TRENDS IN MORTALITY DUE TO CROHN’S DISEASE AND ULCERATIVE COLITIS IN SÃO PAULO, BRAZIL: AN EPIDEMIOLOGICAL ANALYSIS FROM 2014 TO 2024
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ma10202601151450
Ana Flávia Nunes de Siqueira Arouca
Vitor Henrique Nunes de Siqueira Arouca
Resumo
Este estudo teve como objetivo descrever as tendências temporais da mortalidade por doença de Crohn e colite ulcerosa no município de São Paulo, Brasil, no período de 2014 a 2024. Trata-se de um estudo epidemiológico retrospectivo, de base populacional, realizado a partir de dados secundários de mortalidade obtidos no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), disponibilizados pelo DATASUS/TabNet, do Ministério da Saúde. Foram incluídos todos os óbitos registrados no município de São Paulo (código 355030) entre janeiro de 2014 e janeiro de 2024, classificados segundo a CID-10 como doença de Crohn e colite ulcerosa. As variáveis analisadas compreenderam o ano do óbito e o sexo. Os dados foram analisados de forma descritiva para identificar padrões temporais e diferenças entre os sexos. No período analisado, foram registrados 69 óbitos, sendo 44 (63,7%) em mulheres e 25 (36,3%) em homens. A mortalidade anual variou entre quatro e dez óbitos, com maior número em 2019 e menor em 2016. Observou-se predominância feminina em quase todos os anos analisados, sem tendência progressiva clara de aumento ou redução ao longo do período. Os achados indicam estabilidade relativa da mortalidade por doença inflamatória intestinal em São Paulo, ressaltando a importância do monitoramento contínuo desses óbitos para subsidiar políticas públicas e estratégias de cuidado em saúde.
Palavras-chave: Doença inflamatória intestinal. Doença de Crohn. Colite ulcerosa. Mortalidade. Epidemiologia.
INTRODUÇÃO
A doença inflamatória intestinal (DIl), que inclui principalmente a doença de Crohn e a colite ulcerosa, caracteriza-se por inflamação crônica do trato gastrointestinal, com impacto significativo na qualidade de vida dos pacientes e nos sistemas de saúde. Nas últimas décadas, observou-se aumento da incidência dessas doenças em países em desenvolvimento, incluindo o Brasil, acompanhando mudanças no estilo de vida e fatores ambientais.
Embora os avanços terapêuticos tenham contribuído para a redução de complicações graves, a Dil ainda está associada a morbidade relevante e risco de mortalidade, especialmente em contextos de acesso desigual aos serviços de saúde. Estudos epidemiológicos sobre mortalidade fornecem informações essenciais para compreender a magnitude da doença e orientar estratégias de prevenção e manejo.
No Brasil, dados sobre mortalidade relacionada à DIl ainda são limitados, particularmente em análises regionais e temporais. O município de São Paulo, por sua densidade populacional e diversidade socioeconômica, representa um cenário relevante para a análise desses desfechos.
Dessa forma, o presente estudo teve como objetivo descrever as tendências temporais da mortalidade por doença de Crohn e colite ulcerosa no município de São Paulo, entre 2014 e 2024, analisando sua distribuição ao longo dos anos e segundo o sexo.
1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA
A doença inflamatória intestinal apresenta etiologia multifatorial, envolvendo predisposição genética, disfunções imunológicas e fatores ambientais.
Globalmente, observa-se crescimento da prevalência da DIl, com impacto expressivo nos sistemas de saúde (KAPLAN; WINDSOR, 2021).
Estudos internacionais apontam que, apesar da redução da mortalidade em países com amplo acesso a terapias avançadas, a Dil ainda contribui para óbitos relacionados a complicações, infecções, neoplasias associadas e atraso no diagnóstico (MOLODECKY; KAPLAN, 2010).
No contexto brasileiro, análises baseadas em dados secundários do DATASUS têm sido fundamentais para compreender padrões de morbimortalidade, embora limitações relacionadas à subnotificação e à qualidade do preenchimento das declarações de óbito persistam. Ainda assim, tais estudos são essenciais para subsidiar políticas públicas e o planejamento em saúde.
2 METODOLOGIA
Trata-se de um estudo epidemiológico retrospectivo, descritivo, de base populacional. Foram utilizados dados de mortalidade provenientes do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), disponibilizados pelo DATASUS/TabNet, do Ministério da Saúde.
Foram incluídos todos os óbitos registrados no município de São Paulo (código municipal 355030) entre janeiro de 2014 e janeiro de 2024, classificados segundo a Classificação Internacional de Doenças – CID-10 – como doença de Crohn e colite ulcerosa.
As variáveis analisadas foram o ano do óbito e o sexo. Os dados foram organizados em planilhas eletrônicas e analisados por meio de estatística descritiva, com cálculo de frequências absolutas e relativas, visando identificar padrões temporais e diferenças entre os sexos.
Por se tratar de estudo com dados secundários, de acesso público e sem identificação individual, não houve necessidade de submissão a comitê de ética em pesquisa.
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS
No período analisado, foram registrados 69 óbitos por doença de Crohn e colite ulcerosa no município de São Paulo. Desses, 44 (63,7%) ocorreram em mulheres e 25 (36,3%) em homens, evidenciando predominância do sexo feminino.
A mortalidade anual variou entre quatro e dez óbitos, com o maior número observado em 2019 (10 óbitos) e o menor em 2016 (4 óbitos). As mortes femininas superaram as masculinas na maioria dos anos, com exceção de 2017 e 2019, quando os valores foram semelhantes entre os sexos.
Não foi identificada tendência progressiva clara de aumento ou redução da mortalidade ao longo do período analisado, embora tenha sido observado um aumento discreto em 2023. Esses achados estão em consonância com estudos internacionais que apontam relativa estabilidade da mortalidade por DIl em regiões com acesso variável a tratamento especializado.
A predominância feminina observada pode refletir diferenças na prevalência da doença, no padrão de busca por serviços de saúde ou em fatores hormonais e imunológicos, conforme sugerido pela literatura.
4 CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS
A mortalidade por doença de Crohn e colite ulcerosa no município de São Paulo manteve-se relativamente estável entre 2014 e 2024, com predominância consistente no sexo feminino. Embora os números absolutos sejam baixos, os resultados evidenciam a importância do monitoramento contínuo da mortalidade relacionada à doença inflamatória intestinal. Estudos futuros que incorporem variáveis como idade, comorbidades e acesso aos serviços de saúde podem contribuir para melhor compreensão dos determinantes da mortalidade por Dil no Brasil.
REFERÊNCIAS
KAPLAN, G. G.; WINDSOR, J. W. The global burden of inflammatory bowel disease. Lancet Gastroenterology & Hepatology, v. 6, n. 7, р. 613-627, 2021.
MINISTÉRIO DA SAÚDE (BR). Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM). DATASUS. Disponível em: https:// datasus.saude.gov.br*. Acesso em: 14 nov. 2025.
MOLODECKY, N. A.; KAPLAN, G. G.Environmental risk factors for inflammatory bowel disease. Gastroenterology & Hepatology, v. 6, n. 5, р. 339-346, 2010.
