PHARMACOLOGICAL THERAPIES FOR BEHAVIORAL DEVIATIONS IN DOGS
TERAPIAS MEDICAMENTOSAS EN DESVIACIONES CONDUCTUALES EN PERROS
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202510072032
Guilherme Henrique Ribeiro
Orientador: Prof. Dr. Caio Henrique de Oliveira Carniatto
RESUMO: Esse artigo buscou revisar a literatura científica sobre o uso de psicofármacos no tratamento de desvios comportamentais em cães, destacando sua aplicação clínica, eficácia e limitações. A metodologia empregada consistiu em uma revisão bibliográfica, baseada em livros, artigos científicos e guias clínicos de referência na área da medicina veterinária comportamental, com foco em autores como Overall, Radosta, Crowell-Davis, Denenberg. Foram abordados os principais fármacos utilizados, como benzodiazepínicos, antidepressivos tricíclicos e inibidores seletivos da recaptação de serotonina, detalhando indicações, doses, efeitos adversos e contraindicações. Os resultados apontaram que a farmacoterapia não deve ser aplicada de forma isolada, mas sim integrada a programas de modificação comportamental, treinamento e manejo ambiental, visto que os medicamentos atuam principalmente na redução da ansiedade e na facilitação do aprendizado. A literatura também evidencia lacunas de conhecimento, devido à escassez de estudos clínicos controlados em cães, o que reforça a necessidade de pesquisas mais aprofundadas. Conclui-se que o uso de psicotrópicos representa uma ferramenta valiosa no manejo de distúrbios comportamentais em cães, desde que associado a abordagens multimodais, com participação ativa dos tutores e acompanhamento veterinário contínuo.
Palavras-chave: desvios comportamentais em cães; etologia; estresse em cães; modificação comportamental; psicotrópicos.
ABSTRACT: This article aimed to review the scientific literature on the use of psychotropic drugs in the treatment of behavioral disorders in dogs, highlighting their clinical application, efficacy, and limitations. The methodology consisted of a literature review based on books, scientific articles, and clinical guidelines in veterinary behavioral medicine, focusing on authors such as Overall, Radosta, Crowell-Davis and Denenberg. The main drugs used, including benzodiazepines, tricyclic antidepressants, and selective serotonin reuptake inhibitors, were discussed in terms of indications, dosages, adverse effects, and contraindications. The findings indicate that pharmacotherapy should not be applied in isolation but integrated with behavior modification programs, training, and environmental management, since drugs mainly act by reducing anxiety and facilitating learning. The literature also reveals knowledge gaps, regardind the scarcity of controlled clinical studies in dogs, reinforcing the need for further research. It is concluded that psychotropic drugs represent a valuable tool in the management of behavioral disorders in dogs, provided they are combined with multimodal approaches, active owner participation, and continuous veterinary monitoring.
Keywords: behavioral modification; behavioral disorders in dogs; ethology; psychotropics; stress in dogs.
RESUMEN: Este artículo buscó revisar la literatura científica sobre el uso de fármacos psicotrópicos en el tratamiento de transtornos conductuales en perros, destacando su aplicación clínica, eficacia y limitaciones. La metodología empleada consistió en una revisión bibliográfica basada en libros, artículos científicos y guías clínicas de referencia en medicina veterinaria del comportamiento, con énfasis en autores como Overall, Radosta, Crowell-Davis y Denenberg. Se abordaron los principales fármacos utilizados, como benzodiacepinas, antidepresivos tricíclicos e inhibidores selectivos de la recaptación de serotonina, detallando indicaciones, dosis, efectos adversos y contraindicaciones. Los resultados señalan que la farmacoterapia no debe aplicarse de manera aislada, sino integrada a programas de modificación de conducta, entrenamiento y manejo ambiental, ya que los medicamentos actúan principalmente en la reducción de la ansiedad y la facilitación del aprendizaje. La literatura también evidencia vacíos de conocimiento, devido la escasez de estudios clínicos controlados en perros, lo que refuerza la necesidad de investigaciones más profundas. Se concluye que los psicotrópicos representan una herramienta valiosa en el manejo de los trastornos conductuales en perros, siempre que se asocien a enfoques multimodales, con participación activa de los tutores y seguimiento veterinario continuo.
Palabras clave: desviaciones comportamentales en perros; etología; estrés en perros; modificación conductual; psicotrópicos.
Material e Métodos
A presente revisão bibliográfica foi conduzida a partir da seguinte questão norteadora: quais as evidências científicas disponíveis sobre o uso de psicofármacos no manejo de desvios comportamentais em cães? Essa pergunta guiou todas as etapas do estudo, desde a definição das palavras-chave utilizadas nas buscas em bases eletrônicas (PubMed, SciELO e Google Scholar) até a seleção de livros-texto e artigos de relevância na área da medicina veterinária comportamental. Foram estabelecidos critérios de inclusão e exclusão a fim de garantir a pertinência das publicações analisadas e assegurar que o conteúdo revisado fosse diretamente relacionado ao objetivo central do trabalho.
As palavras chaves empregadas para a busca foram: “canine behavioral disorders”, “psychopharmacology”, “dog behavior therapy”, “psychotropic drugs in dogs” e “behavior modification in veterinary medicine”, em português e inglês. Foram considerados para análise trabalhos publicados entre 1991 e 2025, bem como literatura clássica fundamental para compreensão da temática. Os critérios de inclusão foram: publicações que abordassem o uso de psicofármacos em cães com desvios comportamentais, estudos de caso, revisões de literatura e livros-texto da área.
Introdução
O tratamento dos desvios comportamentais em animais de companhia tem como objetivo principal modificar o comportamento indesejado. Para isso, é fundamental identificar e evitar os estímulos desencadeantes, ao mesmo tempo em que o animal aprende respostas alternativas e mais adequadas às situações (REISNER, 2014).
Os desvios comportamentais em cães representam um desafio crescente na clínica veterinária, com impacto direto no bem-estar animal e na convivência com os tutores, podendo levar a abandono ou eutanásia, especialmente nos casos de agressividade, ansiedade e fobias. A terapêutica combina modificação comportamental e orientações ao tutor, podendo incluir psicofármacos como adjuvantes para reduzir sofrimento e facilitar o aprendizado, promovendo maior qualidade de vida ao paciente e sua família (OVERALL, 2013; DENENBERG, 2020).
Apesar do uso consolidado de psicotrópicos na medicina veterinária, grande parte das recomendações ainda é extrapolada da medicina humana, pois há escassez de estudos controlados em cães, o que dificulta padronização de doses e avaliação de eficácia a longo prazo (DENENBERG, 2020).
Desvios comportamentais em cães
Os desvios comportamentais em cães resultam de múltiplos fatores, como hereditariedade, ambiente e manejo inadequado (FLINT et al., 2018). A socialização entre a 3ª e a 12ª semana de vida é uma fase crítica do desenvolvimento, e a ausência de experiências positivas nesse período pode comprometer a adaptação do cão e favorecer o surgimento de problemas comportamentais (PIRES et al., 2021).
Entre os principais distúrbios relatados estão os compulsivos, caracterizados por comportamentos estereotipados exacerbados; a ansiedade de separação, marcada por vocalizações, destruição de objetos e eliminação inadequada na ausência do tutor; e a agressividade, considerada a maior causa de abandono, associada a medo, territorialidade ou dor (DE SIQUEIRA et al., 2020; MENDES et al., 2021; SCHÄFER et al., 2021). O manejo desses quadros envolve diagnóstico clínico criterioso, enriquecimento ambiental, técnicas de adestramento positivo e, em casos mais graves, o uso adjuvante de psicofármacos (OVERALL, 2013).
Essas alterações impactam não apenas o cão, mas também a família, gerando frustração e sobrecarga emocional ao tutor (OVERALL, 2013; DENENBERG, 2020). Além disso, a coexistência de diferentes transtornos no mesmo indivíduo é comum, o que dificulta o diagnóstico e o manejo ((CROWELL-DAVIS et al., 2019; OVERALL, 2019).
A correta identificação de um desvio comportamental exige avaliação clínica completa, pois sinais semelhantes podem resultar de doenças neurológicas, endócrinas ou dolorosas (OVERALL, 2013).
Avaliando a necessidade de terapia medicamentosa
O uso de psicofármacos em cães deve sempre ser considerado como parte de uma abordagem multimodal, em conjunto com técnicas de modificação comportamental. O medicamento não substitui o treinamento, mas pode reduzir sofrimento, aumentar a responsividade e melhorar a qualidade de vida do animal e da família (OVERALL, 2013; (CROWELL-DAVIS et al., 2019; DENENBERG, 2021).
Segundo Denenberg (2021), a decisão de prescrever depende de quatro fatores principais: gravidade do problema, previsibilidade do estímulo, frequência dos episódios e adesão do tutor.
– Em casos graves, como ansiedade de separação intensa, fobias severas ou agressividade, a medicação é considerada essencial.
– Em situações pontuais e previsíveis, como fogos de artifício ou tempestades, podem ser utilizados fármacos de ação situacional.
– Já nos problemas de ocorrência diária, como agressividade recorrente ou ansiedade generalizada, são preferíveis medicamentos de uso contínuo.
– Por fim, a adesão do tutor influencia a escolha: esquemas simples de administração aumentam a chance de sucesso terapêutico.
Assim, a introdução de psicofármacos deve ser sempre individualizada, levando em conta não apenas o diagnóstico, mas também a realidade de cada animal e de sua família.
Modos de ação
Na rotina clínica observa-se que os psicotrópicos agem modulando neurotransmissores. Essa ação pode reduzir ansiedade, compulsões e agressividade, mas o efeito prático depende também do histórico do paciente, do ambiente em que vive e da adesão do tutor ao tratamento (RADOSTA, 2017). O conhecimento desses mecanismos é fundamental para a escolha adequada do fármaco e para o monitoramento de seus efeitos (OVERALL, 2013; DENENBERG, 2020).
Os aminoácidos neurotransmissores incluem o glutamato, com função excitatória, e o GABA, inibitório. Enquanto o glutamato promove despolarização neuronal, o GABA induz hiperpolarização, reduzindo ansiedade, tensão muscular e vigilância (CROWELL-DAVIS et al., 2019).
Entre as monoaminas, a serotonina exerce papel central na regulação do humor, impulsividade e sono, sendo alvo de inibidores seletivos da recaptação (ISRS). A dopamina está relacionada à motivação e ao comportamento exploratório, e sua modulação influencia quadros de estereotipias. A noradrenalina atua na atenção, vigilância e respostas de estresse, sendo modulada por antidepressivos tricíclicos e inibidores da recaptação (OVERALL, 2013; RIVIERE; PAPICH, 2018).
Outros sistemas, como os neuro moduladores peptídicos e receptores de histamina, também contribuem para a expressão de estados emocionais, embora com menor impacto clínico direto. A compreensão dessas vias auxilia na seleção racional dos psicofármacos e no planejamento de estratégias terapêuticas personalizadas (DENENBERG, 2020).
Medicamentos mais utilizados
Ao prescrever psicofármacos, o veterinário deve conhecer as dosagens, efeitos adversos e contraindicações, obtendo sempre o histórico clínico completo e exames complementares quando necessários (MARDER, 1991; REISNER, 2014). A escolha do medicamento depende do neurotransmissor-alvo, permitindo prever efeitos colaterais e possíveis interações (RADOSTA, 2017).
Os medicamentos comportamentais mais utilizados em cães se dividem em três grupos principais: benzodiazepínicos, antidepressivos tricíclicos (ADT’s) e os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS). Cada classe é escolhida de acordo com a necessidade clínica e o perfil do paciente, como medicamentos fora dessas três classes, destacam-se gabapentina, pregabalina e trazodona (OVERALL, 2019).
Benzodiazepínicos
Os benzodiazepínicos atuam como ansiolíticos inespecíficos ao potencializar o efeito do GABA nos receptores GABAA, especialmente no sistema límbico e no hipotálamo (CROWELL-DAVIS et al., 2019). São indicados em medos, fobias e ansiedade generalizada, podendo ser associados a antidepressivos tricíclicos, com uso situacional em exposições previsíveis (OVERALL, 2019). Contudo, devem ser evitados em cães medrosos e agressivos, pelo risco de desinibição e aumento da agressividade, além de exigirem cautela pela possibilidade de abuso em humanos (RIVIERE; PAPICH, 2018).
Alprazolam
Indicado para fobias intensas e ansiedade aguda em cães, deve ser administrado 30 a 60 minutos antes do estímulo para controle do medo (OVERALL, 2013). A dose recomendada em cães situa-se entre 0,02 e 0,04 mg/kg, a cada 8 a 12 horas, de acordo com a necessidade clínica (CROWELL-DAVIS et al., 2019). Efeitos adversos relatados incluem sedação, ataxia, excitação paradoxal e aumento do apetite (DENENBERG, 2020). O uso deve ser evitado em pacientes com hepatopatias, em gestação, lactação ou com glaucoma, devido ao risco de agravamento do quadro clínico (RIVIERE; PAPICH, 2018). Complementarmente, em uma pesquisa envolvendo 1225 tutores de cães com medo de fogos de artifício, 90% relataram eficácia do alprazolam quando utilizado sob demanda (RIEMER, 2020).
Clorazepato
Benzodiazepínico de ação prolongada, frequentemente utilizado em situações em que o estímulo ansiogênico é previsível com várias horas de antecedência (CROWELL-DAVIS et al., 2019). A dose em cães varia entre 0,5 e 2,2 mg/kg por via oral, podendo ser repetida até a cada 8 horas, de acordo com a necessidade e tolerância do paciente (PAPICH; RIVIERE, 2018). Seus efeitos adversos incluem sedação excessiva, reações paradoxais e risco de desinibição comportamental, o que exige monitoramento constante durante o uso (OVERALL, 2019). O tratamento combinado de fluoxetina (1 mg/kg/dia por 10 semanas) e clorazepato dipotássico (1 mg/kg/dia por 4 semanas), aliado a um programa de modificação comportamental, foi testado em 36 cães com transtornos de ansiedade. Houve melhora clínica em 69,4% dos animais, principalmente nos cães ansiosos sem agressividade, destacando a eficácia da abordagem multimodal (PINEDA et al., 2014).
Diazepam
Amplamente utilizado como ansiolítico, anticonvulsivante e sedativo, apresenta boa absorção oral, retal e intranasal (CROWELL-DAVIS et al., 2019). A dose recomendada em cães varia de 0,2 a 0,5 mg/kg por via oral, podendo chegar até 2 mg/kg por via retal em emergências. Entre os efeitos adversos mais relatados estão sedação, ataxia e, em gatos, risco de hepatotoxicidade, além de possíveis reações paradoxais como agitação (RIVIERE; PAPICH, 2018). O uso é contraindicado em animais gestantes, lactantes ou com comprometimento hepático (OVERALL, 2019). Craven et al. (2022) relataram que o diazepam é útil para efeito ansiolítico imediato, mas seu uso é limitado por efeitos adversos, como sedação, ataxia e alterações comportamentais, que podem levar à descontinuação do tratamento. O diazepam pode auxiliar em fobias e ansiedades em cães, mas estudo com 37 animais mostrou que, apesar de alguma eficácia, as doses de diazepam administradas em cães variaram de 0,15 a 2,3 mg/kg, com média de 0,5 mg/kg para doses baixas e 1,0 mg/kg para doses altas, sendo observado que animais que receberam ≥ 0,8 mg/kg apresentaram maior probabilidade de desenvolver efeitos adversos, como aumento da atividade, efeitos adversos frequentes como sedação, ataxia e agitação levaram muitos tutores a suspenderem o uso (HERRON et al., 2008).
Clonazepam
Benzodiazepínico de alta potência e longa duração, usado como relaxante muscular e ansiolítico (OVERALL, 2019). Possui alta biodisponibilidade e não forma metabólitos ativos, sendo útil em cães que precisam manter atenção durante o aprendizado (CROWELL-DAVIS et al., 2019). A dose em cães é de 0,5 mg/kg, 2 a 3 vezes ao dia (Overall, 2013). Pode causar sedação, hiperfagia, excitação e alucinações (RIVIERE; PAPICH, 2018). É contraindicado em pacientes com doenças hepáticas, renais ou durante a gestação (DENENBERG, 2020). Utilizado como adjuvante no manejo de reatividade a ruídos e ansiedade em cães, em um relato de caso a prescrição de clonazepam (2–3 mg VO a cada 12 horas) como adjuvante da fluoxetina e resultou, após uma semana, em menor reatividade a sons cotidianos e recuperação mais rápida após estímulos, reforçando sua utilidade clínica em protocolos combinados com modificação comportamental (CARTER, 2011). O clonazepam, assim como outros benzodiazepínicos, não é recomendado para uso crônico em cães, uma vez que estes animais desenvolvem tolerância rapidamente e as crises podem se tornar refratárias (AKIN, 2019).
Lorazepam
Utilizado no manejo de fobias e ansiedade situacional, com dose descrita entre 0,02 e 0,1 mg/kg, administrada a cada 12 a 24 horas (CROWELL-DAVIS et al., 2019). Seu metabolismo ocorre por conjugação direta, característica que reduz a dependência da função hepática para sua biotransformação (OVERALL, 2019). Os principais efeitos adversos relatados incluem sedação e risco de dependência (DENENBERG, 2020). É contraindicado durante a gestação, lactação e em pacientes com insuficiência hepática grave (RIVIERE; PAPICH, 2018). Não há ensaios clínicos com grandes amostras que demonstrem sua eficácia nesse campo, diferentemente de outros benzodiazepínicos como o alprazolam e o clorazepato, que apresentam evidências mais consistentes em cães.
Antidepressivos tricíclicos (ADT’s)
Os antidepressivos tricíclicos (ADTs) inibem a recaptação de serotonina e norepinefrina, além de apresentarem efeitos anti-histamínicos, anticolinérgicos e antagonistas α-1, que variam conforme o fármaco (ex.: amitriptilina com maior efeito anti-histamínico que a clomipramina), (CROWELL-DAVIS et al., 2019). Diferentemente dos benzodiazepínicos, não causam desinibição comportamental e são indicados em agressões leves, transtornos compulsivos e ansiedades diversas (RIVIERE; PAPICH, 2018).
Clomipramina
Único ADT aprovado pela FDA (Food Drug and Association) para uso veterinário (OVERALL, 2019). Amplamente utilizado na ansiedade de separação em cães, sendo um dos fármacos aprovados especificamente para essa indicação em pequenos animais (OVERALL, 2013). A dose recomendada situa-se em torno de 1 a 2 mg/kg, administrada a cada 12 horas, ajustada conforme a resposta clínica e tolerância do paciente (CROWELL-DAVIS et al., 2019). Entre os efeitos adversos mais frequentes estão letargia, vômitos, diarreia e boca seca, relacionados à ação anticolinérgica e sedativa típica dos tricíclicos (RIVIERE; PAPICH, 2018). Seu uso deve ser evitado em animais com arritmias cardíacas, epilepsia ou glaucoma, devido ao risco de agravamento dessas condições (DENENBERG, 2020). A clomipramina é considerada uma das principais opções farmacológicas para o manejo de distúrbios compulsivos em cães. Em estudo retrospectivo envolvendo 126 casos, a clomipramina mostrou-se mais eficaz que a amitriptilina, com resposta positiva em 83,3% dos cães tratados. O protocolo incluiu doses crescentes de 1 a 3 mg/kg VO a cada 12 horas, por pelo menos dois meses, em associação à modificação comportamental. A maioria dos pacientes apresentou redução superior a 50% na frequência e intensidade dos comportamentos compulsivos, sendo os principais efeitos adversos leves distúrbios gastrointestinais (OVERALL; DUNHAM, 2002).
Amitriptilina
Antidepressivo tricíclico indicado no tratamento de ansiedade generalizada, distúrbios compulsivos e prurido associado ao estresse em cães (CROWELL-DAVIS et al., 2019). A dose em cães varia de 1 a 2 mg/kg por via oral, a cada 12 ou 24 horas, podendo ser ajustada conforme a resposta clínica (OVERALL, 2013). Os efeitos adversos mais comuns incluem sedação, boca seca, vômitos, taquicardia e distúrbios gastrointestinais, sendo que em casos graves pode haver risco de arritmias cardíacas (RIVIERE; PAPICH, 2018). É contraindicada em pacientes com histórico de arritmias, glaucoma ou retenção urinária (OVERALL, 2019). A evidência atual para o uso de amitriptilina em distúrbios comportamentais de cães é restrita, mostrando resultados menos consistentes do que os obtidos com a clomipramina, especialmente em casos de transtorno obsessiva-compulsivo (OVERALL et al., 2002).
Nortriptilina
É o metabólito ativo da amitriptilina e apresenta perfil semelhante, porém com menor incidência de efeitos sedativos e anticolinérgicos (OVERALL, 2019). É utilizada principalmente quando o paciente apresenta efeitos adversos intoleráveis à amitriptilina. A dose pode ser semelhante à da amitriptilina, ajustada conforme resposta clínica. Seus efeitos adversos são mais moderados e incluem boca seca, letargia leve e distúrbios gastrointestinais (DENENBERG, 2020). A evidência científica para nortriptilina em cães ainda é limitada, não havendo estudos controlados que comprovem sua eficácia em distúrbios comportamentais, diferentemente de outros tricíclicos mais consolidados, como a clomipramina (OVERALL, 2013).
Inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS)
Os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) aumentam a neurotransmissão serotoninérgica, apresentando efeitos ansiolíticos, anti-compulsivos e anti-agressivos, o que justifica seu uso em medicina veterinária (CROWELL-DAVIS et al., 2019). Têm perfil de segurança favorável a longo prazo, embora a eficácia clínica possa levar semanas (Overall, 2013). Seu uso é contínuo e depende da adesão do tutor (REISNER, 2014). Em cães, são indicados principalmente para ansiedade de separação, comportamentos compulsivos e agressividade impulsiva (RIVIERE; PAPICH, 2018).
Fluoxetina
A fluoxetina é o ISRS mais estudado e aprovado pelo FDA para uso veterinário (Reconcile®), é amplamente utilizado em medicina veterinária, sendo indicada principalmente para o manejo da ansiedade de separação, comportamentos compulsivos e fobias em cães (OVERALL, 2019). A dose recomendada situa-se entre 1 e 2 mg/kg por via oral, administrada uma vez ao dia (OVERALL, 2013). O início do efeito terapêutico ocorre geralmente após 2 a 4 semanas de tratamento contínuo (CROWELL-DAVIS et al., 2019). Os efeitos adversos mais relatados incluem letargia, diminuição do apetite, vômitos e, em situações graves, sinais de síndrome serotoninérgica quando associada a outros fármacos serotoninérgicos (RIVIERE; PAPICH, 2018). Seu uso é contraindicado em associação com inibidores da monoamina oxidase (IMAO) e em cães com histórico de convulsões não controladas (DENENBERG, 2020). Estudos controlados com ansiedade de separação utilizando fluoxetina em doses variando de 0,5 a 2 mg/kg por via oral, uma vez ao dia. A maioria dos animais apresentando resposta favorável dentro da faixa de 1,0 a 1,5 mg/kg/dia, mostraram que aproximadamente 70-80% dos cães tratados com fluoxetina junto a planos de modificação comportamental melhoram relativamente em algumas semanas, com efeitos adversos leves como letargia e diminuição de apetite (CHUTTER, 2019).
Paroxetina
A paroxetina é um inibidor seletivo da recaptação de serotonina (ISRS) que atua bloqueando a recaptação desse neurotransmissor, com pouca ação sobre noradrenalina ou dopamina (OVERALL, 2019). É indicada no tratamento de ansiedade generalizada, fobias sociais e comportamentos repetitivos em cães (CROWELL-DAVIS et al., 2019). A dose recomendada varia de 0,5 a 1,5 mg/kg/dia, com ajustes graduais conforme a resposta clínica (OVERALL, 2013). Os efeitos adversos mais comuns incluem sedação, vômitos e diarreia, podendo ocorrer agitação em alguns casos (RIVIERE; PAPICH, 2018). Embora seja considerada segura para uso prolongado, deve ser utilizada com cautela em animais com doença hepática (DENENBERG, 2020).
A paroxetina, quando utilizada em associação à mirtazapina, tem se mostrado eficaz no manejo de distúrbios comportamentais em cães. Em estudo retrospectivo com 71 pacientes, na qual a paroxetina foi prescrita em cães na faixa de 0,5 a 1,5 mg/kg por via oral, administrada uma vez ao dia (SID) ou dividida em duas doses diárias (BID, 0,3–0,7 mg/kg a cada 12 horas). Em alguns casos, os cães que apresentaram pouca resposta após quatro semanas tiveram a dose aumentada para cerca de 1,3 a 1,7 mg/kg SID ou 0,7–0,9 mg/kg BID, 81,7% dos tutores relataram melhora total ou parcial dos sinais de medo, ansiedade e agressividade após pelo menos quatro semanas de tratamento, enquanto apenas 8,5% não observaram mudanças e 1,4% relataram piora do quadro (RICHTER; MARTIN, 2023).
Sertralina
A sertralina possui boa tolerância em cães, sendo indicada no manejo de transtornos de ansiedade, comportamentos compulsivos e fobias (DENENBERG, 2020). A dose recomendada situa-se entre 1 e 4 mg/kg por via oral, administrada uma vez ao dia (RIVIERE; PAPICH, 2018). Em comparação com a fluoxetina, apresenta menor efeito sedativo, favorecendo seu uso em pacientes sensíveis à sedação (CROWELL-DAVIS et al., 2019). Os principais efeitos adversos incluem distúrbios gastrointestinais e, menos frequentemente, inquietação ou alterações do sono (OVERALL, 2013). Seu uso é contraindicado em associação com outros ISRS ou antidepressivos tricíclicos, devido ao risco de síndrome serotoninérgica (OVERALL, 2019). Em uma série de quatro cães com comportamentos compulsivos, a sertralina associada à modificação comportamental promoveu melhora clínica relevante, reduzindo a frequência e intensidade dos comportamentos, embora os autores ressaltem a necessidade de estudos com amostras maiores (SILVA-MONTEIRO et al., 2021).
Fluvoxamina
A fluvoxamina é menos utilizado na medicina veterinária, mas com potencial terapêutico semelhante a outros da classe (CROWELL-DAVIS et al., 2019). Sua dose em cães não é totalmente estabelecida, embora relatos indiquem uma faixa empírica de 0,5 a 2 mg/kg/dia (OVERALL, 2013). Um aspecto relevante é seu potencial de interação medicamentosa, já que pode aumentar significativamente os níveis plasmáticos de benzodiazepínicos, como o alprazolam (OVERALL, 2019). Além disso, a fluvoxamina pode interferir no metabolismo de outros psicotrópicos mediados pelo sistema enzimático do citocromo P450, devendo ser evitada em associações de risco, como com a clomipramina (DENENBERG, 2020). Em estudo retrospectivo com 72 cães tratados com fluvoxamina utilizando doses de 0,25 e 2 mg/kg VO, em uma ou duas administrações diárias, ajustadas conforme a resposta individual mais modificação comportamental e ajustes ambientais, relatou-se que cerca de 45% dos animais tiveram melhora acentuada, 38% melhora moderada e 15% pouco ganho clínico (BAZIN et al., 2022).
Citalopram/Escitalopram
O citalopram e o escitalopram de uso mais restrito em cães, geralmente reservados para casos refratários ou quando há intolerância a outros fármacos da mesma classe (DENENBERG, 2020). A dose relatada para o citalopram varia de 0,5 a 2 mg/kg/dia, enquanto o escitalopram, por ser mais potente, pode ser empregado em doses menores (OVERALL, 2019). Os principais efeitos adversos incluem sintomas gastrointestinais, inquietação e, em alguns casos, aumento transitório da ansiedade no início do tratamento (CROWELL-DAVIS et al., 2019). Ambos os fármacos devem ser usados com cautela em cães com distúrbios cardíacos ou hepáticos (RIVIERE; PAPICH, 2018). O escitalopram apresenta alta seletividade para o SERT (transportador de serotonina), com meia-vida de cerca de 6,7 h em cães. Estudo experimental em Beagles indicou que uma dose de 1,85 mg/kg/dia, dividida em três administrações, atinge cerca de 80% de ocupação do transportador de serotonina, nível associado a efeito terapêutico (TAYLOR et al., 2017).
Fármacos diversos
Além dos fármacos de primeira linha, como benzodiazepínicos, antidepressivos tricíclicos e ISRS, o manejo de distúrbios comportamentais em cães pode incluir o uso de fármacos com outros mecanismos de ação, útil em protocolos combinados, especialmente em cães que não respondem apenas aos ISRS ou ADT’s (CROWELL-DAVIS et al., 2019).
Gabapentina
A gabapentina é utilizada como adjuvante em cães com ansiedade situacional e dor neuropática, em doses de 10 a 20 mg/kg VO a cada 8 horas (RIVIERE; PAPICH, 2018). Seus principais efeitos adversos são sedação e ataxia, geralmente leves (CROWELL-DAVIS et al., 2019). Em estudo retrospectivo de (KIRBY-MADDEN et al., 2024), foram utilizadas doses variando de 10 a 40 mg/kg/dia, com média de aproximadamente 25 mg/kg/dia, ajustadas conforme a resposta clínica 72% dos donos relataram melhorias moderadas a fortes em comportamentos de conflito ou agressão com o uso de gabapentina, embora doses elevadas (> 30 mg/kg) tenham sido associadas a maior sedação.
Pregabalina
A pregabalina, estruturalmente relacionada à gabapentina, apresenta farmacocinética mais previsível e pode ser utilizada em casos refratários de ansiedade, ou quando se busca maior estabilidade no controle dos sintomas. A dose descrita em cães é de 2 a 5 mg/kg por via oral, a cada 12 horas, com boa tolerância clínica (DENENBERG, 2020). Apesar de promissora, seu uso ainda carece de estudos controlados em medicina veterinária, motivo pelo qual é mais frequentemente prescrita em associação a outros psicotrópicos (OVERALL, 2019).
Trazodona
A trazodona é um antidepressivo classificado como antagonista do receptor 5-HT2A e inibidor fraco da recaptação de serotonina, usada em cães para ansiedade situacional, fobias e distúrbios relacionados ao estresse (CROWELL-DAVIS et al., 2019). A dose recomendada varia de 2 a 10 mg/kg VO, a cada 8 a 24 horas, podendo ser usada como adjuvante a ISRS ou ADT’s (RIVIERE; PAPICH, 2018). Seus efeitos adversos incluem sedação, ataxia e distúrbios gastrointestinais, devendo-se atentar ao risco de síndrome serotoninérgica quando combinada a outros psicotrópicos (OVERALL, 2019). Em estudo prospectivo com 120 cães hospitalizados, Gilbert-Gregory et al. (2016) observaram que a trazodona (3,5–4 mg/kg a cada 12 h, ajustável até 10–12 mg/kg ou a cada 8 h, com máximo de 300 mg/dose ou 600 mg/dia) reduziu significativamente sinais de estresse, como ofegar, lamber os lábios e vocalizações, em comparação ao grupo controle.
Dexmetomidina
Especialmente em formulação oro-transmucosal, é usada para controle de ansiedade aguda e fobias específicas, como fogos de artifício. Em cães, a dose descrita é de 125 µg/m² a 500 µg/m², aplicada de forma transmucosal, aproximadamente 30 a 60 minutos antes do evento ansiogênico. Os efeitos adversos mais comuns são bradicardia e sedação intensa, devendo ser usada com cautela em pacientes cardiopatas (OVERALL, 2019; RIVIERE & PAPICH, 2018). Em um estudo duplo-cego com gel oromucosal, doses de 125 e 250 µg/m² demonstraram reduzir significativamente medo e ansiedade de cães durante consultas veterinárias, com melhora estatística em postura corporal relaxada e comportamento ao entrar na sala de exame (KORPIVAARA et al., 2021).
Comparação crítica entre os estudos revisados
Ao analisar comparativamente os estudos revisados, observa-se que a fluoxetina e a clomipramina apresentam evidências mais consistentes de eficácia no tratamento de ansiedade de separação e distúrbios compulsivos em cães (OVERALL, 2013; CHUTTER, 2019). Em contraste, medicamentos como a fluvoxamina e a pregabalina ainda carecem de ensaios clínicos robustos, estando seu uso restrito a relatos de caso e estudos retrospectivos (BAZIN et al., 2022; KIRBY-MADDEN et al., 2024). Além disso, embora associações farmacológicas como fluoxetina + clorazepato tenham mostrado resultados promissores (PINEDA et al., 2014), destaca-se que estudos populacionais evidenciam um risco aumentado de efeitos adversos relacionados ao uso de psicofármacos, como sedação e alterações comportamentais (CRAVEN et al., 2022). Assim, fica evidente que, embora existam alternativas variadas, apenas alguns psicofármacos contam com respaldo sólido para aplicação clínica em cães, reforçando a necessidade de maior cautela na escolha terapêutica e de novos estudos controlados que ampliem a base de evidências disponíveis.
Considerações finais
Os problemas comportamentais fazem parte crescente da rotina clínica e ainda geram insegurança em muitos veterinários. Mais do que prescrever medicamentos, é essencial orientar tutores sobre manejo, treinamento e expectativas realistas. A experiência prática mostra que a combinação entre psicofármacos e modificação comportamental, quando bem conduzida, melhora a qualidade de vida do animal e fortalece o vínculo com a família
Para iniciar um tratamento eficaz para problemas comportamentais se faz necessário conhecimentos de técnicas de manejo e terapias medicamentosas, complexas e desafiadoras, que podem interferir na integridade física e mental dos animais e seus tutores.
Assim conhecer as nuances de cada caso clínico abordado e de cada medicamento receitado se faz necessário para que o veterinário consiga auxiliar ao máximo seu cliente e seu paciente.
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