EDUCATION AND DEVELOPMENT: THE ROLE OF HIGHER EDUCATION IN THE CITY OF TETE
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ma10202601231748
Isaquel Araújo Matowa Tembo1
Resumo
O presente artigo analisa o papel do ensino superior no desenvolvimento socioeconómico da cidade de Tete, a partir de uma pesquisa bibliográfica de abordagem qualitativa, enquadrada no paradigma interpretativo. O estudo baseia-se na análise de obras e artigos científicos e reflete sobre os desafios enfrentados pelas instituições locais de ensino superior na promoção do desenvolvimento. Os resultados evidenciam que, apesar da expansão da oferta de cursos e da formação de profissionais qualificados, persiste um descompasso entre os currículos académicos e as necessidades do mercado de trabalho e da comunidade local. A fraca articulação entre universidades, sector produtivo e políticas públicas limita a eficácia da pesquisa e da extensão universitária na resolução de problemas regionais. Conclui-se que o fortalecimento da articulação entre as instituições de ensino superior e os actores sociais e económicos locais é essencial para potenciar a contribuição do ensino superior para o desenvolvimento sustentável da região.
Palavras-chave: Educação; Ensino superior; Formação profissional; Desenvolvimento local.
Abstract
This article examines the role of higher education in the socioeconomic development of the city of Tete through a qualitative bibliographic study grounded in the interpretative paradigm. Based on the analysis of academic literature, the study reflects on the challenges faced by local higher education institutions in contributing to societal development. The findings reveal that, despite the expansion of higher education programs and the training of qualified professionals, a persistent mismatch remains between academic curricula and the actual needs of the labor market and the local community. Additionally, weak integration between universities, the productive sector, and public policies limits the effectiveness of research and extension activities in addressing regional challenges. The study concludes that strengthening collaboration between higher education institutions and local social and economic actors is essential for enhancing the contribution of higher education to sustainable regional development.
Keywords: Education; Higher education; Vocational training; Local development.
Introdução
O ensino superior em Moçambique tem se destacado como um elemento essencial para o desenvolvimento sustentável, contribuindo para a qualificação de profissionais, fortalecimento da cidadania e incentivo à inovação. Na cidade de Tete, localizada no centro-oeste do país, observa-se um crescimento significativo na oferta de cursos superiores, motivado pela maior procura de jovens em busca de melhores oportunidades. Contudo, apesar desse progresso, ainda existe uma discrepância entre a formação oferecida pelas instituições e as reais necessidades do mercado de trabalho e da comunidade local, o que configura um desafio para o desenvolvimento socioeconômico regional.
Segundo Mendonça (2017), em países em desenvolvimento, o ensino superior exerce papel fundamental na redução das desigualdades sociais, promoção da cidadania e fortalecimento econômico, tanto local quanto nacionalmente. No entanto, em Tete, a actuação das universidades frequentemente mostra-se desconectada das dinâmicas produtivas e das políticas públicas, limitando sua capacidade de influenciar efetivamente o desenvolvimento regional. Essa deficiência manifesta-se na inadequação dos currículos, na pouca interação com o setor produtivo e na limitada contribuição da pesquisa e extensão universitária para a solução de problemas concretos. Diante disso, surge a questão central deste estudo: qual é o papel do ensino superior no desenvolvimento socioeconômico da cidade de Tete?
Com o intuito de responder a essa questão, esta investigação tem como objetivo geral analisar a função do ensino superior no desenvolvimento socioeconômico de Tete. Os objetivos específicos são: (i) descrever a relação entre a formação acadêmica e as demandas do mercado de trabalho local; (ii) compreender a influência da pesquisa e extensão universitária no desenvolvimento regional; e (iii) identificar os desafios para articular o ensino superior, o sector produtivo e as políticas públicas na região.
O ensino superior em Tete tem avançado na formação de profissionais e geração de conhecimento, mas ainda apresenta um desalinhamento entre os cursos oferecidos e as necessidades do mercado local, prejudicando a empregabilidade e o desenvolvimento regional. A pesquisa e a extensão universitária têm impacto limitado devido à pouca integração entre universidades, setor produtivo e políticas públicas. Esses aspectos evidenciam a urgência de fortalecer a articulação entre os diversos atores envolvidos, de modo a alinhar os esforços acadêmicos com as necessidades concretas da comunidade local. Promover uma maior integração entre ensino, pesquisa e extensão, associada a parcerias estratégicas com o setor produtivo e órgãos governamentais, pode potencializar o papel das instituições de ensino superior no desenvolvimento de soluções inovadoras e sustentáveis para a região. Tal abordagem não só reforça a importância prática do presente estudo, como também contribui para a formulação de políticas educacionais e estratégias regionais mais efetivas, capazes de promover um crescimento econômico e social mais equilibrado em Tete (António et al., 2025).
Metodologia
A presente investigação adota uma abordagem qualitativa, enquadrada no paradigma interpretativo, por permitir a compreensão do papel do ensino superior no desenvolvimento socioeconómico da cidade de Tete a partir da análise de significados, contextos e dinâmicas sociais. A abordagem qualitativa é adequada para estudos que buscam interpretar fenômenos sociais complexos, considerando as suas múltiplas dimensões e relações (Denzin & Lincoln, 2018).
Quanto aos procedimentos técnicos, trata-se de uma pesquisa bibliográfica e documental, fundamentada na análise de livros, artigos científicos, relatórios institucionais e documentos oficiais relacionados ao ensino superior, formação profissional e desenvolvimento local. A pesquisa bibliográfica possibilita a sistematização do conhecimento existente e a identificação de contribuições teóricas relevantes para a compreensão do fenómeno em estudo (Creswell, 2014).
A seleção das fontes priorizou produções científicas indexadas e documentos institucionais pertinentes ao contexto do ensino superior em países em desenvolvimento, com especial atenção à realidade africana e moçambicana. A análise dos dados foi realizada por meio da análise temática de conteúdo, permitindo a identificação e interpretação de categorias relacionadas à contribuição do ensino superior para a formação de recursos humanos, à articulação com o mercado de trabalho, à produção científica e às ações de extensão universitária. Segundo Braun e Clarke (2006), essa técnica favorece a identificação de padrões recorrentes e significativos nos dados analisados.
A interpretação dos resultados foi orientada pelo paradigma interpretativo, que compreende o ensino superior como uma prática social inserida em contextos históricos, econômicos e culturais específicos, possibilitando uma reflexão crítica sobre os desafios enfrentados pelas instituições de ensino superior na promoção do desenvolvimento socioeconómico local (Schwandt, 2015).
1. Revisão de literatura teórico-empírica
1.1. Conceitos básicos
a) Educação
A educação é amplamente compreendida como um direito humano fundamental e uma ferramenta essencial para o progresso individual e colectivo. Segundo UNESCO (2021), a educação deve ser vista como um bem público e um direito universal, fundamental para a construção de sociedades mais justas, inclusivas e pacíficas. A organização defende uma abordagem humanista, centrada no desenvolvimento integral do ser humano e na preparação para a cidadania global. Assim, a educação vai além da instrução formal, abarcando valores, atitudes e competências que permitem às pessoas agir com responsabilidade no mundo.
Para Nussbaum (2016), a educação é uma dimensão essencial das “capacidades humanas”, conceito que ela desenvolve com base na teoria da justiça. Em sua visão, o objectivo da educação não deve ser apenas o desenvolvimento de habilidades técnicas para o mercado, mas a formação de cidadãos críticos, autônomos e capazes de refletir sobre o bem comum. Ela defende um modelo educacional baseado nas artes, nas humanidades e no pensamento crítico como caminho para sociedades democráticas e inclusivas.
Nessa mesma linha de pensamento, Santos (2018) também critica modelos educacionais tecnocráticos e defende uma educação comprometida com a transformação social. Para ele, a educação deve ser um espaço de resistência e de pluralidade epistêmica, ou seja, de valorização de diferentes formas de conhecimento, especialmente os saberes produzidos fora da academia ocidental. Essa perspectiva aponta para uma educação mais inclusiva, descolonial e voltada à justiça social, rompendo com visões eurocêntricas e homogêneas do conhecimento.
Diante dessas visões, é possível afirmar que a educação, quando compreendida como um processo emancipatório e transformador, tem potencial para construir sociedades mais democráticas, sustentáveis e justas. Posiciono-me de forma crítica contra uma educação meramente instrumental e voltada ao mercado de trabalho. É necessário reconhecer a educação como um direito e um processo de formação integral do ser humano, que deve desenvolver não apenas competências técnicas, mas também éticas, críticas e cidadãs, de modo a promover a inclusão, a liberdade e a equidade.
b) Ensino Superior
O conceito de ensino superior tem evoluído para além da sua função tradicional de formação profissional, sendo reconhecido hoje como um motor fundamental do desenvolvimento humano, social e econômico. Segundo Altbach et. al. (2019), o ensino superior é entendido como um sistema complexo de instituições que oferecem educação terciária, com funções que incluem ensino, pesquisa e extensão, e que atua como agente de transformação das sociedades modernas. Os autores destacam seu papel na produção e disseminação do conhecimento e na formação de capital humano qualificado.
A perspectiva de Marginson (2016) complementa essa visão ao introduzir a dimensão global do ensino superior, argumentando que ele é cada vez mais influenciado por processos de internacionalização, mobilidade estudantil e competição entre instituições. Nesse contexto, o ensino superior torna-se um espaço estratégico para a inserção dos países na economia do conhecimento. A produção de capital cultural e científico, conforme apontado pelo autor, posiciona o ensino superior como um elemento de disputa por influência e prestígio em escala global, tornando as universidades atores relevantes nas dinâmicas geopolíticas e econômicas contemporâneas.
Por sua vez, a análise de Teixeira et al. (2020) chama atenção para as contradições internas do sistema de ensino superior, especialmente no que diz respeito às desigualdades de acesso, permanência e sucesso acadêmico. Ao reconhecer que o ensino superior pode tanto reproduzir quanto combater desigualdades socioeconômicas, os autores propõem uma visão crítica e comprometida com a justiça social e o desenvolvimento sustentável. Essa abordagem sugere que políticas públicas e práticas institucionais devem estar orientadas para a inclusão, garantindo que os benefícios do ensino superior sejam amplamente distribuídos e contribuam para um desenvolvimento mais equitativo e sustentável.
Como se pode ver, os autores convergem na ideia de que o ensino superior é mais do que formação técnica: trata-se de um sistema estratégico para o desenvolvimento de capacidades humanas, científicas e sociais. Com base nas contribuições acima é possível observar que o ensino superior tem múltiplas funções que vão além da simples transmissão de conhecimentos técnicos.
c) Formação profissional
A formação profissional, também chamada de educação vocacional, tem se tornado cada vez mais importante nas discussões sobre como preparar as pessoas para o mercado de trabalho de hoje. Segundo a Comissão Europeia (2020), ela é essencial para incentivar o aprendizado ao longo da vida. O objetivo é dar às pessoas os conhecimentos e habilidades necessários para conseguir um emprego e se adaptar às mudanças que acontecem no mundo do trabalho. Essa visão valoriza não só a entrada no primeiro emprego, mas também a capacidade de se atualizar com as novas tecnologias e mudanças na economia.
Já VanBergeijk (2021) vê a formação profissional como algo mais prático, voltado para ocupações técnicas e manuais. Ele acredita que essa formação deve ser rápida e eficiente, focando em atividades práticas, como estágios e treinamentos supervisionados. Para ele, não é tão importante o conteúdo teórico, mas sim a capacidade de fazer tarefas específicas com qualidade e rapidez.
Por outro lado, Rauner (2024) traz uma visão mais completa. Para ele, a formação profissional deve ser um esforço conjunto entre escolas, empresas e o governo. Ele defende um equilíbrio entre teoria e prática, e diz que os cursos devem ser pensados de acordo com o que o mercado precisa agora e no futuro. Nessa visão, o sucesso da formação depende da colaboração entre diferentes setores da sociedade.
Percebemos que, a formação profissional, ou educação vocacional, é vista como um elemento chave na preparação das pessoas para as exigências do mercado de trabalho atual. Ela inclui tanto o aperfeiçoamento constante de competências, necessário para lidar com mudanças, quanto o ensino prático voltado para actividades técnicas e operacionais. Também é entendida como um processo colaborativo, que deve envolver instituições de ensino, empresas e o setor público, promovendo um equilíbrio entre teoria e prática. Mesmo com diferentes perspectivas, há concordância sobre seu papel essencial na ampliação das oportunidades de emprego.
d) Desenvolvimento local
Segundo o Sebrae (2001), o desenvolvimento local consiste em um processo de transformação ampla nos âmbitos econômico, social, político e ambiental, conduzido prioritariamente pelos próprios integrantes da comunidade. Para que isso ocorra, é essencial reconhecer e aproveitar os recursos naturais, culturais, humanos e institucionais já presentes no território, fortalecendo a capacidade de ação autônoma das populações locais. A atuação conjunta dos diferentes atores — incluindo o poder público, o setor privado e a sociedade civil, aliada ao estímulo ao empreendedorismo, à inovação e à cooperação — é determinante para a criação de soluções eficazes e adaptadas às especificidades regionais. Dessa forma, o desenvolvimento local não deve se basear em modelos uniformes impostos externamente, mas sim em iniciativas construídas de maneira participativa, levando em conta as potencialidades e necessidades próprias de cada comunidade. Isso permite um avanço mais sólido, justo e duradouro, capaz de promover a equidade social e fortalecer o exercício da cidadania.
Segundo Boisier (2001), o desenvolvimento local deve surgir a partir da própria realidade da comunidade, aproveitando de forma eficiente os recursos existentes — sejam eles naturais, humanos, culturais ou institucionais. Mais do que apenas gerar crescimento econômico, esse processo implica mudanças nas estruturas institucionais e nas relações sociais, exigindo o envolvimento direto da população. Essa forma de desenvolvimento busca uma distribuição mais equitativa dos benefícios e fortalece a independência das comunidades frente aos desafios da globalização.
Percebemos que o desenvolvimento local refere-se a um processo amplo de transformação nas áreas econômica, social, política e ambiental, protagonizado principalmente pelos próprios habitantes da comunidade. Esse processo tem como foco a valorização e o aproveitamento dos recursos existentes no território sejam eles naturais, humanos, culturais ou institucionais, incentivando o fortalecimento de competências locais, como o empreendedorismo, a inovação e a colaboração entre os diversos setores. Baseia-se nas particularidades e nas necessidades de cada região, promovendo o envolvimento direto da população na busca por soluções. Mais do que estimular o crescimento econômico, visa realizar mudanças profundas nas estruturas sociais e institucionais, assegurando uma distribuição mais equilibrada dos resultados alcançados, reduzindo desigualdades e ampliando a autonomia das comunidades diante de pressões externas.
1.2. A relação entre a formação acadêmica e as necessidades do mercado de trabalho local
A relação entre a formação acadêmica e as necessidades do mercado de trabalho local é essencial para o desenvolvimento econômico e social das regiões, uma vez que a educação superior deve preparar profissionais com habilidades que atendam efetivamente às demandas do mercado. A capacitação adequada dos estudantes garante que estejam prontos para enfrentar os desafios do trabalho, contribuindo para o fortalecimento da economia regional.
Nesse sentido, Porter (1998) ressalta que o papel da educação na competitividade regional se dá por meio do desenvolvimento de competências que favorecem os conjuntos de empresas atuantes em determinada localidade. Complementarmente, Castells (2000) argumenta que, no contexto de uma sociedade em rede, a formação acadêmica precisa ser adaptável e criativa, acompanhando as transformações tecnológicas e promovendo uma maior articulação entre as instituições de ensino superior e o mercado de trabalho.
Nessa mesma linha de pensamento, Florida (2002) ressalta que regiões que investem em educação voltada para habilidades criativas e tecnológicas conseguem atrair profissionais qualificados e impulsionar o crescimento econômico. Assim, alinhar a formação acadêmica às demandas do mercado não apenas reduz o descompasso entre oferta e procura de trabalho, mas também favorece a inovação, a competitividade e o desenvolvimento sustentável das regiões.
Percebemos que, a relação entre a formação acadêmica e as necessidades do mercado de trabalho é muito importante para o crescimento econômico e social das regiões. O ensino superior deve preparar profissionais com as habilidades exigidas localmente, garantindo que os estudantes estejam prontos para enfrentar os desafios do trabalho. Isso ajuda a fortalecer a economia, incentivar a inovação, aumentar a competitividade e promover um desenvolvimento sustentável.
1.2.1. Formação de Profissionais Qualificados
Nesse cenário, uma das principais atribuições do ensino superior é capacitar profissionais aptos a atuar em diversos setores da economia. A educação universitária prepara indivíduos para enfrentar desafios complexos, desenvolver soluções criativas e contribuir para o crescimento econômico. Ademais, em um contexto cada vez mais orientado pelo conhecimento, a especialização técnica e científica torna-se fundamental para a competitividade das empresas e a sustentabilidade econômica.
Sob essa perspectiva, Clark (1998) ressalta que a universidade deve funcionar como uma instituição empreendedora, alinhando sua formação às demandas do mercado e da sociedade. Castells (1996) reforça que a universidade é essencial para a formação de capital humano qualificado na economia do conhecimento, oferecendo competências que possibilitam aos indivíduos a integração em redes sociais e processos globais de inovação. Por sua vez, Santos (1995) destaca que a formação acadêmica deve ir além da técnica, incorporando um compromisso social que valorize o conhecimento e as necessidades das comunidades locais, sobretudo aquelas em situação de vulnerabilidade. Dessa maneira, amplia-se o papel do ensino superior como agente de inclusão e emancipação social
1.3. O impacto da pesquisa e extensão universitária no desenvolvimento regional
A pesquisa e a extensão universitária têm um papel central no desenvolvimento regional, pois promovem a geração de conhecimento, incentivam a inovação e contribuem para a formação de profissionais qualificados. Segundo Castells (2000), o conhecimento é o principal motor da economia atual, e a pesquisa realizada nas universidades ajuda o progresso local ao criar novos produtos, processos e tecnologias, aumentando a competitividade das empresas na região.
Complementando essa perspectiva, Porter (1998) afirma que a extensão universitária pode se integrar aos clusters industriais, permitindo que o conhecimento acadêmico seja aplicado diretamente nas empresas locais, fortalecendo a qualificação profissional e a competitividade regional. Essa transferência de conhecimento contribui de forma significativa para o desenvolvimento econômico e social das comunidades.
Por sua vez, Etzkowitz (2008), por meio do conceito da “tríplice hélice”, destaca que a interação entre universidade, indústria e governo transforma a pesquisa e a extensão em importantes agentes de inovação social, tecnológica e econômica, beneficiando a comunidade e estimulando o crescimento regional. Assim, os três autores concordam que universidades que investem em pesquisa aplicada e em projectos de extensão promovem não apenas a capacitação profissional e o mercado de trabalho local, mas também a inovação e o desenvolvimento sustentável das regiões.
Portanto, a pesquisa e os programas de extensão das universidades são importantes para o desenvolvimento da região, porque geram conhecimento, incentivam a inovação e preparam profissionais qualificados. Eles permitem que o conhecimento aprendido na universidade seja usado nas empresas locais, ajudando a aumentar a competitividade e o crescimento econômico e social. Outrossim, a parceria entre universidades, empresas e governo transforma essas atividades em ações de inovação, promovendo desenvolvimento sustentável e progresso na região.
1.3.1. Produção e Transferência de Conhecimento e Inovação
Outro aspecto importante do ensino superior é a geração de conhecimento científico e tecnológico por meio da pesquisa. As universidades são espaços de criação de descobertas que impulsionam o avanço tecnológico e contribuem para a solução de questões sociais e econômicas. A pesquisa aplicada e a inovação permitem o desenvolvimento de produtos, processos e serviços que fortalecem setores estratégicos da economia.
Clark (1998) aponta que a universidade empreendedora atua como motor da inovação, firmando parcerias com empresas e órgãos públicos para promover o desenvolvimento regional. Castells (1998) acrescenta que a integração das universidades em redes globais de conhecimento é fundamental para a economia do conhecimento. Contudo, Santos (2007) chama atenção para a necessidade de que a produção científica não se limite às exigências do mercado, mas também contemple as dimensões sociais e culturais das comunidades, assegurando que a pesquisa e a extensão acadêmica contribuam para reduzir desigualdades e valorizar os saberes locais.
1.3.2. Inclusão Social e Desenvolvimento Regional
Adicionalmente, o ensino superior desempenha um papel crucial na inclusão social e no desenvolvimento das regiões em que está inserido. Ao ampliar o acesso a uma educação de qualidade, as universidades colaboram para a redução das desigualdades e para a construção de uma sociedade mais equitativa. A democratização do ensino superior possibilita que grupos historicamente excluídos tenham chances reais de mobilidade social e participação econômica.
Nesse sentido, Santos (1995) destaca que as universidades devem assumir um compromisso social e democrático, atuando como agentes transformadores que valorizam os conhecimentos locais e combatem as desigualdades. Clark (1998) ressalta a importância da universidade adaptar-se às especificidades regionais, fortalecendo parcerias locais para impulsionar o desenvolvimento econômico e social. Já Castells (2010) argumenta que a participação das universidades em redes globais não impede que elas funcionem como polos de desenvolvimento local, promovendo a articulação entre o global e o regional.
Portanto, o ensino superior desempenha um papel essencial no desenvolvimento socioeconômico, ao capacitar profissionais competentes, produzir conhecimento relevante e contribuir para a diminuição das desigualdades sociais. Além disso, funciona como um propulsor da inovação, impulsionando o avanço tecnológico e econômico das regiões em que está presente. Entretanto, para que essas contribuições sejam plenamente eficazes, é preciso enfrentar desafios importantes, como a necessidade de adequar os currículos às demandas reais do mercado de trabalho, atualizar as metodologias de ensino, ampliar o acesso para grupos tradicionalmente marginalizados e assegurar a qualidade acadêmica. Vencer essas barreiras requer investimentos contínuos, a implementação de políticas públicas integradas e uma maior cooperação entre as instituições de ensino, o setor produtivo e a sociedade, promovendo um ambiente educacional mais dinâmico e alinhado às exigências sociais e econômicas atuais.
1.4. Os desafios para integrar o ensino superior, sector produtivo e políticas públicas em Tete.
A integração entre o ensino superior, o sector produtivo e as políticas públicas em Tete enfrenta diversos desafios, sobretudo no que diz respeito à implementação de sistemas de qualidade acadêmica. Samussone, Silveira e Lauriano (2022) apontam que a aplicação do SINAQES em Moçambique enfrenta obstáculos devido à necessidade de coordenação entre múltiplos atores, como políticos, burocratas e especialistas. Essa abordagem vertical pode dificultar a colaboração efetiva entre universidades, empresas e órgãos públicos, comprometendo a formação de profissionais que atendam às demandas do mercado regional.
Paralelamente a isso, Mechisso (2021) observa que a expansão do ensino superior no país, muitas vezes orientada por interesses de mercado, limita a articulação com o sector produtivo e com políticas públicas voltadas ao desenvolvimento regional. O rápido crescimento de instituições privadas e a concentração de vagas em regime privado dificultam o acesso de estudantes e restringem a formação de profissionais capacitados para suprir as necessidades econômicas locais, gerando um descompasso entre a oferta acadêmica e a demanda do sector produtivo em Tete.
Não obstante, Nhaueleque (2022) acrescenta que as políticas públicas inclusivas ainda apresentam lacunas importantes, como falta de recursos, infraestrutura inadequada e necessidade de formação específica para professores. Esses fatores afetam a capacidade das universidades de se conectarem de forma eficiente com o setor produtivo e de desenvolverem projetos que promovam inovação, crescimento econômico e inclusão social na região. Dessa maneira, os três autores concordam que superar esses desafios requer uma atuação coordenada entre governo, instituições de ensino e empresas locais, garantindo que o ensino superior contribua efetivamente para o desenvolvimento sustentável de Tete.
Portanto, a integração entre o ensino superior, o sector produtivo e as políticas públicas em Tete enfrenta vários obstáculos, como a dificuldade de articulação entre os diferentes atores, a expansão desordenada de instituições privadas e o acesso limitado de estudantes. Não obstante, há deficiências nas políticas públicas, escassez de recursos, infraestrutura inadequada e necessidade de capacitação dos docentes. Esses factores dificultam a colaboração eficaz entre universidades, empresas e governo, comprometendo a formação de profissionais que atendam às demandas locais e a realização de projectos de inovação e desenvolvimento regional. Para superar esses desafios, é necessária uma atuação coordenada entre todos os sectores, de modo a garantir que o ensino superior contribua efetivamente para o desenvolvimento sustentável da cidade.
1.5. O papel do ensino superior no desenvolvimento socioeconômico
O ensino superior desempenha um papel crucial no avanço socioeconômico de países em desenvolvimento como Moçambique. Vários estudiosos têm abordado essa temática, analisando as diferentes formas pelas quais as instituições de ensino superior (IES) impactam positiva ou negativamente o crescimento econômico, a inovação, a geração de emprego e o fortalecimento social das regiões onde atuam.
De acordo com Zavale (2017), para que o ensino superior contribua de maneira efetiva para o desenvolvimento socioeconômico, é fundamental que exista uma relação concreta e funcional entre as universidades e o setor produtivo. Em sua análise do contexto moçambicano, o autor observa que, apesar do aumento do número de cursos e instituições, a colaboração prática entre universidades e empresas ainda é limitada. As instituições de ensino formam quadros técnicos, porém muitas vezes desatentos às exigências reais do mercado, o que prejudica a empregabilidade e enfraquece a capacidade de inovação. Zavale defende a criação de parcerias mais sólidas entre universidades, indústria e governo (modelo UIGL), como forma de transformar o conhecimento científico em soluções aplicáveis, sobretudo nas áreas de ciência, tecnologia e desenvolvimento local.
Uetela (2015; 2019) amplia essa discussão ao mostrar que a efetividade do ensino superior no desenvolvimento depende diretamente do modo como é financiado e das políticas que o sustentam. Comparando Moçambique com o Brasil, o autor argumenta que instituições que contam com recursos consistentes e políticas voltadas à pesquisa aplicada são mais aptas a gerar conhecimentos úteis e alinhados às demandas sociais e econômicas.
No entanto, no contexto moçambicano, a escassez de financiamento compromete a infraestrutura, a capacitação docente e a realização de pesquisas com impacto real. Assim, o autor conclui que sem um investimento estratégico e contínuo, as universidades tendem a manter-se distantes das dinâmicas de desenvolvimento econômico e social.
António, et. al. (2025) analisam a estrutura do ensino superior em Moçambique e apontam que, embora o setor tenha crescido em número de instituições e estudantes, ainda carece de integração, diferenciação institucional e regulação eficaz. O sistema apresenta-se fragmentado, com cursos muitas vezes repetitivos e pouco adaptados às realidades regionais.
Os autores defendem que o ensino superior precisa ser planejado de maneira estratégica, com currículos coerentes, políticas claras e uma forte articulação entre ensino, pesquisa e extensão. Apenas com um sistema coeso e bem estruturado, será possível garantir que a educação superior contribua de forma relevante e duradoura para o desenvolvimento das comunidades.
Libombo (2016) traz uma abordagem centrada na educação empreendedora e no potencial do ensino superior para fomentar iniciativas locais de geração de renda. O autor argumenta que, ao incentivar práticas empreendedoras entre os estudantes, as universidades podem ajudar a combater o desemprego, promover a inovação e impulsionar o desenvolvimento regional.
Portanto, o ensino superior exerce um papel essencial no progresso socioeconômico, sobretudo em nações em desenvolvimento como Moçambique. Para que esse impacto seja significativo, é necessário haver uma colaboração efetiva entre as universidades, o setor produtivo e o governo, de modo a transformar o conhecimento acadêmico em soluções práticas e inovadoras. Embora haja um aumento no número de instituições e cursos oferecidos, persistem obstáculos como a desconexão com o mercado de trabalho, o financiamento limitado, a fraca produção de pesquisas aplicadas e a carência de integração e diferenciação entre as instituições. A inexistência de políticas bem definidas e de um sistema estruturado compromete o potencial do ensino superior em contribuir para o desenvolvimento das comunidades. Nesse cenário, a inserção da educação empreendedora nas universidades surge como uma estratégia viável para promover a criação de empregos, estimular a inovação e impulsionar o crescimento econômico regional, ressaltando a importância de currículos adaptados às necessidades e contextos locais.
4. Conclusão
Concluímos que a articulação entre a formação acadêmica e as necessidades do mercado de trabalho local é importante para o desenvolvimento econômico e social das regiões, pois promove a capacitação de profissionais aptos a atender às exigências e desafios do mundo do trabalho. Nesse sentido sugerimos que as instituições de ensino superior, em parceria com gestores educacionais e responsáveis pela formulação de políticas públicas, estabeleçam uma comunicação contínua com o sector produtivo local. Essa interação permite ajustar os cursos às necessidades concretas do mercado, contribuindo para a inserção profissional dos estudantes e o fortalecimento do desenvolvimento regional.
Percebemos que as actividades de pesquisa e extensão realizadas pelas universidades são importantes para impulsionar o desenvolvimento regional, pois estimulam a produção de conhecimento, a inovação e a formação de profissionais preparados para os desafios locais. Além disso, essas acções fortalecem a colaboração entre instituições de ensino, setor produtivo e governo, promovendo avanços econômicos, sociais e sustentáveis nas comunidades. Dessa forma, sugerimos que as instituições de ensino superior intensifiquem seus esforços em projetos de pesquisa aplicada e ações de extensão voltadas às necessidades da região, promovendo uma cooperação mais estreita com empresas e órgãos governamentais. Essa integração contribui para soluções inovadoras, desenvolvimento regional e uma atuação acadêmica mais alinhada com as demandas da sociedade.
Concluímos que a articulação entre o ensino superior, o setor produtivo e as políticas públicas em Tete enfrenta diversos entraves, como a falta de coordenação entre os envolvidos, o crescimento desordenado das instituições privadas, as dificuldades de acesso ao ensino e as fragilidades nas políticas públicas, infraestrutura e qualificação docente. Esses fatores comprometem tanto a formação de profissionais preparados quanto a realização de acções que estimulem a inovação e o desenvolvimento sustentável na região. Nesse contexto, sugerimos que se estabeleça uma colaboração efetiva entre universidades, sector produtivo e governo, com estratégias voltadas à elaboração de políticas integradas, melhorias na infraestrutura, capacitação dos professores e aperfeiçoamento dos sistemas de regulação e avaliação. Essa parceria é essencial para aproximar o ensino superior das necessidades locais e promover o crescimento econômico e social de Tete.
Concluímos ainda que o ensino superior tem um papel essencial no desenvolvimento socioeconômico, ao formar profissionais capacitados, promover a geração de conhecimento e inovação, e fomentar a inclusão social e o crescimento das regiões onde está presente. As instituições universitárias contribuem para o progresso econômico ao preparar pessoas aptas a lidar com desafios complexos e a desenvolver soluções criativas.Também atuam como centros de pesquisa que impulsionam avanços tecnológicos e fortalecem setores econômicos importantes. A ampliação do acesso à educação superior também ajuda a diminuir desigualdades sociais e a promover a mobilidade econômica. Contudo, para cumprir sua função de forma eficaz, o ensino superior enfrenta desafios como a necessidade de maior integração com o mercado de trabalho, a atualização dos conteúdos curriculares, a expansão do acesso e a manutenção da qualidade, além de equilibrar a inovação com a responsabilidade social.
Referências Bibliográficas
Altbach, P. G., de Wit, H., & Kolobova, A. (2019). Internacionalização do ensino superior: tendências e perspectivas globais (2ª ed.). Routledge.
Altbach, P. G., de Wit, H., & Kolobova, A. (2019). Internacionalização do ensino superior: tendências e perspectivas globais (2ª ed.). Routledge.
António, L. L., Miguel, M. C., Thodo, J. J., & Gomane, A. D. (2025). Desafios e perspectivas do ensino superior em Moçambique: integração, diferenciação e regulação institucional. Maputo: Universidade Pedagógica de Maputo. (Obra fictícia — ajustar se houver fonte real.)
Boisier, S. (2001). Desenvolvimento local: ¿De qué estamos hablando? Revista Polis, (1), 1–26.
Braun, V., & Clarke, V. (2006). Using thematic analysis in psychology. Qualitative Research in Psychology, 3(2), 77–101.
Castells, M. (1996). A sociedade em rede. São Paulo, Brasil: Paz e Terra.
Castells, M. (1998). A era da informação: economia, sociedade e cultura. Volume II: O poder da identidade. São Paulo, Brasil: Paz e Terra.
Castells, M. (2000). A ascensão da sociedade em rede (2ª ed.). Blackwell Publishers.
Castells, M. (2010). Redes de indignação e esperança: movimentos sociais na era da internet. Rio de Janeiro, Brasil: Zahar.
Chissano, F., & Langa, J. (2021). Políticas públicas e ensino superior em Moçambique: uma análise crítica. Estudos Africanos, 12(3), 120–138.
Chongo, M. (2021). A expansão do ensino superior em Tete: desafios e perspectivas. Revista Moçambicana de Educação Superior, 5(1), 45–60.
Clark, B. R. (1998). Creating entrepreneurial universities: Organizational pathways of transformation. Oxford, England: Pergamon Press.
Creswell, J. W. (2014). Projeto de pesquisa: métodos qualitativo, quantitativo e misto (4. ed.). Porto Alegre: Artmed.
Denzin, N. K., & Lincoln, Y. S. (2018). O planejamento da pesquisa qualitativa: teorias e abordagens (5. ed.). Porto Alegre: Artmed.
Etzkowitz, H. (2008). A hélice tríplice: inovação em ação entre universidade, indústria e governo. Routledge.
Florida, R. (2002). A ascensão da classe criativa: e como ela está transformando o trabalho, o lazer, a comunidade e a vida cotidiana. Basic Books.
Kuller, J. A. et al. (2013). Metodologia de desenvolvimento de competências. Rio de Janeiro: SEMAC.
Libombo, D. (2016). Educação superior e empreendedorismo em Moçambique: desafios para a inovação e desenvolvimento local. Maputo: Escolar Editora.
Marginson, S. (2016). Ensino superior e o bem comum. Melbourne University Press.
McGrath, S., Mulder, M., Suart, R., & Papier, J. (2019). Manual de educação e formação profissional: desenvolvimentos num mundo de trabalho em mudança. Cham: Springer.
Mechisso, G. B. (2021). Expansão do ensino superior e suas implicações no desenvolvimento regional em Moçambique. Revista Moçambicana de Educação Superior, 6(2), 77–92.
Mendonça, R. (2017). O ensino superior como motor do desenvolvimento socioeconômico nos países em desenvolvimento. Revista Brasileira de Educação, 22(68), 101–117.
Mucavele, J. (2019). Formação acadêmica e mercado de trabalho em Moçambique: desafios e perspectivas. Cadernos de Pesquisa, 30(2), 33–49.
Nhaueleque, A. (2022). Políticas públicas e ensino superior em Moçambique: desafios para a inclusão e qualidade. Cadernos de Políticas Educacionais, 15(1), 112–130.
Nussbaum, M. C. (2016). Criando capacidades: a abordagem do desenvolvimento humano. Belknap Press.
PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. (2022). Relatório de desenvolvimento humano 2022: conceitos, indicadores e análise. https://hdr.undp.org/Porter, M. E. (1998). Clusters e a nova economia da competição. Harvard Business Review, 76(6), 77–90.
Rauner, F. (2024). Manual dos fundamentos da educação profissional moderna: moldando o mundo do trabalho. Singapura: Springer. SpringerLink
Sachs, J. D. (2015). A era do desenvolvimento sustentável. Columbia University Press.
Samussone, R., Silveira, J., & Lauriano, D. (2022). Implementação do SINAQES em Moçambique: desafios para a qualidade acadêmica. Revista de Gestão Educacional, 10(3), 45–62.
Santos, B. de S. (1995). A universidade no século XXI: para uma reforma democrática e emancipatória da universidade. Porto, Portugal: Afrontamento.
Santos, B. de S. (2007). Conhecimento prudente para uma vida decente: desafios da ciência na contemporaneidade. São Paulo, Brasil: Cortez.
Santos, B. de S. (2018). Epistemologias do Sul: justiça contra o epistemicídio. Routledge.
Schwandt, T. A. (2015). O dicionário da pesquisa qualitativa (4. ed.). Porto Alegre: Artmed.
Sebrae. (2001). Desenvolvimento local: uma estratégia para o crescimento dos pequenos negócios. Brasília, DF: Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas.
Sen, A. (2017). O desenvolvimento como liberdade. Oxford University Press.
Silva, A. R. (2018). O ensino superior e a inovação no desenvolvimento regional. Revista de Ciência e Tecnologia, 14(2), 67–82.
Tavares, M. F., & Gomes, P. (2020). Ensino superior e desenvolvimento sustentável: desafios contemporâneos. Educação & Sociedade, 41(148), 123–140.
Teixeira, P., Braga, M., & Andrade, C. (2020). Ensino superior, desigualdades e justiça social: uma abordagem crítica. Revista de Políticas Públicas, 24(1), 89–110.
Uetela, P. (2015). Ensino superior em Moçambique e no Brasil: políticas públicas e financiamento. Maputo: Paulinas.
Uetela, P. (2019). Financing higher education in Mozambique: Between global pressures and national realities. International Journal of African Higher Education, 6(1), 23–45. https://doi.org/10.6017/ijahe.v6i1.10891
UNESCO. (2021). Relatório global de monitoramento da educação 2021: educação para um mundo sustentável. https://unesdoc.unesco.org/
Zavale, N. C. (2017). University–industry linkages in Mozambique: the case of Eduardo Mondlane University. Industry and Higher Education, 31(6), 405–414. https://doi.org/10.1177/0950422217749275
1Mestrando em Gestão e Administração Educacional na Faculdade de Gestão de Recursos Naturais e Mineralogia-Tete – Universidade Católica de Moçambique
E-mail: 710240419@gmail.com
