RELAÇÕES PARENTAIS E SEUS IMPACTOS NA VIDA DOS FILHOS

PARENTAL RELATIONSHIPS AND THEIR IMPACTS ON CHILDREN’S LIVES

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202509121843


Stefane Vitória Oliveira1
Taísa Guerra Araújo Martins2
Laurent Franck Junior Charles3


RESUMO

Este artigo apresenta uma pesquisa documental baseada em relatórios do CREAS, que evidenciam os principais atendimentos e demandas recebidas no período de 01 de janeiro de 2024 a 14 de outubro de 2024. O objetivo geral é correlacionar a parentalidade violenta com seus impactos nas relações intrafamiliares e no desenvolvimento psicossocial de crianças e adolescentes. São investigados os tipos de relações parentais presentes, os efeitos de conflitos e negligencia da saúde mental infantil e a efetividade das intervenções do CREAS junto às famílias. Os resultados e discussões foram organizados em tópicos que embasam a compreensão, evidência, intervenções, avaliação das intervenções e a reflexão. Um dos principais desafios identificados na atuação do CREAS é a reincidência da violência, mesmo após as intervenções. Fatores como ausência de uma rede de apoio eficaz, a dependência financeira das vítimas e fragilidade emocional dos envolvidos dificultam o rompimento com o ciclo da violência. Essa realidade reforça a necessidade de uma abordagem intersectorial, envolvendo de forma articulada os serviços de assistência social, saúde mental, educação e suporte jurídico, para garantir um acompanhamento mais eficaz e contínuo às famílias em situação de risco. Portanto, pode- se perceber que as conclusões desta pesquisa destacam a importância de reforçar o CREAS e demais redes de apoio, promovendo políticas públicas integradas que assegurem a proteção integral às crianças e adolescentes, por meio de ações preventivas, monitoramento e promoção do bem-estar.

Palavras-chave: Consequências psicológicas, parentalidade, violência familiar.

ABSTRACT

This article presents a documentary research based on CREAS reports, which highlight the main services and demands received between January 1, 2024, and October 14, 2024. The general objective is to correlate violent parenting with its impacts on intrafamilial relationships and on the psychosocial development of children and adolescents. The study investigates the types of parental relationships present, the effects of conflict and neglect on children’s mental health, and the effectiveness of CREAS interventions with families. The results and discussions are organized into topics that support understanding, evidence, interventions, evaluation of interventions, and reflection. One of the main challenges identified in CREAS’s work is the recurrence of violence, even after institutional interventions. Factors such as the absence of an effective support network, victims’ financial dependence, and the emotional fragility of those involved hinder the ability to break the cycle of violence. This reality reinforces the need for an intersectoral approach, involving coordinated efforts among social assistance, mental health services, education, and legal support to ensure more effective and continuous follow-up with families at risk. Therefore, the conclusions of this research highlight the importance of strengthening CREAS and other support networks by promoting integrated public policies that ensure the full protection of children and adolescents through preventive actions, ongoing monitoring, and the promotion of well-being.

Keywords: Psychological consequences, parenting, family violence.

1 INTRODUÇÃO

Parentalidade abrange o estabelecimento da relação que pais e filhos desenvolvem durante a vida, já a violência doméstica é qualquer movimento baseado no gênero que cause sofrimento físico, psicológico ou dano moral. Advindo disso, o ambiente estressante que surge mediante a violência doméstica resulta em problemas no desenvolvimento do indivíduo, trazendo déficits para a vida dos adolescentes que crescem e continuam doentes na vida adulta, como é mostrado nos números da Organização Mundial da Saúde (OMS – 2022), que mostram um aumento de 25% na prevalência de ansiedade e depressão em todo o mundo na atualidade, evidencia-se um problema crescente nos lares, marcado por um ciclo que precisa ser interrompido, em parte atribuídos ao estresse e traumas relacionados a experiências adversas na infância.

As relações parentais desempenham um papel fundamental no desenvolvimento emocional, social e cognitivo dos indivíduos configurando-se como uma das principais influências durante a infância e adolescência. Pais e cuidadores são os primeiros a oferecer suporte, valores e habilidades essenciais aos infantes para a construção da identidade, autoestima e capacidade de os mesmos se relacionarem com o mundo. Diversos estudos apontam que a qualidade dessas relações parentais impacta diretamente no desenvolvimento das crianças e adolescentes, moldando sua saúde mental e comportamento.

A violência doméstica, que afeta milhões de famílias globalmente, é um fator que compromete significativamente o ambiente familiar e afeta o desenvolvimento dos filhos. Uma vez que, segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS – 2024) mulheres e meninas de 15 a 49 anos nas Américas sofreram violência física e/ou sexual por um parceiro ou violência sexual não-parceira, escancara uma realidade que afeta milhões de lares, torna-se fundamental identificar as causas e sintomas daqueles que a enfrentam, para cada vez mais tornar possível o acolhimento, tratamento e consequentemente a prevenção de futuros casos. Em lares onde há violência doméstica, os filhos frequentemente experimentam um ambiente de medo, insegurança e violação de direitos, que pode resultar em transtornos psicológicos como ansiedade, depressão, dificuldade de aprendizado e problemas relacionados a socialização, com efeitos que muitas vezes se estendem até a vida adulta quando não amparados por órgãos de proteção, como o Centro de Referência Especializado da Assistência Social (CREAS) encontrado na assistência social, para combater os problemas antes que afetem outras áreas da vida.

No Brasil, os dados sobre violência doméstica refletem uma realidade alarmante. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2021, foram registrados cerca de 230 mil casos de violência doméstica contra mulheres, afetando diretamente milhares de crianças e adolescentes que convivem nesse ambiente. Torna-se necessário realizar um estudo de contraponto entre família tanto como um espaço de afeto e proteção quanto como um ambiente potencialmente nocivo, a fim de evidenciar que esse grupo nem sempre é saudável e pode abrigar dinâmicas que geram traumas persistentes até a vida adulta. Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômico Aplicada (IPEA) revelou que crianças que crescem em ambientes violentos têm 60% mais chances de desenvolver comportamentos antissociais e 50% mais chances de vivenciar problemas de saúde mental.

O CREAS, como citado por Luzia (2023), atende famílias que enfrentam situações de risco, como violência doméstica, negligência, abuso e conflitos graves, todas, questões diretamente ligadas a qualidade das relações parentais. Essas intervenções são fundamentais para a identificação e intervenção nos problemas.

Este estudo irá correlacionar parentalidade violenta com seus impactos nas relações intrafamiliares e no desenvolvimento psicossocial dos filhos, utilizando como base dados importantes do sistema da assistência, Sistema de Gestão da Informação do MDS – Ministério do Desenvolvimento Social (GESUAS), que se descreve como dados gerais compilados dos relatórios de prontuários eletrônicos, do CREAS, identificando e compreendendo a correlação entre o ambiente familiar com questões como vulnerabilidade social, comportamentos e saúde mental encontrando queixas em comum no desenvolvimento das crianças e dos adolescentes que vivem em ambientes de violência doméstica.

A temática é sensível à psicologia, especialmente por abordar a família, frequentemente idealizada como espaço sagrado. Contudo, os dados da OMS evidenciam a necessidade de romper esse tabu, as pessoas ainda têm receio de discutir; a academia precisa tornar esse assunto mais visível e assim levá-lo à sociedade e ao conhecimento dos órgãos que cuidam dessas famílias, como a assistência social, em específico o CREAS retratado no estudo, para quebrar o silêncio dos inocentes que passam por isso todos os dias. Diante disso, torna-se essencial refletir sobre qual o impacto das relações parentais na vida dos sujeitos que convivem com algum tipo de violência doméstica.

2 REFERENCIAL TEÓRICO

Parentalidade no Dicionário Online de Português (DICIO), correlaciona com pessoas que tomam conta de crianças ou assumem esse papel legalmente, sendo os pais em conjunto ou separadamente.

No estudo de Böing (2016) é descrito as relações parentais como um dos principais fatores que moldam o desenvolvimento psicológico e emocional dos filhos. O vínculo entre pais e filhos influencia diretamente na formação da identidade, autoestima e capacidade de estabelecer relações interpessoais saudáveis.

Os estilos parentais geralmente se classificam em quatro tipos: autoritário, democrático, negligente ou permissivo. A ausência de um equilíbrio entre esses estilos pode gerar efeitos positivos quanto negativos na vida da criança, afetando áreas como a regulação emocional, a confiança social e o desempenho acadêmico. Segundo Kusiak (2019), relações parentais saudáveis, fundamentadas na afetividade, respeito e limites claros, tendem a favorecer o desenvolvimento emocional equilibrado, proporcionando segurança e autonomia para na infância.

Segundo a teoria do apego de John Bowlby (1958), crianças que desenvolvem apego seguro tendem a ser mais resilientes, enquanto aquelas que experienciam vínculos inseguros podem apresentar dificuldades em confiar e estabelecer relações íntimas ao longo da vida.

A violência doméstica/intrafamiliar sofrida de forma direta pelas crianças é definida pela OMS como todas as formas de maus-tratos emocionais e/ou físicos, abuso sexual, negligência ou tratamento negligente, comercial ou outras formas de exploração, com possibilidade de resultar em danos potenciais ou reais à saúde das crianças, sobrevivência, desenvolvimento ou dignidade no contexto de uma relação de responsabilidade, confiança ou poder (Krug et al., 2002).

Pereira et al. (2020) conclui em seu estudo teórico-reflexivo que é fundamentado em livros e artigos que exploram os conceitos de campo, capital, habitus, poder e violência simbólica, propostos pelo filósofo Pierre Bourdieu, além da série de televisão “Sex Education”. Esta série possibilita uma nova perspectiva sobre as complexas relações e as configurações identitárias presentes no ambiente familiar. Ao reconhecer que a violência simbólica se manifesta nas dinâmicas de poder entre o dominador e o subjugado, fica evidente como indivíduos de classes com menos empoderamento tendem a internalizar e legitimar um discurso marginalizado, aceitando essa condição social como algo natural. Torna-se evidente a necessidade de uma análise crítica das relações familiares, visto que é nesse contexto que se inicia a formação dos hábitos dos indivíduos. A violência simbólica, proveniente de um espaço de submissão, pode ser tão nociva quanto outros tipos mais evidentes de violência, influenciando de forma significativa a formação e o desenvolvimento dos jovens.

Viera e Scholosser (2019) afirmam que a violência atravessa gerações, faz parte da história social e do pensamento político e se manifesta como instrumento de poder. O contexto familiar aparece como um espaço em que as relações abusivas são evidenciadas, em muitos casos de forma subentendida, como expressões de afeto e carinho. Na revisão realizada neste artigo procurou-se sinais nos fatores de saúde da população, as vítimas ouvidas foram crianças, adolescentes grávidas e pessoas com deficiência. A violência é percebida como banal e está sendo transformada de um fator esporádico para integrante na forma de manifestações emocionais, que devem ser problematizadas e desconstruídas.

Nos estudos feitos por André Barreto (2013) atualmente existem diversos tipos de modos de cuidados dos pais dentro da psicologia, as principais linhas de pesquisa sobre foram localizadas nas produções são a parentalidade em transição, sexualidade, por adoção e emocional. Os principais resultados encontrados foram a polissemia no conceito de educação e a confusão conceitual entre educação e paternidade.

Em seus estudos, Dias (2022) conta que a violência perpetrada por parceiros íntimos contra mulheres é um problema multifacetado de saúde pública. No Brasil, ela atinge todas as classes sociais, fundamentando-se em dinâmicas de discriminação e abuso relacionadas a disparidades de gênero, raça, condição socioeconômica e geracional. Essa realidade submete muitas mulheres a situações extremas, como fome, tortura, humilhação e mutilação. Os impactos dessa violência vão além dos custos sociais e hospitalares, afetando principalmente a saúde da mulher, com destaque para a saúde mental. O presente estudo teve como objetivo investigar a presença de sintomas de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) em mulheres que foram vítimas dessa forma de violência.

Basílio (2023) em seu estudo realizou uma revisão da literatura sobre a violência doméstica e suas implicações, com ênfase nos efeitos psicológicos sofridos por mulheres. O texto analisou como esse tipo de violência afeta todos os estratos sociais, apresentando consequências sérias por se tratar de um problema complexo e multifacetado. Trata-se de um desafio de natureza cultural, social, política, econômica, de segurança pública e de saúde coletiva. O principal objetivo foi expor não apenas as consequências diretas dessa violência, mas também os impactos psicológicos que desencadeiam outras problemáticas. Além disso, buscou-se incentivar reflexões voltadas para a mudança dessa cultura patriarcal que a perpetua. Nesse contexto, o estudo analisou as principais repercussões psicológicas da violência doméstica nas mulheres, com destaque para o Transtorno Mental Comum (TMC), uma condição frequentemente associada a esses casos.

3 METODOLOGIA

A pesquisa foi realizada pelo método documental que é descrito por Piana (2009) como a análise de documentos previamente produzidos, como relatórios, artigos, livros e outros registros escritos ou visuais. Ela é essencial porque permite o estudo detalhado de um tema através de fontes já existentes, garantindo uma base sólida de dados e informações sem a necessidade de coleta de dados primários. Serve para identificar padrões, tendências e contextos históricos, facilitando a compreensão aprofundada de uns tópicos específicos, podendo ser observadas as queixas e relatos sobre o desenvolvimento das crianças e adolescentes que vivem nesses ambientes violentos, para realizar um levantamento das possíveis causas do desencadeamento de problemas psíquicos e relação com crimes e utilização dos índices para descrever os impactos de como chegam à vida adulta. Ao se analisar este tema a partir de dados fornecidos pelo CREAS, a relevância se amplia, pois, essas famílias frequentemente enfrentam condições de vulnerabilidade, como violência doméstica, pobreza, uso de substâncias psicoativas e desestruturação familiar, o que potencializa os impactos das relações parentais sobre os filhos.

Compreender essas dinâmicas é essencial para o desenvolvimento de políticas públicas e intervenções sociais mais eficazes, que possam não apenas atender as necessidades emergenciais, mas também contribuir para a transformação das relações familiares, promovendo um ambiente mais saudável e protetivo para o desenvolvimento infantil.

O estudo foi realizado por meio de análise quantitativa de dados e análise de conteúdo, com base em informações extraídas do sistema GESUAS. Esses dados foram compilados a partir de registros em prontuários de 1° de janeiro a 14 de outubro de 2024. As informações solicitadas concentram-se nos tipos de violências intrafamiliar, no perfil das vítimas e dos agressores, nas consequências da violência para as vítimas e nas formas de intervenção aplicadas. Os dados foram cedidos pela Diretoria de Proteção Social Especial (DPSE) do município de Itabira-MG, e contemplam variáveis como classe social, níveis de violência, idade em que as crianças sofreram as violações, nível de escolaridade, volume de denúncias, entre outros fatores. A pesquisa apresenta uma fonte rica de dados consistentes e relevantes para compreensão da dinâmica da violência intrafamiliar na região.

A escolha do tema, relacionada á analise de relatório fornecido pelo do CREAS justifica- se pela relevância de compreender, de maneira aprofundada, as dinâmicas familiares e seus impactos no desenvolvimento emocional e social de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. Através de dados específicos como idade, endereço, tipos de violência, perfil das vítimas, foi possível observar como diferentes estilos parentais e contextos familiares impactam diretamente o desenvolvimento dos filhos, evidenciando a relação entre essas experiências e a ocorrência de problemas emocionais, comportamentais e sociais. Esses impactos fornecem insights valiosos tanto para a prática profissional quanto para desenvolvimento de ações preventivas e interventivas no campo da assistência social e psicológica

4 DESENVOLVIMENTO

O presente estudo analisou criteriosamente, por meio do relatório enviado pela unidade de serviço do CREAS os serviços demandados, as unidades de destino e as principais demandas atendidas no período de 1° de janeiro a 14 de outubro de 2024.

Tabela 1 – Tipos de violência por faixa etária
Fonte: CREAS/Itabira, 2024
4.1 COMPREENSÃO DAS RELAÇÕES PARENTAIS E IMPACTO PSICOSSOCIAIS

A análise da tabela evidencia uma prevalência significativa de situações de violação entre os grupos etários de 18 e 59 anos e acima de 60 anos, sugerindo a existência de padrões geracionais de violência que se perpetuam ao longo do tempo. Este padrão reforça a compreensão de que comportamentos abusivos podem ser transmitidos de geração em geração, muitas vezes naturalizados no ambiente familiar.

A família, como primeira instância de socialização, desempenha papel fundamental na formação de valores e atitudes. Os pais, enquanto principais referências comportamentais, influenciam diretamente na construção da identidade dos filhos. Essa influência é muitas das vezes moldada por experiências vividas na infância, que impactam na maneira como os próprios genitores educam seus filhos. Crianças por sua vez, são expectadoras passivas dessas dinâmicas, muitas vezes sem os conhecimentos necessários sobre seus direitos garantidos pela Estatuto da Criança e do Adolescente ou sem força para reagir diante da autoridade de um adulto.

Essa realidade contribui para a reprodução de comportamentos violentos, já que os filhos tendem a internalizar e normalizar essas condutas. Quando a estrutura familiar carece de competências emocionais, há maior propensão ao desenvolvimento de problemas afetivos e comportamentais que se estendem ao longo da vida. A instabilidade emocional no ambiente doméstico atua como um fator de risco para a continuidade desses padrões destrutivos.

Moulds et al. (2016) reforça essa perspetiva ao apontar que muitos jovens adultos com comportamentos agressivos já foram expostos a situações de opressão ou violência. Essa exposição contínua colabora para a naturalização da agressividade como estratégia para resolução de conflitos. Os autores destacam ainda o uso desmedido do poder e controle por parte dos pais, o que contribui para a perpetuação de atos nocivos. Nesse contexto, é apresentada a chamada “síndrome dos pais maltratados”, que evidencia como experiências traumáticas de gerações anteriores são replicadas e perpetuadas nos lares contemporâneos.

Dessa forma, torna-se essencial o fortalecimento de políticas publicas de proteção e educação familiar, bem como a promoção de estratégias de intervenção psicossocial que visem romper o ciclo de violência e promover o desenvolvimento de relações familiares saudáveis e acolhedoras.

4.2 EVIDÊNCIA DOS EFEITOS DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

A analise da tabela revela dados preocupantes sobre os efeitos da violência doméstica evidenciando diferentes formas de ruptura do vínculo familiar. Foram identificados três casos de afastamento do convívio familiar devido à aplicação de medida de proteção entre crianças e adolescentes de 0 a 17 anos; nove casos de pessoas adultas 18 a 59 anos em situação de trajetória de rua; e três adolescentes de 13 a 17 anos afastados do convívio familiar por medida socioeducativa. Esses dados apontam para consequências diretas da desestruturação familiar, muitas vezes associada à violência no ambiente doméstico

A violência dentro do lar está historicamente vinculada à formação das sociedades patriarcais e à influência da Igreja Católica, que impuseram às mulheres uma condição de subserviência. Desde o período colonial, com a chegada dos portugueses ao Brasil no século XVI, consolidou-se uma cultura patriarcal centrada na autoridade masculina e na limitação dos papéis femininos ao cuidado dos filhos e às tarefas do lar. Segundo Prestes (2007), a mulher era considerada propriedade do marido, sem autonomia sobre sua vida social ou decisões pessoais. Essa herança histórica ainda reverbera em muitas estruturas familiares, onde o ciúme, o controle e até a violência são romantizados e confundidos com cuidado e proteção.

Diante dessa realidade, a violência doméstica contra a mulher assume proporções alarmantes e tem impactos significativos na saúde mental das vítimas. Estudos apontam para a forte associação entre a vivência de violência e o desenvolvimento de transtornos psicológicos, como estresse, ansiedade, depressão e, em casos extremos, o suicídio.

A pesquisa realizada por Dias et al. (2022) investigou os efeitos psicossociais da violência doméstica na vida de mulheres, destacando as consequências em suas esferas familiares, profissional e social, com foco nos transtornos mentais comuns (TMC). Os resultados são expressivos: 89% das participantes apresentaram indícios de transtorno depressivo maior, 94% transtorno de ansiedade, 76% transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) e 88% relataram elevados níveis de experiências dissociativas peritraumáticas.

Além disso, a violência doméstica também afeta profundamente as crianças, mesmo quando não são vítimas diretas. A Organização Mundial da Saúde (Krug et al. 2002) define a violência intrafamiliar contra crianças como todas as formas de maus-tratos emocionais ou físicos, abuso sexual, negligência ou exploração, capazes de causar danos reais ou potenciais à saúde, desenvolvimento, dignidade e sobrevivência da criança. Essas situações ocorrem dentro de um contexto de responsabilidade, confiança ou poder, afetando diretamente o desenvolvimento psicológico e emocional das crianças expostas.

4.3 AVALIAÇÃO DAS INTERVENÇÕES DO CREAS

Os principais tipos de serviços demandados junto ao CREAS foram os Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, com 14 encaminhamentos de crianças e adolescentes, demonstrando uma atenção especial ao fortalecimento da rede de apoio social para esse público em situação de vulnerabilidade. Também foram observados 12 encaminhamentos para creches e educação infantil, além de 10 para o ensino fundamental e médio, o que reforça a importância do suporte educacional como ferramenta essencial a inclusão e o desenvolvimento integral.

No campo das medidas socioeducativas, foram realizados 6 encaminhamentos para liberdade assistida, 10 para prestação de serviços à comunidade e 13 envolvendo ambas as modalidades, evidenciando uma demanda expressiva de adolescentes em situação de conflito com a lei e a necessidade de acompanhamento sistemático e individualizado.

No tocante ao apoio psicossocial e à saúde mental, os dados mostram 2 encaminhamentos para o CAPS Infantil, 8 para o CAPS AD (Álcool e Drogas) e 4 para o CAPS Adulto, além de 2 encaminhamentos ao Conselho Tutelar e 22 para o Poder Judiciário e a Defensoria Pública. Esses números indicam uma demanda significativa por suporte psicológico e psiquiátrico, sobretudo entre crianças e adolescentes, muitas vezes impactados por contextos familiares disfuncionais.

A elevada procura por Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos aponta para a predominância de estilos parentais negligentes e permissivos, o que pode estar associado a dificuldades de socialização e aumento de comportamentos de risco. Da mesma forma, o número expressivo de encaminhamentos aos CAPS AD e Infantil sugere que muitas crianças e adolescentes enfrentam instabilidade emocional significativa, frequentemente associada a lares com dinâmicas autoritárias, negligentes ou marcadas por múltiplas violências.

Os encaminhamentos ao Poder Judiciário e à Defensoria Pública também se destacam, podendo refletir situações de negligência familiar severa, como a ausência de documentação civil básica ou abandono institucional, aspectos recorrentes em lares desestruturados.

Esses dados revelam o intenso fluxo de atendimentos na unidade do CREAS, impulsionado por múltiplas violações de direitos encaminhadas por diversos órgãos da rede, como o Ministério Público, hospitais, Programa Saúde da Família (PSFs), entre outros.

4.4 INTERVENÇÕES DO CREAS NO SUPORTE AS FAMÍLIAS

A análise dos encaminhamentos e atendimentos realizados pelo CREAS evidencia um número significativo de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, que necessitam de acompanhamento psicossocial devido à exposição a contextos familiares desestruturados. Muitos desses jovens são vítimas diretas de violência física, psicológica ou negligência, enquanto outros enfrentam os impactos de conflitos parentais intensos, que comprometem seu bem-estar emocional e social.

Encaminhamentos para serviços como o Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos (PAEFI) e o CAPS Infantil demonstram a importância do suporte psicossocial na reestruturação dos vínculos familiares. O acompanhamento especializado atua na ressignificação dos papéis parentais, promovendo a conscientização sobre práticas educativas saudáveis, o fortalecimento dos laços afetivos e a superação de padrões de violência.

Os dados também revelam um volume expressivo de encaminhamentos para o CAPS AD e para o cumprimento de medidas socioeducativas, evidenciando que a negligência e a violência doméstica afetam diretamente o desenvolvimento emocional, comportamental e social de crianças e adolescentes, muitas vezes culminando em situações de uso abusivo de substâncias psicoativas, evasão escolar ou conflito com a lei.

Um dos desafios centrais identificados pela atuação do CREAS é a reincidência da violência, mesmo após intervenções institucionais. Fatores como a ausência de uma rede de apoio efetiva, a dependência financeira das vítimas e a fragilidade emocional dos envolvidos dificultam o rompimento com o ciclo de violência. Essa realidade reforça a necessidade de uma abordagem intersetorial, envolvendo de forma articulada a assistência social, saúde mental, educação e o suporte jurídico, garantindo um acompanhamento mais eficaz e contínuo às famílias em situação de risco.

Nesse contexto, o papel do CREAS é fundamental não apenas no atendimento emergencial, mas também na promoção da autonomia, da proteção integral e da reconstrução das relações familiares, visando à ruptura definitiva com os ciclos de violação de direitos.

A seguir, vislumbra-se o gráfico que trata o volume dos encaminhamentos recebidos:

Gráfico 1 – Volume de encaminhamentos
Fonte: CREAS/Itabira, 2024

Os dados evidenciados no gráfico demonstram que os encaminhamentos para os Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) representam a maior demanda, com 139 registros. Esse dado reforça a importância de programas que promovem a socialização, o fortalecimento da autoestima e o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, especialmente para crianças, adolescentes e famílias em situação de vulnerabilidade. Esses serviços desempenham um papel essencial na prevenção da reincidência da violência doméstica e na reconstrução dos laços afetivos, frequentemente fragilizados pela convivência em contextos familiares disfuncionais.

Em seguida, destacam-se os encaminhamentos para ações de reforço escolar e/ou contra turno (76), bem como para unidades educacionais como creches e pré-escolas (12), para o ensino fundamental e médio (10). Tais dados apontam para uma preocupação significativa com a inserção e permanência escolar, evidenciando que a rede de proteção busca assegurar o direito à educação como ferramenta de transformação social.

Os encaminhamentos ao CAPS-AD (8), ao CAPS Infantil (2) e ao CREAM (7) demonstram a presença expressiva de demandas relacionadas à saúde mental e uso de substâncias psicoativas, o que exige suporte técnico especializado. A procura por esses serviços indica que o sofrimento psíquico e a desorganização emocional são comuns entre os usuários acompanhados, muitas vezes resultantes de vivências traumáticas em seus núcleos familiares.

Além disso, a pesquisa mostra encaminhamentos ao Conselho Tutelar (2) e a outras unidades e serviços da rede (5), evidenciando a intersetorialidade da atuação do CREAS, que articula diferentes órgãos e serviços como o Ministério Público, hospitais e o CRAS. Essa articulação tem se mostrado um diferencial positivo, possibilitando um fluxo mais eficaz na identificação, encaminhamento e acompanhamento dos casos de violação de direitos.

Portanto, o volume de encaminhamentos realizados reforça a importância do trabalho em rede e da atuação integrada entre os diversos equipamentos da política pública de assistência social, saúde, educação e justiça. Essa integração é essencial para garantir uma resposta mais ampla e eficaz às múltiplas vulnerabilidades enfrentadas pelas famílias atendidas pelo CREAS.

A seguir, vislumbra-se o gráfico que trata o volume dos encaminhamentos enviados:

Gráfico 2 – Encaminhamentos enviados
Fonte: CREAS/Itabira, 2024

Os programas de orientação familiar promovidos pelo CREAS têm se mostrado fundamentais no processo de ressignificação dos vínculos parentais e no enfrentamento das práticas autoritárias e violentas presentes em diversos contextos familiares. Por meio de atendimentos psicossociais e acompanhamentos sistemáticos, o CREAS auxilia pais, mães e responsáveis a desenvolverem estratégias de cuidado mais respeitosas e eficazes, favorecendo um ambiente familiar mais acolhedor e protetivo.

Além disso, os Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) exercem um papel central na reconstrução das relações familiares, especialmente entre crianças e adolescentes expostos a situações de violência doméstica, negligência ou conflitos intensos. Esses espaços proporcionam ambientes seguros para o diálogo, a escuta qualificada e o desenvolvimento emocional, fortalecendo a autonomia e a autoestima dos usuários atendidos.

O gráfico apresentado demonstra que os encaminhamentos para o CRAS (111) e para o próprio CREAS (106) figuram entre os mais expressivos, o que revela a forte articulação entre os equipamentos da assistência social. Essa integração permite ampliar o acesso a direitos e promover respostas mais eficazes às vulnerabilidades enfrentadas pelas famílias.

Tais ações não apenas minimizam os danos causados por vivências traumáticas, mas também previnem a reincidência da violência, contribuindo para a construção de trajetórias mais saudáveis e promissoras para os sujeitos atendidos.

4.5 REFLEXÃO SOBRE A VULNERABILIDADE E CONTEXTO SOCIOECONÔMICO

Os dados analisados indicam que os bairros com maior incidência de benefícios concedidos pelo CREAS no município de Itabira/MG são: Santa Ruth, Nova Vista, Praia, Pedreira, Monsenhor José Lopes, Nossa Senhora dos Oliveiras, Morro Santo Antônio e Abóboras. Esses territórios compartilham características socioeconômicas marcantes, como baixa renda per capita, elevado índice de desemprego, precariedade habitacional e acesso restrito a serviços públicos essenciais, como saúde, educação e transporte.

Tais fatores revelam um quadro de acentuada vulnerabilidade social, que contribui diretamente para a alta demanda por intervenções e benefícios assistenciais disponibilizados pelo CREAS. A concentração de famílias em situação de pobreza e a precariedade das condições de vida nesses bairros tornam os moradores mais suscetíveis a riscos sociais e à violação de direitos.

Conforme demonstrado no gráfico a seguir, os benefícios ofertados não apenas refletem a necessidade de suporte emergencial, como também apontam para questões estruturais mais amplas, como: insegurança alimentar, necessidade de deslocamentos frequentes dentro do município ou para a capital do estado em busca de melhores condições de vida, além de denúncias frequentes relacionadas à ausência de moradia digna.

Essas evidências reforçam a importância de políticas públicas intersetoriais e territorializadas, capazes de atuar de forma mais eficaz nas regiões com maior concentração de vulnerabilidades, promovendo o fortalecimento das redes de proteção social e a redução das desigualdades urbanas.

Gráfico 3 – Benefícios mais concedidos
Fonte: CREAS/Itabira, 2024

O estudo realizado no município de Itabira/MG revela que os bairros com maior incidência de benefícios socioassistenciais são: Santa Ruth, Nova Vista, Praia, Pedreira, Monsenhor José Lopes, Nossa Senhora dos Oliveiras, Morro Santo Antônio e Abóboras.

Esses territórios compartilham características estruturais marcadas por intensas desigualdades sociais, como baixa renda per capita, altos índices de desemprego, carência de infraestrutura básica e acesso limitado a serviços essenciais, como saúde, educação e assistência social. Adicionalmente, essas áreas são frequentemente associadas à precariedade habitacional, insegurança alimentar e restrições de mobilidade urbana.

A análise dos dados evidencia a existência de “bolsões de pobreza” nas regiões periféricas da cidade, onde a população enfrenta múltiplas formas de exclusão social. A elevada demanda pelos serviços ofertados pelo CREAS nesses bairros revela uma sobreposição de vulnerabilidades e aponta para a urgência de ações intersetoriais, que integrem políticas públicas de forma coordenada e eficaz. O gráfico apresentado a seguir demonstra não apenas a distribuição dos benefícios concedidos, mas também revela a dinâmica de deslocamento das famílias em busca de atendimento, escancarando barreiras territoriais e sociais que dificultam o acesso contínuo a direitos garantidos por lei.

Dentre os desafios enfrentados por essas comunidades, destaca-se o impacto direto do contexto socioeconômico na vida de crianças e adolescentes. A exposição à violência doméstica, muitas vezes agravada por situações de negligência, abandono ou abuso, está intimamente relacionada ao quadro de vulnerabilidade no qual essas famílias estão inseridas. A escassez de recursos materiais, somada ao estresse constante oriundo da insegurança financeira, tende a intensificar os conflitos intrafamiliares, transformando o ambiente doméstico em um espaço de risco ao desenvolvimento infantil.

Compreender os impactos desse contexto no desenvolvimento de crianças expostas à violência doméstica é essencial para a formulação de estratégias efetivas de proteção e cuidado. A relação entre classe social e os tipos de violência sofrida demonstra que crianças oriundas de famílias em situação de vulnerabilidade estão mais expostas não apenas à violência física, mas também à violência emocional, psicológica e estrutural — esta última relacionada à negação ou violação de direitos fundamentais.

Os resultados desta pesquisa podem contribuir significativamente para orientar políticas públicas mais eficazes e sensíveis às especificidades locais. Além disso, reforçam a importância do fortalecimento institucional do CREAS e da articulação com outros atores da rede de proteção social, como conselhos tutelares, escolas, unidades de saúde e organizações da sociedade civil. A atuação conjunta, integrada e qualificada desses profissionais é essencial para garantir não apenas o atendimento emergencial, mas também ações contínuas de prevenção, acompanhamento e promoção do bem-estar de crianças e adolescentes.

Nesse cenário, destaca-se o papel fundamental do psicólogo, tanto na escuta qualificada de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, quanto na articulação intersetorial com os demais profissionais da rede. Intervenções psicológicas baseadas em uma leitura crítica do contexto social contribuem para fortalecer os sujeitos, romper ciclos de violência e promover trajetórias de vida mais saudáveis e autônomas.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente estudo apresenta limitações inerentes à natureza documental da pesquisa, uma vez que os dados foram obtidos a partir do sistema GESUAS, cuja qualidade e abrangência dependem diretamente da forma como os registros são inseridos e atualiza- dos. Ademais, o recorte geográfico restrito à cidade de Itabira/MG limita a possibilidade de generalização dos resultados para outras localidades, ainda que as evidências observadas possam oferecer subsídios para reflexões mais amplas sobre a atuação do CREAS em contextos similares de vulnerabilidade social.

As análises desenvolvidas ao longo do trabalho demonstram a importância do suporte psicossocial ofertado pelo CREAS, especialmente em articulação com os demais componentes da rede socioassistencial. O acompanhamento especializado tem como propósito ressignificar os papéis familiares, promovendo a conscientização acerca de práticas parentais mais saudáveis e o fortalecimento de vínculos afetivos. Esse processo é essencial frente à elevada exposição de crianças e adolescentes a ambientes familiares desestruturados, muitas vezes marcados por violência física, psicológica, negligência e conflitos parentais intensos.

Conclui-se, portanto, que os resultados desta pesquisa podem servir como referência para o aprimoramento de políticas públicas mais eficazes e sensíveis às especificidades locais. Além disso, os achados reforçam a necessidade do fortalecimento institucional do CREAS e de outras redes de apoio, como os conselhos tutelares, escolas, unidades de saúde e organizações da sociedade civil. A atuação articulada e qualificada desses atores é fundamental para assegurar não apenas o atendimento emergencial, mas também o desenvolvimento de ações preventivas, de acompanhamento contínuo e de promoção do bem-estar social.

Por fim, ressalta-se que a ausência de entrevistas diretas com os sujeitos atendidos pelo CREAS configura uma limitação importante desta pesquisa, uma vez que restringe a compreensão subjetiva dos impactos vivenciados pelas crianças, adolescentes e suas famílias. Estudos futuros que contemplem a escuta dos beneficiários poderão contribuir significativamente para aprofundar o entendimento sobre a eficácia das intervenções e sobre as reais demandas da população atendida.

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1Graduada em Psicologia pela Faculdade Doctum de João Monlevade (Doctum), Joao Monlevade, MG, Brasil

2Graduada em Psicologia pela Faculdade Doctum de João Monlevade (Doctum), Joao Monlevade, MG, Brasil.

3Graduado em psicologia. Mestrado, Doutorado e Pós-doutorado em Psicologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo Horizonte, MG, Brasil. Afiliação: Professor de psicologia na Rede de Ensino Doctum
E-mail: prof.laurent.charles@doctum.edu.br