TEMPORAL TREND OF HOSPITALIZATIONS DUE TO CONGENITAL SYPHILIS IN THE SOUTHERN STATES OF BRAZIL FROM 2014 TO 2023.
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202601141126
Giulia Salvador Martins1
Isadora Pacheco Espíndola2
Flavia Gheller Schaidhauer3
Emily Bruna Justino Ribeiro4
Resumo: Este estudo teve como objetivo analisar a tendência temporal das internações por sífilis congênita na Região Sul do Brasil no período de 2014 a 2023. Utilizou-se um estudo ecológico, de séries temporais, com dados do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/ SUS), registrados pelo CID 10 – A50.9. A análise estatística foi realizada por meio de regressão linear simples, estratificada segundo sexo, faixa etária por sexo e estado, considerando significância estatística para p<0,05. Foram contabilizadas 18.487 internações de crianças de 0 a 4 anos na região Sul envolvendo pacientes de ambos os sexos. Houve uma tendência de aumento na taxa geral de internações por sífilis congênita na Região Sul (p<0,05), com taxa média de 9,39 internações por 10 mil habitantes. O mesmo comportamento foi verificado no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, com taxa média respectivamente de 4,85; 6,42; 16,43 internações por 10 mil habitantes. Houve tendência de aumento em ambos os sexos. Em relação a faixa etária por sexo, no feminino verificou-se aumento na faixa etária <1 ano (p<0,05) e estabilidade na faixa etária 1-4 anos (p>0,05). Em contrapartida no masculino, observou-se aumento em ambas faixas etárias analisadas (p<0,05).
Palavras-chave: Sífilis, Sífilis Congênita, Atenção Primária à Saúde.
Abstract: This study aimed to analyze the temporal trend of hospitalizations due to congenital syphilis in the Southern Region of Brazil from 2014 to 2023. An ecological study of time series was conducted using data from the Sistema de Informações Hospitalares of the Sistema Único de Saúde (SIH/ SUS), recorded under ICD-10 – A50.9. Statistical analysis was performed using simple linear regression, stratified by sex, age group by sex, and state, considering statistical significance for p<0.05. A total of 18,487 hospitalizations of children aged 0 to 4 years were recorded in the Southern Region, involving patients of both sexes. There was a trend of increasing hospitalization rates for congenital syphilis in the Southern Region (p<0.05), with an average rate of 9.39 hospitalizations per 10,000 inhabitants. A similar trend was observed in Paraná, Santa Catarina, and Rio Grande do Sul, with average rates of 4.85, 6.42, and 16.43 hospitalizations per 10,000 inhabitants, respectively. An upward trend was noted for both sexes. Concerning age groups by sex, an increase was observed in the female population in the <1 year age group (p<0.05) while stability was noted in the 1-4 years age group (p>0.05). Conversely, in the male population, an increase was observed in both analyzed age groups (p<0.05).
Keywords: Syphilis, Congenital Syphilis, Primary Health Care.
Introdução
A infecção congênita é uma infecção transmitida da mãe para o feto durante a gestação, chamada de transmissão vertical, que pode ocorrer via transplacentária, perinatal ou durante o puerpério, através da amamentação1. Atualmente, as infecções congênitas compreendem um dos maiores desafios enfrentados pela saúde pública no Brasil, devido às inúmeras repercussões negativas causadas à vida fetal e neonatal. Entre suas principais consequências encontram-se as malformações congênitas, dificuldades de crescimento e desenvolvimento, alterações sensoriais e neurológicas, complicações sistêmicas e óbito2.
Dentro desse contexto a sífilis congênita é uma infecção causada pelo Treponema pallidum, uma bactéria espiroqueta, que acomete múltiplos sistemas e que apresenta importante desfecho clínico quando transmitida verticalmente. Denomina-se sífilis congênita (SC) todo paciente recém-nascido (RN), natimorto ou aborto espontâneo resultante de uma mãe com sífilis gestacional (SG) não-tratada ou tratada incorretamente durante a gestação 3. O diagnóstico da SG é realizado através da associação de testes não treponêmicos como o Veneral Disease Research Laboratory (VDRL), treponêmicos como o FTA-ABS e teste rápido imunoenzimático4. Esses testes são feitos na rotina do pré-natal no 1º e 3°trimestre, assim como no momento do parto5.
O tratamento materno só é considerado adequado quando realizado com benzilpenicilina benzatina, com esquema e dose ajustados de acordo com estágio da SG, e sendo efetuada a primeira dose pelo menos 30 dias antes do parto2. Ao nascer, todo RN de mãe com sorologia positiva, sem histórico de tratamento prévio adequado, deve ser investigado como caso de sífilis congênita por meio da comparação das titulações sorológicas e eficácia do tratamento materno, e se confirmado todo caso deve ser notificado. Além disso, deve ser realizada avaliação clínica, exames laboratoriais e radiológicos, uma vez que a maioria dos RN são assintomáticos6.
A sífilis congênita apresenta um quadro clínico de difícil diagnóstico, já que suas manifestações nem sempre são evidenciadas no nascimento. Seu quadro clínico é classificado com base na idade do aparecimento dos sintomas, sendo dividido em manifestações precoces, quando antes dos 2 anos, e tardias, quando após os 2 anos de idade. A principal forma de acometimento da sífilis congênita precoce é através de lesões mucocutâneas, altamente infecciosas, e alterações musculoesqueléticas, já a sífilis congênita tardia manifesta-se pela tríade de Hutchinson composta por: ceratite intersticial, malformações dentárias e surdez neurossensorial7. Diante dessas repercussões tão prejudiciais ao desenvolvimento infantil deve-se realizar o diagnóstico o quanto antes, uma vez que o início do tratamento precoce pode prevenir boa parte dessas manifestações8.
O tratamento da sífilis congênita pode ser realizado com benzilpenicilina benzatina em dose única via intramuscular ou com penicilina procaína/cristalina em doses seriadas via endovenosa durante 10 dias. Nas crianças, a escolha dessas medicações depende da síndrome clínica apresentada e/ou da relação da titulação dos testes não treponêmico da mãe e do RN9. Assim como no adulto, a validação do tratamento efetivo é realizada através do VDRL10.
Constantemente o sistema de saúde público encontra-se sobrecarregado pelas altas taxas de internações infantis causadas pela sífilis congênita. Entre os fatores contribuintes para essa sobrecarga podemos evidenciar a falha no diagnóstico e prevenção na atenção primária em saúde, as altas taxas de morbidade e mortalidade, tempo de internação e tratamento de alto custo, assim como a necessidade de medidas de saúde coletiva para acolher às famílias e crianças afetadas permanentemente pela sífilis congênita11.
Considerando todo o cenário da sífilis congênita e suas elevadas taxas de incidência, apesar da vasta quantidade de informações, disponibilidade de testes diagnósticos e tratamento há uma falha na gestão pública em saúde e de acesso à informação pela população. Por se tratar de uma patologia de alto impacto na saúde pública e de grande relevância epidemiológica é importante ressaltar que ela pode ser prevenida através da assistência pré-natal e tratamento contínuo e de qualidade, cuja disponibilidade depende do acesso à saúde de qualidade da população e gestão em saúde eficaz12.
Em 2022, no Brasil, a sífilis congênita teve 26.468 casos notificados e 20.414 internações hospitalares, onde 13,2% das notificações e 10,6% das internações residiam na região sul do país. Foi observada uma taxa de incidência de 10,3 casos/1.000 nascidos vivos (NV) no Brasil, onde a região Sul com 9,7 casos/1.000 NV obteve taxa abaixo da média nacional13. Dessa forma, o objetivo do presente estudo foi analisar a tendência temporal de internações por sífilis congênita nos Estados do Sul do Brasil no período de 2014 a 2023.
Métodos
Desenho do estudo e fonte de dados
Trata-se de um estudo ecológico, de séries temporais da tendência temporal de internações por sífilis congênita. O estudo foi realizado na Região Sul do Brasil a partir do banco de dados do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS), disponibilizado pelo Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS)14.
População em estudo
Foram analisadas as internações hospitalares por sífilis congênita na população da Região Sul do Brasil (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), em pacientes de ambos os sexos, com idade de 0 a 4 anos. Sendo contabilizados 18.487 casos, no período de 2014 a 2023.
Foram incluídas todas as internações hospitalares registradas por sífilis congênita, de acordo com a Classificação Internacional de Doenças CID-10, código A50.9 (CID definido pela ficha de notificação do SINAN).
Procedimentos
Foram coletados dados referentes às internações hospitalares, ocorridas em pacientes recém-nascidos e crianças de até 4 anos no período de 2014 a 2023 nos Estados da Região Sul. As variáveis dependentes incluíram a taxa de internações geral por sífilis congênita e as taxas específicas de internações por sexo, faixas etárias (menor que 1 ano e 1 a 4 anos) e por Estados da Região Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), calculados para cada 10.000 habitantes. A variável independente deste estudo foi o ano em que as informações foram coletadas, de janeiro de 2014 a dezembro de 2023.
Para o cálculo das taxas foram utilizados os dados populacionais das projeções da população das Unidades da Federação por sexo, idade simples e grupos de idade de 2010 a 2060 (edição 2018) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)15 e calculadas por meio da razão entre internações por sífilis congênita (Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, sexo e faixa etária por sexo), sendo apresentadas por 10.000 habitantes.
Análise estatística dos dados
A análise da tendência temporal, foi realizada através da regressão linear simples com a variação média anual das taxas (β), acompanhado pelos respectivos intervalos de confiança de 95% (IC95%), e da variação percentual (VP) entre as taxas do primeiro (2014) e último ano (2023), considerando-se estatisticamente significativos valores de p<0,05. Para o processamento dos dados e análise estatística, utilizou-se o programa Statistical Package for the Social Sciences (SPSS). Version 18.0. [Computer program]. Chicago: SPSS Inc; 2018.
Aspectos Éticos da Pesquisa
O estudo obedeceu aos preceitos éticos do Conselho Nacional de Saúde, em suas Resoluções n° 466/2012 e no 510/2016, e, por tratar-se de dados secundários de domínio público, não foi necessária a submissão no Comitê de Ética em Pesquisa.
Resultados
Foram analisadas 18.487 internações hospitalares por sífilis congênita na região Sul, de 2014 a 2023. O gráfico 1 apresenta as taxas de internação geral na região Sul e discriminado por estados. Foi verificada tendência de aumento na taxa geral de internação por SC (β=0,524; p=0,020; IC95%=0,109-0,939; VP=96,67) com taxa média de 9,39 internações por 10 mil habitantes.
O mesmo comportamento de aumento foi observado nas taxas de internação por sífilis congênita de acordo com cada estado da Região Sul: Paraná (β=0,336; p=0,023; IC95%=0,059-0,613; VP=153,13), Santa Catarina (β=0,625; p=0,015b; IC95%=0,157-1,094; VP=291,83) e Rio Grande do Sul (β=0,692; p=0,026b; IC95%=0,109-1,275; VP=62,44) com taxa média respectivamente de 4,85; 6,42; 16,43 internações por 10 mil habitantes. No estado do Rio Grande do Sul foi observada a maior taxa média de internações por 10 mil habitantes (16,43) e o Paraná, a menor (4,85).
Ao analisar a tendência nas taxas de internação por sífilis congênita segundo sexo, observa-se aumento em ambos (sexo feminino β=0,511; p= 0,033b; IC95% 0,54-0,969; VP=87,15; sexo masculino β= 0,536; p= 0,9; IC95% 0,155-0,917; VP=106,98).
Na análise das taxas de internação segundo faixa etária no sexo feminino, verificou-se aumento na faixa etária <1 ano (β= 2,775; p= 0,023; IC95% 0,483-5,066; VP=97,29) e tendência de estabilidade na faixa etária 1-4 anos (β= 0,001; p= 0,723; IC95% -0,003-0,004; VP=-52,23) com taxas médias respectivamente de 48,30 e 0,03 internações a cada 10 mil meninas.
Quanto as faixas etárias do sexo masculino, pode ser observado aumento nas taxas de internação nas faixas etárias analisadas, <1 ano (β= 2,867; p= 0,009; IC95% 0,951-4,783; VP=116,65), 1-4 anos (β= 0,005; p= 0,037; IC95% 0,000-0,100; VP=472,74), com taxas médias respectivamente de 45,24 e 0,02 internações a cada 10 mil meninos.
Gráfico 1. Taxa geral de internações por sífilis congênita na região Sul do Brasil.

Discussão
A análise dos dados do presente estudo revela um crescimento exponencial nas internações por sífilis congênita na Região Sul do Brasil entre os anos de 2014 e 2023. Este aumento nas taxas de hospitalização está diretamente associado à crescente incidência de sífilis adquirida e, consequentemente, à sífilis gestacional no país durante a última década16. Fatores como a ampliação do acesso ao pré-natal e a expansão na cobertura de testagem, especialmente com a introdução de testes rápidos, desempenharam um papel fundamental para o aumento do número de casos notificados nos últimos anos17,18. A implementação do Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Primária (PMAQ) em 2011 contribuiu significativamente para a melhoria da assistência prestada a mulheres grávidas19,20. Adicionalmente, o projeto “Sífilis Não!”, iniciado em 2018, promoveu uma adesão mais ampla aos testes rápidos ao veicular materiais educativos sobre a importância da prevenção, testagem e tratamento adequados para a erradicação da doença21,22.
Em consonância com nossos achados, Oliveira et al. destacam que a região Sul, junto com as regiões Sudeste e Centro-Oeste, apresentou um aumento considerável na incidência de casos notificados de sífilis congênita em comparação com outras regiões do Brasil16. Essa tendência é atribuída a melhorias na notificação de casos e ao aumento da disponibilidade de testes rápidos para triagem diagnóstica11. Estudos indicam que a subnotificação é mais prevalente nas regiões Norte e Nordeste, refletindo a heterogeneidade na qualidade da notificação compulsória de sífilis e corroborando os dados obtidos em nosso estudo, que também evidenciaram variações entre os estados do Sul23. Além disso, pesquisas indicam que a incidência de sífilis congênita é maior em áreas onde menos da metade dos serviços de atenção primária disponibiliza testes rápidos24. A ampla disponibilidade de testes na Região Sul, assim como na Região Centro-Oeste, facilitou um extenso rastreamento da sífilis congênita, demonstrando que essa acessibilidade contribui para uma maior identificação de casos11.
A maioria dos casos de sífilis congênita na Região Sul foi identificada em mães que realizaram acompanhamento pré-natal, com diagnóstico precoce de sífilis gestacional16. Contudo, a ampliação da capacidade diagnóstica não foi acompanhada por uma cobertura proporcional do tratamento em tempo adequado11. Entre 2013 e 2017, o Brasil enfrentou um desabastecimento de penicilina benzatina, procaína e cristalina, fármacos recomendados para o tratamento da sífilis gestacional e congênita25,26. Essa escassez resultou em uma redução na cobertura do tratamento, refletindo-se no aumento progressivo das internações por sífilis congênita, conforme demonstrado neste estudo, devido ao tratamento inadequado ou à ausência de tratamento em gestantes infectadas25,27.
Análises de séries temporais, a partir de dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), alertaram sobre oscilações regionais em relação ao aumento da sífilis congênita no Brasil16,17. Uma dessas análises observou que a Região Sul apresentou a maior tendência de crescimento entre 2011 e 2017, corroborando os resultados obtidos em nosso estudo17. Entre os estados do Sul, o Paraná revelou a menor taxa de crescimento nas hospitalizações por sífilis congênita, atribuída à implementação de políticas públicas que visam aprimorar a qualidade da assistência durante os períodos gestacional e neonatal, como a Rede Mãe Paranaense28-30. Entre 2013 e 2015, Londrina estabeleceu um observatório para sífilis gestacional e congênita, com o intuito de identificar falhas no pré-natal que poderiam contribuir para a infecção materno-fetal31. Desde 2014, as Unidades Básicas de Saúde (UBS) iniciaram a notificação adequada dos casos de sífilis adquirida, e a partir de 2016, as testagens para HIV e sífilis em gestantes foram intensificadas31. Tais medidas podem ter contribuído para um melhor rastreamento e uma redução dos desfechos negativos associados à sífilis congênita no estado.
No entanto, a Região Sul também abriga um dos principais focos de progressão da sífilis congênita, especialmente no Estado do Rio Grande do Sul. Pesquisas indicam que o município de Porto Alegre apresenta um dos maiores riscos espaço-temporais de transmissão vertical no Brasil16,32. O aumento substancial no número de casos notificados no estado do RS, corroborado pelos nossos resultados, pode ser atribuído à melhoria da vigilância epidemiológica e ao acesso ao sistema básico de saúde, impulsionado pela ampliação das equipes da Estratégia de Saúde da Família (ESF)31. Apesar das iniciativas de assistência à saúde, os elevados números de internação observados nesse estudo evidenciam que fatores socioeconômicos e demográficos, como baixa renda, escolaridade reduzida e alta migração populacional, continuam a agravar a incidência de sífilis congênita no estado do RS30,32. Além disso, altas taxas de internação demonstram que há insuficiência na qualidade do acompanhamento pré-natal ofertado, enfatizando a necessidade urgente de melhorias na capacitação das equipes da ESF implantadas com intuito de ampliar a atenção primária à saúde16.
Assim como observado em um estudo realizado em Minas Gerais, nossos achados demonstram que não foi encontrada uma diferença significativa na incidência de sífilis congênita entre crianças do sexo masculino e feminino no Sul do Brasil, independentemente da faixa etária, sugerindo que não existe uma relação entre o Treponema pallidum com a seletividade de gênero33.
Por outro lado, a prevalência de sífilis congênita entre as faixas etárias pediátricas na Região Sul demonstrou ser mais elevada nos primeiros 0 a 6 dias de vida33. Essa constatação pode justificar a alta taxa de internação registrada neste estudo, especialmente entre os menores de 1 ano, pois casos de sífilis congênita são diagnosticados no período neonatal imediato. Embora muitos neonatos não apresentem sinais clínicos durante o exame físico na sala de parto ou no período perinatal, a maioria dos diagnósticos ocorre na fase neonatal inicial, com poucos casos identificados tardiamente ou como natimortos devido à sífilis. Muitas crianças apresentam alterações laboratoriais, radiológicas ou sorológicas no período neonatal, o que justifica a maior taxa de internação em menores de 1 ano para tratamento adequado, enquanto as internações de crianças de 1 a 4 anos tendem a apresentar redução e estabilização8,34,35.
Entre as limitações na análise dos resultados deste estudo, destaca-se a escassez de pesquisas científicas diretamente relacionadas à internação por sífilis congênita, em contraste com a disponibilidade de dados sobre mortalidade. Além disso, os dados foram extraídos de uma base de domínio público (DATASUS/SIH), que pode ser incompleta e sujeita a subnotificações e vieses.
Portanto, os dados obtidos neste estudo avaliam a presença, eficiência e abrangência da atenção primária em saúde e da Estratégia de Saúde da Família (ESF) como elementos fundamentais para compreender a tendência de aumento das internações por sífilis congênita nos estados do Sul do Brasil entre 2014 e 2023.
Conclusões
Conclui-se que ocorreu um aumento, geral e por estados da Região Sul, da tendência de internação por sífilis congênita nos anos de 2014 a 2023. Um crescimento decorrente de múltiplos fatores, mostrando a colaboração positiva do aumento do número de testagens e de políticas de assistência ao pré-natal para um aumento concomitante de diagnósticos. Porém, o seguimento do pré-natal e o tratamento adequado ainda são fatores a serem melhorados para redução, tanto na taxa de incidência como na de internação, da sífilis congênita.
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1Discente do curso de Graduação em Medicina. Universidade do Sul de Santa Catarina – UNISUL – Campus Pedra Branca –Palhoça (SC) Brasil. Email: giulismartins@gmail.com. https://orcid.org/0009-0005-6518-5629
2Discente do curso de Graduação em Medicina. Universidade do Sul de Santa Catarina – UNISUL – Campus Pedra Branca –Palhoça (SC) Brasil. Email: isadora.p.espindola@gmail.com. https://orcid.org/0009-0008-3916-1377
3Médica Pediatra. Mestre em Pediatria. Docente do curso de Graduação em Medicina. Universidade do Sul de Santa Catarina – UNISUL – Campus Pedra Branca –Palhoça (SC) Brasil. Email: flavia.schaidhauer@ulife.com.br. https://orcid.org/0000-0001-6667-5076
4Bióloga. Doutora em Biologia Celular e do Desenvolvimento. Docente do curso de Graduação em Medicina. Universidade do Sul de Santa Catarina – UNISUL – Campus Pedra Branca – Palhoça (SC) Brasil. E-mail: emily.ribeiro@animaeducacao.com.br. https://orcid.org/0009-0001-3687-0396
