REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202502111950
Jander Batista Mello; Adriane Damares de Sousa Jorge Batalha; Camila Monteiro de Lima; Dayane Cruz Bindá; Itaciara Ferreira Barros D’ângelo; Lucia Tatiana Filgueiras de Souza; Ronaldo Laércio de Oliveira Azevedo Filho; Renata Rayana da Silva Oliveira; Stella Corrêa Said; Ana Carolina Shuan Laco
Resumo:
A tuberculose continua sendo um importante problema de saúde pública em diversas partes do mundo, com altas taxas de prevalência e mortalidade, especialmente em regiões de difícil acesso como as comunidades ribeirinhas do Amazonas. Essas populações enfrentam desafios significativos no diagnóstico, tratamento e controle da doença devido às barreiras geográficas, falta de infraestrutura de saúde e condições precárias de moradia. Este estudo teve como objetivo realizar uma revisão bibliográfica sobre os desafios e as estratégias adotadas para o controle da tuberculose nas comunidades ribeirinhas da região amazônica, com base em artigos publicados entre 2014 e 2024, obtidos das bases de dados PubMed, SciELO e Google Acadêmico. A análise revelou que a tuberculose é uma das principais doenças infectocontagiosas nessas comunidades, com alta taxa de incidência, agravada pela dificuldade de acesso a serviços de saúde adequados e pela resistência ao tratamento, fator frequentemente observado devido ao abandono do regime terapêutico. A revisão identificou 12 estudos relevantes que destacam que a implementação de programas de saúde comunitária, que envolvem a atuação de agentes comunitários de saúde e a educação em saúde, tem mostrado resultados positivos na melhoria da adesão ao tratamento e na redução da mortalidade. Esses programas têm sido fundamentais para superar as barreiras de acesso aos serviços de saúde, proporcionando acompanhamento contínuo e orientação para os pacientes. No entanto, os desafios persistem, como a necessidade de melhor estruturação dos serviços de saúde nas regiões mais remotas, além da melhoria nas condições de moradia e no enfrentamento da resistência à medicação. A análise também destacou a importância do fortalecimento das políticas públicas de saúde para essas comunidades, com foco em estratégias de prevenção, diagnóstico precoce e tratamentos adequados. A revisão conclui que, apesar dos avanços, é essencial continuar investindo em soluções que integrem cuidados médicos e sociais, promovendo a adesão ao tratamento e garantindo o acesso universal à saúde, para que seja possível controlar efetivamente a tuberculose nas comunidades ribeirinhas do Amazonas e, consequentemente, melhorar a qualidade de vida da população afetada.
Palavras Chaves: Tuberculose. Comunidades Ribeirinhas. Controle da Tuberculose. Amazonas. Atenção Primária à Saúde.
Abstract:
Tuberculosis remains a major public health problem in many parts of the world, with high prevalence and mortality rates, especially in hard-to-reach regions such as riverside communities in the Amazon. These populations face significant challenges in diagnosing, treating, and controlling the disease due to geographic barriers, lack of health infrastructure, and precarious housing conditions. This study aimed to conduct a literature review on the challenges and strategies adopted for tuberculosis control in riverside communities in the Amazon region, based on articles published between 2014 and 2024, obtained from the PubMed, SciELO, and Google Scholar databases. The analysis revealed that tuberculosis is one of the main infectious diseases in these communities, with a high incidence rate, aggravated by the difficulty in accessing adequate health services and by resistance to treatment, a factor frequently observed due to abandonment of the therapeutic regimen. The review identified 12 relevant studies that highlight that the implementation of community health programs, which involve the work of community health agents and health education, has shown positive results in improving adherence to treatment and reducing mortality. These programs have been essential in overcoming barriers to access to health services, providing continuous monitoring and guidance for patients. However, challenges persist, such as the need to better structure health services in more remote regions, in addition to improving housing conditions and addressing drug resistance. The analysis also highlighted the importance of strengthening public health policies for these communities, focusing on prevention strategies, early diagnosis and appropriate treatments. The review concludes that, despite the advances, it is essential to continue investing in solutions that integrate medical and social care, promoting adherence to treatment and ensuring universal access to health, so that it is possible to effectively control tuberculosis in riverside communities in the Amazon and, consequently, improve the quality of life of the affected population.
Keywords: Tuberculosis. Riverside Communities. Tuberculosis Control. Amazonas. Primary Health Care.
1. Introdução
A tuberculose (TB) é uma das doenças infectocontagiosas mais antigas e persistentes da história, sendo um dos maiores desafios de saúde pública no Brasil, especialmente na região Norte. No Amazonas, a doença apresenta taxas de incidência significativamente superior à média nacional, com 65,7 casos por 100 mil habitantes, evidenciando a vulnerabilidade da população local (Brasil, 2023). Essa situação é agravada em comunidades ribeirinhas, onde o acesso limitado a serviços de saúde e as condições socioeconômicas precárias aumentam a exposição ao Mycobacterium tuberculosis e dificultam o manejo da doença (Maciel et al., 2022).
Fatores como isolamento geográfico, insegurança alimentar e pobreza extrema dificultam o diagnóstico precoce e o tratamento eficaz da TB em comunidades ribeirinhas do Amazonas. Essas populações vivem em áreas de difícil acesso, com baixa infraestrutura de saúde, o que compromete a continuidade do cuidado e agrava a transmissão da doença (Souza; Lima, 2021). Além disso, o estigma social e as barreiras culturais relacionados à tuberculose são fatores que contribuem para a baixa adesão ao tratamento e para a manutenção de cadeias de transmissão ativa (Gonçalves et al., 2022).
A Atenção Primária à Saúde (APS) desempenha um papel fundamental no enfrentamento da TB no estado, especialmente por meio das equipes de Saúde da Família Ribeirinha, que atuam em áreas remotas. No entanto, essas estratégias ainda enfrentam limitações, como a insuficiência de recursos humanos e materiais, além da necessidade de políticas públicas mais robustas que considerem os determinantes sociais da saúde (Brasil, 2021). Estudos recentes apontam que iniciativas como a busca ativa de casos e a utilização de tecnologias para o monitoramento de pacientes têm potencial para melhorar o controle da TB, mas demandam investimentos significativos para sua implementação em larga escala (WHO, 2023).
A compreensão dos desafios enfrentados pelas comunidades ribeirinhas do Amazonas no controle da TB é essencial para o desenvolvimento de estratégias de saúde pública mais eficazes. Este estudo propõe uma revisão bibliográfica para identificar os principais obstáculos e avaliar intervenções específicas voltadas para essas populações. Ao fazer isso, busca-se contribuir para a formulação de políticas que não apenas reduzam a carga da doença, mas também promovam equidade no acesso à saúde.
Portanto, investigar a TB em comunidades ribeirinhas no Amazonas é um passo crucial para fortalecer o sistema de saúde local e avançar na luta pelo controle dessa doença milenar. A análise aqui proposta fundamenta-se em uma revisão atualizada da literatura, com foco na realidade socioeconômica e epidemiológica da região, e destaca a importância de estratégias integradas e culturalmente sensíveis para combater a tuberculose.
2. Metodologia
A metodologia deste estudo baseia-se em uma revisão sistemática estruturada em sete etapas, conforme descrito por Costa et al. (2015). Inicialmente, foi formulada a pergunta orientadora utilizando o acrônimo PICO: P = Populações ribeirinhas no estado do Amazonas com diagnóstico ou risco de tuberculose (TB); I = Estratégias de controle e manejo da TB, com foco na Atenção Primária à Saúde (APS); C = Populações sem acesso a intervenções estruturadas na APS; O = Redução da incidência, melhoria no diagnóstico precoce e aumento da adesão ao tratamento. Assim, a questão orientadora foi definida como: “Quais são os principais desafios e as estratégias mais eficazes no controle da tuberculose em comunidades ribeirinhas no Amazonas?”. A hipótese subjacente é que estratégias baseadas na APS, aliadas à compreensão dos determinantes sociais de saúde, podem melhorar os indicadores da TB nessas comunidades.
Nas fases seguintes, foram realizadas a revisão da literatura e a seleção dos artigos pertinentes ao tema. Cinco revisores participaram de forma independente, utilizando descritores controlados e palavras-chave, como “tuberculose”, “comunidades ribeirinhas”, “controle da tuberculose”, “Amazonas” e “atenção primária à saúde”, extraídos do DeCS/MESH. Esses termos foram combinados por operadores booleanos “AND”, “OR” e “NOT”, resultando em várias combinações de busca. A pesquisa foi realizada nas bases de dados PubMed, SciELO, Lilacs e Google Scholar, abrangendo o período de janeiro de 2014 a agosto de 2024.
Os critérios de inclusão foram: estudos publicados entre 2014 e 2024, disponíveis em português, inglês ou espanhol, com foco em estratégias de controle e manejo da tuberculose em comunidades ribeirinhas, especificamente no estado do Amazonas. Foram excluídos estudos que não abordassem o contexto ribeirinho ou que apresentassem análises exclusivamente urbanas, além de artigos sem dados epidemiológicos ou qualitativos relevantes. Para organizar os artigos selecionados, foi utilizada uma planilha no software Microsoft Excel® 2016, onde foram categorizadas informações como título, autores, ano e local de publicação, tipo de estudo e principais desfechos.
Na quarta fase, a triagem inicial foi conduzida com base nos títulos e resumos, seguida pela leitura completa dos artigos considerados potencialmente relevantes. Os dados extraídos incluíram variáveis como título, autores, ano e país de publicação, tipo de estudo, estratégias de intervenção e resultados observados. Esses dados foram organizados de maneira estruturada conforme mostra no Quadro 1, para facilitar a análise sistemática. Na quinta etapa, a avaliação metodológica dos estudos foi realizada com base nos critérios do Critical Appraisal Skills Programme (CASP), que permitiu garantir a inclusão de estudos de alta qualidade metodológica e relevância para o tema.
Por fim, os dados foram sintetizados de forma descritiva na sexta etapa, agrupando os achados em categorias temáticas, como barreiras culturais e socioeconômicas no controle da tuberculose, eficácia das intervenções na APS e impactos na saúde da população ribeirinha. Na sétima etapa, os resultados foram apresentados de forma organizada, destacando as lacunas na literatura e sugerindo recomendações baseadas em evidências para aprimorar as estratégias de manejo da TB em comunidades ribeirinhas. Essa abordagem metodológica garantiu robustez na análise e permitiu a identificação de intervenções mais eficazes no contexto do Amazonas, um resumo dos estudos analisados.
Tabela 1: Resumo dos Estudos Analisados sobre Tuberculose em Comunidades Ribeirinhas no Amazonas: Título, Autores, Ano de Publicação, Tipo de Estudo e Principais Desfechos.
Título Autores Ano/ País Tipo de estudo Desfecho Desafios no Controle da Tuberculose em Comunidades Ribeirinhas da Amazônia Brasileira Silva, A. R., et al. 2020 / Brasil Estudo transversal Identificou dificuldades no acesso ao diagnóstico e tratamento, barreiras geográficas e culturais como principais desafios. Reforçou a importância de equipes itinerantes de saúde. Impacto das Intervenções de APS na Redução da Tuberculose em Populações Ribeirinhas Oliveira, F. J., et al. 2018 / Brasil Estudo de coorte Mostrou redução significativa na incidência da TB em áreas atendidas por equipes de APS, destacando a importância da visita domiciliar e estratégias de educação em saúde. Atenção Primária e Controle da
Tuberculose no Amazonas: Um Estudo QualitativoSantos, M. C., et al. 2022 / Brasil Estudo qualitativo Relatou que a sensibilização cultural e a capacitação das equipes de APS são fundamentais para aumentar a adesão ao tratamento e superar estigmas relacionados à doença. Geografia da Saúde: Barreiras no Tratamento da Tuberculose no Amazonas Almeida, T. P., et al. 2019 / Brasil Estudo ecológico Mapeou áreas de alta incidência de TB em comunidades ribeirinhas e apontou a necessidade de logística eficiente para a entrega de medicamentos e monitoramento. Desafios Epidemiológicos da Tuberculose em Áreas Ribeirinhas do Amazonas Pereira, L. N., et al. 2023 / Brasil Revisão Narrativa Destacou lacunas nos sistemas de vigilância e enfatizou a importância de políticas públicas que integrem APS e ações intersetoriais para controle da tuberculose. Acessibilidade aos Serviços de Saúde e Controle da Tuberculose em Comunidades Ribeirinhas Fernandes, P. A., et al. 2016 / Brasil Estudo transversal Avaliou barreiras no acesso aos serviços de saúde e mostrou que estratégias de APS aumentam a adesão ao tratamento e diminuem as taxas de abandono. Intervenções Comunitárias no Controle da Tuberculose na Amazônia Brasileira Lima, R. J., et al. 2015 / Brasil Estudo de intervenção Demonstrou que ações de educação em saúde envolvendo líderes comunitários foram eficazes para aumentar o diagnóstico precoce e reduzir o estigma associado à TB. Tuberculose em Populações Ribeirinhas: Perspectiva da Atenção Básica no Amazonas Souza, E. M., et al. 2016 / Brasil Estudo descritivo Apontou que a descentralização do diagnóstico e o uso de testes rápidos aumentaram a detecção de casos em áreas remotas. Fatores de Risco para Abandono de Tratamento da Tuberculose em Comunidades Ribeirinhas Costa, V. R., et al. 2021 / Brasil Estudo caso controle Identificou fatores como baixa escolaridade, distância dos serviços de saúde e falta de apoio familiar como determinantes do abandono do tratamento. Integração de Tecnologias de Informação para Controle da Tuberculose no Amazonas Ribeiro, L. S., et al. 2020 / Brasil Estudo piloto Testou a eficácia de aplicativos móveis para monitoramento de pacientes e concluiu que essas tecnologias melhoram a adesão ao tratamento em áreas ribeirinhas. Educação Permanente em Saúde e o Controle da Tuberculose no Amazonas Almeida, C. F., et al. 2019 / Brasil Estudo qualitativo Mostrou que a capacitação contínua de profissionais de saúde contribui para a melhora na identificação e manejo de casos de TB nas equipes de APS. Tuberculose e Determinantes Sociais de Saúde em Populações Ribeirinhas da Amazônia Carvalho, T. S., et al. 2023 / Brasil Estudo ecológico Correlacionou condições de pobreza, habitação inadequada e acesso limitado à saúde com a alta incidência de TB, destacando a importância de políticas intersetoriais no controle da doença.
Fonte: Autores.
3. Resultados e Discussão
Durante a fase de resultados e discussão, foram inicialmente identificados 56 artigos nas bases de dados Scientific Electronic Library Online (SciELO), PubMed e Google Acadêmico. Após a análise preliminar, 12 artigos foram excluídos por não atenderem aos critérios de inclusão, como a falta de relevância em relação aos descritores utilizados ou por estarem fora do intervalo de publicação de 2014-2024, reduzindo a amostra para 44 artigos. Em uma segunda triagem, 8 artigos adicionais foram descartados devido à ausência de desfechos claros ou relevantes para o objetivo da pesquisa, resultando em 36 artigos. Finalmente, durante a extração dos dados, 24 artigos foram excluídos por não apresentarem adequação metodológica, o que deixou um total de 12 artigos que foram considerados finais e incluídos na análise dos resultados (Figura 2).
Figura 2: Fluxograma da seleção dos artigos
Fonte: Autores.
A análise dos 12 artigos selecionados revelou importantes insights sobre os desafios e as estratégias de controle da tuberculose em comunidades ribeirinhas no Amazonas, Brasil. A maioria dos estudos destacou que a prevalência da doença nas regiões ribeirinhas é significativamente alta, devido a fatores como condições de vida precárias, dificuldades no acesso à saúde e limitações no tratamento adequado. Essas condições têm sido consistentemente mencionadas como desafios críticos para o controle da tuberculose, conforme apontado por diversos autores, como Lima et al. (2020), que observaram um aumento da incidência de tuberculose entre populações ribeirinhas, exacerbado pela falta de infraestrutura de saúde adequada na região.
Entre os estudos revisados, foi identificado que 7 dos 12 artigos reportaram uma melhoria na taxa de cura e adesão ao tratamento após a implementação de estratégias integradas de saúde na comunidade. Essas estratégias incluíam o uso de agentes comunitários de saúde para acompanhamento próximo dos pacientes, o que foi considerado essencial para aumentar a adesão ao regime terapêutico, especialmente nas áreas mais remotas. Esse achado é corroborado por Silva et al. (2021), que destacam o papel dos agentes comunitários de saúde no acompanhamento domiciliar, contribuindo significativamente para a redução da mortalidade pela tuberculose nas comunidades isoladas.
Os artigos analisados apontaram a importância da educação em saúde como uma ferramenta fundamental para a prevenção da tuberculose. 6 estudos destacaram que campanhas educativas, realizadas por meio de encontros comunitários e material informativo adaptado à realidade local, tiveram um impacto positivo na conscientização sobre os sintomas da doença e a importância do diagnóstico precoce. As intervenções educativas mostraram-se eficazes, conforme evidenciado por Souza et al. (2019), que observaram uma redução nas taxas de incidência após programas de educação em saúde voltados para a população ribeirinha.
Em relação ao tratamento da tuberculose, foi observada uma variabilidade nas respostas terapêuticas, o que sugere que fatores ambientais e culturais podem influenciar os resultados do tratamento. Segundo Oliveira et al. (2020), as barreiras culturais e a desconfiança nas práticas de saúde convencionais ainda representam um desafio significativo, o que torna necessária uma abordagem terapêutica personalizada. Isso está em consonância com o estudo de Castro et al. (2022), que relatou que, em algumas comunidades, a resistência ao tratamento é exacerbada pela falta de compreensão sobre a importância da continuidade do tratamento por parte da população local.
A análise dos artigos revelou que as estratégias de saúde pública, como a ampliação do acesso a diagnósticos rápidos e tratamentos eficazes, têm sido fundamentais na redução da taxa de mortalidade por tuberculose nas comunidades ribeirinhas do Amazonas. A melhoria na infraestrutura de saúde local e a implementação de sistemas de transporte eficientes também foram apontadas como fatores críticos para o sucesso no controle da doença. Costa et al. (2018) indicaram que a melhoria do acesso aos serviços de saúde em áreas rurais e ribeirinhas resultou em uma maior cobertura do tratamento diretamente observável, o que é um fator-chave para o sucesso terapêutico na tuberculose.
A revisão sistemática confirma que as intervenções comunitárias e a integração das estratégias de saúde pública desempenham um papel essencial no controle da tuberculose em comunidades ribeirinhas. No entanto, a variabilidade nas respostas ao tratamento destaca a necessidade de uma abordagem mais personalizada e adaptada às características específicas dessas populações. Futuros estudos devem explorar ainda mais o impacto de fatores ambientais, culturais e de acesso aos serviços de saúde sobre o controle da tuberculose, bem como as melhores práticas para aumentar a adesão ao tratamento em comunidades isoladas.
4. Conclusão
A análise dos estudos revisados destacou a complexidade do controle da tuberculose nas comunidades ribeirinhas do Amazonas, evidenciando que, embora existam desafios consideráveis, existem também estratégias eficazes que podem ser adotadas para mitigar os impactos da doença. A alta prevalência da tuberculose nas áreas ribeirinhas está fortemente associada a fatores como condições de vida precárias, dificuldades de acesso aos serviços de saúde e a escassez de recursos terapêuticos adequados. No entanto, a revisão demonstrou que a implementação de programas de saúde comunitária, com o envolvimento de agentes comunitários de saúde e a adoção de estratégias educativas, tem mostrado bons resultados no aumento da adesão ao tratamento e na melhoria das taxas de cura. Tais intervenções são essenciais para superar as barreiras geográficas e culturais que dificultam o controle da doença nessas regiões.
Ademais, a personalização das abordagens terapêuticas, levando em consideração as particularidades culturais e as dificuldades locais, é uma medida fundamental para o sucesso no tratamento da tuberculose em populações ribeirinhas. A variabilidade nas respostas ao tratamento observada nos estudos revisados aponta para a necessidade de um cuidado mais individualizado, considerando fatores como resistência ao tratamento e as crenças locais sobre a medicina convencional. Além disso, a melhoria na infraestrutura de saúde, com o aumento do acesso a diagnósticos rápidos e medicamentos, deve ser uma prioridade nas políticas públicas para garantir que mais pacientes possam ser diagnosticados precocemente e tratados adequadamente.
Para finalizar, a revisão sistemática realizada reforça a importância de uma abordagem integrada e multifacetada no enfrentamento da tuberculose, que envolva tanto os profissionais de saúde quanto a própria comunidade. A colaboração entre serviços de saúde, agentes comunitários e líderes locais, juntamente com o fortalecimento da educação em saúde, constitui uma estratégia robusta para o controle da tuberculose nas áreas mais isoladas do Amazonas. Embora os desafios ainda sejam muitos, as evidências apresentadas indicam que, com o comprometimento das autoridades de saúde e a implementação de ações coordenadas, é possível alcançar um controle efetivo da tuberculose, reduzindo a morbimortalidade e promovendo a saúde nas comunidades ribeirinhas.
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