REVISÃO INTEGRATIVA: EFICÁCIA DAS INTERVENÇÕES DE ENFERMAGEM NO AMBIENTE HOSPITALAR NA PROMOÇÃO DO AUTOCUIDADO DE PESSOAS OSTOMIZADAS

INTEGRATIVE REVIEW: EFFECTIVENESS OF NURSING INTERVENTIONS IN THE HOSPITAL SETTING IN PROMOTING SELF-CARE AMONG OSTOMIZED INDIVIDUALS

REGISTRO DOI10.69849/revistaft/cs10202509292129


Leticia Oliveira de Souza1; Marília Irani Gadiol dos Santos1; Pollyanna Kelly de Almeida Sousa1; Sara Eller Marfori1; Simone da Conceição Soares Souza1; Tamyres Andressa Sousa Magela1; Raquel Eustaquia de Souza2


Resumo 

Objetivo: Identificar as intervenções adotadas pela enfermagem mais eficazes em promover o  autocuidado do paciente ostomizado no ambiente hospitalar. Método: revisão integrativa da literatura  através dos métodos descritivo e qualitativo, iniciando-se por meio da indagação base do estudo,  elaborada a partir da estratégia pico, no qual p (população) foi definido como indivíduos com estomia  internados, i (intervenção) ações educativas e de cuidado realizadas por profissionais de enfermagem  voltadas ao autocuidado, c (comparação) não se aplica e o (desfecho), autonomia do paciente no cuidado  pessoal após sair do hospital. Resultados: As evidências encontradas foram organizadas em 4 principais  categorias, nas quais, demonstram os efeitos das práticas educativas de enfermagem na promoção da  saúde, suporte emocional e cuidado continuado no fortalecimento da autonomia no autocuidado e  melhor adaptação social. Considerações finais: A enfermagem exerce um papel fundamental na  promoção do autocuidado de pessoas com estomia, por meio de ações educativas e de cuidado de forma  eficaz, que fortalecem sua autonomia e qualidade de vida ao longo do período perioperatório, a fim de  que os pacientes desenvolvam habilidades e autoconfiança nos cuidados domiciliares. 

Palavras-chave: Autocuidado. Ostomia intestinal. Enfermagem. Autocuidado. Intervenções de  enfermagem. 

1. INTRODUÇÃO 

Diante do progresso recente nas ciências e da tecnologia, nos detendo, especificamente,  no campo da saúde e no aprimoramento da qualidade de vida, tem-se notado um crescimento  de pessoas idosas e consequentemente uma maior ocorrência de patologias crônicas ligadas a hábitos de vida e ao envelhecimento. Além do mais, cresce o número de casos de neoplasias,  incluindo o câncer colorretal, figurando entre as principais causas de adoecimento e óbito na  população idosa. A ostomia intestinal surge, entre as opções de terapia oncológica, como uma  possível alternativa 1

No âmbito da ostomia de eliminação, a denominação literária define estoma como a  abertura abdominal resultante desse procedimento cirúrgico. Esse, por conseguinte, envolve a  exposição de uma estrutura corporal de cavidade interna do corpo visando auxiliar o paciente  na evacuação intestinal, a urinar ou eliminar outras substâncias, alterando a passagem  gastrointestinal, possibilitando sua realização de maneira definitiva ou temporária 2. Esse  procedimento pode ser prescrito como abordagem terapêutica para doenças ou para indivíduos  com incontinência, criando uma ligação entre a cavidade interna e o meio externo, onde as  eliminações são recolhidas em um dispositivo coletor 3

Conforme dados da Associação Brasileira de Ostomizados, cerca de 300 mil pessoas  vivem com um estoma resultante de cirurgias que necessitam do seu estabelecimento 4,  refletindo um aumento contínuo na quantidade de pessoas acometidas por essa condição.  Pacientes que realizam esse tipo de intervenção enfrentam uma alteração em sua visão de vida,  especialmente devido à percepção negativa da própria imagem, por conta da presença do estoma  e do dispositivo coletor associado 5

É imprescindível considerar os efeitos que essa modificação corporal gera sobre o  indivíduo. A privação da integridade física acarreta repercussões psicológicas como medo,  ansiedade, quadro de tristeza profunda e desassistência emocional, podendo causar percepções  negativas de si próprio, relacionadas a sentimentos de mutilação, de deterioração da saúde e da  autoconfiança, além de diminuição da autoeficácia e o sentimento de inutilidade e limitação  crônica, entre outras reações emocionais 6

Desse modo, garantir um cuidado holístico ao paciente ostomizado representa uma  dificuldade enfrentada pela equipe de enfermagem no âmbito hospitalar. Se faz necessário que  o enfermeiro responsável pelo cuidado desenvolvam abordagens personalizadas, priorizando o  suporte ao paciente durante o processo de hospitalização e na transição para a assistência pós alta hospitalar, com enfoque na autonomia e preservação da independência do paciente. Nesse  contexto, o profissional de enfermagem assume um papel central na assistência ao portador de  estomia. 

Durante o processo de cuidado o enfermeiro realiza a identificação de possíveis  dificuldades no manejo da ostomia, orientação para sua independência no cuidado, fornecimento de suporte emocional necessário para criar as condições favoráveis ao  enfrentamento das mudanças psicobiológicas. 

A implementação sistemática das intervenções de enfermagem favorece a otimização  da assistência e assegura atenção integral ao paciente, ampliando o suporte psicoemocional e  caracterizando-se como elemento primordial para o bem-estar completo do indivíduo. 

Diante do aumento do número de casos de neoplasias e a importância da atuação da  enfermagem nesse contexto, estabeleceu-se a seguinte questão investigativa: Quais  intervenções da enfermagem, no ambiente hospitalar, são eficazes na promoção do autocuidado  ao paciente ostomizado, segundo a literatura?  

Assim, a finalidade deste estudo científico deteve-se em identificar as intervenções de  enfermagem mais eficazes para promover o autocuidado do paciente ostomizado no ambiente  hospitalar. 

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA 

2.1. Introdução à Ostomia e seu Contexto 

A ostomia, ou estomia, representa um procedimento cirúrgico que estabelece uma  comunicação artificial entre um órgão interno e o meio externo, com o objetivo de permitir a  eliminação de efluentes corporais ou a administração de nutrientes. Este procedimento é  frequentemente indicado em situações de doenças crônicas, traumas ou condições congênitas  que afetam os sistemas respiratório, digestório ou urinário. Embora seja uma intervenção vital  para a manutenção da vida e a melhoria da qualidade de vida de muitos pacientes, a adaptação  a uma ostomia impõe desafios significativos que abrangem dimensões físicas, psicológicas e  sociais do indivíduo. 

A prevalência de pessoas com ostomias tem crescido, refletindo avanços na medicina  e o aumento da expectativa de vida, o que, por sua vez, demanda uma atenção qualificada e  integral por parte dos profissionais de saúde para promover o autocuidado e a reabilitação  desses indivíduos 7

No Brasil, a estimativa é de que existam mais de 207 mil pessoas com estomias de  eliminação, conforme projeções baseadas em dados internacionais e a proporção de habitantes.  Reconhecendo a complexidade e o impacto da ostomia na vida dos pacientes, o Ministério da  Saúde, por meio do Guia de Atenção à Saúde da Pessoa com Estomia (2021), enfatiza a  necessidade de uma assistência holística. 

De acordo com as recomendações, a assistência deve considerar não apenas os aspectos  fisiopatológicos, mas também as dimensões psicológicas, nutricionais, sociais, espirituais,  familiares, culturais, religiosas, comunitárias, econômicas e de escolaridade do paciente. A  inclusão da família no processo de cuidado é igualmente crucial para o sucesso da reabilitação  e adaptação do paciente 8

2.2. Impacto Psicossocial da Ostomia 

A criação de uma ostomia altera profundamente a imagem corporal e a rotina diária do  indivíduo, o que pode desencadear uma série de desafios psicossociais. Estudos indicam que  pacientes ostomizados frequentemente experimentam estresse emocional significativo,  manifestado por sentimentos de vergonha, ansiedade, depressão e baixa autoestima. 

A adaptação a essa nova condição, que envolve a presença de um estoma e o manejo  de uma bolsa coletora, é um processo complexo e muitas vezes doloroso. A preocupação com  a aceitação social e o medo do julgamento de terceiros podem levar à restrição de atividades  sociais e de lazer, impactando negativamente a qualidade de vida e a reintegração social do  indivíduo 9

O impacto psicossocial da ostomia é multifacetado e exige uma abordagem de cuidado  que transcenda o aspecto puramente físico. A privação da integridade física, a alteração da  autoimagem e a necessidade de lidar com a eliminação de efluentes de forma diferente podem  gerar sentimentos de mutilação, deterioração da saúde e da autoconfiança, além de uma  percepção de inutilidade e limitação crônica.  

A equipe de enfermagem desempenha um papel fundamental no suporte a esses  pacientes, desenvolvendo abordagens personalizadas que priorizem o apoio emocional durante  a hospitalização e na transição para o ambiente domiciliar, visando fortalecer a autonomia e  preservar a independência do paciente diante das mudanças psicobiológicas 10

2.3. O Autocuidado na Pessoa Ostomizada: Perspectivas da Enfermagem 

O autocuidado é um pilar central na reabilitação e na promoção da autonomia de pessoas  com ostomias. A capacidade de realizar atividades de cuidado pessoal para manter a própria  saúde e bem-estar é fundamental para a adaptação e a melhoria da qualidade de vida. A Teoria  do Autocuidado, desenvolvida pela enfermeira norte-americana Dorothea Orem (publicada em  1959 e aprimorada em 1971), é uma referência global para a enfermagem. Esta teoria enfatiza que o autocuidado envolve a realização de atividades como alimentação, higiene, exercícios,  descanso, sono e convívio social e recreativo. 

No contexto da ostomia, a teoria de Orem orienta os profissionais a superar os  obstáculos no processo de autocuidado, considerando as necessidades e capacidades individuais  de cada paciente 11

A enfermagem, em particular, tem um papel crucial na capacitação do paciente  ostomizado para o autocuidado. Isso inclui a orientação sobre o manejo do estoma e do  equipamento coletor, a higiene adequada, a prevenção de complicações e a identificação de  sinais de alerta. Ações educativas, como as promovidas pelo aplicativo “EstomAM”  desenvolvido por Aline Duarte Albuquerque, demonstram o potencial da tecnologia para  auxiliar no estabelecimento de rotinas de higiene e na promoção da autonomia, especialmente  em contextos de difícil acesso a serviços de saúde. O aplicativo, que funciona offline, aborda  temas como a definição e tipos de estomia, limpeza da parede abdominal, troca e higienização  da bolsa coletora, e incentiva a ingestão de água, adaptando-se ao contexto social e econômico  dos usuários. 

2.4. Intervenções de Enfermagem e a Promoção da Autonomia 

As intervenções de enfermagem são essenciais para garantir que o paciente ostomizado  desenvolva as habilidades e a autoconfiança necessárias para gerenciar sua condição de forma  independente. A atuação do enfermeiro abrange desde a orientação pré-operatória, que prepara  o paciente para as mudanças iminentes, até o acompanhamento pós-alta, que assegura a  continuidade do cuidado e a adaptação no ambiente domiciliar.  

A educação em saúde, o suporte emocional e a abordagem individualizada são  componentes-chave dessas intervenções. A análise sistemática das intervenções de enfermagem  favorece a otimização da assistência, ampliando o suporte psicoemocional e contribuindo para  o bem-estar completo do indivíduo. 

O enfermeiro, como parte integrante da equipe de saúde, deve identificar os problemas  e as possíveis dificuldades enfrentadas pelo paciente ostomizado, orientando-o para sua  independência no cuidado, tanto durante a internação quanto após a alta. Isso inclui o  fornecimento de informações claras e precisas, a demonstração prática de procedimentos e a  criação de um ambiente de confiança que favoreça o enfrentamento das mudanças  psicobiológicas. A meta é capacitar o paciente a se tornar um agente ativo em seu próprio  cuidado, promovendo sua autonomia e melhorando sua qualidade de vida.

2.5. Caracterização e Tipos de Estomia 

A estomia é um procedimento cirúrgico que resulta na exteriorização de um segmento  do sistema respiratório, digestório ou urinário, criando uma abertura artificial (estoma) entre os  órgãos internos e o meio externo. A terminologia específica da estomia é determinada pelo  segmento corporal exteriorizado. Assim, as estomias podem ser classificadas em três categorias  principais: estomias respiratórias, estomias de alimentação e estomias de eliminação. 

2.5.1 Estomias Respiratórias 

A traqueostomia é a estomia respiratória mais comum, consistindo em um procedimento  cirúrgico que estabelece uma comunicação direta da traqueia com o meio externo. Este  procedimento pode ser temporário ou definitivo e é indicado para desobstrução das vias aéreas,  ventilação assistida e higiene brônquica.  

As indicações para traqueostomia incluem ventilação mecânica prolongada, proteção  das vias aéreas em pacientes em coma, auxílio no desmame da ventilação mecânica e obstrução  das vias aéreas superiores. É crucial a orientação dos familiares sobre os cuidados e a prevenção  de complicações, bem como o acompanhamento multiprofissional para o diagnóstico e  abordagem de intercorrências. 

2.5.2 Estomias de Alimentação 

As estomias de alimentação, como a gastrostomia e a jejunostomia, são criadas para  permitir a administração de nutrientes diretamente no trato gastrointestinal quando a via oral  não é possível ou segura. Essas estomias são vitais para pacientes com dificuldades de  deglutição, obstruções esofágicas ou outras condições que impeçam a alimentação adequada  por via oral. O manejo dessas estomias envolve cuidados específicos com o local da inserção,  a administração de dietas e medicamentos, e a prevenção de complicações como infecções e  vazamentos 

2.5.3 Estomias de Eliminação 

As estomias de eliminação são as mais frequentemente abordadas no contexto do  autocuidado e incluem as urostomias, ileostomias e colostomias. As urostomias são criadas para  desviar o fluxo urinário, enquanto as ileostomias e colostomias desviam o fluxo intestinal. A  localização e o tipo de estoma influenciam diretamente o manejo e os cuidados necessários. Por  exemplo, as ileostomias geralmente produzem efluentes mais líquidos e contínuos, exigindo um esvaziamento mais frequente da bolsa coletora, enquanto as colostomias podem ter um  padrão de eliminação mais previsível, dependendo da porção do intestino envolvida. O manejo adequado das estomias de eliminação é fundamental para a prevenção de  complicações como dermatites periestoma, infecções e vazamentos, que podem comprometer  a qualidade de vida do paciente.  

A educação do paciente e de seus cuidadores sobre a higiene do estoma e da pele  periestoma, a troca correta da bolsa coletora e a identificação de sinais de alerta é de suma  importância. A participação ativa do enfermeiro nesse processo educativo é crucial para  capacitar o paciente a realizar o autocuidado de forma eficaz e segura. 

2.6. Epidemiologia e Desafios da Ostomia 

Apesar da crescente incidência de ostomias, dados epidemiológicos precisos sobre o  número de pessoas com estomias no Brasil são escassos, o que dificulta a determinação de um  quadro epidemiológico exato. Essa dificuldade se deve, em parte, ao fato de que as estomias  são sequelas ou consequências de doenças ou traumas, e não uma doença em si. Além disso, a  dimensão continental do Brasil e as desigualdades estruturais, filosóficas e organizacionais dos  serviços de saúde dificultam o registro sistematizado de informações. 

No entanto, a projeção da International Ostomy Association (IOA) sugere que existe  uma pessoa com estomia para cada mil habitantes em países com bom nível de assistência  médica. Essa estimativa, embora não exata para o Brasil, indica a relevância do tema e a  necessidade de atenção contínua a essa população.  

A partir de 2004, as pessoas com estomias foram reconhecidas como “deficientes  físicos” no Brasil, garantindo-lhes proteção social e direitos específicos, o que reforça a  importância de políticas públicas e de uma assistência de saúde adequada. 

Os desafios enfrentados pelas pessoas com ostomia vão além do manejo físico do  estoma e da bolsa. Eles incluem a adaptação a uma nova imagem corporal, a superação de  barreiras sociais e emocionais, e a reintegração em suas atividades diárias. A privação da integridade física pode levar a repercussões psicológicas como medo, ansiedade e tristeza  profunda, impactando a autoeficácia e a autoconfiança.  

Diante disso, a garantia de um cuidado holístico, que abranja todas essas dimensões, é  fundamental para promover o bem-estar e a qualidade de vida dos pacientes ostomizados

2.7. O Papel do Enfermeiro na Reabilitação e Educação em Saúde 

O enfermeiro desempenha um papel central na assistência ao paciente ostomizado,  atuando como um elo fundamental entre o paciente, a família e a equipe de saúde. Sua atuação  abrange desde a identificação de problemas e dificuldades até a orientação para a independência  no cuidado, tanto no ambiente hospitalar quanto após a alta. A análise sistemática das  intervenções de enfermagem é crucial para otimizar a assistência e assegurar um cuidado  integral, ampliando o suporte psicoemocional e contribuindo para o bem-estar completo do  indivíduo. 

A educação em saúde é uma das principais ferramentas do enfermeiro na reabilitação  do paciente ostomizado. Por meio de ações educativas, o enfermeiro capacita o paciente e seus  familiares a realizar o autocuidado, a manejar o estoma e a bolsa coletora, a prevenir  complicações e a identificar sinais de alerta. A utilização de recursos tecnológicos, como  aplicativos e vídeos instrutivos, pode potencializar o processo de ensino-aprendizagem,  tornando as informações mais acessíveis e compreensíveis, especialmente para pacientes em  regiões remotas ou com dificuldades de acesso a serviços de saúde. 

Além da educação, o suporte emocional oferecido pelo enfermeiro é vital para ajudar o  paciente a enfrentar as mudanças psicobiológicas e a se adaptar à nova realidade. A criação de  um ambiente de confiança e acolhimento, onde o paciente se sinta à vontade para expressar  seus medos e preocupações, é essencial para o sucesso da reabilitação. O enfermeiro, ao  desenvolver abordagens personalizadas, prioriza o suporte ao paciente durante todo o processo,  desde a hospitalização até a transição para a assistência pós-alta, com foco na autonomia e na  preservação da independência do paciente 

2.8. Considerações Finais 

A fundamentação teórica apresentada demonstra a complexidade e a multifacetada  natureza do cuidado à pessoa ostomizada. A ostomia, embora um procedimento salvador de  vidas, impõe desafios significativos que vão além do aspecto físico, adentrando as esferas  psicossociais, emocionais e de qualidade de vida. A literatura revisada ressalta a importância  de uma abordagem holística e integral, que considere o indivíduo em sua totalidade, bem como  seu contexto familiar, social e cultural. 

O papel da enfermagem emerge como central e indispensável nesse processo. Desde a  educação para o autocuidado, baseada em teorias como a de Dorothea Orem, até o suporte  emocional e a reabilitação, o enfermeiro atua como um facilitador da autonomia e da reintegração social do paciente. A utilização de tecnologias, como aplicativos móveis,  demonstra o potencial de inovação no cuidado, tornando as informações e o suporte mais  acessíveis. 

Conclui-se que a promoção do autocuidado em pessoas ostomizadas é um processo  contínuo que exige conhecimento técnico-científico, empatia e uma visão ampliada das  necessidades do paciente. A colaboração entre a equipe de saúde, o paciente e sua família é  fundamental para superar os desafios e garantir uma melhor qualidade de vida para os  indivíduos ostomizados, permitindo-lhes viver com dignidade e independência. 

3. METODOLOGIA  

Esta pesquisa foi conduzida utilizando a metodologia de síntese bibliográfica  integrativa, empregando uma abordagem descritiva e qualitativa, tendo como ponto de partida  a pergunta orientadora deste estudo, formulada com lastro na estratégia PICO, onde P  (população) pessoas ostomizadas em ambiente hospitalar, I (intervenção) refere-se às  intervenções educativas e assistenciais de enfermagem voltadas ao autocuidado, C  (comparação) não é aplicável e O (desfecho) circunscreve-se à capacidade do paciente para  realizar o autocuidado após a alta hospitalar. Diante disso, surge a seguinte indagação: “Quais  intervenções da enfermagem, no ambiente hospitalar, são eficazes na promoção do autocuidado  ao paciente ostomizado, segundo a literatura?”. 

A revisão bibliográfica ocorreu entre março e abril de 2025, utilizando os sistemas de  informação a seguir listados: Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Scientific Electronic Library  Online (SCIELO) e PubMed. Foram empregados descritores de pesquisa (MeSH) e operadores  lógicos como “ostomy” OR “stoma” AND “nurse” OR “Nursing”, além da terminologia  controlada das bases científicas da Saúde (DECS) e operadores lógicos “Estomia” OR  “Ostomy” OR “Estomía” OR “Ostomia” AND “autocuidado” OR “self care” AND “Ambiente  hospitalar” OR “Hospital” AND “Enfermagem” OR “Nursing” OR “Enfermería” OR  “enfermeiro” OR “nurse”. 

Os filtros metodológicos aplicados foram estudos publicados entre 2020 e 2025,  acessíveis em sua totalidade, escritos em português ou inglês e disponíveis gratuitamente,  relativos às intervenções especializadas de enfermagem em estomaterapia. Teses, dissertações,  resenhas, cartas ao editor, narrativas experienciais, artigos em outros idiomas, solicitações  incompletas, duplicatas, conteúdos pagos ou não tratassem da temática central desta pesquisa  foram removidos do filtro metodológico. 

A coleta seguiu um protocolo trifásico sequencial: O início do processo envolveu a  busca de estudos nas bases de dados utilizando os descritores de saúde, nos quais, depois de  utilizar os filtros de exclusão, foram escolhidos artigos com base na triagem dos títulos. Na  segunda fase, foram lidos os resumos, o que levou à remoção de estudos duplicados e que não  contribuíssem de maneira significativa para a solução da questão abordada neste trabalho.  Durante a terceira fase, após a triagem dos artigos, procedeu-se à leitura completa e a curadoria  conforme os pré-requisitos para elegibilidade estabelecidos. Para melhor organizar as  evidências empíricas, elaborou-se uma tabela para viabilizar a classificação e interpretação das  informações, pautada nos critérios a seguir: Título, autor, ano, objetivo do estudo, metodologia,  local de busca e nível de comprovação científica. 

Adotou-se a análise de conteúdo como método de investigação 12, sendo os dados  interpretados de maneira qualitativa, o que possibilitou a detecção de padrões agrupados de  categorias dentre as pesquisas mais significativas para esta revisão. Em conformidade com a  Resolução nº 510, de 7 de abril de 2016 13, por se tratar de uma pesquisa secundária, esta se  caracteriza e foi realizada unicamente a partir da análise dos dados já publicados, sem a coleta  direta de registros relacionados a seres humanos; por essa razão, não é obrigatória a avaliação  por parte do Comitê de Ética para este estudo. 

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS 

Foram encontrados 190 estudos nos repositórios de informações, apresentando 92  resultados diretamente na base BVS, 76 na PubMed e 22 na SCIELO. Na segunda fase, foram  aplicados parâmetros para elegibilidade e desqualificação, resultando na exclusão de 21  publicações incompletas ou indisponíveis em sua integralidade, juntamente com 118 estudos  adicionais que foram excluídos por não atenderem aos critérios de seleção. Isso levou à seleção  de 30 estudos, dos quais 21 foram publicados na BVS, 7 na PubMed e 2 na SCIELO. Desses,  15 foram excluídos por duplicidade e/ou por não contribuírem significativamente para examinar  os temas discutidos neste trabalho. Após uma leitura detalhada, na etapa três, foram escolhidos  6 estudos para compor esta compilação bibliográfica.

A fase de seleção dos dados pode ser representado pelo fluxograma a seguir:

FIGURA 1 – Fluxograma de escolha dos estudos para a síntese integrativa.

A tabela a seguir oferece um resumo dos estudos escolhidos para a revisão. Com o  intuito de simplificar a visualização, ela foi organizada nas seguintes categorias: Título/País,  Autor/Ano, objetivo do estudo, metodologia, local, principais resultados e grau de suporte da  evidência. 

TABELA 1 – Resumo da análise integrativa:

Título/PaísAutoresObjetivos dos estudosMetodologiasLocaisPrincipais resultadosEvidência
Exploração qualitativa das experiências de vida doméstica e necessidades de cuidados entre pacientes idosos com estomias intestinais temporárias (China)Wang et al. (2024)O estudo foca em entender as experiências, percepções e necessidades de cuidado de pacientes com colostomia temporária em casa, visando criar um protocolo de gerenciamento padronizado  Entrevista semiestruturada. Durante junho a agosto de 2023, Foram selecionados intencionalmente 12 pacientes com estomias intestinais temporárias de um hospital terciário.BVS (MEDLINE)  O estudo identificou limitações quanto ao conheciment o sobre a doença enfrentada, o autocuidado com o estoma e nível de  preparação insuficiente para cuidados pós-alta , gerando alto nível de dependência dos profissionais, e apoio emocional da família.4
Impacto do Modelo de Enfermagem Continuada Ahmadi na capacidade de autocuidado, complicações do estoma e qualidade de vida de pacientes com colostomia (Irã)Yan, Huiming; Su, Ying; Wang, Lina. (2024)O texto analisa os efeitos do Modelo de Enfermagem Continuada Ahmadi (ACNM) em pacientes com colostomia, focando na capacidade de autocuidado, complicações do estoma e qualidade de vida desses pacientesPesquisa experimental com 120 pacientes submetidos a colostomia.BVS (MEDLINE)O grupo de observação, apresentou melhorias significativas na capacidade de autocuidado e qualidade de vida em comparação ao grupo de controle, além de menor incidência de complicações.  2
Vídeo educativo para autocuidado de pacientes com estomia de eliminação intestinal (Brasil)Moreira et al. (2023)  Descrever a construção de uma tecnologia educacional para mediar o autocuidado de pacientes oncológicos com estomia de eliminação intestinalTrata-se de uma pesquisa metodológica, de abordagem qualitativaBVS (BDENF / LILACS)  A principal lacuna de conhecimento dos pacientes remete aos cuidados com o autocuidado, principalmente com a bolsa, revelando dificuldade com troca e higienização e as consequentes feridas periestomas, devido ao déficit do cuidado.4
Subjetividad es e desafios de pessoas convivendo com estomia intestinal (Brasil)Silva  et al. (2021)  Identificar vivências da pessoa com estomia intestinal relacionadas ao seu convívio socialEstudo descritivo, de natureza qualitativa, realizado com dez pessoas com estomia intestinal.BVS (BDENF / LILACS)A falta de orientação dos cuidados reflete diretamente na vida social pós alta do paciente, levando a medo e insegurança e impactam o equilíbrio emocional do indivíduo.  4
Perfil de usuários de um serviço de estomaterapia: análise de cluster (Brasil)Santos et al. (2022)Analisar o perfil das pessoas com estomias intestinais e/ou urinárias acompanhadas em serviço de estomaterapia, conforme variáveis sociodemográficas e clínicasTrata-se de um estudo transversal, realizado com 90 usuários do serviço de estomaterapia.SCIELO  O estudo aponta que baixa escolaridade e estado civil impactam na capacidade de autocuidado do indivíduo e adaptação ao estoma.4
Importância dos enfermeiros que cuidam de estoma na preparação dos pacientes para a cirurgia de estoma e na adaptação à vida com um estoma. (Reino Unido)Rolls et al. (2023)Compreender o nível de interação entre pacientes e enfermeiros de cuidados com estoma (EESS) em relação à preparação dos pacientes para a cirurgia de estoma e na adaptação à vida com um estomaQuestionários retrospectivos e auto relatados para pacientes e SCNs.PUBMED  Pacientes com cirurgia planejada receberam mais preparo pré-operatório do que aqueles com cirurgia não planejada. Enfermeiros foram essenciais na adaptação dos pacientes à vida com estoma, contudo ⅓ dos pacientes relatam não se sentir preparados para viver com o estoma2

Fonte: Autoria própria.

Segundo os dados coletados, os estudos foram veiculados em revistas que estão  indexadas no repositório da MEDLINE, BVS, LILACS, SCIELO e PUBMED. Essas  publicações são resultado de estudos realizados nos últimos seis anos, preservando, assim, a  confiabilidade das informações, a condição de atualizadas e a relevância como objeto deste  estudo integrativo. Ademais, a categorização dos níveis da evidência, variando de 1 a 4, fornece  uma medida confiável da robustez e aplicabilidade das descobertas apresentadas.  Consequentemente, os dados se configuram não só como números em uma tabela, mas como  os pilares sobre os quais se apoia a produção de conhecimento para o progresso da ciência.

Os estudos associados foram organizados em categorias a partir dos resultados  principais, conforme detalhado a seguir: 

Categoria 1 – A atuação do enfermeiro na capacitação do paciente no cuidado com a  ostomia e do equipamento coletor – As pesquisas enfatizam o papel fundamental da orientação  em saúde promovida pelo enfermeiro ao longo das consultas pré e pós-cirúrgicas, como  elemento crucial para a promoção da autogestão na população de pacientes ostomizados.  Outrossim, esse apoio, segundo demonstrado, deve ser adaptado ao perfil de cada paciente.  Dois trabalhos ainda destacam a adoção da tecnologia, através de vídeos instrutivos, como  instrumento eficiente para a compreensão das medidas de autocuidado. 

Categoria 2 – A percepção dos pacientes ostomizados sobre o suporte e as  recomendações recebidas do profissional de enfermagem – No tocante à perspectiva dos  pacientes sobre a eficácia das orientações recebidas observou-se uma diferença significativa  entre aqueles que passaram por cirurgias programadas, que contaram com mais tempo de  preparação, daqueles cuja operação ocorreu de forma súbita. Aquele grupo apresentou maior  satisfação diante das informações repassadas e um nível superior de segurança no manejo da  ostomia. Fica evidente, portanto, o fato de os pacientes, que receberam orientações de maior  qualidade, terem menores índices de complicações e uma reintegração social mais efetiva. 

Categoria 3 – Suporte psicoemocional – A discussão no que tange à saúde mental dos  pacientes é ampla, especialmente em face das mudanças significativas que a formação do  estoma provoca na experiência pessoal do paciente. Essa questão é amplamente abordada nos  estudos, ao evidenciarem a necessidade de discutir o assunto durante as consultas de  enfermagem, antes e depois de realizado o procedimento. Um estudo adicional destaca o papel  fundamental da participação do paciente em grupos de apoio, que podem promover o  compartilhamento de vivência, melhorando significativamente a interação social.  

Categoria 4 – Integração e transição para o espaço domiciliar – Os autores abordam a  pertinência de um direcionamento adequado pela equipe de cuidados de enfermagem,  impactando na eficácia dos resultados relacionados à autogestão do estoma pelos pacientes. Salienta-se igualmente o valor do cuidado contínuo, possível de ser conduzido durante  atendimentos presenciais ou através de plataformas online, assegurando os cuidados depois da  liberação hospitalar. 

As pesquisas aconteceram em hospitais, focando pacientes com ostomia de  eliminação. Nos últimos cinco anos, observou-se um aumento nas publicações, evidenciando a  centralidade do tema em questão. Ressalte-se, por oportuno, que evidências de nível 4 são as mais frequentes entre os estudos revisados, o que indica a demanda para conduzir estudos  experimentais vinculados à temática em questão. 

4.1. A atuação do enfermeiro na orientação do paciente na gestão da ostomia e do  equipamento coletor 

A missão dos especialistas em enfermagem ao fomentar a autossuficiência de indivíduos  portadores de ostomia envolve instruir sobre técnicas fundamentais de autocuidado,  fortalecendo a motivação e a autoconfiança desses pacientes. Essa abordagem acontece por  meio do estabelecimento de ambientes receptivos e do fornecimento de orientações práticas e  personalizadas. Cabe, ainda, aos enfermeiros, estar atento e responder a qualquer adversidade  enfrentada pelos pacientes, prestando ajuda contínua até esses indivíduos sentirem-se seguros  para lidar com sua condição. É crucial identificar os diversos obstáculos que eles encontram,  como a sobrecarga, a limitação das capacidades de autocuidado, a falta de conhecimento e as  necessidades afetivas. Compreender esses elementos e desenvolver estratégias para superar as  barreiras é vital para criar ações de enfermagem efetivas e ajustadas às necessidades particulares  desses enfermos 14

Outra investigação destaca a relevância de aliar a expertise técnica da enfermagem ao  reconhecimento das características individuais dos pacientes ostomizados, visando estimular o  manejo autônomo da ostomia e dos dispositivos coletores, o que impacta positivamente a  qualidade de vida. O estudo enfatiza a função dos enfermeiros na habilitação dos pacientes  mediante instruções práticas, apoio afetivo e cuidado continuado, bem como no  desenvolvimento de táticas customizadas para lidar com as dificuldades do cuidado em casa.  Entender o contexto profissional, o grau de instrução e as possíveis intercorrências pós cirúrgicas é fundamental para definir ações efetivas 15

A colaboração da equipe de enfermagem com o planejamento de políticas de saúde bem  definidas leva a um cuidado mais personalizado, que considera as demandas emocionais e os  elementos que influenciam as rotinas terapêuticas. Ações amplas coordenadas por enfermeiros,  englobando fases pré e pós-cirúrgicas e instrução sobre a ostomia, são factíveis e têm potencial  para elevar a capacidade de autocuidado e o bem-estar dos pacientes 16

Estudos⁽⁸⁾ reforçam a importância da enfermagem na assistência a pessoas com estoma,  salientando seu papel no estímulo à segurança pessoal e na melhoria do bem-estar. Além de  compartilhar conhecimentos técnicos, os enfermeiros impulsionam a motivação e a confiança  dos indivíduos, assegurando um cuidado ajustado às necessidades, seja no hospital ou em casa. 

A intervenção desses profissionais é crucial para aumentar a capacidade de autocuidado e a  qualidade de vida, abrangendo desde a preparação pré-cirúrgica até o seguimento pós operatório.  

O trabalho sublinha a importância de um enfoque integral que engloba dimensões  sociais, afetivas e individuais, estimulando a autonomia no cuidado. Tal perspectiva permite à  enfermagem desenvolver ações personalizadas, centradas na capacidade de autocuidado e no  bem-estar dos pacientes. Ao integrar instrução, apoio emocional e conhecimento técnico, a  equipe de enfermagem contribui para superar os desafios vivenciados por pessoas com estoma,  fomentando sua independência e qualidade de vida 17

4.2. A percepção dos pacientes ostomizados sobre o suporte e as recomendações  recebidas do profissional de enfermagem 

O modo como as pessoas com estoma vê o apoio e as diretrizes oferecidas pela  enfermagem é fundamental para sua adaptação ao autocuidado. Um suporte apropriado e  instruções claras são vitais para a recuperação e aceitação da nova condição, ao passo que a  falta desse amparo pode comprometer a adesão às práticas de cuidado pessoal. Uma  comunicação transparente e acolhedora por parte da equipe pode reduzir a ansiedade e o receio  ligados ao manejo do estoma, além de consolidar o vínculo e a confiança entre paciente e  profissional 18

Uma abordagem eficaz inclui diretrizes detalhadas para os cuidados em casa, como a  higienização, a escolha dos dispositivos coletores e a proteção cutânea. Esse amparo e diálogo  são cruciais para auxiliar na adaptação ao autocuidado e fortalecer o seguimento das  recomendações de saúde. A articulação entre conhecimento teórico e aplicação prática, somada  a ações individualizadas, assegura uma vivência satisfatória para o paciente 19

Indivíduos com estoma costumam ter uma percepção favorável do apoio e das  instruções da enfermagem, sobretudo quando as estratégias incluem comunicação acolhedora e  efetiva, além de capacitação estruturada sobre os cuidados necessários. Esse tipo de preparo  melhora a qualidade de vida e reduz a ansiedade, possibilitando que enfrentam os desafios  relacionados ao estoma com maior segurança. A postura ativa da equipe de enfermagem  consolida a relação de confiança, ameniza a ansiedade e contribui para o bem-estar psicológico.  Portanto, o amparo e a instrução organizada são fundamentais para uma adaptação bem sucedida 20.

Finalmente, a investigação salienta a importância do suporte e da capacitação  organizada no cuidado com o estoma, elementos chave para melhorar a qualidade de vida e  reduzir a ansiedade em pessoas ostomizadas. Fica claro que a comunicação acolhedora e o apoio  da equipe de enfermagem são determinantes para um manejo eficiente do estoma, facilitando  uma passagem mais suave para o autocuidado e um vínculo de confiança entre pacientes e  profissionais. Estudos mostram que indivíduos que receberam treinamento estruturado  apresentaram redução notável da ansiedade e avanços na qualidade de vida, englobando  dimensões físicas, psicológicas e sociais. Tal fato aponta para a urgência de ações de  enfermagem proativas e individualizadas, que considerem tanto o suporte afetivo quanto às instruções práticas, garantindo que os pacientes se ajustem efetivamente à nova realidade e  alcancem uma recuperação mais plena e satisfatória 21

4.3. Suporte emocional e psicológico 

Conforme estudos 22, o amparo emocional e psicológico é vital no cuidado de pessoas  com estoma, que frequentemente lidam com sentimentos de perda, constrangimento e tristeza.  É crucial que a enfermagem consiga identificar o sofrimento emocional e, quando preciso,  direcionar para acompanhamento psicológico. A formação de grupos de apoio entre indivíduos  ostomizados pode ser vantajosa, criando um ambiente para compartilhar experiências e  fortalecer uma rede de suporte recíproco. Esse tipo de apoio é importante não só para auxiliar  na aceitação da nova realidade, mas também para otimizar os desfechos em saúde. Incluir os  pacientes nas escolhas terapêuticas e fornecer informações claras sobre o estoma pode  minimizar os impactos físicos, psicológicos e sociais, como evidenciado na literatura. Assim, a  participação informada e ativa no cuidado pós-cirúrgico colabora de forma expressiva para o  bem-estar físico e emocional 23

A investigação salienta a importância do amparo afetivo e psicológico para pessoas com  estoma, que enfrentam expressivos desafios emocionais. Esse suporte é crucial pelo impacto  significativo da ostomia nas relações sociais e familiares, exigindo estratégias de enfrentamento  como a espiritualidade e a estabilidade emocional. O envolvimento dos pacientes nas decisões  sobre a própria saúde é essencial para assegurar informações apropriadas sobre os cuidados  com o estoma, reduzindo os efeitos físicos, psicológicos e sociais. A criação de grupos de apoio  e o fornecimento de materiais educativos são determinantes para fomentar a inclusão social e o  bem-estar emocional, auxiliando no combate à solidão. O apoio emocional não só ajuda na  aceitação da nova condição, mas também colabora para melhores desfechos em saúde,  envolvendo o paciente nos cuidados pós-cirúrgicos. Ações conjuntas são requeridas para superar barreiras práticas, como a falta de banheiros acessíveis, assegurando o conforto e a  segurança necessários para uma boa qualidade de vida 24

4.4. Integração e transição para o lar 

A transição do ambiente hospitalar para o domicílio é uma fase delicada para indivíduos  com estoma 25, requerendo que a enfermagem prepare pacientes e familiares para o manejo dos  cuidados em casa. Isso inclui garantir o acesso aos insumos necessários e fornecer informações  sobre potenciais intercorrências e quando procurar assistência. Visitas em casa e seguimento  por telefone são estratégias valiosas para monitorar o progresso e ajustar o plano de cuidados.  A atuação da enfermagem deve ser holística e humanizada, contemplando aspectos técnicos e  afetivos, e utilizando recursos educativos que estimulem o aprendizado. O propósito é facilitar  uma passagem suave e segura, com suporte constante para prevenir problemas e promover um  autocuidado efetivo 26

A mudança de pessoas com estoma do hospital para casa é uma etapa intrincada e  essencial, que exige cuidado especial da enfermagem para assegurar que estejam bem  preparados para o autocuidado. Os enfermeiros são peças-chave ao fornecer diretrizes que  englobam aspectos técnicos e emocionais dessa transição. Muitas vezes, pacientes submetidos  a cirurgias de estoma emergenciais sentem-se desamparados pela falta de informação durante a  hospitalização. Para melhorar isso, a colaboração entre enfermagem e pacientes pode ser  intensificada por meio de encontros pré-cirúrgicos, visitas domiciliares e acompanhamento  telefônico, incentivando a adaptação e o cuidado pessoal. Recursos educativos em saúde  funcionam como instrumentos eficazes nesse cenário, simplificando o ensino-aprendizagem e  prevenindo intercorrências 27. É vital intensificar as ações para garantir que todos os pacientes  acessem consultas pré-cirúrgicas, otimizando sua preparação para a vida com o estoma. 

5. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS 

A compilação deste trabalho enfatiza a relevância das ações de enfermagem no cuidado  de pessoas com estoma no ambiente hospitalar. Constatou-se que o enfermeiro desempenha  função crucial ao estimular a independência e fomentar o autocuidado, aspectos chave para  aprimorar a qualidade de vida pós-operatória. Por meio de uma análise ampla da literatura, ficou  claro que o apoio personalizado, aliado à educação em saúde ajustada às necessidades  individuais, é determinante no manejo do estoma e do dispositivo coletor. Táticas como vídeos  educativos e instruções práticas demonstraram eficácia na redução de déficits de informação e  no desenvolvimento de segurança e confiança nos pacientes. Além disso, o amparo emocional e psicológico surge como elemento indispensável para enfrentar as dificuldades ligadas ao  estoma, sendo potencializado por ações como grupos de suporte, que facilitam a aceitação da  nova condição e contribuem para melhores desfechos clínicos. 

O trabalho também aponta que a etapa de mudança do hospital para casa é um momento  delicado, exigindo ações de enfermagem bem estruturadas, como visitas em casa e  acompanhamento por telefone, que garantem a sequência do cuidado, evitam intercorrências e  estimulam o desenvolvimento do autocuidado. Desse modo, o enfermeiro, ao empregar um  enfoque integral e abrangente, considerando as dimensões física, afetiva e social, colabora  diretamente para a adaptação favorável das pessoas com estoma, reforçando sua independência,  fomentando o bem-estar e influenciando positivamente sua qualidade de vida. 

REFERÊNCIAS 

1 Silva E, Barros E, Silva F, Bezerra N, Santos P. Assistência de enfermagem na promoção do autocuidado em  pacientes portadores de ostomias intestinais. Res Soc Dev. 2023;12:e28112541646. doi:10.33448/rsd v12i5.41646. 

2 Ribeiro WA, Andrade M. Perspectiva do paciente estomizado intestinal frente à implementação do  autocuidado. Rev Pró-UniverSUS. 2020;11(1):6-13. Disponível em: https://editora.univassouras.edu.br/index.php/RPU/article/view/2214.

3 Couto JA, et al. Orientações de enfermagem a pacientes ostomizados: Revisão integrativa. Res Soc Dev.  2021;10(9):e31310918086. Disponível em: https://pdfs.semanticscholar.org/822b/6a61bd51fd4588e96fa5c61b1a1608a96b5b.pdf.

4 Saraiva V, et al. Dados sobre população com estoma no Brasil. 2022. Dados não publicados citados via  Associação Brasileira de Ostomizados. 

5 Silva E, Barros E, Silva F, Bezerra N, Santos P. Assistência de enfermagem na promoção do autocuidado em  pacientes portadores de ostomias intestinais. Res Soc Dev. 2023;12:e28112541646. doi:10.33448/rsd v12i5.41646. 

6 Bardin, Laurence. Análise de Conteúdo. São Paulo: Edições 70, 2011. 

7 BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Especializada em Saúde. Departamento de Atenção  Especializada e Temática. Guia de atenção à saúde da pessoa com estomia. Brasília: Ministério da Saúde, 2021.  Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_atencao_saude_pessoa_estomia.pdf.

8 BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Especializada em Saúde. Departamento de Atenção  Especializada e Temática. Guia de atenção à saúde da pessoa com estomia. Brasília: Ministério da Saúde, 2021.  Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_atencao_saude_pessoa_estomia.pdf.

9 PESSOA PEREIRA, V. et al. IMPACTO PSICOSSOCIAL DA OSTOMIA NO COTIDIANO DO INDIVÍDUO  OSTOMIZADO. Congresso Brasileiro de Estomaterapia, 2024. Disponível em: https://anais.sobest.com.br/cbe/article/view/539.

10 UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS (UFAM). Revisão Integrativa: Eficácia das intervenções de  enfermagem no ambiente hospitalar na promoção do autocuidado de pessoas ostomizadas.

11 COFEN. Enfermeira desenvolve aplicativo que promove autocuidado em casos de estomia intestinal. 20 fev.  2025. Disponível em: https://www.cofen.gov.br/tecnicas-de-enfermagem-voltadas-ao-autocuidado-em-casos de-estomia-intestinal/. 

12 Bardin, Laurence. Análise de Conteúdo. São Paulo: Edições 70, 2011. 

13 Conselho Nacional de Saúde (BR). Resolução nº 510, de 7 de abril de 2016. Diretrizes específicas para  pesquisas em ciências humanas e sociais. Diário Oficial da União. 13 abr 2016; Seção 1: 44. Disponível em:  https://www.gov.br/conselho-nacional-de-saude/pt-br/acesso-a-informacao/atosnormativos/resolucoes/2016/resolucao-no-510.pdf.

14 BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Especializada em Saúde. Departamento de Atenção  Especializada e Temática. Guia de atenção à saúde da pessoa com estomia. Brasília: Ministério da Saúde, 2021.  Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_atencao_saude_pessoa_estomia.pdf.

15 Ramos ÍA. A qualidade de vida através dos cuidados de enfermagem a adultos estomizados no ambiente  intra hospitalar: uma revisão integrativa [TCC]. Macaé: Universidade Federal do Rio de Janeiro; 2022.  Disponível em: https://pantheon.ufrj.br/handle/11422/19885. 

16 Ramos ÍA. A qualidade de vida através dos cuidados de enfermagem a adultos estomizados no ambiente  intra hospitalar: uma revisão integrativa [TCC]. Macaé: Universidade Federal do Rio de Janeiro; 2022.  Disponível em: https://pantheon.ufrj.br/handle/11422/19885. 

17 Wang SM, Jiang JL, Li R, et al. Exploração qualitativa das experiências de vida domiciliar e necessidades de  cuidados entre pacientes idosos com estomias intestinais temporárias. World J Gastroenterol.  2024;30(22):2893-2901. doi:10.3748/wjg. v30.i22.2893. 

18 Santos FL, Castanheira JS, Mota MSM, et al. Perfil de usuários de um serviço de estomaterapia: análise de  cluster. Esc Anna Nery. 2022;26. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ean/a/rtkktb6GVs4CCsZtDHzvQXv.

19 Santos FL, Castanheira JS, Mota MSM, et al. Perfil de usuários de um serviço de estomaterapia: análise de  cluster. Esc Anna Nery. 2022;26. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ean/a/rtkktb6GVs4CCsZtDHzvQXv. 

20 Zhang T, Qi X. Enhanced Nursing Care for Improving the Self-Efficacy & Health-Related Quality of Life in  Patients with a Urostomy. J Multidiscip Healthc. 2023; 16:147-156. doi:10.2147/JMDH.S392642.

21 Yan H, Su Y, Wang L. Impacto do Modelo de Enfermagem Continuada Ahmadi na capacidade de autocuidado,  complicações da estomia e qualidade de vida de pacientes com colostomia. BMC Gastroenterol. 2024; 24:58.  Disponível em: https://bmcgastroenterol.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12876-024-03497-0.

22 Silva AL, Vieira ABD, Moraes RHG, et al. Subjetividades e desafios de pessoas convivendo com estomia  intestinal. ESTIMA. 2021;19:e1034. Disponível em:  https://www.revistaestima.com.br/estima/article/view/1034/462.

23 Silva AL, Vieira ABD, Moraes RHG, et al. Subjetividades e desafios de pessoas convivendo com estomia  intestinal. ESTIMA. 2021;19:e1034. Disponível em: https://www.revistaestima.com.br/estima/article/view/1034/462.

24Muñoz NM, Fernández EA, Mártir CB, et al. Avaliação de indicadores de saúde em indivíduos com estomia  intestinal utilizando a classificação de resultados de enfermagem: um estudo transversal. Int Wound J. 2022.  Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9163492/. 

25Khalilzadeh Ganjalikhani M, Tirgari B, Roudi Rashtabadi O, Shahesmaeili A. Studying the effect of structured  ostomy care training on quality of life and anxiety of patients with permanent ostomy. Int Wound J.  2019;16(6):1383–1390. doi:10.1111/iwj.13201. 

26Khalilzadeh Ganjalikhani M, Tirgari B, Roudi Rashtabadi O, Shahesmaeili A. Studying the effect of structured  ostomy care training on quality of life and anxiety of patients with permanent ostomy. Int Wound J.  2019;16(6):1383–1390. doi:10.1111/iwj.13201. 

27Rolls N, Gotfredsen JL, Vestergaard M, Hansen AS, Koblauch H. Importance of stoma care nurses in preparing  patients for stoma surgery and adjustment to life with a stoma. Gastrointestinal Nursing. 2023;21(7):S32–S38.  doi:10.12968/bjon.2023.32.16.S32.


1Discentes do Curso Superior de Enfermagem do Centro Universitário Uma, Campus Contagem – MG; e-mails:  leticiaos12@hotmail.com; mariliairani@yahoo.com.br; pkasousa@gmail.com; sara.eller2808@gmail.com;  simonesoares39128060@gmail.com; tamyresandressa@gmail.com.
2Docente do Curso Superior de Enfermagem do Centro Universitário Uma, Campus Contagem – MG. Mestre em  2020 (PPGEE/UFMG). e-mail: raquel.eustaquia@ulife.com.br.