SÍNDROME DA ARDÊNCIA BUCAL

BURNING MOUTH SYNDROME

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202503121553


Ana Paula Passos Barbosa1, Weverton Luiz Silva Santos2, Eder Cavalcante Andrade3, Rayner Da Silva Esteves4, Matheus Wanderson Silva Correia5, Felipe Lacerda Rocha6, Diego César Marques7


RESUMO

A Síndrome da Ardência Bucal (SAB) é uma condição crônica que causa uma sensação de queimação, dor, calor e inchaço na boca, mesmo sem a presença de lesões visíveis. Os sintomas ocorrem em diversas áreas da cavidade oral, sendo mais frequentes na língua (principalmente nos dois terços anteriores), no palato duro anterior e na mucosa do lábio superior, embora qualquer região da boca possa ser afetada. Além da sensação de ardência e desconforto, essa síndrome pode trazer outros sintomas, como dormência, alterações no paladar como perda do sabor, boca seca, em alguns casos dores de cabeça ou nas áreas de mastigação. Esse distúrbio que afeta principalmente mulheres após a menopausa é relativamente raro e pode ser bastante incômodo.

Palavras-chave: Ardência. Síndrome. Incômodo.

1 INTRODUÇÃO

A Síndrome da Boca Ardente é uma condição dolorosa e emocionalmente desconfortável, caracterizada por uma sensação de queimação e dor na cavidade bucal, sem uma causa dentária ou médica visível. Esse desconforto pode durar meses ou até anos, sendo frequentemente acompanhado por boca seca (xerostomia) e alterações no paladar. Embora qualquer pessoa possa ser afetada, a condição é mais comum em mulheres após a menopausa. Os profissionais de saúde associam esses sintomas a fatores hormonais ou genéticos, mas a causa exata ainda não é completamente compreendida e pode envolver múltiplos fatores. Entre as possíveis causas, estão desequilíbrios nutricionais, como a falta de vitaminas do complexo B, ferro e zinco, reações alérgicas a medicamentos, e até mesmo questões psicológicas. Pacientes diagnosticados com a síndrome frequentemente apresentam altos níveis de estresse, ansiedade, depressão e distúrbios do sistema nervoso. (Andréia De Cassia D.D.A. Souza, 2013)

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 

A Síndrome da Ardência Bucal (SAB) é uma condição crônica caracterizada por sensação de queimação ou ardência na cavidade oral, sem alterações visíveis nas mucosas, podendo ocorrer na língua, palato, gengiva e outras partes da boca. A causa exata ainda não é totalmente compreendida, mas pode ser primária (idiopática) ou secundária a condições como deficiência de vitaminas, doenças sistêmicas (como diabetes e doenças autoimunes), alterações hormonais, uso de medicamentos e fatores psicológicos como ansiedade e estresse. O diagnóstico é feito por exclusão, descartando outras condições com sintomas semelhantes, e o tratamento envolve abordagens farmacológicas (como antidepressivos, ansiolíticos, anticonvulsivantes e substitutos salivares) e não farmacológicas (como psicoterapia, terapias de relaxamento e mudanças alimentares). Embora o prognóstico varie, com alguns casos se resolvendo espontaneamente e outros se tornando crônicos, o acompanhamento médico contínuo é essencial para o controle dos sintomas e a melhoria da qualidade de vida do paciente.

3 METODOLOGIA 

Este estudo foi conduzido com o objetivo de revisão e compreender os aspectos clínicos, diagnósticos e terapêuticos relacionados à Síndrome da Boca Ardente (SAB), uma condição crônica caracterizada por dor e queimadura na cavidade bucal sem causas médicas ou dentárias evidentes. oi realizada uma revisão bibliográfica extensa em bases de dados acadêmicos, como  Google Scholar e outras fontes científicas relevantes. A pesquisa incluiu artigos, revisões sistemáticas e estudos de caso publicados nos últimos anos, focando principalmente nos aspectos clínicos, etiológicos e terapêuticos da SAB, após a seleção, os artigos foram analisados ​​de forma qualitativa, com ênfase na identidade.

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES 

A síndrome da boca ardente é reconhecida como um distúrbio sensitivo crônico, caracterizado por sensações de dor, ardência ou queimação na mucosa da boca, sem que haja a presença de lesões visíveis, o perfil psicológico dos pacientes com diagnóstico de SAB costuma ser semelhante, comumente apresentando altos níveis de estresse, ansiedade e depressão, devido à natureza crônica e ao diagnóstico difícil da condição. Os indivíduos que sofrem dessa síndrome, por apresentarem alterações no paladar e sensação de ardência, frequentemente relatam mudanças nos hábitos alimentares. A combinação desses fatores impacta negativamente a vida social e emocional, além de prejudicar a qualidade de vida. (Yasmim S. Souto et al, 2022)

A prevalência global da SAB é incerta, pois a maioria dos estudos foi realizada com populações da Europa ou América do Norte, utilizando critérios de diagnóstico variados. Os dados de prevalência também variam consideravelmente, entre 0,7% e 15%, refletindo a dificuldade em definir um critério diagnóstico claro para a condição. (Andréia De Cassia D.D.A. Souza, 2013)

A SAB pode estar associada à disgeusia, uma alteração no paladar que resulta em um gosto amargo ou metálico, e pode ser acompanhada por xerostomia, a sensação de boca seca. Esses sintomas de boca seca, dor e alteração no paladar são os que definem a condição como uma síndrome, formando uma tríade patognomonia para o diagnóstico. No entanto, alguns estudos sugerem que a xerostomia pode estar relacionada ao uso excessivo de medicamentos por muitos pacientes diagnosticados com SAB. Alguns pacientes também relatam sintomas adicionais, como formigamento, coceira, sensação de alfinetadas, boca escaldada e inchaço. Em relação à localização da sensação de queimação, ela geralmente ocorre em mais de uma área da cavidade bucal. No entanto, as regiões mais comumente afetadas são os dois terços anteriores da língua, o palato duro anterior e a mucosa do lábio inferior. (Yasmim S. Souto et al, 2022)

A síndrome pode ser moderada conforme sua origem neuropática em primária (idiopática, quando não se encontra nenhum fator sistêmico ou local) e secundária (quando resultado de fatores locais ou sistêmicos). Com base no nível de patologia envolvida, o SAB primário pode ser dividido em três subgrupos.

 Pacientes classificados com tipo 1 são quando a SAB estar relacionada de alguma forma a doenças sistêmicas, tipo 2 são pacientes que possuem algum tipo de transtorno psicológico, tipo 3 quando o paciente teve algum contato com substâncias orais alérgicas.

  • Tipo 1: A dor aumenta ao longo do dia, paciente acorda sem dor. Muitas das vezes está relacionado a doenças sistêmicas como doenças nutricionais, diabetes.
  • Tipo 2: O desconforto e a dor está presente o tempo todo ao acordar e existe uma dificuldade para dormir. Pacientes geralmente possuem algum tipo de transtorno psicológico.
  • Tipo 3: Os sintomas estão presentes em locais distintos do corpo, muitas das vezes causados por contato com substâncias alérgicas. (Yasmim S. Souto et al, 2022)
4.1 FATORES ASSOCIADOS

A fisiopatologia da SAB é atualmente explicada pela teoria da desinibição trigeminal, que ocorre devido à perda parcial ou total da função do nervo corda do tímpano, ramo do nervo facial responsável pela sensação gustativa. Contudo, a literatura sugere que fatores locais, sistêmicos, psicogênicos e neurológicos também podem contribuir para o desenvolvimento da síndrome. (Andréia De Cassia D.D.A. Souza, 2013)

Os fatores locais incluem irritações na mucosa, como próteses mal ajustadas (que podem causar trauma), hábitos parafuncionais como o bruxismo, que pode provocar a sensação de ardência na boca, o uso de fumo, álcool, e reações alérgicas locais a resinas acrílicas (devido a altos níveis de monômeros residuais), nylon, ácido ascórbico e ésteres de ácido nicotínico. Além disso, infecções orais por Candida albicans, Enterobacter, Klebsiella e S. aureus também são mencionadas como possíveis causas. Irritantes como bebidas quentes, chá e café fortes, alguns sucos e alimentos picantes também podem aumentar o desconforto. (Yasmim S. Souto et al, 2022)

Em relação às causas sistêmicas, acredita-se que a síndrome esteja associada a distúrbios nutricionais, metabólicos ou endócrinos, como diabetes, deficiência de ferro ou zinco, e falta de vitamina B12. Além disso, distúrbios hormonais também estão fortemente ligados à origem da síndrome, uma vez que a maior prevalência da SAB ocorre em mulheres, especialmente durante a menopausa, abrangendo os três anos anteriores e os doze anos seguintes a esse período. (Yasmim S. Souto et al, 2022)

Outro fator que agrava a síndrome é a alteração nas glândulas salivares, o que pode levar à xerostomia. O envelhecimento favorece o surgimento de diversas doenças, e a xerostomia, que é uma das queixas associadas à síndrome, pode ser causada pelo uso de medicamentos e por alterações sistêmicas. Em um estudo sobre a epidemiologia de mulheres idosas com sintomas de ardência bucal, observou-se que 70% das idosas com esses sintomas faziam uso de medicamentos como anti-hipertensivos, ansiolíticos e antidepressivos, os quais têm uma forte correlação com o desenvolvimento da xerostomia. (Yasmim S. Souto et al, 2022)

O fator psicológico desempenha um papel importante no desenvolvimento da SAB. Em um estudo de caso-controle, o grupo diagnosticado com a doença apresentou sintomas mais intensos de depressão, baixa adaptabilidade, ansiedade e instabilidade emocional em comparação com o grupo controle. No entanto, alguns pesquisadores sugerem que o fator psicológico pode não ser a causa, mas sim uma consequência da dor crônica e das dificuldades no tratamento, o que contribui para o agravamento das condições psicossociais. Além disso, pacientes com SAB tendem a se tornar mais introvertidos e a sofrer de baixa autoestima. (Yasmim S. Souto et al, 2022)

4.2 DIAGNÓSTICO CLÍNICO

Dadas as dificuldades no diagnóstico da SAB, é essencial enfatizar a importância do exame clínico. O diagnóstico é geralmente feito após a exclusão de outras condições mais comuns que podem causar ardência na boca. Uma anamnese detalhada, juntamente com o conhecimento dos antecedentes e dados atuais da doença, é fundamental para chegar ao diagnóstico correto. Durante a anamnese, é crucial avaliar os sintomas relatados, como a duração, intensidade, localização, início e fatores que agravam a dor. Portanto, é muito importante que o profissional tenha um bom entendimento das características da doença e dos diagnósticos diferenciais. Durante a consulta clínica, é fundamental examinar todas as estruturas orais do paciente, além de questionar sobre seu estado emocional. Para a maioria dos pacientes, o diagnóstico costuma ser tardio, geralmente levando em média 34 meses após o início dos sintomas, devido à falta de conhecimento para identificar a SAB. Muitos pacientes acabam realizando diversos exames e se frustram com as múltiplas consultas a diferentes especialistas, sem obter um diagnóstico preciso ou tratamento eficaz. (Yasmim S. Souto et al, 2022)

4.3 TRATAMENTO

A patologia da SAB ainda não é completamente compreendida, o que torna difícil o desenvolvimento de um tratamento totalmente eficaz. De maneira geral, os pacientes devem ser informados de que a SAB não é uma doença maligna e sobre as dificuldades envolvidas no tratamento, além de explicar a natureza da condição e a possibilidade de que, muitas vezes, a cura completa não seja alcançada, com os sintomas sendo apenas amenizados. É essencial comunicar ao paciente que sua queixa é válida e que o tratamento pode ser prolongado e exigir várias adaptações. (Yasmim S. Souto et al, 2022)

Dependendo da causa subjacente, o tratamento pode incluir o uso de saliva artificial, ajustes ou substituição de próteses, remoção de tártaro dentário, prescrição de terapia antifúngica, reposição de vitaminas do complexo B e, conforme a história e o contexto social do paciente, um encaminhamento para avaliação psicológica. (Yasmim S. Souto et al, 2022)

O tratamento da SAB primária é mais desafiador devido à sua etiologia desconhecida. A literatura sugere o uso de diversas substâncias terapêuticas, como gel de capsaicina, aloe vera, lidocaína e medicamentos sistêmicos, incluindo antidepressivos tricíclicos, antipsicóticos, benzodiazepínicos (como clonazepam) e inibidores seletivos da serotonina, além de psicoterapia. Atualmente, os tratamentos com maior respaldo científico são o ácido alfa-lipóico e o clonazepam. Terapias alternativas, como o uso de laser de baixa potência, também têm sido mencionadas na literatura com resultados satisfatórios. A aplicação do laser é recomendada quando outros tratamentos não apresentam resultados eficazes. Nesse contexto, o laser ajuda a promover bioestimulação, alívio da dor, ação anti-inflamatória e efeito antiedematoso. (Andréia De Cassia D.D.A. Souza, 2013)

5 CONCLUSÃO

A Síndrome da Boca Ardente (SAB) é uma condição crônica, dolorosa e psicologicamente desgastante, caracterizada por sensações de queimação na cavidade bucal sem a presença de lesões visíveis. Embora afete pessoas de diferentes idades, a condição é mais prevalente em mulheres, especialmente após a menopausa. A origem da síndrome ainda não é completamente compreendida, mas acredita-se que seja multifatorial, envolvendo fatores hormonais, nutricionais, psicológicos e até genéticos. As queixas mais comuns incluem dor, alteração do paladar, boca seca (xerostomia) e, em muitos casos, um impacto significativo na qualidade de vida devido ao desconforto contínuo e à frustração com o diagnóstico demorado.

A dificuldade de diagnosticar a SAB resulta na exclusão de outras condições que poderiam causar sintomas semelhantes, o que torna essencial a realização de um exame clínico detalhado. A anamnese completa, que inclui a avaliação dos sintomas, sua intensidade, localização e fatores que agravam o quadro, é um passo crucial para a identificação da síndrome.

Quanto ao tratamento, a SAB ainda desafia os profissionais de saúde devido à falta de uma explicação clara sobre sua causa. Embora não haja uma cura definitiva, diversos tratamentos são utilizados com o objetivo de amenizar os sintomas. Entre eles estão terapias farmacológicas, como antidepressivos e psicoterapia, além de abordagens alternativas como o uso de laser de baixa potência. A orientação adequada e o acompanhamento contínuo são essenciais para proporcionar alívio aos pacientes e ajudá-los a lidar com os impactos físicos e emocionais da síndrome.

REFERÊNCIAS

Yasmim S. Souto et al. Síndrome da ardência bucal: Uma abordagem de interesse clínico. Rev. Fac Odontol Univ Fed Bahia 2022; 52(1).

Andréia De Cassia D.D.A. Souza. Síndrome da ardência bucal: Um desafio para o cirurgião dentista. Curso de especialização em atenção básica em Sáude da família Campos Gerais- MG, 2013.

Gabriella M. R. Oliveira Helene S. C. Pereira Geraldo O. Silva-Júnior Bruna L. S. Picciani Ruth T. Ramos Silvana G. Pestana Marília H. Cantisano. Síndrome da Ardência Bucal: Aspectos clínicos e tratamento. Revista do Hospital Universitário Pedro Ernesto, UERJ, Ano 12, nº 1, janeiro/março de 2013.


1Discente do Curso Superior de Odontologia do Instituto Uniporá Campus Iporá e-mail: anapaulapassosb@gmail.com 

2Discente do Curso Superior de Odontologia do Instituto Uniporá Campus Iporá e-mail: wevertonluizsilvasantos@gmail.com 

3Discente do Curso Superior de Odontologia do Instituto Uniporá Campus Iporá e-mail: eder.candrad3@gmail.com 

4Discente do Curso Superior de Odontologia do Instituto Uniporá Campus Iporá e-mail:: rayner0800@gmail.com 

5Discente do Curso Superior de Odontologia do Instituto Uniporá Campus Iporá e-mail: matheuswsc2002@gmail.com 

6Discente do Curso Superior de Odontologia do Instituto Uniporá Campus Iporá e-mail: felipelacerda810@gmail.com 

 7Docente do Curso Superior Odontologia do Instituto Uniporá Campus Iporá. Especialista em Bucomaxilofacial (UNORP). e-mail: dcm_odt@outlook.com