PREVALÊNCIA E QUALIDADE DE VIDA DE UNIVERSITÁRIOS DE FISIOTERAPIA COM ACNE VULGAR

TREVALENCE AND QUALITY OF LIFE OF PHYSIOTHERAPY UNIVERSITY STUDENTS WITH ACNE VULGARIS

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202511092310


Elany Milena Vicente Ferreira1
Dayane Freitas da Silva2
Raphaela Farias Teixeira3
Vivyanne Alexandra Amâncio de Emery4


RESUMO

A acne vulgar, bastante frequente na fase da adolescência, pode também acontecer em adultos jovens e a persistência dessas lesões pode impactar diretamente na qualidade de vida, estando relacionada a sentimento de insegurança, medo de rejeição, fobia social e vergonha, o que pode afetar consequentemente o desempenho na vida acadêmica. Esta pesquisa teve como objetivo avaliar a qualidade de vida relacionada à acne em universitários de fisioterapia de uma IES de Alagoas. Foi realizado um estudo observacional transversal em agosto de 2025, incluindo indivíduos de ambos os sexos, com idade mínima de 18 anos, regularmente matriculados em curso de fisioterapia. A coleta de dados incluiu o preenchimento de um formulário com dados sociodemográficos e hábitos de vida, e para os participantes com presença de acne vulgar ativa foi aplicado o CADI (The Cardiff Acne Disabillity Index) para avaliar a qualidade de vida relacionada à acne, e realizada a classificação da gravidade da acne utilizando o índice de GAGS (Global Acne Grading System). Foram incluídos 134 participantes, dos quais 55,22% referiram apresentar quadro de acne vulgar ativa. Dos participantes com acne vulgar ativa, 51,35% aceitaram participar da avaliação final específica para acne, destes 55,26% caracterizaram-se como grau leve e 44,74% como grau moderado pelo GAGS. Todos os participantes referiram impacto na qualidade de vida relacionada a acne, sendo 81,58% impacto leve e 18,42% impacto moderado. Os resultados evidenciam uma alta prevalência da acne vulgar em adultos jovens, que ainda exerce impacto significativo na qualidade de vida dos universitários de fisioterapia, mesmo em sua maioria classificada como leve, reforçando a importância de reconhecer seus efeitos psicossociais e de adotar estratégias de cuidado integral que considerem não apenas a gravidade clínica, mas também os aspectos emocionais e sociais da condição. 

Palavras-chave: Qualidade de vida, Acne vulgar, Estudantes.

1 INTRODUÇÃO

Acne é uma doença inflamatória das unidades que afeta a população jovem. Ocorre normalmente devido a produção anormal de sebo, que leva a obstrução do canal pilossebáceo por acúmulo de sebo e queratina (comedão). Tal processo fica exposto a bactérias como a Cutibacterium (antiga Propionibacterium acnes); sua atração pelo sebo desenvolve a acne (Pirola, Viera & Giusti., 2016).

Além disso, a acne é uma patologia que atinge mais de 80% dos adolescentes em todo o mundo, abrange um terço dos adultos, e além das lesões inflamatórias, pode levar a complicações permanentes como as cicatrizes atróficas que afetam entre 90 e 95% dos pacientes com acne vulgar, interferindo não apenas na aparência, mas também nos relacionamentos sociais e na autoestima (Feldman et al., 2004; Sociedade Brasileira de Dermatologia, 2023).

Dessa forma, tanto as lesões inflamatórias quanto as cicatrizes de acne podem levar a um importante impacto psicossocial, estando associados a baixa autoestima, ansiedade, dificuldade de socialização, depressão e suicídio, interferindo negativamente na qualidade de vida (QV) dos indivíduos (Werschler et al., 2016).

QV é definida pela OMS como “a percepção do indivíduo de sua inserção na vida, no contexto da cultura e sistemas de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações” (Organização Mundial da Saúde, 2012). De forma semelhante, a condição da QV é fundamentada nas medidas de condicionamento físico, estado psicológico e convívio social. 

Nesse cenário, a autoestima, sentimento que a pessoa tem em relação à sua autoimagem, como a pessoa se interpreta e se vê, tem sido estudada como importante indicador da saúde mental. A pele pode ser encarada como um “cartão de visitas”, que atrai olhares críticos e exigentes dos indivíduos, considerando uma sociedade que tem padrões estéticos preestabelecidos, e influenciando na percepção da QV (Vilar; Santos; Sobral Filho., 2015).

Desse modo, a avaliação da QV é importante para medir os parâmetros que indicam o estado psicossocial que o indivíduo se encontra. Os instrumentos utilizados podem ser específicos ou gerais e apontam a interferência da QV na condição de saúde (Fayers; Machin., 2007).

Diante do potencial dos quadros de acne vulgar adulta que acabam impactando a QV dos indivíduos e do aumento pela procura por tratamento para acne por parte dos universitários de fisioterapia na Clínica Escola de uma IES em Alagoas, este estudo teve como objetivo avaliar a prevalência e a qualidade de vida relacionada à acne em universitários de fisioterapia de uma IES de Alagoas.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 
2.1 Acne

O aumento da produção de sebo leva à proliferação do Cutibacterium (antiga Propionibacterium acnes), que hidrolisa os triglicérides do sebo, liberando ácidos graxos livres que irritam a parede do folículo, estimulando a hiperqueratose. O processo continua gerando uma pressão dentro do folículo, que se rompe, liberando ácidos graxos livres e micro-organismos na derme circunjacente, iniciando um processo inflamatório (Sutaria et al., 2025).

A acne pode ser desencadeada principalmente por hormônios sexuais ou a hiperqueratinização e proliferação da bactéria. Outros fatores que podem estar associados seria estresse, má alimentação, exposição solar, alguns medicamentos e cosméticos (Minami, 2016).

Acne pode ser classificada em quatro graus: grau I comedônica, predominando os comedões abertos (pontos negros) e fechados (pontos brancos); grau II papulopustulosa, aparecimento de pápulas ou pústulas com alguns comedões e seborréia; grau III papulonodular, abscessos e cistos com intensa atividade inflamatória além de pápulas e pústulas; e grau IV conglobata, contém todos os componentes encontrados na acne papulonodular além de fístulas, cicatrizes atróficas profundas ou queloideanas permanente (Minami, 2016).

2.2 Qualidade de vida

A QV é um conceito amplo e multidimensional que abrange a percepção individual sobre sua posição na vida, levando em consideração o contexto cultural, os valores, os objetivos pessoais e as expectativas do indivíduo. O bem-estar geral não se limita apenas à ausência de doenças, mas também reflete o bem-estar físico, mental e social, sendo um importante indicador da saúde geral e da satisfação com a vida (Organização Mundial da Saúde, 2012).

Dessa forma, embora a acne vulgar seja uma doença dermatológica de caráter geralmente benigno, possui grande potencial para impactar negativamente a QV dos indivíduos afetados. As lesões cutâneas visíveis podem gerar sentimentos de vergonha, ansiedade, depressão e baixa autoestima, interferindo nas relações interpessoais e no desempenho social e profissional (Borghi et al., 2011)

Paralelamente a isso, estudos apontam que o impacto psicológico da acne pode ser comparável ao de doenças crônicas, devido ao estigma associado à aparência física. Além disso, a presença de cicatrizes permanentes agrava esse quadro, levando a sofrimento emocional e dificuldades na aceitação da própria imagem corporal (Rodrigues de Freitas et al., 2024).

Por fim, a avaliação da QV em pacientes com acne é essencial para compreender a extensão dos impactos psicossociais causados pela doença e orientar intervenções mais eficazes. Para isso, são utilizados instrumentos específicos, como o Cardiff Acne Disability Index (CADI), que mede as consequências emocionais e sociais da acne, e o Global Acne Grading System (GAGS), que quantifica a gravidade clínica das lesões (Motley., 1992; Doshi., 1997).

O CADI avalia a QV relacionada a acne, sendo constituído por cinco perguntas, as duas primeiras abordam as consequências psicológicas e sociais da acne de maneira geral, a terceira é direcionada a pacientes com acne no tronco, a quarta questiona o estado psicológico do participante e a quinta solicita uma avaliação subjetiva sobre a gravidade da acne. Cada questão possui quatro respostas possíveis, variando de zero a três pontos, totalizando uma pontuação máxima de quinze. Escores de um a cinco denotam impacto leve na qualidade de vida, de seis a dez uma influência moderada e de onze a quinze comprometimento grave. Foi traduzido, adaptado culturalmente e validado para o português brasileiro, com comprovação de confiabilidade interna (α = 0,73) e validade concorrente significativa com outros instrumentos de qualidade de vida (rs = 0,802; p < 0,001). (Grando et al., 2016).

Já o GAGS é pontuado através de um exame físico que considera seis regiões do corpo, sendo cinco áreas da face (fronte, malar direito, malar esquerdo, queixo e nariz) e uma área corporal (tórax anterior e dorso). Para cada região, um fator é atribuído com base na área de superfície, distribuição e densidade das unidades pilossebáceas, e cada tipo de lesão acneica recebe um grau de gravidade de zero a quatro, sendo zero sem lesões, um para comedões, dois para pápulas, três para pústulas e quatro para nódulos. A pontuação local é calculada pelo produto entre fator e grau, e a pontuação global é obtida pela soma das pontuações locais, classificando a acne em leve (1 a 18), moderada (19 a 30), grave (31 a 38) e muito grave (>39), (Grando et al., 2016).

Desse modo, o uso conjunto dessas ferramentas pode auxiliar na análise integrada entre o comprometimento físico e o bem-estar subjetivo, permitindo uma abordagem mais completa e individualizada no manejo da acne.

3 METODOLOGIA 
3.1 Caracterização do estudo

O presente estudo caracterizou-se como um estudo observacional transversal, realizado em agosto de 2025, com o objetivo de avaliar a prevalência da acne e seu impacto na qualidade de vida em acadêmicos do curso de Fisioterapia. A pesquisa buscou identificar fatores clínicos e comportamentais relacionados à acne, bem como analisar a gravidade das lesões e o impacto na qualidade de vida dos participantes.

3.2 População e amostra

Participaram do estudo acadêmicos do curso de Fisioterapia, maiores de 18 anos, de ambos os sexos, de todos os períodos e turnos, regularmente matriculados na instituição. Foram excluídos indivíduos com diagnóstico de outra doença dermatológica ou distúrbio psiquiátrico, gestantes e alunos que estivessem afastados das atividades acadêmicas no momento da coleta. A amostra foi não probabilística por conveniência, sendo os participantes recrutados diretamente nas salas de aula, em todos os períodos e turnos, garantindo a participação voluntária dos mesmos mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).

3.3 Instrumentos de pesquisa 

A coleta de dados foi realizada por meio de uma ficha elaborada especificamente para este estudo, contendo informações sobre sexo, idade, tipo de pele, histórico de cirurgia plástica facial, alterações de pigmentação, diagnóstico de acne, idade de surgimento, localização das lesões, tratamentos prévios e recidivas, além do uso de cosméticos para acne. Os participantes com diagnóstico de acne receberam um QR code para agendarem sua avaliação e responderem ao questionário CADI, versão portuguesa (Grando et al., 2016). Além disso, foi realizado um exame físico para classificação da gravidade da acne utilizando o GAGS. 

Após a avaliação, todos os participantes receberam orientações sobre cuidados com a pele, adoção de uma rotina adequada de cuidados faciais, uso de protetor solar e ingestão adequada de água, garantindo a aplicação prática dos conhecimentos coletados durante a pesquisa.

3.4 Análise dos dados

Os dados coletados foram tabulados, categorizados e analisados de forma descritiva utilizando o Microsoft Excel, sendo calculadas a frequência absoluta e relativa para variáveis categóricas e medidas de tendência central para variáveis contínuas. Foi verificada a associação entre a gravidade da acne, avaliada pelo GAGS, e o impacto na qualidade de vida, avaliado pelo CADI, por meio do Teste do Qui-quadrado de Pearson, considerando-se como estatisticamente significante um p < 0,05.

3.5 Aspectos éticos

O estudo respeitou as normas éticas estabelecidas pela Resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde e foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com o parecer nº 7.511.855/2025. Todos os participantes assinaram o TCLE, garantindo confidencialidade, anonimato e participação voluntária em todas as etapas da pesquisa.

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Foram incluídos 134 participantes, correspondendo a 53,6% da população-alvo incluindo discentes de todos os períodos ativos do curso (1º ao 10º), e dos turnos vespertino (45,52%) e noturno (54,48%). A amostra caracterizou-se predominantemente por indivíduos jovens, com média de idade de 23,10 ± 4,8 anos, sendo a maioria do sexo feminino (68,66%) e solteira (91,04%), perfil compatível com a população universitária. Os fototipos cutâneos mais prevalentes foram dos tipos II (16,75%), III (42,12%) e IV (33,50%). Quanto à atividade laboral, 73 participantes (54,48%) não exerciam trabalho remunerado, apresentando média de estudo diário entre 5 e 6 horas (43,28%) (Tabela 1).

Tabela 1 – Caracterização da amostra

Fonte: Dados da pesquisa, 2025.

Dos participantes incluídos, 55,22% referiram apresentar acne vulgar, sendo que a maioria não relatou histórico familiar da condição (55,40%). Destes, no que se refere aos hábitos de vida, a prática de atividade física foi relatada por 75,68% dos estudantes, com frequência predominante de mais de cinco vezes por semana, 66,22% afirmaram não consumir bebidas alcoólicas, 98,65% não eram tabagistas, 91,89% consideraram sua alimentação balanceada e 64,86% relataram ingestão diária superior a 1 litro de água. Em relação ao sono, 51,35% apresentaram mais de 6 horas de duração por noite. Verificou-se ainda que 31,08% não faziam uso de protetor solar e a maioria referiu exposição solar superior a 1 hora diária. (Tabela 2). 

Dos 74 discentes, 38 (51,35%) aceitaram participar da avaliação final específica para acne destes 81,58% dos casos caracterizou-se como grau leve e 18,42% como grau moderado pelo GAGS. Todos os participantes referiram impacto na qualidade de vida relacionada à acne de acordo com o CADI, sendo 55,26% impacto leve e 44,74% impacto moderado na qualidade de vida (Tabela 3). No entanto, a gravidade da acne não foi associada uma pior qualidade de vida relacionada à acne (p = 0,4648). 

Tabela 2 – Hábitos de vida dos universitários de fisioterapia com acne vulgar ativa e sem acne vulgar

Fonte: Dados da pesquisa, 2025.

Tabela 3 – Qualidade de vida relacionada à acne e gravidade da acne de universitários de fisioterapia com acne vulgar.

Legenda: CADI – Cardiff Acne Disability Index; GAGS – Global Acne Grading System; *Teste do Qui-quadrado de Pearson. Fonte: Dados da pesquisa, 2025.

De forma geral, os resultados apontam que os universitários de fisioterapia estudados apresentam boa adesão a hábitos saudáveis, porém a acne permanece prevalente e associada a impactos emocionais significativos, independentemente da gravidade clínica. Desse modo, os achados corroboram com estudos como os de Freitas et al. (2016) e Werschler et al. (2016), que destacam o papel das variáveis psicossociais como estresse, autoimagem e pressão estética na persistência e agravamento de acne vulgar em adultos jovens.

Já em relação aos hábitos de vida, os resultados demonstraram um perfil autorelatado relativamente saudável entre os participantes, tanto com acne quanto sem acne ativa. A prática de atividade física foi relatada pela maioria nos dois grupos, o que acaba demonstrando que o exercício regular não se mostrou um fator capaz de diferenciar a presença da acne. Achados semelhantes foram relatados por Ferreira et al. (2023), sugerindo que, apesar de contribuir para a regulação hormonal e redução do estresse, principalmente em mulheres, já que sua base hormonal mensal tende a ter constantes mudanças, a atividade física isoladamente não exerce impacto direto e significativo sobre a ocorrência da acne. Observou-se ainda elevada ingestão hídrica e relato de sono superior a seis horas na maior parte dos participantes, independentemente da presença da acne, o que também condiz com dados apresentados em pesquisas com universitários brasileiros (Silva et al., 2024).

Embora mais de 90% dos estudantes tenham afirmado manter alimentação balanceada, esse dado deve ser analisado com cautela, uma vez que o autorrelato não permite identificar componentes alimentares específicos que podem agravar a acne. A literatura destaca que padrões alimentares com alta carga glicêmica e ingestão frequente de laticínios estão associados ao piora do quadro acneico, mesmo em indivíduos que consideram sua dieta “adequada” (Costa et al., 2022; SBD, 2022). Portanto, mesmo diante de um suposto padrão alimentar saudável, aspectos como consumo de fast food, doces e produtos lácteos podem não ter sido mensurados de forma detalhada, o que reduz a capacidade de estabelecer possíveis relações entre alimentação e acne.

Outro achado relevante foi o maior uso de protetor solar entre indivíduos com acne ativa, quando comparados aos sem acne. Esse comportamento pode estar relacionado à preocupação com hiperpigmentação pós-inflamatória e prevenção de manchas, fatores que, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (2022), contribuem para maior adesão à fotoproteção entre pessoas com acne. Além disso, reforça-se que a exposição solar prolongada não exerce efeito terapêutico sobre a acne, podendo inclusive agravar lesões e manchas residuais, apontando a importância da orientação quanto ao uso de foto protetores não comedogênicos (SBD, 2022).

Quanto ao impacto psicológico, todos os participantes com acne apresentaram algum comprometimento da qualidade de vida segundo o CADI, confirmando que a acne, mesmo em casos leves, repercute negativamente na autoestima e no bem-estar dos jovens; dados corroborados pelo estudo de Ribas (2008) que identificaram impacto significativo da acne na vida social, emocional e na autopercepção corporal de universitários de medicina.

Nesta pesquisa não houve associação entre a gravidade das lesões e o grau de comprometimento da QV, sugerindo que o sofrimento psicológico associado à acne pode ser independente da severidade clínica, estando mais relacionado à percepção individual do indivíduo, fatores emocionais e pressões estéticas socioculturais. No entanto, este resultado difere de outros estudos realizados na população de adolescentes, que evidenciam um impacto significativo da acne na QV de jovens adolescentes e que este impacto é proporcional à gravidade da acne (Lu et al, 2025; Ozkoca et al, 2025; Tayel et al, 2025).

Os achados reforçam a importância de estratégias educativas e de suporte psicossocial voltadas ao público universitário, visto que o impacto emocional pode se apresentar de forma desproporcional às características clínicas da acne. A atuação integrada entre dermatologia e serviços de apoio psicológico nas instituições de ensino pode favorecer a identificação precoce de quadros de sofrimento emocional associados à condição.

Por fim, como limitações do estudo, destaca-se o uso de variáveis autorrelatadas, especialmente no que diz respeito à alimentação e sono, o que pode ter gerado vieses de resposta. Ademais, também se registra a ausência de retorno de alguns participantes para a etapa de avaliação física, reduzindo o número de casos avaliados e a capacidade de análises comparativas mais robustas. Além disso, por tratar-se de estudo transversal e de único centro universitário, os resultados não podem ser generalizados para outras populações.

5 CONCLUSÃO

Os resultados evidenciam que a acne vulgar apresentou prevalência significativa na população investigada, mantendo-se como condição dermatológica relevante entre indivíduos universitários, mesmo após o período típico da adolescência. Embora a maioria dos casos tenha sido classificada como grau leve, observou-se impacto relevante na qualidade de vida, manifestado por sentimentos de insegurança, vergonha, medo de rejeição e fobia social; essa percepção subjetiva de sofrimento pode comprometer o bem-estar e o desempenho acadêmico.

Portanto, a acne deve ser compreendida não apenas como uma condição dermatológica, mas como uma doença multifatorial, cuja abordagem efetiva requer o entendimento das dimensões psicológicas e sociais do paciente. A adoção de estratégias de educação em saúde, apoio emocional e acompanhamento interdisciplinar pode contribuir para melhorar a qualidade de vida desses indivíduos e reduzir o estigma social associado à doença.

Evidencia-se, assim, a necessidade de ações voltadas à promoção da saúde emocional e psicossocial de universitários que convivem com acne vulgar. Estratégias como orientação psicológica, acompanhamento dermatológico adequado, campanhas de conscientização sobre a condição e programas de suporte acadêmico podem contribuir para mitigar os impactos negativos e promover maior qualidade de vida.

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1Discente do Curso de Graduação em Fisioterapia do Centro Universitário Cesmac; e-mail: elanymilena1512@gmail.com

2Discente do Curso de Graduação em Fisioterapia do Centro Universitário Cesmac; e-mail: dayanefreitasdasilva@hotmail.com

3Discente do Curso de Graduação em Fisioterapia do Centro Universitário Cesmac; e-mail: raphaela.texeira@cesmac.edu.br

4Discente do Curso de Graduação em Fisioterapia do Centro Universitário Cesmac; e-mail: vivyanne.emery@cesmac.edu.br