação permanente nesse sentido e a falta de investimentos sólidos faz com que a educação inclusiva no Brasil avance de forma lenta e desigual, dificultando sua efetivação como uma prática real e abrangente no cotidiano escolar.
Investir em práticas pedagógicas inovadoras também é um caminho para consolidar a educação inclusiva no cenário brasileiro por promover a valorização das diferenças, o engajamento dos estudantes e a construção de ambientes escolares mais acessíveis, participativos e equitativos.
O estudo teve como limitações a pouca pesquisa científica brasileira sobre o tema da inclusão escolar. Assim, revela-se necessário que maiores estudos ocorram com relação à formação docente, às práticas pedagógicas inclusivas e à efetividade das políticas públicas no contexto das escolas regulares de forma que o ensino inclusivo no Brasil se torne efetivamente uma realidade vivenciada em sala de aula.
REFERÊNCIAS
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1Mestranda em Ciências da Educação pela Universidade Christian Business School, licenciada em Letras e especialização em letras: Português e Literatura.
2Mestranda em Ciências da Educação pela Universidade Christian Business School, licenciada em Geografia e especialização em Estudo da Geografia no Contexto Amazônico.
3Mestranda em Ciências da Educação pela Universidade Christian Business School, licenciada em Pedagogia e especialização em Educação infantil e Alfabetização.
4Mestranda em Ciências da Educação pela Universidade Christian Business School, licenciada em História e especialização em História Contemporânea.
5Orientador no curso de Mestrado em Ciências da Educação pela Universidade Christian Business School, Dr em Biologia pela UFPE.
