RISCOS PSICOSSOCIAIS EM TRABALHADORES DE UNIDADES DE TERAPIA INTENSIVA ADULTO: ESTUDO DE LITERATURA

PSYCHOSOCIAL RISKS IN WORKERS IN AN ADULT INTENSIVE CARE UNIT: LITERATURE STUDY

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/th10249271555


Cáritas Nogueira Rosa1
Profª. Dra. Lívia Ferreira Oliveira2
Profª. Dra. Maria Cristina de Moura Ferreira3


Resumo

As Unidades de Terapia Intensiva são ambientes complexos, com alta demanda tecnológica para suprir as necessidades de pessoas enfermas. Nessas unidades há atuação de uma equipe multiprofissional que inclui os profissionais de enfermagem, os quais estão o tempo todo nos cuidados e assistência a esses pacientes, sendo cercados de riscos psicossociais. O objetivo deste estudo foi analisar o que a literatura científica tem apresentado acerca dos riscos psicossociais em trabalhadores de saúde de Unidades de Terapia Intensiva Adulto. Estudo caracterizado por uma revisão integrativa da literatura, a qual utilizou a estratégia PICO para elaboração da questão norteadora. O estudo ocorreu nas bases de dados: Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde; Biblioteca Eletrônica Científica Online; Análise de Literatura Médica; Web Of Science e Google acadêmico. A coleta de dados iniciou em janeiro de 2023 e terminou em maio de 2023, sendo levantado estudos publicados entre os anos de 2019 a 2023. Os manuscritos foram selecionados por meio de leituras e classificados de acordo com o nível de evidência. O corpus de pesquisa foi formado por 9 publicações relacionadas ao tema. O Nível de evidência I foi o único encontrado. Os principais riscos psicossociais citados foram: carga de trabalho excessiva, má organização e gerenciamento; ambiente inadequado e estresse de trabalho levando à altos índices de Síndrome de Bournout. É pertinente salientar, que os profissionais de saúde, na qualidade de empregados, precisam saber os riscos psicossociais no qual estão inseridos, e que também, o empregador, necessita mapear bem esses riscos e prevenir os mesmos, visando a melhoria da saúde dos trabalhadores de saúde.

Palavras-chave: Fatores de risco psicossociais. Trabalho. Saúde do trabalhador. Unidade de Terapia Intensiva.

Abstract

Intensive Care Units are complex environments with high technological demands to meet the needs of sick people. These units are staffed by a multi-professional team, including nursing professionals, who are constantly caring for these patients and are surrounded by psychosocial risks. The aim of this manuscript is to analyze what the scientific literature has presented aboutthe risks psychosocial in workers of health of Intensive Care AdultUnits. Study characterized by an integrative review of the literature, which used the PICO strategy to elaborate the guiding question. The study took place in the following databases: Latin American and Caribbean Literature in Health Sciences; Electronic Library   Científica Online; Análise de Literatura Médica; Web Of Science and Google Scholar. Data collection began in January 2023 and ended in May 2023. The manuscripts were selected through readings and classified according to their level of relevance.  Data collection began in January 2023 and ended in May 2023. studies published between 2019 and 2023 were collected. The manuscripts were selected through readings and classified according to the level of evidence. The research corpus consisted of 9 publications related to the topic. Level of evidence I was the only one found. The main psychosocial risks cited were: excessive workload, poor organization and management; inadequate environment and work stress leading to high rates of Bournout Syndrome. It is important to note that health professionals, as employees, need to be aware of the psychosocial risks they face, and that employers also need to map these risks and prevent them, with a view to improving the health of health workers.

Keywords: Factors of risk psychosocial. Work. Health of the worker. Intensive Care Unit.

1. INTRODUÇÃO

Em 1986, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) definiu risco psicossocial como a interação entre o conteúdo do trabalho, a sua organização e gerenciamento, com outras condições ambientais e organizacionais, por um lado, e as competências e as necessidades dos trabalhadores de outro (OIT, 1986).

Os Fatores de Risco Psicossociais do Trabalho (FRPT) são características do ambiente laboral e estão interligados com a dinâmica das relações interpessoais, impactando no desempenho profissional, estando diretamente ligados aos recursos, gestão e características organizacionais (PORTUNÉ, 2012). Os FRPT podem ser também entendidos como as percepções subjetivas que o trabalhador tem (exigências das características físicas da carga, da personalidade do indivíduo, das experiências anteriores e da situação social do trabalho) dos fatores de organização do trabalho: carreira, cargo, ritmo, ambiente social e técnico (BRASIL, 2003).

O estresse é mecanismo de defesa do organismo ocasionado pela apreensão de estímulos internos e externos que desencadeiam alterações fisiológicas. Esse estado colabora para o desequilíbrio da homeostasia e o disparo de uma reação de adaptação determinado pelo aumento de secreção de adrenalina e cortisol, induzindo manifestações sistêmicas que, se frequentes podem resultar em distúrbios fisiológicos e psicológicos (ARALDI-FAVASSA; ARMILIATO; KALININE, 2005). Ao ser relacionada ao trabalho, é nomeada como estresse ocupacional. 

Segundo Sauter, Hurrell Jr., Murphy e Levi (2001) os FRPTs podem ser compreendidos como as condições do trabalho que podem conduzir ao estresse, e estão relacionadas aos aspectos do posto de trabalho, do seu entorno, do clima e da cultura organizacional, das funções laborativas, das relações interpessoais entre colegas, do desenho e do conteúdo das tarefas. As relações entre os fatores psicossociais presentes no ambiente da organização e nas características do indivíduo, relativas a sua história de vida e as suas relações familiares e sociais, podem repercutir na eclosão do estresse no contexto laboral.

A Norma Técnica de Prevenção nº 443 de 1994 do Ministério do Trabalho e Assuntos Sociais da Espanha define os FRPT como as condições que estão presentes no contexto laboral e que estão diretamente relacionadas à organização, ao conteúdo do trabalho e à realização das tarefas, e que têm a capacidade de afetar tanto o bem- estar como a saúde física, psíquica e social do trabalhador no desenvolvimento de suas atividades (INSHT, 1994).

A exposição do trabalhador a condições psicossociais adversas pode prejudicar a sua saúde e o seu bem-estar e gerar sofrimento psíquico, sentimentos de insatisfação e desmotivação no trabalho e problemas de relacionamento, entre outras dificuldades (BENITES; FAIMAN, 2022). Os riscos ocupacionais são todas as situações de trabalho que podem romper o equilíbrio físico, mental e social das pessoas, e não somente as situações que originem acidentes e enfermidades. Podem-se caracterizar os riscos ocupacionais aos quais os trabalhadores de enfermagem estão expostos, como: físicos, químicos, biológicos, de acidentes e ergonômicos (BARBOSA et al., 2022; CAMPOS et al., 2021).

Certas características próprias da personalidade de cada trabalhador, associadas às suas expectativas, vulnerabilidades, capacidade de adaptação e recursos de enfrentamento diante de estressores, determinarão a magnitude e a natureza tanto das suas reações como das   consequências que sofrerão (OLIVEIRA, Fernando Faleiros de; GUIMARÃES, 2022). Os fatores de risco psicossociais precisam ser compreendidos tanto como as condições que se apresentam de forma objetiva no contexto laboral, como as que são percebidas e experienciadas pela pessoa (BRASIL, 2003).

Dessa forma, levantou-se a seguinte questão de pesquisa: Quais os riscos psicossociais em trabalhadores de saúde na Unidade de Terapia Intensiva adulto? 

A relevância dessa pesquisa é em virtude da importância do conhecimento dos fatores psicossociais que impactam a Saúde dos trabalhadores de Unidades de Terapia Intensiva, proporcionando com isso a elaboração de estratégias e políticas públicas que minimizem tais fatores otimizando a Saúde desses profissionais e consequentemente a qualidade da assistência.

Tem-se por objetivo: analisar produções científicas na literatura atual voltadas aos riscos psicossociais em trabalhadores de saúde da Unidade de Terapia Intensiva Adulto. 

2. METODOLOGIA

Estudo caracterizado por uma Revisão Integrativa da Literatura (RIL), pois recorre aos dados da literatura teórica e prática almejando identificar tendências ou lacunas da literatura (TEIXEIRA et al., 2014). É uma pesquisa cujos objetivos são exploratórios já que busca aprofundar o tema, avaliando e sintetizando pesquisas publicadas sobre o assunto (SEVERINO, 2013), utilizando-se do levantamento bibliográfico como sugerido por Gil (2017). 

Para a construção desta RIL seguiu-se as etapas elucidadas por Ganong (1987): 1- Definição da questão de pesquisa; 2- Seleção das bases de dados denominada de amostragem; 3- Busca das publicações, usando os critérios de inclusão e exclusão; 4- Organização do material e 5- Apresentação final da revisão integrativa.

Para elaborar a questão de pesquisa, fez-se o uso como recurso primordial, à estratégia PICO (P -Problema do estudo I – Intervenção C – Comparação O – Desfecho) (SANTOS, Cristina Mamédio da Costa; PIMENTA; NOBRE, 2007). Essa estratégia possibilitou a construção da seguinte pergunta: Quais os riscos psicossociais em trabalhadores de saúde nas Unidade de Terapia Intensiva adulto?

No segundo momento, foi realizada a escolha das bases de dados utilizadas, são elas: Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS); Biblioteca Eletrônica Científica Online (SciELO); Análise de Literatura Médica (MEDLINE/PUBMED); Web Of Science e Google acadêmico. Em seguida, foram definidos os critérios de inclusão e exclusão: estudos publicados entre os anos de 2019 a 2023, ou seja no período de cinco anos, em língua portuguesa, que respondessem ao objetivo do estudo e a sua questão de pesquisa.

Foram excluídos para compor os resultados deste estudo: teses, dissertações, estudos de relatos de experiências, resumos, trabalhos de congresso e artigos incompletos. Os DeCS (Descritores em Ciências da Saúde), foram: Fatores de risco psicossociais; Trabalho; Saúde do trabalhador; Unidade de Terapia Intensiva; cruzados pelo operador booleano AND.

A busca das publicações para compor o estudo ocorreu no período de janeiro a maio de 2023 e nela foram encontradas 186 publicações, logo na primeira aplicação do filtro de tempo de publicação e idioma. Após isso, foram realizadas a leitura dos títulos, no qual 125 foram excluídas e 61 seguiram em análise. Foi realizada uma segunda leitura nos títulos restantes, para confirmar a continuidade destes estudos na análise, e 12 publicações estavam condizentes com o tema. Tais publicações tiveram os seus resumos analisados e 09 foram incluídas na pesquisa.

Desta forma, os resultados da pesquisa foram compostos por 09 publicações relacionadas ao tema. Na etapa de apresentação dos resultados, foram extraídas das publicações, as seguintes informações: autores; título; ano de publicação; objetivo; metodologia e nível de evidência, seguindo os critérios do Instituto Joanna Briggs Institute (INSTITUTE, 2011).

Os níveis de evidência se classificaram em: NÍVEL I – estudos que evidenciam resultados através de revisões e ensaios clínicos; NÍVEL II – Estudos de ensaio clínico randomizado; NÍVEL III – Estudos de ensaios clínicos, mas sem randomização; NÍVEL IV – Estudos de coorte e de caso controle; NÍVEL V- Estudos descritivos e Qualitativos com bom delineamento; NÍVEL VI; Estudos qualitativos, mas com delineamento frágil e NÍVEL VII – Relatórios e documentos de especialistas (INSTITUTE, 2011).

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os 9 manuscritos que formaram o corpus desta pesquisa estão apresentados na Figura 1, com as características das publicações que abarcam título, autores, ano de publicação, objetivos e metodologia.

Figura 1 – Resumo dos Estudos sobre Saúde Mental em Profissionais de Saúde em Unidades de Terapia Intensiva, Brasil, 2024

Fonte: dados da pesquisa, 2024.

Predominaram-se artigos dos anos de 2022 (3) e 2019 (3). Os objetivos dos estudos estavam condizentes com a questão de pesquisa e a nível metodológico, tratavam-se de estudos quantitativos, qualitativos e de revisões sistemáticas. A Figura 2 mostra a classificação de acordo com o nível de evidência.

Figura 2 – Classificação quanto ao nível de evidência e aos riscos psicossociais identificados nas publicações, Brasil, 2024

Fonte: dados da pesquisa, 2024.

Quanto ao nível de evidência, os manuscritos foram selecionados no Nível I, caracterizando as publicações com alto padrão quanto a evidência científica sobre a temática em estudo. Cabe ressaltar, que os principais aspectos citados foram: carga de trabalho excessiva, má organização e gerenciamento; ambiente inadequado e estresse de trabalho.

Na contemporaneidade as constantes mudanças organizacionais, sociais e jurídicas estão ligadas ao processo de adoecimento do trabalhador devido a exposição contínua dos estressores ambientais e sociais que resultam no estresse ocupacional, influenciando no aumento da exaustão emocional, despersonalização e baixa realização profissional (PEREIRA et al., 2020)

Guimarães (2006) categoriza os riscos psicossociais em dois tipos: estressores ou demandas de trabalho e disponibilidade de recursos pessoais e laborais. O primeiro, refere-se às dimensões físicas, sociais e organizacionais que exigem manutenção do esforço e que estão ligadas aos custos psicológicos e fisiológicos no processo de trabalho, como, por exemplo, a sobrecarga quantitativa ou o conflito de papéis (BENITES; FAIMAN, 2022). 

Já a existência de recursos pessoais e laborais, corresponde aos aspectos psicológicos, físicos, sociais e organizacionais que são necessários para a obtenção das metas, que minimizam as demandas laborais e estimulam o desenvolvimento profissional. A mesma autora sustenta que há duas espécies de recursos: pessoais e laborais. Os recursos pessoais dizem respeito às características das pessoas, como a autoeficácia profissional. Os recursos do contexto laboral estão relacionados com o nível de autonomia no trabalho, o feedback sobre as atividades desenvolvidas e a capacitação que a organização oferece ao trabalhador (GUIMARÃES, 2006; MOTTA et al., 2022).

Os fatores de risco psicossociais apresentam relação com as condições, a organização e as relações sociais de trabalho. Condições de trabalho são “as pressões físicas, mecânicas, químicas e biológicas do posto de trabalho”. “As pressões ligadas às condições de trabalho têm por alvo principal o corpo dos trabalhadores, onde elas podem ocasionar desgaste, envelhecimento e doenças somáticas” (DEJOURS, 1994, p. 125).

Continuamente, a Unidade de Terapia Intensiva é o campo hospitalar destinado ao atendimento de pacientes em estados graves que carecem de assistência permanente e especializada, reconhecidas por possuírem altos níveis de estresse (Nazario; Silva; Nicoletti, 2021; Silva Júnior; Balsanelli; Neves, 2021; Motta et al., 2022).

Os profissionais intensivistas sofrem influência de diversos estressores que podem levá-los ao estresse ocupacional, com consequências à saúde, produtividade e qualidade do cuidado prestado aos pacientes (Silva; Robazzi, 2019; Oliveira; Guimarães, 2022). Entre os estressores encontrados estão a dupla jornada de trabalho, riscos ocupacionais, precariedade de recursos materiais, falta de pessoal qualificado e relações interpessoais preconceituosas. A constante exposição a estes estressores, ocasiona o esgotamento físico e mental, influenciando   na qualidade de vida e danificando a interação com suas funções e com o meio de trabalho desencadeando a Síndrome de Burnout (SB) (MOTTA et al., 2022).

A palavra Burnout em inglês representa “queimar-se” ou “consumir-se”. A Síndrome de Burnout (SB) foi uma das consequências da exposição aos riscos psicossociais, e a mais citada nos artigos. É um distúrbio psíquico que pode ser definido como uma síndrome de exaustão emocional, despersonalização e insatisfação profissional. É importante salientar que a Organização Mundial de Saúde (OMS) incluiu a SB como doença ocupacional no início de janeiro de 2022 (Vasconcelos, Martino, 2018; Faria et al., 2019; Neves, 2024).

O profissional que se encontra com Burnout contém três características, sendo estas: exaustão emocional, despersonificação e baixa realização profissional, em meio aos sintomas apresentados, o trabalhador assume posição de desumanização frente aos pacientes. Desta forma a qualidade da assistência prestada diminui, somando-se a relação de indiferença do enfermeiro às atividades prestadas, podendo afetar o bem estar do profissional e a saúde do cliente por meio de um mau atendimento, procedimentos equivocados, negligência e imprudência (SILVA, Ana Paula Farias; CARNEIRO; RAMALHO, 2020).

Somando-se a isso, os efeitos negativos da SB podem estar inclusos os físicos, psicológicos e ocupacionais, englobando espaços importantes na vida do indivíduo e podendo ocasionar no suicídio, em contrapartida organizacionalmente há o aumento do absenteísmo, presenteísmo e insatisfação no trabalho, deste modo prejudicando a qualidade do cuidado (FARIA et al., 2019; MOTTA et al., 2022).

O Burnout contém três dimensões, sendo estas à exaustão emocional, baixa realização profissional e despersonalização. Inicia-se pela exaustão emocional associada ao sentimento de falta de energia e entusiasmo, fadiga, por conta do esgotamento de recursos emocionais, essenciais para lidar com a circunstância estressora. Já a baixa realização profissional refere-se à tendência de deterioração da aptidão e desprazer com realizações profissionais, tornando-se infeliz e consequentemente havendo um declínio no sentimento de competência, assim como na capacidade de interação social. Por fim, a despersonalização consiste em atitudes negativas, insensibilidade e despreocupação em relação aos outros (FERNANDES; NITSCHE; GODOY, 2017).

Outrossim, os eventos adversos são danos não intencionais que não tem relação com a evolução natural da doença ocasionando lesões que podem prolongar o tempo de internação ou causar a morte do paciente. A Unidade de Terapia Intensiva é considerada o setor onde ocorrem mais incidentes devido aos cuidados intensivos requeridos pelos pacientes e à complexidade das intervenções terapêuticas, sendo mais suscetíveis a falhas na assistência ou desenvolvimento de processos infecciosos. O ambiente profissional desgastante da UTI, a carga horária de trabalho, a relação equipe e o alto nível de estresse e baixa realização profissional podem ser associados aos eventos adversos e incidentes nesses setores (PADILHA et al., 2017).

Estudo epidemiológico observacional com 107 profissionais da equipe de enfermagem de um hospital público municipal de emergência, de grande porte, mostrou que a exaustão emocional alta afeta 21 (24,7%) dos profissionais; a despersonalização alta afeta 16 trabalhadores (18,8%) e a realização profissional baixa 7 (8,2%) dos colaboradores. Além disso, expõem em relação a classificação das três dimensões com trabalhadores da área de Enfermagem da UTI Adulto de um hospital público de alta complexidade, que a exaustão emocional, 74,5% dos profissionais apresentaram padrão alto, do mesmo modo da despersonalização (93,7%) e 93,6% baixo para realização profissional. Assim como que a carga horária leva aos sentimentos de não realização do trabalho e distanciamento do paciente (FERNANDES; NITSCHE; GODOY, 2017). Sendo notório que longas jornadas de trabalho podem estar relacionadas ao maior desgaste físico e emocional. 

4. CONCLUSÃO

Dentre os riscos identificados, o desenvolvimento de SB também foi muito citado pelas pesquisas, sendo um problema de saúde pública e também da linha de cuidado de saúde do trabalhador, além disso a natureza do trabalho realizado na UTI. Cercados de alta demanda tecnológica, contato constante com a dor e o sofrimento, sobrecarga laboral e falta de reconhecimento são os principais fatores psicossociais que impactam na Saúde dos profissionais de enfermagem nas UTI’s. 

Recomenda-se estudos de intervenção, visando otimizar os riscos psicossociais nas UTI’s. É pertinente salientar, que os profissionais de saúde, na qualidade de empregados, precisam saber os riscos psicossociais no qual estão inseridos, e que também, o empregador, necessita mapear bem estes riscos e prevenir os mesmos, visando o não adoecimento dos trabalhadores de saúde.

REFERÊNCIAS

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1Discente do Curso de Pós-graduação em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador, do Instituto de Geografia, Geociências e Saúde Coletiva, da Universidade Federal de Uberlândia, Campus Santa Mônica e-mail: caritas_nogueira@yahoo.com.br
2Docente Adjunto III do Curso de Graduação em Enfermagem Bacharelado / Licenciatura – FAMED-UFU, Campus Umuarama. E-mail: liviaenfermg@yahoo.com.br
3Docente do Curso de Graduação em Enfermagem Bacharelado / Licenciatura – FAMED-UFU e Professor Permanente do Curso de Pós-graduação em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador, do Instituto de Geografia, Geociências e Saúde Coletiva Campus Santa Mônica e-mail: mcmferreira@yahoo.com.br