REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202601111654
Fabiane Andrade Chaves
Armando Altomare Carvalho Ribeiro
Resumo
As patologias otorrinolaringológicas figuram entre as queixas mais comuns nos atendimentos realizados na atenção primária à saúde (APS), sendo responsáveis por significativa demanda clínica em todas as faixas etárias. Este estudo teve como objetivo revisar, à luz da literatura científica, as principais doenças otorrinolaringológicas observadas na APS, abordando sua prevalência, manifestações clínicas, diagnóstico e manejo terapêutico. Por meio de uma revisão narrativa da literatura, foram analisadas publicações indexadas nas bases SciELO, LILACS, PubMed e Google Acadêmico, considerando os últimos dez anos. As condições mais frequentemente encontradas na prática da APS incluem rinite, rinossinusite, otites externas e médias, faringoamigdalites e laringites. A maioria desses quadros pode ser diagnosticada clinicamente e tratada de forma eficaz nesse nível de atenção, desde que o profissional esteja capacitado para distinguir casos leves de situações que demandam encaminhamento ao especialista. A análise evidenciou ainda os principais desafios enfrentados pelos profissionais, como a falta de capacitação específica, o uso inadequado de antibióticos, a ausência de protocolos clínicos padronizados e falhas na articulação entre os níveis de atenção. Conclui-se que o fortalecimento da APS no manejo dessas patologias depende de investimentos em formação continuada, protocolos baseados em evidências e integração entre os serviços. Essas medidas são fundamentais para garantir um atendimento resolutivo, seguro e centrado nas necessidades do paciente.
Palavras-chave: Atenção primária à saúde; Otorrinolaringologia; Doenças respiratórias; Diagnóstico clínico; Sistema de saúde.
Abstract
Otorhinolaryngological disorders are among the most common complaints in primary health care (PHC) services, accounting for a substantial clinical demand across all age groups. This study aimed to review, based on the scientific literature, the main otorhinolaryngological diseases observed in PHC, addressing their prevalence, clinical manifestations, diagnosis, and therapeutic management. A narrative literature review was conducted, analyzing publications indexed in the SciELO, LILACS, PubMed, and Google Scholar databases over the past ten years. The conditions most frequently encountered in PHC practice include rhinitis, rhinosinusitis, external and middle otitis, pharyngotonsillitis, and laryngitis. Most of these conditions can be clinically diagnosed and effectively managed at the primary care level, provided that health professionals are adequately trained to distinguish mild cases from those requiring referral to specialized care. The analysis also highlighted major challenges faced by professionals, such as insufficient specific training, inappropriate use of antibiotics, lack of standardized clinical protocols, and weaknesses in coordination between levels of care. It is concluded that strengthening PHC in the management of these disorders depends on investments in continuing education, evidence-based protocols, and integration among healthservices. These measures are essential to ensure effective, safe, and patient-centered care.
Keywords: Primary health care; Otorhinolaryngology; Respiratory diseases; Clinical diagnosis; Health system.
INTRODUÇÃO
A atenção primária à saúde (APS) constitui a porta de entrada preferencial dos usuários ao sistema de saúde e desempenha papel fundamental na identificação precoce, manejo inicial e encaminhamento adequado de diversas condições clínicas, incluindo as patologias otorrinolaringológicas. Essas doenças, que acometem estruturas como ouvidos, nariz, seios paranasais, faringe e laringe, apresentam alta prevalência na população e impactam diretamente a qualidade de vida dos indivíduos, sobretudo em comunidades com difícil acesso a serviços especializados (Starfield, 2002).
Entre as principais condições otorrinolaringológicas que se manifestam na APS estão as otites, rinossinusites, amigdalites, faringites, laringites e distúrbios auditivos. Tais patologias, embora muitas vezes tratáveis com medidas clínicas simples, podem evoluir com complicações se não forem corretamente diagnosticadas e conduzidas. Além disso, a recorrência de algumas dessas doenças está frequentemente associada a fatores ambientais, hábitos de vida, condições socioeconômicas e acesso limitado a medidas preventivas e terapêuticas (Pelton et al.; 2013; Venekamp et al., 2015).
O profissional de saúde que atua na APS deve estar capacitado para reconhecer os sinais e sintomas dessas patologias, estabelecer condutas iniciais seguras e saber os critérios de encaminhamento para níveis secundários e terciários de atenção. A atuação resolutiva na APS não apenas reduz a sobrecarga dos serviços especializados, como também melhora os indicadores de saúde e promove um cuidado mais integral e humanizado (Martins et al., 2020)
O estudo tem como objetivo apresentar uma revisão das principais patologias otorrinolaringológicas diagnosticadas na atenção primária à saúde, destacando suas características clínicas, condutas recomendadas e a importância do manejo adequado no âmbito da saúde pública. A análise dessas condições visa contribuir para a qualificação da prática clínica dos profissionais da APS, fortalecendo sua atuação na detecção precoce e no tratamento eficaz dessas enfermidades.
As doenças otorrinolaringológicas figuram entre as queixas mais recorrentes nas consultas de atenção primária à saúde (APS), afetando indivíduos de todas as faixas etárias. No entanto, muitos profissionais da APS relatam dificuldades no reconhecimento clínico, na condução terapêutica adequada e no manejo dos casos que exigem encaminhamento para a atenção especializada. Essa lacuna pode resultar em diagnósticos tardios, uso inadequado de medicamentos, aumento de complicações e sobrecarga dos serviços de saúde secundários e terciários. Assim, questiona-se: quais são as principais patologias otorrinolaringológicas encontradas na atenção primária à saúde e quais as melhores estratégias para sua abordagem eficaz nesse nível de atenção?
A identificação das doenças mais prevalentes na área da otorrinolaringologia na atenção primária é essencial para subsidiar a formação e atualização dos profissionais da saúde, de modo a garantir um atendimento mais resolutivo e eficiente. Considerando que a APS é o primeiro ponto de contato da população com o sistema de saúde, é nesse espaço que grande parte dos agravos deve ser reconhecida e, quando possível, tratada. A falta de conhecimento sobre as manifestações clínicas típicas, as indicações terapêuticas e os critérios de encaminhamento pode comprometer o prognóstico dos pacientes, acarretando gastos desnecessários, absenteísmo escolar e laboral, além de sofrimento evitável. Portanto, este estudo se justifica pela necessidade de sistematizar informações atualizadas sobre as principais doenças otorrinolaringológicas que acometem os usuários da APS, contribuindo para a qualificação da assistência e para a integralidade do cuidado.
Este estudo caracteriza-se como uma revisão da literatura, com abordagem qualitativa, cujo objetivo é descrever e analisar as principais patologias otorrinolaringológicas atendidas na atenção primária à saúde, bem como suas formas de manejo clínico. A pesquisa foi realizada nas bases de dados SciELO, LILACS, PubMed e Google Acadêmico, abrangendo artigos publicados nos últimos dez anos (2013 a 2023), em português, inglês e espanhol.
Os descritores utilizados incluíram: “otorrinolaringologia”, “atenção primária à saúde”, “doenças respiratórias superiores”, “otite”, “rinite”, “amigdalite”, “faringite” e “infecções do trato respiratório superior”, combinados com os operadores booleanos AND e OR.
A seleção dos estudos considerou critérios de inclusão como: publicações com acesso completo, que abordassem patologias otorrinolaringológicas em adultos ou crianças no contexto da APS, com foco na prevalência, diagnóstico e conduta. Foram excluídos trabalhos duplicados, resumos de eventos e estudos que não apresentassem relação direta com o objetivo proposto.
Após a triagem, os artigos foram analisados quanto aos principais achados, buscando-se identificar padrões, prevalências, abordagens terapêuticas e desafios enfrentados no contexto da atenção primária. A sistematização dos dados visa oferecer subsídios para uma atuação clínica mais eficaz e embasada cientificamente.
1 REVISÃO DA LITERATURA
1.1. A Atenção Primária à Saúde e seu Papel na Identificação de Doenças Otorrinolaringológicas
A Atenção Primária à Saúde (APS) é considerada a principal estratégia para garantir acesso universal e contínuo aos serviços de saúde, sendo responsável pela promoção da saúde, prevenção de doenças, diagnóstico precoce e manejo de agravos mais frequentes. Essa abordagem é essencial para organizar o sistema de saúde de forma eficiente, sobretudo em países com grandes desigualdades sociais, como o Brasil (Giovanella, 2008).
Conforme definido pela Organização Mundial da Saúde, a APS deve ser o primeiro nível de contato dos indivíduos com o sistema de saúde, oferecendo atenção acessível, integral, resolutiva e coordenada ao longo do tempo (WHO, 2008). Nesse sentido, os profissionais da APS devem estar preparados para lidar com uma ampla gama de condições clínicas, entre elas, as doenças otorrinolaringológicas, que se destacam pela alta prevalência e pelo impacto direto na qualidade de vida dos pacientes.
As patologias otorrinolaringológicas são responsáveis por uma proporção significativa das queixas nos atendimentos ambulatoriais, incluindo sintomas como dor de garganta, obstrução nasal, tosse, otalgia e alterações auditivas. A identificação precoce desses sinais e sintomas permite um tratamento mais eficaz e evita complicações futuras (Feldman, 2016). A atuação da APS nesse contexto deve ser pautada em protocolos clínicos baseados em evidências.
Muitas vezes, o diagnóstico dessas doenças depende apenas de uma boa anamnese e exame físico, recursos amplamente disponíveis na atenção primária. Isso reforça a necessidade de capacitação contínua da equipe de saúde para o reconhecimento das manifestações clínicas das doenças otorrinolaringológicas mais comuns, como rinite, otite, amigdalite e sinusite (Rodrigues; Motta, 2019).
Além do reconhecimento clínico, cabe à APS orientar o paciente quanto à prevenção e controle dos fatores de risco associados a essas doenças. A exposição a ambientes poluídos, o uso excessivo de ar-condicionado, tabagismo passivo, má higiene nasal e auditiva e automedicação são fatores frequentemente associados à incidência e à recorrência dessas patologias (Carvalho et al., 2017).
Outro aspecto relevante é a abordagem integral, que considera não apenas o sintoma isolado, mas o contexto social e ambiental em que o paciente está inserido. O cuidado na APS deve ser humanizado e voltado à escuta qualificada, especialmente em populações vulneráveis, como crianças, idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade social (Malta et al., 2014).
O manejo das doenças otorrinolaringológicas na APS também contribui para a redução da demanda nos serviços de média e alta complexidade. Muitas condições comuns podem ser resolvidas de forma eficaz nesse nível de atenção, evitando sobrecargas desnecessárias nos serviços especializados e promovendo uma melhor alocação dos recursos públicos (Oliveira; Almeida, 2021).
Ainda se observam desafios na formação e na atuação dos profissionais da APS frente às doenças otorrinolaringológicas. A formação generalista, por vezes, não contempla adequadamente o aprofundamento em temas específicos da área, o que pode levar a condutas inadequadas, atrasos no diagnóstico e encaminhamentos precoces para a atenção especializada (Bezerra; Figueiredo, 2020).
A adoção de protocolos clínicos e a padronização de condutas podem auxiliar significativamente na melhoria da qualidade da atenção prestada na APS. Documentos como os Cadernos de Atenção Básica do Ministério da Saúde e diretrizes clínicas desenvolvidas por sociedades médicas são ferramentas importantes nesse processo (Brasil, 2023).
A integração entre os níveis de atenção é essencial para garantir a continuidade do cuidado. O sistema de referência e contrarreferência deve ser funcional, permitindo que o paciente seja encaminhado quando necessário e, posteriormente, reassumido pela APS após a resolução do quadro ou definição de condutas especializadas (Giovanella; Mendoza, 2020).
A utilização de tecnologias de apoio à decisão clínica, como sistemas informatizados, prontuários eletrônicos e teleconsultorias, pode auxiliar os profissionais na identificação e manejo de doenças otorrinolaringológicas, promovendo maior segurança e resolutividade no atendimento primário (Eibenschutz et al., 2022).
É importante destacar que a efetividade da APS no manejo das doenças otorrinolaringológicas está diretamente relacionada ao seu grau de organização, ao perfil epidemiológico local e à capacitação das equipes de saúde. Investir na qualificação profissional e na valorização da APS é investir na prevenção de complicações e na promoção de uma saúde mais equitativa e eficiente.
1.2. Rinite e Rinossinusite: Impactos Clínicos e Abordagem na APS
A rinite e a rinossinusite são condições inflamatórias que acometem as vias aéreas superiores e estão entre as queixas mais frequentes nos serviços de atenção primária à saúde. Essas doenças apresentam elevada prevalência em todas as faixas etárias e afetam de forma significativa a qualidade de vida dos indivíduos, uma vez que interferem no sono, na respiração, na concentração e até no rendimento escolar e laboral (Solé et al., 2017).
A rinite pode ser classificada em alérgica e não alérgica, sendo a primeira a mais comum, especialmente em crianças e jovens. Ela se manifesta por sintomas como obstrução nasal, espirros, prurido nasal e coriza hialina. A forma não alérgica tem etiologias variadas, incluindo causas hormonais, ocupacionais, medicamentosas e idiopáticas (Mello et al., 2012).
Já a rinossinusite é caracterizada pela inflamação das mucosas dos seios paranasais e da cavidade nasal. Ela pode ser aguda, subaguda ou crônica, a depender da duração dos sintomas. Os principais sinais incluem congestão nasal, dor facial, secreção nasal purulenta, redução ou perda do olfato e febre, principalmente nos casos agudos (Seid et al., 2015).
Na atenção primária, o desafio maior é diferenciar as formas virais das bacterianas, especialmente no caso da rinossinusite aguda. Estudos indicam que a maioria dos casos é causada por infecções virais autolimitadas, e apenas uma pequena parte tem origem bacteriana, o que reforça a necessidade de evitar o uso indiscriminado de antibióticos (Bastos et al., 2020).
O diagnóstico dessas condições é clínico, baseado na história dos sintomas e em um exame físico bem conduzido. O uso de exames complementares, como radiografias ou tomografias, não é necessário na maioria dos casos e deve ser reservado para situações específicas, como suspeita de complicações ou quadros refratários ao tratamento (Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia, 2018).
No caso da rinite alérgica, a abordagem deve incluir medidas de controle ambiental, evitando a exposição a alérgenos como poeira, mofo, ácaros e pelos de animais, o tratamento farmacológico envolve o uso de anti-histamínicos, corticoides nasais e, em alguns casos, descongestionantes tópicos por curto período (Lopes et al., 2014).
A rinossinusite aguda viral deve ser tratada com medidas sintomáticas, como analgésicos, antipiréticos, hidratação e lavagens nasais com solução salina. Já nas formas bacterianas, o tratamento com antibióticos pode ser necessário, especialmente quando há sintomas persistentes por mais de 10 dias ou piora após melhora inicial (Fokkens et al., 2020).
A APS desempenha papel essencial no controle dessas doenças, especialmente por meio da educação em saúde. Ensinar os pacientes a identificarem sinais de gravidade, orientar sobre o uso correto de medicamentos e desestimular a automedicação são ações fundamentais para reduzir a morbidade associada a essas patologias (Silva et al., 2019).
A rinite e a rinossinusite, apesar de não serem doenças de alta letalidade, possuem um grande impacto no cotidiano dos pacientes. O desconforto constante e a recorrência dos episódios podem afetar o bem-estar físico e psicológico dos indivíduos, demandando um olhar sensível e integral por parte dos profissionais da atenção básica (Almeida; Lima, 2016).
Estudos também mostram que a coexistência entre rinite alérgica e outras doenças respiratórias, como asma e otite, é comum, o que reforça a importância de uma abordagem ampliada e contínua, evitando uma visão fragmentada do cuidado (Solé et al., 2017).
Outro ponto relevante é o manejo da rinossinusite crônica, que exige acompanhamento mais prolongado. Nesses casos, o encaminhamento para a atenção especializada pode ser necessário para investigação de causas estruturais, como desvio de septo, pólipos nasais ou imunodeficiências (Mion et al., 2013).
Ressalta-se que a formação dos profissionais da APS deve incluir conteúdos atualizados sobre essas doenças, permitindo que o atendimento seja resolutivo e baseado em evidências. Investir na capacitação técnica e clínica dos profissionais de saúde da atenção básica é fundamental para garantir o cuidado adequado às doenças otorrinolaringológicas e reduzir o impacto negativo dessas condições na população.
1.3. Otites Externas e Médias: Prevalência, Diagnóstico e Manejo Inicial
As otites representam um conjunto de inflamações e infecções que acometem o ouvido externo ou médio, sendo bastante comuns na prática clínica da atenção primária à saúde (APS), especialmente entre crianças. Sua alta prevalência, somada à possibilidade de complicações, torna fundamental o conhecimento sobre seus tipos, fatores predisponentes e condutas terapêuticas (Cordeiro et al., 2020).
A otite externa é uma inflamação do conduto auditivo externo, geralmente causada por infecções bacterianas associadas à exposição à umidade, traumas locais ou limpeza inadequada do ouvido com objetos como hastes flexíveis. Os principais sintomas incluem dor intensa, prurido, sensação de plenitude auricular e, em casos mais graves, otorreia (Roland; Stroman, 2002).
Na APS, o diagnóstico da otite externa é predominantemente clínico, baseado em anamnese dirigida e inspeção com otoscópio. A dor à tração do pavilhão auricular ou à palpação do trago é um sinal característico dessa condição (Feldman et al., 2016). A maioria dos casos responde bem ao tratamento tópico com analgésicos e antibióticos em gotas otológicas.
Já a otite média aguda (OMA) é uma infecção do ouvido médio, geralmente secundária a infecções das vias respiratórias superiores, e acomete principalmente lactentes e crianças pequenas. Os sintomas incluem otalgia, febre, irritabilidade, hipoacusia e, em casos de perfuração timpânica, otorreia (Venekamp et al., 2015).
O diagnóstico da OMA também é essencialmente clínico e deve considerar a presença de abaulamento da membrana timpânica, otorreia e sinais inflamatórios ao exame otoscópico. Em crianças pequenas, a irritabilidade, recusa alimentar e distúrbios do sono podem ser indicativos importantes da doença (Pelton et al., 2013).
O tratamento da otite média aguda deve ser individualizado. Em muitos casos, a conduta expectante é recomendada, especialmente quando os sintomas são leves e a criança tem mais de dois anos, pois a infecção pode se resolver espontaneamente. Contudo, em casos mais graves ou em pacientes de risco, o uso de antibióticos sistêmicos, como a amoxicilina, está indicado (Rosenfeld et al., 2013).
Outro tipo comum é a otite média com efusão, caracterizada pela presença de líquido no ouvido médio sem sinais de infecção aguda. Essa condição pode ocorrer após um episódio de OMA ou por disfunção da tuba auditiva e, apesar de ser autolimitada, pode causar perda auditiva temporária e afetar o desenvolvimento da fala nas crianças (Bluestone; Klein, 2007).
A APS tem papel relevante na orientação dos pais e responsáveis quanto à vigilância dos sintomas e ao retorno em caso de persistência ou agravamento do quadro. A identificação precoce de sinais de alarme, como febre persistente, dor intensa, secreção fétida ou sinais neurológicos, deve motivar o encaminhamento para atenção especializada (Bastos; Lima, 2019).
A abordagem preventiva também é essencial. Medidas como a promoção da amamentação, o controle de fatores ambientais (como exposição ao fumo passivo), a vacinação contra o pneumococo e a orientação sobre a higiene do ouvido são fundamentais para a redução da incidência das otites na infância (Santos et al., 2017).
Cabe destacar que a otite média é uma das principais causas de prescrição de antibióticos em pediatria. O uso racional desses medicamentos deve ser incentivado para evitar a resistência bacteriana, sendo necessário o conhecimento das diretrizes clínicas e o acompanhamento criterioso dos casos (Harnden et al., 2006).
A capacitação dos profissionais da APS para o correto uso do otoscópio, a interpretação dos achados clínicos e a condução terapêutica baseada em evidências é determinante para a resolutividade desses atendimentos. A educação permanente em saúde deve contemplar o manejo das otites, uma vez que sua abordagem adequada impacta positivamente na saúde auditiva e no desenvolvimento infantil (Oliveira; Ramos, 2020).
1.4. Faringoamigdalites e Laringites: Abordagem Clínica na Atenção Primária
As faringoamigdalites e laringites estão entre as causas mais frequentes de procura por atendimento médico na atenção primária à saúde (APS), especialmente durante as estações mais frias do ano. São condições inflamatórias que acometem a orofaringe e a laringe, manifestando-se por dor de garganta, febre, tosse e rouquidão, comprometendo temporariamente a qualidade de vida dos pacientes (Bisno et al., 2002).
A faringoamigdalite, caracterizada pela inflamação das amígdalas e da faringe, pode ter etiologia viral ou bacteriana. A forma viral é mais comum, representando até 70% dos casos, e geralmente apresenta curso autolimitado. Os principais agentes virais incluem adenovírus, rinovírus e coronavírus sazonais (Shulman et al., 2012).
Nos casos de origem bacteriana, o principal agente etiológico é o Streptococcus pyogenes(estreptococo beta-hemolítico do grupo A). Essa forma apresenta sintomas mais intensos, como febre alta, odinofagia importante, exsudato amigdaliano, linfadenomegalia cervical dolorosa e ausência de sintomas respiratórios como tosse ou coriza (Gerber; Baltimore, 2016).
O diagnóstico diferencial entre faringoamigdaliteviral e bacteriana é essencial para evitar o uso desnecessário de antibióticos. Na APS, a utilização de escores clínicos, como o de Centor modificado, pode ajudar na tomada de decisão terapêutica, considerando critérios como febre, ausência de tosse, adenopatia cervical e exsudato nas amígdalas (McIsaac et al., 2004).
Nos casos sugestivos de infecção bacteriana, o tratamento com antibióticos, como a penicilina benzatina ou amoxicilina, é indicado para prevenir complicações, como febre reumática e abscesso periamigdaliano. Por outro lado, quadros leves e autolimitados não requerem antimicrobianos, devendo ser manejados com sintomáticos e hidratação (Brasil, 2023).
A laringite, por sua vez, é a inflamação da laringe, comumente associada a infecções virais do trato respiratório superior, esforço vocal ou exposição a agentes irritantes. O sintoma predominante é a disfonia (rouquidão), que pode ser acompanhada de tosse seca, dor leve na garganta e febre baixa (Brouillette et al., 2015).
Na maioria dos casos, a laringite aguda é de origem viral e não necessita de antibióticos. O tratamento é baseado em repouso vocal, ingestão de líquidos, umidificação do ambiente e uso de analgésicos, quando necessário. A automedicação com anti-inflamatórios e corticoides deve ser evitada sem avaliação médica (Pontes; Gadelha, 2012).
A APS tem um papel fundamental no diagnóstico correto dessas condições e na educação do paciente quanto ao uso racional de medicamentos. A orientação sobre a duração esperada dos sintomas, sinais de alarme e medidas de autocuidado é essencial para garantir um tratamento eficaz e reduzir as reinfecções (Martins et al., 2020).
É importante ressaltar que a persistência dos sintomas por mais de duas semanas, rouquidão progressiva, disfagia e sinais sistêmicos devem levantar suspeita de condições mais graves, como neoplasias ou infecções crônicas, sendo necessário encaminhamento ao especialista (Ribeiro et al., 2018).
Além do aspecto clínico, a prevenção das faringoamigdalites e laringites deve ser incentivada na atenção primária. Medidas como a vacinação contra influenza, boa higiene das mãos, ventilação dos ambientes e redução do tabagismo são fundamentais para diminuir a incidência dessas infecções (Leung et al., 2017).
A abordagem integral e humanizada do paciente, valorizando os aspectos clínicos, sociais e comportamentais, fortalece o vínculo entre usuários e equipe de saúde, promovendo maior adesão ao tratamento e prevenção de complicações. A escuta qualificada, característica essencial da APS, favorece o diagnóstico precoce e a condução adequada dos casos (Starfield, 2002).
É essencial que os profissionais da APS estejam capacitados para identificar corretamente os diferentes quadros de faringoamigdalites e laringites, evitando a banalização de tratamentos e a medicalização desnecessária. O fortalecimento da APS passa necessariamente pelo investimento em educação permanente e na adoção de diretrizes clínicas atualizadas.
1.5. Desafios no Diagnóstico e Encaminhamento de Casos Complexos
Apesar da alta prevalência das doenças otorrinolaringológicas na atenção primária à saúde (APS), os profissionais enfrentam uma série de desafios para diagnosticar corretamente os casos mais complexos e para encaminhar adequadamente os pacientes ao nível secundário ou terciário de atenção. A dificuldade se deve, em parte, à sobrecarga de atendimentos, à limitação de recursos diagnósticos e à diversidade das manifestações clínicas dessas patologias (Bezerra; Figueiredo, 2020).
Entre os principais obstáculos está a ausência de capacitação específica na área de otorrinolaringologia durante a formação médica generalista, o que pode comprometer a avaliação inicial. Muitos sintomas dessas doenças se sobrepõem aos de outras condições clínicas, tornando o diagnóstico diferencial um processo desafiador, sobretudo quando não se dispõe de exames complementares (Giovanella; Mendoza, 2020).
A limitação no uso de instrumentos básicos, como o otoscópio e o rinoscópio, por parte dos profissionais da APS, é uma realidade em muitos serviços. O uso inadequado ou mesmo a ausência desses equipamentos dificulta a confirmação clínica de quadros como otites médias, perfurações timpânicas, pólipos nasais e alterações anatômicas (Cordeiro et al., 2020).
A demanda reprimida nos serviços de média complexidade também contribui para a manutenção de sintomas crônicos e para o agravamento de casos inicialmente simples. A demora no acesso a otorrinolaringologistas pode levar à piora do quadro clínico, aumento no uso de medicamentos sem eficácia comprovada e desgaste do vínculo entre o paciente e a equipe de saúde (Oliveira; Almeida, 2021).
A elaboração de protocolos de acolhimento e de estratificação de risco pode auxiliar os profissionais da APS na tomada de decisão sobre quando tratar localmente e quando encaminhar. Esses protocolos orientam a observação de critérios clínicos como tempo de evolução, gravidade dos sintomas, resposta ao tratamento inicial e sinais de alarme (Brasil, 2023).
Casos recorrentes ou refratários, como rinossinusites crônicas, otites de repetição ou faringoamigdalites que não respondem à terapêutica convencional, devem ser criteriosamente avaliados quanto à necessidade de encaminhamento. A repetição de tratamentos sem eficácia contribui para a resistência bacteriana e para o uso irracional de recursos (Silva et al., 2019).
Outro ponto relevante é o fluxo inadequado de referência e contrarreferência. Em muitas regiões, há dificuldades logísticas e burocráticas para garantir o retorno do paciente encaminhado ao serviço especializado para continuidade do cuidado na APS, o que compromete a integralidade da atenção e fragmenta o processo terapêutico (Mendes, 2015).
A integração efetiva entre os níveis de atenção, com base em prontuários eletrônicos compartilhados, reuniões matriciais e teleconsultorias, pode reduzir essas lacunas. A utilização do Telessaúde, por exemplo, tem se mostrado uma ferramenta eficiente para suporte diagnóstico e de conduta à distância, evitando encaminhamentos desnecessários (Eibenschutz et al., 2022).
As condições sociais e ambientais do paciente também devem ser consideradas no processo de cuidado. Fatores como baixa escolaridade, ausência de saneamento básico, exposição à poluição e dificuldade de acesso ao serviço de saúde influenciam diretamente na incidência e gravidade das patologias otorrinolaringológicas (Carvalho et al., 2017).
A escuta qualificada e o vínculo entre equipe e paciente são recursos potentes na APS e podem ser decisivos para o manejo de quadros complexos. O profissional que compreende o contexto de vida do paciente tem mais condições de identificar o real impacto dos sintomas e tomar decisões clínicas mais assertivas (Starfield, 2002).
O investimento em educação permanente e capacitação técnica é fundamental. Programas de atualização em otorrinolaringologia voltados para a APS, oficinas práticas e treinamentos interdisciplinares são estratégias recomendadas para melhorar a resolutividade dos atendimentos e reduzir os encaminhamentos por insegurança diagnóstica (Martins et al., 2020).
Os desafios no diagnóstico e encaminhamento de casos otorrinolaringológicos na APS exigem uma abordagem multifatorial. O fortalecimento da formação dos profissionais, a adoção de protocolos clínicos baseados em evidências, o uso de tecnologias de apoio à decisão e a articulação entre os níveis de atenção são medidas fundamentais para garantir uma assistência eficaz, resolutiva e centrada no paciente.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
As doenças otorrinolaringológicas, como rinite, rinossinusite, otites, faringoamigdalites e laringites, configuram-se como queixas clínicas recorrentes na atenção primária à saúde (APS), exigindo do profissional generalista preparo técnico e sensibilidade clínica para o diagnóstico precoce, o manejo adequado e a orientação do paciente. A resolutividade da APS frente a essas patologias depende de múltiplos fatores, incluindo a qualificação da equipe, a existência de protocolos assistenciais, o acesso a insumos básicos e a integração efetiva com os demais níveis de atenção.
Ao longo deste estudo, observou-se que a maior parte das condições otorrinolaringológicas pode ser manejada com segurança na atenção básica, desde que haja conhecimento clínico atualizado e capacidade de discernimento entre casos simples e aqueles que exigem encaminhamento especializado. O diagnóstico é, na maioria das vezes, clínico e depende de habilidades semiológicas que devem ser continuamente desenvolvidas, com base em evidências científicas.
Além disso, ficou evidente a importância do olhar ampliado sobre o contexto do paciente. Fatores sociais, ambientais e culturais influenciam diretamente na incidência, na cronicidade e nas possibilidades terapêuticas das patologias em questão. A educação em saúde, portanto, se apresenta como uma estratégia fundamental na prevenção e no controle desses agravos, bem como na redução da demanda por atendimentos emergenciais ou especializados.
A ausência de formação aprofundada em otorrinolaringologia durante a graduação de muitos profissionais de saúde e a dificuldade de acesso a recursos diagnósticos complementares constituem obstáculos relevantes na condução desses casos. Esses desafios demandam políticas públicas de saúde voltadas à capacitação continuada e ao fortalecimento da infraestrutura dos serviços de APS.
Outro aspecto crítico refere-se ao uso irracional de medicamentos, especialmente antibióticos, o que reforça a necessidade de um manejo clínico criterioso. A adoção de diretrizes e protocolos baseados em evidências é uma ferramenta eficaz para padronizar condutas e minimizar a medicalização desnecessária.
Também se destaca a necessidade de aperfeiçoamento dos fluxos de referência e contrarreferência, especialmente nos casos em que o paciente necessita de avaliação por especialista. A articulação entre os diferentes níveis de atenção é imprescindível para garantir a continuidade e integralidade do cuidado.
A análise das principais patologias otorrinolaringológicas neste trabalho contribui para reafirmar a relevância estratégica da atenção primária como pilar do sistema de saúde. Ao reconhecer os limites e potencialidades da APS, propõe-se que o profissional esteja comprometido não apenas com a resolução de sintomas, mas com uma abordagem integral, preventiva e humanizada.
Investir em educação permanente, na padronização de condutas e no fortalecimento da rede de atenção é essencial para garantir que a atenção primária responda de maneira eficiente às necessidades da população, especialmente em áreas com baixa cobertura especializada.
Com isso, conclui-se que a valorização das competências clínicas e comunicativas dos profissionais da APS, somada à implementação de políticas de suporte diagnóstico e articulação intersetorial, pode ampliar a capacidade de resposta da atenção primária às demandas otorrinolaringológicas.
Por fim, recomenda-se que estudos futuros aprofundem a investigação sobre os desfechos clínicos desses pacientes na APS, identifiquem lacunas de formação profissional e proponham intervenções voltadas à qualificação da assistência, contribuindo para um cuidado mais resolutivo e equitativo.
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