TRANSTORNO DO DÉFICIT DE ATENÇÃO/HIPERATIVIDADE: EVOLUÇÃO NOSOLÓGICA, BASES NEUROFUNCIONAIS E ALTERAÇÕES MOTORAS: UMA REVISÃO DE LITERATURA

ATTENTION-DEFICIT/HYPERACTIVITY DISORDER: NOSOLOGICAL DEVELOPMENT, NEUROFUNCTIONAL FOUNDATIONS, AND MOTOR IMPAIRMENTS — A LITERATURE REVIEW

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202601282130


Cristiani Junqueira1
Lidiane Aparecida Fernandes2
Isabelle Rodrigues Nery1
Jennifer Emily Santos e Souza1
Marco Túlio Silva Batista1
Guilherme Menezes Lage


RESUMO

O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por desatenção, hiperatividade e impulsividade persistentes, cuja compreensão tem evoluído significativamente ao longo do tempo. Embora o reconhecimento formal tenha ocorrido apenas no século XX, há registros históricos de comportamentos compatíveis com o transtorno em períodos anteriores, refletindo mudanças nos paradigmas científicos, avanços nas neurociências e influências socioculturais. Estudos recentes ampliam a abordagem do TDAH para além dos sintomas comportamentais, considerando também suas implicações funcionais ao longo da vida.

Do ponto de vista neurobiológico, evidências indicam alterações estruturais e funcionais em circuitos frontoestriatais, com destaque para o córtex pré-frontal dorsolateral (CPFDL), região essencial para as funções executivas, como atenção, controle inibitório, memória de trabalho e planejamento. Indivíduos com TDAH apresentam padrões de hipoativação e conectividade atípica nessa área, além de alterações motoras que afetam coordenação, equilíbrio, regulação postural e habilidades motoras finas e grossas. Tais manifestações sugerem bases neurofuncionais comuns entre os sintomas cognitivos e motores, envolvendo redes integradas que incluem o CPFDL, o córtex motor, o cerebelo e os gânglios da base.

Esta revisão de literatura tem como objetivo traçar a trajetória histórica do TDAH, discutir sua epidemiologia, etiologia e critérios diagnósticos segundo o DSM-5-TR, bem como analisar a relação entre o funcionamento do CPFDL e o desempenho motor. Dessa forma, busca-se contribuir para uma compreensão mais abrangente dos mecanismos neurobiológicos e funcionais envolvidos no TDAH.

Palavras-Chave: TDAH, Dificuldades Motoras, Alterações Estruturais e Funcionais de Conectividade Cerebral

ABSTRACT

Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder (ADHD) is a neurodevelopmental disorder characterized by persistent patterns of inattention, hyperactivity, and impulsivity. Although its formal recognition occurred only in the twentieth century, descriptions of behaviors consistent with the disorder can be found in earlier medical texts and historical reports. The evolution of ADHD understanding reflects changes in scientific paradigms, advances in neuroscientific methodologies, and sociocultural transformations that have influenced how the disorder has been identified, interpreted, and treated over time. Recent literature has expanded the discussion beyond behavioral symptoms to include the functional implications of ADHD across the lifespan.

From a neurobiological perspective, consistent evidence indicates that ADHD involves structural and functional alterations in frontostriatal circuits, particularly in the dorsolateral prefrontal cortex (DLPFC). This region plays a central role in executive functions such as sustained attention, inhibitory control, working memory, and planning, and individuals with ADHD often show patterns of hypoactivation and atypical connectivity in this area. In addition, ADHD is frequently associated with motor impairments, including deficits in coordination, postural tone regulation, balance, and the precision of fine and gross motor skills. These manifestations are thought to arise from dysfunctions in integrated neural networks involving the DLPFC, motor cortex, cerebellum, and basal ganglia, suggesting shared neurofunctional bases for cognitive and motor symptoms.

This literature review, based on the analysis of 95 scientific articles published between 2000 and 2024, aims to explore the historical trajectory of ADHD, from its earliest clinical descriptions to its contemporary conceptualization. It also examines the evolution of diagnostic criteria, epidemiology, and etiology, as well as the relationship between dorsolateral prefrontal cortex functioning and motor performance, highlighting the functional implications of this brain region in the context of ADHD and contributing to a more comprehensive understanding of the mechanisms underlying the disorder.

Keywords: ADHD; Motor Impairments; Structural and Functional Brain Connectivity Alterations

1. INTRODUÇÃO

O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por um padrão persistente de desatenção, hiperatividade e impulsividade (Apa, 2023). Embora seu reconhecimento formal tenha ocorrido apenas no século XX, descrições de comportamentos compatíveis com a condição podem ser encontradas em textos médicos e relatos históricos de séculos anteriores (Still, 1902). A evolução da compreensão do TDAH reflete mudanças nos paradigmas científicos, avanços metodológicos nas neurociências e transformações socioculturais que influenciaram a forma como o transtorno foi identificado, interpretado e tratado ao longo do tempo. Paralelamente, revisões recentes têm ampliado a discussão para além dos sintomas comportamentais, abordando também as implicações funcionais do transtorno ao longo da vida (Chaulagain et al, 2023; Pedersen et al., 2024).

Alterações estruturais e funcionais no córtex pré-frontal, particularmente na região dorsolateral, parecem ser um aspecto definidor do transtorno (Chiu et al., 2021), o que justifica as dificuldades de autorregulação diante das demandas ambientais (Soman et al., 2023; Agoalikum et al., 2023). Essa região desempenha papel central nas funções executivas — como atenção sustentada, controle inibitório, memória de trabalho e planejamento — e apresenta padrões de hipoativação e conectividade atípica em indivíduos com o transtorno (Diamond, 2013; Salehinejad et al., 2020). Além disso, estudos apontam que o TDAH frequentemente se associa a alterações motoras, incluindo prejuízos na coordenação, na regulação do tônus postural, no equilíbrio e na precisão de habilidades motoras finas e grossas. Essas manifestações podem decorrer de disfunções em redes integradas que envolvem o CPFDL, córtex motor, cerebelo e gânglios da base, sugerindo que os sintomas cognitivos e motores compartilham bases neurofuncionais comuns (Goulardins et al., 2017; Mokobane et al., 2019). 

A criança interage socialmente por meio do movimento, e este é imprescindível para um bom desempenho escolar. Nesse contexto, é fundamental destacar a importância do diagnóstico e tratamento dos déficits motores, devido ao possível impacto nas habilidades funcionais no contexto familiar, escolar e social (Mendes et al., 2016; Mahone; Denckla, 2017). Diante desse panorama, a presente revisão tem como objetivo explorar a trajetória histórica do TDAH, desde as primeiras descrições clínicas até sua conceitualização contemporânea, destacando a evolução dos critérios diagnósticos e das interpretações neurobiológicas. Adicionalmente, busca-se analisar as inter-relações entre o funcionamento do córtex pré-frontal dorsolateral e o desempenho motor, enfatizando as implicações funcionais dessa região cerebral no contexto do TDAH e contribuindo para uma compreensão mais abrangente dos mecanismos envolvidos no transtorno.

2. DESENVOLVIMENTO

O presente estudo caracteriza-se como uma revisão narrativa da literatura, cujo objetivo foi analisar, sintetizar e discutir criticamente a produção científica sobre desempenho motor no TDAH e as contribuições do córtex pré-frontal dorsolateral, sem a pretensão de esgotar todas as evidências disponíveis, mas de compreender a evolução conceitual, os principais achados empíricos e as lacunas do conhecimento na área.

A busca dos estudos foi realizada nas bases de dados PubMed, Scopus e Web of Science, por serem amplamente reconhecidas pela abrangência e relevância científica. Foram utilizados descritores controlados e não controlados, combinados por meio dos operadores booleanos AND e OR, tais como: [ADHD, TDAH], [motor skills, habilidades motoras], [motor dificulties, dificuldades motoras], [alterações estruturais e funcionais de conectividade cerebral, Structural and functional changes in brain connectivity].

Como critérios de inclusão, consideraram-se: (a) artigos científicos publicados em periódicos com revisão por pares; (b) estudos disponíveis na íntegra; (c) publicações nos idiomas português, inglês ou espanhol; e (d) estudos publicados no período de 2020 a 2024. Foram excluídos trabalhos duplicados, resumos de congressos, editoriais, cartas ao editor, dissertações, teses e estudos que não apresentavam relação direta com o tema investigado.

A seleção dos estudos ocorreu em duas etapas: inicialmente, procedeu-se à leitura dos títulos e resumos para verificação da pertinência temática; em seguida, realizou-se a leitura na íntegra dos artigos selecionados, a fim de confirmar sua elegibilidade e relevância para a discussão proposta.

A partir dessa busca, foram selecionados 95 artigos científicos, que constituem o conjunto de evidências utilizado para embasar a discussão proposta. Os estudos incluídos foram analisados de forma descritiva e interpretativa.

O conteúdo foi organizado de forma a abordar os seguintes tópicos centrais:

(1) O Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH): perspectiva histórica,

(2) Epidemiologia e Etiologia do TDAH,

(3) Critérios de diagnóstico do TDAH de acordo com o DSM-5-TR,

(4) Alterações no Córtex Pré-Frontal Dorsolateral (CPFDL): aspecto definidor do TDAH,

(5) Alterações motoras no TDAH,

(6) Implicações práticas

(7) Considerações finais.

2.1 O Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH): perspectiva histórica

A compreensão do Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) evoluiu de maneira significativa ao longo da história da medicina e da psicologia. Registros que se assemelham às manifestações clínicas atualmente atribuídas ao TDAH remontam à Antiguidade. Hipócrates, por volta de 493 a.C., descreveu padrões comportamentais caracterizados por inquietação, impulsividade e dificuldade de autorregulação emocional. Embora tais observações não possuíssem um enquadramento nosológico formal à época, elas têm sido interpretadas retrospectivamente à luz da literatura contemporânea.

No século XVIII, as primeiras descrições documentadas de quadros compatíveis com sintomas de desatenção e hiperatividade começam a surgir. Melchior Adam Weikard (1775), em sua obra Der Philosophische Arzt, apresentou um dos relatos mais precoces de “falta de atenção persistente”, comportamento descuidado e instabilidade psíquica (Barkley; Peters, 2012). Em seguida, Alexander Crichton (1792), em seu tratado “An Inquiry into the Nature and Origin of Mental Derangement”, discutiu estados de “inquietação mental e corporal”, destacando dificuldades para sustentar a atenção voluntária, especialmente quando não havia interesse intrínseco na atividade. No século XIX, contribuições literárias também forneceram representações comportamentais relevantes. Em 1845, Heinrich Hoffmann publicou Struwwelpeter, no qual o poema “História de Felipe, o inquieto” se tornou um exemplo clássico de comportamento hiperativo e impulsivo na infância.

No início do século XX, o discurso médico sobre esses quadros se tornou mais sistemático. Em 1902, George Frederick Still apresentou à Royal College of Physicians uma série de relatos descrevendo crianças com dificuldades acentuadas de autocontrole, impulsividade e comportamentos socialmente inadequados, referindo-se ao quadro como um “defeito no controle moral”. Seu trabalho é amplamente reconhecido como a primeira descrição clínica robusta do que atualmente corresponde ao TDAH. Ao longo do século XX, novas caracterizações foram propostas. Em 1932, Franz Kramer e Hans Pollnow descreveram a “Doença Hipercinética da Infância”, reconhecida como precursora direta das classificações diagnósticas modernas. Posteriormente, em 1968, o DSM-II introduziu formalmente o termo “Reação Hipercinética da Infância”, enfatizando predominantemente a hiperatividade como sintoma central.

A consolidação do transtorno na literatura psiquiátrica ocorreu a partir das edições subsequentes do Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders. O DSM-III (1980) redefiniu o quadro como “Déficit de Atenção” (ADD), apresentando versões com e sem hiperatividade. Essa classificação foi revisada no DSM-III-R (1987), que introduziu o termo atualmente utilizado, Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH), além de revisões significativas nos critérios comportamentais.

Com o DSM-IV (1994), o transtorno passou a ser subdividido em três subtipos: predominante desatento, predominante hiperativo/impulsivo e combinado. Essas categorias foram mantidas e refinadas no DSM-IV-TR (2000). Já o DSM-5 (2013) substituiu os subtipos por apresentações clínicas, ampliou a idade de início dos sintomas para 12 anos e incorporou exemplos específicos para diferentes faixas etárias, incluindo adultos. Mais recentemente, o DSM-5-TR (2022) introduziu revisões textuais com maior atenção às diferenças de gênero e diversidade cultural e acrescentou a categoria de TDAH não especificado, refletindo uma compreensão mais abrangente e contextualizada do transtorno. O transtorno é considerado uma condição incapacitante e de prevalência persistente, que afeta negativamente várias áreas funcionais ao longo do desenvolvimento, podendo apresentar dificuldades comportamentais e psiquiátricas também na adolescência e na vida adulta (Brossard-Racine et al., 2011). Devido à heterogeneidade do transtorno, o grau e o perfil de seu impacto podem diferir significativamente entre os indivíduos afetados, o que torna o diagnóstico clínico um desafio ainda maior (Harpin, 2005). No quadro 1 é possível observar a evolução nosológica do TDAH ao longo do tempo.

Quadro 1. Evolução histórica das descrições e classificações do TDAH.

Legenda: DSM= Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais; II, III, IV, V= edições do documento; R= revisado; TR= texto revisado.

2.2 Epidemiologia e Etiologia do TDAH

Estudos epidemiológicos indicam que o Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) apresenta prevalência global estimada entre 5% e 7% em crianças, com variações significativas entre países e contextos socioculturais. Essa variabilidade pode ser atribuída a diferenças metodológicas, critérios diagnósticos e acesso aos serviços de saúde (APA, 2023). Evidências sugerem prevalência elevada em populações específicas, como crianças em contextos de vulnerabilidade social e adultos em ambientes prisionais, indicando maior risco associado a fatores ambientais e psicossociais (Gordon et al., 2012).

Embora a gravidade dos sintomas possa diminuir ao longo da adolescência, aproximadamente dois terços das crianças diagnosticadas continuam a apresentar sintomas clinicamente significativos na vida adulta. Estimativas apontam prevalência em torno de 2,5% em adultos jovens, com redução gradual para cerca de 1% em faixas etárias mais avançadas, refletindo mudanças no padrão de manifestação dos sintomas ao longo do ciclo vital (Faraone et al., 2024). 

O diagnóstico do TDAH é frequentemente tardio, sobretudo em indivíduos com apresentação predominantemente desatenta, cujos sintomas tendem a ser menos disruptivos e, portanto, menos visíveis em contextos escolares. Esse fator contribui para menores taxas de encaminhamento e tratamento, especialmente entre meninas, reforçando desigualdades no reconhecimento clínico do transtorno (Drechsler et al., 2020). Além disso, o TDAH está frequentemente associado a condições somáticas e problemas de saúde, incluindo obesidade, asma, dermatite e diabetes mellitus tipo 2, bem como a distúrbios do sono, tais como resistência à hora de dormir, despertares noturnos e sonolência diurna excessiva. Essas comorbidades ampliam o impacto funcional do transtorno e reforçam sua natureza complexa e multifatorial, representando desafios adicionais tanto para o diagnóstico quanto para o manejo clínico ao longo da vida (Lunsford-Avery et al., 2016; Libutzki et al., 2024).

Estudos sobre a genética do TDAH revelam que a herdabilidade do transtorno é de aproximadamente 80%, indicando que fatores genéticos têm uma contribuição significativa para seu desenvolvimento, com padrão semelhante entre sexos, faixas etárias (infância e idade adulta) e domínios de sintomas (desatento e hiperativo-impulsivo) (Faraone et al., 2024). O TDAH tem sido associado, geneticamente, a aspectos cognitivos e a diferenças estruturais e funcionais no encéfalo (Chiu et al., 2021). A variação genética do TDAH ocorre antes do transtorno, enquanto as causas ambientais são mais difíceis de avaliar e podem ser influenciadas por fatores não observáveis (Zheng et al., 2020). Embora eventos raros possam causar TDAH, as complicações geralmente surgem durante a gravidez ou logo após o nascimento. No entanto, fatores como aceitação social, boa educação parental e a autopercepção de competência podem ajudar a retardar o surgimento do transtorno (Faraone et al., 2024).

2.3 Critérios de diagnóstico do TDAH de acordo com o DSM-5-TR

Os critérios de diagnóstico do TDAH, mais recentes são definidos pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, em sua quinta edição revisada (DSM-5-TR), publicado pela Associação Americana de Psiquiatria (Apa), e pela Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-11). O DSM-5-TR especifica cinco critérios diagnósticos essenciais para a caracterização do TDAH, que são descritos a seguir.

Primeiramente, o padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade deve interferir no funcionamento e no desenvolvimento. No caso da desatenção, pelo menos seis sintomas devem persistir por um período mínimo de seis meses, em grau inconsistente com o nível de desenvolvimento do indivíduo, impactando negativamente suas atividades sociais, acadêmicas ou profissionais. O questionário Swanson, Nolan and Pelham (SNAP-IV) é um instrumento de triagem utilizado para a avaliação desses sintomas (Mattos et al., 2006). Em relação à hiperatividade/impulsividade, igualmente, seis ou mais sintomas devem ser persistentes por pelo menos seis meses, com o mesmo impacto negativo nas atividades do indivíduo.

Em segundo lugar, os sintomas de desatenção e/ou hiperatividade devem estar presentes antes dos 12 anos de idade. Em terceiro, esses sintomas devem ser evidentes em dois ou mais ambientes distintos, como em casa, na escola ou em outros contextos. O quarto critério estabelece que deve haver evidência clara de que os sintomas interferem no funcionamento familiar, escolar e social, ou que comprometem de forma significativa a qualidade de vida do indivíduo. Por fim, no quinto critério os sintomas não devem ocorrer exclusivamente durante o curso da esquizofrenia ou outro transtorno psicótico, e também, não podem ser melhor explicados por outro transtorno mental.

Além disso, o grau de gravidade do TDAH pode ser especificado em três níveis: leve, quando há pouco prejuízo no funcionamento escolar e social; moderado, quando os sintomas se situam entre os níveis leve e grave; e grave, quando há um prejuízo acentuado no funcionamento escolar e social do indivíduo.

2.4 Alterações no Córtex Pré-Frontal Dorsolateral: aspecto definidor do TDAH

O córtex pré-frontal dorsolateral (CPFDL) é uma região do córtex pré-frontal amplamente associada a funções cognitivas superiores, como atenção, tomada de decisão, memória de trabalho e regulação emocional (Li et al., 2022). Localizado no giro frontal médio, o CPFDL participa ativamente do controle executivo, da mediação do sistema de recompensas e da inibição de comportamentos impulsivos (Rilling; Sanfey, 2009). Evidências apontam que indivíduos com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) apresentam atividade reduzida em circuitos frontais, especialmente nessa região, sendo esse um dos marcadores neurofuncionais mais consistentes do transtorno (Rubia; Alegria; Brinson et al., 2014). Segundo Diamond (2013), as funções executivas – essenciais para a tomada de decisões conscientes e para a inibição de respostas automáticas ou impulsivas – englobam três componentes principais: inibição (ou controle inibitório/autocontrole), memória de trabalho e flexibilidade cognitiva. Esses processos sustentam habilidades complexas, como raciocínio, resolução de problemas e planejamento. O desenvolvimento e aprimoramento das funções executivas são fundamentais não apenas para o desempenho acadêmico, mas também para a saúde mental, a adaptação social e o bem-estar geral (Diamond, 2013).

Conforme apontado por Chu et al. (2021), os déficits em funções executivas observados em crianças com diagnóstico de TDAH, podem estar associados a alterações estruturais e funcionais em regiões corticais e subcorticais. Estudos de neuroimagem têm demonstrado alterações consistentes nos circuitos frontoestriatais, evidenciando seu papel central na etiologia do transtorno (Barkley, 2003; Valera et al., 2007; Garrett et al., 2008; Silk et al., 2016). Rosch et al. (2023) sugerem que comportamentos característicos do TDAH, como baixa tolerância à frustração e dificuldade em postergar recompensas, estão relacionados a disfunções em circuitos frontosubcorticais envolvidos na regulação da cognição e das emoções. Complementarmente, Shaw et al. (2014) relacionam os sintomas cognitivos, comportamentais e motivacionais do transtorno a alterações em múltiplos circuitos neurais, incluindo os circuitos frontoestriatais dorsais, orbitofronto-estriatais e frontocerebelares. Nesse contexto, o circuito frontoestriatal destaca-se por sua relevância no controle executivo, o qual está relacionado aos processos de seleção de respostas, manutenção de metas futuras, planejamento e monitoramento de ações (Haber et al., 2010).

Os circuitos frontoestriatais são vias neurais complexas que conectam o córtex pré-frontal ao corpo estriado, uma das principais estruturas dos núcleos da base, associados ao controle motor e regulação de várias funções cognitivas e emocionais (Arnsten, 2009). Esses circuitos desempenham um papel crucial na execução de tarefas motoras, tomada de decisões, controle do comportamento, aprendizado de novas ações e até mesmo no processamento emocional (Orth et al., 2022). Embora o cerebelo seja tradicionalmente associado ao controle motor (coordenação e modulação de respostas), ele também exerce um papel importante nas funções cognitivas, como o controle da atenção e a regulação emocional, por meio dos circuitos frontocerebelares (Diamond, 2000). Desse modo, indivíduos com TDAH apresentam alterações na funcionalidade dos circuitos frontoestriatais e frontocerebelares, o que pode justificar as dificuldades no controle das funções cognitivas e motoras características do transtorno (Piek et al., 2004).

2.5 Alterações motoras no TDAH

O desempenho motor refere-se ao comportamento observável de um indivíduo na execução de uma ação voluntária e pode ser definido como a capacidade de realizar tarefas motoras de forma eficiente, integrando habilidades neuromusculares, sensoriais e cognitivas (Schmidt; Lee, 2019). Essa competência engloba componentes como coordenação, equilíbrio, força, velocidade, agilidade e controle motor fino e grosso. Conforme descrito por Gallahue e Ozmun (2005), o desempenho motor está associado ao grau de proficiência com que uma pessoa executa habilidades motoras específicas, refletindo tanto seu potencial quanto a experiência prática acumulada no movimento. Esse processo de aquisição ocorre à medida que o indivíduo adquire novas habilidades, seguindo os marcos estabelecidos do desenvolvimento motor e interagindo com o ambiente diferentes contextos (Adolph; Franchak, 2017). A aquisição de habilidades motoras é essencial para o desenvolvimento da criança, permitindo sua interação e adaptação nos contextos familiar, escolar e social (Shi, Feng; 2022). As habilidades motoras fundamentais podem ser classificadas em três categorias: Controle de objetos/manipulativas (ex: lançar, receber; chutar); Locomotoras (ex: andar, correr, saltar); e de estabilidade/equilíbrio (ex: equilíbrio estático, girar), (Gallahue; Ozmun, 2005).

De acordo com a natureza da habilidade, ela pode apresentar diferentes demandas das funções executivas, especialmente em tarefas que envolvem planejamento, sequenciamento, monitoramento e tomada de decisão, as quais podem exigir maior esforço cognitivo (Moreira et al., 2010; Davis et al., 2011; Lage et al., 2015). A revisão sistemática de Van Der Fels et al. (2015) aponta que há coativações entre o córtex pré-frontal, o cerebelo e os núcleos da base durante a realização de tarefas motoras e cognitivas, especialmente quando estas são novas ou mais complexas, exigindo monitoramento contínuo e ajustes conscientes. Esse fenômeno é respaldado por uma perspectiva neuropsicológica, que sugere que a relação entre as habilidades motoras e cognitivas é mediada pela coativação do cerebelo, fundamental para movimentos complexos e coordenados, e do córtex pré-frontal dorsolateral, responsável pelas funções cognitivas superiores (Diamond, 2000). Nesse sentido, podemos especular que, em tarefas funcionais do contexto do indivíduo com TDAH, àquelas que possuem maior exigência de aspectos cognitivos (atenção, memória e controle inibitório), podem apresentar maior comprometimento ou dificuldade de realização.

A literatura sobre as dificuldades motoras em crianças com TDAH é consistente, com estudos indicando que entre 30% a 50% desses indivíduos apresentam dificuldades motoras (Goulardins et al., 2013). Pesquisas demonstram que crianças com TDAH têm dificuldades na coordenação de habilidades motoras grossas e finas, no controle postural e na coordenação de habilidades bimanuais (Mokobane et al., 2019; Goulardins et al., 2017). De acordo com Pintcher (2003), a apresentação clínica do transtorno também parece influenciar o desempenho motor, e a desatenção está relacionada a um desempenho motor inferior. A criança interage socialmente por meio do movimento, e este é imprescindível para um bom desempenho escolar. Nesse contexto, é fundamental destacar a importância do diagnóstico e tratamento dos déficits motores, devido ao possível impacto nas habilidades funcionais no contexto familiar, escolar e social (Mendes et al., 2016; Mahone; Denckla, 2017).

2.6 Implicações práticas para profissionais da saúde e da educação

A compreensão integrada do TDAH, considerando sua evolução histórica, bases etiológicas, critérios diagnósticos e correlatos neurobiológicos e motores, traz importantes implicações para a atuação de profissionais da saúde e da educação. O reconhecimento de que o TDAH envolve alterações funcionais no Córtex Pré-Frontal Dorsolateral, região associada ao controle executivo, à autorregulação comportamental e ao planejamento motor, reforça a necessidade de abordagens multidisciplinares que transcendam o foco exclusivo nos sintomas comportamentais.

No contexto da saúde, esses achados indicam a importância de avaliações abrangentes que incluam, além dos critérios diagnósticos do DSM-5-TR, a investigação do desempenho motor e das funções executivas. Intervenções terapêuticas devem ser individualizadas e integradas, combinando estratégias farmacológicas, quando indicadas, com intervenções psicossociais, cognitivas e motoras, visando à melhora funcional e à promoção da autonomia ao longo do desenvolvimento.

No âmbito educacional, o reconhecimento das alterações motoras frequentemente observadas em crianças e adolescentes com TDAH implica a necessidade de adaptações pedagógicas e metodológicas. Estratégias como o uso de atividades motoras estruturadas, organização do ambiente, instruções claras e segmentadas, além da valorização de metodologias ativas, podem favorecer o engajamento, a autorregulação e a aprendizagem. Ademais, a articulação entre profissionais da educação e da saúde é fundamental para o acompanhamento contínuo do estudante, contribuindo para a identificação precoce de dificuldades e para a implementação de práticas inclusivas baseadas em evidências.

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A evolução histórica do TDAH evidencia uma ampliação contínua na compreensão do transtorno, que passou de descrições comportamentais inespecíficas para um modelo clínico e neurobiológico amplamente sustentado pela literatura. As evidências epidemiológicas e etiológicas confirmam seu caráter multifatorial, com forte componente genético e importantes influências ambientais. 

Os achados neurobiológicos destacam o papel central do córtex pré-frontal dorsolateral (CPFDL) e dos circuitos frontoestriatais e frontocerebelares, cuja hipoativação está associada não apenas aos sintomas de desatenção e impulsividade, mas também, as frequentes alterações motoras observadas nas crianças com TDAH. Esses déficits motores influenciam o desempenho acadêmico, social e funcional, reforçando que cognição e movimento estão intimamente interligados.

Assim, o TDAH deve ser compreendido como um transtorno complexo que envolve múltiplas dimensões, cognitivas, emocionais e motoras, demandando avaliações abrangentes e intervenções integradas. O reconhecimento da relação entre funções executivas e habilidades motoras amplia a compreensão do transtorno e aponta para abordagens terapêuticas mais completas e eficazes.

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1Universidade Federal de Minas Gerais

2Universidade Federal de Ouro Preto