TRATAMENTO ENDODÔNTICO DE PÓLIPO PULPAR COM ADJUVANTE DE TERAPIA FOTODINÂMICA: RELATO DE CASO

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202510172048


Clara Balarotti Struthos Fialho1
João Bosco Formiga Relvas2
Leonardo Pimentel Fiori3


RESUMO

A pulpite hiperplásica, conhecida como pólipo pulpar, é uma condição inflamatória crônica da polpa dentária, geralmente associada à cárie extensa e exposição prolongada da polpa. É mais comum em pacientes jovens, devido à elevada vascularização e capacidade de resposta imunológica. Este trabalho teve como objetivo relatar um caso clínico em que a terapia fotodinâmica foi utilizada como coadjuvante ao tratamento endodôntico convencional de lesão de pólipo pulpar. O procedimento foi realizado no centro odontológico da Faculdade São Lucas, envolvendo a aplicação do corante azul de metileno ativado por laser de baixa intensidade, promovendo ação antimicrobiana complementar à desinfecção intracanal. O tratamento incluiu instrumentação química-mecânica dos canais radiculares, aplicação da terapia fotodinâmica e obturação final. Observou-se redução significativa do processo inflamatório e melhora na cicatrização do tecido afetado, resultando na preservação do elemento dentário e no alívio dos sintomas. Conclui-se que a associação entre a terapia fotodinâmica e o tratamento endodôntico convencional pode oferecer benefícios adicionais à saúde bucal do paciente, otimizando o processo de recuperação e tornando-se uma alternativa promissora na prática clínica.

Palavras-chaves: Terapia a laser, Tratamento endodôntico, Pólipo pulpar, Pulpite hiperplásica.

ABSTRACT

Hyperplastic pulpitis, also known as pulp polyp, is a chronic inflammatory condition of the dental pulp, usually associated with extensive caries and prolonged pulp exposure. It is more frequent in young patients due to greater vascularization and the immune response capacity of the pulp tissue. This study aims to report a clinical case in which photodynamic therapy was used as an adjunct to conventional endodontic treatment for a pulp polyp lesion. The procedure was carried out at the dental center of Faculdade São Lucas, involving the application of methylene blue dye activated by a low-intensity laser to provide additional antimicrobial action in intracanal disinfection. The treatment included chemical-mechanical instrumentation of the root canals, photodynamic therapy application, and final obturation. A significant reduction in inflammation and improved healing of the affected tissue were observed, resulting in tooth preservation and symptom relief. It is concluded that the combination of photodynamic therapy and conventional endodontic treatment may offer additional benefits to the patient’s oral health, optimizing recovery and proving to be a promising approach in clinical practice.

Keywords: Laser therapy, Endodontic treatment, Pulp polyp, Hyperplastic pulpitis.

1. INTRODUÇÃO

A Endodontia é uma especialidade odontológica que se dedica ao diagnóstico e tratamento de condições que afetam a polpa dentária e os tecidos ao redor das raízes dos dentes. Seu principal objetivo é estudar a anatomia, o funcionamento e as patologias da polpa dentária, abordando tanto os aspectos das ciências básicas quanto os clínicos. A especialidade envolve o entendimento da polpa saudável, suas doenças, além dos métodos de diagnóstico, prevenção e tratamento de condições que comprometem a polpa e as alterações nos tecidos periapicais (Albuquerque et al., 2012). 

Entre as condições mais comuns no campo da Endodontia, destaca-se a pulpite, que é a inflamação da polpa dentária. A pulpite pode ser classificada de acordo com sua duração e intensidade, apresentando-se de forma aguda ou crônica. A pulpite aguda é caracterizada por uma inflamação súbita e intensa, enquanto a crônica se manifesta como uma inflamação de longa duração. O desenvolvimento da condição depende da intensidade do agente agressor e da resposta imunológica do organismo (Leonardi et al., 2011). 

As pulpites podem ser classificadas conforme o grau de comprometimento do tecido pulpar, sendo elas reversíveis, com reversibilidade incerta, em fase de transição ou irreversíveis (Lopes e Siqueira Junior, 2015). A pulpite crônica irreversível, por exemplo, é um estágio avançado de inflamação, caracterizado por um comprometimento significativo dos vasos sanguíneos, resultando em dor de intensidade leve a moderada. Ela geralmente evolui de uma pulpite reversível, sendo resistente a irritações de baixa intensidade e longa duração, frequentemente acompanhada de úlceras ou aumento do tecido na área exposta da polpa. 

A pulpite hiperplásica, uma forma irreversível dessa inflamação, é consequência de irritações crônicas de baixo nível (Laborí, Cantillo e Laborí, 2018). A principal característica da pulpite crônica hiperplásica é a presença do pólipo pulpar, que é uma proliferação de tecido de granulação na superfície da polpa exposta à cavidade oral. Esse pólipo ocorre com maior frequência em dentes jovens com ápices radiculares incompletos, devido à maior capacidade de resposta imunológica desses dentes. O contato constante com alimentos e a pressão da mastigação sobre a polpa ulcerada favorecem a formação do pólipo (Leonardi et al., 2011). Essa condição é desencadeada principalmente por irritações crônicas, como cáries profundas e infecções persistentes, que expõem a polpa à cavidade oral, permitindo o contato constante com agentes irritantes, como bactérias e produtos tóxicos, o que provoca uma resposta inflamatória crônica e proliferação de tecido pulpar (Laborí, Cantillo e Laborí, 2018). 

Uma abordagem terapêutica inovadora que tem ganhado destaque no tratamento endodôntico é a terapia fotodinâmica (TFD). Com propriedades químicas, físicas e biológicas, a TFD se mostra eficaz na eliminação de bactérias resistentes, capazes de invadir os túbulos dentinários e as estruturas internas complexas dos canais radiculares (Galindo et al., 2023; De Oliveira et al., 2021). 

A TFD foi descoberta acidentalmente em 1900 por Oscar Raab, durante sua pesquisa sobre a toxicidade do corante vermelho acridina em paramécios (Shabazi et al., 2022). Seu uso clínico foi registrado pela primeira vez em 1941, quando se constatou que os agentes fotossensibilizadores, ao serem ativados por luz, geram reações oxidativas que destroem células (Lacerda, Alfenas e Campos, 2014). 

Na odontologia, a TFD é utilizada como uma terapia auxiliar aos tratamentos tradicionais, com o objetivo de aumentar a eficácia e durabilidade dos procedimentos (Schaeffer et al., 2019). Na Endodontia, a TFD complementa as técnicas convencionais, auxiliando na erradicação de microrganismos persistentes. O procedimento envolve a aplicação de fotossensibilizadores nos canais radiculares, que, ao serem ativados por laser de baixa potência, geram a morte das bactérias por meio de reações químicas com o oxigênio molecular (De Oliveira et al., 2021). 

A abordagem visa evidenciar a utilização da TFD como um recurso adicional aos métodos convencionais, melhorando os resultados terapêuticos e a longevidade do tratamento endodôntico. Dessa forma, este trabalho teve como objetivo relatar um caso clínico em que a terapia fotodinâmica foi utilizada como coadjuvante ao tratamento endodôntico convencional de lesão de pólipo pulpar.

2. DESCRIÇÃO DO CASO CLÍNICO

Paciente P.P.P.S., 15 anos, do sexo masculino, compareceu à clínica odontológica do Centro Universitário São Lucas para atendimento de rotina. O paciente já possuía histórico de acompanhamento na instituição, sendo esta sua primeira consulta de retorno. Durante a consulta, foi realizada a atualização da ficha de anamnese, seguida de exame clínico intraoral e radiográfico.

No exame radiográfico do dente 36 (Figura 01), constatou-se a necessidade de tratamento endodôntico devido à presença de pólipo pulpar associada a lesão periapical, indicando comprometimento pulpar significativo. O paciente relatou dor ao mastigar, principalmente durante a aplicação de pressão na região do molar afetado. Com base na correlação entre os achados clínicos (Figura 02) e radiográficos, o diagnóstico final estabelecido foi de Pulpite hiperplásica.

Fonte: próprio autor.

Devido à extensa destruição coronária do dente, constatou-se a necessidade de realização de aumento de coroa, a fim de permitir melhor adaptação do grampo e viabilizar o isolamento absoluto durante o tratamento endodôntico. Além disso, observou-se a necessidade de levantamento de parede com resina composta na face disto-lingual, buscando restaurar a anatomia coronária e proporcionar adequada retenção e estabilidade para o procedimento endodôntico subsequente. 

Na primeira sessão, realizou-se o aumento de coroa por via lingual no dente 36. Inicialmente, procedeu-se à anestesia do nervo alveolar inferior e infiltrativa local, utilizando articaína a 4% com epinefrina 1:100.000. Em seguida, foram demarcados três pontos de referência com sonda periodontal Carolina do Norte, orientando as incisões subsequentes.

A incisão (Figura 03) foi realizada de forma intrasulcular com bisel interno, preservando as papilas gengivais. O colarinho gengival foi cuidadosamente removido com curetas, seguido da raspagem de todo o tecido de granulação (Figura 04) presente no osso alveolar. Posteriormente, realizou-se osteostomia com broca esférica em alta rotação, visando à adequada modelagem do osso subjacente. Por fim, o retalho foi reposicionado e estabilizado com sutura simples (Figura 05), garantindo boa adaptação tecidual e preparo para as etapas subsequentes do tratamento endodôntico.


Fonte: próprio autor.

Após dias, na segunda sessão, foi realizado o levantamento da parede distolingual do dente 36. Inicialmente, procedeu-se à anestesia do nervo alveolar inferior, utilizando lidocaína a 2% com epinefrina 1:100.000. Em seguida, realizou-se o isolamento absoluto com dique de borracha do elemento 37 ao 34, utilizando grampo 8WA no elemento 37 e amarrias nos demais, foi posto posicionamento de matriz metálica de XMM junto ao porta-matriz (Figura 06), a fim de permitir adequada contenção para a reconstrução coronária.

Para o levantamento da parede, foi colocado Isotape para proteção da lesão, sem seguida foi utilizada resina composta Z100, cor A2, reconstruindo a anatomia da face disto-lingual (Figura 07) e promovendo suporte adequado. O procedimento buscou restabelecer a forma coronária e garantir a retenção e estabilidade da resina, favorecendo o isolamento absoluto durante as etapas subsequentes.

Durante o procedimento, observou-se diminuição do pólipo pulpar, atribuída às medicações prescritas após a cirurgia de aumento de coroa. Na região da lesão, foi colocada uma pequena esfera de algodão estéril embebida em Otosporin e protegida com Isotape, promovendo proteção local e manutenção da assepsia. Na face oclusal, realizou-se uma restauração provisória com ionômero de vidro (Figura 08)  fotopolimerizável da marca RIVA, garantindo vedamento temporário e proteção do tecido pulpar até a continuidade do tratamento endodôntico.

Figura 06, 07 e 08 – isolamento absoluto e porta matriz; levantamento de margem e restauração provisória, respectivamente.

Fonte: próprio autor.

Na terceira sessão, iniciou-se o procedimento com anestesia do nervo alveolar inferior pela técnica das três posições, utilizando-se dois tubetes de articaína a 4% associada à epinefrina. Em seguida, realizou-se o isolamento absoluto unitário do elemento 36, com vedamento do lençol de borracha por barreira gengival (Top Dam – FGM) e fixação com o grampo W8A.

Após o isolamento, foi realizado o acesso coronário com brocas esféricas diamantadas nº 1012 e 1014, obtendo-se adequada abertura da câmara pulpar. Observou-se a presença de canais bastante inflamados, com sangramento e odor fétido característico de infecção. Antes do preparo, procedeu-se à curetagem do pólipo pulpar com o auxílio de cureta de Lucas, removendo o tecido hiperplásico. Devido à intensa inflamação e sensibilidade persistente, foi necessária a reaplicação de anestésico diretamente nos canais radiculares, o que possibilitou a sequência do atendimento.

A instrumentação foi iniciada com limas manuais K-File de primeira série (Dentsply Sirona), que permitiram a desobstrução inicial dos canais e a remoção de tecido pulpar residual. Na sequência, realizou-se o preparo químico-mecânico com instrumentos rotatórios Protaper Gold (Dentsply Sirona), aplicando movimentos controlados e progressivos, respeitando a curvatura radicular e evitando desgastes excessivos da dentina.

Durante todo o preparo, foi realizada irrigação abundante com hipoclorito de sódio a 2,5% (Asfer), a cada troca de instrumento, utilizando-se limas de calibres #08, #10, #15 e #20, além do instrumento rotatório Sx. Esse protocolo de irrigação teve como finalidade favorecer a dissolução de tecido pulpar remanescente, remover detritos e reduzir a carga microbiana, assegurando limpeza efetiva dos canais e preparo adequado para as etapas subsequentes do tratamento endodôntico. Na consulta seguinte, deu-se continuidade ao preparo químico-mecânico dos canais. Foi realizada instrumentação manual com limas K-File de calibres #15, #20, #25, #30 e #35, seguida do uso dos instrumentos rotatórios Protaper Gold SX e S1 (Dentsply Sirona), finalizando a primeira fase do preparo.

Na sequência, procedeu-se à odontometria eletrônica (Figura 13) por meio do localizador apical, determinando-se o comprimento real de trabalho (CRT) em 21 mm para as raízes mésio-vestibular, mésio-lingual e disto-lingual.

Foi realizada a segunda fase do preparo biomecânico, utilizando-se limas manuais K-File #15, #20 e #25, associadas aos instrumentos rotatórios Protaper Gold S1 e S2 (Dentsply Sirona).

Na sequência, procedeu-se à terceira fase da instrumentação, empregando as limas rotatórias Protaper Gold F1 e F2 (Dentsply Sirona), obtendo-se a conformação final dos canais radiculares. Durante todo o procedimento, manteve-se irrigação abundante e constante com hipoclorito de sódio a 2,5% (Asfer).

Foi feito a primeira aplicação da terapia fotodinâmica. Inicialmente, foi realizado o protocolo de irrigação final, composto por hipoclorito de sódio a 2,5%, seguido da aplicação de EDTA, mantido no interior do conduto por 3 minutos, e posterior irrigação com solução fisiológica 0,9%.

No que se refere a essa técnica, foi feito o preenchimento do canal radicular com agente fotossensibilizador azul de metileno 0,005% (manipulado em farmácia), (Figuras 04, 05 e 06), aguardando em média cinco minutos da solução em repouso no conduto para penetração nos túbulos dentinários (Figura 09). A ativação do laser de baixa potência do fabricante MMO com as especificações: alimentação: Bateria de Li-Ion 7,4 V/ 650 mA. Autonomia da bateria em uso contínuo com carga total: 180 minutos. Tempo para carga completa: 60 – 120 minutos. Alimentação Carregador de Bateria: Ve: 127-220V~/50-60Hz | Vs: 9V/1,2 A. Emissor de luz: Laser semicondutor (GaA1As e InGaAlP) com comprimento de onda de 660nm com auxílio de fibra óptica (MMO) realizando movimentos elípticos durante 90 segundos (Figura 10). 

Consequentemente foi feita a remoção do azul de metileno com EDTA a 17% e realizada a neutralização do canal com soro fisiológico e em seguida secagem do canal com cone de papel Dentsply.   

Fonte: próprio autor

Após a realização dalaserterapia, observou-se a melhora significativa no quadro infeccioso, evidenciada pela redução da inflamação e diminuição da lesão periapical previamente presente.

A medicação intracanal, (Figura 11) foi aplicada em duas sessões consecutivas, com intervalo de 15 dias entre cada aplicação, visando otimizar o efeito terapêutico. Para sua preparação, utilizou-se a pasta Holland, composta por duas partes de hidróxido de cálcio P.A. (Biodinâmica), uma parte de iodofórmio (Biodinâmica) e seis gotas de propilenoglicol. Após a secagem completa do canal com cones de papel, a medicação foi inserida utilizando um Lentulo vermelho em baixa rotação, garantindo a distribuição homogênea do material ao longo dos canais radiculares.

Em seguida, o canal foi selado com Isotap (TDV) e restaurado provisoriamente com cimento de ionômero de vidro (RIVA). A paciente foi orientada quanto à necessidade de manter a medicação intracanal por até 15 dias, assegurando melhores resultados no controle da infecção.

Figura 11– Medicação intracanal

Fonte: próprio autor.

Decorrido um período de 30 dias, a paciente retornou para a continuidade do tratamento endodôntico. Inicialmente, foi realizada a anestesia local e instalado o isolamento absoluto. Em seguida, promoveu-se a remoção do material restaurador provisório, juntamente com o Isotap, possibilitando a retirada da medicação intracanal (pasta Holland) através de irrigação abundante com hipoclorito de sódio a 2,5% associado a solução salina.

Na sequência, procedeu-se à secagem do canal radicular com o auxílio de cânula de aspiração e cones de papel absorvente F2 (Dentsply Sirona). Posteriormente, foi realizada a prova dos cones principais (Figura 12), cuja adaptação foi confirmada radiograficamente.

Para a obturação, empregou-se o cimento endodôntico MTA Fillapex utilizando a técnica do cone único em cada canal. O material obturador foi conduzido ao conduto pelo próprio cone de guta-percha, posicionado até o comprimento de trabalho previamente determinado. Após confirmação radiográfica da adaptação, o cone foi seccionado com auxílio de cortador de guta elétrico (EasyBassi). A limpeza da câmara coronária foi concluída com algodão embebido em óleo de banana, assegurando a eliminação de excessos. A radiografia final (Figura 13) evidenciou adequada obturação do canal radicular.

Por fim, procedeu-se à restauração definitiva, com blindagem coronária por meio de resina flow Dentsply Sirona e reconstrução com resina composta Z100, cor A2, restabelecendo a integridade estrutural e funcional do elemento dentário tratado.

Figura 13– Radiografia final

Fonte: próprio autor.

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

A evolução do tratamento endodôntico tem demandado estratégias cada vez mais eficazes no combate às infecções persistentes, sobretudo aquelas associadas à complexa anatomia do sistema de canais radiculares. Nesse cenário, a Terapia Fotodinâmica (TFD) surge como uma abordagem complementar promissora (Plotino et al., 2019; Schaeffer et al., 2019). O presente relato de caso clínico demonstrou a aplicação da TFD como estratégia adjuvante ao tratamento de uma pulpite hiperplásica ou pólipo pulpar no elemento 36.

O diagnóstico em paciente jovem está em linha com a literatura, mas a condição, se não tratada, pode levar a alterações pulpares e periapicais significativas (Leonardi et al., 2011). Durante a fase operatória, o achado de intensa inflamação e odor fétido no canal radicular confirmou uma alta carga microbiana, justificando a necessidade de desinfecção superior. O tratamento foi estruturado em torno do preparo químico-mecânico, seguido pela TFD (Azul de Metileno ativado por laser de baixa intensidade) e Medicação Intracanal (MIC) Pasta Holland. 

O resultado imediato da terapia combinada foi a melhora significativa no quadro infeccioso e a redução do processo inflamatório, que se refletiu na rápida melhora clínica do paciente. A eficácia da TFD reside na sua capacidade de eliminar microrganismos, complementando o preparo químico-mecânico, que não alcança plenamente todas as áreas. A associação da TFD potencializa a desinfecção, sendo uma estratégia de sucesso na eliminação de biofilmes, como o de Enterococcus faecalis (Silva et al., 2011). O laser de baixa potência também contribuiu com efeitos terapêuticos de fotobiomodulação, auxiliando na modulação da inflamação e no reparo tecidual. 

A literatura indica o papel relevante do laser na redução da dor pós-operatória e no efeito antibacteriano em dentes necrosados com lesões periapicais (Morsy et al., 2018). Essa ação dupla da TFD foi crucial para o sucesso do caso. 

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS 

O tratamento de lesões endodônticas complexas, como a pulpite hiperplásica, exige estratégias que superem os limites das terapias convencionais. Neste contexto, a introdução da Terapia Fotodinâmica (TFD) representa um avanço promissor ao unir desinfecção eficaz e estímulo à regeneração tecidual. 

O presente trabalho, ao relatar um caso clínico de sucesso com essa abordagem integrada, reforça o potencial da TFD como estratégia complementar à endodontia tradicional. Contudo, ressalta-se a necessidade de mais estudos clínicos controlados que validem a eficácia a longo prazo dessa intervenção e padronizem seus protocolos de aplicação. Em suma, a TFD amplia as possibilidades terapêuticas, promovendo não apenas a eliminação da infecção, mas também a recuperação funcional e estrutural do dente afetado. 

Essa combinação representa um exemplo claro de como o avanço tecnológico, aliado ao conhecimento científico, pode aperfeiçoar a prática odontológica contemporânea.

REFERÊNCIAS

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1Acadêmica do curso de Odontologia do Centro Universitário São Lucas – Porto Velho. E-mail: Clarafialho5@gmail.com

2Professor do curso de Odontologia do Centro Universitário São Lucas – Porto Velho. E-mail: joao.relvas@saolucas.edu.br

3Orientador e Professor do curso de Odontologia do Centro Universitário São Lucas – Porto Velho. E-mail: leonardo.fiori@saolucas.edu.br

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