TENDÊNCIAS DE SORRISO PERFEITO NAS REDES SOCIAIS E SUAS IMPLICAÇÕES NA ODONTOLOGIA: UMA REVISÃO DE LITERATURA

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511261810


Lara Beatriz Sousa do Nascimento Borges
Orientadora: Profa. Dra. Ana Carla Souza Costa


RESUMO 

Nos últimos anos, o avanço das redes sociais e a valorização da imagem pessoal transformaram significativamente a forma como a estética é percebida e desejada pela sociedade. O conceito de beleza passou a ser fortemente influenciado por padrões midiáticos, especialmente no que se refere ao sorriso, considerado um dos principais elementos da aparência facial. O presente estudo tem como objetivo analisar, por meio de uma revisão integrativa da literatura, as tendências do chamado “sorriso perfeito” nas redes sociais, bem como as implicações da cultura da perfeição na área da estética odontológica e suas consequências na escolha dos pacientes. A pesquisa foi desenvolvida a partir da seleção de artigos científicos publicados entre os anos de 2019 e 2025, nos idiomas português e inglês, que abordavam a influência das redes sociais nas tendências estéticas dentais e/ou faciais. Ao todo, foram analisados 12 artigos que atenderam aos critérios de inclusão estabelecidos. Os resultados demonstraram que as redes sociais exercem grande influência sobre a percepção estética e o comportamento dos pacientes, promovendo padrões de beleza muitas vezes idealizados. Conclui-se que as redes sociais configuram-se simultaneamente como uma oportunidade e um desafio para a odontologia estética moderna. Quando utilizadas de forma ética e educativa, podem fortalecer o vínculo entre profissional e paciente e ampliar o acesso à informação; contudo, seu uso inadequado pode reforçar padrões inalcançáveis e práticas pouco humanizadas, ressaltando a importância de uma atuação crítica e responsável dos profissionais da área. 

Palavras-chave: redes sociais; odontologia estética; ética profissional. 

ABSTRACT 

In recent years, the rise of social media and the increased emphasis on personal image have significantly transformed how aesthetics are perceived and desired by society. The concept of beauty has become heavily influenced by media standards, especially regarding the smile, considered one of the main elements of facial appearance. This study aims to analyze, through an integrative literature review, the trends of the socalled “perfect smile” on social media, as well as the implications of the culture of perfection in the field of dental aesthetics and its consequences on patient choice. The research was developed based on a selection of scientific articles published between 2019 and 2025, in Portuguese and English, that addressed the influence of social media on dental and/or facial aesthetic trends. A total of 12 articles that met the established inclusion criteria were analyzed. The results demonstrated that social media exerts a significant influence on patients’ aesthetic perception and behavior, promoting often idealized beauty standards. The conclusion is that social media simultaneously represents an opportunity and a challenge for modern cosmetic dentistry. When used ethically and educationally, they can strengthen the bond between practitioner and patient and expand access to information. However, its inappropriate use can reinforce unattainable standards and inhumane practices, highlighting the importance of critical and responsible action by professionals in the field.

Keywords: social networks; aesthetic dentistry; professional ethics.

1. INTRODUÇÃO  

As novas dinâmicas sociais estabelecidas na sociedade moderna são fruto do intenso avanço da tecnologia dentro do cotidiano das pessoas. De acordo com Kalman e Rafaeli (2017), nos últimos anos é possível observar o surgimento de quatro tendências, sendo elas a digitalização, convergência de mídias, conectividade ininterrupta e a portabilidade, levando a comunicação para um processo de digitalização, incluindo não apenas palavras escritas, mas também imagens, vídeos, voz e músicas.  

Dessa maneira, o impacto das mídias digitais passou a não repercutir apenas no cotidiano das pessoas, mas também, na imagem e comportamento, influenciando tendências e expectativas estéticas, que nem sempre são materializadas ou viabilizadas na vida real. A associação das redes sociais e estética tem alcançado diversas pessoas que buscam pela perfeição, especialmente no que se refere a estética odontológica (Silva et al., 2021).  

Comumente observa-se a presença de influenciadores digitais proporcionando maior visibilidade aos conteúdos relacionados à estética bucal. Por conta disso, a disseminação de produtos e tratamentos odontológicos pode ser indiscriminada por muitas vezes, levando à promessa de resultados rápidos, o que apresenta um risco à saúde bucal de pacientes (Lira et al., 2017).  

A busca da “perfeição” atrelada a falsas expectativas de uma estética impecável, aumentam os riscos pela busca de procedimentos que nem sempre visam tratar problemas estéticos e/ou bucais, mas apenas promover um resultado rápido (Pelet et al., 2024). É importante destacar que as mídias sociais garantem a disseminação de informações e conteúdos através de plataformas como Instagram, TikTok e YouTube. No entanto, por trás de muitos conteúdos odontológicos existem interesses comerciais que implicam diretamente nos resultados desejados pelos pacientes (Silva et al., 2023). 

Além disso, observa-se que o impacto das redes sociais na percepção estética vai além da simples influência visual, alcançando também aspectos psicológicos e sociais. A constante exposição a imagens de “sorrisos ideais” pode gerar insatisfação pessoal, baixa autoestima e distorção da autoimagem, levando indivíduos a buscarem intervenções estéticas desnecessárias ou inadequadas. Essa dinâmica reforça a importância de um olhar crítico tanto por parte dos profissionais quanto dos pacientes, a fim de equilibrar o desejo por uma boa aparência com os princípios de saúde, funcionalidade e naturalidade que devem nortear a prática odontológica (Ferreira et al., 2022).  

Portanto, objetivo do trabalho é analisar por meio de uma revisão integrativa da literatura as tendências de sorriso perfeito nas redes sociais, bem como as implicações da cultura da perfeição na área da estética odontológica e suas consequências na escolha dos pacientes. Ao analisar este fenômeno, é possível desenvolver uma abordagem mais ética, responsável e realista da odontologia estética, garantindo assim, que os procedimentos sejam feitos com foco na saúde e bem estar dos pacientes.  

2. REVISÃO DE LITERATURA  

2.1 Autoimagem e redes sociais 

Com o impulsionamento das redes sociais a percepção sobre autoimagem, estética facial e corporal tiveram mudanças significativas. Historicamente, a autoimagem era construída a partir de interações sociais diretas e experiências pessoais. No entanto, com o surgimento das redes sociais, esse processo passou a ocorrer de forma mais pública e performativa. Nas plataformas digitais, os indivíduos não apenas se apresentam ao outro, mas constroem uma versão idealizada de si mesmos, muitas vezes em busca de aceitação, popularidade ou pertencimento (Souza; Alvarenga, 2016). 

A possibilidade de edição de imagens, uso de filtros, retoques e poses estrategicamente pensadas gera um padrão visual padronizado e inatingível. Essa nova forma de representação pessoal, em que impera a estética da perfeição, acaba por criar um descompasso entre a realidade e a imagem apresentada, alimentando sentimentos de inadequação, baixa autoestima e ansiedade (Santos et al., 2016).  

Além disso, a lógica dos algoritmos favorece conteúdos que seguem determinadas tendências visuais, impulsionando ainda mais a repetição de certos padrões de beleza. Com isso, os usuários das redes sociais são continuamente expostos a imagens de belos corpos, rostos simétricos, pele impecável e sorrisos brancos, todos elementos que contribuem para a internalização de ideais irreais (Neto et al., 2020). 

2.2 Marketing odontológico x Código de Ética: implicações na odontologia 

A influência das redes sociais na decisão de realizar intervenções estéticas é significativa (Pelet et al., 2024). Em pesquisa conduzida pela Allergan Aesthetics (2022) 97% dos participantes afirmaram perceber a influência das mídias sociais sobre sua percepção estética, enquanto 73,7% relataram sentir impactos emocionais e psicológicos relacionados a essa exposição.   

Essa busca por uma aparência idealizada pode resultar em expectativas irreais e em insatisfação após os procedimentos. Muitos pacientes chegam ao consultório odontológico com referências visuais obtidas nas redes, esperando resultados idênticos aos de celebridades ou influenciadores, sem considerar suas particularidades anatômicas, funcionais ou biológicas. Essa idealização de resultados leva a frustrações e, em casos mais graves, ao desenvolvimento de distúrbios relacionados à imagem corporal (Santos et al., 2024).  

Procedimentos como clareamento dental, facetas de resina, lentes de contato dentais e harmonização orofacial estão entre os mais procurados, especialmente por jovens adultos expostos de maneira intensa às mídias digitais. Uma pesquisa nacional realizada pela Associação Brasileira de Odontologia (ABO) em 2023 com cirurgiões-dentistas mostrou que 86% deles observaram aumento na procura por tratamentos estéticos motivados pela influência das redes sociais, com destaque para os procedimentos de clareamento e lentes de contato dentais. Essa tendência reforça como o comportamento digital molda diretamente o mercado da odontologia, transformando o sorriso em um produto de consumo simbólico. 

No entanto, a busca incessante pelo sorriso ideal traz riscos tanto clínicos quanto psicológicos. A pressão estética pode levar à realização de tratamentos desnecessários ou excessivos, à remoção indevida de tecido dental e à perda de naturalidade facial. Além disso, quando a expectativa do paciente não é atingida, mesmo com o êxito técnico do tratamento, surgem sentimentos de frustração e baixa autoestima. A desconexão entre o resultado real e o ideal projetado pelas redes sociais representa um desafio crescente na relação profissional-paciente, exigindo do cirurgião-dentista uma postura educativa e ética na comunicação sobre o alcance e as limitações dos procedimentos (Costa et al., 2022). 

Outro fator preocupante é a disseminação de práticas e produtos sem respaldo científico, promovidos por influenciadores digitais. O uso do carvão ativado como agente clareador, amplamente divulgado em plataformas como TikTok e Instagram, exemplifica essa questão. Sabe-se que o uso prolongado dessa substância pode causar abrasão do esmalte dental, hipersensibilidade e danos gengivais, comprometendo a saúde bucal. Essa realidade evidencia o impacto da desinformação estética nas redes e a necessidade de atuação responsável dos profissionais da odontologia na orientação dos pacientes e na produção de conteúdo científico confiável (Santos et al., 2024). 

Além dos riscos clínicos, as redes sociais também impactam a ética e o marketing odontológico. O Código de Ética Odontológico (CFO, 2022) estabelece limites claros para a divulgação de procedimentos, proibindo comparações de “antes e depois”, promessas de resultados garantidos e o uso de imagens sensacionalistas. 

No entanto, muitos profissionais, na tentativa de atrair seguidores e pacientes, acabam ultrapassando esses limites, tornando a estética um produto mercadológico. 

Silva, Rodrigues e Martorell (2022) destacam que a banalização das práticas odontológicas por meio de postagens publicitárias sem embasamento técnico desvaloriza a profissão e reduz o paciente a um mero consumidor, o que contraria os princípios de beneficência e não maleficência que orientam a prática odontológica. 

O marketing digital, quando utilizado de forma responsável, pode ser um importante instrumento de educação em saúde. Ele permite que o cirurgião-dentista esclareça dúvidas, divulgue informações científicas e conscientize o público sobre hábitos de higiene bucal e limites estéticos. Entretanto, quando mal empregado, transforma-se em um meio de autopromoção e de manipulação da imagem profissional. A ética na comunicação digital deve estar fundamentada na veracidade das informações, no respeito ao paciente e na valorização da saúde sobre a estética. O profissional deve compreender que o uso da mídia social não se limita à publicidade, mas também à responsabilidade social e à formação crítica do público (Moraes; Pacheco, 2024).  

No âmbito ético, a atuação do cirurgião-dentista diante das demandas estéticas influenciadas pelas redes sociais exige um equilíbrio entre desejo e realidade clínica. O profissional deve considerar os princípios fundamentais da bioética: autonomia, beneficência, não maleficência e justiça. Nesse contexto, o papel do cirurgião-dentista vai além da execução técnica. Ele deve atuar como educador, orientando o paciente sobre as consequências de cada intervenção e desmistificando as ilusões criadas pelas redes sociais (Moraes; Pacheco, 2024). 

É fundamental que o profissional utilize sua influência digital de maneira consciente, promovendo o senso crítico sobre padrões de beleza e incentivando o cuidado com a saúde bucal como parte da autoestima saudável e não como forma de adequação estética. A responsabilidade do profissional reside em ajudar o paciente a compreender que a beleza está associada à harmonia facial e à saúde, e não apenas à padronização estética veiculada nas mídias (Moraes, 2024).  

Esta perspectiva acaba potencializando tendências que podem gerar implicações nas áreas da saúde estética. Na odontologia, o aumento da procura por procedimentos estéticos reflete uma mudança no perfil dos pacientes. Se antes o foco principal era a funcionalidade, como tratar cáries, dores, inflamações e reabilitar mastigações, hoje a estética tem ganhado protagonismo nos consultórios. 

Tratamentos como clareamento dental, facetas de porcelana, lentes de contato dental, ortodontia estética e bichectomia tornaram-se populares, com forte influência das tendências nas redes sociais (Alao, 2023).  

Dentistas relatam que muitos pacientes chegam aos consultórios com fotos de influenciadores ou celebridades, desejando “o mesmo sorriso”, muitas vezes sem considerar as particularidades anatômicas ou limitações clínicas do próprio caso. Isso cria um desafio ético para os profissionais, que precisam equilibrar os desejos do paciente com os princípios da odontologia baseada em evidências e os limites da estética saudável (Bastian, 2020). 

Além disso, a banalização de procedimentos odontológicos na internet, frequentemente promovidos como rápidos, indolores e acessíveis, pode levar à desinformação e à tomada de decisões precipitadas por parte dos pacientes. Isso aumenta os riscos de insatisfação estética, problemas funcionais ou complicações a longo prazo (Braga et al., 2021).  

A crescente influência das redes sociais sobre a estética do sorriso levanta questões éticas importantes para a odontologia. Primeiramente, há o risco da “mercantilização” da prática odontológica, quando o foco na estética ultrapassa os limites da ética profissional e do bem-estar do paciente. Em alguns casos, profissionais podem ceder à pressão do mercado e oferecer procedimentos de forma indiscriminada, visando lucros em detrimento da saúde bucal (Cavalcanti; Azevedo; Matias, 2017).  

Outro ponto sensível é a responsabilidade dos dentistas na educação estética dos pacientes. Cabe ao profissional orientar o paciente sobre as possibilidades reais de tratamento, os riscos envolvidos e a importância da preservação da estrutura dentária e da saúde como um todo. A odontologia deve atuar não como instrumento de padronização estética, mas como promotora de saúde, bem-estar e autoestima (Cruz, 2020).  

Também é necessário que os profissionais compreendam as motivações emocionais que levam os pacientes a desejarem mudanças estéticas. Em muitos casos, a insatisfação com o sorriso é reflexo de questões mais profundas de autoestima e aceitação pessoal. Assim, o diálogo empático e ético entre dentista e paciente torna-se fundamental (Braga et al., 2021). 

Frente a esse novo contexto, a odontologia precisa se adaptar sem perder sua essência. Isso envolve reconhecer as novas demandas estéticas da sociedade, mas também saber conduzi-las de forma responsável. Os profissionais devem se atualizar constantemente, não apenas em técnicas estéticas, mas também em comunicação, ética e saúde mental. Além disso, as redes sociais, apesar de exercerem influência negativa em alguns casos, também podem ser ferramentas educativas e de valorização da odontologia. Dentistas que produzem conteúdo responsável, explicam procedimentos com clareza, mostram resultados reais e falam sobre saúde bucal de forma acessível contribuem para uma cultura digital mais ética e consciente (Dourado et al., 2020).  

3. MATERIAIS E MÉTODOS 

Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de natureza básica pura, abordagem qualitativa, objetivo exploratório descritivo e modalidade bibliográfica (Estrela, 2018).  Foi realizada uma busca eletrônica nas plataformas PubMed e Scielo. Os descritores utilizados foram: “mídias sociais”; “odontologia estética”; “rede social”; “sorriso”; “ética odontológica”; “social media”; “aesthetic dentistry”; “social network”; “smile” e “dental ethics”, além de palavras-chave, como: “influência da mídia”; “tendências estéticas”; “media influence” e “aesthetic trends”, conectados pelos operadores booleanos OR e AND para os termos em inglês e OU e E para os termos em português.  

Para seleção dos artigos utilizados na pesquisa foi utilizada a estratégia PICO a partir da pergunta norteadora: “De que maneira a busca pelo ‘sorriso perfeito’ impulsionada pelas redes sociais influencia as práticas estéticas na odontologia e as decisões dos pacientes quanto aos tratamentos odontológicos?”, sendo (P) “indivíduos com acesso à rede sociais”; (I) “exposição a conteúdos midiáticos”; (C) “diferentes plataformas de mídias sociais”; e (O) “mudanças nas tendências e preferências estéticas dentais e faciais”  

Os critérios de inclusão para encontrar os artigos que foram utilizados na pesquisa são: artigos que tinham como assunto a influência das redes sociais nas tendências odontológicas estéticas dentais e/ou faciais; artigos publicados nos anos entre 2019 – 2025; artigos em idioma inglês e português.   

Já os critérios de exclusão foram definidos por: artigos que se repetiram nas plataformas de busca; resumos e resumos expandidos; artigos que não foram disponibilizados na íntegra; artigos que não atenderam o objetivo proposto pela pesquisa. 

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO  

Após a aplicação da análise de elegibilidade, 12 artigos foram selecionados por apresentarem relevância teórica, atualidade e consistência metodológica. Esses estudos compõem o corpo principal de evidências desta pesquisa, e suas informações, incluindo autores, ano de publicação, objetivos e principais resultados que estão sintetizadas na Tabela 1.  

Essa sistematização possibilitou uma visão comparativa das tendências e impactos das redes sociais na odontologia estética, evidenciando convergências entre os achados, bem como lacunas e desafios éticos emergentes no contexto digital contemporâneo.

Tabela 1 – estudos utilizados para a construção do corpus da pesquisa

Nº Nome / Autore s Título  Ano Objetivo Principais Resultados 
Abbasi, et al., Impact of Social Media on Aesthetic Dentistry: General Practitioners’ Perspectives 2022 Investigar a percepção de dentistas gerais sobre o impacto das redes sociais no aumento da demanda por procedimentos odontológicos estéticos. 90,7% dos dentistas notaram aumento nas demandas estéticas atribuídas às redes sociais; procedimentos estéticos mais citados: clareamento (54,7%), “Hollywood smile” (17,1%), facetas (11,9%), Invisalign (10,4%). A maioria usa redes para educação, propaganda e comunicação clínica; “antes e depois” é o formato preferido de promoção. 
Freire, et al., Influence of the use of social media on patients changing dental practice: a webbased questionnaire study 2023 Analisar se e como o uso de redes sociais pelos consultórios impacta na decisão de pacientes de trocar de consultório odontológico, e quais fatores influenciam essa escolha. Muitos pacientes consideram redes sociais dos consultórios como informação relevante, imagens, recomendações. Fatores de importância: reputação via redes, visuais de casos, proximidade geográfica, custo. O uso de redes sociais pode inclinar pacientes a escolher consultórios com presença digital mais forte. 
3Sanchéz et al.,Social media impact on 
students’ 
decision-making regarding aesthetic 
reatments based on cross-sectional survey data
2024Verificar em estudantes maiores de 18 anos 
usuários de redes sociais, como essas redes 
influenciam a decisão por 
tratamentos odontológicos estéticos, considerando sexo, tipo de tratamento e tempo desde o último tratamento
29,37% disseram que redes sociais influenciaram sua decisão estética; 
nenhuma diferença 
significativa entre sexos ou tipo de tratamento; influência maior entre 
quem fez procedimento no último ano; conteúdos de clínicas/dentistas são os mais influentes.
4Haleem, et al.,A cross-sectional study to 
determine impact of social media influencing patient choices in aesthetic dentistry
2025Avaliar impacto da exposição às redes sociais sobre 
escolhas de pacientes adultos em odontologia estética, no contexto da Arábia Saudita.
335 participantes: 
72,8% preferem redes sociais como canal 
primário de informação; impactos visuais e 
influência de pares têm papel relevante; confiança maior em experiência 
pessoal/familiar do que em testemunhos de celebridades; não se encontrou relação significativa entre influência e sexo ou idade.
5Ahmad et al.,Influence of Social Media towards Aesthetic Dentistry: Perspective of 
Patients in UKM KL Dental Clinic
2024Avaliar a influência das redes sociais na escolha de 
tratamentos estéticos 
odontológicos por pacientes, no contexto clínico 
universitário em Kuala Lumpur.
Dos 266 respondentes, 
~60,5% usam redes sociais como primeira fonte de informação estética dentária; ~58,3% confiam na informação obtida via redes; clareamento dental foi o tratamento mais desejado (~59,8%). Plataformas mais usadas: 
WhatsApp, Instagram e Tiktok
6Jeddah et al.,Effect of Social Media on 
Patient’s Perception of 
Dental Aesthetics in Saudi Arabia.
2022Avaliar impacto das redes sociais nas percepções dos 
pacientes que procuram 
tratamentos estéticos dentários, incluindo uso de plataformas, insatisfação com aparência dentária e preferências de tratamento.
Plataforma preferida: 
Snapchat (71,1%), seguida por Instagram (66,9%); 38,5% estavam insatisfeitos com a aparência dos dentes; preferido clareamento dental (63,8%); uso alto das redes para entretenimento/comuni
cação, mas também como fonte de influência estética.
7Rostamz adeh et al.,Aesthetic dentistry and ethics: a systematic review of marketing practices and overtreatment in 
cosmetic dental procedures”
2025Revisão sistemática para 
explorar práticas de marketing ético e problemas de over tratamento em procedimentos cosméticos 
odontológicos, à luz da crescente influência das redes sociais.
Redes sociais identificadas como 
fortes impulsionadoras das expectativas dos 
pacientes; práticas de 
marketing muitas vezes 
enfatizam estética sobre saúde; risco de realização de 
procedimentos 
desnecessários; 
necessidade de 
diretrizes éticas mais 
claras e educação em ética profissional.
8Aluaș et al.,Perspectives on 
Ethics Related to Aesthetic Dental 
Procedures 
Marketed on 
Social Media
2025Examinar a perspectiva de 
dentistas jovens sobre questões 
éticas relativas a 
procedimentos estéticos 
divulgados nas redes sociais
~60 % dos participantes identificaram 
preocupações éticas frente a pedidos 
estéticos motivados 
pelas redes; alertaram para a mudança de 
papel do dentista de 
cuidador para prestador de serviço.
9AlSheikh
, et al.,
Instagram and 
Aesthetic 
Dentistry: A Study of Accuracy, 
Engagement, and Content Quality
2025Avaliar a qualidade e o engajamento de publicações no 
Instagram relacionadas à odontologia 
estética em usuários árabes
Constatou que muitas postagens contêm 
informações imprecisas ou enganosas; 
violações do código 
odontológico foram 
identificadas (ex: uso de promessas, fotos manipuladas).
10Hassan et al.,Influence of 
Social Media on the Perception of Dentofacial 
Aesthetics: A 
Cross-Sectional Study
2024Avaliar o impacto das redes sociais na percepção da 
estética dentofacial na população geral do Paquistão
51,9 % dos participantes relataram influência dos 
padrões de beleza em redes sociais; 
insatisfação com 
estética facial após comparações com 
celebridades foi comum; usuários frequentes de redes tendem mais a 
buscar procedimentos estéticos.
11Silva e MouraA influência das mídias sociais na busca por 
tratamentos 
odontológicos 
estéticos entre jovens 
universitários brasileiros
2023Investigar como as redes influenciam a decisão de 
universitários 
brasileiros na escolha de 
tratamentos estéticos.
68% afirmaram ter buscado tratamentos após contato com conteúdos estéticos; 
Instagram e TikTok foram as plataformas mais citadas.
12Rodrigues e 
Campos
Aspectos éticos e a exposição de resultados 
estéticos em redes sociais por cirurgiões-dentista
2022Analisar a exposição de 
imagens de “antes e depois” e seus impactos éticos.
74% dos dentistas reconhecem o risco ético da exposição; 52% afirmam que o conteúdo gera pressão estética entre pacientes

Fonte: Dados da pesquisa (2025).  

A análise dos estudos selecionados para a pesquisa evidencia uma tendência crescente de influência das redes sociais sobre a percepção estética e o comportamento dos pacientes em relação à odontologia. Essa influência se manifesta tanto na procura por tratamentos estéticos dentários, como nas mudanças de expectativas, valores e padrões de beleza que moldam a prática clínica contemporânea.  

A literatura analisada demonstra que o fenômeno é global, sendo identificado em estudos realizados na Arábia Saudita (Haleem et al., 2025; Jeddah et al., 2022), Malásia (Ahmad et al., 2024), Paquistão (Hassan et al., 2024), Romênia (Aluaș et al., 2025) e em pesquisas internacionais (Abbasi et al., 2022; Rostamzadeh et al., 2025), o que indica um impacto transnacional das mídias sociais na área odontológica. No contexto brasileiro, Silva e Moura (2023) identificaram o mesmo padrão entre universitários, destacando que a exposição a sorrisos “perfeitos” nas redes cria uma busca por padrões estéticos muitas vezes distantes da realidade clínica e anatômica. 

De forma geral, a maioria dos estudos aponta que as redes sociais atuam como um vetor de informação e motivação para a busca por estética orofacial, especialmente por meio de plataformas visuais como Instagram, Snapchat e TikTok. Segundo Abbasi et al., (2022), 90,7% dos dentistas perceberam aumento nas demandas estéticas devido à exposição a essas mídias, com destaque para o clareamento dental e as lentes de contato.  

Esses resultados são corroborados por Ahmad et al., (2024), que observaram que mais de 60% dos pacientes utilizam as redes sociais como principal fonte de informação estética, o que reforça a ideia de que o ambiente digital se consolidou como espaço de formação de opinião e influência sobre o consumo odontológico. 

Por outro lado, diversos autores destacam riscos associados à influência digital, especialmente no que se refere à desinformação e à banalização dos procedimentos estéticos. O estudo de AlSheikh et al., (2025) identificou que grande parte das postagens no Instagram sobre odontologia estética contém informações imprecisas ou enganosas, frequentemente associadas a imagens manipuladas e promessas de resultados irreais. Essa prática, além de violar princípios éticos, pode comprometer a relação de confiança entre o profissional e o paciente, fomentando expectativas inalcançáveis e gerando frustração pós-tratamento. 

Esse aspecto é aprofundado por Rostamzadeh et al., (2025), que em revisão sistemática destaca que as redes sociais estimulam o marketing agressivo e o over tratamento, com ênfase no apelo visual e comercial em detrimento da saúde bucal. Tais achados reforçam a necessidade de diretrizes éticas e educacionais mais claras, a fim de equilibrar os interesses mercadológicos com a responsabilidade profissional. 

Aluaș et al., (2025) também ressaltam que cerca de 60% dos dentistas jovens identificam dilemas éticos diante de pedidos estéticos motivados por tendências digitais, alertando para a mudança do papel do cirurgião-dentista, de promotor da saúde a prestador de serviço estético, movido por demandas mercadológicas. 

O impacto psicológico da comparação social e da autoimagem digital é avaliado de maneira recorrente nos estudos. Hassan et al., (2024) observaram que mais da metade dos participantes relatou insatisfação com a estética facial após se comparar com celebridades e influenciadores nas redes. Esse achado converge com o de Sanchéz et al., (2024), que aponta que estudantes universitários, ao consumirem conteúdos estéticos, sentem-se mais inclinados a realizar procedimentos odontológicos, especialmente quando expostos a resultados de clínicas e profissionais renomados. 

Do ponto de vista clínico, a influência das redes sociais também têm alterado a relação profissional-paciente. Freire et al., (2023) demonstram que a presença digital dos consultórios se tornou um fator determinante na decisão de escolha do profissional, com pacientes valorizando reputação online, avaliações e imagens de resultados. Isso indica que o marketing digital, quando bem utilizado, pode se tornar uma ferramenta estratégica de comunicação e fidelização, desde que pautado pela transparência e veracidade.  

Entretanto, como observa Haleem et al., (2025), o uso indiscriminado das mídias também pode fomentar a mercantilização da estética, distanciando a odontologia de sua missão de promoção da saúde. 

Os resultados apontam para uma dualidade: de um lado, as redes sociais democratizam o acesso à informação e ampliam a visibilidade dos profissionais; de outro, criam um ambiente de pressão estética e competição digital que pode comprometer os princípios bioéticos da odontologia, autonomia, beneficência, não maleficência e justiça. A exposição excessiva a imagens padronizadas e o uso de filtros digitais podem intensificar a busca por resultados artificiais, o que desafia os dentistas a educar seus pacientes sobre limites biológicos e funcionais da estética orofacial (Freire et al., 2023; Sanchéz et al., 2024; Aluas et al., 2025).  

A influência das redes sociais na odontologia estética é multidimensional, envolve aspectos psicológicos, éticos, mercadológicos e clínicos. Os estudos convergem ao afirmar que o profissional deve atuar não apenas como executor de técnicas, mas como educador e orientador ético, capaz de equilibrar as demandas estéticas com os princípios da saúde e do bem-estar. O desafio é desenvolver práticas que abordem ciência, estética e ética, preservando a naturalidade e funcionalidade do sorriso, sem seguir tendências efêmeras e às pressões digitais. 

5. CONCLUSÃO  

As redes sociais exercem influência significativa nas práticas, percepções e valores associados à odontologia estética, transformando tanto o comportamento dos pacientes quanto a atuação dos profissionais. Os estudos revisados demonstram que plataformas como Instagram, TikTok e Snapchat tornaram-se principais fontes de informação e inspiração estética, contribuindo para a difusão de um ideal de sorriso “perfeito” amplamente divulgado por influenciadores e clínicas odontológicas. 

Contudo, essa tendência não se limita a um aspecto mercadológico, mas reflete mudanças socioculturais profundas, nas quais a estética bucal é cada vez mais associada à autoestima, status social e aceitação digital. Ao mesmo tempo, o fenômeno traz à tona dilemas éticos relevantes, como o risco de banalização dos procedimentos odontológicos, a exposição indevida da imagem dos pacientes e a promessa de resultados irreais. Essas práticas podem ferir os princípios estabelecidos pelo Código de Ética Odontológica (CFO) e comprometer a confiança entre profissional e paciente. 

O equilíbrio entre marketing digital e responsabilidade profissional se faz necessário, de modo que o uso das redes sociais sirva como ferramenta de educação em saúde, e não apenas como vitrine estética. Para isso, recomenda-se que os cirurgiões-dentistas desenvolvam competências em comunicação ética e digital, aliando a promoção da imagem profissional ao compromisso com o bem-estar e à segurança dos pacientes. 

REFERÊNCIAS 

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