FEMINISMO E EDUCAÇÃO: O PAPEL DA ESCOLA NA DESCONSTRUÇÃO DOS ESTEREÓTIPOS

FEMINISM AND EDUCATION: THE ROLE OF SCHOOL IN DECONSTRUCTING STEREOTYPES

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202602101258


Antônio Galdino Ferreira da Silva1
Elielson dos Santos Silva2


Resumo

Este trabalho buscou analisar e refletir sobre qual o papel da escola na desconstrução dos estereótipos que ainda são propagados na sociedade. Tendo como objetivo principal refletir sobre o papel das instituições escolares na desconstrução dos estereótipos de gênero, o seu papel na desconstrução dos estereótipos que a sociedade ainda propaga. Para tanto esse estudo fomentou na teoria feminista e estudos de Gênero embasada nas autoras: Márcia Tiburi (2021), Chimamanda Adchie (2017), Joice Berth (2020) e nos teóricos da Educação Oliveira e Freitas para uma análise e reflexão do tema proposto. A metodologia da pesquisa foi a revisão bibliográfica, buscando as discussões que já haviam sido debatidas sobre o assunto. Os resultados foi possível observar que na literatura e nos diversos campo de atuação docente a educação deve ser pautada na formação de sujeitos críticos, partícipes da sua própria história e da tomada de consciência da sua realidade e daqueles que vivem ao seu redor, pautada em um ensino/ aprendizagem significativos para os sujeitos sociais se tornem cidadãos politicamente ativos para atuarem na mudança de sua própria realidade. A conclusão a que se chegou é que a educação é a principal aliada para que a desconstrução dos estereótipos venha a acontecer.

Palavras-chave: Feminismo. Gênero. Educação.

1. INTRODUÇÃO

Por muito tempo, as mulheres eram vistas como seres incapazes, frágeis, não se acreditava até onde elas poderiam chegar com o seu potencial sendo excluídas e silenciadas pela família e/ou sociedade fortemente marcada pelo machismo e o patriarcado que ainda está enraizado nos modos de viver e as perspectivas negativas se perpetuam em torno destas. A partir das lutas, movimentos feministas, e a força das mulheres, foi possível a união em torno da defesa por direitos sociais, mostrando a sua capacidade na realização de diversas atividades tidas como exclusivamente masculinas e permitindo às mulheres a realização pessoal, para além da esfera doméstica e do espaço privado.

Com as inúmeras discussões sobre gênero, empoderamento feminino e o feminismo as mulheres conseguiram garantir mais visibilidade para conquistar seu espaço na sociedade e serem vistas como alguém capaz de fazer qualquer atividade independente de ser mulher, e conquistar tudo o que elas sonham e desejam, como também a garantia dos seus direitos sociais.

As questões e discussões de gênero são pautadas na sociedade depois de muitas lutas e resistências , visto que ainda há uma desigualdade em torno do ser homem e ser mulher. Uma dessas desigualdades diz respeito a diferenças salariais, mesmo desempenhando as mesmas funções trabalhistas. Estas desigualdades podem ser perpetuadas em casa, nas escolas, nos contextos sociais de um modo geral, e usualmente, se materializam a partir de discriminações apoiadas em estereótipos que são normalizados e perpetuados nas esferas educacionais e sociais. Sendo nítido e perceptível nas escolas em espaços e atividades/ brincadeiras que são marcadamente tidas como masculinas. Os pátios escolares nos momentos de brincadeiras são divididos onde se situam os espaços das meninas brincarem e os espaços dos garotos usarem o seu espaço de diversão.

Diante de algumas observações no campo de atuação profissional numa escola campesina foram observadas estas frequentes ações nas mais diversas formas de interações entre os educandos. Partindo então dessas observações surgiram então algumas inquietações que permitiram o estudo e o desenvolvimento desta pesquisa.

Partindo justamente da observação de algumas situações que aconteciam de forma pertinente principalmente nos momentos de recreação numa turma do terceiro ano das séries iniciais, com alunos entre oito e dez anos de idade de uma escola no campo, foi possível observar algumas situações que despertaram o interesse em fazer algumas indagações e análises enquanto docente que busca uma pedagogia da diferença e uma prática docente reflexiva (FREIRE, 2022).

Observou-se ali o quanto era imprescindível o olhar/ atuação de uma prática pedagógica reflexiva, sobretudo por se tratar de escola situada na zona rural, em que na maioria das vezes apenas a transmissão do conhecimento é suficiente baseada em uma tendência pedagógica tradicional e conteudista tendo o professor como figura central. Uma realidade em que muitas informações chegam até os sujeitos de forma distorcida e estereotipada, desde o „ser da roça‟, em que o camponês é visto de forma estereotipada. Além disso, inúmeras vezes, a educação que lhes é oferecida é descontextualizada, não é levado em consideração a sua realidade e a forma de viver.

Diante de observações feitas em sala de aula e de uma educação pautada na reflexão da prática educativa foi possível perceber que alguns estereótipos ainda são perpetuados pela escola, tais como: a cor rosa é só de meninas, o jogar futebol é só para meninos e o cuidar/cuidado é atributo das mulheres desde a infância, pois as meninas já trazem essa responsabilidade do cuidar de crianças menores que elas. Sendo desde a infância mostrado os papéis que vêm a ser do homem e o papel atribuído às mulheres, demarcando as posições de poder, do papel atribuído a cada um deles, simplesmente por ser menino ou menina, homem ou mulher (AUAD; FONSECA e SILVA; ROSENO, 2019).

Posto isso, viver em uma sociedade que silencia e invisibilizar os sujeitos sociais de acordo com o gênero, em que se observa a perpetuação das desigualdades que tem suas raízes no patriarcado, requer lutas constantes na busca por assegurar esses direitos sociais e uma visibilidade para todas. Com isso o gênero torna-se um marcador social importante e objeto de disputas políticas e sociais sobretudo quando está ligado a raça e classe (FORMIGA, FELDENS, ARDITTI, 2023).

As mulheres ainda hoje são tratadas de tal forma, que sua subjetividade é reduzida, muitas vezes, à sombra do homem mas que deixaram de estar no espaço privado passando a ocupar seus espaços na sociedade. Um jogo de poder onde o homem sai um passo à frente das mulheres, pois são privilegiados na estrutura social, onde há uma dominância fortemente masculina. As mulheres, mesmo com tantas discussões, lutas e questionamentos, muitas vezes ainda ocupam um lugar de subserviência, intelectualmente, financeiramente e socialmente. E isso pode estar enraizado na estrutura social, nas demarcações de poder, na separação nas salas de aula, de meninos e meninas, na cor específica de acordo com o gênero, nas brincadeiras de menina e meninos, que, por outro lado, não são estimulados a brincarem juntos.

Os estereótipos são veiculadores de preconceitos de gênero, raciais, entre outros, pautados no modelo de sociedade em que aqueles que estão fora dos padrões normatizados são marginalizados e invisibilizados. Nesse sentido, a escola e os educadores/as têm um importante papel na destereotipação.

Com isso, a partir desta pesquisa busca-se refletir sobre algumas indagações e questionamentos a respeito do papel da escola como propagadora dos estereótipos. Qual o papel da escola na desconstrução dos estereótipos que a sociedade ainda mantém e perpetua? Qual a contribuição dos educadores na desmistificação do feminismo e no entendimento dos alunos sobre o machismo e seus impactos na sociedade e na vida das mulheres? Desta forma, o presente trabalho tem como objetivo geral refletir sobre o papel das escolas na desconstrução dos estereótipos de gênero.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA

2.1 Feminismo: Conceitos e Perspectivas Históricas

O feminismo constitui-se como um movimento social, político e teórico que busca a igualdade de direitos entre homens e mulheres, combatendo as diversas formas de opressão e discriminação de gênero. De acordo com Beauvoir (1970), a mulher não nasce mulher, mas torna-se, evidenciando que as diferenças entre os gêneros são construídas socialmente e não determinadas biologicamente.

Historicamente, o feminismo é dividido em diferentes ondas. A primeira onda esteve voltada para a conquista dos direitos civis e políticos, como o direito ao voto. A segunda enfatiza as questões relacionadas à sexualidade, ao trabalho e à autonomia feminina. A terceira e a quarta onda ampliaram o debate, incorporando temas como diversidade, interseccionalidade, identidade de gênero e representatividade (HOOKS, 2019).

No contexto educacional, o feminismo contribui para a reflexão crítica sobre as desigualdades presentes nas instituições escolares, nos currículos e nas práticas pedagógicas, promovendo uma educação mais democrática e inclusiva.

2.2 Gênero e Construção Social dos Estereótipos

O conceito de gênero refere-se às construções sociais, culturais e históricas atribuídas ao masculino e ao feminino. Segundo Scott (1995), gênero é uma categoria analítica fundamental para compreender as relações de poder existentes na sociedade.

Os estereótipos de gênero são padrões socialmente estabelecidos que definem comportamentos, atitudes e papéis considerados “adequados” para homens e mulheres. Desde a infância, esses padrões são reproduzidos por meio da família, da mídia, da religião e da escola, influenciando as escolhas profissionais, emocionais e sociais dos indivíduos.

Butler (2003) destaca que o gênero é performativo, ou seja, é construído por meio de práticas repetidas ao longo do tempo. Dessa forma, os estereótipos não são naturais, mas aprendidos e reforçados socialmente, podendo ser desconstruídos por meio da educação crítica.

2.3 A Escola como Espaço de Produção e Reprodução Social

A escola é uma instituição social responsável não apenas pela transmissão de conhecimentos, mas também pela formação de valores, atitudes e identidades. Segundo Bourdieu e Passeron (1992), a escola tende a reproduzir as desigualdades existentes na sociedade, legitimando padrões culturais dominantes.

No que se refere às relações de gênero, a escola muitas vezes reforça estereótipos por meio de práticas pedagógicas, materiais didáticos, linguagem utilizada pelos docentes e organização das atividades. Exemplos disso são a divisão de tarefas por sexo, a valorização de determinadas áreas do conhecimento para meninos e meninas e a naturalização de comportamentos discriminatórios.

Entretanto, a escola também pode atuar como espaço de transformação social, promovendo a reflexão crítica e o questionamento das desigualdades, conforme defendido por Freire (1996), ao afirmar que a educação deve ser um instrumento de libertação e conscientização.

2.4 Feminismo e Educação: Práticas Pedagógicas Críticas

A educação feminista busca promover a igualdade de gênero, a valorização da diversidade e o respeito às diferenças. Para hooks (2013), o ensino deve ser uma prática de liberdade, capaz de romper com estruturas opressoras e promover o empoderamento dos sujeitos.

Nesse sentido, práticas pedagógicas fundamentadas no feminismo incluem:

  • A problematização dos estereótipos de gênero;
  • A valorização das contribuições femininas na história, na ciência e na cultura;
  • O incentivo à participação igualitária em sala de aula;
  • A utilização de materiais didáticos inclusivos;
  • A promoção do respeito às diferentes identidades.

Essas ações contribuem para a formação de estudantes críticos, conscientes e comprometidos com a justiça social.

2.5 Políticas Públicas e Diretrizes Educacionais sobre Gênero

No Brasil, documentos oficiais, como a Constituição Federal de 1988, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB nº 9.394/96) e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), reforçam a importância da educação para a promoção dos direitos humanos, da igualdade e do respeito à diversidade.

Embora nem sempre abordam explicitamente o feminismo, esses documentos incentivam práticas educativas que combatem preconceitos e discriminações, incluindo aquelas relacionadas ao gênero. Segundo Louro (1997), a escola deve assumir um compromisso ético com a formação cidadã, promovendo reflexões sobre as desigualdades sociais.

Dessa forma, a inclusão da perspectiva de gênero nas políticas educacionais fortalece o papel da escola na construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

2.6 Estado da Arte sobre Feminismo e Educação (Opcional)

As pesquisas sobre feminismo e educação têm se ampliado significativamente nas últimas décadas. Estudos nacionais e internacionais apontam que a abordagem das questões de gênero no ambiente escolar contribui para a redução da violência, do preconceito e da evasão escolar, além de favorecer o desenvolvimento da autoestima e da autonomia dos estudantes.

Autores como Louro (1997), hooks (2013), Carvalho (2012) e Scott (1995) destacam a importância da formação docente para o trabalho com a temática de gênero. As pesquisas indicam que professores preparados tendem a desenvolver práticas mais inclusivas e sensíveis às diferenças.

Além disso, investigações recentes evidenciam a necessidade de revisão dos materiais didáticos, da linguagem institucional e das metodologias de ensino, visando à superação de discursos sexistas e discriminatórios.

Assim, o estado da arte revela que a escola possui papel estratégico na desconstrução dos estereótipos de gênero, sendo fundamental para a promoção da equidade e da cidadania

3. METODOLOGIA 

A presente pesquisa é de natureza qualitativa, pois trata de uma análise ou investigação onde o fenômeno ocorre, trazendo descrições, comparações e interpretações de determinadas situações nos mais diversos ambientes onde ocorre o estudo investigativo, de caráter exploratório e descritivo e será realizada através de uma revisão bibliográfica do tipo narrativa. A pesquisa exploratória se configura como sendo uma pesquisa que tem “Objetivo de desenvolver, esclarecer, modificar conceitos e ideias. Podem constituir a primeira etapa de uma pesquisa mais ampla. Exige revisão da literatura e discussão com especialistas” (VERNAGLIA, 2008, p.11).

Dessa maneira, foram utilizados os descritores: feminismo, Gênero e educação. As plataformas de pesquisa utilizadas foram: Capes e Scielo, com recorte temporal dos últimos cinco anos e obras impressas dos últimos sete anos. As principais referências teóricas foram obras de Chimamanda, Joice Berth e Márcia Tiburi, Bell Hooks.. Foram excluídos os textos que apresentavam apenas um dos descritores que não tivesse uma temática voltada à educação. Os artigos encontrados foram:

TítuloAutorRevistaAno
Feminismos interseccionais: problematizando o sujeito do feminismoGiceli Carvalho Batista Formiga; Dinamara Garcia Feldens; Roberta Gusmão ArdittiRevista Brasileira de Educação2023
Por uma epistemologia feminista: apontamentos teóricometodológicos para o fortalecimento das discussões das relações de gênero no campo da educaçãoTamires Aparecida Batista de Oliveira; Maria Helena Santana CruzRevista Labor2022
Empoderamento feminino e literatura: uma proposta didática para o ensinoMaria da Conceição Macedo de FreitasAnuário de Literatura2020
Poder, patriarcado e (r) existência: notas sobre uma experiência sensível e crítica entre mulheres na academiaPaula Tatiane Cardoso; Carla Regina Silva; Fernanda de Cássia RibeiroInterface2022
Para educar crianças feministas um manifestoChimamanda Ngozi AdichieCompanhia das letras2017
Feminismo em comum para todas, todes e todosMárcia TiburiRosa dos tempos2021
EmpoderamentoJoice BerthJandaíra2020
Gênero na educação básica brasileira: a inconstitucionalidade de projetos proibitivosDaniela Auad; Janaína Guimarães da Fonseca e Silva; Camila RosenoETD- Educação Temática Digital2019
Pedagogia da autonomia/ A educação como prática da liberdadePaulo freirePaz e terra2022
Ensinada a transgredir: A educação como prática da liberdadebell hooksEditora WMF Martins Fontes2017

Os resultados foram organizados a partir das seguintes categorias analíticas: Feminismo e as questões de gênero; Educação pela igualdade de gênero.

4. Feminismo e as questões de Gênero

As múltiplas existências da nossa sociedade ainda trazem em seu bojo os resquícios da era colonial, onde prevaleciam/prevalecem valores calcados no machismo, a misoginia e na desigualdade de gênero, de raça, territorial e classe social que são fortes marcadores sociais “desvelados como categorias que se entrelaçam à reprodução das desigualdades e hierarquias, expressões nítidas ou subliminares do exercício do poder, inconciliáveis com uma ordem social democrática” é um desafio permanente (BRITO; RIBEIRO, 2024, p.2). Diante disso o feminismo deve ser pensado como o “desejo por uma democracia radical voltada à luta por direitos daqueles que padecem sob injustiças que foram armadas sistematicamente pelo patriarcado”. (TIBURI, 2021 p,12). Pois vimos que,

Historicamente, as mulheres foram obrigadas a aceitar a qualquer custo as ordens dos homens; essa é uma das consequências de um patriarcado que controlou por muito tempo a dinâmica de decisão dentro das famílias e que somente há pouco passou a ser desafiado com questionamentos acerca da independência feminina em todos os seus âmbitos, por meio do feminismo que combate cotidianamente as desigualdades de gênero (PORDEUS, VIANA, 2021, p.116).

As mulheres ainda hoje são tratadas de tal forma, que sua subjetividade é reduzida, muitas vezes, à sombra do homem, do silenciamento e das múltiplas formas de violência que estas mulheres sofrem. Desde crianças o seu entorno demarca qual será o papel da mulher e do homem na sociedade. Quando o menino bagunça e a menina tem que arrumar, também quando as atividades laborais do lar é destinado somente às meninas, mesmo que ocorra de forma invisibilizada já há uma demarcação de poder e uma perpetuação dos estereótipos. Sendo um jogo de poder onde o homem sai um passo à frente das mulheres, pois são privilegiados na estrutura social, onde há uma dominância fortemente masculina “advindas de processo hegemônicos de poder e de dominação do patriarcado, do colonialismo e do capitalismo” (CARDOSO; SILVA; RIBEIRO, 2022, p.1). Os meninos já nascem com privilégios e tratamento diferente em seu seio familiar. Dito isso,

O termo patriarcado aparece como um sinônimo de dominação masculina, o que suscitou muitas críticas feministas. Tanto o patriarcado no sentido político, de dominação absoluta, que pressupõe uma nação com vínculos orgânicos, quanto o patriarcado no sentido doméstico, em que há uma família de diversas gerações sob o comando de um patriarca, não correspondem à realidade atual (SENTO- SÉ, 2024, p.4).

Sendo assim, mesmo com tantas discussões, lutas e questionamentos, muitas vezes as mulheres ainda ocupam um lugar de subserviência, intelectualmente, financeiramente e socialmente. E isso pode estar enraizado na estrutura social, na separação, nas salas de aula, de meninos e meninas, na cor específica de acordo com o gênero, nas brincadeiras de menina e meninos, que, por outro lado, não são estimulados a brincarem juntos. Os meninos chegam a ficar constrangidos e desconcertados quando recebem material de atividades escolares no tom rosa, roxo mostrando que ainda trazem em seu alicerce do conhecimento esse estereótipo de que determinadas cores são atribuídas ao gênero.

Outra prática que é constantemente observadas nos ambientes escolares e que é pertinente uma reflexão são as filas usadas por uma questão de organização de determinadas atividades, como é o caso da distribuição do lanche nas escolas públicas que ainda há uma divisão relacionada ao gênero, a fila dos meninos e das meninas, não sendo permitido que se misturem para a prática de tal atividade e que se repete constantemente em outras atividades que se observa nas escolas, ainda sendo possível observar a separação das meninas e dos meninos nas salas de aula.

Muitas são as práticas escolares que efetivam esses ensinamentos. Dentre elas, é comum encontrar a separação por sexo entre as crianças para levar a termo a organização das  salas  de aula e as  atividades  sistematizadas  nos  pátios. As diferenças de comportamento entre meninas e meninos, como se masculinidade e feminilidade fossem dados essenciais, é também recorrentemente adotada como facilitadora da condução da disciplina na classe e como organizadora das atividades do pátio (AUAD, 2006, p.2).

Outra situação vista nas classes escolares é que Chimamanda (2017) em seu livro para educar crianças feministas traz um pouco dessa sistematização de poderes demarcada pela sociedade. A autora relata que as cores tidas como femininas expressam ideias: um rosa pouco chamativo, pálido, enquanto as cores tidas como masculina são mais vibrantes chamam mais atenção, especialmente o azul, que é uma cor primária. Ela ressalta que os papéis de gênero são engendrados desde cedo pela sociedade tendo os meninos como sendo, visto além das cores nas brincadeiras, pois,

Geralmente idealizados como os mais agitados, ruidosos e barulhentos, os meninos são aqueles que mais ocupam o “espaço sonoro” na sala de aula. A ocupação diferenciada pelos meninos e meninas de pátios e quadras também se dá comumente com elas ocuparem os cantos laterais do pátio, ao pularem elástico, corda e ao conversarem. Eles ocupam mais frequentemente espaços amplos das quadras, ao formarem múltiplos times para partidas de futebol. Assim, ocorre à separação em grupos de meninos e meninas nos jogos na escola, como se os próprios jogos agissem como práticas que ensinassem meninas e meninos que há jogos barulhentos e agitados a serem realizados pelos meninos, e jogos discretos e limitados no espaço a serem realizados pelas meninas. Denomino esse tipo de prática, dentre outras, como aprendizado da separação, que pode ser amplamente observado em variadas realidades escolares (AUAD, 2006, p.2).

Neste caso, entende-se que as crianças já nascem com o seu papel na sociedade, demarcados e sistematizados por aqueles que as cercam, mesmo antes de nascer quando uma mulher grávida ao descobrir o sexo do bebê faz todo o seu enxoval de acordo com a descoberta, para menino enxoval todo azul, quando menina a cor escolhida é o rosa, mesmo que essa realidade esteja mudando aos poucos ainda se tem um pouco de resistência para uma prática diferente daquela que habitual no cotidiano, ou seja as demarcações de poder já estão sistematizadas e enraizadas mesmo que para alguns estas práticas passem por despercebidas.

Da mesma forma que as cores são demarcadas por gênero não é semelhante com os brinquedos, “fiquei impressionada com isso. Eu não tinha percebido ainda como a sociedade começa tão cedo a inventar a ideia do que deve ser de um menino e o que deve ser de uma menina. Eu gostaria que os brinquedos fossem divididos por tipo, não por gênero” é o que Chimamanda aborda em seu livro para educar crianças feministas (ADICHIE, 2017, p.25), se uma menina quer brincar de carrinho é imediatamente repreendida, sendo alertada que é brinquedo de menino, ou se um menino deseja brincar com uma boneca também será repreendido avisado que se trata de um brinquedo para meninas. Ideias errôneas que é observada tanto nos ambientes escolares como em ambientes domésticos, resquícios do patriarcado e constantemente são repreendidos pelo patriarca da família.

Desta mesma forma ocorre dentro dos diversos espaços sociais, havendo a demarcação de brincadeira que estão relacionadas ao gênero, brincadeiras de menino e de menina, como também há essa divisão dentro das instituições escolares. Assim

Produzem desigualdades, violações, violências e exclusões na composição do sistema global mundial. A dominação social, política e cultural está relacionada com a desigualdade na distribuição do poder. As opressões e os efeitos das desigualdades e exclusões incidem sobre os que têm menos poder de formas diversas, com consequências nas condições e possibilidades de vida de pessoas, grupos e populações (CARDOSO; SILVA E RIBEIRO, 2022, p.4).

Nesse sentido as mulheres são impedidas de desempenhar determinadas funções e atividades, pois estas são tidas como masculinas impedimentos que ocorrem desde cedo, da infância à vida adulta.. Esse fato adentra as instituições de ensino, para os meninos a melhor e única brincadeira a ser praticada é o futebol, para as meninas outras formas de brincar. Sendo fortemente marcadas pelo “silenciamento, a invisibilização e a anulação de saberes, fazeres e existências que fogem aos pilares da construção da verdade, do universal e do dominante na sociedade moderna, enquanto efeitos das relações de poder sob égide do patriarcado” (CARDOSO; SILVA E RIBEIRO, 2022 p.10).

Sabe-se que “vivemos imersos em relação de força ou relações de poder” (CARDOSO; SILVA E RIBEIRO, p.10. 2022) nas mais diversas formas de estereótipos que ainda se perpetuam na sociedade, mas os movimentos feministas vêm criando ou descobrindo em si mesmos mecanismos ou ferramentas de atuação em prol da tomada de consciência da coletividade (BERTH, 2020).

As relações de poder e as demarcações do papel do homem e da mulher são fortemente marcadas e vistas nos “espaços domésticos, espaço da produção, espaço de mercado, espaço da comunidade, espaço da cidadania e espaço mundial”(p.6) que rescinde nas mais diversas formas de opressões e violências contra a mulher. “É preciso considerar que as estruturas patriarcais, machistas e sexistas oprimem mulheres e todas as expressões dissidentes de gênero” (CARDOSO; SILVA E RIBEIRO, 2022, p.10).

O gênero define e “expressa um campo de disputas teóricas e políticas, e estruturas na sociedade”, um marcador social acabando por “evidenciar processos de exclusão, apagamento e silenciamento de modo de vida subalternos” (FORMIGA; FELDENS; ARDITTI, 2023, p.4). Nesse sentido os processos educativos escolares dizem muito sobre a forma como a sociedade está estruturada, sobre as formas de agir e pensar. A Educação deve ser capaz de trabalhar na superação de estereótipos que significam opressão.

5. Educação pela Igualdade de Gênero

Compreender a importância da educação enquanto processo de libertação, como diz Paulo Freire em Pedagogia do Oprimido (2005), ou de empoderamento feminino, de acordo com bell hooks em Ensinando a Transgredir (2017), mostra ser o caminho mais viável para que se tenha uma reparação das opressões contra as mulheres. Contudo a educação brasileira deveria ser pautada em ideais que viesse a atender as necessidades sociais e que e que buscasse realizar discussões que viesse a ocasionar importantes reflexões.

Transcender a aquisição e construção de conhecimento dos estudantes (…) importantes mudanças que a sociedade hoje em dia enfrenta, o trabalho transdisciplinar e temático no currículo escolar é um caminho para a formação de cidadãos críticos às diferenças e receptivos a transformações (…) a fim de construir espaços de discussão que desenvolvam a criticidade (…) bem como a reflexão de sua própria identidade (FREITAS, 2020, p.204).

Sintetizando o argumento descrito acima vemos que é necessário a implementação de um currículo que atenda as necessidades da sociedade visto que ainda se tem um currículo pautado apenas no foco conteudista e não visando uma educação pautada na diferença e sem propagação de estereótipos. Os estereótipos também são constantemente vistos em outras formas de educar, como o fato de reduzir a cultura dos povos indígenas na caracterização das crianças no dia destes povos, assim como a representação da cultura e descendência africana ser lembrada apenas do dia 20 de novembro, quando devia ser falada e discutida o ano inteiro.

Conforme a literatura ((AUAD; FONSECA e SILVA; ROSENO, 2019), é perceptível que estes estereótipos se perpetuem, mesmo diante de tantas discussões sobre estas abordagens. Para as meninas, as brincadeiras ainda são brandas, nos cantinhos, quietinhas, enquanto o jogar bola e ocupar as quadras é só para meninos, O brincar de boneca é visto como anormal para os meninos, mesmo que eles ajudam suas mães no cuidado de suas irmãs mais novas. O brinquedo boneca é vedado.

A busca feminina pela igualdade de direitos e de espaços na sociedade hoje em dia ainda é uma realidade para aquelas que, ao longo de muitos anos, permaneceram mudas, às margens de uma civilização patriarcal e opressora. A ideia da mulher subordinada ao homem, mulher do lar, mulher mãe, tem embasamento ancestral (FREITAS, 2020, p.206).

A desnaturalização do que vem a ser o espaço da mulher na sociedade é possível por meio da educação, que se torna o caminho elegível para superação de estereótipos, com profissionais empenhados em alcançar tais objetivos, formação de qualidade e continuada.

Em diversas vezes o âmbito educacional é um dos responsáveis por reproduzir estereótipos de gêneros e hierarquias sociais, no instante em que se tem a caracterização de que meninas são de um jeito e meninos são de outro (…) e a escola tem um papel fundamental na informação e na desnaturalização às violências de gênero, colaborando para que os aluno se informem e reconheçam a si mesmo (OLIVEIRA; CRUZ, 2022 p.57,58).

Paulo Freire, em seus escritos Educação como prática de liberdade (2022) e Pedagogia da autonomia (1996), já sinalizava que a educação se constituía enquanto instrumento potencializador para uma prática de liberdade e consequentemente uma ascensão intelectual, mas que alguns modelos de educação básica serviam apenas para, como ressalta bell hooks (2017), “reforçar a dominação”, em oposição à Educação como prática da liberdade (hooks, 2017, p.12).

Discussão de gênero dentro do campo da educação precisa ocorrer com o emprego de estratégias metodológicas dialógicas e também participativas, visto que o diálogo é o elemento que contribui para a produção de conhecimento na escola, por exemplo, em um espaço democrático todos/as precisam expor suas ideias, e estas precisam ser ouvidas/os e  respeitadas/os (OLIVEIRA; CRUZ, 2022, p.58).

É importante que se tenha uma educação emancipatória, libertadora que venha a despertar a autonomia e a tomada de consciência dos sujeitos sociais, que se debrucem sobre os temas que mais causam angustias, que promovam reflexões acerca dos diversos temas que ainda perpetuam as desigualdades na sociedade (CÁSSIO, 2019), buscando a mudança da realidade daqueles menos favorecidos, e pela superação dos estereótipos que causam violência e discriminação. Dito isso

A desigual percepção sobre o masculino e o feminino precisa começar a ser combatida a partir de algum ponto ou instituição social. A escola poderia ser tal ponto de partida e, mesmo não destruindo as desigualdades por completo, poderia diminuí-las, em parceria com outras instituições. Outro argumento usual de resistência ao ideal coeducativo igualitário seria afirmar que as crianças já chegam à escola tendo iniciado ou quase completado sua socialização primária no seio da família. Colocar em jogo e em questão o modelo tradicional e desigual já recebido e definido poderia ser maléfico para o desenvolvimento infantil (AUAD, 2006, p.8).

Dito isso não cabe apenas uma falação de que as instituições escolares carreguem toda essa responsabilidade de propagação dos estereótipos, há a necessidade de que os órgãos públicos criem politicas públicas que levantem essas questões, que desmistifiquem estereótipos e a vinculação de discriminação e preconceito.

6. RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS

A necessidade e a importância de superar os veiculadores de preconceito e discriminação são possíveis desde que se tenha o interesse no reconhecimento de sua existência. É possível, a partir do olhar de docente pesquisador e inquieto, flagrar os estereótipos que ainda se perpetuam e, com a análise reflexiva, dimensionar se a prática educativa corrobora para a desconstrução ou manutenção dos mesmos os educadores precisam repensar sua forma de educar. A principal arma para que os vinculadores de discrimação e preconceito se disseminem é uma educação pautada na formação de sujeitos críticos, que reflitam sobre a sua realidade que sejam partícipes da sua própria história e da tomada de consciência e daqueles que vivem ao seu redor, pautada em um ensino/ aprendizagem significativos para os sujeitos sociais se tornem cidadãos politicamente ativos.

É importante ressaltar que os currículos e os projetos políticos pedagógicos sejam elaborados e executados de maneira a atender essas necessidades sociais, na busca por uma sociedade mais justa e igualitária, que os sujeitos tenham consciência de classe disseminando os sistemas e ambientes de opressão, e vale ressaltar que a escola nas mais diversas vezes se encarrega desse papel.

É salutar pensar em uma educação que venha quebrar estes paradigmas estereotipados é essencial para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária, onde mulheres e homens possam desfrutar dos mesmos direitos. O feminismo é um importante campo de discussão visto que as mulheres ainda sofrem com o patriarcado e com o machismo e nesse aspecto as mulheres negras se encontram mais vulneráveis em sofrer preconceitos e discriminação, sendo constantemente inferiorizada tanto em relação ao homem quanto em relação às mulheres brancas.

Os estereótipos precisam ser desconstruídos, e a educação é a principal aliada para que isso venha a acontecer. As teorias feministas e todo o contexto histórico da sociedade atual trouxeram a importância e a necessidade de fomentar discussões que refletissem o papel da mulher na sociedade, não mais de invisibilidade e subserviência, restrita ao espaço doméstico, mas desta mulher no espaço público e onde desejar estar assim também como a necessidade de se falar e discutir as questões de gênero nos espaços educacionais e nos espaços de formação de profissionais educacionais, imprescindível seria se o poder público oferecesse cursos de formação continuada para toda a comunidade educacional.

Vemos que a sociedade molda constantemente a nossa forma de pensar e agir de modo a atender os interesses das classes dominantes, e é necessário mudar esse paradigma. Para tal, é importante defender uma educação dialógica e fomentada em uma pedagogia da diferença, da liberdade e da transformação (FREIRE, 2022) para que os educandos tenham uma consciência de classe. Pois, como o patrono da educação defendia e disseminava educar não é apenas transmitir conteúdos, conhecimentos, mas criar possibilidades para que os educandos possam vir também a produzir conhecimento.

Diante do que foi elucidado é necessário que se tenham o olhar atento dentro das instituições escolares para que haja uma educação pautada na superação de todas as formas de opressão e silenciamento impostos, com a desconstrução dos estereótipos, que resultam em diminuição de uns, em detrimento do sucesso de outros. Seja em relação às questões de gênero, raça, etnia ou inclusão, é importante que as escolas e os profissionais que fazem parte do processo formativo dos cidadãos tenham um olhar empático e reflexivo nas suas práticas de ensinar pois toda a comunidade escolar faz parte do processo formativo dos educandos, desde o porteiro a gestão escolar.

REFERÊNCIAS

ADCHIE, Chimamanda Ngozi. Para educar crianças feministas: Um manifesto. Tradução Denise Bottmann- 1ᵅ ed. São Paulo, Companhia da Letras, 2017.

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1Graduação Licenciatura em Letras, Especialização em Pedagogia Histórico-Crítica para Escolas do Campo,Mestrando em Ciências da Educação- Ivy Enber Cristian University.
2Mestrando pela Ivy Enber University. Graduação em Letras Português e Literatura Brasileira, Letras português e inglês; Pós- graduado em Ensino de Língua inglesa, Metodologia do Ensino de Língua Inglesa, Ensino de EJA, Literatura Em Língua Inglesa, Metodologia Portuguesa e Literatura Espanhola. Mestrando em Ciências da Educação.