SÍNDROME DE BURNOUT: O IMPACTO NA GESTÃO DE PESSOAS E FORMAS DE PREVENÇÃO

BURNOUT SYNDROME: THE IMPACT ON PEOPLE MANAGEMENT AND METHODS OF PREVENT

REGISTRO DOI:10.5281/zenodo.10982486


Bárbara Cruz Santos da Costa
Jessika Bezerra Silva Feitosa


RESUMO

O Burnout pode ser considerado um grande problema no mundo profissional da atualidade e a síndrome trata-se de um conjunto de sintomas caracterizado por sinais de exaustão emocional, despersonalização e reduzida realização profissional em decorrência de uma má adaptação do indivíduo a um trabalho prolongado, altamente estressante e com grande carga tensional. Trata-se de uma revisão bibliográfica a qual utilizou as seguintes bases de dados: Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS); Scientific Electronic Library Online (SciELO); National Library of Medicine (Medline), do Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (BIREME). Utilizaram-se os unitermos: “Burnout”, “síndrome”, “fatores de risco”, “esgotamento profissional”, “sociedade”. O trabalho é toda atividade realizada pelo homem para a produção de bens ou riquezas, seja em proveito próprio ou de terceiro, por meio do qual provém o seu sustento. As formas de relações de trabalho se aperfeiçoaram com o decurso de tempo devido às iminentes transformações das relações sociais e econômicas, percorrendo períodos históricos marcados pelo escravismo, feudalismo e capitalismo, demonstrando a premente necessidade de regulamentação das relações de trabalho. Há de se evidenciar que o contexto da pandemia do Coronavírus (COVID-19) ocasiona o risco de vários profissionais adquirirem a Síndrome de Burnout, haja vista as mudanças bruscas a que foram submetidos, inclusive à sobrecarga do novo modelo home office. O cansaço emocional relacionado com a exaustão física, diante de um ambiente laboral desfavorável pode revelar situações de risco para a saúde mental dos profissionais que atuam na linha de frente.  Essa pesquisa se propôs a analisar a existência das doenças ocupacionais, é necessário que haja a relação de emprego e os demais vínculos desta relação que foram tratados na primeira parte do trabalho. Ainda, de forma mais específica, o estudo se baseou na classificação recente da Síndrome de Burnout como uma doença ocupacional, em que foi possível constatar que seu acometimento cresceu nos ambientes de trabalho e, com isso, trouxe preocupações para os demais órgãos trabalhistas e previdenciários, bem como, trouxe consigo, através da caracterização como doença ocupacional, a responsabilidade civil perante este acometimento. 

Palavras-chave: Síndrome de Burnout. Pesquisa Bibliográfica. Trabalho.

ABSTRACT

Burnout can be considered a major problem in today’s professional world and the syndrome is a set of symptoms characterized by signs of emotional exhaustion, depersonalization and reduced professional fulfillment as a result of the individual’s poor adaptation to prolonged, highly demanding work. stressful and with great tension load. This is a bibliographic review which used the following databases: Latin American and Caribbean Literature in Health Sciences (LILACS); Scientific Electronic Library Online (SciELO); National Library of Medicine (Medline), of the Latin American and Caribbean Center for Health Sciences Information (BIREME). The keywords were used: “Burnout”, “syndrome”, “risk factors”, “professional burnout”, “society”. Work is any activity carried out by man to produce goods or wealth, whether for his own benefit or that of a third party, through which he provides his livelihood. The forms of labor relations have improved over time due to imminent transformations in social and economic relations, spanning historical periods marked by slavery, feudalism and capitalism, demonstrating the pressing need for regulation of labor relations. It must be highlighted that the context of the Coronavirus pandemic (COVID-19) causes the risk of several professionals acquiring Burnout Syndrome, given the sudden changes to which they have been subjected, including the overload of the new home office model. Emotional fatigue related to physical exhaustion, in the face of an unfavorable work environment, can reveal risk situations for the mental health of professionals working on the front line. This research aimed to analyze the existence of occupational diseases, it is necessary that there is an employment relationship and the other links of this relationship that were treated in the first part of the work. Even more specifically, the study was based on the recent classification of Burnout Syndrome as an occupational disease, in which it was possible to verify that its incidence increased in work environments and, as a result, raised concerns for other labor and social security bodies. , as well as, brought with it, through the characterization as an occupational disease, civil liability for this occurrence.

Keywords: Burnout Syndrome. Bibliographic Research. Work.

INTRODUÇÃO

O trabalho é uma atividade que consome grande parcela de tempo de cada indivíduo e nem sempre possibilita realização profissional; pode, ao contrário, causar problemas que vão desde insatisfação até exaustão. Estudos mostram que o desequilíbrio na saúde do profissional pode levá-lo a se ausentar do trabalho, gerando licenças por auxílio-doença e a necessidade, por parte da organização, de reposição de funcionários, transferências, novas contratações, novo treinamento, entre outras despesas (ANDRADE et al., 2012). 

Atualmente o mundo das organizações mostra-se competitivo e tal contexto tem impactado na forma como os trabalhadores são demandados em suas atividades. Uma das consequências apontadas pela literatura para este tipo de situação é a necessidade de adaptação constante para o trabalhador, sendo-lhe exigido diversas competências e dedicação que aliadas às facilidades tecnológicas que permitem a conexão em tempo real a todo momento, penetram na vida do trabalhador podendo gerar estresse crônico (ANDRADE et al., 2012; ALMEIDA et al., 2011; SOUZA et al., 2010).

Além disso, a baixa realização pessoal no trabalho causada pela frustração de não conseguir desempenhar as atividades propostas para o cargo pode gerar bloqueios hierárquicos, fatores estes que também podem levar o indivíduo a se sentir inferior em relação ao coletivo. A partir disso, vínculos profissionais acabam sofrendo o distanciamento em relação ao espírito de equipe, prevalecendo o sentimento unicamente racional do ofício, deixando o trabalhador sobrecarregado para desempenhar suas atividades (ALMEIDA et al., 2011).

O termo Burnout, de origem inglesa, designa algo que deixou de funcionar por exaustão de energia. A Síndrome de Burnout ou Síndrome do Esgotamento Profissional é um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico resultante de situações de trabalho desgastante, que demandam muita competitividade ou responsabilidade.  A principal causa da doença é justamente o excesso de trabalho (SOUZA et al., 2010).

Em janeiro de 2022, a Organização Mundial de Saúde incluiu a síndrome no código internacional de doenças (CID). Estima-se que um terço da população brasileira seja afetada pelo Burnout. Entendendo que a relevância do tema, o objetivo deste artigo é verificar os avanços teórico-práticos presentes na literatura sobre a Síndrome de Burnout. 

MÉTODO

Foi realizada revisão bibliográfica utilizando-se as seguintes bases de dados: Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS); Scientific Electronic Library Online (SciELO); National Library of Medicine (Medline). Utilizaram-se os descritores: “Burnout”, “síndrome”, “fatores de risco”, “esgotamento profissional”. A busca foi feita para o período compreendido entre 2020 e 2024. Após a seleção dos artigos, fez-se busca ativa entre as citações bibliográficas para identificar artigos de relevância que não tivessem aparecido no primeiro levantamento. Foram selecionados artigos epidemiológicos, conceituais e de revisão acerca do Burnout. Foram contemplados artigos que abordaram categorias profissionais com ligação direta com a síndrome e, então, avaliados as causas, os fatores de risco e a repercussão do Burnout na vida dos trabalhadores.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

O Burnout é um distúrbio caracterizado pelas tensões e desgastes emocionais que levam o indivíduo a um esgotamento físico, profissional e mental. O esgotamento se relaciona com as condições de trabalho e dentro desse quadro de esgotamento, a pessoa não consegue mais pensar, se motivar ou agir. 

SÍNDROME DE BURNOUT E SEU ENQUADRAMENTO COMO DOENÇA OCUPACIONAL 

De acordo com dados da Associação Nacional de Medicina do Trabalho, aproximadamente 30% dos trabalhadores brasileiros sofrem com a síndrome. Pode-se afirmar assim, que o trabalhador acometido da Síndrome de Burnout apresenta um desgaste físico e psicológico quando exigido o emprego de maior criatividade e comprometimento com o trabalho (GUEDES, 2020).

Diversos são os sintomas gerados pela Burnout, dentre físicos, comportamentais, psíquicos e defensivos, denota-se a tendência ao isolamento, baixa autoestima, imunodeficiência, irritabilidade, etc., podendo variar a depender de fatores individuais e ambientais. Os transtornos sofridos afetam tanto o âmbito institucional quanto o pessoal e afetivo. A Síndrome de Burnout apresenta constantemente um aumento expressivo na incidência de casos, visto que na era globalizada a pressão no trabalho e do próprio indivíduo aumentaram, além de enfrentarem rotinas intensas, exigências de alta produtividade, altas jornadas de trabalho e rotinas desgastantes (MELO, 2012). 

Há de se evidenciar que o contexto da pandemia do Coronavírus (COVID-19) ocasiona o risco de vários profissionais adquirirem a Síndrome de Burnout, haja vista as mudanças bruscas a que foram submetidos, inclusive à sobrecarga do novo modelo home office. Além de todo cenário novo que o mundo estava passando, os trabalhadores tiveram que se adaptar a outra forma de trabalhar e conviver em isolamento. Todos esses fatores trouxeram exaustão física e principalmente mental para a população. O cansaço emocional relacionado com a exaustão física, diante de um ambiente laboral desfavorável pode revelar situações de risco para a saúde mental dos profissionais que atuam na linha de frente (AFOSO; FIGUEIRA, 2020). 

A referida patologia está incluída na lista de doenças relacionadas ao trabalho, tendo como agentes etiológicos ou fatores de risco de natureza ocupacional: o ritmo de trabalho penoso e outras dificuldades físicas e mentais relacionadas com o trabalho. Dessa maneira, a Síndrome de Burnout encontra maior respaldo para sua classificação como uma doença ocupacional, levando em consideração que possui ligação direta com o ambiente de trabalho, ademais, em sua maioria, causa incapacidade para o trabalho, e, portanto, os trabalhadores que são afetados pela mesma, detêm direitos trabalhistas e previdenciários (LAMANO, 2019).

ALTERNATIVAS PARA REDUZIR OS IMPACTOS DA SÍNDROME DE BURNOUT COMO DOENÇA OCUPACIONAL

Até meados da década de 1970, o termo fazia referência, de um jeito informal, aos efeitos colaterais do uso de drogas ilícitas. E ganhou novo significado em 1974, quando o psicólogo Herbert Freudenberger o empregou para definir um estado de exaustão com raiz no excesso de trabalho por um período prolongado (PIMENTA, 2022).

O primeiro passo para uma redução ou melhora da doença consiste em reconhecer o esgotamento. Todos podemos sofrer esta síndrome, mas parece que existem pessoas mais propensas. Pessoas vocacionadas ou altamente dedicadas podem sofrer as consequências com mais intensidade. Portanto, para reduzir o impacto do burnout é preciso melhorar o autoconhecimento, aprendendo a identificar o que está acontecendo com você e seu corpo. Quando os sintomas começam a ser percebidos fica mais fácil se reconhecer e buscar estratégias e ajuda de profissionais para reverter o problema ou mesmo controlá-lo (LIMA; DOLABELA, 2021).

A síndrome se instala na pessoa mediante uma rotina naturalmente estressante e com grande responsabilidade, além de cobranças no trabalho ou mesmo a autocobrança. Tais sintomas aumentam dando abertura para outros sintomas físicos e mentais como: isolamento, estresse, cansaço excessivo, insônia, dificuldades de concentração, fadiga e dores de cabeça frequentes (PIMENTA, 2022).

A combinação entre longas jornadas, pressão constante e competitividade pode ser extremamente prejudicial para a saúde mental. Por isso, é necessário repensar a necessidade de horas extras e de metas muito ousadas, que podem ser divididas e remanejadas através de um bom planejamento. Outro ponto importante é o apoio no ambiente de trabalho, pois a falta de acolhimento contribui para o isolamento e o reforço do Burnout. Para tanto, a companhia pode oferecer um serviço próprio nessa área ou um plano de saúde que contemple o atendimento psicológico, além do contato com os colegas em seu dia a dia de trabalho, propondo métodos para a prevenção e redução da doença, porém, é de extrema importância que haja uma compreensão e sensibilização por parte dos empregadores frente ao problema (QUADROS, MINAGAWA, 2021). 

CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Essa pesquisa se propôs a analisar a existência das doenças ocupacionais, é necessário que haja a relação de emprego e os demais vínculos desta relação que foram tratados na primeira parte do trabalho. Ainda, de forma mais específica, o estudo se baseou na classificação recente da Síndrome de Burnout como uma doença ocupacional, em que foi possível constatar que seu acometimento cresceu nos ambientes de trabalho e, com isso, trouxe preocupações para os demais órgãos trabalhistas e previdenciários, bem como, trouxe consigo, através da caracterização como doença ocupacional, a responsabilidade civil perante este acometimento. 

Para que se pudesse ter um melhor entendimento, conceituou-se, através da doutrina e da legislação, as formas de responsabilidades civil, e de que maneira o empregador pode ser responsabilizado caso exista o nexo causal comprovado entre a doença e o trabalho. Contudo, o empregado deve ficar atento aos sinais que seu corpo e mente estão manifestando, deve buscar por atividades além do trabalho, como momentos com a família, a prática de exercícios físicos, viagens, férias e, se houver necessidade, a possibilidade para que faça um acompanhamento de sua saúde tanto física quanto mental com um médico especialista.

REFERÊNCIAS 

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PIMENTA, Tatiana; Como a Síndrome de Burnout impacta as Organizações?. Revista Lide (2022). 

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