RESISTÊNCIA À INSULINA: MECANISMOS FISIOPATOLÓGICOS E NOVAS ABORDAGENS TERAPÊUTICAS. UMA REVISÃO DE LITERATURA.

INSULIN RESISTANCE: PATHOPHYSIOLOGICAL MECHANISMS AND NEW THERAPEUTIC APPROACHES. AN INTEGRATIVE REVIEW.

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202503280018


João Marcos Flores Cid Souto1; Irene dos Santos Braga2; Úlima Souza Cruz Santos Oliveira3; Thais Magalhães Teixeira Lira4; Juliana Gama Sampaio da Silva5; Victor Eduardo Maia Silva6; Daniel Magalhães dos Santos7; Rodrigo César das Neves Amorim8; Victor Lins Costa9; Luís Felipe Martins Luzio10


Resumo  

A resistência à insulina (RI) é uma condição metabólica associada a fatores como obesidade,  síndrome metabólica e doenças cardiovasculares. A disfunção mitocondrial, inflamação crônica  e estresse oxidativo desempenham papeis centrais no desenvolvimento da RI. Estratégias  terapêuticas, como a adoção de dietas anti-inflamatórias e o uso de compostos bioativos,  demonstram eficácia na modulação da resistência à insulina. Objetivo: Este estudo visa revisar  as evidências atuais sobre os fatores que contribuem para a resistência à insulina e as  intervenções terapêuticas que visam melhorar a sensibilidade à insulina. Metodologia: A  revisão integrativa foi realizada nas bases PubMed, MEDLINE e SciELO, analisando artigos  de 2020 a 2025. Após aplicação de critérios de elegibilidade, 20 estudos foram selecionados  para sintetizar as evidências mais relevantes sobre os mecanismos da resistência à insulina e  abordagens terapêuticas. Resultados: A pesquisa identificou que o acúmulo de lipídios e a  disbiose intestinal são fatores-chave na resistência à insulina, intensificando processos  inflamatórios e estresse oxidativo. Estratégias como a dieta mediterrânea, compostos bioativos  como berberina e quercetina, além da prática de atividade física, demonstraram benefícios na  modulação da resistência à insulina. A redução do excesso de peso e o combate ao sedentarismo  são fundamentais para a melhoria da sensibilidade à insulina. Conclusão: A resistência à  insulina é influenciada por fatores como disfunção mitocondrial, inflamação crônica e dieta  inadequada. Estratégias terapêuticas eficazes incluem intervenções dietéticas, como a dieta  mediterrânea, o uso de nutracêuticos e a prática regular de atividade física. A combinação  dessas abordagens pode ajudar a prevenir complicações metabólicas e promover a saúde a longo  prazo.  

Palavras-chave: Resistência à Insulina; Síndrome Metabólica; Prevenção e Tratamento.   

1. INTRODUÇÃO  

A insulina, produzida pelas células beta do pâncreas, regula o metabolismo energético  ao facilitar a captação de glicose pelas células. Sua ação depende da integridade dos receptores,  vias de sinalização intracelular e resposta adequada de órgãos como fígado e músculo  esquelético. Distúrbios na secreção ou ação da insulina podem levar à resistência à insulina  (RI), um processo progressivo que compromete a homeostase glicêmica e metabólica. A RI está  associada à obesidade, síndrome metabólica e doenças cardiovasculares, impactando a saúde  pública. Fatores genéticos e estilo de vida, especialmente a dieta, influenciam seu  desenvolvimento. Estratégias como alimentação equilibrada e atividade física são essenciais  para melhorar a sensibilidade à insulina e reduzir inflamações. Compreender seus mecanismos e explorar novas abordagens terapêuticas são fundamentais para prevenir complicações  metabólicas e melhorar a qualidade de vida da população.  

2. METODOLOGIA  

Trata-se de uma revisão integrativa de literatura que sintetiza os resultados obtidos na  pesquisa de forma metódica. As buscas foram realizadas nas bases de dados PubMed,  MEDLINE e Scielo. Como critério de seleção, foram considerados apenas artigos publicados  entre os anos de 2020 e 2025, nos idiomas português e inglês. A busca utilizou os descritores  “Insulin Resistance”, “Metabolic Syndrome”, “Prevention” e “Treatment”, combinados pelo  operador booleano “AND”. Por fim, 20 artigos foram selecionados com base nos critérios de  elegibilidade, estando disponíveis na íntegra. Foram excluídos trabalhos duplicados, relatos de  caso, monografias e aqueles que não estavam nos idiomas selecionados.  

3. RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS  

A resistência à insulina (IR) ocorre quando os tecidos não respondem adequadamente à  insulina, resultando em hiperglicemia e hiperinsulinemia compensatória. Esse processo envolve  defeitos nos receptores de insulina, inflamação crônica, estresse oxidativo e disfunção  mitocondrial. O acúmulo de lipídios, especialmente ceramidas e ácidos graxos saturados,  interfere na via da Akt/PKB e aumenta citocinas pró-inflamatórias (TNF-α, IL-6, IL-1β). A  dieta mediterrânea e compostos bioativos, como berberina e quercetina, podem modular a IR,  reduzindo a inflamação e melhorando a sinalização da insulina. O excesso de peso e o  sedentarismo elevam a produção de espécies reativas de oxigênio (ROS), piorando a disfunção  mitocondrial. A perda de peso, especialmente via restrição calórica, melhora a sensibilidade à  insulina. Fatores predisponentes incluem obesidade visceral, dieta ocidental, sedentarismo,  predisposição genética e disbiose intestinal.  

4. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS  

Portanto, o acúmulo de lipídios, a disfunção mitocondrial e a disbiose intestinal agravam a  resistência à insulina (IR), gerando inflamação e estresse oxidativo. Dietas ricas em gordura,  sedentarismo e predisposição genética impulsionam essas alterações, enquanto citocinas como  TNF-α, IL-6 e IL-1β pioram a sinalização da insulina. A dieta mediterrânea, rica em azeite, peixes e vegetais, reduz a hiperglicemia e a IR por suas propriedades antioxidantes e anti inflamatórias. Nutracêuticos, como berberina e quercetina melhoram a sensibilidade à insulina,  mas não substituem fármacos. Dietas cetogênicas e de restrição calórica têm efeitos positivos,  mas variam conforme a microbiota. Flavonoides e curcumina reduzem a inflamação, enquanto  fármacos como a empagliflozina previnem alterações metabólicas. Assim, abordagens  integradas são essenciais para prevenir complicações.  

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1Discente do Curso Superior de Medicina da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) Campus Manaus-AM e-mail: joaomarcoscid@gmail.com
2Discente do Curso Superior de Medicina da Faculdade Metropolitana de Manaus (FAMETRO)  Campus Manaus-AM e-mail: irene_santos@icloud.com
3Discente do Curso Superior de Medicina da Faculdade Metropolitana de Manaus (FAMETRO)  Campus Manaus-AM e-mail: ulimaoliveira288@gmail.com
4Discente do Curso Superior de Medicina da Faculdade Metropolitana de Manaus (FAMETRO)  Campus Manaus-AM e-mail: thais.m.teixeira@hotmail.com
5Discente do Curso Superior de Medicina da Faculdade Metropolitana de Manaus (FAMETRO)  Campus Manaus-AM e-mail: julianasampaiobv@hotmail.com
6Discente do Curso Superior de Medicina da Faculdade Santa Teresa Campus de Manaus-AM e-mail:  victoredu19@gmail.com
7Discente do Curso Superior de Medicina da Faculdade Santa Teresa Campus de Manaus-AM e-mail:  d.smagalhaes@yahoo.com.br
8Discente do Curso Superior de Medicina da Faculdade Santa Teresa Campus de Manaus-AM e-mail:  rodrigoamorim_br@yahoo.com.br
9Discente do Curso Superior de Medicina da Universidade Nilton Lins Campus Manaus-AM e-mail:  victorlcosta02@gmail.com
10Discente do Curso Superior de Medicina da Faculdade Metropolitana de Manaus (FAMETRO)  Campus Manaus-AM e-mail: luisluzio2016@gmail.com