TELECONSULTA NUTRICIONAL EM ONCOLOGIA COMO ESTRATÉGIA DE MONITORAMENTO DO PERFIL ANTROPOMÉTRICO, HÁBITOS ALIMENTARES E PROMOVER PRÁTICAS DE EDUCAÇÃO NUTRICIONAL

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202507242342


Lavinia Cordeiro Ramos de Oliveira¹
Melani Souza de Lima¹
Mirian Patrícia Castro Pereira Paixão²


RESUMO

Introdução: A pandemia da COVID-19 impulsionou o uso da teleconsulta como alternativa para o acompanhamento nutricional de pacientes oncológicos, diante das restrições de acesso ao atendimento presencial. A telenutrição se apresenta como estratégia viável para monitoramento do estado nutricional e promoção de educação alimentar. Objetivo: Monitorar o estado nutricional e os hábitos alimentares de pacientes em tratamento oncológico por meio de teleconsultas, promovendo educação nutricional e contribuindo para a adesão ao tratamento. Metodologia: Estudo de abordagem quantiqualitativa, longitudinal, com 55 pacientes oncológicos adultos e idosos da Grande Vitória (ES), entre setembro de 2023 e setembro de 2025. Foram aplicadas anamnese clínica nutricional, avaliação do estado nutricional (IMC, CC, CP, ASG-PPP), recordatório alimentar de 24h, Escala de Práticas Alimentares e envio de materiais digitais de educação nutricional. A significância estatística foi avaliada para as variáveis de adequação da ingestão alimentar em relação às DRIs. Resultados: A maioria dos participantes era do sexo feminino (60%), idosos (54,5%), com baixa escolaridade e renda. Identificou-se que 50% apresentavam circunferência da panturrilha compatível com desnutrição e 48,15% estavam em desnutrição grave segundo a ASG-PPP. Observou-se ingestão inadequada de energia (84,6% dos adultos e 75,9% dos idosos), proteína (80% e 75,9%, respectivamente), cálcio (>96% inadequado), magnésio (>82%), vitamina B9 (85%-90%) e fibras (>79%), com significância clínica para risco nutricional. Apenas 12,7% apresentaram pontuação considerada adequada no questionário de alimentação saudável. Após as intervenções, 47,3% relataram melhora na qualidade da alimentação. Os dados apontam uma correlação entre baixa ingestão proteico-calórica e maior prevalência de desnutrição, especialmente entre os idosos, afetando negativamente a resposta ao tratamento oncológico. Conclusão: A telenutrição se mostrou eficaz no monitoramento do estado nutricional e na promoção de práticas alimentares mais saudáveis em pacientes oncológicos, sendo fundamental para o manejo da desnutrição e adesão ao tratamento. Os achados reforçam a importância da continuidade do cuidado nutricional remoto como ferramenta complementar no contexto oncológico.

Palavras-chave: Telenutrição, Câncer, Estado nutricional, Educação alimentar, Teleconsulta.

ABSTRACT

Introduction: The COVID-19 pandemic has driven the adoption of teleconsultation as an alternative for the nutritional follow-up of cancer patients due to restrictions on inperson care. Telenutrition has emerged as a viable strategy for monitoring nutritional status and promoting nutrition education. Objective: To monitor the nutritional status and eating habits of cancer patients through teleconsultations, promoting nutrition education and supporting treatment adherence. Methodology: This is a longitudinal, mixed-method (quantitative and qualitative) study involving 55 adult and elderly cancer patients from the Greater Vitória region (Espírito Santo, Brazil), conducted from September 2023 to September 2025. Clinical nutritional anamnesis, nutritional status assessment (BMI, WC, CC, PG-SGA), 24-hour dietary recall, and the Food Practices Scale were applied, along with the distribution of digital nutrition education materials. Statistical significance was evaluated for variables related to dietary intake adequacy based on DRIs. Results: Most participants were female (60%) and elderly (54.5%), with low educational and income levels. Half of the sample showed calf circumference indicative of malnutrition, and 48.15% were classified with severe malnutrition according to the PG-SGA. Inadequate intake of energy (84.6% of adults and 75.9% of the elderly), protein (80% and 75.9%, respectively), calcium (>96% inadequate), magnesium (>82%), vitamin B9 (85–90%), and fiber (>79%) was observed, indicating clinically significant nutritional risk. Only 12.7% scored adequately in the healthy eating questionnaire. After the interventions, 47.3% reported improvements in diet quality. Data indicated a correlation between low protein-calorie intake and a higher prevalence of malnutrition, especially among the elderly, negatively affecting cancer treatment outcomes. Conclusion: Telenutrition proved effective in monitoring nutritional status and promoting healthier eating habits among cancer patients, playing a crucial role in managing malnutrition and improving treatment adherence. These findings reinforce the importance of continuing remote nutritional care as a complementary tool in the oncology setting.

Keywords: Telenutrition, Cancer, Nutritional status, Nutrition education, Teleconsultation.

1 INTRODUÇÃO 

Durante estado de pandemia provocado pelo Covid-19 diversas mudanças ocorreram nos serviços de saúde, como a restrição de circulação e o distanciamento social, impossibilitando e desencorajando as pessoas a procurarem qualquer tipo de assistência, promovendo a necessidade de uma adaptação dos serviços de saúde a uma nova realidade (BRASIL, 2020). 

Nesta condição o telessaúde emergiu com a capacidade de proporcionar a prestação de serviços de saúde à distância por meio de comunicação através da tecnologia, como chamadas via celular, vídeo conferências, e-mail e outras técnicas disponíveis (Caetano et al., 2020). Segundo o estudo de Kelly e colaboradores (2020) o telessaúde possibilita um acompanhamento à distância, flexível, eficaz e econômico quanto ao modelo de atendimento tradicional recorrente aos aspectos geográficos, transporte e disponibilidade de atendimento (EZE; MATEUS; HASHIGUCHI, 2020; MEHTA et al., 2020). 

Dentro da telessaúde enquadra-se a telenutrição é um campo onde o nutricionista é apto a usufruir da tecnologia para implantar um modelo de atendimento remoto (PEREGRIN, 2019). Com as complicações causadas pela pandemia da Covid-19, foi estabelecida a resolução pelo Conselho Federal de Nutricionistas (CFN) CFN n° 666/2020 que define a teleconsulta em nutrição e a resolução CFN nº 646/2020, possibilitando que os nutricionistas realizem o cadastro na plataforma e-nutricionista, podendo assim realizar o teleatendimento (CFN, 2020). 

Além disso, o CFN também deliberou pela resolução CFN n° 684/2021 possibilitando que o nutricionista possa realizar seus serviços de maneira remota até o final da pandemia (CFN, 2021) e posteriormente essa resolução foi ampliada para que os atendimentos continuem por tempo indeterminado de acordo com preceitos éticos e normas de conduta estabelecido pela resolução CFN nº 760 /2023. Estudos apontam resultados significativos quanto ao uso da teleconsulta em nutrição na melhora de hábitos alimentares de indivíduos, apontando uma melhoria na qualidade da dieta por meio da telenutrição comparado ao atendimento tradicional (BALBINO e SPINELLI, 2022). Destaca-se também melhor ingestão de frutas e vegetais, perda ponderal de peso, além de adesão às consultas e satisfação dos pacientes por diversos métodos de intervenção nutricional via teleconsulta (ROLLO; HASLAM; COLLINS, 2020).  Em paralelo, o tratamento oncológico durante a pandemia de COVID-19 enfrentou inúmeros desafios e adaptações em resposta às exigências da situação de emergência de saúde global. A seguir, são descritas algumas das principais questões e mudanças ocorridas no manejo de pacientes oncológicos durante este período, com base em diversos estudos e relatórios: 

1 Interrupção e Adiamento de Tratamentos: Durante os primeiros meses da pandemia, muitos tratamentos oncológicos foram interrompidos ou adiados devido ao redirecionamento de recursos médicos para o combate à COVID-19 e à necessidade de minimizar a exposição dos pacientes ao vírus (Murphy et al., 2021). Estudos indicam que houve uma redução significativa no número de consultas, diagnósticos e procedimentos cirúrgicos relacionados ao câncer (Richards et al., 2020). 

2 Adoção da Telemedicina: Para reduzir o risco de infecção, muitas consultas de acompanhamento e triagem foram transferidas para plataformas de telemedicina. Embora esta mudança tenha sido bem recebida por alguns pacientes, especialmente aqueles que moram em áreas remotas, também apresentou desafios, como limitações tecnológicas e dificuldades em realizar exames físicos completos (Campos et al., 2020; Verma et al., 2020). 

3 Ajustes nos Protocolos de Tratamento: As equipes médicas precisaram ajustar os protocolos de tratamento para equilibrar os benefícios e os riscos associados à COVID- 19. Isso incluiu a priorização de tratamentos menos imunossupressores, a modificação de esquemas de quimioterapia e a utilização de terapias orais sempre que possível para reduzir as visitas aos hospitais (Pramesh et al., 2020). 

4 Impacto Psicológico nos Pacientes: A incerteza e o isolamento social exacerbados pela pandemia tiveram um impacto significativo na saúde mental dos pacientes oncológicos. O medo de contrair o vírus, juntamente com a preocupação com a possível progressão da doença devido ao adiamento de tratamentos, aumentou os níveis de ansiedade e depressão entre os pacientes (Zhou et al., 2020; Rocha et al., 2021). 

5 Desigualdades no Acesso ao Tratamento: A pandemia destacou e ampliou as desigualdades existentes no acesso ao tratamento oncológico. Pacientes de grupos socioeconômicos mais baixos e aqueles de minorias étnicas enfrentaram dificuldades adicionais para acessar cuidados adequados durante a pandemia (Patel et al., 2020; Solans et al., 2021). 

No Brasil, os carcinomas caracterizam o terceiro motivo de morte, ultrapassado apenas por doenças circulatórias e fatores externos. As neoplasias mais predominantes entre os homens brasileiros são o câncer de próstata e os do aparelho respiratório e, entre o sexo feminino, os tumores de mama, cólon e reto e colo do útero. Ademais, no país, o tumor com maior prevalência em ambos os sexos é o câncer de pele não melanoma (CASARI et al., 2021). No período de 2020 a 2022 a previsão é de que sejam registrados cerca de 625 mil novos casos de neoplasias malignas no Espírito Santo (ES). Além disso, carcinomas nas mamas, aparelho respiratório – traqueia, brônquios e pulmões – e próstata estão dentre os que mais mataram no estado, segundo os dados do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), Ministério da Saúde (MS) e levantamento da Secretaria Estadual da Saúde do Espírito Santo (SESA) (ESPÍRITO SANTO, 2021).

Os principais tratamentos para o câncer são a cirurgia, radioterapia e quimioterapia, podendo ou não serem ligados. Na cirurgia, ocorre a retirada da massa tumoral, a radioterapia é uma forma de tratamento capacitado para eliminar as células tumorais através da radiação ionizante aplicada exatamente no local do tumor (MANIGLIA et al., 2021). 

O tratamento quimioterápico tem como principal responsabilidade destruir as células cancerígenas que compõem o tumor (SCHEIN et al., 2006). Sua terapia age de modo sistêmico e se constitui no uso de fármacos, de modo a atuar na eliminação de células que apresentam uma alteração no seu processo de crescimento ou divisão (MATOSO et al., 2015). Como a relação com as células alvo não são específicas, os medicamentos antineoplásicos conseguem afetar células normais, em especial aquelas que se renovam frequentemente, resultando em efeitos inversos (MATOSO et al., 2015). 

A quimioterapia pode causar efeitos adversos no sistema digestório como náuseas, vômitos, irregularidades no paladar, mudanças de escolhas alimentares, mucosite, xerostomia, diarreia e constipação, provocando a diminuição da ingestão alimentar e, consequentemente, debilitação do estado nutricional do paciente (TARTARI et al., 2010). 

Tais manifestações resultam na dificuldade para comer, decorrendo na alteração de seus hábitos alimentares conforme os sintomas desfavoráveis do tratamento. Essa redução de ingestão alimentar acarreta a perda de peso e impacta diretamente na nutrição deste paciente, levando ao risco nutricional (VÉRAS et al., 2019). Em função dos efeitos adversos do tratamento antineoplásico e das diversas alterações metabólicas do próprio câncer, o indivíduo apresentará mudanças em sua composição corporal, gerando impacto no seu bem-estar, podendo implicar em desnutrição ou obesidade. 

Muitas transformações no processo assistencial decorrentes da pandemia foram mantidas no serviço mesmo após o retorno à normalidade. A telemedicina mostrouse útil na monitorização de sintomas de pacientes com câncer. Permitiu também, que pacientes e cuidadores se mantivessem em seus domicílios, reduzindo a necessidade de deslocamento e o risco de contágio de doenças como a covid-19 e outras pelo fato do paciente se encontrar muito debilitado (PINTO et al., 2023). Dessa forma, o atendimento remoto poderá facilitar o acompanhamento de pacientes oncológicos cujo traslado para a consulta presencial poderia gerar muita dor ou desconforto. O objetivo deste estudo foi monitorar o estado nutricional e hábitos alimentares  de pacientes oncológicos, utilizando teleconsultas para promover educação nutricional e aumentar a adesão ao tratamento, visando reduzir complicações nutricionais.

2 MATERIAL E MÉTODOS / METODOLOGIA

2.1 DESENHO DO ESTUDO

É uma pesquisa de campo descritiva explicativa, sendo de caráter longitudinal e de abordagem quantiqualitativa. Tamanho amostral será definido por estudo de coorte aberto, no qual foram selecionados 55 indivíduos de ambos os sexos, sendo a coleta de dados realizada entre setembro/2023 a setembro/2025.

Os voluntários foram selecionados em clínicas de Vitória-ES. Todos os inscritos, residentes na Grande Vitória (ES), serão convidados a participar, sendo informados do objetivo deste estudo e que terão como benefício a avaliação e diagnóstico do seu estado nutricional, prescrição dietética individualizada e aconselhamento nutricional enquanto durar o estudo. 

Foram estabelecidos como critério de inclusão neste estudo as seguintes características: indivíduos adultos e idosos em tratamento oncológico, com idade entre 20 a 80 anos que estão semi-hospitalizadas (fazem acompanhamento em hospital e, sendo do sexo feminino e masculino) e que estejam em acompanhamento em clinicas de Vitória-ES e que sejam capazes de se comunicar por vídeo chamada. Aqueles indivíduos que não atenderem o critério de inclusão foram excluídos da amostra, mas obtiveram todos os benefícios que podem ser ofertados por este estudo aos seus voluntários. 

O projeto foi apresentado ao Comitê de Ética e após aprovação, foi apresentado aos voluntários. Só participou do estudo aqueles, que ao serem orientados sobre os objetivos e concordarem em assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Os atendimentos foram realizados na Clínica integrada do Salesiano sob supervisão da nutricionista e orientadora deste projeto de pesquisa no qual foi efetuada a vídeo chamada com intuito de aplicar uma anamnese clínica nutricional, avaliação do estado nutricional e hábitos alimentares. 

2.2 ASPECTOS ÉTICOS

O estudo foi encaminhado ao Comitê de Ética do Centro Universitário Salesiano e aprovado, com CAAE de n° 80937724.5.0000.5068. Foi apresentado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Apêndice 1) para os participantes do estudo, que voluntariamente aceitaram participar da pesquisa. Os pesquisadores se comprometeram a manter o sigilo dos dados coletados, bem como a utilização destes exclusivamente com finalidade científica. Os indivíduos que participaram do estudo são informados sobre os procedimentos, dos possíveis desconfortos, riscos e benefícios do estudo, antes de assinar o termo de consentimento livre e esclarecido, segundo determina a Resolução 196 e 466 do Conselho Nacional de Saúde de 2012 (BRASIL, 2012).

2.3 COLETA DE DADOS

2.3.1 VARIÁVEIS SÓCIO-DEMOGRÁFICAS E ANAMNESE CLÍNICA NUTRICIONAL

Para a classificação do estado de saúde, foi utilizada a Avaliação Subjetiva Global Produzida Pelo Paciente (ASG-PPP), a qual permitiu identificar desnutrição no paciente oncológico através das classificações: A= Bem nutrido; B= moderadamente desnutrido ou suspeito de desnutrição e C= gravemente desnutrido. Esse instrumento é dividido em duas partes. Na primeira, o paciente preencherá o questionário com informações sobre: peso, sintomas, ingestão alimentar e capacidade funcional. A segunda parte refere informações sobre: doença, estresse metabólico e exame físico, cujos dados serão preenchidos pelo pesquisador, treinado por nutricionista. (GONZALEZ, et. al, 2010)

Para avaliar as variáveis sócio-demográfica foi aplicado um formulário em que as primeiras doze (12) perguntas abordarão questões referentes à identificação, sendo informado a idade, sexo, a escolaridade, a situação conjugal, renda familiar, ocupação/profissão, religião, procedência, nível de atividade física, doenças pré existêntes, consumo de bebida alcoolica e cigarro (Apêndice 2). (MENDES, et. al, 2020)

2.3.2 AVALIAÇÃO DO CONSUMO ALIMENTAR ANTES E APÓS O INTERVENÇÃO NUTRICIONAL

Para avaliar os hábitos alimentares atual foi aplicado o questionário “Como está sua alimentação?”, produzido originalmente pelo Ministério da Saúde (BRASIL, 2013).  Os critérios de avaliação são: ACIMA DE 41 PONTOS: Excelente! Parece que você tem uma alimentação saudável, em diversos aspectos. Continue engajado, leia as quatro recomendações apresentadas a seguir e identifique os aspectos que você pode melhorar; ENTRE 31 E 41 PONTOS: Siga em frente! Você está no meio do caminho para uma alimentação saudável. Leia as quatro recomendações apresentadas a seguir e identifique os aspectos que você pode melhorar; ATÉ 31 PONTOS: Para ter uma alimentação saudável e prazerosa, você precisa mudar. 

Para avaliação do consumo alimentar foi aplicado o recordatório 24 horas. A Escala de Práticas Alimentares validada por Gabe et al., (2019) para analisar a adesão dos participantes às orientações preconizadas pelo Guia Alimentar para a População Brasileira, também foi utilizada, gerando um escore de pontuação de acordo com as respostas prestadas pelos indivíduos (GABE; JAIME, 2019).

2.3.3 AVALIAÇÃO ESTADO NUTRICIONAL

Os dados antropométricos foram autorreferidos e informados pelos pacientes em todas as consultas conforme as orientações apontadas para obtenção dos mesmos. Também, foi solicitado ao paciente uma foto com a mesma roupa a cada 30 dias para monitorar possíveis mudanças físicas que possam interferir na composição corporal (CFN,2024).

As variáveis antropométricas coletadas são peso, altura, circunferência do braço e circunferência abdominal e circunferência da panturrilha. As orientações para coleta das informações foram enviadas ao paciente e baseadas no protocolo descrito no SISVAN e apresentadas por SAMPAIO et al (2012).

2.4 PROMOÇÃO DE PRÁTICAS DE EDUCAÇÃO NUTRICIONAL

Após o levantamento dos dados, foi realizada a elaboração de materiais de educação nutricional visando o manejo dos sintomas com impactos nutricionais. Para a produção dos materiais, foi realizada uma busca das orientações disponíveis no Guia de nutrição para pacientes e cuidadores: orientações ao usuário (INCA, 2020), e associando com a prática vivenciada nos teleatendimentos. Os materiais têm como objetivo ter uma linguagem clara e simples, para que o paciente consiga ter melhor compreensão do assunto abordado, além disso, traz imagens que remetem às orientações escritas. Esses materiais foram enviados digitalmente aos pacientes. 

3 RESULTADOS

Participaram da pesquisa 55 pacientes em tratamento oncológico, consistindo em 45,5% integrantes adultos e 54,5% idosos, sendo que a maioria dos participantes era do sexo feminino (60%). Evidenciou que a escolaridade da maioria era ensino fundamental, representando 61,8% da população estudada. Observou-se que a renda predominante dos entrevistados é de 1 salário mínimo (27,3%) e que, conforme sua ocupação/profissão, a maioria dos respondentes são aposentados (29,1%) e residem na região da Grande Vitória (78,2%) (Tabela 1).

Tabela 1 – Variáveis sociodemográficas em pacientes com câncer

Fonte: elaborado pelas autoras.

Conforme os aspectos clínicos, os tipos de cânceres que mais se destacaram foram os tumores do sistema digestivo e órgãos anexos (32,7%). O último ano foi o  maior número de diagnósticos da patologia, com 65,5%. A quimioterapia é a terapia mais predominante (54,5%). Os respondentes, em sua grande maioria, afirmaram que houve mudança em partes em sua alimentação (60%), sendo que 26 (47,6%) responderam que melhorou a alimentação e 26 (47,6%) responderam que não melhorou, podendo ser observado na Tabela 2.

Tabela 2 – Aspectos clínicos em pacientes com câncer

Fonte: elaborado pelas autoras.

Na avaliação antropométrica (Tabela 3), evidenciou-se que o índice de massa corporal dos adultos foi eutrofia, representado por 38,5%, enquanto o IMC dos idosos apresentou baixo peso com destaque, representado por 44,8%. Em relação às mudanças de peso nos últimos seis meses antecedentes à aplicação do questionário, foi possível inferir que 27 indivíduos (49,1%) não apresentaram perda de peso, sendo, destes, 16 respondentes (26,1%) obtiveram uma perda maior que 10%.

Tabela 3 – Estado nutricional dos pacientes oncológicos, segundo parâmetros antropométricos.

Fonte: elaborado pelas autoras

Segundo a ASG-PPP, 61,8% (n=34) dos integrantes do estudo afirmaram que ingeriu menos do que o habitual no último mês, sendo a dieta normal em quantidade reduzida o tipo de mudança mais relatada (81,8%). 54,5% dos respondentes afirmaram ter a capacidade funcional normal, sem disfunção. A demanda metabólica dos pacientes entrevistados foi de sem stress (87,35%). Ao final da ficha de avaliação, 48,15% (n=26) das pessoas foram classificadas como desnutrição grave (Tabela 4).

Tabela 4 – Avaliação subjetiva global em pacientes com câncer

Fonte: elaborado pelas autoras.

A tabela 5 demonstra o consumo alimentar em relação aos alimentos saudáveis consumidos pelos pacientes oncológicos que participaram da pesquisa. A respeito do consumo diário de frutas, 16 participantes (29,1%) consumiam 3 ou mais unidades/copos de suco por dia. A respeito do consumo de legumes e verduras, foi registrado o consumo de 3 ou menos colheres de sopa por dia (40%). Em relação as leguminosas, foi encontrado 61,1% de consumo de 2 ou mais colheres de sopa por dia das mesmas.

Cereais e tubérculos a porcentagem de 1 a 2 porções foi a mais predominante sendo de 63,6% (n=35). O total de carne e ovos foi 52,7% (n=29), sendo 2 pedaços, fatias ou colheres de sopa por dia. Leites e derivados apresentaram 58,2% sendo, destes, o consumo de 1 ou menos copo, pedaço, fatia ou porção por dia. Por fim, a respeito do tipo de laticínio, 60% (n=33) responderam que utilizam o integral (Tabela 5).

Tabela 5 – Hábitos alimentares saudáveis em pacientes com câncer.

Fonte: elaborado pelas autoras.

No que se refere a alimentação, a tabela 6 demonstrou o consumo de processados, ultraprocessados, carnes com gordura, frango com pele e bebida alcoólica dos participantes. A respeito de frituras, salgadinhos, carnes salgadas, hambúrgueres e embutidos, obteve prevalência de 49,1% (n=27) com um consumo de raramente ou quase nunca.

Em relação ao consumo de doces, bolos, biscoitos, refrigerantes e suco industrializados, foi relatado um consumo raramente ou quase nunca com 52,7% (n=29) das respostas. A respeito do consumo de carnes com gordura e frango com a pele, 67,3% (n=37) afirmaram que consomem o alimento de tal maneira. Por fim, 96,4% (n=53) dos indivíduos responderam que não ingerem nenhum tipo de bebida alcoólica (Tabela 6).

Tabela 6– Hábitos alimentares não saudáveis em pacientes com câncer

Fonte: elaborado pelas autoras.

Na tabela 7 é possível verificar que 84,6% dos adultos e 75,9% dos idosos apresentam baixo consumo energético. A ingestão de proteína encontra-se inadequada em 80% e 75,9% no público adulto e idoso, respectivamente. Além da baixa ingestão média para ambos de vitamina B9, potássio, fibras, cálcio e magnésio.

Tabela 7 – Média e desvio padrão da ingestão de energia, macronutrientes e  micronutrientes e porcentagem de adequação em relação às recomendações nutricionais (DRIs), após análise do recordatório alimentar de 24 horas (R24h).

Fonte: elaborado pelas autoras.

Foi desenvolvido materiais digitais de educação alimentar e nutricional (EAN) para ser entregue aos participantes durante o período de acompanhamento nutricional (Tabela 8). A temática foi selecionada para contemplar as demandas nutricionais pertinentes apontadas durante o acompanhamento nutricional. 

Tabela 8 – Materiais de educação nutricional

Fonte: elaborado pelas autoras.
4 DISCUSSÃO

A partir desse estudo, foi observado a maior incidência de câncer no público feminino (tabela 1) e o câncer de mama sendo o segundo mais presente no público estudado (tabela 2). Ainda na tabela 2, o tipo de tumor mais comum entre os respondentes foi os tumores do sistema digestório e órgãos anexos. Ao analisar o estado nutricional, na tabela 3, 50% (n=21) encontra-se desnutrido de acordo com a circunferência da panturrilha. 

Na tabela 4, é possível verificar por meio da ASG-PPP, que 48,15% (n=26) estão em estado nutricional de desnutrição grave e 33,3% (n=18) estão em risco de desnutrição. Ficou evidente, na tabela 5, o baixo consumo de fruta entre os 70,9% dos participantes, além do consumo reduzido de legumes e verduras entre 60% (n=33). De maneira conjunta, ao analisar a tabela 7, foi observado déficit no consumo energético e proteico. A desnutrição energético-proteica (DEP) é uma condição patológica causada pela ingestão inadequada de calorias e proteínas ou pelo aumento das necessidades nutricionais do organismo (MAHAN; RAYMOND, 2018). A DEP em pacientes oncológicos é muito frequente, em situação de desnutrição o sistema imune sofre alterações, já que é dependente da oferta adequada de aminoácidos para síntese de proteínas e polipeptídeos, e demais moléculas com funções importantes para o organismo  (TORREIAS; SILVA, 2022).

Dentro desse contexto, o tipo de tumor mais comum foi os tumores do sistema digestório e órgãos anexos. A DEP afeta todo o organismo, mas o trato gastrointestinal (TGI) é o mais afetado, com atrofia das vilosidades intestinais, redução das secreções digestivas, alteração da barreira intestinal entre outras condições que podem surgir a partir dessa condição, tudo isso contribuindo para o comprometimento da digestão e a absorção de nutrientes (TORREIAS; SILVA, 2022).  De maneira geral, existe um ciclo vicioso entre câncer e DEP, a patologia compromete o sistema digestório, e pode causar desnutrição ao afetar a ingestão e absorção de nutrientes, enquanto piora o estado nutricional e altera a capacidade do corpo de combater e tolerar tratamentos (BARROS et. al, 2020).

Na tabela 7, ao verificar o consumo de micronutrientes, o cálcio está com consumo inadequado. De acordo com os dados da Pesquisa BRAZOS (Brazilian Osteoporosis Study) (2007) revelou que 90% dos entrevistados ingeriram ⅓ (400 mg) da DRI de cálcio. O consumo suficiente deste mineral é importante, uma vez que está associado à prevenção de doenças, entre elas, o câncer. Estudos sugerem que ácidos graxos (AG) e bile não absorvidos podem irritar a mucosa, favorecendo o crescimento de células cancerígenas. Por outro lado, o cálcio desempenha um papel ao formar complexos com essas substâncias, neutralizando seus efeitos prejudiciais (SOUSA et al., 2023). 

Ocorre inadequação no consumo de fibras, consequência do baixo consumo de frutas, verduras e legumes evidenciado na tabela 5. Em concordância com Falco et al. (2023), sabe-se que as fibras são essenciais para o equilíbrio da microbiota intestinal, para o bom funcionamento do sistema digestivo e a sua ausência pode levar à constipação. A microbiota produz elementos essenciais para o metabolismo de compostos e substâncias que auxiliam a regulação do sistema imunológico. Esses elementos metabolizados pela microbiota têm a capacidade de ativação das células imunológicas, que atuam combatendo patógenos iniciando uma resposta imune. A microbiota influencia no câncer através desse mecanismo de regulação imunológica pela parede intestinal – a atividade imunológica se modifica quanto a integridade e permeabilidade intestinal, que por sua vez, é influenciada pelo consumo de fibras.  A desnutrição está associada ao prognóstico do câncer, e o acompanhamento por teleconsulta junto das ações de educação nutricional desenvolvidas são intervenções dietéticas que contribuem não apenas com tratamento, mas para a melhora dos sintomas e maior conforto do paciente no período sintomático e para a saúde intestinal (FALCO et al., 2023). Segundo Sadrekarimi et al. (2022), existe uma relação entre a melhoria dos hábitos alimentares e uma resposta mais favorável ao tratamento oncológico, no entanto, a adesão ao novo padrão alimentar durante a terapia contra o câncer pode ser um desafio por diversos obstáculos, como perda de apetite, dificuldade para engolir, mucosite e problemas em geral, entre outras patologias associadas.

5 CONCLUSÃO

O presente estudo evidenciou que pacientes oncológicos acompanhados por teleconsulta apresentam alto risco nutricional, especialmente pela elevada prevalência de desnutrição energético-proteica, inadequação na ingestão de micronutrientes essenciais e hábitos alimentares desequilibrados. A aplicação de ferramentas como a ASG-PPP, recordatório alimentar e escalas de práticas alimentares permitiu não apenas o diagnóstico do estado nutricional, mas também a construção de estratégias personalizadas de intervenção.

A telenutrição demonstrou-se uma alternativa viável, acessível e eficaz para o monitoramento contínuo do estado nutricional, especialmente em contextos de vulnerabilidade social e limitações físicas impostas pelo tratamento oncológico. O envio de materiais educativos contribuiu para a promoção da autonomia alimentar e o aumento da adesão ao tratamento dietoterápico.

Os resultados reforçam que a teleconsulta nutricional não deve ser encarada apenas como um recurso emergencial, mas como uma prática estruturada e integrada ao cuidado oncológico, com potencial de reduzir complicações clínicas, melhorar a qualidade de vida e favorecer melhores desfechos terapêuticos. Investimentos em políticas públicas que consolidem essa estratégia no SUS e na atenção oncológica suplementar são urgentes e necessários.

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¹Acadêmicas de Nutrição do Centro Universitário Salesiano – UniSales, Vitória, Espírito Santo, Brasil.

²Docente do Centro Universitário Salesiano – UniSales, Vitória, Espírito Santo, Brasil.