LITERATURE REVIEW OF ENVIRONMENTAL EDUCATION IMPLEMENTED IN SCHOOLS OF THE CRAJUBAR REGION (CRATO, JUAZEIRO DO NORTE, AND BARBALHA – CE)
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202509101244
Danúbio Lopes da Silva
Maria do Socorro Costa
Vanuzaelia Nogueira de Sena Queiroz
Adriano de Oliveira Gurgel
Antonia Natália Monteiro Diógenes
Keiliane Ferreira de Sena
Maria Erlange da Silva
Ana Emília Miranda dos Santos
Resumo- A Educação Ambiental nasceu da necessidade da sociedade de uma reparação sobre o ambiente, trazendo, desta forma, uma nova realidade de como agir em relação ao meio ambiente, buscando maneiras de amenizar os danos causados sobre ele. O presente trabalho objetivou verificar como está sendo trabalhada a Educação Ambiental em escolas de ensino regular das cidades de Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha – CE e identificar na literatura, em periódicos especializados, artigos publicados sobre o assunto. A metodologia utilizada foi uma revisão da literatura, partindo de estudos disponíveis sobre ela, cuja questão norteadora foi: “Educação Ambiental em escolas de ensino regular de Juazeiro do Norte, Crato e Barbalha”. Os estudos acerca do assunto foram identificados pela busca nas bases de dados: Scientific Electronic Library Online (SciELO), e Google acadêmico, realizadas de janeiro a março de 2020. Os estudos analisados incluíram diferentes abordagens metodológicas, como: aplicação de questionários, realização de entrevistas com técnica de associação livre de palavras, desenvolvimento de projetos, oficinas, palestras informativas e ações educativas junto aos alunos, todas voltadas para a promoção da Educação Ambiental no contexto escolar. Trabalhar a Educação Ambiental em conjunto com outras disciplinas da grade curricular e tentar aplicar a teoria na prática dentro da escola é uma grande iniciativa para gerar nos estudantes uma conscientização acerca da preservação da natureza e sobre os impactos que os atos, quando praticados sem um olhar ambiental, podem ocasionar sobre o meio ambiente. Cada atitude consciente sobre a preservação ambiental gerará uma melhor qualidade de vida para todos.
Palavras-Chave: Preservação Ambiental; Sustentabilidade, Responsabilidade Socioambiental.
Abstract – Environmental Education emerged from society’s need for environmental remediation, thus bringing a new reality regarding how to act toward the environment and seeking ways to mitigate the damage caused to it. This study aimed to examine how Environmental Education is being implemented in regular schools in the cities of Crato, Juazeiro do Norte, and Barbalha – CE, and to identify, in the literature and specialized journals, articles published on the subject. The methodology employed was a literature review, based on studies available on the topic, guided by the question: “Environmental Education in regular schools of Juazeiro do Norte, Crato, and Barbalha.” Studies on the subject were identified through searches in databases such as the Scientific Electronic Library Online (SciELO) and Google Scholar, conducted between January and March 2020. The analyzed studies included different methodological approaches, such as the application of questionnaires, interviews using free word association techniques, project development, workshops, informative lectures, and educational actions with students, all aimed at promoting Environmental Education in the school context. Integrating Environmental Education with other subjects in the curriculum and attempting to apply theory to practice within schools is a significant initiative to foster students’ awareness of nature preservation and the impacts of actions taken without an environmental perspective. Every conscious act of environmental preservation will contribute to a better quality of life for all.
Keywords: Environmental Preservation; Sustainability; Socio-environmental responsibility.
Introdução
A Educação Ambiental (EA) nasceu da necessidade da sociedade de uma reparação sobre o ambiente, trazendo, desta forma, uma nova realidade de como agir em relação ao meio ambiente, buscando maneiras de amenizar os danos causados sobre ele (França; Guimarães, 2018).
No Brasil, as primeiras atividades de Educação Ambiental aconteceram no início da década de 1970. Não tinham a participação de movimentos sociais de cunho popular e trabalhadores da educação, pois, por motivos diversos, não se envolveram com a questão ambiental. As iniciativas educativas ambientais, como um instrumento técnico-científico voltado para a resolução de problemas ambientais por meio da transmissão de conhecimentos ecológicos e da sensibilização, ficaram sob a ação de agentes sociais (Loureiro, 2006).
A Lei Federal n.°9.795, sobre a Educação Ambiental, instituiu a Política Nacional de Educação Ambiental, caracteriza-se pelos processos aos quais os indivíduos e a sociedade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes, bem como competências voltadas para a conservação do meio ambiente, essenciais à sadia qualidade de vida e à sua sustentabilidade (BRASIL, 1999).
Não se tem uma prática educativa que inclua a EA como uma disciplina fixa no currículo escolar, mesmo com a coordenação do Ministério da Educação (MEC). Vários são as dificuldades enfrentadas no cotidiano das escolas, mesmo amparadas pela Lei Federal nº 9.975, problemas como a falta de colaboração da comunidade escolar, falta de material didático, vinculação da EA somente as aulas de Ciências, Geografia e Biologia, falta de preparo dos docentes e infraestrutura escolar precária (BRASIL, 1998).
No ensino fundamental e médio, infelizmente, o conhecimento sobre a Educação Ambiental é fragmentado e os problemas ambientais são transmitidos de forma superficial, geralmente apresentado como um conhecimento pronto e descontextualizado, incluído dentro de projetos extracurriculares e de forma isolada (Virgens, 2011).
É importante que haja interações entre as disciplinas e que se desenvolvam conteúdos, contribuindo para a compreensão da EA, desenvolvendo-se uma postura participativa da comunidade escolar, na qual exista uma educação voltada para a transformação do comportamento humano, sendo a escola o agente transformador através de práticas educacionais que proporcionará mudanças expressivas (Effeting, 2007).
A escola é o melhor ambiente para conscientizar que o futuro da humanidade depende da relação harmoniosa entre o ser humano e a natureza. É muito importante a implantação da Educação Ambiental em todas as áreas do ensino, visto que é clara a eficácia dela no ensino fundamental e médio, permitindo a formação de indivíduos autônomos, críticos e solidários, como propõem as correntes de EA mais progressistas (Santos; Gardolinski, 2018).
O presente trabalho objetivou-se verificar como está sendo trabalhada a Educação Ambiental em escolas de ensino regular das cidades de Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha – CE bem como identificar, na literatura científica e em periódicos especializados, artigos publicados sobre o tema.
Revisão Bibliográfica
A sociedade, ao se desenvolver no decorrer da história, fez grandes descobertas utilizando, modificando e degradando a natureza, em busca de suprir as necessidades de sobrevivência; com o avanço das práticas e técnicas, o objetivo resultou no aumento da produtividade, visando a maneira que mais gerasse lucro, almejando apenas o capital sem se preocupar com as consequências acarretadas à natureza. (Batista; Paula, 2014).
Na década de 70, começaram a surgir os principais problemas em relação ao meio ambiente, com o início das manifestações exigindo diversos temas, como direito da mulher, revolução estudantil, exigência de organizações democráticas, direitos à liberdade, educação, entre outros. O consumismo provoca degradação do meio ambiente e fragilidade do conhecimento humano a respeito dos impactos ocasionados pelo uso incorreto dos recursos renováveis e não renováveis. (Silva; Mesquita; Souza, 2015).
Em 1972, foi realizada a Conferência de Estocolmo, a partir da qual foram criadas diretrizes para um Programa Internacional de Educação Ambiental e, pela primeira vez, a Educação Ambiental foi reconhecida como essencial para solucionar a crise ambiental internacional, enfatizando a priorização em reordenar suas necessidades básicas de sobrevivência na Terra (Souza, 2011).
A UNESCO e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), em 1975, em resposta à recomendação 96 da Conferência de Estocolmo, nomeia o desenvolvimento da Educação Ambiental como um dos elementos mais críticos para que se possa combater a crise ambiental do mundo e cria o Programa Internacional de Educação Ambiental (PIEA) (Souza, 2011).
Em Tbilisi, no ano de 1977, aconteceu a Primeira Conferência Internacional em Educação Ambiental. Foi um evento marcante do Programa Internacional de Educação Ambiental, sendo a segunda reunião internacional promovida pela UNESCO. Na ocasião, foram definidas também estratégias a nível nacional e internacional. Declararam, naquele momento, que a Educação Ambiental é um elemento essencial para uma educação formal e não-formal, da qual resultariam benefícios para a humanidade (Pedrini, 1998).
A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 mostra que todos os brasileiros têm direito a um meio ambiente ecologicamente balanceado, e fica instituído ao poder público e a comunidade o papel de defender e preservar para as futuras gerações (Cardoso, 2011). No art. 225, do capítulo VI, no título VIII da Constituição Federal, diz que todos devem cuidar do meio ambiente e que os governantes devem fiscalizar o uso indevido dos recursos naturais (BRASIL, 1988).
A Educação Ambiental tornou-se lei em 27 de Abril de 1999, pela Lei N° 9.795 – Lei da Educação Ambiental, onde em seu Art. 2° afirma: “A educação ambiental é um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não-formal”. Desta forma, é importante ressaltar que, na América Latina, apenas o Brasil é o país que possui uma política nacional específica para a Educação Ambiental (Rodrigues, 2017).
Assim, a Educação Ambiental é uma ferramenta eficaz para construção de um saber que une a teoria e a prática. Ela deve ser tratada como um componente essencial no processo de formação permanente da sociedade, possuindo uma abordagem direcionada para a resolução de problemas e contribuindo para o desenvolvimento ativo da sociedade. A propagação da Educação Ambiental se faz necessária também em outras áreas como: saúde, direitos sociais, gestão ambiental em unidades de conservação e setor industrial, dentre outras, e não somente no campo educacional (Silva, 2016).
Metodologia
O presente estudo é uma revisão da literatura, partindo de estudos disponíveis sobre ela, cuja questão norteadora foi: “Educação Ambiental em escolas do CRAJUBAR (Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha)”. Os estudos acerca do assunto foram identificados pela busca nas bases de dados: Scientific Electronic Library Online (SciELO), e Google acadêmico.
Foram utilizados descritores para a busca: “Educação Ambiental, escola, Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha”. Os estudos foram selecionados de acordo com os seguintes critérios: artigos e teses originais e indexados em língua portuguesa que abordassem a temática, publicados nos últimos dez anos, com nível escolar abordando a educação básica em escolas dos municípios de Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha. Os trabalhos foram lidos e, nos casos de insuficiência para incluí-lo, levando em consideração os critérios estabelecidos para a inclusão, o artigo foi lido na íntegra a fim de determinar sua legibilidade. Foram avaliados pontos: como foram realizados, atividades desenvolvidas e resultados obtidos.
Resultados e discussão
Com a finalidade de entender como a Educação Ambiental é trabalhada em escolas do ensino básico dos municípios de Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha – CE, foi realizado um levantamento bibliográfico, utilizando como ferramenta de pesquisa a plataforma Google Acadêmico e SciElo. Para a pesquisa, foi utilizado o termo “Educação Ambiental em escolas de Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha – CE”, a partir da qual foram selecionados apenas os trabalhos envolvendo o tema.
Na Tabela 1, estão elencados os trabalhos selecionados durante a pesquisa, publicados entre 2009 e 2019. Estes quadros estão organizados por pesquisas realizadas e publicadas em contexto nacional, nas quais são fornecidas as seguintes informações: autores do trabalho, título do trabalho, cidade da publicação do trabalho e ano de publicação.
Tabela 1: Publicações identificadas sobre a Educação Ambiental em escolas do CRAJUBAR – CE.
| Trabalhos analisados |
| 1- LACERDA, M. F.; SANTANA, A. G.; COSTA, F. S. S.; PEREIRA, C. M. C. A reutilização de resíduos escolar com o intuito de conscientizar alunos e funcionários acerca da sua importância para a preservação ambiental. Campina Grande – PB. p. 1-5. 2019. |
| 2- BENICIO, R. M. A.; FRANCA, M. P. S. Educação ambiental: reflexões etnobiológicas para conservação e o desenvolvimento local. In.: V CONEDU. Olinda – PE. 2018. |
| 3- COSTA JÚNIOR, J. M.; MENESES, A. D. S.; LOBO, J. T.; SALES, W. S. Análise do Programa municipal de hortas escolares e farmácias vivas em Crato – Ceará. CIIERD. Juazeiro da Bahia – BA. p. 1-5. 2017. |
| 4- RODRIGUES, P. S. S. Didática aplicada aos conteúdos sobre o Meio Ambiente na E. E. F Prof.ª Iva Emidio Gondim na Cidade de Juazeiro do Norte-CE. Id Online Revista Multidisciplinar e de Psicologia, v.10, n. 33. 2017. |
| 5- GOMES, C. M. R.; NASCIMENTO, A. A.; SOUZA, A. F. S.; SANTANA, W. J. Analise das práticas de Educação Ambiental em duas escolas de Ensino Médio na cidade de Juazeiro do Norte-CE. Revista Gestão & Sustentabilidade Ambiental. Florianópolis – SC, v. 5, n. 1, p. 26-41. 2016. |
| 6- SILVA, S. G. Educação Ambiental escolar: estudando teorias e visualizando iniciativas realizadas no Colégio Módulo em Juazeiro do Norte-CE. Revista Geosaberes. Fortaleza – CE, v. 6, n. 3, p. 16 – 26. 2016. |
| 7- WILSON, M. Projeto Cultura Ambiental nas Escolas. Educação para Sustentabilidade. Tetra Pak Cultura Ambiental nas Escolas. Juazeiro do Norte – CE. 2016. |
| 8- GOMES, C. M. R.; NASCIMENTO, A. A.; SOUZA, A. F. S.; SANTANA, W. J. Avaliação das práticas de Educação Ambiental inseridas em duas escolas de Ensino Fundamental II na cidade de Juazeiro do Norte-CE. Revista Brasileira de Gestão Ambiental. Pombal – PB, v. 8, n. 2, p. 01-04, 2014. |
| 9- MATIAS, T. C.; ALCANTARA, F. D. O.; OLIVEIRA, C. W.; SANTOS, A. E. S.; ABREU, M. K. F;. CHACON, S. S. Educação ambiental no contexto escolar: experiência de horta escolar na zona rural, Barbalha-Ce.Congreso Iberoamericano de Ciencia, Tecnología, Innovación y Educación. Buenos Aires – Argentina. 2014. |
| 10- FIGUEROA, M. E. V.; LUCENA, T. C. A Educação Ambiental como instrumento de mudança na percepção da comunidade escolar do município de Juazeiro do Norte: preservando o meio ambiente. Revista Educação Ambiental. 2012. |
Fonte: Autor da Pesquisa (2024).
Os trabalhos identificados na Tabela 1 foram enumerados na ordem da publicação, da mais recente à mais antiga, e os autores buscaram propagar e incentivar a Educação Ambiental para estudantes e profissionais nas escolas de Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha – CE. Dentre estes trabalhos, um envolveu a realização de um questionário, três utilizaram entrevistas/técnica de associação livre de palavras, três realizaram projeto, um realizou oficina, um realizou palestra informativa e um realizou ações educativas junto aos alunos, sempre voltados para a Educação Ambiental no ambiente escolar.
No trabalho de Lacerda et al. (2019), os autores inicialmente conduziram uma pesquisa bibliográfica em livros e artigos de referência sobre o tema. Com base nos estudos revisados e nas informações obtidas, realizaram uma palestra informativa e três oficinas direcionadas, com o intuito de apresentar o projeto a ser desenvolvido na escola e levar um pouco de conhecimento a respeito de ética e Educação Ambiental para esse público.
Discutiram, ainda, a importância da coleta e da destinação adequada para cada tipo de resíduo, incentivando a reutilização e a coleta seletiva. A instituição escolhida foi a Escola de Ensino Fundamental Senador Martiniano de Alencar, na cidade de Barbalha – CE. Os autores concluíram que o trabalho trouxe um leque de conhecimentos tanto pessoal como social para o desenvolvimento dos alunos que, a partir de então, passaram a ter uma nova visão sobre a reutilização e destinação adequada dos resíduos.
Benicio e Franca (2018), em sua pesquisa, buscaram respostas para questionamentos como: “quais os problemas ambientais que podem ser resolvidos e ou amenizados? Quais as ações que contribuem com a conservação da biodiversidade local? Quanto de conhecimento temos sobre a diversidade biológica da nossa região? Uma cidade pode se desenvolver de forma sustentável?”; perceberam que os alunos foram muito participativos, principalmente os mais introspectivos das turmas. Os autores escolheram uma área de proteção ambiental (Parque Estadual do Sítio Fundão – Crato – CE) para aulas de campo. Acompanhados por um guia, realizaram a trilha e, com o uso do aplicativo Ecomapss, anteriormente baixado no celular, os alunos conheceram mais afundo sobre a vegetação local, nome científico, nome popular, a origem e demais curiosidades sobre as plantas.
Todas as informações coletadas, compreendidas e absorvidas na aula de campo tiveram uma enorme valia para os alunos. Eles voltaram diferentes, cheios de conhecimentos, com anseio de transmiti-los aos demais, como também participaram de encontros, palestras e oficinas fora da escola, tornando-se sensibilizados e atenciosos com a conservação da natureza e a valorização da biodiversidade local.
Costa Júnior et al. (2017), em sua pesquisa, apresentaram o programa aos gestores escolares e à Secretaria de Agricultura do município, destacando a importância da Educação Ambiental para os jovens e incentivando a participação ativa dos gestores no projeto. Após essa etapa, foram selecionadas as escolas participantes e iniciado o processo educativo com os estudantes. As atividades práticas envolveram, diariamente, a construção de canteiros escolares, abordando desde a germinação das sementes até a produção agrícola nas hortas. Essa abordagem permitiu que os alunos vivenciassem o ciclo completo de cultivo, integrando teoria e prática de forma significativa. Como encerramento, foram promovidas rodas de conversa nas escolas sobre Educação Ambiental e a relevância da sustentabilidade para as futuras gerações. As técnicas de aprendizagem baseadas no uso de hortas escolares proporcionaram aos estudantes uma compreensão ampliada de compromisso e responsabilidade com o meio ambiente, reforçando sua inserção em um sistema de aprendizagem cooperativa e sustentável.
Rodrigues (2017), em seu trabalho, por meio da pesquisa, constatou que os professores são cientes das responsabilidades socioeducativas a eles confiadas e dominam os conteúdos que envolvem práticas de conservação e não degradação ambiental. Durante a observação do espaço físico da escola, percebeu a falta de um trabalho mais direcionado à compreensão e colaboração, por parte da comunidade escolar, para colocar em prática ações que contribuam para a melhoria do meio ambiente. Ao conversar com os(as) professores(as), outro relato importante foi sobre se de fato as crianças praticam as ações que preservam o meio ambiente. Responderam em unanimidade que fica difícil para os alunos praticarem porque, na escola, escutam que é importante, mas quando estão em suas casas, as famílias não colaboram, ficando complicado para a escola sozinha trabalhar tais questões.
Neste trabalho, Rodrigues concluiu que o professor tem grande responsabilidade na formação sobre a preservação do meio ambiente, não só o professor, mas, faz-se necessário que escola, família e comunidade entendam sua importância no processo educativo.
Gomes et al. (2016) desenvolveram seu trabalho em duas etapas, em duas escolas de Ensino Médio de Juazeiro do Norte. A primeira etapa mostra o perfil socioeconômico dos participantes da pesquisa, destacando sexo, idade, cor, série e ocupação. A segunda etapa foi composta por respostas às questões subjetivas. Os dados obtidos foram trabalhados de forma quantitativa e qualitativa. Foram elaboradas quatro categorias: “Conhecimentos sobre Educação Ambiental”, “Práticas para a preservação do meio ambiente”, “Respeito ao meio ambiente” e “Formas de abordagem sobre as práticas de Educação Ambiental”.
Dos alunos entrevistados, 76% afirmaram ter conhecido a Educação Ambiental antes dos 15 anos. Sobre as práticas de Educação Ambiental, 68% responderam que existe na escola e 91% responderam que a escola precisa investir mais na prática. Em relação à coleta seletiva, 60% afirmaram que não faziam uso da coleta seletiva. Sobre o saneamento básico da escola, 88% dos alunos afirmaram que a escola possuía saneamento básico, destes, 37% o classificou como sendo regular e 42% não sabia que a água consumida por eles era tratada, afirmando que a água que bebiam era somente filtrada.
Os autores concluíram que a metodologia aplicada nas escolas onde foi desenvolvida a pesquisa, apresentou um bom resultado em relação às definições e aos conhecimentos teóricos dos alunos, porém mostrou um desempenho negativo no que diz respeito às práticas ambientais, sendo poucos os que afirmaram realizar alguma atividade prática em relação ao tema. Assim, políticas públicas em relação a esta temática devem ser intensificadas nas escolas públicas do Brasil, para um melhor desenvolvimento intelectual dos discentes, como também um maior conhecimento e preservação do meio ambiente.
A pesquisa de Silva (2016) foi realizada no Colégio Módulo, por meio de questões abertas (formato de entrevistas) e de roteiro de perguntas fechadas. A experiência foi desenvolvida a partir do tema do lixo. Os instrumentos de coleta de dados foram aplicados aos gestores e professores, analisando como a Educação Ambiental é praticada na escola. Ele percebeu que os(as) professores(as), mesmo com as dificuldades encontradas, tiveram bastante disposição para desenvolver os conteúdos e as atividades propostas no Manual de Apoio ao Professor sobre Educação Ambiental, criando projetos de acordo com suas possibilidades, inovando conteúdo para complementar o livro didático, demonstrando motivação e vontade de produzir iniciativas de Educação Ambiental na escola.
Ele concluiu que é importante incluir projetos ambientais como tema integrador das matérias obrigatórias de todas as séries. É fundamental, para isso, o comprometimento e a reflexão permanente sobre a responsabilidade social e ambiental no processo de formação de cidadãos responsáveis. As iniciativas, na escola investigada em Juazeiro do Norte, demonstram que é possível e importante colocar em prática a Educação Ambiental.
Wilson (2016) executou a sua pesquisa com conteúdo pedagógico diferenciado voltado para a prática. As oficinas do projeto “Cultura Ambiental nas Escolas” promoveram a Educação Ambiental com professores. Essa troca de experiências enriqueceu o trabalho em sala de aula e aproximou o conteúdo teórico e as atividades interdisciplinares. Fez um desafio de implantar em cinco escolas de Juazeiro, o programa da Tetra Pak, Coleta Seletiva nas Escolas, um programa que será executado no Cariri, a partir dos quais sugeriram transformar os alunos em protagonistas de seus projetos. A metodologia despertou o interesse de muitos, assumindo o compromisso de colaborar no processo de implantação do programa nas escolas.
Gomes et al. (2014) realizaram a pesquisa por meio de questionários em duas escolas de Ensino Fundamental II. Todos os alunos entrevistados afirmaram ter conhecimento sobre o meio ambiente e 93% tem respeito ao mesmo. Em relação à interação com a natureza, 6% dos alunos acham certa a derrubada de árvores, 94% cuidam da natureza e 76% já praticaram o plantio de alguma planta, um ato de respeito e cuidado com o meio ambiente. Um total de 88% dos entrevistados afirmou que suas escolas abordam práticas ambientais e 86% dos alunos descartam seu lixo de forma correta durante o dia.
Nos estudos de Matias et al. (2014), inicialmente é apresentado o projeto à comunidade escolar para discussão e elaboração de ações de planejamento didático multi, inter e transdisciplinar, com ênfase no envolvimento dos discentes e docentes, contemplando metas de maior efetividade do processo ensino-aprendizagem, despertando os alunos para a importância socioambiental, econômica e alimentar do cultivo de hortaliça e escolha do espaço físico e construção da horta, por intermédio da tutora do Projeto. Os autores desenvolveram um papel bastante importante, auxiliando a comunidade escolar no planejamento, execução e manutenção das hortas, levando até ela princípios de horticultura orgânica, compostagem, formas de produção dos alimentos, o solo como fonte de vida, relação campo- cidade, entre outros.
O autor concluiu que os resultados obtidos possibilitaram o surgimento de temáticas a serem trabalhadas, permitindo reflexões que servirão para responder muitos questionamentos sobre a Educação Ambiental. Observou que alguns estudantes, mesmo conhecendo o tema, não possuem uma prática ambiental, porém muitos afirmaram ter o cuidado com o meio em que vivem. Políticas públicas relacionadas a esta temática devem ser implantadas nas escolas públicas do Brasil, para um melhor desenvolvimento intelectual e científico dos estudantes, como também para uma maior conscientização sobre a preservação do meio ambiente.
Em seus estudos, Figueroa e Lucena, após aplicarem questionários, concluíram que a escola é como ponte de formação do cidadão e deve ser o canal para a distribuição de informações úteis à preservação e conservação do meio ambiente, além de servir como base para fins educativos e ecológicos. A escola é, talvez, o local mais apropriado para este tipo de educação, pois ela pode encorajar ações, através de planos, projetos e programas de Educação Ambiental, além de facilitar a comunicação e a troca de experiências entre os discentes e os docentes.
Conclusão
Com essa revisão de literatura, percebe-se o quanto é importante e urgente trabalhar a Educação Ambiental nas escolas de Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha – CE. A escassez de trabalhos na literatura sobre essa abordagem demonstra a necessidade da conscientização ambiental dos estudantes e profissionais da educação. Muito ainda precisa ser falado sobre o tema em sala de aula.
Por meio das referências elencadas, é possível identificar que ainda há um conhecimento escasso sobre a importância da preservação do meio ambiente. Os professores possuem saberes limitados sobre o ambiente local. Isso se deve ao fato de não possuírem uma formação adequada e pela escassez de recursos na escola para abordar essa temática, o que influencia diretamente nas práticas pedagógicas destes profissionais.
Trabalhar a Educação Ambiental em conjunto com outras disciplinas da grade curricular como as de Ciências da Natureza e Geografia e tentar aplicar a teoria na prática dentro da escola é uma grande iniciativa para gerar, nos estudantes, uma conscientização acerca da preservação da natureza e sobre os impactos que os atos, quando praticados sem um olhar ambiental, podem ocasionar sobre o meio ambiente. Cada atitude consciente sobre a preservação ambiental gerará uma melhor qualidade de vida para todos.
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