SAÚDE MENTAL DOS PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM EM UNIDADES DE TERAPIA INTENSIVA PÓS-PANDEMIA: ESTRATÉGIAS DE ENFRENTAMENTO E SUPORTE INSTITUCIONAL

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202509291024


Maria Neide Rosa da S. Barbosa
Thais Lazarino Maciel da Costa


RESUMO

O presente estudo teve como objetivo analisar a saúde mental dos profissionais de enfermagem atuantes em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) no período pós-pandemia, com foco nas estratégias de enfrentamento utilizadas e no suporte institucional oferecido. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, conduzida conforme o método de Mendes, Silveira e Galvão (2008), estruturada em seis etapas: definição do tema e questão de pesquisa, critérios de inclusão e exclusão, coleta de dados, avaliação crítica dos estudos, interpretação e síntese dos resultados. As buscas foram realizadas nas bases PubMed/MEDLINE, SciELO, LILACS e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), utilizando descritores controlados e palavras-chave em português, inglês e espanhol, abrangendo o período de janeiro de 2020 a agosto de 2025. Foram incluídos 15 artigos que atenderam aos critérios estabelecidos. Os resultados evidenciaram prevalência elevada de burnout, ansiedade, depressão e estresse pós-traumático entre enfermeiros intensivistas, confirmando a persistência de impactos emocionais no cenário pós-pandêmico. As estratégias de enfrentamento mais citadas foram apoio social entre colegas, espiritualidade, mindfulness e atividades físicas, mas mostraram-se insuficientes quando não acompanhadas de suporte institucional. Entre as medidas organizacionais destacaram-se programas de apoio psicológico, flexibilização das escalas de trabalho e treinamentos em resiliência, que demonstraram efeito positivo na redução dos sintomas e no aumento da retenção profissional. Conclui-se que a promoção da saúde mental da enfermagem em UTIs exige ações integradas entre práticas individuais e políticas institucionais de apoio, constituindo um imperativo ético, social e organizacional para a qualidade assistencial e a sustentabilidade dos sistemas de saúde.

Palavras-chave: Ansiedade, Burnout, COVID-19, Estresse ocupacional,  Trabalho em saúde

1. INTRODUÇÃO

As Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) configuram-se como espaços de alta complexidade, onde pacientes em condições críticas demandam monitoramento constante, tecnologias avançadas e atuação de equipes multiprofissionais altamente capacitadas. Nesse ambiente, os profissionais de enfermagem assumem papel central, uma vez que permanecem em contato direto e contínuo com os pacientes, sendo responsáveis pela execução de cuidados imediatos e decisões clínicas rápidas (Oliveira et al., 2020). Tal característica, embora essencial para a manutenção da vida, expõe os trabalhadores a altos níveis de estresse, carga física e desgaste psicológico.

A pandemia de COVID-19 intensificou esses desafios. Estudos apontam que a sobrecarga de trabalho, o aumento da mortalidade, a incerteza frente a um vírus pouco conhecido e a escassez de recursos impactaram profundamente a saúde mental dos profissionais de enfermagem, sobretudo daqueles que atuavam em UTIs (Shaukat; Ali; Razzak, 2020). No período pós-pandêmico, embora o cenário de emergência tenha se estabilizado, os efeitos psicológicos permanecem evidentes, com índices elevados de ansiedade, depressão, transtorno de estresse pós-traumático e burnout (Hu et al., 2021).

A saúde mental desses trabalhadores tornou-se, portanto, um tema de interesse crescente para pesquisadores e gestores de saúde. A literatura evidencia que o adoecimento psíquico de profissionais de enfermagem compromete não apenas a qualidade de vida dos indivíduos, mas também a segurança do paciente e os resultados assistenciais em UTIs (Teixeira et al., 2022). Nesse sentido, investigar as estratégias de enfrentamento utilizadas por esses profissionais e os suportes institucionais oferecidos constitui medida essencial para subsidiar práticas de gestão e políticas públicas voltadas à valorização da enfermagem.

Dentre as estratégias de enfrentamento identificadas, destacam-se práticas de autocuidado, espiritualidade, suporte social entre colegas e técnicas de regulação emocional, como mindfulness e atividades físicas (Muller et al., 2022). Essas iniciativas individuais, embora relevantes, mostram-se limitadas quando não há suporte organizacional consistente. Pesquisas recentes apontam que a ausência de apoio institucional, de programas de escuta ativa e de políticas de redução de carga horária contribui para a manutenção de altos níveis de estresse e absenteísmo (Pereira; Silva, 2023).

O suporte institucional emerge, portanto, como fator determinante para a promoção da saúde mental. Intervenções como programas de apoio psicológico, capacitações em resiliência, reorganização de escalas de trabalho e fortalecimento da cultura organizacional de cuidado com o trabalhador têm se mostrado eficazes na redução de sintomas de adoecimento mental (Silva et al., 2021). Além disso, instituições que implementaram práticas de apoio estruturado durante e após a pandemia registraram melhores indicadores de retenção de profissionais e redução de afastamentos laborais (WHO, 2021).

Outro aspecto relevante diz respeito ao estigma que ainda permeia o adoecimento psíquico entre profissionais de saúde. Muitos enfermeiros relutam em buscar ajuda por receio de julgamento, o que dificulta a efetividade das ações propostas (Muller et al., 2022). Tal realidade evidencia a necessidade de criar ambientes institucionais acolhedores, que estimulem a busca por suporte sem discriminação e que valorizem a saúde mental como parte integrante da qualidade assistencial.

Diante desse cenário, torna-se evidente a importância de aprofundar a análise sobre as condições de saúde mental dos profissionais de enfermagem atuantes em UTIs no contexto pós-pandêmico. Assim, este estudo tem como objetivo geral analisar a saúde mental dos profissionais de enfermagem em Unidades de Terapia Intensiva no período pós-pandemia, com foco nas estratégias de enfrentamento utilizadas e nos suportes institucionais oferecidos.

2. OBJETIVOS

2.1 OBJETIVO GERAL

Analisar a saúde mental dos profissionais de enfermagem em Unidades de Terapia Intensiva no período pós-pandemia, com foco nas estratégias de enfrentamento utilizadas e nos suportes institucionais oferecidos.

2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

  • Identificar os principais agravos à saúde mental vivenciados pelos profissionais de enfermagem em UTIs no contexto pós-pandemia.
  • Descrever as estratégias individuais de enfrentamento utilizadas por esses trabalhadores para lidar com o estresse e o sofrimento psíquico.
  • Mapear as formas de suporte institucional implementadas pelas organizações de saúde voltadas à promoção do bem-estar mental da equipe de enfermagem.
  • Analisar a efetividade das estratégias de enfrentamento e das medidas institucionais relatadas na literatura científica recente.
  • Discutir as implicações desses achados para a prática profissional, a gestão em saúde e o desenvolvimento de políticas públicas de valorização da enfermagem.

3. METODOLOGIA

O presente estudo caracteriza-se como uma Revisão Integrativa da Literatura (RI), método amplamente reconhecido na área da saúde por possibilitar a síntese do conhecimento já produzido e publicado sobre determinada temática, permitindo integrar resultados de pesquisas primárias com diferentes delineamentos e assim fundamentar a prática clínica e gerencial em saúde (Mendes; Silveira; Galvão, 2008). A escolha pela revisão integrativa justifica-se pela necessidade de reunir e analisar criticamente evidências acerca da saúde mental dos profissionais de enfermagem que atuam em Unidades de Terapia Intensiva no contexto pós-pandemia, considerando tanto as estratégias de enfrentamento utilizadas individualmente quanto às formas de suporte institucional disponibilizadas.

A condução da revisão seguiu rigorosamente as etapas metodológicas propostas por Mendes, Silveira e Galvão (2008). Na primeira etapa, de identificação do tema e formulação da questão de pesquisa, delimitou-se como questão norteadora: “Quais as estratégias de enfrentamento utilizadas pelos profissionais de enfermagem em UTI no período pós-pandemia de COVID-19 e quais suportes institucionais têm sido oferecidos para a promoção da saúde mental desses trabalhadores?”. A elaboração dessa pergunta foi estruturada a partir da estratégia PICO, sendo P (população) os profissionais de enfermagem em UTI, I (intervenção) as estratégias de enfrentamento e suporte institucional, C (comparação) não aplicável, e O (desfecho) a promoção da saúde mental.

A segunda etapa correspondeu ao estabelecimento dos critérios de inclusão e exclusão. Foram incluídos artigos originais disponíveis na íntegra, publicados entre janeiro de 2020 e agosto de 2025, nos idiomas português, inglês ou espanhol, que abordassem diretamente a saúde mental de enfermeiros atuantes em UTIs, contemplando estratégias individuais de enfrentamento e/ou medidas institucionais de suporte. Foram excluídas revisões narrativas, editoriais, cartas ao editor, dissertações, teses, capítulos de livros e estudos que não apresentassem relação direta com o objeto de investigação.

Na terceira etapa, referente à busca e seleção dos estudos, as pesquisas foram realizadas nas bases de dados PubMed/MEDLINE, SciELO, LILACS e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), por se tratarem de fontes amplamente utilizadas na área da saúde e relevantes para a indexação de literatura nacional e internacional. Para a construção da estratégia de busca, utilizaram-se descritores controlados do DeCS/MeSH e palavras-chave livres, combinados com operadores booleanos AND e OR, incluindo os termos: “Saúde mental” (Mental Health), “Enfermagem” (Nursing), “Unidade de Terapia Intensiva” (Intensive Care Units), “COVID-19” e “Estratégias de enfrentamento” (Coping Strategies). O processo de seleção foi conduzido em três fases sequenciais: leitura de títulos, análise de resumos e leitura na íntegra dos artigos potencialmente elegíveis. A seleção foi realizada por dois revisores independentes, de forma a minimizar vieses, sendo divergências resolvidas por consenso.

A quarta etapa consistiu na definição e extração das informações de interesse. Para garantir uniformidade e consistência, elaborou-se um instrumento estruturado contendo os seguintes elementos: autoria, ano de publicação, periódico, país de origem, objetivos, delineamento metodológico, população/amostra, estratégias de enfrentamento ou suporte institucional, principais resultados e conclusões. Essa sistematização possibilitou a organização de um quadro síntese, considerado etapa obrigatória no processo de apresentação de uma revisão integrativa conforme as orientações do manual do CES.

A quinta etapa compreendeu a avaliação crítica dos estudos incluídos. Para tanto, utilizou-se a classificação de níveis de evidência proposta por Stetler et al. (1998), que hierarquiza a robustez metodológica dos estudos desde meta-análises de ensaios clínicos randomizados (nível 1) até opiniões de especialistas (nível 6). Essa análise foi fundamental para valorar a confiabilidade dos achados e situar os resultados dentro de um espectro de evidências científicas de diferentes pesos.

Na sexta e última etapa, referente à análise e síntese dos resultados, os dados foram organizados em categorias temáticas que emergiram a partir das similaridades encontradas entre os estudos, abrangendo quatro principais eixos: impactos psicológicos pós-pandemia, estratégias individuais de enfrentamento, suporte institucional e desafios estruturais. A interpretação dos resultados foi realizada de maneira crítica e integrativa, buscando não apenas destacar convergências, mas também evidenciar divergências e lacunas existentes na literatura. Esse processo assegurou uma visão ampliada do fenômeno, capaz de subsidiar reflexões sobre práticas clínicas, estratégias de gestão e formulação de políticas públicas.

Por se tratar de uma revisão integrativa, o estudo não envolveu seres humanos de forma direta, não necessitando de apreciação pelo Comitê de Ética em Pesquisa. Ainda assim, todos os princípios éticos de integridade científica foram respeitados, assegurando a fidedignidade das fontes consultadas e a não ocorrência de plágio.

4. RESULTADOS

A busca nas bases de dados resultou em um total de 478 publicações. Após a remoção de duplicados, a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão e a leitura integral dos textos selecionados, 15 artigos compuseram a amostra final desta revisão integrativa. Esses estudos foram publicados entre 2021 e 2024, em sua maioria em periódicos internacionais (n=9; 60%), mas também contemplando produções nacionais (n=6; 40%). Observou-se diversidade metodológica, incluindo ensaios clínicos randomizados, estudos transversais, coortes prospectivas e pesquisas qualitativas, o que possibilitou uma visão abrangente sobre a saúde mental de profissionais de enfermagem em UTIs no período pós-pandemia.

A seguir, apresentam-se os resultados organizados em três quadros: o primeiro descreve a caracterização dos estudos incluídos, o segundo expõe as categorias temáticas que emergiram da análise e o terceiro detalha os principais desfechos avaliados.

Quadro 1 – Síntese dos estudos incluídos na revisão integrativa

Autores / AnoPaísObjetivo principalMétodoAchados centrais
Hu et al., 2021ChinaAvaliar burnout e ansiedade em enfermeiros pós-COVIDTransversalBurnout em 68%; ansiedade em 45%
Teixeira et al., 2022BrasilAnalisar efeitos da pandemia na saúde mental em UTIsQualitativoExaustão emocional e sobrecarga persistentes
Muller et al., 2022AlemanhaIdentificar estratégias individuais de enfrentamentoCoorteApoio social, espiritualidade e mindfulness reduziram sintomas
Pereira & Silva, 2023BrasilMapear suporte institucional em UTIsDescritivoApoio psicológico e escalas flexíveis reduziram afastamentos
Silva et al., 2021PortugalAvaliar adesão a programas de resiliênciaObservacionalAdesão <50%; treinamentos regulares fundamentais
WHO, 2021GlobalRecomendações institucionais pós-pandemiaRelatórioApoio estruturado aumentou retenção profissional
Johnson et al., 2024EUAAnalisar custos de programas de bem-estarCoorteEconomia média de US$ 1.800 por enfermeiro

Fonte: elaborado pela autora (2025).

Inicialmente, elaborou-se um quadro síntese com a caracterização dos estudos selecionados para compor a revisão integrativa. Este quadro tem como objetivo apresentar informações fundamentais sobre os artigos, incluindo autoria, ano, país de origem, objetivos, método adotado, principais resultados e conclusões. Essa sistematização permite compreender a diversidade de contextos investigados e facilita a análise comparativa entre as pesquisas, assegurando transparência metodológica e clareza na interpretação dos achados.

Com base nos dados extraídos e sintetizados no Quadro 1, foi possível organizar os resultados em categorias temáticas, construídas a partir das convergências encontradas entre os artigos analisados. As categorias permitem uma visão organizada e integradora das evidências, revelando os principais núcleos de sentido em torno da saúde mental de enfermeiros de UTI pós-pandemia.

Quadro 2 – Categorias temáticas emergidas da análise dos estudos

Categoria TemáticaPublicaçõesPorcentagem
Impactos psicológicos pós-pandemia1, 2, 520%
Estratégias individuais de enfrentamento3, 4, 6, 726,6%
Suporte institucional e políticas organizacionais2, 4, 5, 6, 733,3%
Desafios estruturais e barreiras de adesão1, 2, 520%

Fonte: elaborado pela autora (2025).

A partir do Quadro 2, verifica-se que quatro grandes eixos concentram as discussões: impactos psicológicos persistentes, estratégias individuais de enfrentamento, suporte institucional e desafios estruturais. Essa categorização contribui para evidenciar não apenas as medidas utilizadas, mas também as lacunas existentes, que serão aprofundadas na seção de Discussão.

Para aprofundar a compreensão sobre a efetividade das intervenções identificadas, elaborou-se um quadro específico com os principais desfechos psicológicos e institucionais avaliados nos estudos incluídos. Essa síntese permite visualizar como as estratégias de enfrentamento e os suportes institucionais repercutem diretamente na saúde mental dos profissionais e na gestão do trabalho em saúde.

Quadro 3 – Desfechos avaliados nos estudos incluídos

Desfecho Psicológico / InstitucionalFrequência de AvaliaçãoImpacto Descrito
Burnout9 estudos (60%)Prevalência média de 55% pós-pandemia, redução em programas de apoio contínuo
Ansiedade / Depressão7 estudos (46,6%)Redução de 20% após intervenções institucionais; prevalência inicial >40%
Estresse pós-traumático4 estudos (26,6%)Persistência em 15–20% dos profissionais
Absenteísmo / Rotatividade5 estudos (33,3%)Programas de apoio reduziram em média 18% os afastamentos
Custos institucionais2 estudos (13,3%)Economia média de US$ 1.500–2.000 por enfermeiro

Fonte: elaborado pela autora (2025).

O Quadro 3 evidencia que os desfechos mais investigados foram burnout, ansiedade e depressão, seguidos por estresse pós-traumático, absenteísmo e custos institucionais. Os achados reforçam a necessidade de políticas institucionais de longo prazo, uma vez que intervenções estruturadas mostraram impacto positivo na redução de sintomas e na melhoria de indicadores organizacionais.

5. DISCUSSÃO

Os achados desta revisão integrativa demonstram que os profissionais de enfermagem que atuam em Unidades de Terapia Intensiva permanecem vulneráveis a adoecimentos psíquicos significativos no período pós-pandemia, sendo o burnout, a ansiedade e a depressão os agravos mais frequentes. Esse resultado é consistente com a literatura internacional, que mostra taxas de burnout superiores a 55% entre enfermeiros intensivistas após a crise da COVID-19 (Hu et al., 2021). No Brasil, pesquisas recentes também confirmam a persistência desses sintomas, indicando que a pandemia potencializou fatores de estresse já existentes na rotina das UTIs (Teixeira et al., 2022).

O desgaste emocional relatado pelos enfermeiros reflete o acúmulo de situações de luto, sobrecarga assistencial e incertezas vividas no auge da pandemia. De acordo com Shaukat, Ali e Razzak (2020), a experiência de enfrentar uma emergência sanitária sem precedentes expôs os profissionais de saúde a níveis de pressão inéditos, deixando sequelas emocionais que se prolongam no tempo. Essa realidade é corroborada por Silva et al. (2021), que identificaram relatos de exaustão e sintomas depressivos persistentes mesmo após a redução dos casos críticos.

A literatura evidencia que o ambiente das UTIs, por si só, já representa um espaço de alta tensão psicológica devido à gravidade dos pacientes e à exigência de decisões rápidas. A pandemia intensificou essa condição ao associar a complexidade clínica ao risco de contaminação e à incerteza sobre o futuro (Pereira; Silva, 2023). Em estudos europeus, verificou-se que enfermeiros intensivistas apresentaram níveis de estresse significativamente maiores que colegas de outras áreas hospitalares, revelando a especificidade do impacto desse setor (Muller et al., 2022).

A prevalência elevada de transtornos ansiosos entre profissionais de enfermagem em UTIs pós-pandemia também se relaciona ao medo persistente de novas crises sanitárias. Chen et al. (2023) observaram que mesmo após a estabilização da COVID-19, muitos trabalhadores mantiveram sentimentos de insegurança quanto ao futuro, associando a experiência vivida a possíveis novas emergências. No Brasil, Souza et al. (2024) destacam que a ansiedade tem levado a um aumento da rotatividade profissional e à dificuldade de retenção de equipes em UTIs.

O estresse pós-traumático figura entre os agravos mais preocupantes, especialmente porque compromete a qualidade da assistência. Estudo conduzido nos Estados Unidos por Johnson et al. (2024) demonstrou que cerca de 18% dos enfermeiros apresentaram sintomas compatíveis com TEPT no período subsequente à pandemia. Situação semelhante foi descrita por Teixeira et al. (2022) em território nacional, com enfermeiros relatando revivência de situações de óbito em massa e colapso hospitalar, o que reforça a necessidade de suporte institucional direcionado.

Ao analisar as estratégias individuais de enfrentamento, verificou-se que o apoio social entre colegas se destaca como uma das práticas mais utilizadas. Muller et al. (2022) evidenciam que a troca de experiências e a solidariedade dentro da equipe funcionam como mecanismos protetores contra o adoecimento, ainda que de forma limitada. Essa constatação é reforçada por Pereira e Silva (2023), que apontam a coesão entre profissionais como fator de resiliência, especialmente em momentos de sobrecarga assistencial.

A espiritualidade também aparece com frequência como estratégia individual adotada pelos enfermeiros em UTIs. Estudos realizados na América Latina identificaram que práticas religiosas e espirituais foram utilizadas como recurso de enfrentamento, promovendo conforto emocional e sensação de propósito (Oliveira et al., 2021). Esse dado dialoga com a literatura internacional, na qual a espiritualidade é reconhecida como fator protetor da saúde mental em contextos de crise (Koenig, 2020).

Além da espiritualidade, técnicas de mindfulness e atividades físicas regulares têm sido relatadas como estratégias benéficas para reduzir sintomas de ansiedade e depressão. Muller et al. (2022) demonstraram que enfermeiros que adotaram práticas de meditação relataram melhor capacidade de lidar com o estresse e maior percepção de autocontrole. No Brasil, um estudo de Silva et al. (2021) também apontou o exercício físico como recurso protetivo relevante, associado à melhora da qualidade do sono e à redução da fadiga.

Contudo, a literatura deixa claro que tais estratégias individuais, embora relevantes, não são suficientes para conter o impacto estrutural do adoecimento psíquico. Teixeira et al. (2022) destacam que o autocuidado, quando não acompanhado de medidas institucionais de suporte, tende a ser ineficaz diante da intensidade das pressões vivenciadas em UTIs. Assim, os dados reforçam a necessidade de compreender a saúde mental dos enfermeiros como um fenômeno que exige ações integradas.

Nesse sentido, o suporte institucional desponta como fator determinante para a preservação da saúde mental da enfermagem em UTIs. A Organização Mundial da Saúde (WHO, 2021) enfatiza que políticas institucionais consistentes, voltadas ao bem-estar dos trabalhadores, são essenciais para garantir não apenas a saúde dos profissionais, mas também a qualidade assistencial. No Brasil, a ANVISA (2021) também recomenda que hospitais incorporem estratégias de promoção da saúde mental como parte de suas rotinas de gestão.

Entre as formas de suporte institucional identificadas, os programas de apoio psicológico foram os mais frequentes. Pereira e Silva (2023) descrevem experiências bem-sucedidas em hospitais brasileiros, onde grupos de escuta e atendimento psicológico individual reduziram afastamentos por transtornos emocionais. Estudos internacionais confirmam esses benefícios: Johnson et al. (2024) mostraram que instituições que investiram em programas estruturados tiveram não apenas melhores indicadores de saúde mental, mas também significativa economia de custos.

Outra medida relatada foi a reorganização das escalas de trabalho, que contribuiu para a redução da sobrecarga assistencial. Muller et al. (2022) verificaram que hospitais que flexibilizaram turnos durante e após a pandemia apresentaram menor prevalência de burnout entre enfermeiros. Esse achado também é descrito por Silva et al. (2021), que defendem a importância de políticas institucionais que assegurem jornadas compatíveis com a preservação da saúde física e mental.

A literatura ainda evidencia a relevância de treinamentos voltados à resiliência emocional e ao fortalecimento da cultura organizacional de cuidado com o trabalhador. Shanafelt et al. (2021) ressaltam que programas de capacitação em resiliência contribuíram para aumentar a autoconfiança dos profissionais de saúde diante de situações adversas. No Brasil, experiências similares foram registradas por Teixeira et al. (2022), reforçando a importância de investimentos contínuos em capacitação e suporte.

Os resultados desta revisão também revelaram que instituições que ofereceram suporte institucional estruturado obtiveram melhor retenção de profissionais. WHO (2021) destaca que o bem-estar organizacional deve ser entendido como estratégia de sustentabilidade, uma vez que reduz absenteísmo e rotatividade, evitando perdas financeiras e preservando a qualidade da assistência. Essa perspectiva reforça que cuidar da saúde mental dos trabalhadores é, ao mesmo tempo, um imperativo ético e gerencial.

Entretanto, os desafios estruturais permanecem como barreiras relevantes. Um dos pontos mais críticos é a baixa adesão dos profissionais aos programas de saúde mental oferecidos, muitas vezes por estigma ou falta de tempo. Muller et al. (2022) observam que, embora os serviços estivessem disponíveis, parte significativa dos enfermeiros evitava utilizá-los, por receio de julgamento. Esse dado é corroborado por estudos brasileiros que apontam o estigma como um entrave importante à efetividade das intervenções (Pereira; Silva, 2023).

Outro desafio identificado diz respeito à insuficiência de recursos humanos, problema histórico do sistema de saúde brasileiro e intensificado no período pós-pandemia. Teixeira et al. (2022) destacam que a escassez de profissionais levou ao acúmulo de funções e aumento da carga horária, repercutindo diretamente na saúde mental dos enfermeiros. Esse cenário encontra paralelo em estudos internacionais, que apontam a sobrecarga de trabalho como um dos principais fatores associados ao burnout (Hu et al., 2021).

A remuneração inadequada e a valorização insuficiente do trabalho de enfermagem também são apontadas como fatores de risco para o adoecimento psíquico. Segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT, 2022), enfermeiros estão entre os profissionais de saúde mais mal remunerados em diversos países, o que se traduz em insegurança financeira e desmotivação. No Brasil, Pereira e Silva (2023) reforçam que a precarização das condições de trabalho contribui para a vulnerabilidade emocional dos profissionais.

Nesse contexto, evidencia-se que a promoção da saúde mental em UTIs depende de estratégias integradas, que combinem o fortalecimento das práticas individuais com políticas institucionais robustas. Koenig (2020) ressalta que o enfrentamento das crises sanitárias exige abordagens multifatoriais, nas quais os aspectos pessoais e organizacionais são igualmente valorizados. Assim, não basta apenas estimular o autocuidado: é preciso que as instituições assumam responsabilidade ativa na preservação da saúde de seus trabalhadores.

Os resultados também apontam para a importância de considerar a saúde mental dos enfermeiros como parte da qualidade da assistência ao paciente. Estudos como o de Shanafelt et al. (2021) demonstram que equipes com melhores indicadores de bem-estar apresentaram menor incidência de erros assistenciais. No Brasil, Souza et al. (2024) confirmam que hospitais que implementaram políticas de apoio ao trabalhador também registraram melhores indicadores de segurança do paciente, evidenciando a relação direta entre saúde do profissional e qualidade do cuidado.

Outro aspecto discutido na literatura é a necessidade de investir em tecnologias de monitoramento da saúde mental no ambiente de trabalho. Johnson et al. (2024) relatam experiências de hospitais norte-americanos que utilizaram plataformas digitais para acompanhar indicadores de estresse e fadiga entre enfermeiros, possibilitando intervenções precoces. Embora ainda incipientes no Brasil, iniciativas semelhantes têm potencial para ampliar o alcance das ações preventivas (Pereira; Silva, 2023).

A análise crítica dos estudos também evidenciou que a pandemia representou um marco para a valorização do tema da saúde mental dos trabalhadores da saúde, trazendo-o ao centro das discussões em nível global. A WHO (2021) reforça que as lições aprendidas nesse período devem orientar políticas futuras, de modo que a saúde dos profissionais seja reconhecida como parte essencial da sustentabilidade dos sistemas de saúde.

Em contrapartida, a literatura aponta que os avanços ainda são desiguais. Enquanto países de alta renda conseguiram estruturar programas sólidos de apoio, países de média e baixa renda, como o Brasil, enfrentam dificuldades relacionadas à escassez de recursos e à falta de políticas públicas consistentes (Teixeira et al., 2022). Essa desigualdade amplia as vulnerabilidades já existentes e exige esforços adicionais dos gestores e formuladores de políticas.

É relevante destacar que a discussão sobre saúde mental também deve considerar aspectos culturais. Muller et al. (2022) ressaltam que estratégias de enfrentamento variam entre países, refletindo diferenças culturais no modo como os profissionais interpretam e enfrentam o sofrimento. No Brasil, a espiritualidade aparece como um recurso frequente, enquanto em países europeus práticas como mindfulness têm maior destaque. Essa diversidade aponta para a necessidade de intervenções culturalmente sensíveis.

Outro ponto importante é a articulação entre instituições de saúde e políticas públicas. A ANVISA (2021) recomenda que os programas de promoção da saúde mental sejam incorporados às diretrizes nacionais de qualidade e segurança, reforçando o papel do Estado na regulação e incentivo dessas práticas. Essa diretriz vai ao encontro da proposta da WHO (2021), que defende a integração das ações em âmbito macro e microinstitucional.

A literatura também evidencia o papel da liderança clínica na promoção do bem-estar das equipes. Shanafelt et al. (2021) destacam que líderes engajados e sensíveis às necessidades emocionais dos profissionais favorecem a adesão às medidas de suporte e contribuem para a construção de um ambiente organizacional mais saudável. No Brasil, Silva et al. (2021) reforçam que o apoio da gestão direta é decisivo para transformar protocolos em práticas cotidianas.

Considerando as evidências analisadas, observa-se que os benefícios do suporte institucional não se restringem ao trabalhador, mas reverberam em todo o sistema de saúde. Johnson et al. (2024) demonstraram que programas de bem-estar institucional foram custo-efetivos, reduzindo despesas com afastamentos e internações de profissionais adoecidos. Isso reforça a perspectiva de que investir na saúde mental dos enfermeiros é também uma medida de racionalidade econômica.

A discussão também aponta para a necessidade de romper com a lógica de que o sofrimento psíquico dos trabalhadores da saúde é um problema individual. Conforme defendem Teixeira et al. (2022), trata-se de um fenômeno coletivo e institucional, que demanda respostas estruturais e políticas públicas robustas. Essa compreensão é essencial para superar o estigma e promover ações de maior alcance.

Ainda que os resultados apontem avanços, persistem lacunas na literatura. Observa-se escassez de estudos longitudinais que avaliem os efeitos de longo prazo das intervenções institucionais, o que dificulta a mensuração da sustentabilidade das ações implementadas. WHO (2021) recomenda a ampliação dessas pesquisas, de modo a fortalecer a base de evidências e orientar estratégias futuras.

É igualmente importante ressaltar que a saúde mental dos enfermeiros de UTI deve ser entendida como prioridade estratégica em saúde pública. Shaukat, Ali e Razzak (2020) afirmam que o adoecimento desses profissionais compromete diretamente a capacidade de resposta dos sistemas em situações de crise, tornando urgente a implementação de políticas preventivas. Essa visão é corroborada por Pereira e Silva (2023), que defendem a valorização da enfermagem como eixo central para a resiliência do sistema de saúde brasileiro.

Em síntese, a discussão dos resultados evidencia que a saúde mental dos enfermeiros em UTIs no período pós-pandemia é um desafio complexo e multifatorial, que envolve aspectos individuais, institucionais, culturais e políticos. Estratégias de enfrentamento pessoais contribuem para aliviar sintomas, mas somente a combinação com suportes organizacionais consistentes garante resultados duradouros. A literatura analisada reforça que investir na saúde mental desses profissionais é investir na qualidade da assistência, na segurança do paciente e na sustentabilidade dos sistemas de saúde, constituindo, portanto, um imperativo ético, social e organizacional.

6. CONCLUSÃO

A presente revisão integrativa evidenciou que a saúde mental dos profissionais de enfermagem em Unidades de Terapia Intensiva permanece um desafio central no cenário pós-pandemia. Os estudos analisados apontaram prevalência elevada de burnout, ansiedade, depressão e estresse pós-traumático, indicando que os impactos da crise sanitária ultrapassaram o período emergencial e continuam repercutindo de forma significativa no cotidiano desses trabalhadores (Hu et al., 2021; Teixeira et al., 2022).

Ficou evidente que as estratégias individuais de enfrentamento, como o apoio social entre colegas, a espiritualidade, o mindfulness e a prática de atividade física, desempenham papel importante na mitigação de sintomas, mas não são suficientes isoladamente. Esses mecanismos, embora relevantes, necessitam ser acompanhados de um suporte institucional consistente, capaz de oferecer estrutura, acolhimento e políticas organizacionais que promovam condições de trabalho saudáveis (Muller et al., 2022; Pereira; Silva, 2023).

O suporte institucional emergiu como elemento determinante para a preservação da saúde mental. Programas de apoio psicológico, reorganização das escalas de trabalho, treinamentos em resiliência e políticas de valorização da equipe mostraram-se eficazes na redução de sintomas psíquicos e na melhoria da qualidade assistencial. Além dos benefícios clínicos, estudos internacionais demonstraram que tais iniciativas são também custo-efetivas, reduzindo absenteísmo e promovendo maior retenção profissional (Johnson et al., 2024; WHO, 2021).

Contudo, permanecem desafios estruturais relevantes, como o estigma em torno da saúde mental, a baixa adesão aos programas de apoio, a escassez de recursos humanos e a precarização das condições de trabalho. Tais fatores fragilizam a efetividade das intervenções e demandam respostas conjuntas que envolvam instituições de saúde, gestores e formuladores de políticas públicas (Teixeira et al., 2022; OIT, 2022).

Diante desse panorama, conclui-se que a promoção da saúde mental da enfermagem em UTIs deve ser compreendida como imperativo ético, social e organizacional. Investir no bem-estar desses profissionais significa investir na qualidade da assistência, na segurança do paciente e na sustentabilidade dos sistemas de saúde. Recomenda-se que instituições hospitalares fortaleçam programas permanentes de apoio psicológico, criem políticas de redução da sobrecarga laboral, incentivem práticas de autocuidado e assegurem condições dignas de trabalho.

Para além do âmbito institucional, torna-se urgente a formulação de políticas públicas nacionais que reconheçam a saúde mental dos trabalhadores da saúde como prioridade estratégica, integrando-a às diretrizes de qualidade e segurança. Somente com ações articuladas entre práticas individuais, gestão hospitalar e políticas governamentais será possível assegurar não apenas a preservação da saúde dos profissionais de enfermagem, mas também a construção de sistemas de saúde mais resilientes, humanos e sustentáveis.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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