TRANSTORNO AFETIVO BIPOLAR EM IDOSOS: CARACTERÍSTICAS PARTICULARES E ESTRATÉGIAS DE TRATAMENTO

BIPOLAR AFFECTIVE DISORDER IN ELDERLY PEOPLE: PARTICULAR CHARACTERISTICS AND TREATMENT STRATEGIES

REGISTRO DOI:10.69849/revistaft/pa10202601111229


João Pedro Costa Santos1
Tiago Américo da Silva Melo2


Resumo

O transtorno afetivo bipolar (TAB) em idosos é uma condição psiquiátrica caracterizada por oscilações extremas de humor, incluindo episódios de mania e depressão. Em comparação com adultos mais jovens, o TAB nessa faixa etária pode apresentar sintomas atípicos, como irritabilidade, apatia e confusão, dificultando o diagnóstico. Além disso, é comum a presença de comorbidades, como doenças cardiovasculares e neurodegenerativas, o que exige um tratamento cuidadoso. Assim, este estudo tem como objetivo abordar as características, particularidades de estratégias de tratamento do transtorno afetivo bipolar em pessoas idosas. Utilizou-se de uma revisão de literatura integrativa. A busca foi realizada em bases de dados eletrônicas de relevância para áreas da saúde e ciência médica, tais como PubMed, Scopus, Web of Science, SciELO e PsycINFO. Foram incluídos estudos publicados nos últimos 10 anos, que abordassem diretamente o tratamento do TAB em idosos, incluindo intervenções farmacológicas e não farmacológicas. Ao final do estudo, verificou-se que o tratamento do transtorno afetivo bipolar em idosos deve ser personalizado, considerando tanto a complexidade dos sintomas quanto as necessidades individuais de cada paciente. A combinação equilibrada entre farmacoterapia, suporte psicossocial e estratégias terapêuticas não farmacológicas pode proporcionar melhor qualidade de vida e maior estabilidade emocional para essa população.

Palavras-chave: Psicogeriatria. Transtorno bipolar. Depressão.

1 INTRODUÇÃO

O transtorno afetivo bipolar (TAB) é um problema de saúde que se caracteriza pela oscilação de recorrentes períodos de estado elevado de estresse e de episódios maníacos, hipomaníacos e mistos, que se alteram com episódios de depressão, intercalados com ausências de sintomas afetivos. Em paciente idosos, o transtorno afetivo bipolar possui duas formas de se apresentar: a que se inicia de maneira mais tardia que geralmente apresenta sintomas mais leves e a que se inicia antes da senescência persistindo por toda a vida (VALERIANO et al., 2023).

Nos casos depressivos têm-se a presença da ansiedade, desânimo, pessimismo, ideias de culpa, baixa autoestima, sentimentos de inutilidade e falta de energia. Nos casos de mania e hipomania têm-se a presença de pensamento acelerado, exaltação, ideias de grandeza, disposição física e aumento de energia, falta de crítica, impulsividade, redução do sono, presença de alucinações e delírios nos casos mais graves. Nos episódios mistos, os pacientes costumam apresentar traços de exaltação de humor ligado a traços depressivos (ABRATA, 2025).

Embora seja classificado como um transtorno de humor, o transtorno afetivo bipolar é um problema de saúde que afeta o humor, a cognição, dentre outros, agravando-se ainda mais em pessoas que possuem idade acima de 65 anos. Nesta população, a doença geralmente está associada a comorbidades médicas e psiquiátricas, comprometimento cognitivo, e até mesmo a mortalidade. Pessoas mais velhas são mais propensas a possuírem condições médicas de saúde e por este motivo costumam fazer uso de mais medicamentos quando comparado a pacientes mais jovens (SHOBASSY, 2021).

Devido às alterações farmacocinéticas fisiológicas relacionadas ao envelhecimento, os indivíduos mais velhos também se mostram mais vulneráveis aos efeitos colaterais dos medicamentos, interações medicamentosas e potencial exacerbação de suas condições médicas provenientes do tratamento farmacológico da doença bipolar. O transtorno bipolar é um problema de saúde crônica que pode ser heterogêneo e incapacitante, além de ser associado a déficits na funcionalidade e qualidade de vida do indivíduo, aumentando riscos para suicídio (BRITES et al., 2023).

Conforme a Classificação Internacional de Doenças-CID-11 (2021), o transtorno bipolar está enquadrado no código CID F31 e caracteriza esse transtorno por dois ou mais episódios nos quais o humor e o nível de atividade do indivíduo estão bastante perturbados, ou seja, o sujeito tende a demonstrar energia e humor elevados (mania ou hipomania) e uma baixa de humor e diminuição da energia e da atividade (depressão). O diagnóstico e o manejo eficaz dos transtornos de humor, especialmente do transtorno afetivo bipolar em idosos, apresentam desafios devido diversos fatores, como é o caso da presença de comorbidades médicas, como diabetes e doenças cardiovasculares, além do declínio cognitivo aliado ao envelhecimento (OLIVEIRA, 2023).

A complexidade do diagnóstico diferencial aumenta devido a sobreposição de sintomas depressivos ligados a condições médicas, como hipotireoidismo e deficiência de vitamina B12, comumente encontradas em pacientes idosos. Frente a esses desafios, torna-se essencial investigar intervenções terapêuticas mais eficazes para o tratamento de transtorno de humor em pessoas idosas. Intervenções farmacológicas, como estabilizadores de humor e antidepressivos, são bastante estudadas, porém a segurança e eficácia desses fármacos em idosos exigem considerações específicas ligadas a alterações na farmacodinâmica e farmacocinética ligadas ao envelhecimento. Além disso, as estratégias não farmacológicas, como psicoterapia, prática de atividade física e intervenções sociais, possuem um papel importantíssimo no manejo dos transtornos de humor em pessoas idosas (BEZERRA et al., 2024).

Desta maneira, o presente estudo tem como objetivo abordar as características, particularidades de estratégias de tratamento do transtorno afetivo bipolar em pessoas idosas.

2 TRANSTORNO AFETIVO BIPOLAR EM IDOSOS

O transtorno afetivo bipolar na população geriátrica é uma doença mental grave, com expectativa de vida reduzida em aproximadamente 10 a 20 anos. O transtorno bipolar em idosos formam um grupo especial complexo, que apresenta déficits cognitivos prevalentes, risco aumentado para demência, funcionamento psicossocial prejudicado, comorbidades físicas e morte prematura. Existem vários fatores associados ao envelhecimento que também influenciam negativamente no quadro, como redução do tamanho da rede social, perda de apoio de amigos e familiares, escolhas de estilo de vida, mobilidade reduzida, saúde física deficiente e outros problemas relacionados a senescência. O transtorno afetivo bipolar afeta cerca de 0,5 a 1,0% de pessoas mais velhas, sendo uma prevalência menor do que a relatada em pacientes com idade entre 18 a 44 anos, que é de 1,4%, porém o número de idosos com transtorno afetivo bipolar deverá aumentar devido ao rápido processo de envelhecimento da população (LIEMPET et al., 2016).

Oliveira (2023) destaca que evidências científicas tem demonstrado que pacientes com transtorno bipolar apresentam alterações neuroanatômicas, com diminuição da massa cinzenta no córtex pré-frontal dorsolateral e alargamento dos ventrículos laterais. Essas alterações podem estar ligadas a problemas funcionais e cognitivos. Segundo o autor, estudos que avaliaram regiões corticais cerebrais de indivíduos com transtorno bipolar demonstraram alterações da amígdala e redução do córtex pré-frontal subgenual, estruturas que são ligadas a regiões subcorticais e se conectam com o controle da resposta emocional.

Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM 5) o transtorno afetivo bipolar divide-se em tipo I e tipo II. O transtorno afetivo bipolar tipo I é caracterizado por alteração de humor, em uma perspectiva persistente e grave, que se denomina de mania, com ocorrência de episódios de depressão leves ou graves que se intercalam com episódios de normalidade e fase maníacas que são bastante características. O transtorno afetivo bipolar tipo II caracteriza-se por alteração branda do humor (hipomania), acompanhados de um ou mais episódios depressivos maiores e, pelo menos, um episódio hipomaníaco (DSM-5, 2014).

Um dos mais fortes e consistentes fatores de risco para ocorrência do transtorno afetivo bipolar é o histórico familiar. Estima-se que o risco de ocorrência seja dez vezes maior entre parentes adultos de pessoas com transtorno bipolar tipo I e tipo II. O risco tende a aumentar com o grau do parentesco. Outro fator é o de que a esquizofrenia e o transtorno bipolar supostamente partilham uma origem genética (SOARES et al., 2024).

O transtorno bipolar exibe progressivos mecanismos, com clara sintomatologia persistente, prejuízos funcionais e déficits cognitivos. Esses traços são comuns ao curso do transtorno e se fazem presente na maioria dos pacientes, mesmo estando estes em tratamento adequado. Quanto maior for o tempo do transtorno, menor é o intervalo de acontecimento de um episódio de humor para outro, piora as funções executivas e a performance neurocognitiva, aumenta o risco de o paciente cometer suicídio, piora a resposta aos tratamentos psicológicos e farmacológicos, além de provocar prejuízos funcionais (BAVARESCO, 2019).

2.1 Estratégias de tratamento do transtorno afetivo bipolar em idosos

Nos idosos, o tratamento do transtorno bipolar apresenta desafios específicos devido à presença de comorbidades, alterações fisiológicas relacionadas à idade e maior sensibilidade a efeitos colaterais dos medicamentos. Dessa forma, a abordagem terapêutica deve ser cuidadosamente planejada e monitorada (BRITES et al., 2023).

O tratamento farmacológico do transtorno bipolar na população geriátrica exige precauções específicas. Os estabilizadores de humor, como o lítio e os anticonvulsivantes (valproato e lamotrigina), são amplamente utilizados, mas demandam monitoramento rigoroso devido ao risco de toxicidade e interações medicamentosas. O lítio, por exemplo, requer controle frequente dos níveis séricos, função renal e tireoidiana, pois os idosos são mais propensos a desenvolver insuficiência renal e hipotireoidismo. O valproato, apesar de ser uma opção eficaz, pode causar efeitos adversos como tremores, ganho de peso e disfunção hepática, necessitando de avaliação periódica (QUEIROZ NETO et al., 2021).

Os antipsicóticos atípicos, como a quetiapina e a olanzapina, podem ser indicados para controle de sintomas maníacos, mas com atenção especial aos efeitos adversos, como sedação excessiva, ganho de peso, resistência à insulina e aumento do risco cardiovascular. A lurasidona e a cariprazina são opções mais recentes com perfis de segurança potencialmente melhores para idosos, pois apresentam menor impacto metabólico (VIEIRA; MACEDO, 2024).

Os antidepressivos devem ser prescritos com cautela para evitar indução de mania ou ciclagem rápida. Normalmente, são utilizados em conjunto com um estabilizador de humor para reduzir esses riscos. Entre os antidepressivos mais indicados para idosos estão os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), como a sertralina e o escitalopram, que possuem melhor tolerabilidade e menor risco de interações medicamentosas (SOUZA et al., 2024).

Além da medicação, a psicoterapia é um componente essencial do tratamento do transtorno bipolar em idosos. A terapia cognitivo-comportamental (TCC) pode auxiliar na regulação emocional e no desenvolvimento de estratégias para lidar com os sintomas. O suporte psicossocial também é fundamental, incluindo o envolvimento de familiares e cuidadores para garantir adesão ao tratamento e redução de fatores estressantes (MIKLOWITZ et al., 2021).

Fatores de estilo de vida também desempenham um papel crucial neste manejo. A adoção de uma rotina estruturada, a prática regular de atividades físicas, a manutenção de uma alimentação equilibrada e a higiene do sono contribuem significativamente para a estabilidade do humor. Além disso, a redução do consumo de álcool e cafeína, bem como a evitação de situações estressantes, pode minimizar o risco de recaídas (RIBEIRO, 2019).

Por fim, o tratamento do transtorno bipolar em idosos deve ser individualizado e multidisciplinar, envolvendo psiquiatras, psicólogos, geriatras e assistentes sociais. A avaliação periódica e os ajustes terapêuticos são essenciais para garantir a segurança e a eficácia do tratamento, promovendo assim uma melhor qualidade de vida para os pacientes (QUEIROZ NETO et al., 2021).

3 METODOLOGIA

A presente pesquisa utilizou de uma revisão de literatura integrativa com o objetivo de sintetizar e analisar criticamente as estratégias de tratamento do transtorno afetivo bipolar (TAB) em pessoas idosas. Esse método permitiu reunir e discutir publicações relevantes sobre o tema, identificando características, particularidades e tendências nas abordagens terapêuticas existentes.

A busca foi realizada em bases de dados eletrônicas de relevância para áreas da saúde e ciência médica, tais como PubMed, Scopus, Web of Science, SciELO e PsycINFO. Para garantir uma ampla recuperação de estudos pertinentes, foram utilizados descritores controlados e não controlados em português e inglês, tais como “transtorno afetivo bipolar”, “idosos”, “tratamento”, “farmacoterapia”, “psicoterapia”, “abordagens terapêuticas” e suas correspondências em inglês.

Foram incluídos estudos publicados nos últimos 10 anos, que abordassem diretamente o tratamento do TAB na população idosa, incluindo intervenções farmacológicas e não farmacológicas. Apenas artigos disponíveis na íntegra e publicados em português ou inglês foram considerados. Estudos que focavam exclusivamente populações jovens, relatos de caso ou revisões sem rigor metodológico foram excluídos.

Os artigos selecionados foram analisados de forma crítica, extraindo-se informações sobre objetivos, metodologia, amostra, principais achados e recomendações dos autores. Os resultados foram organizados em categorias temáticas para facilitar a compreensão das principais tendências e desafios no tratamento do TAB em idosos.

Os dados extraídos foram sintetizados de forma narrativa, permitindo uma discussão crítica sobre as estratégias de tratamento, seus benefícios e limitações. Com isso, espera-se contribuir para a compreensão das melhores práticas e lacunas existentes na literatura sobre o tema, auxiliando profissionais da saúde na tomada de decisão para o cuidado dessa população.

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES

Neste estudo foram selecionadas quatorze publicações, sendo que as mesmas foram categorizadas conforme autor, ano de publicação, objetivo e resultados alcançados, conforme descrito na Tabela 1.

Tabela 1: Publicações selecionadas conforme autor, ano de publicação, objetivo e resultados alcançados

O transtorno afetivo bipolar (TAB) é uma condição de saúde mental caracterizada por mudanças extremas de humor, que incluem episódios de mania e depressão. Embora o TAB possa se manifestar em qualquer fase da vida, sua apresentação em pessoas idosas traz desafios únicos, exigindo abordagens específicas de tratamento (BAVARESCO, 2019). Para Miklowitz et al., (2020) o tratamento do transtorno afetivo bipolar (TAB) em pessoas idosas apresenta desafios específicos que demandam abordagens personalizadas. Essa população possui características fisiológicas e clínicas que influenciam a escolha das intervenções terapêuticas, exigindo um equilíbrio entre eficácia e segurança.

Conforme Oliveira (2023), o TAB em idosos frequentemente se apresenta com episódios depressivos mais prolongados e menor incidência de sintomas maníacos clássicos. Além disso, há uma maior prevalência de comorbidades clínicas e psiquiátricas, como doenças cardiovasculares, diabetes, demência e transtornos de ansiedade, que podem complicar a gestão do tratamento. Ademais, a farmacocinética alterada pelo envelhecimento impacta a metabolização e a eliminação dos medicamentos, aumentando o risco de efeitos adversos.

A este respeito, Brites et al., (2023) acrescenta que o transtorno afetivo bipolar em idosos pode diferir em termos de sintomas e apresentação em comparação com populações mais jovens. Algumas características incluem: início tardio o TAB em idosos muitas vezes se apresenta como um início tardio, o que pode complicar o diagnóstico. Muitas vezes, os sintomas podem ser atribuídos a outras condições médicas ou ao envelhecimento, levando a diagnósticos incorretos; comorbidades idosos com TAB frequentemente apresentam comorbidades, como doenças cardiovasculares, diabetes e demência. Essas condições podem interferir no tratamento e na gestão dos sintomas; sintomas atípicos em vez dos sintomas clássicos de mania e depressão, os idosos podem apresentar sintomas atípicos, como irritabilidade, apatia ou confusão, dificultando a identificação do transtorno.

A farmacoterapia continua sendo a base do tratamento, mas deve ser ajustada às necessidades dos idosos. Os estabilizadores de humor, como o lítio e os anticonvulsivantes (valproato e lamotrigina), são amplamente utilizados, mas exigem monitoramento rigoroso devido ao risco de toxicidade renal e hepática. Os antipsicóticos de segunda geração, como quetiapina e olanzapina, são frequentemente prescritos para controle de sintomas agudos, embora seu uso prolongado possa estar associado a efeitos metabólicos negativos, como ganho de peso e risco cardiovascular aumentado (SHOBASSY, 2021). O uso de antidepressivos deve ser cuidadosamente monitorado, pois podem precipitar episódios maníacos em pacientes bipolares (BEZERRA et al., 2024).

As abordagens psicossociais são fundamentais para complementar o tratamento farmacológico. A psicoterapia cognitivo-comportamental tem demonstrado benefícios na redução de recaídas e no manejo de sintomas depressivos. Além disso, estratégias de educação psicossocial ajudam pacientes e cuidadores a compreenderem melhor a doença e a aderirem ao tratamento. A estimulação cognitiva e a atividade física também podem ser aliadas na manutenção da funcionalidade e qualidade de vida (SOARES et al., 2024).

Neste sentido, Vieira; Macedo (2024) ressaltam que a realização de terapia cognitiva comportamental (TCC) pode ajudar os idosos a gerenciar seus sintomas e melhorar a adesão ao tratamento. Tem-se ainda a terapia de grupo que oferece apoio emocional e reduz o sentimento de isolamento, comum em idosos com TAB. Segundo esses autores, envolver a família no tratamento é crucial. A educação sobre o TAB pode ajudar a reduzir o estigma e facilitar um ambiente de apoio. Soares et al., (2024) acrescentam que o tratamento deve levar em conta o contexto social e emocional do idoso. A solidão e a perda de entes queridos são comuns nessa faixa etária e podem exacerbar os sintomas do transtorno. Outro ponto importante é o encorajamento do idoso a participar de atividades sociais e de lazer que pode melhorar o bem- estar geral e ajudar na estabilização do humor.

Entre os desafios do tratamento do TAB em idosos estão o subdiagnóstico, a polifarmácia e os efeitos colaterais das medicações. A integração entre profissionais da saúde, incluindo psiquiatras, geriatras e terapeutas ocupacionais, é essencial para um cuidado abrangente. Novas terapias, como a estimulação magnética transcraniana, têm sido exploradas como alternativas promissoras para casos resistentes ao tratamento convencional (SOUSA et al., 2024).

Diante dessas particularidades, o manejo do TAB em idosos deve ser cuidadoso e multidisciplinar, garantindo a segurança e o bem-estar dessa população vulnerável (QUEIROZ NETO et al., 2021). Para Santos (2018) o tratamento do transtorno afetivo bipolar nesta faixa etária é um desafio que exige uma abordagem multidisciplinar e individualizada. As particularidades dessa população, incluindo comorbidades, apresentação atípica dos sintomas e a necessidade de suporte psicossocial, devem ser cuidadosamente consideradas. A combinação de intervenções farmacológicas, psicoterapia e apoio familiar pode proporcionar um manejo eficaz dos sintomas e uma melhoria significativa na qualidade de vida dos idosos afetados por esse transtorno.

5 CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS

O transtorno afetivo bipolar em idosos apresenta desafios únicos que exigem uma abordagem de tratamento diferenciada e multidisciplinar. Suas características incluem um possível início tardio, sintomas atípicos e alta prevalência de comorbidades, fatores que podem dificultar o diagnóstico e o manejo adequado da doença. Diante disso, as estratégias de tratamento precisam ser adaptadas às particularidades dessa população, levando em consideração aspectos clínicos, sociais e emocionais.

O uso de estabilizadores de humor, antipsicóticos e antidepressivos deve ser conduzido com cautela, respeitando as mudanças no metabolismo do idoso e minimizando os riscos de efeitos adversos. Além disso, intervenções psicoterapêuticas, como a terapia cognitivo- comportamental, o suporte familiar e o estímulo à participação social, são essenciais para a estabilização do humor e a promoção do bem-estar.

Portanto, o tratamento do transtorno afetivo bipolar em geriatria deve ser personalizado, considerando tanto a complexidade dos sintomas quanto as necessidades individuais de cada paciente. A combinação equilibrada entre farmacoterapia, suporte psicossocial e estratégias terapêuticas não farmacológicas pode proporcionar melhor qualidade de vida e maior estabilidade emocional para essa população.

REFERÊNCIAS

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1 Residente de Psiquiatria da Universidade Federal do Tocantins-UFT Campus de Palmas-TO. E-mail: jpedrocs97@gmail.com.
2 Preceptor do Curso de Residência em Psiquiatria da Universidade Federal do Tocantins-UFT Campus de Palmas- TO. Pós-Graduado em Psicofarmacologia (BIPP). E-mail: drtiago.americo@gmail.com.