REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202602091200
João Pinho Dias1
Orientador: Prof. Whasgthon Aguiar de Almeida2
RESUMO
O presente trabalho ressalta a importância de realizar uma abordagem sobre as Metodologias ativas no contexto de espaço maker mediante os desafios que os professores enfrentam no cotidiano escolar relacionadas a aprendizagem significativa que podem ser essenciais para a valorização e integração das metodologias ativas em espaços maker. Através dos objetivos propostos, visou investigar as metodologias ativas aplicadas ao contexto maker, elencando as propostas pedagógicas e contribuições para a formação científica em contextos educativos. Quanto à metodologia caracterizou-se através da pesquisa bibliográfica, com intuito de coletar autores que falam acerca da temática para o embasamento teórico elencando também a pesquisa de caráter qualitativo. Entendemos que o movimento maker também leva os educandos a vivenciar experiências concretas que podem colaborar com os aspectos socioemocionais e construção de saberes sistematizados e interligados à interdisciplinaridade.
Palavras-chave: Metodologias Ativas. Maker. Prática pedagógica. Educandos.
1. INTRODUÇÃO
As metodologias ativas desempenham um papel essencial no contexto maker pois quando se trata de desafios é necessário destacar que o conhecimento científico e pedagógico podem ser entrelaçados a partir de sua própria evolução, na qual os espaços podem ser explorados e diversificados através da interdisciplinaridade.
A possibilidade de ampliação torna-se eficaz quando esses espaços são capazes de contribuir com a formação dos sujeitos envolvidos, transformando-os em verdadeiros cidadãos críticos e participativos e ainda podem colaborar com ações de certa maneira significativas no meio em que vivem.
Por outro lado, as metodologias ativas proporcionam a contextualização de construção de aprendizagens e abordagens diversificadas que são essenciais para que as práticas pedagógicas seja efetivas no contexto maker, pois assim pode desenvolver a criticidade no educando preparando-o para a adoção do ensino colaborativo em ambientes informais de ensino, pode ainda tornar a ciência mais acessível, contextualizada e envolvente.
Mediante essa concepção este trabalho visa discutir a importância das metodologias ativas no contexto maker elencando que as metodologias ativas podem contribuir de forma integral na aprendizagem dos sujeitos envolvidos.
O objetivo geral consiste em abordar as metodologias ativas aplicadas ao contexto maker enfatizando as propostas pedagógicas e contribuições para a formação científica em contextos educativos. Os objetivos específicos consistem em analisar a construção histórica e conceitual das metodologias ativas no campo educacional relacionando o contexto da relação professor-aluno, descrever o espaço e origem do movimento maker e sua chegada à educação, tecnologias e ferramentas comumente usadas em espaços makers as origens, principais influências teóricas e transformações ao longo do tempo até sua consolidação como abordagem inovadora; investigar os impactos pedagógicos e desafios da prática (benefícios observados na aprendizagem dos alunos, desenvolvimento de habilidades socioemocionais e cognitivas, barreiras enfrentadas pelos educadores na implementação).
Neste sentido este trabalho justifica-se pela necessidade de abordar a importância das metodologias ativas a partir das relações do contexto maker nos espaços, evidenciando a importância do processo educacional.
2. METODOLOGIA
A presente investigação trata-se de uma Pesquisa Bibliográfica, a qual é […] desenvolvida com base em material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos” (Gil, 2002, p. 44).
A principal vantagem da pesquisa bibliográfica “reside no fato de permitir ao investigador a cobertura de uma gama de fenômenos muito mais ampla do que aquela que poderia pesquisar diretamente” (idem, 2002, p. 45).
O método dialético adotado por auxiliar na investigação da realidade pelo estudo dos aspectos e sua ação mútua.
“O método dialético parte da realidade concreta, do mundo objetivo e das relações sociais para, por meio da análise e da crítica, apreender as contradições que movem a realidade e impulsionam seu desenvolvimento. Nesse sentido, o conhecimento não é algo dado, pronto, mas um processo em constante construção, que se aprofunda à medida que se desvelam as determinações mais profundas do real. O método dialético não se contenta em descrever os fenômenos; busca explicá-los em sua totalidade, em suas múltiplas mediações e transformações, superando aparências para atingir a essência dos processos sociais e históricos.” (Kosik, 1976, p. 17)
A natureza da pesquisa foi descritiva e a abordagem do problema de cunho qualitativa e quantitativa, obtidos no contato direto do pesquisador com a situação estudada, enfatizando o processo e o produto e se preocupando em retratar a perspectiva dos participantes. “Na pesquisa qualitativa os dados são coletados inteiramente, num processo de idas e vindas, nas diversas etapas e na interação com seus sujeitos”. (Chizzotti, 2001, p. 89).
Segundo Bogdan e Biklen (2013, p. 49):
“O pesquisador qualitativo procura compreender os fenômenos segundo a perspectiva dos participantes da situação estudada. Isso exige contato direto com o ambiente e com as pessoas, buscando captar significados, intenções, motivações e atitudes.”
Realizou-se a leitura do Resumo de cada trabalho encontrado, com destaque às suas palavras-chave. Isso oportunizou a sistematização das ideias e interpretações críticas por parte do pesquisador responsável. Em decorrência desse movimento epistemológico, o estudo assume uma natureza qualitativa, a qual “não se preocupa com representatividade numérica, mas, sim, com o aprofundamento da compreensão de um grupo social, de uma organização, etc” (Silveira; Córdova, 2009, p. 31).
Suas principais características são: “objetivação do fenômeno; hierarquização das ações de descrever, compreender, explicar, precisão das relações entre o global e o local em determinado fenômeno; observância das diferenças entre o mundo social e o mundo natural” (idem, 2009, p. 32).
3. METODOLOGIAS ATIVAS
3.1 FUNDAMENTOS DAS METODOLOGIAS ATIVAS (CONCEITOS, PAPEL DO PROFESSOR E ALUNO).
As Metodologias ativas desempenham um papel crucial no ambiente escolar, tendo em vista que ela auxilia na metodologia do professor e ainda no processo de ensino aprendizagem dos educandos. Essa medição através dos recursos é essencial para que o educando possa aprimorar seus conhecimentos e as dificuldades serem amenizadas ao longo da carreira estudantil.
Assim o professor ao exercer sua função muitas vezes se depara com inúmeros desafios que estão presentes no cotidiano escolar, no entanto, as metodologias ativas ao fazerem parte deste cotidiano são essenciais para que os resultados acadêmicos sejam satisfatórios e assim propiciar ao estudante ferramentas que possam auxiliar a percepção dos conteúdos e o aprimoramento das habilidades enriquecendo cada vez mais seu processo acadêmico.
No ponto de vista docente, as estratégias pedagógicas devem fazer parte de forma efetiva e duradoura para que as ferramentas utilizadas através das metodologias ativas estejam presentes na sala de aula como método que vise facilitar a aprendizagem dos educandos.
Toda essa bagagem metodológica deve fazer parte não só no ambiente escolar, mas propiciar oportunidades em outros locais que visem a aplicação da metodologia ativa como protagonista na prática e assim, os educandos possam vivenciar uma prática duradoura e efetiva que venha obter resultados satisfatórios ao longo da carreira acadêmica.
A exemplo disso podemos mencionar os recursos tecnológicos cuja influência contexto educativo torna-se uma ferramenta poderosa para a realização de diversas atividades nas quais podem ser contextualizadas dentro e fora do ambiente escolar.
As metodologias ativas de ensino-aprendizagem consideram os alunos como agentes ativos no processo educativo. Para as metodologias ativas de ensino, os recursos tecnológicos são imprescindíveis na realização das atividades e estudos. (Bacich; Moran, 2018, p. 4).
Assim as metodologias devem fazer parte de todo processo educativo levando em conta o envolvimento total dos alunos de modo que o conhecimento acadêmico possa ser inserido e propagado no ambiente educativo.
Para que a metodologia seja aplicada com sucesso, deve-se também ocorrer a orientação e a propagação de maneira satisfatória visando a resolução de desafios que podem ser enfrentados no cotidiano escolar através de dificuldades de aprendizagem, pois as metodologias ativas também podem assumir o papel de mediador no ambiente escolar.
Mediante essa atuação do professor de forma ativa, as atividades serão implementadas de maneira satisfatória e assim os conhecimentos serão aplicados mediante a realidade de cada educando, para que estes possam alcançar e superar as dificuldades que encontram não somente no cotidiano escolar, mas fora da escola também.
“Um professor que faz uso de metodologias ativas, como abordagem pedagógica, entende a construção do conhecimento pelo estudante como um processo de aprender a aprender, quando a busca por respostas às questões-problema e por conteúdos são definidas pelo próprio aluno, conferindo-lhe autonomia na busca desse saber.” (Oliveira; Nóbrega; Cavalcante, 2023, p. 25).
Nesse sentido, através do uso das Metodologias ativas devem ser implementadas no cotidiano escolar e torna-se agradáveis para que os educandos estejam preparados para lidar com a aquisição de novos conhecimentos e possam usufruir de maneira satisfatória.
“O papel do professor no uso de casos reais nas metodologias ativas é fundamental, pois ele assume a função de mediador e facilitador do aprendizado, orientando os alunos na análise e resolução dos casos propostos.” (Oliveira; Nóbrega; Cavalcante, 2023, p. 20),
Assim o papel do professor é essencial neste processo de facilitador de aprendizado e através da mediação pode auxiliar no processo de aprendizagem do educando, pois o papel do professor é essencial no uso de metodologias ativas, pois a prática é evidente que além dos desafios, essas metodologias podem auxiliar o educando na resolução de atividades concernentes aos seus estudos e assim seus objetivos sejam alcançados.
“Apesar das barreiras, a implementação das metodologias ativas oferece um caminho promissor para a transformação do ensino, exigindo planejamento, flexibilidade e uma mudança na forma como vemos o papel do professor e do aluno no processo educativo.” (Santos; Jesus; Reges, 2025).
A partir da visão dos autores mencionados acima, percebe-se que a valorização das metodologias ativas já vinha sendo discutidas como essencial fator para colaborar com os princípios pedagógicos.
3.2 ESPAÇO MAKER COMO AMBIENTE DE APRENDIZAGEM (CARACTERÍSTICA DO ESPAÇO, ORIGEM DO MOVIMENTO MAKER E SUA CHEGADA À EDUCAÇÃO, TECNOLOGIAS E FERRAMENTAS COMUMENTE USADAS EM ESPAÇOS MAKERS).
A partir dos Marcos Legais a BNCC e as metodologias ativas tiveram um destaque por estarem alinhadas e compreendam a importância de sua participação ativa na construção de uma sociedade mais justa e democrática. Dessa maneira, a educação deixa de ser um espaço de mera reprodução de conteúdo e se torna um processo de luta e transformação.
“A BNCC propõe a superação da fragmentação do conhecimento oportunizado na escola, enfatizando a necessidade de promover o estímulo à sua aplicação na vida real, a importância do contexto para dar sentido ao que se aprende e o protagonismo do estudante em sua aprendizagem e na construção de seu projeto de vida. Esses aspectos estão alinhados com os princípios das metodologias ativas, pois essas propõem uma atuação mais reflexiva, colaborativa e investigativa dos alunos, permitindo que participem ativamente do processo de aprendizagem, assumindo responsabilidades e exercitando a autonomia” (Brasil, 2017, p. 15).
De acordo com os compromissos citados pela BNCC, cabe ao docente buscar metodologias que venham atender essas exigências que se baseiam no favorecimento da resolução de problemas com diversas ferramentas pedagógicas.
“Ao enfatizar o desenvolvimento de competências e habilidades que envolvem pensamento crítico, resolução de problemas, cooperação e criatividade, a BNCC abre espaço para a utilização de metodologias ativas no processo educativo. Tais metodologias, como a aprendizagem baseada em projetos e a sala de aula invertida, são estratégias que colocam o aluno no centro do processo de aprendizagem, exigindo dele maior participação, envolvimento e protagonismo. Dessa forma, a BNCC contribui para a renovação das práticas pedagógicas e para a formação de sujeitos mais autônomos e preparados para os desafios do século XXI.” (Souza; Moraes, 2020, p. 88).
Nesse mesmo contexto, o desenvolvimento de competências e habilidades são essenciais para que ocorra a mediação alicerçado a variedade desses conceitos prévios dos alunos por meio de uma metodologia pautada em parâmetros de ensino e aprendizagem, através do desenvolvimento do raciocínio, da capacidade expressiva, da sensibilidade estética e da imaginação.
“As metodologias ativas promovem o protagonismo dos estudantes, a colaboração entre pares, o aprendizado significativo e o desenvolvimento das competências gerais previstas na BNCC. Entre essas competências, destacam-se a argumentação, o autoconhecimento, a empatia, o pensamento científico, crítico e criativo, todas necessárias para a formação cidadã e para a resolução de problemas complexos. Por isso, tais metodologias se mostram como estratégias pedagógicas alinhadas com os objetivos da BNCC, especialmente quando se deseja romper com modelos tradicionais e transmissivos de ensino.” (Ferreira; Almeida, 2021, p. 102).
Essas competências permitem que os alunos se tornem protagonistas do aprendizado, desenvolvendo não apenas competências matemáticas, mas também habilidades como colaboração, autonomia e pensamento crítico. Por exemplo, ao trabalhar em um projeto que envolve a modelagem de dados sobre sustentabilidade, os alunos podem aplicar conceitos de maneira prática, enquanto desenvolvem uma compreensão mais profunda do tema e suas implicações.
4. METODOLOGIAS ATIVAS E O ESPAÇO MAKER
4.1 INTEGRAÇÃO DAS METODOLOGIAS ATIVAS COM O ESPAÇO MAKER (COMO O ESPAÇO MAKER POTENCIALIZA A APLICAÇÃO DAS METODOLOGIAS ATIVAS, PROPOSTAS PEDAGÓGICAS QUE UNEM ESSAS ABORDAGENS).
A integração das metodologias ativas no espaço maker pode auxiliar nas propostas pedagógicas de modo que essas práticas devem ser intencionalmente planejadas, sistematizadas e avaliadas em um projeto político-pedagógico, que deve ser elaborado com a participação da comunidade escolar e extraescolar e desenvolvido por professores habilitados. Assim os educandos podem adquirir uma aprendizagem colaborativa e protagonistas de seu próprio aprendizado sendo isentos de múltiplos mecanismos de acompanhamento e controle social.
“O espaço maker é um ambiente privilegiado para a aplicação das metodologias ativas, pois favorece a experimentação, a resolução de problemas e a aprendizagem colaborativa. Quando os estudantes têm a oportunidade de criar protótipos, manipular materiais e desenvolver projetos práticos, eles assumem o protagonismo do próprio processo de aprendizagem. Essa característica dialoga diretamente com metodologias como a aprendizagem baseada em projetos e a sala de aula invertida, uma vez que o foco desloca-se do professor para o estudante, estimulando a autonomia, a criatividade e o pensamento crítico.” (Valente, 2019, p. 45).
Assim, possibilita-nos dizer que a integração entre metodologias ativas e espaços maker coloca os sujeitos no ambiente pedagógico da aprendizagem que de forma colaborativa a interdisciplinaridade pode ser executada de maneira satisfatória e assim o educando usufrui das diferentes possibilidades da sua imaginação levando-os ao conhecimento amplo, diversificado e significativo.
“A integração entre metodologias ativas e espaços maker não se limita ao uso de recursos tecnológicos, mas à criação de um ecossistema pedagógico que coloca o aluno no centro da aprendizagem. O espaço maker rompe com a lógica tradicional da sala de aula, pois o estudante não apenas consome informações, mas constrói conhecimento de forma colaborativa e prática. Essa abordagem estimula a interdisciplinaridade, a inovação e a aprendizagem significativa, aspectos fundamentais para preparar os alunos diante dos desafios da sociedade contemporânea.” (MORAN, 2018, p. 73).
O movimento maker também leva os educandos a vivenciar experiências concretas que podem colaborar com os aspectos socioemocionais e construção de saberes sistematizados e interligados à interdisciplinaridade.
Diante dessa questão é necessário possibilitar diversificadas formas através do espaço maker para ocorrer o processo de ensino e aprendizagem objetivado pelo educador, pois assim, de forma criativa, os alunos sentem-se motivados e curiosos para conhecer as descobertas realizadas em sala de aula, visto que:
“O espaço maker constitui-se como um território fértil para a prática das metodologias ativas, na medida em que proporciona aos estudantes a possibilidade de vivenciar situações de aprendizagem autênticas e desafiadoras. Nesse contexto, o aluno aprende fazendo, errando e reconstruindo, o que fortalece o processo de aprendizagem significativa. Além disso, o professor assume um papel de mediador, orientando os percursos e auxiliando na sistematização dos conhecimentos produzidos, em uma relação horizontal e participativa.” (Papert, 1994, p. 67).
Diante dessa perspectiva, constata-se que as metodologias ativas no movimento maker ganham espaços na escola ou instituições de educação, pois assume função primordial ao que se refere às formas de construção de identidade colaborativa junto ao saber em suas diversas formas de manifestação.
“As metodologias ativas encontram no movimento maker um aliado poderoso para promover o protagonismo estudantil. A lógica do ‘faça você mesmo’ estimula a criatividade e a resolução de problemas de forma colaborativa, favorecendo aprendizagens mais profundas. Quando os alunos trabalham em projetos no espaço maker, desenvolvem habilidades cognitivas, tecnológicas e socioemocionais, ampliando suas competências para além do currículo formal e preparando-se para os desafios da vida cotidiana e profissional.” (SILVA; SOUZA, 2020, p. 120).
Assim a articulação entre o bem aplicada e compreendida, a educação lúdica poderá contribuir para a melhoria do ensino, quer na qualificação ou formação crítica do educando, quer para redefinir valores e para melhorar o relacionamento das pessoas na sociedade. Portanto, para que a educação lúdica caminhe efetivamente na educação é preciso que se reflita a sua importância para o processo de ensino e aprendizagem tanto do educando quanto do educador.
“A articulação entre o espaço maker e as metodologias ativas revela-se essencial para a construção de práticas pedagógicas inovadoras. Nesse ambiente, o conhecimento é produzido em rede, a partir da interação entre os sujeitos, dos experimentos realizados e das trocas coletivas. Esse processo rompe com a centralidade do professor como transmissor de conteúdos e promove a emergência de uma cultura de aprendizagem mais dinâmica, criativa e colaborativa, em consonância com as demandas da sociedade contemporânea.” (Freire; Prado, 2021, p. 154).
4.2 IMPACTOS PEDAGÓGICOS E DESAFIOS DA PRÁTICA (BENEFÍCIOS OBSERVADOS NA APRENDIZAGEM DOS ALUNOS, DESENVOLVIMENTO DE HABILIDADES SOCIOEMOCIONAIS E COGNITIVAS, BARREIRAS ENFRENTADAS PELOS EDUCADORES NA IMPLEMENTAÇÃO).
A adoção dos espaços maker junto as metodologias ativas podem trazer benefícios junto a aprendizagem dos alunos de modo que se bem aplicados podem contribuir para a melhoria do ensino, na qualificação ou formação do educando, para melhorar as habilidades cognitivas e socioemocionais, e assim os envolvidos possam repensar sobre a importância para o processo de ensino e aprendizagem.
“A adoção de espaços maker associados às metodologias ativas amplia as possibilidades pedagógicas ao transformar os alunos em protagonistas de sua aprendizagem. Ao construir, testar e refazer protótipos, os estudantes vivenciam processos de aprendizagem mais profundos e significativos, que estimulam tanto as habilidades cognitivas quanto as socioemocionais. Essa abordagem contribui para a autonomia, a criatividade e a capacidade de resolução de problemas em situações reais.” (Hernández, 2019, p. 58).
Além do mais, através da implementação da prática pedagógica em ambientes maker pode trazer uma nova ressignificação da prática docente, ou seja, levar os educandos ao fortalecimento de competências e responsabilidades além da ampliação do conhecimento social e tecnológico para que se tenha uma formação de acordo com as tendências reflexivas. Sendo que essa tendência se configura como uma política de valorização do desenvolvimento pessoal-profissional dos professores, dos educandos e das unidades escolares.
“Os benefícios da prática pedagógica em ambientes maker estão relacionados à formação integral do estudante, pois não se restringem ao domínio de conteúdos disciplinares. Nesses espaços, os alunos aprendem a cooperar, negociar ideias e compartilhar responsabilidades, o que fortalece competências como liderança, empatia e comunicação. Ao mesmo tempo, os projetos desenvolvidos favorecem a interdisciplinaridade e a contextualização do conhecimento, conectando a escola às demandas sociais e tecnológicas.” (Valente; Almeida, 2020, p. 104).
Refletir simplesmente sobre a prática pedagógica em espaços maker torna-se desafiador por lidar estreitamente com as práticas tradicionais principalmente quando as decisões que serão tomadas como facilitadoras ou não da prática nos contextos escolares através de formação continuada que possam capacitar os profissionais a educação integradora. Sendo primordial que tenhamos a consciência de que a qualidade da prática do professor é muitas vezes condicionada pelos recursos humanos e materiais da escola.
“Embora o impacto positivo seja evidente, a consolidação da cultura maker na escola esbarra em obstáculos concretos. Muitos professores relatam falta de tempo para planejar e executar atividades nesse formato, além de carência de apoio institucional e de recursos materiais. Esses desafios indicam a necessidade de políticas de formação continuada que capacitem os educadores a integrar práticas inovadoras sem comprometer a carga curricular estabelecida.” (Kenski, 2021, p. 141).
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esse trabalho buscou atingir os objetivos nele proposto, na parte teórica visando compreender acerca das metodologias ativas no contexto maker quanto a qual visa a valorização das competências e habilidades voltada para o campo interacionista, a partir da prática pedagógica apoiada na concepção atual de educação que visa a formação integral do aluno e percebem a aprendizagem como um processo que é construído a partir da interação existente nas relações educativas, que valoriza o aspecto social da educação.
Dessa maneira, cada situação vivida promove aprendizagens, pois requer ao professor a exploração desses espaços com quantidade de meios e estratégias para atender a diversidade dos alunos e as diferentes demandas que aparecerão no decorrer do processo.
Nesse processo, é fundamental que o aluno possa sentir-se valorizado no seu saber. Ele deve ter informações sobre o trabalho, os objetivos, os critérios de avaliação. Só assim o aluno poderá participar das decisões e estar comprometido com o desenvolvimento das atividades e da sua aprendizagem, conscientizando-se do seu pensar e da sua capacidade, fortalecendo-se como pessoa, isto é, essencial, pois o ensino e a aprendizagem têm como base um sujeito vivo, real, em formação, na qual se dá na medida em que este busca vencer os desafios.
Dessa forma, para que o ensino e aprendizagem aconteça. É indispensável que exista uma interação entre as metodologias ativas no contexto maker reiterando, uma avaliação baseada em perspectiva referente ao processo vivido, analisando as conquistas e apontando novas estratégias e caminhos para dar-se continuidade à aprendizagem.
Diante do exposto, faz-se necessário enfatizar que ensinar não é só transmitir ou transferir conhecimento, mas criar possibilidades para a construção dos mesmos nesses espaços, de modo que a mediação na problematização de situações, no estabelecimento de desafios formem o contexto e o organizem para que os sujeitos envolvidos estejam em relação, em interação, em ação, movidos pela necessidade e pela curiosidade.
REFERÊNCIAS
BACICH, L., & MORAN, J. M. (2018). Metodologias ativas para uma educação inovadora: uma abordagem teórico-prática. Porto Alegre: Penso.
BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR. Brasília: Ministério da Educação, 2017.
BNCC: um estudo teórico-prático. Revista de Educação Contemporânea, v. 11, n. 2, p. 95–110, 2021.
BNCC: metodologias ativas em foco. Revista Saberes Docentes, v. 8, n. 1, p. 45–60, 2019.
BACICH, Lilian; MORAN, José Manuel; TREVISANI, Fernando (Org.). Metodologias ativas para uma educação inovadora: uma abordagem teórico-prática. Porto Alegre: Penso, 2015.
BACICH, L.; MORAN, J. Metodologias ativas para uma educação inovadora: uma abordagem teórico-prática. Porto Alegre: Penso, 2018.
BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: Ministério da Educação, 2018. Disponível em: https://basenacionalcomum.mec.gov.br/. Acesso em: 23 jun. 2025.
BLIKSTEIN, Paulo. Digital fabrication and ‘making’ in education: The democratization of invention. In: WALTER-HERRMANN, Julia; BÜCHING, Corinne (Ed.). FabLabs: Of machines, makers and inventors. Bielefeld: Transcript Publishers, 2013. p. 1–21.
BOGDAN, Robert; BIKLEN, Sari. Investigação qualitativa em educação. 6. ed. Trad. João Paulo Z. do Lago e Maria João Ávila de Almeida. Porto Alegre: Penso, 2013.
BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: MEC, 2017. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/. Acesso em: 21 maio 2025.
BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: Ministério da Educação, 2018.
BRASIL. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil – RCNEI. Brasília: MEC/SEF, 1998. v.1.
CARVALHO, A. M. P. (Org.). Ensino de Ciências por investigação: condições para implementação em sala de aula. São Paulo: Cengage Learning, 2004.
DELIZOICOV, D.; ANGOTTI, J. A. Ensino de Ciências: fundamentos e métodos. São Paulo: Cortez, 1994.
FERREIRA, Luana; ALMEIDA, Robson. Metodologias ativas e competências da
FERREIRA, A. P.; ALMEIDA, C. R. Metodologias ativas e competências gerais da BNCC: aproximações e desafios. Revista Brasileira de Educação Inovadora, Uberaba, v. 3, n. 2, p. 95-108, 2021.
FREIRE, Fabiana; PRADO, Maria Elisabette Brisola Brito. Espaços makers e inovação pedagógica. Campinas: Papirus, 2021.
GONÇALVES, M. A. S.; SILVA, J. R. M.; OLIVEIRA, M. A. Metodologias ativas: em busca de uma caracterização e definição. Revista Educação & Realidade, v. 45, n. 2, p. 1-24, 2020.
GOHN, M. G. Educação não formal e cultura política. São Paulo: Cortez, 2010.
GOHN, Maria da Glória. Educação não formal e cultura política. São Paulo: Cortez, 2006.
GUEDES-PINTO, A. C. Museus de Ciências e Educação: contribuições para o ensino formal e não formal. São Paulo: Cortez, 2007.
GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. – São Paulo: Atlas, 2002.
HERNÁNDEZ, Fernando. Transgressão e mudança na educação: os projetos de trabalho. Porto Alegre: Artmed, 2019.
LIBÂNEO, José Carlos. Democratização da escola pública: a pedagogia crítico-social dos conteúdos. São Paulo: Loyola, 2001.
LORENZETTI, L.; DELIZOICOV, D. Alfabetização científica e tecnológica no ensino fundamental: elementos para uma proposta de formação. Ciência & Educação, v. 7, n. 2, p. 79–92, 2001.
KISHIMOTO, T. M. Educação não formal: espaços e tempos de aprendizagem na contemporaneidade. São Paulo: Cortez, 2008.
KENSKI, Vani Moreira. Educação e tecnologias: o novo ritmo da informação. 6. ed. Campinas: Papirus, 2021.
MENDES, I. A.; OSTERMANN, F. Investigação no ensino de Ciências e a BNCC: desafios e possibilidades para a sala de aula. Revista Brasileira de Ensino de Ciência e Tecnologia, v. 12, n. 1, p. 95–112, 2019.
MITRE, Sandra M. et al. Metodologias ativas de ensino-aprendizagem na formação profissional em saúde: debates atuais. Ciência & Saúde Coletiva, v. 13, supl. 2, p. 2133-2144, 2008.
MORTIMER, E. F. A construção do conhecimento científico na sala de aula. Porto Alegre: Artmed, 2000.
MORAN, José Manuel. Metodologias ativas para uma aprendizagem mais significativa. In: BACICH, Lilian; MORAN, José Manuel (Org.). Metodologias ativas para uma educação inovadora: uma abordagem teórico-prática. Porto Alegre: Penso, 2015. p. 15–48.
MORAN, J. Metodologias ativas e inovação na educação. In: BACICH, L.; MORAN, J. (orgs.). Metodologias ativas para uma educação inovadora. Porto Alegre: Penso, 2018. p. 61-80.
OLIVEIRA, Francisco Lindoval de; NÓBREGA, Luciano; CAVALCANTE, Marcele Alves dos Santos. O uso das metodologias ativas de aprendizagem na formação do professor: das universidades para a prática nas escolas. Revista Educação Pública, Rio de Janeiro, v. 23, n. 8, 7 mar. 2023. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/23/8/o-uso-das-metodologias-ativasde-aprendizagem-na-formacao-do-professor-das-universidades-para-a-pratica-nasescolas. Acesso em: 3 set. 2025.
PAPERT, Seymour. Mindstorms: Children, computers and powerful ideas. New York: Basic Books, 1980.
PAPERT, Seymour. A máquina das crianças: repensando a escola na era da informática. Porto Alegre: Artmed, 1994.
POZO, Juan Ignacio; CRESPO, Miguel Ángel. O aprendizado e o ensino de Ciências: do conhecimento cotidiano ao conhecimento científico. Porto Alegre: Artmed, 2009.
SASSERON, L. H.; CARVALHO, A. M. P. Indicadores de alfabetização científica: possibilidades de avaliação na sala de aula. Ciência & Educação, v. 14, n. 2, p. 183– 198, 2008.
SANTOS, D. V.; LIMA, F. A.; PEREIRA, J. C. Práticas pedagógicas inovadoras na perspectiva da BNCC. In: SANTOS, D. V. (Org.). Educação contemporânea: perspectivas e desafios. Curitiba: Appris, 2019. p. 49-60.
SOUZA, Maria Clara; MORAES, Juliana. Competências e práticas pedagógicas na BNCC: o papel das metodologias ativas. Cadernos de Formação Docente, v. 3, n. 2, p. 85–95, 2020.
SOUZA, M. R.; MORAES, L. F. Metodologias ativas e a BNCC: caminhos para o protagonismo estudantil. In: FERREIRA, A. P.; MORAES, L. F. (Org.). Inovações pedagógicas e a Base Nacional Comum Curricular. São Paulo: Cortez, 2020. p. 8594.
SILVA, Maria Clara; SOUZA, Roberto. Educação maker e metodologias ativas: práticas inovadoras na escola. São Paulo: Cortez, 2020.
SAVIANI, D. Escola e democracia: teorias da educação, curvatura da vara, onze teses sobre educação e política. 39. ed. Campinas: Autores Associados, 2008.
SILVEIRA, Denise Tolfo; CÓRDOVA, Fernanda Peixoto. Unidade 2: A pesquisa científica. In: GERHARDT, Tatiana Engel; SILVEIRA, Denise Tolfo. Métodos de pesquisa. Universidade Aberta do Brasil – UAB/UFRGS. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2009, p. 31 – 42.
SANTOS, Andréa; LIMA, Tiago; PEREIRA, Rosa. Inovação pedagógica e SANTOS, Maria de Lourdes Nogueira da Silva; JESUS, Márcia Cristina de; REGES, Divina. Educação em transformação: metodologias ativas diante dos desafios e oportunidades digitais. Revista Tópicos, v. ?, n. ?, ago. 2025. Disponível em: https://revistatopicos.com.br/artigos/educacao-em-transformacao-metodologiasativas-diante-dos-desafios-e-oportunidades-digitais . Acesso em: 3 set. 2025.
Silva, M. B. da. (2020). A eficácia das metodologias ativas no ensino-aprendizagem. IESP.
VALENTE, José Armando. O computador na sociedade do conhecimento. Campinas: UNICAMP/NIED, 1993.
VALENTE, J. A. Aprendizagem maker na escola: possibilidades e desafios. Campinas: Unicamp, 2019.
VALENTE, José Armando; ALMEIDA, Maria Elizabeth Bianconcini. Maker na educação: espaços e práticas inovadoras. São Paulo: Loyola, 2020.
1Mestrando do Curso Acadêmico em Educação da Universidade do Estado do Amazonas – UEA. E-mail: jpd.edc25@uea.edu.br
2Professor orientador: Dr. Whasgthon Aguiar de Almeida pela Universidade Federal do Mato Grosso – UFMT/REAMEC, E-mail: wdalmeida@uea.edu.br
