A CONTRIBUIÇÃO DO USO DOS DIFERENTES PERFIS DE INTELIGÊNCIAS E ESTILOS DE APRENDIZAGEM NA CONQUISTA DE COMPETÊNCIAS MATEMÁTICAS COM ALUNOS DO ENSINO MÉDIO EM ESCOLAS PÚBLICAS ESTADUAIS NA CIDADE DE MANAUS-AM/BRASIL

THE CONTRIBUTION OF THE USE OF DIFFERENT LEARNING STYLES TO THE DEVELOPMENT OF MATHEMATICAL COMPETENCIES AMONG HIGH SCHOOL STUDENTS IN STATE PUBLIC SCHOOLS IN MANAUS, AM, BRAZIL

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202602091250


Carlos Eduardo Mota Lopes1
Deivila Alves Mota2


Resumo

A presente pesquisa foi motivada pela constatação dos baixos índices de aprendizagem em Matemática entre alunos do ensino médio da rede pública brasileira, evidenciados em avaliações nacionais e internacionais, como o Saeb e o Pisa. Historicamente, a Matemática apresenta-se como uma área permeada por dificuldades, crenças negativas e barreiras pedagógicas, muitas vezes associadas às metodologias adotadas e à limitada consideração dos diferentes perfis de inteligência e estilos de aprendizagem dos estudantes. Nesse contexto, o estudo teve como temática a contribuição do uso dos diferentes Perfis de Inteligências e Estilos de Aprendizagem na conquista de competências matemáticas, sendo desenvolvido por meio de um estudo de campo nas Escolas Estaduais Brigadeiro João Camarão Telles Ribeiro e Nathalia Uchôa, localizadas na cidade de Manaus–AM, no período de 2025 a 2026. O objetivo geral consistiu em analisar como os diferentes perfis de inteligências e estilos de aprendizagem contribuem para a conquista de competências matemáticas por alunos do ensino médio. Como objetivos específicos, buscou-se demonstrar formas de abordagem desses perfis no ensino da Matemática; identificar as relações entre perfis de inteligência, estilos de aprendizagem e desempenho matemático; e analisar a efetividade dessas abordagens na aprendizagem. A pesquisa adotou uma metodologia de natureza descritivo-analítica, com abordagem qualitativa e quantitativa, utilizando como instrumentos de coleta de dados questionários, observações e entrevistas aplicadas a professores e alunos. Os resultados evidenciaram que o conhecimento dos diferentes perfis intelectuais e estilos de aprendizagem favorece a adoção de práticas pedagógicas mais individualizadas, respeitando as particularidades dos estudantes e ampliando as possibilidades de aprendizagem. Constatou-se, ainda, uma relação promissora entre inteligências múltiplas, estilos de aprendizagem e a efetividade do ensino da Matemática, ressaltando-se a necessidade de formação continuada dos docentes para promover um aprendizado significativo, inclusivo e centrado no protagonismo do aluno.

Palavras-chave: Perfis de inteligências. Estilos de aprendizagem. Aprendizagem. Matemática. Escola Pública.

1. INTRODUÇÃO

A Matemática constitui uma disciplina obrigatória nos currículos escolares e apresenta como objetivos fundamentais o desenvolvimento do raciocínio lógico, da capacidade de abstração, da análise, da generalização, da projeção de conceitos e da resolução de problemas, competências essenciais à formação acadêmica, social e cidadã dos estudantes. Para que tais objetivos sejam efetivamente alcançados, faz-se necessário que o ensino da Matemática utilize uma linguagem acessível e significativa, capaz de articular conceitos formais a situações concretas do cotidiano discente, sem perder seu caráter simbólico, representacional e comunicativo indispensável às diferentes áreas do conhecimento (Silva, 2005).

Entretanto, a forma como a Matemática tem sido tradicionalmente desenvolvida no processo de ensino-aprendizagem na Educação Básica brasileira tem produzido resultados aquém do esperado, evidenciados pelos baixos índices de desempenho apresentados por estudantes em avaliações de larga escala, como o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA, 2022) e o Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB, 2023). Esse cenário tem suscitado preocupações e reflexões entre professores, gestores, pesquisadores e demais atores do campo educacional.

Dentre os múltiplos fatores associados a esse quadro, destacam-se aqueles relacionados às diferenças individuais nos modos de perceber, processar, organizar e construir o conhecimento. Nessa perspectiva, os Estilos de Aprendizagem e a Teoria das Inteligências Múltiplas emergem como referenciais teóricos relevantes para a compreensão da diversidade cognitiva presente nas salas de aula, ao evidenciarem que não existe um único modelo de aprendizagem capaz de atender, de forma homogênea, às necessidades educacionais de todos os estudantes.

No que se refere aos Estilos de Aprendizagem, Markova (2000) destaca a predominância dos sistemas sensoriais visual, auditivo e cinestésico no processo de aprendizagem. De forma complementar, Fleming e Mills (1992), por meio do modelo VARK, ampliam essa compreensão ao classificar os estilos em Visual, Aural, Read/Write e Kinesthetic, ressaltando que a aprendizagem se torna mais eficaz quando as estratégias pedagógicas dialogam com essas preferências. Já Felder e Silverman (1988) propõem um modelo multidimensional que considera aspectos como percepção, processamento, entrada e compreensão da informação, reforçando a necessidade de práticas pedagógicas diversificadas, especialmente no ensino de conteúdos abstratos, como os matemáticos.

Paralelamente, Gardner (1995; 2000; 2011), ao propor a Teoria das Inteligências Múltiplas, amplia a concepção tradicional de inteligência ao reconhecer suas múltiplas dimensões, superando a visão restrita centrada exclusivamente nas habilidades linguísticas e lógico-matemáticas. Armstrong (2001; 2009) corrobora essa perspectiva ao afirmar que o reconhecimento das diferentes inteligências oferece subsídios pedagógicos concretos para a reorganização das práticas educativas, favorecendo abordagens mais inclusivas, diversificadas e significativas, nas quais o estudante é compreendido em sua integralidade.

Assim, reconhecer e valorizar tanto os diferentes estilos de aprendizagem quanto os distintos perfis de inteligências contribui para a construção de práticas pedagógicas mais equitativas e eficazes no ensino da Matemática. A diversificação metodológica, o uso de recursos didáticos variados e a flexibilização das estratégias de ensino ampliam as possibilidades de engajamento dos estudantes, favorecendo a compreensão conceitual e o desenvolvimento de competências matemáticas no Ensino Médio.

Diante desse contexto, esta pesquisa tem como temática “A contribuição do uso dos diferentes perfis de inteligências e estilos de aprendizagem na conquista de competências matemáticas com alunos do Ensino Médio”, sendo desenvolvida por meio de um estudo de campo nas Escolas Estaduais Brigadeiro João Camarão Telles Ribeiro e Nathalia Uchôa, localizadas no município de Manaus/AM, no período de 2025. O objetivo do estudo consiste em analisar a relação entre os diferentes perfis de inteligências e estilos de aprendizagem e sua contribuição para a efetividade do processo de ensino-aprendizagem da Matemática com estudantes da 3ª série do Ensino Médio.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A Educação Matemática tem passado por transformações significativas nas últimas décadas, impulsionadas por mudanças sociais, tecnológicas e pedagógicas. Nesse contexto, a Matemática assume papel central na formação cognitiva dos estudantes e no desenvolvimento de competências essenciais ao exercício da cidadania. Enquanto linguagem universal e instrumento de leitura crítica da realidade, contribui para o desenvolvimento de habilidades como raciocínio lógico, resolução de problemas, comunicação e tomada de decisões em diferentes contextos sociais e profissionais.

A aprendizagem Matemática deve, portanto, superar práticas baseadas exclusivamente na memorização de fórmulas e algoritmos, priorizando a construção de competências que permitam aos estudantes interpretar, argumentar e aplicar conhecimentos em situações diversas (BRASIL, 2018). Tal perspectiva converge com a concepção de competência Matemática proposta pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE, 2003), que a define como a capacidade de compreender o papel da Matemática no mundo e utilizá-la de forma funcional, reflexiva e crítica na vida cotidiana.

Kilpatrick, Swafford e Findell (2001) apontam que a proficiência Matemática se estrutura em cinco dimensões interdependentes: compreensão conceitual, fluência procedimental, raciocínio adaptativo, competência estratégica e disposição produtiva. Niss (2003) reforça essa abordagem ao destacar que a competência Matemática extrapola o ambiente escolar, envolvendo a capacidade de compreender, julgar e utilizar a Matemática em múltiplos contextos. A dimensão crítica da Educação Matemática é enfatizada por Skovsmose (2000), ao defender a formação de sujeitos capazes de analisar e transformar a realidade social por meio da Matemática, articulando conhecimento, reflexão e cidadania.

Apesar dos avanços teóricos e normativos, o ensino de Matemática ainda enfrenta desafios históricos, como a predominância de práticas tradicionais, a fragmentação curricular e a desmotivação discente (SANTOS; NOGUEIRA, 2017). Nesse cenário, abordagens pedagógicas que reconhecem a diversidade cognitiva dos estudantes tornam-se fundamentais, especialmente aquelas fundamentadas na Teoria das Inteligências Múltiplas e nos Estilos de Aprendizagem, discutidos a seguir.

2.1 Os diferentes Perfis de inteligências e o processo de aprender 

Os estudos sobre inteligência tiveram início no início do século XX, com os trabalhos de Alfred Binet, criador do teste de quociente de inteligência (QI). Embora esses estudos tenham contribuído para a Psicologia Educacional, consolidaram uma visão reducionista da inteligência, entendida como uma capacidade única e mensurável, desconsiderando a complexidade do desenvolvimento humano.

Na década de 1980, Howard Gardner (1994; 1995) rompeu com essa concepção ao propor a Teoria das Inteligências Múltiplas (TIM), fundamentada em pesquisas com crianças, adultos e indivíduos com lesões cerebrais. Para o autor, a inteligência deve ser compreendida como um potencial biopsicológico que pode ser ativado em contextos culturais para resolver problemas ou criar produtos socialmente valorizados (GARDNER, 2000).

Gardner identifica nove tipos de inteligência: linguística, lógico-matemática, espacial, corporal-cinestésica, musical, interpessoal, intrapessoal, naturalista e existencial. Essas inteligências apresentam relativa autonomia, mas atuam de forma integrada, manifestando-se em combinações singulares em cada indivíduo. Essa concepção plural rompe com a visão uniforme da inteligência (GAMA, 2009) e desloca o foco da escola tradicional, centrada na classificação e seleção, para uma educação que reconhece a diversidade cognitiva e valoriza os diferentes talentos.

No ensino de Matemática, a Teoria das Inteligências Múltiplas oferece importantes subsídios pedagógicos ao possibilitar a diversificação das estratégias de ensino, contemplando diferentes formas de representação, expressão e resolução de problemas. Armstrong (2001; 2009) destaca que o reconhecimento dessas inteligências favorece práticas pedagógicas mais inclusivas, significativas e equitativas, nas quais o estudante é compreendido em sua integralidade.

Assim, ao reconhecer que os estudantes mobilizam diferentes inteligências no processo de aprendizagem Matemática, amplia-se a possibilidade de desenvolvimento de competências matemáticas de forma mais contextualizada, significativa e alinhada às características individuais dos educandos.

2.2 Os diferentes Estilos de aprendizagem e o processo de aprender 

A investigação sobre as diferenças individuais no aprender avançou significativamente a partir da segunda metade do século XX, deslocando o foco da mensuração da inteligência para a compreensão dos processos cognitivos e das preferências individuais de aprendizagem. Nesse contexto, os Estilos de Aprendizagem consolidam-se como um importante referencial teórico ao reconhecer que os estudantes apresentam modos distintos e relativamente estáveis de captar, organizar e utilizar as informações.

Markova (2000) associa os estilos de aprendizagem aos sistemas sensoriais predominantes — visual, auditivo e cinestésico — que influenciam a percepção, o processamento e a organização das informações. Fleming e Mills (1992), por meio do modelo VARK, ampliam essa compreensão ao classificar os estilos em Visual, Aural, Read/Write e Kinesthetic, ressaltando que a aprendizagem se torna mais eficaz quando as estratégias pedagógicas dialogam com essas preferências.

Felder e Silverman (1988) propõem um modelo multidimensional que considera quatro eixos principais: percepção (sensorial ou intuitiva), processamento (ativo ou reflexivo), entrada da informação (visual ou verbal) e compreensão (sequencial ou global). Segundo os autores, ambientes educacionais que privilegiam apenas determinados estilos tendem a gerar dificuldades de aprendizagem, desmotivação e baixo desempenho, especialmente em disciplinas de elevado grau de abstração, como a Matemática.

No campo da Educação Matemática, reconhecer os estilos de aprendizagem implica compreender que os estudantes diferem na maneira como lidam com conceitos abstratos, algoritmos e representações simbólicas. Dessa forma, a adoção de práticas pedagógicas flexíveis, aliadas a metodologias ativas (MORAN, 2018) e à avaliação formativa (LUCKESI, 2011), contribui para a construção de ambientes de aprendizagem mais inclusivos e eficazes.

Assim, ao integrar os estilos de aprendizagem ao planejamento didático, desloca-se o foco da adaptação do estudante a um modelo único de ensino para a construção de práticas pedagógicas responsivas à diversidade cognitiva, favorecendo o desenvolvimento das competências matemáticas de forma significativa, crítica e contextualizada.

3. METODOLOGIA 

A presente investigação adotou uma abordagem metodológica de natureza analítico-descritiva, uma vez que se propôs à observação, ao registro, à descrição e à análise sistemática do fenômeno investigado, conforme a concepção de pesquisa delineada por Gil (2019). Segundo o autor, esse tipo de estudo mostra-se adequado à identificação, análise e interpretação das características de uma determinada realidade ou população. Dessa forma, a pesquisa não se limitou à descrição do contexto educacional investigado, buscando analisar as relações e os aspectos subjacentes ao processo de ensino-aprendizagem da Matemática à luz dos diferentes perfis de inteligências e estilos de aprendizagem.

Quanto à abordagem do problema, o estudo caracterizou-se como qualitativo e quantitativo, configurando-se como uma pesquisa de natureza mista. De acordo com Minayo (2014; 2017), a abordagem qualitativa possibilita a compreensão aprofundada dos significados, percepções e interpretações atribuídas pelos sujeitos às suas práticas e experiências, permitindo apreender a complexidade do fenômeno educativo em seu contexto social e cultural. De forma complementar, a abordagem quantitativa contribuiu para a análise de dados mensuráveis, possibilitando a identificação de padrões, tendências e relações entre variáveis, ampliando a consistência e a robustez analítica dos resultados (GIL, 2019).

No âmbito da abordagem quantitativa, recorreu-se à análise estatística de correlação, fundamentada nos pressupostos de Pearson, com o objetivo de verificar o grau de associação entre os perfis de inteligências, identificados por meio do teste Multiple Intelligences Developmental Assessment Scales (MIDAS), os estilos de aprendizagem, identificados por meio dos instrumentos Learning Styles Inventory – VAK (Visual, Auditory, Kinesthetic), VARK Questionnaire e Index of Learning Styles (ILS), e o desempenho acadêmico dos estudantes na disciplina de Matemática. O coeficiente de correlação de Pearson foi adotado por se tratar de uma medida estatística apropriada para avaliar a intensidade e a direção da relação linear entre variáveis quantitativas, permitindo inferir em que medida determinados perfis intelectuais e estilos de aprendizagem se associam aos resultados obtidos nas avaliações de Matemática.

No que se refere aos procedimentos técnicos, a pesquisa assumiu caráter bibliográfico e documental, fundamentando-se na consulta a livros e artigos científicos de autores de referência, bem como na análise de documentos institucionais de primeira e segunda mão provenientes das Escolas Estaduais Brigadeiro João Camarão Telles Ribeiro e Nathalia Uchôa, além de documentos da Secretaria de Estado da Educação do Amazonas (SEDUC-AM).

O estudo foi desenvolvido nas Escolas Estaduais Brigadeiro João Camarão Telles Ribeiro e Nathalia Uchôa, localizadas, respectivamente, na Rua Nova, nº 1000, bairro São Lázaro, e na Rua Nova Esperança, nº 474, bairro Jorge Teixeira, ambas situadas no município de Manaus–AM, Brasil. A amostra adotada foi do tipo censitária, envolvendo os 252 estudantes matriculados nas turmas das 3ª séries do Ensino Médio, os quais participaram integralmente da coleta de dados.

Como instrumentos de coleta de dados, utilizaram-se questionários baseados nos testes MIDAS, VAK, VARK e ILS, além de entrevistas individualizadas e observações simples. Os questionários foram selecionados por constituírem instrumentos consolidados de operacionalização dos constructos teóricos das Inteligências Múltiplas e dos Estilos de Aprendizagem, possibilitando a identificação dos perfis intelectuais e das preferências cognitivas dos estudantes.

Após a coleta, os dados foram submetidos a um rigoroso processo de organização, tratamento e análise, envolvendo a identificação de informações válidas, inconsistentes, omissas ou redundantes. Os dados quantitativos referentes aos perfis de inteligências, estilos de aprendizagem e desempenho em Matemática foram analisados por meio do coeficiente de correlação de Pearson, enquanto os dados qualitativos, provenientes das entrevistas e observações, foram interpretados à luz dos pressupostos teóricos de Minayo. Esse procedimento assegurou a fidedignidade, a confiabilidade e a consistência dos resultados, em consonância com os fundamentos da pesquisa analítico-descritiva de abordagem qualitativa e quantitativa.

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES 

Para atender ao objetivo da pesquisa, foram aplicados instrumentos de autorrelato fundamentados em duas abordagens teóricas complementares: os Estilos de Aprendizagem e as Inteligências Múltiplas. No que se refere aos estilos de aprendizagem, utilizaram-se os questionários Learning Styles Inventory – VAK (Visual, Auditory, Kinesthetic), VARK Questionnaire e Index of Learning Styles (ILS), alinhados às concepções teóricas de Markova (2000), Fleming (2001) e Felder e Silverman (1988). Para a identificação dos perfis intelectuais, foi aplicado o instrumento MIDAS (Multiple Intelligences Developmental Assessment Scales), fundamentado na Teoria das Inteligências Múltiplas de Gardner.

Após a coleta, organização e estratificação dos dados obtidos junto às turmas das 3ª séries do Ensino Médio, observou-se que, no âmbito dos estilos de aprendizagem, houve predominância dos perfis Visual–Cinestésico–Auditivo (VCA) e Visual–Auditivo–Cinestésico (VAC), segundo Markova (2000), representando 51% da amostra; do estilo Cinestésico–Auditivo (KA), conforme Fleming (2001), com 80%; e dos estilos Sensorial–Visual–Ativo–Global (SVAG), Sensorial–Visual–Ativo–Sequencial (SVAS) e Sensorial–Visual–Read–Sequencial (SVRS), segundo Felder e Silverman (1988), totalizando 49% dos estudantes investigados, conforme Gráfico 1.

Gráfico 1 – ESTRATIFICAÇÃO DOS ESTILOS DE APRENDIZAGEM

Fonte: Pesquisadores, 2025

Paralelamente, a análise dos perfis intelectuais revelou predominância das inteligências Existencial, Corporal-Cinestésica e Intrapessoal, que concentraram aproximadamente 48% dos resultados obtidos. Esses dados indicam que os estudantes apresentam maior afinidade com aprendizagens mediadas pela reflexão sobre o sentido do conhecimento, pela autoconsciência, autorregulação e pela ação prática e experiencial, conforme postulado por Gardner (1995; 2000; 2011).

Ao aprofundar a análise, as notas da disciplina de Matemática referentes à primeira unidade letiva (abril de 2025) foram correlacionadas tanto aos estilos de aprendizagem quanto aos perfis de inteligências. Os estudantes classificados no nível de desempenho A (8,0–10,0) apresentaram predominância dos estilos Sensorial–Visual–Ativo–Sequencial, Visual–Auditivo e Visual–Cinestésico–Auditivo, bem como das inteligências Lógico-Matemática, Visual/Espacial e Linguística. Essa convergência evidencia o alinhamento entre as preferências cognitivas dos estudantes e as práticas pedagógicas adotadas em sala de aula, caracterizadas por abordagens visuais, linguísticas e práticas, conforme Tabela 1.

Tabela 1 – RELAÇÃO DE DESEMPENHO E OS ESTILOS DE APRENDIZAGEM

Fonte: Pesquisadores, 2025

A utilização do coeficiente de correlação de Pearson reforçou essas inferências ao indicar associações positivas entre determinados estilos de aprendizagem, perfis intelectuais e o desempenho em Matemática. Tal análise permitiu compreender que estilos como o visual, cinestésico e ativo, aliados às inteligências lógico-matemática, corporal-cinestésica e intrapessoal, contribuem significativamente para a consolidação do conhecimento matemático, especialmente em conteúdo que demandam abstração, representação simbólica e resolução de problemas.

Por outro lado, os estudantes com desempenhos inferiores (níveis C e D) apresentaram estilos de aprendizagem e perfis de inteligências menos alinhados às estratégias pedagógicas predominantes, o que reforça a hipótese de que o desalinhamento entre as práticas docentes e as características cognitivas dos alunos pode comprometer o processo de aprendizagem.

Dessa forma, os resultados evidenciam que a articulação entre Estilos de Aprendizagem e Inteligências Múltiplas constitui um referencial teórico-metodológico potente para compreender e potencializar o ensino da Matemática. Ao reconhecer a diversidade cognitiva presente em sala de aula e alinhar as práticas pedagógicas a essa pluralidade, favorece-se uma aprendizagem mais significativa, inclusiva e eficaz, corroborando os pressupostos de Markova, Fleming, Felder e Silverman e Gardner no contexto educacional investigado.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os resultados desta pesquisa evidenciam que os processos de aprendizagem não ocorrem de forma homogênea, uma vez que os estudantes apresentam diferentes preferências cognitivas, perceptivas e sensoriais, bem como distintas capacidades intelectuais, que influenciam diretamente a maneira como recebem, processam e organizam as informações. Tal constatação reafirma a relevância do reconhecimento e da identificação tanto dos estilos de aprendizagem quanto dos perfis de inteligências múltiplas no processo educativo, conforme defendem Markova (2000), Fleming e Mills (1992), Felder e Silverman (1988) e Gardner (1995; 2000; 2011), ao compreenderem a aprendizagem como um fenômeno plural, dinâmico e marcado pelas particularidades individuais dos sujeitos.

Nessa perspectiva, os achados do estudo corroboram a compreensão de que não existe um único estilo de aprendizagem nem uma inteligência geral única e universal capaz de atender, de forma homogênea, a todos os estudantes. Ao contrário, evidencia-se a existência de um conjunto de estilos de aprendizagem e de inteligências distintas, inter-relacionadas e passíveis de serem estimuladas de maneira complementar no contexto educacional. Quando reconhecidos e considerados no planejamento pedagógico, esses elementos favorecem a adoção de estratégias diversificadas que potencializam a aprendizagem, especialmente no ensino da Matemática, área que demanda múltiplas formas de raciocínio, representação, abstração, interpretação e resolução de problemas.

Em síntese, ao correlacionar os diferentes estilos de aprendizagem e perfis de inteligências dos estudantes com o desempenho acadêmico na disciplina de Matemática, foram identificadas evidências consistentes que permitem inferir que a articulação entre essas dimensões cognitivas e as práticas pedagógicas adotadas tende a potencializar o processo de ensino-aprendizagem. Dessa forma, os resultados demonstram contribuir positivamente para a maximização do desempenho acadêmico dos alunos, reforçando a pertinência dos Estilos de Aprendizagem e da Teoria das Inteligências Múltiplas como referenciais teórico-metodológicos para a reorganização das práticas de ensino da Matemática, ao promover abordagens mais inclusivas, flexíveis e alinhadas à diversidade cognitiva presente em sala de aula.

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1Doutorando em Ciências da Educação pela Universidad de La Integración de Las Américas – UNIDA, carlos_edumota@yahoo.com.br:
2Doutorando em Ciências da Educação pela Universidad de La Integración de Las Américas – UNIDA, deivila.alvez@gmail.com