USE OF DENTAL FLOSS IN THE ORAL HYGIENE ROUTINE OF CHILDREN AND ADOLESCENTS: A LITERATURE REVIEW
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202508270811
Filipe Junqueira Pinto Neto
Isabela Ramos da Silva
Isabella Piai de M. Corrêa
Maria Clara dos S. Inamônico
Profª. Dra. Karina Silva Moreira Macari
Resumo
Este trabalho analisa a importância do uso do fio dental na rotina de higiene bucal de crianças e adolescentes como medida preventiva contra cárie interproximal e doenças periodontais. O estudo investiga os benefícios desse hábito para a saúde bucal, o nível de conhecimento e adesão ao uso do fio dental entre o público infantil e juvenil, e a influência da orientação familiar e profissional na formação desse comportamento. Além disso, propõe estratégias educativas para estimular o uso correto e regular do fio dental desde os primeiros anos de vida. Justifica-se pela necessidade de promover a educação em saúde bucal e incentivar hábitos preventivos, contribuindo para a formação de gerações com melhor qualidade de vida e menor incidência de doenças bucais.
Palavras-chave: Fio dental. Cárie interproximal. Saúde bucal. Educação em saúde. Odontopediatria.
Abstract
This paper analyzes the importance of incorporating dental floss into the oral hygiene routine of children and adolescents as a preventive measure against interproximal cavities and periodontal diseases. The study investigates the benefits of this habit for oral health, the level of knowledge and adherence to flossing among children and teenagers, and the influence of family and professional guidance in shaping this behavior. Additionally, it proposes educational strategies to encourage the correct and regular use of dental floss from an early age. The relevance of this study lies in the need to promote oral health education and encourage preventive habits, contributing to the development of generations with better quality of life and a lower incidence of oral diseases.
Keywords: Dental floss. Interproximal caries. Oral health. Health education. Pediatric dentistry.
1. INTRODUÇÃO
A saúde bucal é parte integrante da saúde geral e mantê-la é uma prioridade. O conhecimento da prevalência das patologias orais que atingem a população desde a infância à juventude, e a falta de medidas de prevenção simples, acessíveis e eficazes, têm conduzido ao reforço da importância dada à saúde oral nomeadamente à cárie dentária e às anomalias de oclusão. Cuidados específicos e diferenciados no tratamento e na prevenção na assistência à criança obrigam à estreita colaboração entre o pediatra e odontopediatra, bem como à educação dos pais (Areias, 2008). A cárie dentária e a doença periodontal estão entre as condições bucais mais comuns em todo o mundo. Ambas estão relacionadas ao acúmulo de biofilme dentário, especialmente quando não é devidamente removido. Por isso, é essencial utilizar métodos eficazes de higiene oral, além de executá-los corretamente. A escova de dente é eficiente na eliminação do biofilme das superfícies expostas, enquanto o uso do fio dental é amplamente reconhecido como a principal técnica para a limpeza das áreas interdentais (Langbecker, 2023). O uso do fio dental para o controle mecânico da placa representa um desafio para crianças que ainda estão desenvolvendo suas habilidades motoras. Por isso, é recomendável que os responsáveis auxiliem na higienização oral até que a criança tenha entre 8 e 10 anos. Devido a essa dificuldade, existem diversos tipos de fios interdentais disponíveis no mercado, como o Flosser, que é um fio dental com haste anatômica de polietileno, que pode ser descartável ou reutilizável, com ou sem sabor. Esse dispositivo facilita a limpeza entre os dentes e torna mais simples a remoção do excesso de biofilme dentário (LIN, 2020). Sendo válido destacar que outros aspectos também podem dificultar a higiene oral, como a estrutura anatômica dos dentes, disfunções na articulação temporomandibular (ATM), problemas oclusais, além de pacientes que apresentam alguma deficiência ou síndromes (RANK, 2014).
2. OBJETIVOS
Este trabalho tem como objetivo avaliar a importância do uso do fio dental na rotina de higiene bucal de crianças e adolescentes como medida preventiva a partir de uma Revisão de Literatura.
3. METODOLOGIA
Este trabalho trata-se de uma revisão de literatura, sobre a importância do uso do fio dental na rotina de higiene bucal de crianças e adolescentes para a prevenção de cárie interproximal e doenças periodontais. A pesquisa foi realizada por meio da seleção e análise de artigos científicos, livros, manuais e documentos técnicos publicados entre os anos de 2006 e 2025, priorizando materiais disponíveis em português e inglês. As fontes de busca utilizadas foram bases de dados eletrônicas como Scielo e Google Acadêmico, utilizando os seguintes descritores: “fio dental”, “higiene oral infantil”, “prevenção de cárie”, “doença periodontal”, “cárie interproximal”, “biofilme dental” e “saúde bucal na infância e adolescência”. Foram incluídos estudos que abordassem especificamente a ação do fio dental na prevenção de doenças bucais em crianças e adolescentes, bem como pesquisas que discutissem a adesão a esse hábito e suas implicações clínicas. Excluíram-se artigos repetidos, que não estavam disponíveis na íntegra ou que não apresentavam relação direta com o tema. Após a seleção, os dados foram organizados e discutidos de forma descritiva, a fim de embasar a análise crítica sobre a relevância do fio dental como recurso preventivo na saúde bucal infantojuvenil.
4. REVISÃO DA LITERATURA
4.1 Aspectos gerais da cárie interproximal
A cárie dentária é uma doença multifatorial e um problema de saúde pública que afeta especialmente crianças, prejudicando sua qualidade de vida. Está relacionada ao consumo frequente de açúcares, acúmulo de biofilme, higiene oral inadequada e fatores socioeconômicos. Sua prevalência é maior em populações de baixa renda e em crianças sem orientação preventiva adequada. O diagnóstico é feito principalmente por exame tátil-visual, auxiliado por radiografias. A prevenção envolve educação em saúde, escovação supervisionada com dentifrício fluoretado, redução do consumo de açúcares, uso de flúor e selantes. O tratamento deve ser conservador, preservando tecidos dentários e evitando intervenções invasivas. Assim, além de clínica, a cárie é também uma questão social, exigindo programas de promoção e prevenção em saúde bucal desde a infância (ALVES et al, 2022).
4.2 Aspectos gerais das doenças periodontais
As doenças periodontais em crianças e adolescentes geralmente iniciam-se como gengivite e, se não tratadas, podem evoluir para periodontite, resultando na destruição dos tecidos de suporte dentário e até perda dentária. Essas condições são inflamatórias, infecciosas e multifatoriais, causadas principalmente pela má higiene bucal e acúmulo de biofilme dentário. Fatores como diabetes, obesidade, tabagismo, uso de aparelhos ortodônticos, alterações hormonais e predisposição genética podem agravar o quadro. O tratamento inclui remoção do biofilme, orientação de higiene oral, antibioticoterapia e, em casos avançados, extração dentária e uso de mantenedores de espaço. Terapias complementares, como fotodinâmica e ozonioterapia, também podem ser utilizadas (PORTUGUAL et al. 2023).
4.3 Importância da higiene bucal na primeira infância
A prevenção e promoção da saúde bucal na primeira infância influenciam positivamente as condições de saúde bucal, evitando a cárie dentária e doenças periodontal com hábitos corretos e diários de higiene; alimentos não-cariogênicos, como balas, doces e guloseimas e visitas periódicas ao dentista, nos centros de saúde com a equipe da ESF de saúde bucal para obter as orientações e tratamento adequado para cada paciente (ZINATTO, 2011). A higiene oral na primeira infância também ajuda a promover a saúde geral da criança, pois a boca é a porta de entrada para todo o organismo e a presença de bactérias pode afetar outros sistemas corporais. Pais e cuidadores devem supervisionar e auxiliar as crianças na escovação até que elas desenvolvam habilidades motoras suficientes para realizar a tarefa sozinhas. A educação sobre higiene oral desde cedo é crucial para estabelecer hábitos saudáveis que durarão toda a vida. Visitas regulares ao dentista também são importantes para monitorar a saúde bucal da criança e fornecer orientação adicional sobre cuidados bucais (ZINATTO, 2011).
4.4 Dificuldade motora e materna no uso do fio dental no dia a dia
A habilidade no uso efetivo do fio dental está relacionada à idade e à destreza manual, sendo que, as crianças menores de 8 anos não são capazes de usá-lo corretamente e que mesmo nas idades de 9 a 12 anos a supervisão seria necessária. (RANK, 2006). A falta de destreza manual e a dificuldade em aplicar a força certa e controlar o fio dental podem tornar o processo de remoção da placa bacteriana e dos restos alimentares uma tarefa difícil. As mães podem enfrentar dificuldades em ensinar e supervisionar as crianças no uso correto do fio dental, bem como estabelecer uma rotina diária de uso. Isso pode levar a consequências negativas para a saúde bucal, como o desenvolvimento de cáries e doenças periodontais (RANK, 2006). Para superar essas dificuldades, é fundamental oferecer educação e treinamento para mães e crianças sobre o uso correto do fio dental. O uso de dispositivos auxiliares, como fio dental com cabo pode facilitar o processo. Além disso, o estabelecimento de uma rotina diária de uso do fio dental pode ajudar a tornar o hábito mais consistente (RANK, 2006). A supervisão e orientação de um profissional de saúde bucal também são essenciais para garantir que as crianças estejam usando o fio dental corretamente e de forma eficaz. Com a ajuda certa e a prática regular, é possível superar as dificuldades e manter uma boa saúde bucal (RANK, 2006).
4.5 Contribuição do fio dental para higiene interproximal
O biofilme dental é um fator determinante no desenvolvimento da cárie e da doença periodontal, especialmente nas áreas interproximais, onde a escova de dentes tem menor alcance. Nesses locais, a utilização do fio dental assume papel essencial, pois permite a desorganização mecânica do biofilme e a remoção de resíduos alimentares que permanecem retidos entre os dentes. A prática regular do uso do fio dental, associada à escovação adequada, potencializa o controle do biofilme, reduz a incidência de inflamações gengivais e contribui para a prevenção da cárie proximal. Além disso, sua incorporação precoce nos hábitos de higiene oral favorece a criação de uma rotina saudável, capaz de promover a manutenção da saúde bucal a longo prazo. A ausência dessa prática, por outro lado, facilita a maturação e a patogenicidade da placa bacteriana, aumentando os riscos de complicações bucais. Portanto, o fio dental deve ser entendido não apenas como um complemento à escovação, mas como um recurso indispensável para o controle eficaz do biofilme interproximal e a preservação da saúde bucal (KUBO et al, 2011).
4.6 Quadro 1: Comparação entre o fio dental convencional e o fio dental com haste baseado no estudo de Ferraz, 2022




Fonte: Autores
4.7 Quadro 2: Características dos estudos avaliados.













Fonte: Autores
5. DISCUSSÃO
Os estudos analisados reforçam que o fio dental desempenha papel fundamental na prevenção de cárie interproximal e doenças periodontais em crianças e adolescentes. A literatura demonstra que a escovação, apesar de eficaz na remoção do biofilme em superfícies expostas, não alcança satisfatoriamente a áreas interproximais dos dentes, sendo o fio dental o principal recurso para o controle mecânico do biofilme nesses locais (LANGBECKER, 2023).
Pesquisas recentes apontam que a adesão ao uso do fio dental nessa faixa etária ainda é limitada, em grande parte pela dificuldade motora das crianças em manipular o fio de forma adequada, especialmente antes dos oito anos de idade (RANK, 2006). Nesse sentido, dispositivos auxiliares, como fios com suporte anatômico ou flossers, mostram-se estratégias eficazes para facilitar o processo, tornando a higienização mais acessível e promovendo maior adesão ao hábito (LIN et al., 2020).
Estudos comparativos também destacam que, quando supervisionadas por adultos ou orientadas por profissionais de saúde bucal, as crianças apresentam melhor desempenho na utilização do fio dental, com significativa redução na formação de biofilme interproximal (FERRAZ; CARVALHO, 2022). Esses achados indicam a importância da participação ativa da família e dos profissionais de saúde na educação e no acompanhamento dos hábitos de higiene oral desde a infância.
A ausência do uso regular do fio dental está diretamente associada ao aumento da maturação e patogenicidade do biofilme, favorecendo a instalação de processos inflamatórios gengivais e lesões cariosas proximais (KUBO; MIALHE, 2011). Além disso, fatores socioeconômicos e de acesso à informação influenciam na adoção dessa prática, ressaltando a necessidade de estratégias educativas e preventivas voltadas para diferentes contextos sociais (ALVES et al., 2022).
De modo geral, a literatura revisada evidencia que a prática do fio dental, quando associada à escovação com dentifrício fluoretado, potencializa a prevenção da cárie e da doença periodontal em crianças e adolescentes. Para isso, é essencial que pais, cuidadores e profissionais de saúde bucal promovam orientações contínuas, supervisionem o uso correto e estimulem a incorporação desse hábito desde os primeiros anos de vida, garantindo impacto positivo na manutenção da saúde bucal a longo prazo.
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Diante do exposto, conclui-se que a saúde bucal na infância é um componente essencial da saúde geral e deve ser abordada de forma preventiva e educativa desde os primeiros anos de vida. A prevalência das doenças cárie e periodontal, associada à dificuldade de higienização adequada, especialmente em crianças com habilidades motoras ainda em desenvolvimento, evidencia a necessidade de medidas acessíveis, eficazes e adaptadas às diferentes realidades. A utilização correta do fio dental, com o apoio de dispositivos facilitadores como a haste, concomitantemente a supervisão ativa dos pais ou responsáveis, é indispensável para o controle do biofilme dental em áreas de difícil acesso. Além disso, fatores anatômicos, funcionais e sociais também devem ser considerados na formulação de estratégias individualizadas de cuidado. A integração entre profissionais de saúde como pediatras, odontopediatras e a equipe de saúde bucal da ESF é fundamental para garantir não apenas o tratamento, mas principalmente a educação continuada das famílias. Investir em ações educativas, políticas públicas preventivas e no fortalecimento do vínculo entre os serviços de saúde e a comunidade é fundamental para promover hábitos saudáveis, reduzir a incidência de patologias bucais e contribuir para a saúde integral das crianças.
7 REFERÊNCIAS
ALVES, L. N. C.; PAULA, T. F. de; ALVES, R. T. D.; CARVALHO, J. N. J. de. Odontopediatria: cárie na primeira infância. Revista Multidisciplinar do Nordeste Mineiro, v.4, 2022.
CUNHA, C. A. P. da. Diagnóstico da doença periodontal: Revisão da Literatura. Research, Society and Development, [S.l.], v. 14, n. 2, p. e7614248284. Paraíba, fev. 2025.
FERRAZ, Y. D.; CARVALHO, M. T. de. Comparação da eficácia do fio dental convencional com fio dental na remoção de biofilme dentário em crianças. Pesquisa, Sociedade e Desenvolvimento, [S.l.], v. 11, n. 16, p. e483111638708, 2022.
KUBO, F. M. M.; MIALHE, F. L. Fio dental: da dificuldade ao êxito na remoção do biofilme interproximal. Arquivos em Odontologia, Belo Horizonte, v. 47, n. 1, p. 51–55, 2011.
LANGBECKER, M. M. Contribuições da Liga Acadêmica de Cariologia para a formação dos estudantes e para a comunidade: relato de experiência. Revista ABENO, Santa Cruz do Sul, v.23, n. 1, mar. 2023.
PORTUGAL, A. F. B. Doença periodontal em crianças e adolescentes: revisão de literatura. 2023. 32 f. Monografia (Bacharelado em Odontologia) – Faculdade FAIPE, Cuiabá, 2023.
RANK, R. C. L. C; RANK, M. S; DIB, J. E; Dificuldades maternas quanto ao uso do fio dental em crianças. Publ. UEPG Ci. Biol. Saúde, Ponta Grossa, 12 (3): 31-38, set. 2006
RANK, R. I. Perfil da saúde bucal de crianças de 0 a 5 anos que receberam atendimento odontológico de 1999 a 2010, em Gurupi-TO. Revista Cereus, v. 6, n. 3, p. 125-a, 2014.
ZINATTO, G. A. S; Saúde Bucal e Ações educativas para a primeira infância. Monografia – Universidade Federal de Minas, 6, agosto. 2011.
