REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202511261303
Ana Paula Damasceno Dantas
Bianca Matos E Matos
Isabela Campos Teles de Menezes
Orientadora: Prof. Esp. Joyce Gorayeb Gimenes
RESUMO
O tratamento endodôntico é um tipo de procedimento que visa fazer a desinfecção e obturação de canais radiculares, a fim de restabelecer a função do elemento dentário. Para minimizar o tempo de trabalho e promover menos desconforto ao paciente, esse procedimento pode ser realizado em apenas uma única sessão. No entanto, alguns estudos indicam que esse procedimento ainda gera diversos debates sobre sua qualidade quando referente à dentes diagnosticados com necropulpectomia. O presente trabalho visa analisar, com base na literatura científica, a eficácia, as indicações, limitações e implicações clínicas da necropulpectomia realizada em sessão única no tratamento endodôntico de dentes com necrose pulpar. Foram selecionados artigos e pesquisas científicas publicadas no intervalo de 2015 a 2025 em plataformas de pesquisa online, como: Google Acadêmico, PubMed e Biblioteca Virtual de Saúde (BVS), assim, foram analisados artigos publicados nas línguas portuguesa e inglesa e utilizou-se como critério de exclusão pesquisas publicadas fora do intervalo de tempo indicado, pesquisas fora da temática central e em outros idiomas não citados. Conclui-se que a realização da necropulpectomia em sessão única pode ser bem-sucedida, desde que sejam rigorosamente consideradas determinadas variáveis clínicas, tais como a persistência de lesões perirradiculares e/ou sintomatologia dolorosa, presença de exsudato no canal radicular, rizogênese incompleta ou ocorrência de reabsorções dentárias. A indicação desse protocolo terapêutico requer criteriosa avaliação clínica e radiográfica. Ademais, quando opta-se pela abordagem em sessão única, é imprescindível que todas as etapas do processo de desinfecção sejam conduzidas de forma meticulosa, a fim de assegurar a completa eliminação dos microrganismos do sistema de canais radiculares.
Palavras-chave: desinfecção de canais radiculares; necropulpectomia; sessão única,.
1. Introdução
Para Mukherjee, Patel e Chandak (2017) a principal finalidade de um tratamento endodôntico é realizar a retirada de pequenos substratos orgânicos e infecciosos encontrados nos canais radiculares. O microrganismo existente nesses casos é considerado a principal fonte etiológica de mudanças que acometem a região pulpar e também periapical dos elementos dentários (AVEIRO, E., 2019). Segundo Lopes e Siqueira (2015) essa colonização micro-orgânica encontrada é comum em casos de canais necrosados e torna-se protegida das defesas dos hospedeiros presentes na região dos tecidos perirradiculares.
Em alguns casos, o tratamento endodôntico para esse tipo de condição ocorre em mais de uma sessão, através do uso de determinadas medicações depositadas no canal durante o intervalo das sessões, todavia, discussões sobre a realização de necropulpectomias em sessão única têm sido feitas, devido o preparo conversador e não-cirúrgico, com obturação dos canais em uma única consulta.(TENÓRIO, L. R., NETO, O. C., 2018).
Carvas (2022) diz que o tratamento endodôntico de elementos dentários necrosados é um desafio evidente para os profissionais que buscam resultados favoráveis perante a anatomia dos canais radiculares. No entanto, realizar a endodontia de um dente, em sessão única ou não, requer uma atenção cautelosa para combater doenças e realizar ações que detenham a instalação das infecções. O planejamento para a escolha da sessão deve considerar o tempo para o tratamento, questões socioeconômicas do paciente, diagnóstico de lesões perirradiculares, conhecimentos profissionais e até mesmo conhecimentos tecnológicos (DE JESUS, F. G.; FERNANDES, S. L., 2022).
Segundo Caires e Boer (2018), com o advento das inovações odontológicas, houve maior facilidade na execução de procedimentos, visto que a utilização de novos equipamentos facilita o tratamento e torna os procedimentos mais ágeis e seguros. Sob essa perspectiva, o conhecimento de técnicas e materiais modernos, como: magnificação com aumento de imagem, localizadores apicais e instrumentos mecanizados que se utilizam de limas NiTi, corroboraram para tempos de procedimentos mais curtos (DE JESUS, F. G.; FERNANDES, S. L., 2022).
Leal (2023) diz que mesmo com o conjunto de novas formas e técnicas de terapias endodônticas, é imprescindível a análise dos critérios para devida consideração do tratamento; o controle microbiológico e a reparação periapical são dois dos itens que devem ser bem observados pelo profissional.
Diante do exposto, este trabalho justifica-se, pois, busca avaliar a viabilidade, os benefícios, e as limitações da necropulpectomia em sessão única, os resultados de pesquisas atuais e as evidências científicas disponíveis através de uma revisão de literatura com foco no sucesso do tratamento endodôntico.
2. Metodologia
Este trabalho trata-se de uma revisão de literatura integrativa com o objetivo de reunir, analisar e sintetizar o conhecimento científico disponível nos últimos 10 anos sobre a necropulpectomia realizada em sessão única. A revisão integrativa permite a incorporação de estudos com diferentes abordagens metodológicas, proporcionando uma visão ampla e fundamentada sobre o tema.
Critérios de inclusão:
- Artigos publicados entre 2015 e 2025;
- Trabalhos disponíveis na íntegra em português, inglês ou espanhol
- Estudos que abordem a necropulpectomia em sessão única, com foco em eficácia clínica, comparação com múltiplas sessões, dor pós-operatória, materiais, técnicas, indicações e/ou resposta dos tecidos periapicais;
Critérios de exclusão:
- Estudos publicados anteriormente a 2015;
- Trabalhos que tratem exclusivamente de tratamentos endodônticos em múltiplas sessões, sem comparação direta com sessão única;
- Artigos duplicados ou que não apresentem acesso completo.
A busca dos artigos foi realizada nas seguintes bases de dados eletrônicas:
- PubMed/MEDLINE
- SciELO (Scientific Electronic Library Online)
- BVS
- Google Acadêmico
Foram utilizadas as seguintes palavras-chave:
- “necropulpectomy”
- “single-sessionendodontics”
- “endodontics”
- “endodontia”
- “necropulpectomia”
- “tratamento endodôntico em sessão única”
Após levantamento dos artigos, estes serão selecionados e terão os resumos lidos previamente. Em sequência, os artigos serão lidos integralmente para a escolha dos que englobam o tema da pesquisa. Estes serão estruturados em um quadro, divididos com o nome dos autores/ano de publicação; título; principal objetivo do estudo. Concluindo essa etapa, os principais resultados encontrados nessa revisão serão expostos na seção de resultados e discussão.
3. RESULTADOS E DISCUSSÕES
3.1. Avanços Tecnológicos e o Tratamento Endodôntico em sessão única
Segundo Lopes & Siqueira (2015), a indicação do tratamento endodôntico em sessão única deve ser avaliada sob diferentes perspectivas, uma vez que os elementos dentários podem apresentar-se polpados, como nos casos de biopulpectomia, ou despolpados, quando há necessidade de necropulpectomia. Essa distinção constitui fator essencial para a tomada de decisão clínica. Entre os aspectos favoráveis ao tratamento em sessão única, destacam-se a otimização do tempo de trabalho do cirurgião-dentista/endodontista e a redução do risco de contaminação em dentes vitais, bem como a prevenção de recontaminações em dentes necrosados.
Essa análise também é defendida por Sousa (2024), que afirma em seu estudo que o diagnóstico da lesão pode interferir na escolha do procedimento. Em casos de pulpite irreversível, pode-se optar pelo tratamento em sessão única, mas em dentes diagnosticados com necrose pulpar, que apresentem ou não periodontite apical, os riscos tornam-se maiores e seus benefícios questionáveis.
Negri, Pagliosa e Scortegagna (2021) relatam que a temática dos tratamentos endodônticos em sessão única começou a ser discutida no século XIX, em meados de 1880 e, no decorrer das décadas e avanços tecnológicos, tornou-se uma opção a ser pensada e utilizada pelos profissionais.
Os procedimentos endodônticos em sessão única podem diminuir o desconforto sentido pelo paciente, promover menor tempo de trabalho, além de ocasionar redução na contaminação do canal entre uma sessão e outra. O profissional precisa apresentar habilidades e conhecimentos das técnicas de trabalho para tal situação, dispondo também de embasamento teórico/científico e tecnologias que o auxiliem durante o trabalho (Sousa, 2024).
As vantagens da endodontia em sessão única, destacam-se ainda por reduzir a frequência de consultas do paciente, questões de custo-benefício perante o tempo clínico, diminuição no número de anestesias repetidas, desconforto nas colocações de lençóis de isolamento, prevenção contra iatrogenias, realização da obturação na mesma sessão e retorno imediato da função do elemento logo após a realização do tratamento (Endo et al., 2015).
Para Sousa (2024), a tecnologia consolidou-se como uma importante aliada na viabilização dos tratamentos endodônticos em sessão única. Os estudos analisados indicam que tais avanços têm contribuído significativamente para o aprimoramento do tratamento dos canais radiculares, abrangendo desde a qualidade da visualização até a eficácia dos métodos de irrigação das estruturas dentárias. Ademais, verificou-se que, depois de todos os avanços tecnológicos, tanto nos casos conduzidos em múltiplas sessões quanto naqueles realizados em sessão única, não foram observadas diferenças significativas que permitam apontar apenas uma das modalidades como a mais vantajosa ao paciente.
3.2. Magnificação no tratamento endodôntico em sessão única
Santin (2021) destaca que a endodontia contemporânea apresentou notável evolução nos últimos anos, com a introdução de novos materiais e técnicas que possibilitam a realização do tratamento em sessão única em diversos casos. Esses recursos demonstram eficácia comparável às técnicas manuais tradicionais, uma vez que o objetivo central do tratamento endodôntico permanece na eliminação de bactérias e microrganismos dos canais radiculares, fator essencial para o sucesso do reparo tecidual.
De acordo com Guimarães et al. (2020), a utilização da magnificação de imagens nos tratamentos endodônticos tem feito cada vez mais parte do cotidiano do cirurgião-dentista. Essa tecnologia dispõe de materiais, como: lupas, microscópios operatórios e até mesmo endoscopia de fibra ótica, demonstrando sua colaboração nos diagnósticos de lesões e em momentos operatórios. É evidente que essa tecnologia é um fator interessante a ser trabalhada em casos que envolvam procedimentos complexos para achados de canais radiculares, remoção de limas fraturadas, na limpeza de istmos e em cirurgias periapicais.
Com relação ao seu uso em sessões únicas de tratamento endodôntico, Fonseca et al. (2023) e Bjørndal e Reit (2023) complementam a ideia de que essa ferramenta reduz significativamente o número de idas do paciente ao dentista, permitindo que em alguns casos o trabalho seja realizado apenas uma vez e o procedimento torne-se mais conservador.
De acordo com Fonseca et al. (2023), as ferramentas de magnificação representam recursos importantes na prática endodôntica, proporcionando maior precisão e detalhamento durante os procedimentos. As lupas utilizadas nesses tratamentos podem apresentar microscópios monoculares que favorecem o foco da região a ser trabalhada, oferecendo melhor visualização de detalhes anatômicos e contribuindo para o aprimoramento do manejo clínico. No entanto, seu uso excessivo pode levar à fadiga visual, além de apresentar limitações quando associadas a sistemas de alta potência com acoplamento de luminosidade.
Paralelamente, o microscópio óptico destaca-se como uma das opções mais vantajosas para a realização de procedimentos endodônticos, embora seu custo elevado restrinja sua utilização rotineira. Apesar de não existirem estudos que relacionem diretamente o uso do microscópio óptico ao tratamento endodôntico em sessão única, essa ferramenta oferece imagens ampliadas e de alta precisão, permitindo a identificação de trincas, fraturas e a localização de canais radiculares. Tal recurso pode contribuir para maior previsibilidade clínica, além de reduzir o tempo operatório em determinadas etapas do tratamento, o que pode viabilizar o tratamento em sessão única.
3.3. Instrumentos Mecanizados na endodontia em sessão única
Como documentado por Santos, Busarello e Rodrigues (2023), em tempos atrás era comum para o cirurgião-dentista e endodontista utilizarem materiais de aço inóxidável para realizar a limagem dos canais radiculares. No entanto, foi a partir da década de 1970 que as mudanças e novas tecnologias começaram a surgir na área da Endodontia, como exemplo, as limas de níquel titânio (NiTi). Sua funcionalidade está relacionada a menor quantidade de tempo de trabalho na limagem de canais atrésicos e até mesmo mais curvos, pois possuem um material com grande flexibilidade e são apresentadas no mercado tanto na versão para sistemas rotatórios quanto para sistemas reciprocantes.
De acordo com Fonseca et al. (2023), as limas NiTi possuem notável relevância na odontologia, pois contribuem de maneira direta para a limpeza e preparação químico-mecânica dos canais devido sua agilidade e eficácia.
A endodontia mecanizada torna-se um elemento importante para situações em que o cirurgião-dentista decida realizar a sessão única. As limas de NiTi, por exemplo, são tecnologia que podem ser utilizadas tanto em equipamentos rotatórios quanto em reciprocantes, em que colaboram para a etapa do processo químico-mecânico. Os benefícios dessas ferramentas incluem: tempo de trabalho reduzido, custo benefício de materiais e redução de infecções. As endodontia em sessão única acabam sendo muito utilizadas devido a oferta de tecnologia que agilizam o tratamento e podem gerar menos desconforto ao paciente. No entanto, o estudo conclui que a escolha para esses casos está estritamente ligada à anamnese e diagnóstico corretos do dente. (Silva et al., 2023).
Por outro lado, Souza et al. (2020) relatam em seus estudos que elas possuem considerável probabilidade de fratura, o que poderia ocasionar iatrogênias, problemas ao procedimento e à saúde do paciente, mesmo apresentando mais vantagens que as limas manuais. Apesar disso, dentro das limitações técnicas e do domínio do operador, o emprego adequado desses instrumentos mecanizados torna viável a execução de tratamentos completos em uma única sessão, sem comprometer a qualidade do preparo e da desinfecção dos sistemas de canais uma vez que diminui consideravelmente o tempo operatório desses tratamentos.
3.4. Necropulpectomia em sessão única
Galdino et al. (2019) enfatiza em sua pesquisa a importância do diagnóstico da condição pulpar antes de ser iniciado o tratamento. O cirurgião-dentista precisa estar atento aos detalhes que compõem os sinais e sintomas e aos exames intra e extra orais durante a anamnese e avalição. Outros pontos observados pelo autor são da importância dos exames radiográficos, dos testes de vitalidade pulpar e testes de percussão horizontal e vertical para verificação de possível comprometimento para que seja realizada a melhor condução do caso. Quando relacionado ao diagnóstico de necrose pulpar, os testes de sensibilidade também contribuem para análise de diagnóstico. Nesses situações, os testes térmicos de frio ou calor não geram resultados positivos, podendo indicar a necrose pulpar do elemento. É ainda defendido que tal patologia pulpar pode ser classificada de duas formas como: polpa necrosada parcial e total. Em situações que são destacadas polpas parcialmente necrosadas, não haverá presença de tecido vital na secção coronal, com estímulos não tão potentes quanto a de uma polpa vital, e isso pode ser diagnosticado por meio dos testes de cavidade. O autor ainda classifica que dentes com necroses são, na grande maioria dos casos, assintomáticos, mas com histórico anterior de dor. Isso pode ter sido um fator ocorrido nos tecidos pulpares, os quais não são mais capazes de realizar processos metabólicos, ocasionando o avanço de bactérias e microrganismos invasores. Nessas situações, é possível observar a presença de inflamações localizadas na polpa radicular do dente em questão. Já em situações de necrose total, vasos sanguíneos e células inflamatórias encontram-se desintegradas e ausentes. Logo, estabelecer o diagnóstico pulpar através de uma anamnese detalhada resulta em um plano de tratamento adequado e seguro para cada caso.
Cruz e Labanca (2023) informam em sua pesquisa que ainda é recorrente o debate sobre os benefícios da sessão única. Sua ênfase principal ocorre na etapa da limpeza, modelagem, desinfecção e obturação correta dos canais. Ademais, abordam que a condição anatômica, manejo e o conhecimento técnico do profissional são itens que promovem resultados favoráveis à técnica. Como conclusão, não encontram diferenças significativas entre a escolha de sessões únicas ou múltiplas, mas que o melhor tratamento pode ser determinado pelo contexto individual do paciente.
Silva et al. (2023) elaboraram em seus estudos uma revisão de 23 artigos relacionados à temática de endodontia em sessão única. Seu relato evidencia que avaliações criteriosas e bem detalhadas são o alicerce de um tratamento endodôntico de qualidade. Porém, nos casos que envolvem a necropulpectomia em sessão única, questionamentos e debates ainda se mostram bastante presentes; a grande dúvida esta na ideia de que esse tratamento pode não ser indicado para dentes necrosados com presença de lesões. A medicação intracanal é bastante abordada nesse meio, pois associada à limpeza quimico-mecanica é a responsável pela desinfecção dentro dos canais, resultando na diminuição dos microrganismos invasores. Caso, seja optado pela endodontia em sessão única, o profissional precisa manter-se atento à desinfecção e modelagem correta dos canais. Os autores salientam que um dos sintomas causados no pós-procedimento endodôntico em sessão única é a dor, causada pela remoção incompleta de agentes inflamatórios.
Carvas (2020) expõe que os avanços tecnológicos permitiram que necropulpetomias pudessem ser realizadas em um única sessão, por meio do auxilio de limas de níquel-titânio (NiTi). Foram avaliados ainda dentes com histórico de infecções radiculares que foram feitos em única sessão e tiveram resultados semelhantes aos dentes que passaram por múltiplas sessões de tratamento endodôntico. No entanto, é ressaltado que é sempre importante levar em consideração o diagnóstico do dente para que, assim, sejam garantidos os resultados, eliminação de bactérias, além de selamento final dos canais e acompanhamento do paciente para possível relatos de dor pós-operatória.
Inamoto et al., (2002); apud Tenório e Neto (2018), abordam a sintomatologia da dor e se ela realmente está ligada ao tratamento em sessão única. Em sua pesquisa, os autores informam que a Associação Americana de Endodontia realizou um estudo com mais de 156 profissionais entre os anos de 1998 e 1999, através de questionários, dentre esses, mais de 30% apresentaram pacientes com sensibilidade pós-operatória e edemas.
Quando se decide por realizar a necropulpectomia em sessão única, os autores indicam que a seleção dos casos sejam feitas de forma minuciosa, se possível, somente realizar esse procedimento em elementos sem rarefação óssea extensa, com ausência de edemas ou fístulas e com rizogênese completa. Estando diante de situações contrarias as supracitadas a opção mais viável e profissional seria optar pela realização de sessões múltiplas e utilização de medicações intracanal.
Xavier (2018) aborda a Terapia Fotodinãmica como um outro tipo de ferramenta que pode ser utilizado na necropulpectomia em sessão única. É um tipo de abordagem complementar que auxilia na descontaminação dos canais e na desinfecção químico-mecânica através de um fotossesibilizador que é ativado por uma fonte de luz, resultando na destruição de microrganismos.
Para Silva, Albino e Santos (2022) o debate na endodontia em sessão única faz-se também presente dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). Em sua pesquisa, eles avaliaram 27 artigos e indicaram que a necropulpectomia em sessão única mostrou-se muito proveitosa dentro do SUS e obteve taxa de sucesso de mais de 85% no CEO-UP, enquanto, em contrapartida, as múltiplas sessões geravam a falta de retorno do paciente. Mas os autores preconizam que esse procedimento pode ser realizado por meio dos cuidados e características específicas que o tornem possível, como: a modelagem dos canais, ausência de exsudato e sem sintomas relacionados ao paciente.
Além dos fatores biológicos, questões técnicas também podem inviabilizar a realização do tratamento endodôntico em sessão única. Entre elas, destacam-se a colaboração do paciente, eventuais atrasos nas consultas, a complexidade anatômica dos canais radiculares — que pode incluir desde atresias severas até curvaturas acentuadas —, bem como a habilidade técnica do profissional responsável.
4. Conclusão
Compreende-se então que, independentemente, do tipo de sessão escolhida para a realização do tratamento endodôntico, a desinfecção dos canais através de um bom preparo químico-mecânico é de grande importância para a garantia de sucesso. Além disso, anamneses detalhadas e criteriosas são etapas que promovem o diagnóstico correto, influenciando diretamente no desenvolvimento do procedimento.
O tema ainda é bastante controverso na literatura. Alguns estudos indicam que ambos os protocolos apresentam resultados semelhantes quanto ao sucesso do tratamento; entretanto, há consenso de que o tratamento endodôntico em sessão única, especialmente nos casos de necropulpectomia, deve seguir indicações específicas, como ausência de lesões perirradiculares, edemas ou fístulas, além da rizogênese completa.
Entre as limitações dessa abordagem, destacam-se a presença de rarefações ósseas extensas, sintomatologia dolorosa persistente, reabsorções, assim como fatores técnicos, incluindo o tempo clínico disponível e a complexidade anatômica dos canais, como em casos de curvaturas acentuadas, além de pacientes refratários ao tratamento.
Outro ponto frequentemente abordado na literatura refere-se à ocorrência de dor pós-operatória quando a necropulpectomia é realizada em sessão única, fator que deve ser considerado na tomada de decisão clínica.
Conclui-se, portanto, que a necropulpectomia em sessão única pode ser uma alternativa viável e eficaz quando realizada em casos criteriosamente selecionados, respeitando as indicações clínicas e biológicas adequadas. Todavia, suas limitações e o risco de dor pós-operatória reforçam a necessidade de avaliação individualizada, a fim de assegurar a previsibilidade do tratamento e a manutenção do sucesso endodôntico a longo prazo.
5. Referências Bibliográficas
AVEIRO, E. Avaliação clínica da irrigação ultrassônica passiva e da ativação reciprocante do NaOCl 6% na redução do conteúdo microbiológico e dos fatores de virulência em dentes com infecção endodôntica primária. [Dissertação de Mestrado]. Piracicaba – Brasil: Universidade Estadual de Campinas, 2019. Acesso em: 25 de fevereiro de 2025.
BJØRNDAL, L.; REIT, C. The adoption of new endodontic technology amongst Danish general dental practitioners. International endodontic journal. v.38, n.1, p.52-58. 2005. Disponível em: https://doi.org/10.111 1/j.1365-2591.2 004.0090 4.x. Acesso em: 12, fevereiro de 2025.
Caires, F. de, &Boer, N. C. P. (2018). P o39 – Endodontia Em sessão única. Archivesofhealthinvestigation. Acesso em: 20 de março de 2025.
CARVAS, Carlos Alberto Vaz. A eficácia terapêutica endodôntica em necropulpectomia: sessão única ou tratamento convencional? / Carlos Alberto Vaz Carvas.. 2022. 34F Monografia (Especialização em Endodontia) – Faculdade São Leopoldo Mandic, Rio de Janeiro. Disponível em: https://biblioteca.slmandic.edu.br/biblioteca/index.asp?codigo_sophia=168940. Acesso em: 22 agosto. 2025.
CRUZ, T., J. da. LABANÇA, M., R., C. Endodontia, como decidir entre a sessão única e múltiplas sessões: revisão de literature. Cadernos de odontologia do unifeso, v. 5, n.2 (2023) | ISSN 2674-8223. Acesso em: 15 ago. 2025.
DE JESUS, F. G.; FERNANDES, Samuel Lucas. Tratamento endodôntico: sessão única ou múltiplas sessões. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 8, n. 5, p. 1149-1160, 2022. Acesso em: 03 de abril de 2025.
LOPES, Hélio P.; SIQUEIRA, J. F. Endodontia: biologia e técnica. 3ª edição. Editora Koogan, 2015. Acesso em: 17 de março de 2025.
ENDO, M., S. SANTOS, A., C., L., S. PAVAN, A., J. QUEIROZ., A., F. PAVAN, N., N., O. Endodontia em sessão única ou múltipla: revisão de literatura. RFO UPF vol.20, n.3, Passo Fundo Set./Dez.2015. ISSN 1413-4012. Endodontia em sessão única ou múltipla: revisão da literatura. Acesso em: 18 jun. 2025.
FONSECA, I. B., da CUNHA, J. F. B., MILAGRES, A. P., & Arantes, P. (2023). Ampliação tecnológica na endodontia pela utilização de recursos auxiliares de magnificação em tratamento endodôntico. Facit Business and Technology Journal, 2(42).
GALDINO, Andrea Brilhante et al. Procedimentos destinados ao diagnóstico da condição pulpar: revisão de literatura. SALUSVITA, Bauru, v. 37, n. 4, p. 985-1007, 2018.
GUIMARÃES, G., F. IZELLI, T., F. BASTOS, H., J., S. MELLO, C., C. SOUZA. J. B. ALVEZ., R. A., A. A magnificação e sua influência no tratamento endodôntico. Vol.30,n.2,pp.65-70 (Mar – Mai 2020). Brazilian Journal of Surgery and Clinical Research – BJSCR. BJSCR (ISSN online: 2317-4404). http://www.mastereditora.com.br/bjscr. Acesso em; 16 jun. 2025.
LEAL, A. S. M. Tratamento endodôntico realizado em sessão única: revisão de literatura. 2023. Tese de Doutorado. Universidade Federal do Maranhão. Acesso em: 25 de fevereiro de 2025.
MUKHERJEE, P., PATEL A., CHANDAK, M., KASHIKAR R. MinimallyInvasiveEndodontics a Promising Future Concept: A Review Article. InternationalJournalofScientificStudy | April 2017 | Vol 5 | Issue 1. Print ISSN: 2321-6379 Online ISSN: 2321-595X DOI: 10.17354/ijss/2017/199. Acesso em: 17 de março de 2025.
NEGRI, T. C. T.; PAGLIOSA, A.; SCORTEGAGNA, T. T. Complicações pós-operatórias em tratamento endodôntico em sessão única versus múltiplas sessões: uma revisão de literatura. Journal of Multidisciplinary Dentistry, [S. l.], v. 11, n. 1, p. 187–92, 2023. DOI: 10.46875/jmd.v11i1.652. Disponível em: https://jmdentistry.com/jmd/article/view/652. Acesso em: 20 set. 2025.
SANTIN, G. K. Vantagens e desvantagens da endodontia em sessão única e sessão múltipla: revisão da literatura. Journal of Multidisciplinary Dentistry, [S. l.], v. 11, n. 3, p. 115–20, 2024. DOI: 10.46875/jmd.v11i3.890. Disponível em: https://jmdentistry.com/jmd/article/view/890. Acesso em: 20 set. 2025.
SANTOS, L., L., R. BUSARELLO, J., A. RODRIGUES, E. L. Mechanized instrumentation of root canals: a literature review. Research, Society and Development, [S. l.], v. 12, n. 4, p. e18012440916, 2023. DOI: 10.33448/rsd-v12i4.40916. Disponível em: https://rsdjournal.org/rsd/article/view/40916. Acesso em: 18 agost. 2025.
SILVA, A., P., N., C. COUTO, A., A. LEAL, A., S., M. RIBEIRO, A., G., A. MOREIRA, A., B., B. RIBEIRO, B., H., N. VALOIS, E., M. AZEVEDO, I., M., C. CARDOSO, J., S. CIRILO, J., J., V. CARVALHO, K., T., P. Single session endodontics: literature review. Research, Society and Development, [S. l.], v. 12, n. 8, p. e17312841603, 2023. DOI: 10.33448/rsd-v12i8.41603. Disponível em: https://rsdjournal.org/rsd/article/view/41603. Acesso em: 18 de agost. 2025.
SILVA, D. A. S.; ALBINO, R. F. M.; SANTOS, R. M. R.. Tratamento de necrose pulpar em sessão única. Health of Humans, v.4, n.2, p.40-49, 2022. DOI: http://doi.org/10.6008/CBPC2674-6506.2022.002.0005
SILVA NETO, Divino Albino da; ALBINO, Rayanne Ferreira Martins; SANTOS, Romulo Matheus Rodrigues dos. Tratamento de necrose pulpar em sessão única. Health of Humans, [S. l.], v. 4, n. 2, p. 40–49, 2022. DOI: 10.6008/CBPC2674-6506.2022.002.0005. Disponível em: https://sapientiae.com.br/index.php/healthofhumans/article/view/212. Acesso em: 20 set. 2025.
SOUSA, Igor Tadeu de. A influência da tecnologia para endodontia em sessão única. 2024. 37f. Monografia (Especialização em Endodontia) – Faculdade São Leopoldo Mandic., Campinas – SP. Disponível em: https://biblioteca.slmandic.edu.br/biblioteca/index.asp?codigo_sophia=189263. Acesso em: 18 de agosto. 2025.
TENÓRIO, L. R., & NETO, O. C. Tratamento endodôntico em sessão única. Universidade são Francisco – curso de odontologia Bragança paulista 2018. Acesso: 20 de março de 2025.
XAVIER, A., G., B. Terapia fotodinâmica associada a tratamento endodôntico de necropulpectomia. Revisão de literatura e relato de caso. Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Campus de Araçatuba. 2023. Acesso: 21 ago. 2025.
