SÍNDROME DE TAKOTSUBO: A INFLUÊNCIA DO ESTRESSE NA SAÚDE CARDIOVASCULAR E A ABORDAGEM DA ENFERMAGEM

TAKOTSUBO SYNDROME: THE INFLUENCE OF STRESS ON CARDIOVASCULAR HEALTH AND THE NURSING APPROACH

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202503151134


Érika Prisilino1;  Yasmin Alves da Luz Souza2; Isabella Oliveira Angeli3; Ilarino José Ribeiro Filho4; Yasmin dos Santos Sala5; Natan Felipe da Rocha Máximo6; Emanuelly Garcia de Sousa Morais7; Bárbara Trevizani8; Andressa Pires Marins9; Vanilda Gomes Gimenez10


Resumo

Considerando a influência do estresse na saúde cardiovascular e sua relação com a Síndrome de Takotsubo (STk), destaca-se a relevância de compreender os fatores emocionais e fisiopatológicos envolvidos nessa condição. A STk é uma cardiomiopatia induzida por estresse que se manifesta de forma semelhante à síndrome coronariana aguda, mas sem obstrução significativa das artérias coronárias. Logo, torna-se essencial aprofundar o conhecimento sobre os mecanismos que desencadeiam essa síndrome e as estratégias de cuidado adotadas pela enfermagem para sua abordagem. Objetiva-se analisar a influência do estresse na saúde cardiovascular e o papel da enfermagem na abordagem da Síndrome de Takotsubo. Os objetivos específicos incluem compreender os mecanismos fisiopatológicos da síndrome, identificar os principais fatores de risco e gatilhos emocionais associados, discutir estratégias de prevenção e intervenção da enfermagem e destacar a importância do suporte psicossocial no cuidado integral ao paciente. Para tanto, procede-se à pesquisa de revisão de literatura por meio de materiais já publicados, constituindo-se de livros, artigos e periódicos científicos publicados nos últimos cinco anos (2020 a 2025). Como resultados, observou-se que a STk está diretamente associada a eventos estressores intensos e acomete principalmente mulheres pós-menopáusicas. Além disso, fatores emocionais como ansiedade e depressão aumentam a suscetibilidade à síndrome. A atuação da enfermagem é essencial tanto na prevenção, por meio da educação em saúde e manejo do estresse, quanto na intervenção, garantindo um atendimento humanizado e monitoramento clínico adequado. O que permite concluir que a abordagem multidisciplinar e o suporte psicossocial são fundamentais para o manejo da STk. 

Palavras-chave: estresse, enfermagem, saúde cardiovascular, síndrome de Takotsubo.

1. INTRODUÇÃO

A saúde cardiovascular é um tema de grande relevância na atualidade, considerando o aumento significativo das doenças cardíacas em diversas populações. Entre essas doenças, destaca-se a Síndrome de Takotsubo (STk), também conhecida como “síndrome do coração partido”, caracterizada por uma disfunção transitória do ventrículo esquerdo, geralmente desencadeada por episódios intensos de estresse físico ou emocional. Embora sua apresentação clínica se assemelhe à de uma síndrome coronariana aguda, a Síndrome de Takotsubo apresenta características distintas, como a ausência de obstrução significativa nas artérias coronárias (SANTOS, NOBRE, FERREIRA, 2022).

Portanto, o diagnóstico precoce e o manejo adequado são fundamentais para evitar complicações, uma vez que a síndrome pode levar a insuficiência cardíaca, arritmias e, em casos raros, morte súbita. Nesse contexto, a enfermagem desempenha um papel crucial na assistência ao paciente, tanto na fase aguda da síndrome quanto no suporte psicossocial, com o objetivo de minimizar os fatores de risco associados ao estresse (DOS SANTOS et al., 2022).

Considera-se que a atuação da enfermagem, por meio de estratégias de educação em saúde e monitoramento dos fatores estressores, pode reduzir a incidência e a gravidade da Síndrome de Takotsubo. Além disso, uma abordagem humanizada pode melhorar o prognóstico dos pacientes, minimizando os impactos emocionais e fisiológicos do estresse sobre o sistema cardiovascular (LIMA, NASCIMENTO PAZ, 2021).

Para uma compreensão aprofundada da Síndrome de Takotsubo (STk) e da sua abordagem pela enfermagem, é necessário, inicialmente, entender seus mecanismos fisiopatológicos e sintomatologia, bem como os principais fatores de risco e gatilhos emocionais associados (SANTOS, NOBRE, FERREIRA, 2022). Assim sendo, passaremos à exposição dos aspectos clínicos e epidemiológicos da STk, destacando sua prevalência, fatores predisponentes e possíveis complicações. A síndrome, muitas vezes subdiagnosticada, exige uma abordagem criteriosa para diferenciação de outras cardiopatias, tornando fundamental o conhecimento detalhado de sua fisiopatologia e das manifestações clínicas (DOS SANTOS et al., 2022).

1.1 MECANISMOS FISIOPATOLÓGICOS DA SÍNDROME DE TAKOTSUBO E SINTOMATOLOGIA

A Síndrome de Takotsubo é uma condição cardíaca que ocorre após um grande choque emocional ou físico, como a perda de um ente querido, um acidente ou até uma cirurgia. Ela é semelhante a um infarto, pois os pacientes apresentam dor no peito, falta de ar e, em alguns casos, podem até desmaiar. No entanto, ao realizar os exames, os médicos percebem que as artérias do coração não estão obstruídas, como ocorre em um infarto comum (SANTOS, NOBRE, FERREIRA, 2022).

Severo (2022) explica que essa síndrome provoca uma alteração temporária na função do coração, especialmente no ventrículo esquerdo, responsável por bombear o sangue para o corpo. Em muitos casos, essa parte do coração adquire um formato semelhante a um pote japonês chamado “Takotsubo”, usado para capturar polvo, o que deu nome à síndrome.

Segundo Costa et al. (2021), os especialistas acreditam que essa condição ocorre devido à liberação excessiva de hormônios do estresse, como a adrenalina, durante situações de grande estresse, o que pode sobrecarregar o coração e prejudicar temporariamente seu funcionamento. Felizmente, a maioria dos pacientes se recupera completamente em poucas semanas, sem danos permanentes. De acordo com Santos, Nobre e Ferreira (2022), estima-se que cerca de 7% dos pacientes inicialmente diagnosticados com infarto na verdade tenham a Síndrome de Takotsubo. Isso enfatiza a importância de um diagnóstico correto para evitar tratamentos desnecessários e garantir que o paciente receba o cuidado adequado.

Em relação à fisiopatologia da síndrome, vários fatores têm sido associados ao seu desenvolvimento, incluindo a ativação exagerada do sistema nervoso simpático, alterações no funcionamento dos pequenos vasos sanguíneos do coração e espasmos nas artérias coronárias (SEVERO, 2022). Segundo Neto et al. (2024, p. 1116):

“Apesar de ainda não se conhecer exatamente a causa dessa condição, várias hipóteses têm sido propostas para explicar seu desenvolvimento. Atualmente, as explicações mais aceitas envolvem a toxicidade das catecolaminas (hormônios do estresse, como a adrenalina) e a disfunção dos vasos sanguíneos do coração. Além disso, acredita-se que essa síndrome esteja relacionada a um complexo mecanismo envolvendo o cérebro e o sistema endócrino, incluindo o eixo Hipotálamo-Pituitária-Adrenal (HPA), que regula a resposta do corpo ao estresse.”

O funcionamento da síndrome é complexo e está relacionado à forma como o coração responde a um estresse intenso, seja emocional ou físico, ou até mesmo à administração de substâncias que estimulam o sistema nervoso simpático, como certos medicamentos. Existem dois aspectos principais a serem considerados: primeiro, a forma como o cérebro e o eixo HPA percebem o estresse e regulam a liberação de adrenalina e noradrenalina; e, segundo, como o coração e o sistema nervoso reagem a essa ativação repentina (LIMA, NASCIMENTO PAZ, 2021).

Estudos mostram que os níveis de catecolaminas no sangue de pacientes com STk são significativamente mais elevados do que o normal e até superiores aos encontrados em pessoas com insuficiência cardíaca causada por infarto. Além disso, medicamentos que estimulam o coração, como a dobutamina usada em testes de esforço, também podem desencadear a síndrome (SANTOS, NOBRE, FERREIRA 2022).

Além disso, a inflamação tem sido apontada como um fator importante no desenvolvimento da STk. Nesse sentido, um estudo realizado por Scally et al. (2019) acompanhou 55 pacientes com a síndrome e comparou seus exames com um grupo controle de 51 pessoas saudáveis. Os pesquisadores analisaram o coração dos participantes por meio de ressonância magnética e avaliaram a presença de substâncias inflamatórias no sangue. Os resultados mostraram que os pacientes com STk apresentavam inflamação no músculo cardíaco e níveis elevados de substâncias inflamatórias, como interleucina-6 (IL-6), interleucina-8 (IL-8) e CXCL1. Embora essa inflamação tenha diminuído após cinco meses, ainda persistiam sinais de inflamação crônica, sugerindo que a STk pode ter um impacto prolongado no organismo.

Talib et al. (2023) destacam que a STk pode ser desencadeada por uma variedade de situações estressantes, como a perda de um ente querido, conflitos familiares, divórcio, falar em público, câncer, quimioterapia, infecções, diarreia, anestesia geral e até procedimentos médicos como a cardioversão. Durante a pandemia de COVID-19, observou-se um aumento de 5,95% nos casos de Takotsubo, sugerindo uma possível relação entre o vírus e a doença (CANDIDO et al., 2023).

A síndrome afeta predominantemente as mulheres, com uma proporção de nove mulheres para cada homem diagnosticado, o que sugere uma possível influência dos hormônios femininos ou até um subdiagnóstico em homens. Segundo Santos, Nobre e Ferreira (2022, p. 3):

“Antes, acreditava-se que essa condição afetava principalmente mulheres após a menopausa, mas estudos mostraram que pessoas mais jovens também podem desenvolvê-la. Pacientes com menos de cinquenta anos, inclusive, podem apresentar formas mais graves da síndrome, com necessidade de internação em unidade de terapia intensiva.”

Em relação à sintomatologia da síndrome, geralmente ela se inicia com uma súbita dor no peito, dificuldade para respirar (dispneia) e, em alguns casos, colapso circulatório. Esses sintomas são semelhantes aos observados em um infarto agudo do miocárdio (IAM), o que pode levar a diagnósticos equivocados, tanto por equipes de emergência quanto por médicos que atendem os pacientes nas emergências hospitalares. Além disso, exames como o eletrocardiograma (ECG) e a dosagem de biomarcadores cardíacos também podem mostrar padrões compatíveis com o IAM tornando o diagnóstico diferencial desafiador (SANTOS, NOBRE, FERREIRA, 2022).

Embora ocorra predominantemente em mulheres pós-menopausa, a STk pode afetar também mulheres mais jovens, homens, crianças e até mesmo recém-nascidos, evidenciando a variabilidade etária da doença e a necessidade de atenção a diferentes perfis de pacientes (DOS SANTOS et al., 2022).

A principal característica da STk é a disfunção transitória do movimento da parede do ventrículo esquerdo (VE). Normalmente, observa-se hipocinesia ou acinesia dos segmentos médio-ventricular e apical, enquanto os segmentos basais permanecem hipercontráteis (PACE et al., 2025). No entanto, existem variantes da síndrome que afetam apenas partes específicas do VE, como as regiões médio-ventriculares, basais ou focais, representando cerca de 25% dos casos diagnosticados. Como consequência, a fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) frequentemente está gravemente reduzida, enquanto a pressão diastólica final do ventrículo esquerdo (PDFVE) pode estar significativamente elevada, refletindo comprometimento agudo tanto da função sistólica quanto diastólica do VE (NAPP, BAUERSACHS, 2020).

Uma característica distintiva da STk é a rápida recuperação da função do VE, com a normalização das alterações na movimentação da parede cardíaca dentro de um período de dias a semanas. A confirmação desse processo por meio de exames de imagem é essencial para o diagnóstico definitivo da doença, a menos que o paciente evolua para óbito antes da realização desses exames (PACE et al., 2025).

Quanto à recorrência, estima-se que a STk possa reaparecer em cerca de 1,8% dos casos a cada ano por paciente. Além disso, até 5% dos pacientes que sobrevivem ao primeiro evento podem ter um novo episódio dentro de um intervalo médio de 3,8 anos, reforçando a importância do acompanhamento clínico a longo prazo desses pacientes (NAPP, BAUERSACHS, 2020; SANTOS, NOBRE, FERREIRA, 2022).

Portanto, a STk é uma condição cardíaca transitória frequentemente desencadeada por estresse emocional ou físico intenso, levando a alterações temporárias na função do ventrículo esquerdo. Seu mecanismo fisiopatológico envolve a ativação exacerbada do sistema nervoso simpático, aumento da liberação de catecolaminas, disfunção microvascular e processos inflamatórios, resultando em uma disfunção aguda, mas reversível, do miocárdio. A sintomatologia da STk se assemelha à de um infarto agudo do miocárdio, com dor torácica e dispneia, o que pode levar a diagnósticos equivocados. No entanto, exames mais aprofundados revelam que, ao contrário do infarto, as artérias coronárias permanecem desobstruídas. Dessa forma, um diagnóstico preciso e a compreensão de seus mecanismos fisiopatológicos são essenciais para um manejo adequado da síndrome, evitando tratamentos desnecessários e garantindo o suporte clínico adequado aos pacientes afetados.

1.2 PRINCIPAIS FATORES DE RISCO E GATILHOS EMOCIONAIS ASSOCIADOS À SÍNDROME 

A Síndrome de Takotsubo é uma condição cardíaca temporária frequentemente precipitada por estresse emocional ou físico intenso. Embora a fisiopatologia exata da STk ainda não seja totalmente compreendida, diversos fatores de risco e gatilhos emocionais estão intimamente associados ao seu desenvolvimento.

Um dos principais fatores de risco para a STk é o sexo feminino, especialmente em mulheres pós-menopáusicas. Estudos indicam que aproximadamente 90% dos casos ocorrem em mulheres com idades entre 66 e 70 anos. Acredita-se que a redução dos níveis de estrogênio após a menopausa possa aumentar a vulnerabilidade ao estresse cardiovascular, o que contribui para a maior incidência dessa síndrome entre mulheres dessa faixa etária (MOURA et al., 2024).

Além do sexo e da idade, fatores psicológicos desempenham um papel crucial na predisposição à STk. Indivíduos com histórico de transtornos de ansiedade, depressão ou outras condições psiquiátricas apresentam um risco elevado de desenvolver a síndrome. A presença desses transtornos pode amplificar a resposta ao estresse, potencializando os efeitos adversos no sistema cardiovascular (FERNANDES, MONTERA, 2020).

Eventos estressantes agudos são frequentemente identificados como gatilhos para a STk. Situações como a perda de um ente querido, conflitos familiares intensos, diagnósticos médicos adversos ou experiências traumáticas podem precipitar o aparecimento dos sintomas. A resposta emocional intensa a esses eventos é considerada um fator desencadeante fundamental para o desenvolvimento da síndrome (FERNANDES, MONTERA, 2020).

Curiosamente, eventos positivos ou de grande impacto também podem atuar como gatilhos para a STk, embora em menor frequência. Casamentos, celebrações ou notícias extremamente positivas podem gerar uma resposta emocional intensa o suficiente para desencadear a síndrome. Este fenômeno é comumente referido como “Síndrome do Coração Feliz” (DOS SANTOS et al., 2022).

Fatores de risco cardiovasculares tradicionais, como hipertensão arterial sistêmica, tabagismo, dislipidemia e diabetes mellitus, também estão associados à STk. Embora a síndrome possa ocorrer em indivíduos sem doenças cardíacas pré-existentes, a presença desses fatores pode aumentar a suscetibilidade ao seu desenvolvimento (LYON et al., 2021).

O uso de substâncias e medicamentos também pode atuar como fator precipitante para a STk. Drogas que aumentam os níveis de catecolaminas, como certos antidepressivos, podem desencadear a síndrome em indivíduos suscetíveis. Além disso, o consumo excessivo de álcool e o uso de substâncias ilícitas estimulantes têm sido associados a casos de STk (SEVERO et al., 2022).

Procedimentos médicos e cirúrgicos podem igualmente atuar como gatilhos físicos para a STk. Intervenções cirúrgicas de grande porte, o uso de anestesia geral e até mesmo procedimentos diagnósticos invasivos podem induzir a síndrome, provavelmente devido ao estresse físico e emocional relacionados a essas situações (MATOS FILHO et al., 2023).

A compreensão dos fatores de risco e gatilhos associados à STk é crucial para um diagnóstico precoce e manejo adequado da condição. Profissionais de saúde devem estar atentos aos antecedentes clínicos e emocionais dos pacientes, especialmente nas populações de risco, a fim de identificar precocemente os sinais e sintomas da síndrome (MATOS FILHO et al., 2023).

Estratégias de prevenção podem incluir o manejo eficaz do estresse, o tratamento adequado de transtornos psiquiátricos e o controle rigoroso dos fatores de risco cardiovasculares. A educação dos pacientes sobre a importância de buscar apoio emocional e manter um estilo de vida saudável pode contribuir significativamente para a redução da incidência da STk (DOS SANTOS et al., 2022). Portanto, o artigo tem como objetivo geral analisar a influência do estresse na saúde cardiovascular e o papel da enfermagem na abordagem da Síndrome de Takotsubo.

2. METODOLOGIA 

O presente artigo teve como abordagem metodológica a da pesquisa qualitativa, na qual ocorre a junção de dados, fatos e informações importantes, sem levar em consideração a coleta de números, mas sim a qualidade dos dados coletados. Nesse sentido, Lakatos e Marconi (2021, p. 220) esclarecem que a pesquisa qualitativa não requer o uso de métodos e técnicas estatísticas, visto que o ambiente natural é o meio direto para a coleta de dados e o pesquisador é o instrumento-chave.

Logo, o pesquisador que busca a organização e desenvolvimento de uma pesquisa qualitativa, buscam explicações e fatos para o que observa em populações alvo de estudo, empregando-se de técnicas e instrumentos de coleta dos dados que supram essa necessidade.

Trata-se de uma pesquisa exploratória, na medida em que seu objetivo é possibilitar maior familiaridade com o problema. Não obstante, Gil (2007) nos ensina que a pesquisa exploratória envolve o levantamento bibliográfico.

Com relação aos procedimentos técnicos, foi desenvolvida uma pesquisa de revisão de literatura por meio de materiais já publicados, constituindo-se de livros, artigos e periódicos científicos publicados nos últimos cinco anos  (2020 a 2025). Como base de dados para a busca de artigos, utilizou-se o PubMed e Scientific Electronic Library Online (SciELO). As palavras-chave utilizadas para a busca foram: Síndrome de Takotsubo; fisiopatologia; fatores; assistência da enfermagem.

 Por fim, a primeiro momento foi realizada a leitura dos títulos dos artigos, seguida da leitura dos resumos, e leitura na integra. Foram incluídos os artigos que estivessem disponíveis de forma gratuita na sua integralidade e que trabalhassem com os objetivos do propostos, sendo excluídos aqueles quem não trabalhassem com esses objetivos.

3. RESULTADOS E DISCUSSÕES 

síndrome coronariana aguda, mas sem obstrução significativa das artérias coronárias. Embora a fisiopatologia da STk não seja completamente compreendida, acredita-se que o estresse físico ou emocional intenso desempenhe um papel crucial em seu desenvolvimento. Nesse contexto, a enfermagem assume uma função fundamental na prevenção e intervenção dessa condição, oferecendo cuidados integrais e humanizados aos pacientes.

A prevenção da STk envolve, inicialmente, a identificação de indivíduos em risco, especialmente mulheres pós-menopáusicas, que constituem a maioria dos casos. Profissionais de enfermagem devem estar atentos a pacientes com histórico de transtornos psiquiátricos, como ansiedade e depressão, pois esses fatores aumentam a suscetibilidade à síndrome (CAMPOS et al., 2020). Além disso, é essencial considerar eventos recentes de estresse significativo na vida do paciente, sejam eles negativos, como perdas pessoais, ou até mesmo positivos, como celebrações intensas (SILVA et al., 2023).

A educação em saúde é uma estratégia preventiva crucial. Enfermeiros podem promover sessões educativas que abordem técnicas de manejo do estresse, incentivando práticas como meditação, exercícios físicos regulares e atividades de lazer. Orientar os pacientes sobre a importância de uma alimentação equilibrada e do abandono de hábitos nocivos, como o tabagismo e o consumo excessivo de álcool, também contribui para a redução dos riscos associados à STk (FERRIERA et al., 2024).

No contexto hospitalar, a intervenção precoce é essencial para minimizar as complicações da STk. Ao identificar sintomas sugestivos, como dor torácica e dispneia, o enfermeiro deve agir prontamente, realizando avaliações clínicas detalhadas e comunicando imediatamente a equipe médica. A monitorização contínua dos sinais vitais e a observação de alterações eletrocardiográficas são práticas essenciais nesse cenário.

A assistência de enfermagem também abrange o suporte emocional ao paciente. Dada a estreita relação entre estresse e STk, oferecer um ambiente acolhedor e seguro é imprescindível. Encorajar o paciente a expressar seus sentimentos e preocupações pode aliviar a carga emocional e contribuir para a recuperação. Além disso, envolver a família no processo de cuidado fortalece a rede de apoio, proporcionando conforto adicional ao paciente (RAMOS, DE SOUSA, 2024).

A comunicação eficaz entre a equipe multidisciplinar é outro aspecto fundamental na gestão da STk. O enfermeiro atua como um elo entre os diferentes profissionais de saúde, garantindo que as informações relevantes sobre o estado do paciente sejam compartilhadas de maneira clara e precisa. Essa colaboração otimiza o plano terapêutico e assegura uma abordagem coesa no cuidado (PINTO, DA CRUZ, 2021).

Após a fase aguda, o acompanhamento contínuo é necessário para prevenir recorrências. Enfermeiros devem orientar os pacientes sobre a importância de aderir às consultas de retorno e aos tratamentos prescritos. Além disso, reforçar as estratégias de manejo do estresse e promover grupos de apoio pode ser benéfico para a manutenção da saúde emocional e cardiovascular.

A capacitação contínua dos profissionais de enfermagem é essencial para aprimorar a qualidade do cuidado oferecido aos pacientes com STk. Participar de cursos e atualizações científicas permite ao enfermeiro manter-se informado sobre as melhores práticas e avanços no manejo da síndrome, refletindo em uma assistência mais eficaz e baseada em evidências (PINTO, DA CRUZ, 2021).

A pesquisa em enfermagem também desempenha um papel significativo na compreensão e aprimoramento das intervenções relacionadas à STk. Incentivar estudos que investiguem novas abordagens de cuidado, bem como a eficácia de diferentes estratégias de prevenção, contribui para o avanço do conhecimento e para a melhoria contínua das práticas assistenciais (DO NASCIMENTO et al., 2021).

Por fim, é importante ressaltar as principais limitações dos estudos sobre a STk, que envolvem a falta de entendimento completo sobre sua fisiopatologia e a variabilidade nos critérios diagnósticos. Embora a relação entre estresse e a síndrome seja bem estabelecida, os mecanismos exatos que desencadeiam a disfunção ventricular transitória ainda não são totalmente compreendidos. Além disso, muitos estudos apresentam amostras pequenas, com predominância de mulheres pós-menopáusicas, dificultando a generalização dos achados para outros grupos populacionais. Outro desafio é a distinção entre STk e outras cardiomiopatias relacionadas ao estresse, o que pode levar a diagnósticos imprecisos. A ausência de diretrizes terapêuticas padronizadas também limita a eficácia do manejo clínico da condição, tornando o tratamento muitas vezes baseado em abordagens empíricas (PINTO, DA CRUZ, 2021).

Diante dessas limitações, pesquisas futuras devem focar no aprofundamento dos mecanismos fisiopatológicos da STk, utilizando técnicas avançadas de imagem cardíaca e biomarcadores específicos para melhorar a precisão diagnóstica (GONÇALVES et al., 2024). Estudos multicêntricos e com amostras mais diversificadas podem contribuir para uma melhor compreensão dos fatores de risco e das variações clínicas da síndrome (DO NASCIMENTO et al., 2021).

4. CONCLUSÃO / CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este artigo analisou a influência do estresse na saúde cardiovascular, com ênfase na Síndrome de Takotsubo (STk) e no papel da enfermagem em sua abordagem. Através de uma revisão de literatura, observou-se que a STk é uma cardiomiopatia induzida pelo estresse, frequentemente confundida com a síndrome coronariana aguda, mas que não apresenta obstrução significativa das artérias coronárias. Embora sua fisiopatologia ainda não esteja completamente esclarecida, evidências sugerem que a liberação excessiva de catecolaminas e a disfunção transitória do miocárdio desempenham um papel fundamental no seu desenvolvimento.

Os resultados desta pesquisa corroboram a ideia de que fatores emocionais e psicológicos têm impacto direto na ocorrência da STk. A maioria dos casos ocorre em mulheres pós-menopáusicas, e indivíduos com histórico de transtornos como ansiedade e depressão apresentam maior predisposição ao desenvolvimento da síndrome. Além disso, eventos de grande impacto emocional — sejam negativos ou positivos — podem atuar como gatilhos para o seu surgimento. Dessa forma, torna-se essencial a adoção de estratégias para a identificação precoce de indivíduos em risco e para a redução dos fatores desencadeantes.

A enfermagem desempenha um papel central na assistência aos pacientes com STk, tanto durante a fase aguda quanto na recuperação. A implementação de medidas preventivas, como a educação em saúde, o incentivo ao manejo do estresse e o monitoramento contínuo dos sinais clínicos, contribui significativamente para melhores desfechos. No ambiente hospitalar, a atuação da equipe de enfermagem é essencial para a identificação rápida dos sintomas, a realização de avaliações clínicas precisas e a comunicação eficaz com outros profissionais de saúde, garantindo a segurança do paciente.

Outro aspecto relevante é a necessidade de um suporte psicossocial efetivo, visto que a STk está diretamente associada a eventos estressores. O acolhimento emocional, a escuta ativa e a inclusão da família no processo de recuperação podem ajudar a reduzir a recorrência da síndrome e promover um maior bem-estar ao paciente. Além disso, a capacitação contínua dos profissionais de enfermagem para lidar com os aspectos emocionais da assistência favorece uma abordagem mais humanizada e eficaz.

Este estudo contribui para a ampliação do conhecimento sobre a STk e reforça a importância de uma abordagem multidisciplinar no cuidado ao paciente. A integração entre assistência clínica, suporte emocional e estratégias preventivas pode melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes acometidos pela síndrome. Por fim, destaca-se a necessidade de novos estudos que aprofundem a compreensão dos mecanismos fisiopatológicos da STk e avaliem a eficácia de diferentes intervenções, com o objetivo de aprimorar as práticas assistenciais e fortalecer a atuação da enfermagem nesse contexto.

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 1Discente do Curso Superior de enfermagem do Instituto Centro Universitário do Espírito Santo – UNESC Campus Colatina e-mail: prisilino@hotmail.com;
2Discente do Curso Superior de enfermagem do Instituto Centro Universitário do Espírito Santo – UNESC Campus Colatina e-mail: yasminluz_sgp@hotmail.com;
3Discente do Curso Superior de enfermagem do Instituto Centro Universitário do Espírito Santo – UNESC Campus Colatina e-mail: isabellaangeli322@gmail.com;
4Graduado em Medicina do Instituto Centro Universitário do Espírito Santo – UNESC Campus Colatina e-mail: ilarino744@gmail.com;
5Discente do Curso Superior de enfermagem do Instituto Centro Universitário do Espírito Santo – UNESC Campus Colatina e-mail: yasminsallas@gmail.com;
6Discente do Curso Superior de enfermagem do Instituto Centro Universitário do Espírito Santo – UNESC Campus Colatina e-mail: nmaximo02@gmail.com;
7Discente do Curso Superior de enfermagem do Instituto Centro Universitário do Espírito Santo – UNESC Campus Colatina e-mail: emanuellymorais621@gmail.com;
8Discente do Curso Superior de fisioterapia do Instituto Centro Universitário do Espírito Santo – UNESC Campus Colatina e-mail: barbaratrevizani7@gmail.com;
9Discente do Curso Superior de fisioterapia do Instituto Centro Universitário do Espírito Santo – UNESC Campus Colatina e-mail: andressapmarins@gmail.com;
10Docente do Curso Superior de enfermagem do Instituto Centro Universitário do Espírito Santo – UNESC Campus Colatina. Mestre em Terapia Intensiva (PPGMAD/UNIR). e-mail: vgimenez2008@hotmail.com