A INCLUSÃO DE ALUNOS COM DEFICIÊNCIA NA ESCOLA REGULAR: CONTRIBUIÇÕES DA TECNOLOGIA ASSISTIVA E DA ACESSIBILIDADE

THE INCLUSION OF STUDENTS WITH DISABILITIES IN REGULAR SCHOOLS: CONTRIBUTIONS OF ASSISTIVE TECHNOLOGY AND ACCESSIBILITY

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202601132221


Liliany de Jesus Vaz dos Santos¹


Resumo

O artigo aborda a temática da tecnologia assistiva e da acessibilidade na educação, destacando sua relevância para a inclusão de alunos com deficiência no ambiente escolar. O estudo tem como objetivo analisar os avanços e desafios da utilização de recursos tecnológicos assistivos no processo de ensino-aprendizagem, considerando as políticas públicas, a formação docente e as práticas pedagógicas inclusivas. A pesquisa, de natureza bibliográfica e abordagem qualitativa, fundamenta-se na análise de livros, artigos científicos e documentos oficiais que tratam da educação inclusiva no Brasil. Os resultados apontam que a tecnologia assistiva constitui instrumento essencial para a eliminação de barreiras e para a promoção da autonomia e da participação ativa dos estudantes com deficiência. Evidencia-se, contudo, que a efetividade de sua aplicação depende de uma formação continuada dos professores, de uma gestão escolar comprometida com a inclusão e de investimentos adequados em infraestrutura e suporte técnico. As conclusões demonstram que a acessibilidade deve ser compreendida como um princípio pedagógico que ultrapassa a dimensão física, alcançando aspectos comunicacionais, metodológicos e atitudinais. O estudo reforça que a consolidação de uma educação inclusiva requer o fortalecimento de políticas públicas integradas e a valorização da diversidade como eixo central do processo educativo, consolidando a escola como espaço de cidadania, equidade e respeito às diferenças.

Palavras-chave: Tecnologia assistiva. Educação inclusiva. Acessibilidade. Formação docente. Políticas públicas.

1 INTRODUÇÃO

A temática “Tecnologia Assistiva e Acessibilidade na Educação: Avanços e Desafios na Inclusão de Alunos com Deficiência” emerge como uma pauta essencial no contexto educacional contemporâneo, à medida que as políticas públicas e as práticas pedagógicas buscam garantir uma educação verdadeiramente inclusiva. A acessibilidade, entendida não apenas como adaptação física, mas como condição fundamental para o aprendizado e a participação de todos, tornou-se um princípio norteador das ações escolares. Nesse cenário, a tecnologia assistiva se apresenta como um conjunto de recursos e serviços capazes de promover a autonomia, a comunicação e o desenvolvimento dos estudantes com deficiência, ampliando as possibilidades de inclusão efetiva no ambiente escolar.

Nas últimas décadas, o debate sobre inclusão ganhou força no Brasil, especialmente após a promulgação da Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015), que assegura o direito à educação em igualdade de oportunidades. Contudo, apesar dos avanços normativos e das políticas educacionais implementadas, ainda persistem desafios significativos na concretização da acessibilidade plena nas escolas. A falta de formação continuada dos professores, a escassez de recursos tecnológicos e a ausência de infraestrutura adequada são fatores que limitam a aplicação prática da inclusão prevista em lei, demonstrando que o caminho entre o discurso e a realidade educacional ainda é longo.

De acordo com Mantoan (2019), a inclusão escolar não se resume à presença física do aluno com deficiência na sala de aula comum, mas implica a reorganização do espaço pedagógico, das práticas e das atitudes docentes. Nesse sentido, a tecnologia assistiva surge como mediadora essencial no processo de ensino-aprendizagem, permitindo o acesso à informação e a superação de barreiras comunicacionais, motoras e cognitivas. Entretanto, como observam Sassaki (2021) e Bersch (2020), o uso inadequado ou a falta de compreensão sobre o potencial desses recursos pode gerar exclusão disfarçada, quando os alunos permanecem integrados formalmente, mas sem participar de modo significativo das atividades escolares.

A relevância desta pesquisa está justamente em analisar como as tecnologias assistivas têm contribuído para a efetivação da inclusão de alunos com deficiência e quais obstáculos ainda dificultam essa implementação. A reflexão se justifica pela necessidade de compreender as práticas inclusivas sob a ótica da acessibilidade pedagógica e tecnológica, ampliando a visão sobre o papel da escola na construção de um ambiente equitativo e democrático. Conforme afirmam Oliveira e Silva (2022), investigar o uso da tecnologia assistiva na educação é fundamental para compreender como o processo educativo pode se transformar em um espaço de emancipação e cidadania para todos os sujeitos.

Dessa forma, o presente estudo tem como objetivo geral analisar os avanços e desafios da utilização da tecnologia assistiva e da acessibilidade na inclusão de alunos com deficiência no contexto escolar. Como objetivos específicos, busca-se: identificar os principais recursos tecnológicos utilizados nas escolas inclusivas; compreender as dificuldades enfrentadas pelos docentes na aplicação desses recursos; e discutir as políticas públicas que sustentam a inclusão educacional.

Assim, o trabalho pretende contribuir para o fortalecimento de práticas pedagógicas que considerem a diversidade como um valor e a tecnologia como um instrumento de equidade. Ao abordar o tema sob uma perspectiva crítica e propositiva, esta pesquisa pretende colaborar para a ampliação do debate acadêmico e prático sobre a inclusão de pessoas com deficiência no ambiente educacional, consolidando o compromisso social da escola com uma educação verdadeiramente acessível e inclusiva.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA

A inclusão de alunos com deficiência no sistema educacional brasileiro constitui um dos maiores desafios contemporâneos para a efetivação do direito à educação de qualidade para todos. A construção de uma escola inclusiva exige um olhar ampliado sobre as condições de ensino, o papel do professor e o uso de recursos tecnológicos que promovam acessibilidade e autonomia. Nesse contexto, a tecnologia assistiva surge como elemento essencial para garantir a participação plena dos estudantes com deficiência, integrando-se às práticas pedagógicas e à cultura escolar.

Conforme Mendes (2018), a educação inclusiva é um processo contínuo de transformação que visa eliminar barreiras de qualquer natureza e assegurar a participação efetiva de todos os alunos, independentemente de suas características individuais. Essa concepção amplia a noção tradicional de ensino, reconhecendo que o processo de aprendizagem deve se adaptar às necessidades dos sujeitos e não o contrário. A autora ressalta que a inclusão não se limita ao ingresso do estudante com deficiência na escola regular, mas à reestruturação de todo o sistema educacional, para torná-lo capaz de atender à diversidade humana em sua totalidade.

A tecnologia assistiva, segundo o Comitê de Ajudas Técnicas (CAT, 2009), compreende recursos, equipamentos, serviços e estratégias que visam proporcionar ou ampliar as habilidades funcionais das pessoas com deficiência, promovendo maior independência e inclusão social. No âmbito educacional, esses recursos podem incluir desde softwares de leitura e escrita até dispositivos de comunicação alternativa, lupas eletrônicas e mobiliário adaptado. Para Bersch (2020), tais tecnologias são instrumentos de mediação pedagógica que permitem ao aluno interagir com o conhecimento de modo mais autônomo, rompendo com as limitações impostas por barreiras físicas, sensoriais ou cognitivas.

No entanto, o uso de tecnologias assistivas na escola requer mais do que a simples aquisição de equipamentos. De acordo com Sassaki (2021), é imprescindível que haja uma mudança de atitude por parte dos educadores, gestores e da comunidade escolar. A acessibilidade deve ser entendida como um princípio que perpassa todos os aspectos do ambiente escolar — físico, comunicacional, metodológico e atitudinal. Isso significa que o uso da tecnologia assistiva deve estar integrado a um projeto pedagógico inclusivo, no qual o professor desempenha papel fundamental na adaptação e no uso crítico desses recursos.

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC, 2017) reforça a importância da diversidade e da equidade no processo educativo, ao reconhecer que todos os alunos devem ter acesso a oportunidades de aprendizagem que respeitem suas singularidades. A BNCC incentiva o uso de recursos tecnológicos e metodologias inovadoras que possam ampliar as formas de aprender, ensinar e avaliar. Nesse sentido, a tecnologia assistiva se insere como um instrumento pedagógico que potencializa o desenvolvimento das competências gerais, principalmente aquelas relacionadas à comunicação, à autonomia e ao pensamento crítico.

Lima (2022) aponta que a principal dificuldade para a consolidação da inclusão tecnológica nas escolas brasileiras é a carência de infraestrutura e a falta de formação continuada dos professores. Muitas instituições não dispõem de recursos suficientes para implementar ou manter equipamentos assistivos, e os educadores frequentemente relatam insegurança quanto ao uso e à aplicabilidade desses dispositivos no contexto pedagógico. Tal realidade reforça a necessidade de políticas públicas mais consistentes, que promovam não apenas o fornecimento de tecnologias, mas também o apoio técnico e a formação adequada para seu uso.

Mantoan (2019) destaca que o processo de inclusão educacional no Brasil foi consolidado a partir de movimentos internacionais, como a Declaração de Salamanca (1994), e nacionais, como a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008). Esses marcos legais redefiniram o papel da escola, que passou a ter a responsabilidade de garantir não apenas o acesso, mas também a permanência e o sucesso escolar dos alunos com deficiência. Assim, a tecnologia assistiva deve ser compreendida como parte integrante dessa política, funcionando como um instrumento de democratização do ensino.

Para Rodrigues e Almeida (2023), a tecnologia assistiva só cumpre seu papel transformador quando é usada de forma planejada e contextualizada. Os autores alertam que a dependência de soluções tecnológicas sem reflexão pedagógica pode gerar exclusão simbólica, uma vez que os estudantes podem permanecer à margem do processo de aprendizagem mesmo com o uso de ferramentas sofisticadas. Portanto, é essencial que o docente compreenda os princípios pedagógicos que orientam o uso da tecnologia assistiva e a aplique de modo crítico, criativo e inclusivo.

Em uma perspectiva contemporânea, a discussão sobre acessibilidade educacional envolve também a interrelação entre tecnologia, ética e cidadania. Segundo Oliveira e Silva (2022), a inclusão deve ser entendida como um ato político e ético que reconhece o direito à diferença e a necessidade de práticas educacionais que assegurem o protagonismo de todos os alunos. As tecnologias assistivas, nesse sentido, representam um avanço técnico e social, mas sua eficácia depende de uma cultura escolar comprometida com a valorização da diversidade humana.

Assim, a revisão de literatura evidencia que a efetivação da educação inclusiva demanda ações integradas entre políticas públicas, formação docente e investimentos estruturais. O uso da tecnologia assistiva precisa ser acompanhado de um processo de sensibilização e conscientização de toda a comunidade escolar. A inclusão, portanto, não se reduz à presença física do aluno com deficiência, mas à construção de práticas pedagógicas que promovam pertencimento, aprendizagem e dignidade. Dessa forma, esta pesquisa se apoia no entendimento de que a tecnologia assistiva, aliada à acessibilidade e à formação docente, constitui um caminho indispensável para uma educação inclusiva, democrática e humanizadora.

A continuidade da discussão sobre tecnologia assistiva e acessibilidade na educação permite compreender que a efetivação de uma escola inclusiva não depende apenas de recursos materiais, mas de uma mudança paradigmática na forma de conceber o ensino e a aprendizagem. A formação docente, as políticas públicas, o envolvimento da comunidade escolar e a conscientização sobre os direitos das pessoas com deficiência são pilares indispensáveis para consolidar práticas pedagógicas inclusivas e sustentáveis.

De acordo com Carvalho (2021), a formação de professores para o uso da tecnologia assistiva deve estar pautada na compreensão das necessidades educacionais específicas dos alunos e na capacidade de planejar estratégias pedagógicas diferenciadas. Não basta apenas conhecer o recurso tecnológico; é fundamental compreender sua aplicabilidade didática e seu potencial transformador no processo de ensino. O docente deve atuar como mediador, promovendo um ambiente de aprendizagem colaborativo e acessível, onde o estudante possa se sentir parte ativa do processo educativo. Essa perspectiva está alinhada à ideia de que a inclusão é um processo coletivo e contínuo, que exige reflexão constante sobre as práticas pedagógicas.

Segundo Rodrigues (2020), muitas dessas salas carecem de equipamentos atualizados, de manutenção técnica e de profissionais qualificados para orientar o uso das tecnologias assistivas. Essa realidade limita a efetividade da proposta inclusiva e demonstra que o investimento financeiro e humano ainda é desigual entre as redes de ensino, principalmente nas regiões mais vulneráveis do país.

Sassaki (2021) complementa ao afirmar que a acessibilidade é um direito transversal e deve permear todas as ações escolares, desde o planejamento pedagógico até a gestão institucional. A escola precisa ser um espaço acolhedor, que valorize as diferenças como fonte de aprendizado coletivo. Essa visão amplia o conceito de inclusão, tornando-o não apenas uma obrigação legal, mas um compromisso ético e social. O autor enfatiza que a acessibilidade plena envolve quatro dimensões interdependentes: a arquitetônica, que garante a mobilidade física; a comunicacional, que assegura o acesso à informação; a metodológica, que adapta as estratégias de ensino; e a atitudinal, que transforma as mentalidades e elimina preconceitos.

Em concordância, Bersch (2020) reforça que a tecnologia assistiva deve ser compreendida como meio e não como fim. Sua função é oferecer suporte à aprendizagem, permitindo que o estudante com deficiência exerça sua autonomia e desenvolva suas potencialidades. Contudo, o uso isolado da tecnologia, sem a devida contextualização pedagógica, pode gerar dependência ou até exclusão disfarçada. Por isso, é necessário que a escola adote práticas reflexivas, nas quais o uso dos recursos tecnológicos seja constantemente avaliado quanto à sua efetividade e adequação às necessidades dos alunos.

O papel da gestão escolar também é determinante nesse processo. Conforme aponta Pereira (2022), cabe à equipe gestora criar condições favoráveis para o desenvolvimento de uma cultura institucional inclusiva. Isso inclui promover formações continuadas, incentivar o trabalho colaborativo entre professores e profissionais de apoio, e estabelecer parcerias com instituições especializadas que possam contribuir com orientações técnicas e pedagógicas. A gestão comprometida com a inclusão atua como articuladora das ações e garante que a tecnologia assistiva seja integrada ao projeto político-pedagógico da escola.

A discussão contemporânea sobre tecnologia assistiva não se limita apenas à educação básica. A inclusão digital e a acessibilidade tecnológica também se estendem ao ensino superior e à formação profissional. Segundo Ferreira e Souza (2023), o uso de recursos assistivos em universidades e cursos técnicos amplia as oportunidades de inserção social e laboral de pessoas com deficiência, fortalecendo o exercício da cidadania e o acesso ao mercado de trabalho. A transição da escola inclusiva para uma sociedade inclusiva depende, portanto, da consolidação de políticas integradas que articulem educação, tecnologia e empregabilidade.

Um ponto de destaque na literatura recente é a importância da avaliação continuada das práticas inclusivas. Para Lima (2022), o monitoramento das ações pedagógicas e o acompanhamento do progresso dos estudantes com deficiência permitem ajustar as estratégias e garantir que os objetivos de aprendizagem sejam efetivamente alcançados. Essa avaliação não deve ter caráter punitivo, mas diagnóstico e formativo, contribuindo para o aprimoramento constante das práticas docentes e institucionais.

Um elemento essencial é a laboração entre os diferentes profissionais que atuam na escola, como professores do ensino regular, professores de apoio, intérpretes de Libras, psicopedagogos e terapeutas ocupacionais. Segundo Oliveira e Silva (2022), a interdisciplinaridade é um fator determinante para o sucesso da inclusão, pois permite compreender o estudante de forma integral, articulando saberes e estratégias de diferentes áreas do conhecimento. Essa colaboração deve ser planejada, sistematizada e acompanhada pela gestão escolar, garantindo coerência e continuidade no trabalho pedagógico.

É importante ressaltar, ainda, que a acessibilidade e a tecnologia assistiva devem ser pensadas também sob o prisma da afetividade e das relações humanas. A inclusão efetiva não se constrói apenas com recursos tecnológicos, mas com empatia, escuta ativa e valorização da subjetividade de cada aluno. Conforme destaca Vygotsky (apud Oliveira, 2019), o desenvolvimento humano ocorre na interação social e no diálogo constante entre os sujeitos. Assim, as tecnologias devem ser vistas como ferramentas mediadoras desse processo, favorecendo a construção de vínculos e o aprendizado significativo.

A revisão da literatura evidencia que a tecnologia assistiva e a acessibilidade são elementos indissociáveis de uma educação inclusiva e de qualidade. No entanto, sua efetividade depende da articulação entre políticas públicas, formação docente, gestão democrática e compromisso ético com a diversidade. A construção de uma escola verdadeiramente inclusiva requer uma mudança cultural profunda, na qual a diferença seja entendida como riqueza e não como limitação. Somente por meio de ações integradas, planejadas e humanizadas será possível transformar a tecnologia assistiva em instrumento real de emancipação e cidadania, consolidando uma educação voltada para todos e para cada um.

3 METODOLOGIA 

A presente pesquisa caracteriza-se como de natureza bibliográfica, uma vez que se fundamenta na análise, interpretação e síntese de materiais já publicados sobre o tema “Tecnologia Assistiva e Acessibilidade na Educação: Avanços e Desafios na Inclusão de Alunos com Deficiência”. Esse tipo de investigação busca compreender e discutir as contribuições teóricas existentes, permitindo construir um panorama crítico e atualizado acerca das práticas inclusivas mediadas pela tecnologia no contexto educacional brasileiro.

De acordo com Gil (2019), a pesquisa bibliográfica tem como principal objetivo reunir, selecionar e interpretar contribuições teóricas relevantes sobre determinado tema, possibilitando ao pesquisador o aprofundamento conceitual e o desenvolvimento de novas reflexões. Nesse sentido, este estudo foi desenvolvido a partir da coleta e análise de fontes secundárias, incluindo livros, artigos científicos, dissertações, teses e documentos institucionais que abordam a inclusão escolar, a acessibilidade e o uso de tecnologias assistivas.

A metodologia adotada segue uma abordagem qualitativa, pois se propõe a compreender o fenômeno estudado em sua complexidade, priorizando a análise interpretativa dos conteúdos. Conforme Minayo (2022), a pesquisa qualitativa busca compreender os significados atribuídos pelos sujeitos e pela sociedade aos fenômenos estudados, valorizando as dimensões simbólicas e contextuais do objeto de investigação. Assim, o estudo privilegia o diálogo entre diferentes autores e correntes teóricas, buscando construir um referencial consistente sobre a aplicação da tecnologia assistiva na educação inclusiva.

O desenvolvimento da pesquisa ocorreu em três etapas principais. A primeira consistiu na identificação e seleção das fontes teóricas, realizadas por meio de buscas em bases de dados acadêmicas, como Scielo, Google Scholar e periódicos indexados da CAPES. Foram utilizados descritores como “tecnologia assistiva na educação”, “acessibilidade escolar”, “inclusão de alunos com deficiência” e “práticas pedagógicas inclusivas”. Essa etapa teve como critério de seleção publicações de 2018 a 2024, com o intuito de garantir a atualidade e relevância das informações analisadas.

Na segunda etapa, procedeu-se à leitura exploratória e analítica das obras selecionadas, com foco na identificação de conceitos, abordagens e evidências relacionadas à implementação da tecnologia assistiva nas escolas brasileiras. Essa leitura permitiu organizar as informações em eixos temáticos, tais como: fundamentos teóricos da inclusão educacional, políticas públicas de acessibilidade, desafios da formação docente e impactos das tecnologias assistivas no processo de ensino e aprendizagem.

A terceira etapa envolveu a análise interpretativa e crítica dos dados obtidos, buscando relacionar as informações encontradas com os objetivos propostos na introdução deste trabalho. Essa análise foi guiada pela técnica de análise de conteúdo, conforme Bardin (2016), que consiste em identificar unidades de sentido e categorias de análise a partir dos textos estudados. Tal procedimento possibilitou compreender como as diferentes fontes abordam o papel da tecnologia assistiva e quais caminhos teóricos e práticos vêm sendo discutidos para o fortalecimento da educação inclusiva no Brasil.

O universo da pesquisa compreendeu a produção científica sobre inclusão e tecnologia assistiva disponível em língua portuguesa, com ênfase nos contextos educacionais públicos e inclusivos. Não houve delimitação geográfica, visto que o foco do estudo é a reflexão teórica e a sistematização de conhecimentos existentes. A amostragem foi intencional, selecionando-se obras e autores que apresentassem relevância acadêmica e consonância com os objetivos da investigação.

Por fim, os resultados obtidos foram organizados de forma descritiva e analítica, estruturando a discussão teórica em torno das contribuições, lacunas e desafios identificados na literatura. A metodologia bibliográfica, ao proporcionar uma visão ampla e crítica sobre o tema, permite compreender que a efetivação da acessibilidade e o uso da tecnologia assistiva na educação dependem da articulação entre teoria e prática, de políticas públicas consistentes e da valorização da formação docente como eixo central da inclusão escolar.

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS

Os resultados obtidos a partir da revisão bibliográfica revelam que o debate sobre tecnologia assistiva e acessibilidade educacional tem se intensificado no Brasil, especialmente após a promulgação da Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015). Essa legislação reforça o direito de todos à educação em igualdade de condições, estabelecendo diretrizes para que as instituições escolares garantam acessibilidade plena. Segundo Sassaki (2021), a acessibilidade precisa ser entendida como um processo amplo, que envolve aspectos arquitetônicos, comunicacionais, pedagógicos e atitudinais, todos fundamentais para o êxito da inclusão escolar.

A análise das fontes teóricas demonstra que a tecnologia assistiva é percebida como uma ferramenta de mediação essencial no processo de ensino-aprendizagem. Bersch (2020) destaca que a utilização adequada de dispositivos e softwares adaptativos pode eliminar barreiras e ampliar a autonomia dos estudantes com deficiência. No entanto, a autora alerta que o simples acesso aos equipamentos não assegura uma prática inclusiva eficaz, sendo imprescindível que o professor receba formação continuada e suporte técnico para utilizá-los de forma pedagógica.

De acordo com Mantoan (2019), a inclusão escolar implica a transformação das práticas e das estruturas da escola, e não apenas a inserção física dos estudantes com deficiência nas salas de aula regulares. A autora argumenta que o papel do educador é central nesse processo, pois ele deve adotar metodologias flexíveis e diferenciadas, capazes de atender às singularidades de cada aluno. Assim, o uso da tecnologia assistiva precisa estar inserido em um projeto pedagógico que valorize a diversidade e que compreenda o potencial de cada estudante como protagonista de seu aprendizado.

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), publicada em 2017, representa um marco no reconhecimento da diversidade e da equidade como princípios educativos. O documento orienta que as escolas garantam o desenvolvimento de competências e habilidades em perspectiva inclusiva, assegurando que todos os alunos tenham acesso a recursos e metodologias adequadas. Essa orientação é complementada pela Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008), que estabelece diretrizes para o atendimento educacional especializado e para a organização das redes de ensino de forma colaborativa e integrada.

Apesar desses avanços normativos, as pesquisas analisadas apontam que ainda existem desafios significativos na efetivação da inclusão escolar. Lima (2022) observa que muitas escolas públicas enfrentam dificuldades relacionadas à infraestrutura, à manutenção dos equipamentos assistivos e à falta de formação específica dos professores. Essas limitações comprometem o uso efetivo das tecnologias e reforçam a desigualdade entre as redes de ensino, especialmente nas regiões mais carentes do país.

Rodrigues e Almeida (2023) acrescentam que a eficácia da tecnologia assistiva depende diretamente da integração entre políticas públicas, formação docente e gestão escolar. Para os autores, a ausência de planejamento estratégico e de acompanhamento técnico pode transformar os recursos assistivos em instrumentos subutilizados. A inclusão verdadeira exige, portanto, uma abordagem sistêmica, em que todos os atores educacionais — professores, gestores, alunos e famílias — compartilhem responsabilidades e objetivos.

No campo prático, estudos recentes mostram que o uso de tecnologias assistivas está associado a ganhos significativos de participação, comunicação e desempenho acadêmico dos estudantes com deficiência. Oliveira e Silva (2022) destacam que softwares de leitura e escrita, dispositivos de comunicação alternativa e recursos digitais interativos favorecem a aprendizagem e a inclusão social quando aplicados com intencionalidade pedagógica. Esses resultados indicam que a tecnologia, quando bem integrada ao currículo, pode romper barreiras históricas e promover uma educação mais equitativa.

Pereira (2022) reforça que o papel da gestão escolar é determinante na efetivação das práticas inclusivas. Cabe ao gestor criar um ambiente favorável à inovação, promover formações continuadas e estimular o trabalho colaborativo entre os professores do ensino regular e os profissionais do atendimento educacional especializado. A atuação da gestão como articuladora das ações pedagógicas é o que garante que as tecnologias assistivas sejam utilizadas de forma coerente com os princípios da educação inclusiva.

Segundo Ferreira e Souza (2023), o acesso à tecnologia assistiva amplia as possibilidades de inserção social e laboral das pessoas com deficiência, fortalecendo o exercício da cidadania e da autonomia. Isso demonstra que a inclusão educacional está diretamente relacionada ao desenvolvimento humano e à igualdade de oportunidades na sociedade.

Os resultados também evidenciam que o uso das tecnologias assistivas precisa ser acompanhado de uma mudança cultural e de atitudes dentro das escolas. Para Sassaki (2021), a inclusão não se concretiza apenas por meio de equipamentos, mas sobretudo por meio da transformação das relações interpessoais e do reconhecimento da diversidade como valor. A acessibilidade plena exige empatia, diálogo e respeito, elementos indispensáveis para uma convivência democrática e humanizadora.

A análise dos dados permite concluir que os avanços conquistados nas últimas décadas são expressivos, mas ainda insuficientes para assegurar a plena inclusão escolar. O cenário brasileiro demonstra que, embora existam políticas públicas consolidadas e experiências pedagógicas exitosas, há necessidade de continuidade nos investimentos, de acompanhamento técnico e de uma formação docente crítica e reflexiva. A educação inclusiva, ancorada na tecnologia assistiva e na acessibilidade, constitui um compromisso ético e social que deve orientar todas as ações educacionais voltadas para a construção de uma escola realmente para todos.

5 CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS

A presente pesquisa atinge plenamente o objetivo proposto de analisar os avanços e desafios da utilização da tecnologia assistiva e da acessibilidade na inclusão de alunos com deficiência no contexto educacional. Os resultados evidenciam que, embora existam políticas públicas e marcos legais consolidados, a efetividade da inclusão escolar ainda depende da formação continuada dos professores, da adequação da infraestrutura escolar e da integração das tecnologias assistivas aos projetos pedagógicos.

Constata-se que a tecnologia assistiva, quando utilizada de forma planejada e contextualizada, constitui instrumento eficaz para a promoção da aprendizagem e da autonomia dos estudantes com deficiência. Verifica-se também que a acessibilidade, compreendida como um princípio pedagógico, ultrapassa as barreiras físicas e tecnológicas, alcançando dimensões atitudinais e metodológicas que fortalecem o compromisso ético da escola com a diversidade e a equidade.

Observa-se que a inclusão educacional só se consolida quando há uma articulação coerente entre gestão escolar, formação docente e políticas públicas. O papel do professor, do gestor e da comunidade escolar revela-se essencial na criação de práticas pedagógicas que valorizam a diferença como fonte de aprendizado e não como limitação. Assim, o uso da tecnologia assistiva deve ser acompanhado de planejamento, reflexão crítica e constante avaliação dos resultados obtidos.

Verifica-se, ainda, que o estudo contribui para ampliar a compreensão sobre a importância de integrar tecnologia e acessibilidade às políticas educacionais, oferecendo subsídios teóricos e práticos para novas pesquisas. As conclusões apontam para a necessidade de investimentos contínuos em infraestrutura, programas de capacitação docente e ações intersetoriais que garantam o acesso e a permanência de todos os alunos na escola.

Reconhece-se, como limitação deste trabalho, o fato de tratar-se de uma pesquisa bibliográfica, sem levantamento empírico de campo. Entretanto, a análise teórica realizada permite confirmar a relevância da temática e indicar caminhos para futuras investigações que possam aprofundar o estudo sobre a aplicabilidade das tecnologias assistivas em diferentes realidades educacionais.

Conclui-se, portanto, que a tecnologia assistiva e a acessibilidade configuram-se como pilares fundamentais para o avanço da educação inclusiva, contribuindo para a construção de um ambiente escolar verdadeiramente democrático, participativo e humano. A pesquisa reafirma que a inclusão não é apenas um direito legal, mas um compromisso social e ético que deve orientar todas as práticas educacionais no século XXI.

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¹Discente do Curso Superior de mestrado do Instituto Interamericana de Ciências Sociales- FICS e-mail: lilianyvaz@gmail.com