REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202503281700
Israel da Costa Cavalcante²; Bianca Maia de Santana¹; Cristiano de Oliveira Sousa¹; Luca Gonzalez Dórea¹; Mariana Dantas Rebouças¹; Maria Clara Carvalho Levi Bastos Machado¹; Maria Fernanda Brito Magalhães¹; Vitória Fonseca Carmo¹; Orientador: Luiz Marcelo Santana Mendes³.
RESUMO:
INTRODUÇÃO: A cirurgia bariátrica envolve várias práticas no ato do cuidado holístico e contínuo com o paciente para garantir sua eficiência. Com isso, é notório que pacientes tratados com níveis elevados de gordura corporal, apresentam uma grande perda ponderal , o que pode levar ao desenvolvimento de quadros de dismorfia estética. Nesse contexto, a busca por procedimentos sequenciais, como as braquioplastias, em paralelo a mamoplastia e dermolipectomia, vem com intuito de eliminar o déficit de autoimagem. OBJETIVO: Definir a incidência de procedimentos sequenciais pós cirurgia bariátrica, em Salvador, entre 2019 e 2024. METODOLOGIA: Trata-se de um estudo retrospectivo, descritivo, transversal e de abordagem quantitativa. Foram analisados números de procedimentos sequenciais em Salvador, como as dermolipectomias e mamoplastia pós cirurgia bariátrica entre fevereiro de 2019 a fevereiro de 2024, coletados do DATASUS. RESULTADOS: Dentre todas as dermolipectomias registradas, 49 ao todo, em 2022 foram registrados 13 procedimentos, o que indica 16,45% de todos os procedimentos durante esses cinco anos. É nítido a prevalência da dermolipectomia abdominal pós cirurgia bariátrica, devido a perda ponderal e elevado acúmulo de pele, com 31 procedimentos (39,24%), na sequência tem a mamoplastia com 17 procedimentos(21,52%). DISCUSSÃO: O pós-cirúrgico da bariátrica em pacientes anteriormente com grande quantidade de tecido adiposo acarreta em uma significativa assimetria corpórea, gerando instabilidade tanto estética como funcional em relação a hábitos de vida. Nessa perspectiva, se torna claro o aumento de buscas pela dermolipectomia.CONCLUSÃO: Mesmo a dermolipectomia dominando o cenário, na capital baiana, por meio das estratégias tecnológicas e alinhamento com o paciente será alcançado um cuidado eficaz e compassivo, atendendo às suas necessidades multidimensionais e proporcionando um impacto positivo no seu pós-cirúrgico.
PALAVRAS-CHAVE: Bariátrica; Procedimentos sequenciais; Salvador.
INTRODUÇÃO:
A obesidade nos dias atuais já é considerada uma doença pandêmica. Em suas bases mais simplórias, a obesidade se define por um gasto energético inferior ao consumo calórico. Entretanto, seus níveis de casos relatados só aumentam por já ter sido comprovada uma maior complexidade desse vetor, isto é, fatores que levam à obesidade, desde uma microbiota intestinal desregulada até fatores genéticos. Potencializando essa cadeia de riscos à vida é o fato de que a obesidade, caracterizada de grau I até grau III, é uma doença com um forte potencial de gerar comorbidades ¹.
A gastroplastia envolve várias práticas no ato do cuidado holístico e contínuo com o paciente para garantir sua eficiência, e as técnicas mais frequentes de sua utilização no ato cirúrgico são, bypass gástrico, derivação gástrica em Y-de-Roux (DGYR) e a gastrectomia vertical. Especificamente as características dessas técnicas se tornam evidentes os métodos restritivos, que é a diminuição de alimento que o estômago é capaz de comportar, neste caso a gastrectomia vertical se torna um método de forma restritiva evidente. Ademais, existem as técnicas conhecidas como disabsortivas, reduzindo a capacidade estomacal de absorção alimentar, mas não interferindo no fluxo de entrada alimentar. Em paralelo, se evidencia as abordagens mistas, que integram técnicas de abordagem cirúrgica disabsortivas e restritivas ¹.
Com isso, é notório que pacientes tratados com níveis elevados de gordura corporal, como na obesidade grau III, apresentam uma grande perda ponderal , o que pode levar, em algumas situações, ao desenvolvimento de quadros de dismorfia estética. Nesse contexto, a busca por procedimentos sequenciais de cirurgia plástica reparadora, entrando técnicas como as braquioplastias derivadas em lipoaspiração e ressecação cutânea, em paralelo a mamoplastia e dermolipectomia, vem com intuito de eliminar o déficit de autoimagem, ocorrendo de forma sequencial e padronizada após o evento principal ²,³.
Nesse contexto, destacam-se a mamoplastia e a dermolipectomia, que serão as técnicas às quais daremos maior ênfase. A mamoplastia,principalmente a vertical com retalho de parede torácica associado a cinta muscular se torna a técnica mais utilizada, sendo a remodelação das mamas em pacientes com
grande perda ponderal. Uma das vantagens dessa técnica é abordar uma das preocupações atuais dos cirurgiões que se refere em reduzir a extensão das cicatrizes, que será imposta nas mamas após a cirurgias, para dar um visual mais estético e harmonioso a mama, somado a uma maior longevidade estética da mama, pelo fato da montagem do parênquima ser realizado internamente e não somente confiado as suturas da pele⁴.
No cenário de contorno corporal, a dermolipectomia é uma técnica de remodelagem estética da unidade total, neste caso, de toda a área que está com excesso de pele irregular no paciente. Entretanto, se referenciando nas complicações, essa cirurgia devido a sua natureza circunferencial, se torna evidente mais de uma posição necessária do paciente para realização do procedimento, e todas essas posições representam possíveis complicações ⁵.
Portanto, é ideal voltar a atenção para a quantidade de pessoas que procuram a realização de cirurgia reparadora pós cirurgia bariátrica, principalmente pela crescente estética, sendo o Brasil um país que já liderou o ranking mundial de realização de cirurgias plásticas para fins estéticos. Analisando esses dados, se torna muito mais plausível a análise e programação de estratégias no cuidado da saúde e na demanda dos cirurgiões para esse grau de procura pela cirurgia reparadora, estabelecendo um possível vínculo de realizações sequências no padrão cirúrgico entre os casos de cirurgia bariátrica e cirurgia plástica reparadora ⁶.
OBJETIVO
Definir a incidência de procedimentos sequenciais pós cirurgia bariátrica, em Salvador, entre 2019 e 2024.
METODOLOGIA
Trata-se de um estudo retrospectivo, descritivo, transversal e de abordagem quantitativa. Foram analisados números de procedimentos sequenciais pós cirurgia bariátrica em Salvador, ”292740”, como a Dermolipectomia pós cirurgia bariátrica, “0413040054; 0413040062; 0413040070; 0413040259” e Mamoplastia pós cirurgia bariátrica, “0413040089”, entre fevereiro de 2019 a fevereiro de 2024, coletados do sistema de informações ambulatoriais e do sistema de informações hospitalares do SUS, pelo DATASUS.
RESULTADOS
Os procedimentos sequenciais pós cirurgia bariátrica, são muitas vezes custeados pelo SUS, dando direito ao paciente de melhorar sua qualidade de vida e psicossocial. Dentre todas as dermolipectomias registradas, 49 ao todo, em 2022, foram registrados 13 procedimentos, o que indica 16,45% de todos os procedimentos durante esses cinco anos.Em 2024, apenas um procedimento foi realizado até fevereiro, há esperança da crescente devido ao aumento de cirurgias eletivas e serviços na capital baiana.
TABELA 1. PROCEDIMENTOS SEQUENCIAIS DE CIRURGIA PLÁSTICA REPARADORA PÓS CIRURGIA BARIÁTRICA EM SALVADOR ENTRE 2019 A 2024(n=79).

Fonte: TABNET-DATASUS
Em Salvador, entre fevereiro de 2019 a fevereiro de 2024, foram realizadas 85 cirurgias bariátricas por videolaparoscopia, além das cirurgias robóticas e abertas não identificadas. Desta forma, é nítido a prevalência da dermolipectomia abdominal pós cirurgia bariátrica, devido a perda ponderal e elevado acúmulo de pele, com 31 procedimentos (39,24%), na sequência tem a mamoplastia com 17 procedimentos, 21,52%, um fator bem comum do pós-operatório da bariátrica e corrigido através da cirurgia plástica, podendo ser essa com ou sem prótese.
DISCUSSÃO
O pós-cirúrgico da bariátrica em pacientes anteriormente com grande quantidade de tecido adiposo acarreta em uma significativa assimetria corpórea, com somatórios de flacidez abdominal e abdome em avental às custas de perda ponderal. Gerando instabilidade tanto estética como funcional em relação a hábitos de vida.
Nessa perspectiva, se torna claro o motivo do aumento de buscas de dermolipectomia pós-cirurgia bariátrica. Ademais, em Salvador, ocorre aumento do uso das técnicas modernas como cirurgia bariátrica laparoscópica, sendo menos invasiva, e gerando uma menor extensão cicatricial se comparada à convencional aberta (laparotomia). Em que, na videolaparoscopia são realizados de quatro a sete mini incisões de 0,5 a 1,2 centímetros cada uma.⁷
Somando todos esses fatores é evidente a elevação sequencial dos procedimentos cirúrgicos, destacando com 31 procedimentos (39,24%) a dermolipectomia abdominal, e a mamoplastia com 17 procedimentos. É nítido a crescente da estética globalmente, portanto para alinhar os objetivos do paciente é de extrema importância o melhor manejo do paciente, para evitar um estresse corporal, sanar as possíveis distorções perceptivas corporais, e destacando o efeito imediato e a longo prazo a se alcançar.
CONCLUSÃO
Os procedimentos pós sequenciais da bariátrica têm ganhado grande demanda no Brasil, em Salvador de 2019 a 2024, dentre os 79 procedimentos realizados há a prevalência da dermolipectomia abdominal, seguido pela mamoplastia, dermolipectomia braquial e crural, o que justifica a perda ponderal e acúmulo exponencial de pele em várias regiões. Desta forma, fica evidente o papel crucial que esses procedimentos desempenham na restauração da autoimagem dos pacientes que desenvolveram quadros de dismorfia estética. Ademais, ressalta-se a relevância da abordagem holística no cuidado pós-bariátrico, que considera não apenas os aspectos físicos, mas também os psicossociais para promover uma recuperação abrangente e uma melhor qualidade de vida pós-operatória. Destarte, por meio dessas estratégias será alcançado um cuidado mais eficaz e compassivo para os pacientes, atendendo às suas necessidades multidimensionais e proporcionando um impacto positivo em sua jornada pós-cirúrgica.
REFERÊNCIAS
1 – SANTOS, Andréa Cavalcante dos. Comportamento Mastigatório na Obesidade e Após Cirurgia Bariátrica. 1ª edição. São Paulo: Thieme Revinter, 29 de março de 2018. 7 p.
2 – GEMPERLI, Rolf. Fundamentos da Cirurgia Plástica. 1ª edição. São Paulo: Thieme Revinter, 26 de outubro de 2016. 175 p.
3 – MÉLEGA, José M.; VITERBO, Fausto; MENDES. Cirurgias Plásticas: Os Princípios e a Atualidade. 1ª edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 27 de maio de 2011. 1261 p.
4 – MÉLEGA, José M.; VITERBO, Fausto; MENDES. Cirurgias Plásticas: Os Princípios e a Atualidade. 1ª edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 27 de maio de 2011. 1151 p.
5 – GRABB, William C.; SMITH, Robert O. Cirurgia Plástica de Grabb and Smith. 7ª edição. São Paulo: Thieme Revinter, 21 de novembro de 2017. 693 p.
6 – BRASIL. Ministério da Saúde. DATASUS (Departamento de Informática do SUS).Acesso em: 19/04/2024.
7 – Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM). Você conhece cirurgia bariátrica por videolaparoscopia? Disponível em: https://www.sbcbm.org.br/voce-conhece-cirurgia-bariatrica-por-videolaparoscopi a/. Acesso em: 21 de abril de 2024.
¹Universidade Salvador (UNIFACS);
²Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública;
³Orientador da Liga Acadêmica de Cirurgia Plástica.