SEQUELAS DA AVULSÃO DENTÁRIA E O IMPACTO NA QUALIDADE DE VIDA DAS CRIANÇAS: REVISÃO DE LITERATURA

SEQUENCES OF TOOTH AVULSION AND ITS IMPACT ON THE QUALITY OF LIFE OF CHILDREN: A LITERATURE REVIEW

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202506152130


Suene Texeira Jansen França¹
Laysa Da Cunha Barros²


Resumo

A avulsão dentária acontece quando um dente é totalmente removido de seu local natural devido a um impacto, causando prejuízos significativos nas partes próximas, como o cemento, o ligamento periodontal, o osso alveolar, a gengiva e a polpa dental. A perda dental acidental configura um desafio significativo para a saúde coletiva, afetando negativamente a qualidade de vida relacionada à saúde bucal. Neste contexto, o objetivo desta pesquisa é examinar os principais impactos e avaliar a influência da avulsão dentária na qualidade de vida das crianças, buscando compreender as consequências a longo prazo dessa condição. Este trabalho trata-se de uma revisão de literatura narrativa. Para a pesquisa, quanto à análise de literatura, a avulsão dentária é um tipo de traumatismo dentoalveolar que envolve o deslocamento completo de um ou mais dentes de seu alvéolo. Na maioria dos casos, a lesão acomete um único dente, embora possam ocorrer avulsões múltiplas em algumas situações. A avulsão dentária na infância representa uma perda precoce que pode gerar diversas complicações para a criança. Dentre os principais problemas associados, destacam-se a deficiência na mastigação, alterações na fonação, modificações na estrutura óssea e gengival e problemas psicossociais. Assim, concluímos que a avulsão dentária em crianças representa não apenas um desafio clínico, mas também um impacto profundo na qualidade de vida dos afetados. As consequências dessa lesão, que vai muito além da perda de um dente, incluem comprometimentos funcionais e estéticos, além de danos significativos à saúde mental e emocional da criança.

Palavras-chave: Avulsão Dentária. Qualidade de Vida. Traumatismos em Odontologia.

Abstract

Tooth avulsion occurs when a tooth is completely displaced from its natural position due to an impact, causing significant damage to surrounding tissues, including the cementum, periodontal ligament, alveolar bone, gingiva, and dental pulp. Accidental tooth loss poses a significant challenge to public health, negatively impacting oral health-related quality of life. In this context, the objective of this study is to examine the primary impacts and evaluate the influence of tooth avulsion on the quality of life of children, seeking to understand the long-term consequences of this condition. This work is a narrative literature review. According to the literature analysis, tooth avulsion is a type of dentoalveolar trauma that involves the complete displacement of one or more teeth from their socket. In most cases, the injury affects a single tooth, although multiple avulsions can occur in some situations. Tooth avulsion in childhood represents a premature loss that can generate various complications for the child. Among the main problems associated, the following stand out: deficiency in mastication, alterations in phonation, modifications in bone and gingival structure, and psychosocial problems. Thus, we conclude that tooth avulsion in children represents not only a clinical challenge but also a profound impact on the quality of life of those affected. The consequences of this injury, which go far beyond the loss of a tooth, include functional and aesthetic compromises, as well as significant damage to the child’s mental and emotional health.

Keywords: Tooth Avulsion. Quality of Life. Dental Traumatology.

1 INTRODUÇÃO

A avulsão dentária acontece quando um dente é totalmente removido de seu local natural devido a um impacto, causando prejuízos significativos nas partes próximas, como o cemento, o ligamento periodontal, o osso alveolar, a gengiva e a polpa dental. Além disso, essa situação pode afetar os tecidos moles da cavidade oral. É uma emergência odontológica, e a falta de um atendimento ágil e adequado pode levar a consequências permanentes (De Araújo, 2022).

A perda dental acidental configura um desafio significativo para a saúde coletiva, afetando negativamente a qualidade de vida relacionada à saúde bucal (QVRSB) das pessoas e de suas famílias. Além da dor física e do desconforto, um trauma dental pode modificar a forma como a QVRSB é vivenciada, gerando estresse emocional e psicológico. Esse tipo de lesão pode levar a problemas como insegurança, autoestima prejudicada e dificuldades nas relações sociais, o que destaca a urgência de ações rápidas e eficientes para amenizar tais consequências (Freitas, 2020).

Segundo a Organização Mundial da Saúde, a avulsão dentária é uma lesão grave que resulta na remoção total do dente do seu alvéolo. Essa situação é considerada uma das mais severas entre as lesões que afetam tanto os dentes quanto os alvéolos, causando impactos significativos na funcionalidade, na aparência e no estado psicológico do paciente. Além disso, é categorizada como uma emergência odontológica de elevada severidade. A avulsão dentária é mais comum em crianças, com uma prevalência estimada variando entre 1% e 16% (Lopes et al., 2022).

A perda de dentes por avulsão é mais comum em duas fases da vida: entre 7 e 12 anos, quando as crianças substituem os dentes de leite pelos permanentes que ainda estão formando suas raízes; e entre 16 e 20 anos, fase em que a arcada dentária já está mais madura, mas ainda existe um risco significativo de lesões. (Menegotto et al., 2017).

As consequências mais significativas da avulsão dentária em jovens incluem impactos na aparência, na capacidade de mastigar, na articulação da fala, e também afetam o crescimento psicológico e social. A reimplantação do dente é uma opção de tratamento eficaz que deve ser realizada o quanto antes após o ocorrido, pois a saúde das células do ligamento periodontal é crucial para a recuperação das funções dentárias (Mach, 2022).

Várias investigações indicam que a perda dentária é uma lesão relevante, cujo resultado está diretamente relacionado com as medidas tomadas logo após o ocorrido. Portanto, o manejo adequado da situação durante o evento traumático é essencial para prolongar a presença do dente na boca, permitindo um intervalo mais longo até que sejam realizadas intervenções permanentes, como a instalação de um implante ou uma prótese fixa. (Da Silveira Sousa et al., 2023; Gonçalves et al., 2024; Tomazinho et al., 2024).

Neste contexto, o objetivo desta pesquisa é examinar os principais impactos e avaliar a influência da avulsão dentária na qualidade de vida das crianças, buscando compreender as consequências a longo prazo dessa condição.

2 REVISÃO DA LITERATURA

2.1 Conceito e sequelas funcionais e estéticas da avulsão dentária em crianças

A avulsão dental é uma lesão provocada por um trauma, caracterizando-se pelo deslocamento do dente para fora do seu alvéolo. Esse tipo de lesão é uma forma de trauma dentoalveolar, que pode afetar um ou mais dentes, os quais ficam temporariamente fora de seus alvéolos. As avulsões geralmente ocorrem em um único dente, embora em algumas situações possam envolver vários dentes, sendo o incisivo central superior o mais frequentemente impactado. Essa condição é considerada uma emergência odontológica, e a ausência de um atendimento imediato ou a manipulação inadequada do dente pode levar a sérias consequências que podem ser irreversíveis após o incidente (Miloro et al., 2016).

O trauma dentoalveolar representa uma questão significativa de saúde pública, dada sua alta frequência, especialmente entre crianças e adolescentes. Essa realidade está intimamente relacionada às causas mais frequentes, que incluem a agitação típica da infância, atividades recreativas, quedas, confrontos, esportes envolvendo corrida, lutas e uso de bola, além de acidentes de trânsito e violência no âmbito familiar (Andersson et al., 2018).

As lesões dentoalveolares representam um desafio considerável para a saúde pública, essa condição impacta de sobremaneira a cavidade bucal, que se revela como a segunda área mais suscetível a esse tipo de lesão. As consequências dessas lesões podem comprometer a estética, a função de mastigação, a produção da fala, além de influenciar o desenvolvimento psicológico e social do indivíduo. Durante a avaliação realizada pelo cirurgião-dentista, é fundamental investigar aspectos como: quando, onde e de que maneira o acidente ocorreu, examinar as queixas do paciente, identificar possíveis lesões ou traumas, sejam eles internos ou externos, e realizar exames complementares, como radiografias (Levin et al., 2020).

A extração prematura de um dente, seja temporário ou permanente, durante a infância pode acarretar efeitos importantes no desenvolvimento bucal e na saúde geral da criança. Entre os principais problemas relacionados à perda de dentes nessa fase estão dificuldades na mastigação e na digestão, alterações na fala e na articulação, modificações na estrutura óssea e gengival, crescimento excessivo dos dentes da arcada oposta, além de questões referentes à oclusão e ao alinhamento dental (Marrul et al., 2022).

As lesões que muitas vezes resultam em perda de dentes estão relacionadas à intrusão e à queda de dentes decíduos, especialmente em casos onde existe uma proximidade significativa entre a raiz do dente de leite e a parte exposta do dente permanente subsequente. Pesquisas indicam que as repercussões mais frequentes vão desde alterações discretas, como variações na coloração e hipoplasia do esmalte, até complicações mais sérias, como danos à coroa e à raiz (De Moraes et al., 2021).

Além das dificuldades citadas anteriormente, é possível que surjam fístulas, abscessos e mudanças na coloração dental. Esses efeitos podem ter um impacto significativo na saúde bucal e no bem-estar geral do paciente, prejudicando funções fundamentais como o sono e a alimentação. Ademais, tais questões podem influenciar a autoconfiança, a satisfação pessoal e a habilidade de manter um estado emocional estável, resultando, por conseguinte, na diminuição da qualidade de vida da pessoa (Baiju et al., 2017).

De acordo com Meier et al. (2024), a ausência de dentes pode afetar de maneira considerável a fala, prejudicando a articulação de sons essenciais para a comunicação. Essa situação pode tornar mais complicado o pronunciamento de palavras e fonemas, resultando em dificuldades na expressão verbal e nas relações sociais. Ademais, a perda de dentes durante a infância pode influenciar o desenvolvimento da linguagem, ocasionando atrasos na aquisição de competências linguísticas e na pronúncia adequada das palavras.

Sob a perspectiva estética, a falta de dentes pode provocar alterações significativas na aparência, como a redução do suporte labial e a modificação do contorno facial, impactando a imagem da criança. Essas mudanças podem ter um efeito prejudicial na autoconfiança. Ademais, a alteração na estética pode resultar em desafios emocionais e sociais, incluindo situações de bullying ou a formação de uma autoimagem negativa (De Jesus Queiros et al., 2022).

A perda de dentes durante a infância pode afetar profundamente o desenvolvimento tanto dos dentes quanto dos ossos da criança. A falta de dentes pode interferir no crescimento e na formação da mandíbula, resultando em assimetrias na face e possivelmente gerando problemas ortodônticos posteriormente (Gonçalves et al., 2024).

A perda de dentes por avulsão é uma situação que provoca grande preocupação devido ao seu impacto nas emergências de traumas odontológicos. Embora seja uma lesão bastante comum, figurando possivelmente como a quinta mais prevalente entre as condições agudas ou crônicas globalmente, sua frequência destaca a necessidade de mais atenção e investigação. Compreender melhor a avulsão dentária é crucial para desenvolver abordagens de tratamento mais eficazes, minimizando as consequências adversas e, assim, melhorando a qualidade de vida dos indivíduos afetados (Da Paixão Silva et al., 2025).

2.2 Aspectos psicossociais da avulsão dentária na infância

A avulsão dentária é uma condição que gera grande preocupação devido ao seu impacto significativo nas situações de emergência envolvendo traumas nos dentes. Embora seja uma lesão relativamente comum, possivelmente ocupando a quinta posição entre as doenças e lesões, tanto agudas quanto crônicas, em todo o mundo, sua frequência destaca a necessidade de uma análise mais aprofundada e de cuidados adequados (FreireMaia et al., 2015). 

Pesquisas, como a realizada por Pimentel et al. (2022), indicam que a perda de dentes, especialmente os da frente, gera um forte impacto psicológico e social, influenciando de maneira considerável a qualidade de vida dos indivíduos, em razão de sua ligação direta com a aparência facial.

A perda de dentes pode afetar significativamente a vida infantil, influenciando não apenas a saúde oral, mas também o bem-estar emocional e social das crianças. A Qualidade de Vida Relacionada à Saúde Bucal é entendida como um conceito subjetivo e multifacetado que representa o conforto da criança em atividades como comer, dormir, socializar, além de refletir sua autoestima e satisfação pessoal. Esse conceito abrange aspectos do bem-estar, incluindo funções físicas, emocionais, mentais, sociais e comportamentais, levando em conta as percepções tanto da própria criança quanto de seus pais e cuidadores (De Araújo, 2022).

A ausência de dentes pode ter repercussões significativas no aspecto psicossocial. Como destacado, os dentes de leite desempenham uma função crucial no desenvolvimento morfológico, funcional e psicossocial durante a infância. Essa situação pode gerar problemas psicológicos, incluindo a baixa autoestima, ansiedade e dificuldades nas relações sociais. Ademais, os impactos psicossociais são refletidos nas percepções estéticas e na qualidade de vida da criança (Munhaes et al., 2022).

A falta de dentes pode afetar negativamente as interações sociais das crianças, impactando sua autoconfiança e desenvolvimento emocional. Além das consequências físicas, essa condição pode influenciar a aparência e as relações sociais. Podendo resultar em efeitos psicológicos adversos tanto para a criança quanto para seus familiares. O cirurgião-dentista desempenha um papel importante na busca pela melhora das lesões físicas e do bem-estar psicológico dos pacientes (Freitas, 2020).

A remoção de um dente pode resultar em efeitos duradouros e irreparáveis, tornando fundamental examinar o impacto disso na qualidade de vida dos adolescentes afetados. Para tal, é importante empregar instrumentos que mensurem a qualidade de vida associada à saúde bucal (QVRSO), permitindo a avaliação dos efeitos da extração não apenas na saúde dental, mas também no bem-estar global da criança, englobando fatores físicos, emocionais e sociais. Essa visão abrangente é crucial para compreender a verdadeira magnitude das consequências da perda dentária e para elaborar estratégias eficazes que reduzam seus efeitos negativos (Da Rocha Tunes et al., 2017).

Outro fator é que os dentes desempenham um papel crucial na formação da fala, pois afetam a maneira como pronunciamos determinados sons. Portanto, a falta de dentes pode trazer diversas consequências prejudiciais ao indivíduo, gerando problemas na fala, aparência insatisfatória e até dificuldades nas interações sociais. Assim, é importante que crianças que sofrem com essa condição recebam o suporte e as intervenções necessárias para reduzir os impactos negativos, especialmente no que diz respeito à sua vida social (Cruz et al. 2023).

2.3 Avulsão dentária: abordagens terapêuticas e estratégias de reabilitação

O atendimento rápido em casos de avulsão dentária em crianças é crucial e deve ser feito o quanto antes após o ocorrido. Normalmente, a abordagem mais eficaz é o reimplante do dente que foi perdido, embora diversos fatores precisem ser avaliados, sobretudo durante a primeira consulta, assegurando uma anamnese detalhada da situação clínica atual (De Aquino et al., 2020).

As ações imediatas diante do Traumatismo Dental apresentam desafios diários para o Cirurgião Dentista, em decorrência da diversidade de lesões que podem afetar tanto o dente quanto a cavidade oral. Esses atendimentos muitas vezes oferecem reabilitação, funcionalidade, estética e conforto ao paciente. Após a reintegração de um dente que foi deslocado, é essencial realizar uma análise clínica e radiográfica minuciosa para verificar a saúde do dente e das regiões adjacentes (Vieira et al., 2023).

A recuperação após a remoção de um dente não se limita apenas a restaurar sua aparência e função, mas também abrange a satisfação do paciente e a preservação da saúde periodontal. O acompanhamento clínico é crucial e deve envolver avaliações frequentes para verificar a revascularização e a condição da polpa do dente reimplantado. Caso seja identificada a necrose da polpa, pode ser necessário realizar um tratamento de canal para proteger o dente e prevenir complicações futuras. Um plano de tratamento personalizado e contínuo é essencial para assegurar o sucesso duradouro da recuperação (Lima et al., 2023)

Assim, por meio de um diagnóstico adequado, é possível determinar a origem do trauma, mapeando a lesão e suas repercussões na saúde e na vida da criança, o que permite um planejamento eficaz para preservar o dente na cavidade bucal sempre que possível, evitando assim procedimentos mais invasivos e promovendo a recuperação funcional e emocional do paciente. Se o reimplante do dente não for possível, a recuperação pode exigir alternativas como próteses para recuperar a função e a estética da cavidade bucal (De Moura et al., 2022).

Em situações de danos nos dentes, é fundamental procurar um dentista imediatamente. Geralmente, são os adultos que ficam encarregados de prestar os primeiros socorros. Neste contexto, é essencial oferecer diretrizes claras aos pacientes e acompanhantes sobre os cuidados necessários após o incidente, a fim de assegurar uma recuperação efetiva. Devem ser fornecidas orientações detalhadas sobre a higiene bucal, manejo da dor e identificação de possíveis complicações. Além disso, o apoio emocional desempenha um papel vital, especialmente para as crianças, ajudando-as a enfrentar o impacto psicológico da perda dental e a evitar consequências emocionais futuras (Moraes et al., 2020).

O cuidado após a extração dentária visa minimizar as complicações relacionadas e proporcionar vantagens para as crianças afetadas por essa situação. Compreende-se que a agilidade na procura por esse atendimento após o traumatismo é crucial para o prognóstico favorável do dente lesionado, portanto, é fundamental que os pais estejam devidamente informados sobre o assunto (gomes et al., 2020).

Em síntese a avulsão dentaria em crianças demanda uma estratégia realmente colaborativa, que envolve desde os cuidados imediatos até a recuperação a longo prazo, levando em conta tanto as necessidades funcionais quanto as preocupações estéticas. (Menegotto et al., 2017).

3 METODOLOGIA 

Em relação aos métodos utilizados, este estudo foi constituído de uma revisão de literatura narrativa. Para a realização do trabalho, foram consultadas bases de dados eletrônicas, como a Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e a Scientific Electronic Library Online (SciELO). Além disso, a plataforma U.S. National Library of Medicine (PubMed) foi incluída na pesquisa através de descritores específicos como Avulsão Dentária, Qualidade de Vida e Traumatismos em Odontologia (Tooth Avulsion; Quality of Life; Dental Traumatology).

Os critérios para inclusão abrangem artigos disponíveis em português ou inglês, que sejam totalmente acessíveis em formato digital, que sejam pertinentes ao tema em análise e que tenham sido publicados entre 2015 e 2025. Em contrapartida, os critérios para exclusão incluem artigos duplicados ou aqueles que não correspondam aos descritores, objetivos, período ou assunto definido, pois não atendem aos requisitos da pesquisa científica.

4 DISCUSSÃO

A avulsão dentária traumática é um tema importante na literatura odontológica, representando uma lesão resultante de um traumatismo que pode ter consequências significativas para crianças e jovens. Segundo Freitas (2020), essa situação é vista como um problema de saúde coletiva que impacta não apenas a saúde física, mas também o estado emocional e a qualidade de vida dos indivíduos afetados. A gravidade do caso pode diferir conforme as características do trauma e as condições do tratamento que for realizado.

De acordo com o que foi destacado por Vieira et al. (2023), o incisivo central superior é o dente que apresenta maior risco de avulsão. Essa constatação é crucial, pois enfatiza a necessidade de intervenções rápidas e eficientes para atenuar as consequências desse tipo de lesão. Em contrapartida, Moraes et al. (2020) defendem que a prevenção de danos dentários deve ser uma prioridade, principalmente em áreas onde a prática esportiva é comum. É essencial reconhecer que essas duas perspectivas são significativas e se complementam: enquanto a urgência no atendimento é evidente, a ênfase na prevenção pode ter um efeito considerável na diminuição da incidência dessas lesões.

Freire-Maia et al. (2015) discutem de maneira abrangente a perspectiva psicossocial relacionada à perda de dentes, ressaltando que as repercussões emocionais dessa situação podem perdurar e afetar o desenvolvimento social infantil. Por outro lado, Munhaes et al. (2022) enfatizam que os efeitos emocionais negativos podem ser reduzidos através de um tratamento apropriado e em tempo hábil, sugerindo que uma visão excessivamente negativa pode ser superada com a ajuda psicológica e a orientação dos responsáveis. Essa variedade de pontos de vista evidencia a complexidade do processo de recuperação, no qual intervenções rápidas podem resultar em impactos significativos.

Nesse cenário, a perda de dentes deve ser avaliada não apenas do ponto de vista biológico, mas também através de uma análise dos aspectos sociais envolvidos. Segundo Cruz et al. (2020), a falta de dentes na parte frontal pode impactar a autoimagem da criança, resultando em insegurança e diminuição da autoestima. No entanto, essa apreensão pode ser reconsiderada ao se reconhecer que um suporte psicossocial adequado pode fortalecer a resiliência das crianças afetadas, indicando que o programa de reabilitação deve incorporar estratégias de diversas áreas.

Os estudos na área de odontologia ressaltam a relevância de uma gestão eficaz em casos de trauma dental. De acordo com Gonçalves e colaboradores (2024), a resposta inicial exerce um papel crucial no prognóstico a longo prazo da avulsão dental. Por sua vez, Tomazinho e sua equipe (2024) salientam que a qualidade do atendimento pós-tratamento é igualmente importante para o êxito do procedimento. Essa perspectiva dual evidencia a necessidade de um acompanhamento contínuo, sendo a interação entre o atendimento inicial e a reabilitação subsequente essencial para otimizar os resultados e garantir uma recuperação satisfatória.

A literatura especializada em odontologia ressalta a relevância de uma administração eficaz em casos de trauma dental. Segundo Gonçalves et al. (2024), a intervenção inicial influencia de maneira significativa o prognóstico a longo prazo após uma avulsão dental. Por sua vez, Tomazinho et al. (2024) apontam que a qualidade do atendimento pós-tratamento é igualmente vital para o êxito do procedimento. Essa perspectiva dual enfatiza a necessidade de um acompanhamento contínuo, evidenciando a conexão entre o atendimento inicial e a reabilitação subsequente como essencial para otimizar os resultados e garantir uma recuperação satisfatória.

Um aspecto relevante a ser mencionado é que a orientação exerce uma função vital na recuperação após a extração de dentes, conforme evidenciado por várias investigações. A compreensão dos responsáveis acerca dos cuidados exigidos após o procedimento, conforme destacado por Marinho et al. (2019), é crucial para facilitar uma recuperação bem-sucedida. 

Entretanto, Levin et al. (2020) afirma que é importante ressaltar que a educação sozinha não basta. É necessário um apoio conjunto que envolva profissionais de saúde mental, odontologistas, pais e responsáveis e outros especialistas, visando oferecer uma abordagem integrada e garantir uma recuperação total e satisfatória.

5 CONCLUSÃO

A perda de dentes por avulsão em crianças não é apenas um desafio para a saúde, mas também afeta significativamente a qualidade de vida dos jovens que passam por essa situação. As repercussões dessa lesão traumática vão além da mera falta de um dente, impactando funções essenciais como a mastigação e a fala, além de influenciar aspectos estéticos e, fundamentalmente, a saúde emocional e psicológica da criança. 

Pesquisas mostram que a avulsão dentária pode gerar dificuldades na mastigação e na fala, bem como problemas relacionados à autoestima, interação social e adaptação emocional. Essa realidade ressalta a importância de uma abordagem completa e multidisciplinar, que leve em conta tanto os aspectos físicos quanto os psicossociais no processo de recuperação, assegurando, assim, uma reabilitação eficaz e integral.

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¹Discente do Curso Superior de odontologia Faculdade Edufor Campus Turu
²Docente do Curso Superior de odontologia Faculdade Edufor Campus Turu

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